Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 1 ano
Confira mais notícias em nosso site:
https://www.oantagonista.com

Curta O Antagonista no Facebook:
https://www.fb.com/oantagonista

Siga O Antagonista no Twitter:
https://www.twitter.com/o_antagonista

Siga O Antagonista no Instagram:
https://www.instagram.com/o_antagonista

Assine nossa newsletter:
https://goo.gl/mTpzyB

___

***

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Então, nessa ação penal 504-65-12-94, depoimento do Sr. Fábio Rory Yanamini.
00:09Rory?
00:10Rory.
00:11Sr. Fábio, o senhor foi acusado de um crime pelo Ministério Público, na condição de acusado.
00:17O senhor tem o direito para merecer em silêncio.
00:19Se o senhor utilizar esse direito, isso não lhe traz nenhum prejuízo.
00:24No entanto, também, esse é o momento que o senhor pode falar no processo.
00:26Tudo o que o senhor falar vai ser considerado para o julgamento.
00:30O senhor prefere falar ou o senhor prefere ficar em silêncio, Sr. Fábio?
00:34Acho que eu pedi para o senhor puxar um pouquinho mais próximo, ou se quiser se aproximar da mesa.
00:40Sr. Fábio, antes de começar as perguntas sobre o objeto que é a acusação, especificamente,
00:45eu tenho informação na denúncia que o senhor seria diretor financeiro e presidente da OS Empreendimentos.
00:51Sim.
00:52Quando o senhor assumiu esses cargos, essas posições?
00:55Eu entrei no grupo OS, pela OS Empreendimentos, em 2008, em maio de 2008, como diretor financeiro.
01:04E o senhor permaneceu nesse cargo?
01:05Eu permaneci nesse cargo até março de 2011.
01:10E depois?
01:11Eu deixei esse cargo e fui para uma outra empresa do grupo, que é a OS Investimentos.
01:15OS Investimentos.
01:16Fiquei até dezembro de 2013, quase no final de dezembro, e em janeiro de 2014, eu assumi a presidência da OS Empreendimentos.
01:28Janeiro de 2014?
01:29Isso.
01:30Certo.
01:31Quando o senhor era diretor financeiro da OS Empreendimentos, o senhor estava subordinado a quem?
01:37Ao presidente da OS Empreendimentos da época.
01:39E quem seria?
01:40Carminho e DCL.
01:44Depois que o senhor foi para a OS Investimentos, o senhor teve a...
01:47Não tinha vinculação direta.
01:49A OS Investimentos, na verdade, é uma holding de investimentos do grupo OS.
01:54Embaixo dessa OS Investimentos, tinham cinco ativos.
01:57Cinco ativos são cinco negócios distintos.
02:00Entre eles, a OS Empreendimentos.
02:01Ah, sei.
02:02Então, eu tinha uma visão de acompanhamento da performance do todo desse portfólio, né?
02:10Depois, quando o senhor voltou na OS Empreendimentos como presidente, o senhor tinha alguma vinculação
02:16hierárquica com o presidente da holding?
02:19Eu tinha vinculado primeiro com o vice-presidente aqui da OS Investimentos, que tinha como presidente
02:26da OS Investimentos, tinha uma pessoa acima que era o doutor Léo Pinheiro.
02:29Qual que é o seu relacionamento com o senhor José Aldelmário e o senhor Léo Pinheiro?
02:34É, relacionamento...
02:36Eu sempre fui subordinado.
02:38O doutor Léo Pinheiro era dono da empresa.
02:40Então, entre ele e até chegar a mim, tinha uma distância ainda de...
02:44Tinha um cargo entre eu e ele.
02:46Mas o senhor tinha contatos com alguma frequência?
02:49Não, não era com contatos frequentes.
02:51O senhor já trabalhou alguma vez na OS Construtora?
02:54Não, nunca trabalhei.
02:55Nessa área de petróleo?
02:57Nunca.
02:57Contratos com a Petrobras?
02:58Não.
02:59Essa acusação do Ministério Público diz especificamente respeito a esses empreendimentos
03:09que teriam sido assumidos pela OS Empreendimentos da Bancop.
03:14O senhor acompanhou esse processo?
03:16Eu acompanhei desde o primeiro projeto.
03:21Participei da modelagem para que esses projetos pudessem ser assumidos pela OS Empreendimentos.
03:28De quem foi a iniciativa dentro da OS de assumir esses empreendimentos da Bancop?
03:34Como é que isso surgiu dentro da empresa?
03:36Vou falar como surgiu para mim.
03:37Tá.
03:37Isso, eu entrei quase na metade de 2008 na empresa e ao início de 2009 o então presidente da OS Empreendimentos me convidou para uma reunião junto, para me reunir com o pessoal da Bancop, com a diretoria da Bancop.
03:53E nessa reunião foi explorada, o pessoal relatou os problemas que a Bancop vinha sofrendo, entre eles a interrupção de muitas obras, de vários.
04:05A Bancop era como se fosse uma holding também de vários projetos embaixo, então eles tinham várias seccionais embaixo.
04:12E o relato era de que havia problemas porque as obras, os cooperados não queriam mais colocar dinheiro nas seccionais para completar as obras.
04:23E, em virtude disso, as obras estavam interrompidas, em muitos casos.
04:27E isso tinha uma questão de, não tinha solução para eles na época.
04:30E a alternativa que se foi discutida à época era justamente para a OAS poder fazer parte de uma solução junto com os cooperados, na verdade, muito mais do que com a Bancop.
04:43Então eu participei desse primeiro momento.
04:46E como é que isso se desenvolveu a partir de então?
04:48A partir de então, fruto dessa reunião, houve uma sugestão para que se assumisse, que a OAS pelo menos estudasse um primeiro projeto, que chamava-se Autos do Butantan.
04:58E por que eles escolheram esse primeiro projeto?
05:01Porque a complexidade era muito grande desse projeto.
05:04Era um projeto que já tinha 400 unidades, né?
05:08Eu diria que quase 300 delas já tinham cooperados, ou seja, já tinham um vínculo do cooperado com o empreendimento.
05:16E, então, tinha também uma torre, se não me engano, são duas torres o projeto, e uma delas já estava quase pronta, inclusive com gente morando.
05:25Só que era um problema, porque esses mesmos caras, o pessoal que estava morando, os cooperados que estavam morando, tinham os mesmos direitos daqueles que não estavam morando.
05:36Porque tinham pago a mesma coisa, e por uma questão, eu não sei exatamente a regra.
05:41Mas acho que a gente não precisa entrar em tanto detalhamento assim.
05:43A OAS acabou assumindo o empreendimento da Bancop?
05:46É, ela não assumiu.
05:47Depois de uma... tem um processo só que é importante, eu acho que vai ficar claro.
05:54Quando houve essa iniciativa de se tentar encontrar uma solução conjunta,
05:58a sugestão é que houvesse um grupo de cooperados daquela seccional, daquele que representava aquele empreendimento,
06:05que sentasse com a OAS para tentar chegar num acordo.
06:09O que é basicamente esse acordo?
06:10A OAS assumiria essa obra, que estava interrompida, transformaria ela de uma cooperativa para uma incorporação.
06:21E se houvesse um acordo entre os cooperados, antigos cooperados, aceitassem se tornar cliente da OAS,
06:29pagando um complemento para ter uma unidade construída,
06:33aí sim haveria interesse mútuo e aí chegou-se nesse acordo inicial.
06:40Dado que tinha um acordo comercial nessa comissão, levou-se o assunto para a Assembleia dos Cooperados.
06:46Certo.
06:47Que é aí onde todos os cooperados são representados e decidiu-se que, entre eles,
06:51teve participação da OAS nesse caso, que valeria a pena fazer esse acordo com a OAS.
06:57Essa Assembleia é por empreendimento?
06:59É por empreendimento.
06:59Por empreendimento.
07:00Por empreendimento, a OAS não tinha voz nessa Assembleia.
07:03O senhor mencionou essa mudança de regime de cooperado para um regime de incorporação.
07:12Isso fazia com que o cooperado se tornasse um cliente da OAS?
07:18Potencialmente.
07:19Porque a partir do momento em que havia a deliberação pela dissolução dessa seccional da cooperativa,
07:26havia uma opção para os cooperados de permanecerem clientes da OAS
07:31e utilizarem o crédito como forma de pagamento da unidade, da respectiva unidade,
07:37ou o cooperado podia optar por simplesmente ser ressarcido.
07:42E aí tinha uma regra que era nos moldes da regra que já existia na cooperativa.
07:45Então, a OAS ressarcia esse crédito.
07:49Tinha uma regra de validação desse crédito junto à Pancop.
07:52E a OAS simplesmente ressarcia o cooperado.
07:55E esses fatos ocorreram aproximadamente quando?
07:58É isso.
07:58O senhor estava mencionando em 2008, depois...
08:00Foi início de 2009.
08:02Início de 2009.
08:03E houve essa transferência de empreendimentos?
08:06Então, não sei se eu utilizo essa expressão certa, mas houve essa transferência de empreendimentos
08:11que eram da Bancop para a OAS?
08:13Isso era um processo individual, não era uma negociação com a Bancop.
08:17Tá, sim, sim.
08:17Todas as seccionais tinham as suas respectivas comissões de obra,
08:22que por sua vez levavam o assunto para a Assembleia para ser votado.
08:26O senhor se recorda quais os empreendimentos imobiliários foram, vamos dizer, assumidos pela OAS?
08:31Eu não tenho, posso dizer, o Solaris certamente, são oito projetos, oito ou nove projetos no total.
08:40Todos eles tiveram processos individuais, não foi um processo no todo que você chegou,
08:45uma relação, uma negociação direta com a Bancop.
08:48Aquela pessoa que era cooperado da Bancop, quando ela se tornou cliente da OAS,
08:55ela tinha necessidade de continuar efetuando pagamentos?
08:58É, qual que é, dentro daquela opção, se ela optou por permanecer,
09:03exerceu a opção de permanecer com a unidade,
09:07ela assinaria, assina uma promessa de compra e venda e torna-se cliente.
09:11A partir desse momento, ele faz os pagamentos conforme tinha sido combinado anteriormente.
09:16E eles tiveram que fazer pagamentos, aqueles que assinaram esses contratos?
09:22Ou teve casos em que não houve necessidade de nenhum pagamento?
09:24Em todos os casos, houve interrupção da construção, a obra não tinha avançado.
09:30Então, não fazia sentido econômico para a OAS simplesmente assumir essa obrigação
09:34sem ter uma contrapartida dos antigos cooperados agora em clientes.
09:38Então, em todos os casos, houve um complemento.
09:41Houve um complemento.
09:42E a partir do momento em que a OAS assumiu essas obras,
09:47aqueles antigos cooperados passaram a ter, vamos dizer, unidades individualizadas
09:52ou permaneceram com uma cota em uma cooperativa?
09:55Não, a partir do momento em que houve o encerramento dessa seccional,
09:59passa a ter uma relação com a empresa.
10:02Então, ela assina uma promessa de compra e venda que vincula
10:05tanto a empresa quanto, agora, então, cliente a uma determinada unidade.
10:08Certo.
10:10Esses empreendimentos imobiliários que foram assumidos pela OAS,
10:13o senhor se recorda, o senhor diz que são oito e não se recorda especificamente quais,
10:18o senhor se recorda em que cidades que estavam esses empreendimentos?
10:25Concentrados em São Paulo e os Solares, no Guarujá.
10:27Bem, relativamente aqui, indo um pouco mais adiante,
10:39sobre essa unidade que, segundo o Ministério Público,
10:42seria de titularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva,
10:48o que o senhor tem de conhecimento a esse respeito?
10:50Eu acho que é uma questão, eu vou explicar um pouco como é que funciona o modelo da incorporação,
11:00porque a determinação da propriedade ou não, acho que vai ficar cabecinho definido,
11:04mas eu acho que o que eu posso dizer, dentro do conhecimento que eu tinha,
11:07é como que funciona também, para que fique claro as informações que eu detinha à época.
11:12É, quando uma, nesse momento em que o cooperado torna-se cliente,
11:18ele assina uma promessa de compra e venda, como eu disse.
11:21Certo.
11:22A única visibilidade que a empresa tem em relação aos antigos cooperados, então,
11:28são daqueles que exigiram, pediram para exercer o direito de alguma forma,
11:33ou ficar com a unidade, ou ser ressarcido.
11:35Mas isso em 2009.
11:36Isso em 2009.
11:37Nessa época, eu era diretor financeiro, eu não tinha a menor visibilidade disso,
11:42porque para mim, não tinha essa relevância do meu papel, saber quem era cooperado,
11:48quem era cliente, eu acompanhava uma linha, falava assim,
11:50olha, venderam tantas unidades que vão dar tanto de receita,
11:55e esse projeto vai custar tanto, tem lucro de tanto.
11:58Então, basicamente, a grosso modo, essa era a minha visibilidade à época.
12:02Quando o apartamento vai sendo construído também, não tem o nome de quem,
12:11e se houve a reserva também desse apartamento ao longo da obra,
12:16a área financeira não tem a menor visibilidade de quem,
12:20se é que há uma reserva, porque ela enxerga essa unidade como se fosse um estoque.
12:25Sim.
12:26Porque se, ao não ser que houvesse uma explosão da unidade,
12:30que ela fosse inviabilizada para a venda,
12:33se caísse, alguma coisa desse tipo,
12:35é uma unidade em potencial de venda.
12:38Sim.
12:38Não quer dizer que o acompanhamento financeiro conseguisse enxergar isso aí.
12:43Se essa unidade estava reservada ou não,
12:48eu não tinha conhecimento à época,
12:51porque não era meu papel ter esse conhecimento.
12:55Nesses três anos, ninguém chegou,
12:57não tinha dentro da minha rotina,
12:59saber se tinha unidade reservada ou se não tinha unidade reservada.
13:03Eu meramente sabia, quando muito,
13:05aquilo que tinha sido vendido e quantas unidades tinham no estoque.
13:08O estoque é uma gestão da área comercial da empresa.
13:14Tem uma área, uma diretoria na empresa,
13:16que cuida do projeto e vira como se fosse o dono do projeto.
13:19Então, ela que tem a interação com o cliente final.
13:21Na minha área, não tinha interação alguma com o cliente final.
13:28Se o ex-presidente Luiz Inácio e a esposa dele
13:32fossem cooperados da Bancop,
13:34com direitos sobre o empreendimento solares,
13:39eles teriam que ter participado desse procedimento em 2009
13:43de solicitar a devolução do preço
13:47ou fazer um contrato com a Oeste?
13:50Eles tinham a opção.
13:52Então, a opção foi dada a todos os cooperados.
13:56Como eles eram cooperados desse empreendimento da Bancop,
14:00eles teriam que ter feito uma opção
14:02entre ficar com a unidade, a qual eles tinham feito a opção lá atrás,
14:07enquanto cooperados da Bancop,
14:09ou pedir para ser ressarcido.
14:11E tinha um prazo para exercer essa opção?
14:13Imagino que tinha.
14:14Que tivesse um prazo, eu não sei dizer qual prazo.
14:16E por que tinha um prazo?
14:18Porque era interessante também para a empresa
14:20saber quais unidades estariam disponíveis para a venda.
14:24Então, é por isso que havia um prazo.
14:26O Ministério Público afirma aqui, com base em documentos da Oeste,
14:31que esse prazo seria de 30 dias.
14:34Aqui no evento 3, anexo 213,
14:40um trecho que eu vou lhe mostrar aqui,
14:45cláusula 8.1, peço para o senhor dar uma olhadinha.
14:47Era isso?
14:56É.
14:57Pelo documento, novamente, a minha área,
15:00à época, eu não tinha interação alguma com o cliente.
15:03E os cooperados tinham alguma opção
15:04de simplesmente não fazer nada?
15:07Não optar nem por receber de volta
15:09e nem por, vamos dizer, fazer um contrato de compra e venda?
15:13Olha, o cooperado tem um direito.
15:14É a opção dele é exercer o direito ou não.
15:17Então, no caso, se o cooperado não exercesse nenhum direito,
15:22a empresa também não estava impondo nenhuma...
15:25A única coisa que acontecia é que,
15:27se o cooperado não exercesse o direito pela unidade,
15:30a empresa poderia colocar o imóvel à disposição para a venda.
15:36Há uma afirmação aqui do Ministério Público
15:38de que o ex-presidente e a senhora Marisa Letícia
15:46teriam assinado um contrato relativo a um apartamento 141
15:51nesse edifício Solares.
15:55Presidente, peraí, não existe a afirmação de ter assinado um contrato.
16:00Existe a afirmação de comprar uma cota
16:02e que havia...
16:04Ah, não estou gravando, tá?
16:05Estou.
16:12Exerência, a afirmação de que existe um contrato
16:16na tabênia não consta dos autos.
16:19Consta é a compra de uma cota.
16:23Então, eu gostaria de fazer esse registro
16:25e pedir a V. Exª que observe essa situação
16:28na formulação das perguntas.
16:30É uma cota com uma identificação de uma unidade, né?
16:34Específica.
16:35Isso está no processo aqui,
16:36evento 3, comp 12, né?
16:39Ah, isso está interpretando o documento.
16:40Não, estou lendo o documento aqui.
16:43Então, tem que ver o contrato com quem é.
16:46Tá.
16:47Há um contrato com
16:49um termo de adesão e compromisso de participação
16:52do ex-presidente da senhora Marisa Letícia
16:54com a Bancop,
16:56que é uma referência ao
16:58aquisição dessa cota de apartamento,
17:02preço de R$ 195 mil,
17:04com a referência a apartamento R$ 141 mil.
17:10O senhor tem conhecimento se essa unidade
17:12foi destinada a eles depois?
17:16Como ele não exerceu a opção,
17:18as duas opções que eu descrevi,
17:20a unidade foi colocada à venda
17:22e foi vendida posteriormente.
17:24Posteriormente, pelo menos aqui,
17:28a acusação do Ministério Público
17:30que teria sido destinado ao ex-presidente
17:32esse apartamento triplex,
17:35que seria até uma outra unidade,
17:38174A,
17:40ou 164A.
17:42O que o senhor tem conhecimento a esse respeito?
17:46Pode repetir só a pergunta?
17:48A afirmação consta na acusação
17:50é que teria sido destinado ao ex-presidente
17:53o triplex 164A,
17:56174A,
17:57desse edifício Solares.
17:59Olha, a única...
18:01Eu nunca recebi a informação
18:03ou o pedido
18:04de entregar essa unidade
18:07para o ex-presidente Lula.
18:09O único pedido que houve,
18:11no meu caso,
18:13foi um pedido
18:13para que se houvesse...
18:14Fizesse uma reforma,
18:16uma decoração desse apartamento
18:17para o presidente.
18:19Quando que foi feito esse pedido?
18:21Esse pedido foi feito...
18:22Assim que eu assumi a presidência,
18:24tão logo eu assumi,
18:25eu assumi a presidência
18:26da Assemprendimento em janeiro,
18:27e esse pedido veio em fevereiro.
18:28Em fevereiro.
18:29E quem fez esse pedido,
18:30o senhor?
18:31É, o doutor Léo Pinheiro.
18:32Ele falou com o senhor pessoalmente?
18:35Ele me falou pessoalmente.
18:37Telefone, como foi?
18:37Foi pessoalmente.
18:39Eu não me recordo,
18:39mas eu fui informado que...
18:43Antes do pedido,
18:46houve uma visita.
18:47Estou só confundindo.
18:49Houve o pedido do doutor Léo
18:50para que eu organizasse
18:52essa visita ao triplex.
18:55E ele falou com o senhor pessoalmente?
18:57Foi um pedido pessoal.
18:59Tinha mais alguém junto,
19:01no momento?
19:02Do pedido da...
19:04Quando ele fez o pedido
19:04para organizar a visita?
19:07Foi um pedido...
19:08Tinha...
19:08Outros diretores da empresa,
19:12da OAS,
19:14mas foi um pedido para...
19:17Justamente,
19:18para encontrar com ele
19:20para poder organizar essa visita.
19:22Foi dessa forma.
19:23Isso foi aproximadamente quando?
19:25Eu imagino que...
19:26tenha sido em fevereiro também,
19:28um pouco antes da visita.
19:29Não teve muito lapso de tempo
19:31entre o pedido e...
19:32De que ano?
19:33Foi em 2014.
19:35E o que o senhor Léo Pinheiro
19:37disse ao senhor nessa ocasião,
19:39especificamente?
19:40Não, ele apenas...
19:40Foi a explicação?
19:41Não, ele não me deu a explicação.
19:43Ele disse...
19:44Me pediu para organizar uma visita
19:47onde estaria presente
19:48o ex-presidente
19:49e a dona Marisa.
19:52E o senhor organizou a sua visita?
19:53Organizei a visita.
19:54O senhor esteve no local no dia?
19:56Eu estive no dia da visita.
19:58E quem estava presente nesse dia da visita?
20:01No dia da visita,
20:02além do doutor Léo Pinheiro,
20:04tinha o Roberto Moreira,
20:05que é o diretor de incorporação de São Paulo,
20:07que era o diretor responsável pelo projeto,
20:10e a equipe dele.
20:12Então, tinha...
20:14Eu não lembro das pessoas exatamente,
20:16mas estava o Igor Pontes
20:17e tinha mais um pessoal que cuidava do projeto.
20:22E o casal.
20:23E o senhor acompanhou as conversações na cidade?
20:27Olha, quem conduziu toda a visita
20:29foi o doutor Léo Pinheiro,
20:31que é quem tinha a relação com o ex-presidente.
20:34Eu fiquei na retacuada,
20:35junto com a equipe,
20:37para qualquer eventualidade.
20:38E o que foi discutido?
20:40O que foi afirmado durante essa visita?
20:43A minha recuperação era muito mais
20:45uma apresentação do apartamento.
20:49Não houve discussão,
20:50não houve nenhuma definição naquele momento
20:53que seja relevante ou que eu tenha a recuperação.
20:57Então, foi uma apresentação.
21:01Foi apresentando todos os cômodos do apartamento.
21:05E, posteriormente, foi feita uma visita também
21:09nas áreas comuns.
21:11Houve solicitação de alterações do imóvel?
21:14Nesse momento, eram feitas somente observações.
21:18Nunca...
21:18Nada pedido.
21:20Então, o que eu tenho lembrança,
21:23teve a questão da escada,
21:24aquela escada muito estreita.
21:26tinha uma preocupação da exposição do ex-presidente
21:33em relação a ter um apartamento
21:35da exposição com a vizinhança e tudo mais.
21:41Mas não foi feito nenhum comentário
21:42ou algum pedido
21:44que eu tenha lembrança nesse momento.
21:46E o apartamento foi reformado daí?
21:53Posteriormente, houve um pedido de doutor Léo
21:54para que...
21:56Pedido ao senhor?
21:57Um pedido para mim,
21:58para preparar um projeto de decoração
22:00desse apartamento.
22:04E eu passei isso para a minha equipe.
22:07E que tipo de mudanças?
22:09Que tipo de decoração?
22:11O que seria feito?
22:12Bom, eu...
22:13Na verdade, ele não entrou em muitos detalhes comigo
22:15nesse primeiro momento.
22:16Porque ele me pediu,
22:17olha, vou deixar o apartamento mais bonito.
22:19E bonito, eu acho que no conceito da OAS,
22:26na época,
22:27era primar pela excelência,
22:29pela qualidade,
22:30fazer alguma coisa bem feita.
22:31Então, isso aí estava subentendido,
22:33apesar dele não ter falado
22:34com todas as letras que queria...
22:36Foi instalado a cozinha no apartamento?
22:38Posteriormente, foi.
22:39Fazia parte do projeto.
22:42Mas eu não entendi bem.
22:43Fazia parte dessas decorações
22:46que o senhor está dizendo ou não?
22:47O que constou o projeto final, né?
22:49Para a gente não ter uma mal entendida
22:52relação com o que é reforma
22:53ou o que é decoração.
22:57Foi pedido para ter um novo quarto,
23:00parece, no primeiro andar lá do apartamento.
23:04Também tinha um problema de deck
23:05da piscina para também melhorar
23:08a localização e o design.
23:10Havia também algumas questões
23:12que eram vícios de obra,
23:14da própria construção,
23:16que estava tendo vazamento,
23:17se não tem nada,
23:17entre outras coisas.
23:20E também tinha,
23:21constava no projeto,
23:22um elevador
23:23que era para superar a questão
23:25da escada,
23:26que era muito estreita
23:27entre os andares.
23:29Além disso,
23:30teve também
23:31toda a mobília da cozinha,
23:34que foi feita,
23:36e também os utensílios
23:39que foram comprados
23:40também para equipar
23:42o apartamento.
23:44Quanto aproximadamente
23:45foi gasto nisso?
23:47Ao redor de 1 milhão e 200 mil reais.
23:49O senhor que coordenou
23:50essas mudanças,
23:52essas reformas,
23:53essas decorações?
23:54Olha,
23:54o que eu...
23:56Eu era responsável
23:57no final do dia,
23:57mas eu deleguei isso
23:59para o diretor
24:00responsável pela
24:01diretoria de São Paulo,
24:03que era responsável
24:04pelo projeto,
24:06e ele que fez
24:07as contratações,
24:09o desenvolvimento
24:10do projeto e tudo mais.
24:12Eu fiz a aprovação
24:13do orçamento
24:14e busquei essa aprovação
24:15junto ao doutor Léo
24:16para que ele aprovasse
24:18tanto o orçamento
24:20quanto o projeto
24:20que estava sendo proposto.
24:23Esses projetos
24:23foram submetidos
24:24também ao ex-presidente
24:27ou à senhora Marias Letícia?
24:29Isso foi com o doutor Léo.
24:30Eu não sei se ele submeteu
24:32o projeto ao casal,
24:35como foi a discussão
24:37que ele teve,
24:38mas o pedido
24:40foi de entregar
24:42o projeto para ele.
24:42Então, eu imagino
24:43que isso tenha sido
24:44passado pelo casal também.
24:47Eu não sei,
24:48eu não tive presente
24:49mais nenhuma oportunidade
24:51para um casal,
24:51então eu não consigo dizer.
24:53E houve algum pagamento
24:55da parte do senhor Luiz Inácio
24:58ou da senhora Marisa Letícia
25:00relativamente ao custo
25:02dessas reformas?
25:03Não, nenhum pagamento.
25:05Porque até então
25:06eles não eram clientes, né?
25:09O cliente assina a promessa
25:10de compra e venda
25:11que eu acabei de descrever.
25:13A AOS tinha por prática
25:15fazer reformas
25:15dessas peças
25:16nas suas unidades?
25:17Não, essa foi uma reforma
25:19totalmente atípica.
25:21Foi um pedido atípico
25:23e o único pedido
25:24que o doutor Léo
25:26me fez em relação
25:28a qualquer outra unidade.
25:30E qual que foi a explicação
25:31que ele deu ao senhor?
25:32Ele não deu explicação.
25:34Ele fez um pedido.
25:38Eu mencionei aqui
25:39agora há pouco
25:39que eles tinham assinado
25:40uma cota
25:41de um apartamento
25:42141
25:43e depois
25:46esse era um apartamento
25:48aparentemente diferente, né?
25:50Esse 174,
25:51164A
25:52era um triplex isso?
25:53O apartamento
25:56que a gente visitou
25:56era um triplex
25:57e a cota
26:00que ele tinha
26:01era referente
26:02a um apartamento
26:02tipo.
26:03Não era...
26:05O preço deles
26:06é o mesmo
26:07desses apartamentos?
26:08Não.
26:09Difere pelo tamanho, né?
26:11O triplex
26:12é mais caro?
26:13O triplex
26:14é maior
26:14e mais caro.
26:16Houve algum contrato
26:17ou algum pagamento
26:18de algum preço
26:19adicional
26:20por esse triplex
26:22pelo senhor
26:23ex-presidente
26:24e pela senhora
26:25Marisa Letícia?
26:26Não houve.
26:27Não tinha nenhum contrato
26:28entre a OAS
26:30em atendimentos
26:30e a dona Marisa
26:32o ex-presidente.
26:33Quando houve aquela visita
26:35ou melhor,
26:36o senhor participou
26:36dessa visita só
26:37ou participou
26:38de mais alguma?
26:39Somente dessa visita.
26:41O senhor teve
26:41alguma interação
26:42com o senhor
26:43ex-presidente
26:44ou com a senhora
26:45Marisa Letícia
26:46fora essa visita?
26:49Foi a única oportunidade
26:50que eu tive de interagir
26:53e nunca tive contato
26:54com eles.
26:54Não chegou a tratar
26:54com eles por telefone
26:55ou coisa parecida?
26:56Não.
26:57Houve discussão
26:58nessa visita
26:59em algum momento
26:59de preço?
27:01Também não.
27:02Do apartamento?
27:03Não.
27:03Da diferença
27:04entre o valor
27:05do apartamento
27:06141 e do 174?
27:08Nessa ocasião, não.
27:09Em alguma ocasião?
27:11Comigo, não.
27:12E o senhor tem conhecimento
27:14que houve alguma discussão
27:15de preço
27:15com alguma outra pessoa?
27:16São subordinados?
27:17Todo relacionamento
27:18com o casal,
27:20com o ex-presidente
27:21e a dona Marisa
27:22era com o doutor Léo.
27:23E o doutor Léo
27:24nunca me passou
27:25nenhuma informação
27:26da forma como
27:27esse apartamento
27:28seria transferido
27:29para o ex-presidente
27:31ou para a dona Marisa.
27:33Relativamente
27:34às alterações,
27:36aos projetos,
27:36às reformas,
27:38houve algum pagamento
27:39de valores
27:39pelo senhor ex-presidente
27:41e pela senhora Marisa Letícia?
27:43Nunca houve
27:44um pagamento.
27:44O senhor discutiu
27:46alguma questão
27:47de preço
27:47relativa a essas alterações
27:49com algum deles?
27:50Com o ex-presidente
27:52e a senhora Marisa Letícia.
27:53Novamente,
27:53nunca tive
27:54uma conversa com eles.
27:56O senhor tem conhecimento
27:57se os seus subordinados
27:59que fizeram,
28:00vamos dizer assim,
28:00se encarregaram
28:01da execução
28:01dessas reformas
28:02e dos projetos
28:03tiveram alguma conversa
28:05sobre preço?
28:07Se tiveram conversa
28:08não fui informado,
28:09mas imagino que não
28:10porque quem tinha
28:10relacionamento
28:11no final do dia
28:12era o doutor Léo Pinheiro.
28:13O Sério Público
28:15juntou os autos aqui
28:16no evento 3
28:17COMP 230
28:19uma notícia
28:20que teria saído
28:21no jornal
28:22O Globo
28:23em 10 de 3 de 2010
28:25e a notícia
28:27fala
28:27Guarujá,
28:28o presidente
28:28Luiz Inácio,
28:29sua mulher,
28:30Marisa Letícia,
28:31o dono de uma cobertura
28:31na Pai,
28:32Asturis,
28:33no Guarujá,
28:34mas amargam
28:34há 5 anos
28:35na fila de cooperados
28:36da Bancop
28:37para receber o imóvel.
28:40A construção,
28:41a primeira parada,
28:42está regularizando
28:43os documentos
28:44de transcrição
28:45de imóvel
28:45o único alusão
28:46mudança
28:46é um painel
28:47da OAS
28:47eu vou lhe mostrar aqui
28:49deixa eu dar uma lida
28:50e aí
28:54Vamos lá.
29:24O senhor se recorda de ter visto essa notícia na época?
29:30Não, na época não. Eu vi posteriormente por conta do processo.
29:34A OAS não foi consultada nessa época por jornalistas?
29:37Eu não sei dizer, até porque na minha época não tinha nenhum tipo de relacionamento com clientes ou com imprensa.
29:44O senhor sabe me explicar o motivo pelo qual, numa reportagem de 2010, se falava que o senhor Luiz Inácio e a senhora Maria Zitice seriam proprietários de um triplex nesse tratamento?
29:54Eu não sei o que sei.
29:57O senhor tem conhecimento... ou melhor, vamos interromper aqui o tamanho do áudio.
30:00Obrigado.
30:01Obrigado.
30:02Obrigado.
30:03Obrigado.

Recomendado