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  • há 8 meses
Camila Coutinho, empresária e fundadora da GE Beauty relembra quando criou o blog Garotas Estúpidas e reflete sobre o papel da moda e da influência em sua carreira
Transcrição
00:00Olá, eu sou Isabela Lessa, editora do Meio e Mensagem.
00:03Esse é o podcast A Ideia, em que eu converso com pessoas de diversas origens,
00:08diversas profissões, para falar sobre as ideias que regem seus negócios e as suas vidas.
00:13A minha convidada de hoje é de Recife, Pernambuco,
00:17e é de uma era que marcou uma ou mais gerações, que é com o blog.
00:22No caso dela, um blog de moda chamado Garotas Estúpidas,
00:26que tomou grandes proporções e norteou o que ela fez desde então,
00:31o que ela vem fazendo desde então.
00:33Hoje, além do Garotas Estúpidas ser uma plataforma de conteúdo,
00:37com mais de um milhão de seguidores,
00:39ela é CEO de uma marca de produtos de beleza, chamada GE Beauty.
00:43Eu estou falando de Camila Coutinho, seja muito bem-vinda.
00:47Estou muito feliz de estar aqui, adoro mesmo.
00:49Bom, a gente estava dias atrás falando sobre a sua participação na campanha global da Heineken,
00:59a gente vai falar sobre isso um pouco mais para frente,
01:02mas para começar eu queria que você falasse sobre como você cresceu em Recife
01:10e qual que foi o seu primeiro contato com o mundo da moda.
01:13Olha, Recife, Pernambuco, é um estado que tem uma bagagem cultural e de referências muito, muito grande.
01:21Então, eu sinto que criativamente contou muito positivamente
01:25para que eu, hoje em dia, tenha o meu pacote da minha vivência,
01:29mas comecei de um lugar muito diferente, né?
01:32Porque, geralmente, acho que antes da internet,
01:34TV era o que norteava, né?
01:36O showbiz, enfim, o entretenimento no Brasil.
01:39E isso era muito reduzido geograficamente ali a Rio de Janeiro e São Paulo publicidade.
01:44Então, eu trago uma bagagem, assim, criativa do meu estado que é muito forte e muito única.
01:50Mas eu sempre fui uma perua do bem.
01:52Então, assim, eu tenho referência...
01:53Assim, voltando bastante, né?
01:55Eu tenho referência da minha mãe, da minha avó, que sempre foram muito vaidosas.
01:59E aí eu tenho uma avó que era artista plástica.
02:01Então, acho que tudo isso foi construindo o meu gosto por estética, né?
02:05Então, quando chegou na hora que eu fui fazer faculdade, eu tinha bem claro que eu queria fazer moda.
02:11E, graças a Deus, abriu esse curso no ano que eu fui prestar vestibular lá em Recife.
02:15Acho que se não, eu teria feito publicidade também.
02:17Mas eu sempre fui uma menina muito interessada em tudo que tinha a ver com imagem, com beleza.
02:22Então, assim, sempre fui meio peruinha, assim, na escola.
02:24Tudo que tinha a ver com design, eu me envolvia.
02:27Livro do ano, comissão.
02:28Então, assim, eu acho que vem um pouco, sabe?
02:32Do que a gente é também.
02:33E, tirando a sua mãe e a sua avó, quem eram as suas inspirações no mundo da moda?
02:38Tinha algum estilista favorito?
02:40Ah, eu amava o Ercovitch.
02:41Amo até hoje.
02:42Mas, assim, na época, eu acho que era uma geração que queria ser estilista.
02:47Tipo, quando você falava em trabalhar com moda, era como se só existisse uma opção, que era ser estilista.
02:51Hoje, as meninas querem ser blogueiras, né?
02:53No âmbito da moda, eu acho que é a top 1 profissão.
02:56E, na época, era estilista.
02:57E o Ercovitch era um grande case, assim.
03:00E das meninas, eu sempre fui muito fã de cultura pop.
03:02O Garotas Estúpidas começou falando de celebridades.
03:05Então, era numa época que não tinha Instagram.
03:08Então, não tinha rede social.
03:09Então, não se falava em primeira pessoa.
03:11Era muito mais sobre os outros, sobre as celebridades.
03:13Então, eu escrevia muito sobre as americanas, né?
03:16A Lindsay Lohan, a Paris Hilton, as Olsen, que ainda estão aí bombando em outros momentos, mas também.
03:23Você pegou bem essa época do boom dos blogs.
03:26Como é que foi?
03:28Você lembra desse dia que você falou, eu vou ser blogueira?
03:31Você já tinha esse exercício de postar?
03:34Como é que era?
03:35Eu sempre gostei de internet.
03:38Mas eu e minhas amigas, a gente lia esses blogs gringos.
03:41E aí, a gente ficava fofocando no final de semana sobre as fofocas, que era o assunto.
03:45Não tinha blog de moda ou blogueira.
03:47Era muito sobre celebridade.
03:49E aí, um dia, eu falei assim, ah, de madrugada aqui, eu vou criar esse blogspot.
03:53Eu lembro, eu estava comendo Cheetos, assim, tipo, no computador.
03:56E aí, criei o endereço.
03:57Eu botei Stupid Girls, na época, que era o nome da música da Pink, em inglês.
04:00Mas aí, eu coloquei em português, ficava mais curioso, mais engraçado, assim.
04:05Tinha muita ironia, na época, nos textos.
04:07E aí, foi quando eu comecei.
04:09Mas não tinha pretensão nenhuma de ser um negócio,
04:12porque não tinha nada ao redor que indicasse que era uma boa ideia, nesse sentido.
04:15Então, eu fazia mais para mim mesmo, assim.
04:17E você já tinha vontade de vir para São Paulo?
04:21Era um sonho?
04:23Porque é a cidade, né?
04:24Onde as coisas acontecem.
04:26Como é que foi essa transição?
04:28A minha história, ela não é muito linear, assim.
04:30Porque eu nasci em Recife.
04:33Eu comecei a namorar muito cedo.
04:35Então, tem a parte da vida pessoal que se mistura.
04:37Então, eu comecei a namorar com 16.
04:39Casei com 24.
04:40Então, assim, a minha vida, ela, profissional,
04:43o início todo foi construído eu morando em Recife.
04:47Então, eu vinha muito para São Paulo, vinha e voltava, vinha e voltava.
04:50Eu não tinha, tipo assim, como certeza que eu queria morar aqui.
04:54E eu acho que essa é a grande magia da internet,
04:56que possibilitou que pessoas do Brasil inteiro pudessem ter o seu kick-off,
05:01assim, o seu início, sem necessariamente ter que se mudar.
05:04Porque, antes, você queria trabalhar com entretenimento,
05:06era modelo ou atriz.
05:08Você tinha que pegar o seu corpinho,
05:09botar no avião e se mudar para outra cidade.
05:13E a internet permitiu a gente começar,
05:15tipo, sei lá, você pega nomes tipo o Whindersson Nunes, a GK.
05:18São pessoas que vieram de estados,
05:21tipo, eu acho que o Whindersson é paraibano, a GK.
05:23Ela é paraibana também, eu acho.
05:25Agora eu fiquei na dúvida.
05:26Eu também não lembro.
05:27É, mas que possibilitou essa mistura de sotaques,
05:30de ideias, de pontos de vista, que é muito mágica.
05:33Mas, sem dúvida, chega uma hora que você chega num teto, né?
05:36Então, de novo, se mistura com a minha vida pessoal.
05:38Eu separei e aí vim morar aqui e aqui estou até hoje.
05:41E teve um choque cultural quando você veio, de fato, morar em São Paulo?
05:46Ou você já estava habituada por ter vindo muitas vezes?
05:49Já estava, não teve muito choque, não.
05:50Não teve, não.
05:51Eu vinha muito, era, tipo, muito cansativo.
05:54E eu vinha, trabalhava, voltava.
05:57Então, eu já conhecia muita gente.
05:59Mas aí, quando você está aqui, você tem, tipo,
06:00um dia livre meu em Recife, lá,
06:03se que eu não tinha um evento,
06:04eu ficava gravando vídeo em casa.
06:06Eu não tinha um podcast do meu e mensagem para gravar.
06:08Eu não tinha uma collab para gravar, sabe?
06:11Tipo, não tinha muito como preencher o meu dia nesse sentido lá.
06:14Uma reunião para fazer uma...
06:15Aqui você vai nos escritórios de todas as marcas, né?
06:17Então, realmente, dá um salto, assim, muito rápido
06:20a carreira, você estando aqui, né?
06:22E ainda falando sobre o passado,
06:24você gravou um TED Talks, uma vez, falando sobre autoestima.
06:27Sim.
06:27E aí, você conta que participou de muitos concursos de beleza
06:30na infância.
06:32E essa experiência ajudou de alguma forma você a moldar
06:36a sua confiança?
06:38Atrapalhou em certa medida?
06:40O que você carrega dessa experiência?
06:43Muito boa essa pergunta.
06:43Nunca ninguém me perguntou isso.
06:45A minha mãe tinha essa pira, sabe?
06:47Eu não sei se foi bom ou se foi ruim,
06:48mas ela virava para a gente e ela falava,
06:50você é muito linda, você é mais linda que a Gisele Bundchen.
06:52Tipo assim, ela tinha umas piras.
06:54E a gente ficava assim, ah, tá, ok.
06:56E aí, ela inscrevia a gente em umas coisas.
06:58E aí, eu ia, meu pai ficava puto da vida.
07:02Tipo, não é para fazer isso.
07:04E eu era recusada em todos, né?
07:07Tipo assim, porque eu não tinha um porte de modelo.
07:10Era muito específico, né?
07:11O jeito que você tinha que ser modelo na época.
07:13Mas eu não lembro disso me afetando muito, não.
07:17Eu acho que eu tinha polos bem opostos.
07:20De alguma maneira, a minha mãe,
07:21ela me incentivou a ser meio delusion ou não,
07:24num bom sentido, assim, de tipo, sabe?
07:27Vai, acredita.
07:28Meu pai também, mas de uma maneira um pouco mais concreta.
07:31Então, eu acho que foi um bom mix, assim, no final das contas.
07:34Mas eu sempre gostei de...
07:38Eu acho que o fato de eu ter tido sucesso cedo...
07:41Estou pensando enquanto eu falo com você.
07:43Tipo assim, o blog eu fiz com 18 anos.
07:45Com 23, eu já era independente financeiramente.
07:48Isso, para mim, até hoje, o meu trabalho que eu faço,
07:51é como se fosse a base da minha autoestima.
07:53Porque eu já fui validada muito cedo.
07:55E eu não precisei estar dentro de uma empresa.
07:58Para o meu chefe olhar para mim e me validar, sabe?
08:00Então, eu acho que isso já construiu uma base de autoestima muito boa.
08:04E aí, a autoestima com relação ao físico,
08:06eu fui desenvolvendo ao longo desses anos, assim.
08:09Quando eu comecei a ser blogueira, eu fiz a minha primeira campanha.
08:13Eu me odiava séria em foto.
08:15Eu me odiava em vídeo.
08:17Então, foram coisas que eu fui, tipo, desenvolvendo também.
08:19Mas, não acho que tenha afetado.
08:22Mas, eu acho que é um pouco perigoso, assim.
08:24Eu fico pensando, hoje em dia, os adolescentes com rede social.
08:27Se isso afeta a maneira que eles se enxergam, sabe?
08:29Em termos de estética, de físico, de autoestima.
08:33Sim.
08:33É muito iniciante, né?
08:35E nesse vídeo que você fez para o TED Talks,
08:39você fala que a sua mãe sempre encorajou, né?
08:41Essa autoestima sua.
08:43Seu pai também, de um outro jeito.
08:45Como é que você construiu essa confiança?
08:49Foi isso que deixou você livre para criar garotas estúpidas
08:54e criar tudo o que você fez na sua carreira?
08:57Você nunca teve síndrome da impostora, por exemplo?
09:01Tem todo dia.
09:02Eu acho que a síndrome da impostora, tipo assim,
09:04a gente duvida da gente em vários graus, todos os dias.
09:09Alguns dias menos, alguns dias mais.
09:12E eu acho que todo mundo duvida.
09:14Tipo homem, mulher, não tem gênero, eu acho.
09:17Só que eu acho que tem uma diferença que
09:19é o quanto você deixa de fazer o negócio com medo.
09:24E eu tenho essa característica.
09:26Tem esse negócio agora de dizer que são características femininas e masculinas.
09:29Tem gente que acha horrível, tem gente que concorda.
09:31Mas eu acho que às vezes tem algumas...
09:33Eu acho que eu li um livro que falava
09:35que a gente tem que ser amiga do nosso lado oposto.
09:38E eu acho que tem certas características, né?
09:41E quanto mais a gente se aproxima do nosso lado oposto,
09:43a gente está mais desenvolvida.
09:45E eu tenho algumas características ditas como masculinas
09:48que eu acho que me ajudam.
09:50Que é isso, assim.
09:52Às vezes eu me sinto incapaz, não pronta, mas eu faço.
09:56Porque acho que os homens é o músculo normal deles.
09:58Eles vão e depois eles resolvem.
09:59E as mulheres elas esperam estar muito perfeito às vezes, sabe?
10:01E aí eu vou e depois eu vejo como é que eu me ajeito lá
10:05e vou evoluindo e fazendo, sabe?
10:07Então eu acho que isso é uma coisa muito legal, assim,
10:10das mulheres desenvolverem também, sabe?
10:13Ajuda.
10:14Não que ninguém está 100% pronto, assim.
10:16Mas, sim, eu acho que esse fato de eu ter começado minha carreira cedo,
10:22ela foi base para muita confiança de me jogar, assim,
10:26nos anos seguintes, sabe?
10:27Porque eu acho que a autoestima é muito importante para empreender
10:31e para se jogar em ideias novas, né?
10:33É.
10:34E também, quando você está inserida nesse contexto de internet
10:38que tudo muda muito rápido,
10:40você tem que ficar se reinventando todo momento, né?
10:43Nossa.
10:43Como é que foi essa evolução?
10:45Porque ali era o blog, era meio que o produto principal.
10:48Hoje são muitas coisas.
10:49Você tem o canal no YouTube, você tem a mãe presa.
10:52Como é que você foi se ramificando, ocupando esses espaços?
10:57Eu acho que a profissão de blogueira foi a primeira
10:59que se fez necessária essa reinvenção tão rápida, né?
11:03De linha editorial, de perfil, de formatos, né?
11:08Então, assim, acho que agora as outras profissões,
11:10elas estão vindo junto e todo mundo tem que se reinventar
11:12em todos os segmentos.
11:13Mas de influenciador, acho que foi a primeira.
11:15E eu sempre achei isso a coisa melhor e a coisa pior
11:18ao mesmo tempo.
11:19A dor e a delícia ao mesmo tempo.
11:20Porque é muito legal te tirar da zona de conforto,
11:23você ficar se reinventando e tal,
11:25ao mesmo tempo que é muito cansativo.
11:27Então, eu acho que hoje a velocidade da reinvenção
11:29está muito mais rápida e mais intensa.
11:32E o formato que é uma trend que lançou hoje,
11:34amanhã já não funciona, entendeu?
11:36E aí lança Twitch, lança não sei o que lá.
11:39Tipo, você tem que fazer TikTok, tem que fazer Instagram.
11:42E aí aquela coisa vai te, né?
11:43Será que sempre dá tempo de postar mais um vídeo?
11:46De entrar numa trend?
11:48Então, assim, realmente a velocidade está bem insana.
11:51Eu venho falando com várias amigas, assim,
11:53eu acho que está todo mundo um pouco cansado.
11:55Não só de produzir, mas de consumir.
11:58E aí, ao mesmo tempo que é tão bem feito
12:00para prender a gente, o algoritmo e as redes sociais,
12:03que a gente está cansado e não deixa de consumir.
12:05E está lá vendo aquele looping e não sabe porquê,
12:07e está irritado e continua vendo.
12:09Então, acho que a gente está todo mundo
12:10numa fase meio irritada com redes sociais, assim.
12:14Mas também ninguém sabe muito bem a saída.
12:16Mas eu acho que uma boa, um bom caminho
12:19é você também não querer lutar todas as batalhas, assim.
12:22Você tem que pegar e escolher a sua linha editorial,
12:24que espaço você quer permear,
12:26que redes sociais é interessante para você estar.
12:29E focar ali, assim.
12:32E qual que é a sua hoje,
12:33que você considera que é a principal?
12:35É o Instagram?
12:36Eu acho que é o Instagram e o TikTok.
12:38Eu sinto que o meu público está muito no Instagram,
12:42porque a base da minha audiência é um pouco mais velha.
12:44Então, é mais nativa do Instagram.
12:46Mas eu vejo o TikTok como uma ferramenta muito importante
12:49para expandir essa bolha, principalmente para a marca.
12:52Então, eu decidi deixar o meu TikTok mais voltado para a beleza.
12:55Eu tenho duas contas.
12:56Uma mais cabeçuda, que está pequenininha,
12:58e outra para a beleza, que é a maior.
13:00E aí, eu tento...
13:01Porque eu acho que o algoritmo do TikTok é mais inteligente.
13:03Então, não funciona você misturar muitos assuntos.
13:06E aí, você consegue alcançar outros públicos mais jovens
13:09que estão ali no TikTok?
13:10Nossa, aconteceu uma coisa esses dias
13:12que eu fiquei impressionada.
13:13Porque eu não tenho muito esse músculo da viralização,
13:18da polêmica.
13:19Não gosto muito.
13:20E funciona super bem, né?
13:21Tipo, adoraria gostar.
13:23Mas, às vezes, você produz um vídeo mais apimentado, assim,
13:27de falando mal de alguma coisa,
13:29ou dando uma opinião mais assim,
13:30e viraliza, né?
13:32E aí, eu fiz sobre uma bolsa de uma marca gringa
13:35que eu comprei.
13:36E postei.
13:37E viralizou.
13:38E, tipo assim, nunca tinha acontecido isso comigo.
13:40E aí, eu fiquei muito impressionada.
13:42Porque, assim, você trabalha há 20 anos fazendo uma coisa,
13:45e você posta, tipo, um vídeo bobo de uma bolsa,
13:48e virou um negócio gigante.
13:49Então, eu fui numa festa da Dolce & Gabbana no dia seguinte,
13:52sei lá, dois, três dias que eu postei.
13:54E as pessoas me pararam a cada dois passos que eu dei
13:56para falar do vídeo da bolsa.
13:57Então, assim, eu fiquei impressionada.
13:58Como existe uma mecânica de crescimento e viralização no TikTok
14:03que é muito mais parecida com o Growth
14:05do que com o Editorial.
14:08É muito mais Growth, dados,
14:11e, tipo, criar um conteúdo baseado
14:13nas chances de viralização.
14:16Você constrói um conteúdo feito para viralizar
14:18do que uma ideia criativa totalmente solta e livre.
14:22Sabe?
14:23Então, assim, tem uma engenharia muito mais fácil
14:28de você construir no TikTok da viralização.
14:32Entendi.
14:32Tem meio que um passo a passo ali que você pode...
14:36E você está começando a sacar isso e usar isso a seu favor?
14:39É, sim.
14:39Eu acho divertido.
14:40Essa é a parte que eu gosto, assim.
14:41Eu fico, ah, agora eu entendi.
14:44Entendeu?
14:44Só que tem umas coisas que você não está muito disposto a fazer.
14:46Porque, assim, tipo, tá, beleza.
14:48O vídeo era por uma situação engraçada
14:50que a bolsa era muito feia,
14:51diferente do que eu comprei.
14:53E foi super espontâneo.
14:54Mas eu não vou fazer disso uma constante
14:56de ficar falando mal de coisas
14:57para que isso chame a atenção.
14:59Apesar de trazer muita audiência.
15:01Mas eu acho que acaba virando uma gasolina ali
15:04que não é muito legal, assim, sabe?
15:06Vai acabar atraindo coisas que não necessariamente você quer.
15:09Porque mesmo que você não fale nada
15:11ou que você fale alguma coisa que seja zero polêmica,
15:14vai atrair algum tipo de comentário.
15:16Porque, por exemplo, a Boca Rosa,
15:17quando ela lançou a marca,
15:19que estava tudo lindo, sabe?
15:20E aí teve aquela polêmica da base.
15:24Teve um problema no produto,
15:26que é uma coisa normal de acontecer.
15:27Até com marcas grandes.
15:28Até a gente conversou sobre.
15:30E virou uma coisa gigante, né?
15:32Tipo assim,
15:32porque vira uma máquina de trazer audiência,
15:35falar mal da pessoa.
15:37Porque vai trazer view
15:39para quem está produzindo.
15:40Então, essa parte eu não acho muito legal, não.
15:42E você disse que tem uma conta que está pequenininha agora,
15:45mas cabeçuda.
15:46O que seria essa conta cabeçuda?
15:48Que no Instagram,
15:49eu construí a minha audiência há muito tempo, né?
15:52Quando os algoritmos já passaram por várias fases.
15:54Então, a base da minha audiência é muito antiga.
15:57E está acostumada com a miscelânea de assuntos.
16:00E aí, se eu fosse começar hoje,
16:02eu, na minha estratégia,
16:03eu escolheria um tema
16:04e testaria alguns formatos
16:06para ver qual funciona.
16:07E eu ia ficar,
16:08eu brinco macetando,
16:09só nesse formato.
16:10Porque você tem que ter um padrão ali, né?
16:13Porque você está trazendo uma nova audiência.
16:16Qual era a pergunta mesmo?
16:18Sobre o que é essa conta cabeçuda no TikTok?
16:21Aí, no Instagram, tem tudo o meu.
16:23Tem lookinho,
16:24tem vídeo de análise,
16:25tem análise de livro,
16:26tem cortes.
16:27Tipo, eu vou colocar esse podcast lá,
16:30com certeza.
16:31E aí, tem essa mistureba.
16:33Só que tem os que performam mais,
16:34que me trazem mais seguidor.
16:37E tem, tipo,
16:38os que são mais médios, assim.
16:40O certo seria eu aumentar um pouco mais
16:42o volume do que me traz seguidor,
16:44como se fosse uma editoria
16:45e ter uma constância, entendeu?
16:47Só que aí, no TikTok,
16:48já não pode você misturar.
16:50Então, lá, eu ponho todas essas análises,
16:51essas coisas pensatas que eu faço,
16:54cortes e tal.
16:55E no outro, eu ponho só beleza.
16:58E você já pode se considerar
17:00uma veterana na internet,
17:02porque você vê nos anos 2000
17:03que blogueira
17:05era uma coisa, assim,
17:06uau.
17:07Vai fazer 20 anos
17:08de carreira.
17:11Blogueira.
17:12Faz sentido essa palavra ainda hoje?
17:14É uma referência?
17:15Eu acho que não faz
17:17na teoria,
17:19porque se refere a blog,
17:20que é uma ferramenta
17:21que se usa muito pouco,
17:22né, hoje em dia.
17:24Eu acho que eu me auto-intitulo
17:26hoje comunicadora,
17:27porque a gente comunica
17:28em qualquer lugar que a gente esteja, né?
17:30Tipo, aqui, enfim.
17:31Então, eu acho que eu sou comunicadora.
17:33Mas não, nada pejorativo.
17:34Nunca encarei o nome como pejorativo.
17:36Tem gente que achava,
17:37ficava meio assim,
17:38mas não.
17:40É, e é uma auto-ironia muito boa, né?
17:42O nome Garotas Estúpidas.
17:44Como é que foi
17:45você construir um clube ali
17:49com as suas colegas blogueiras de moda
17:52na época?
17:52Vocês são hoje, né?
17:55Falando das mais famosas, né?
17:56Que você e outras, assim,
17:58vocês construíram uma comunidade
18:00que perdura até hoje.
18:02Existe esse clube.
18:04Das influenciadoras?
18:05É, das blogueiras, né?
18:07Ah, sim, sim.
18:07Sim, existe.
18:08Nunca teve esse nome.
18:10Não era Garotas Estúpidas
18:11por conta das influenciadoras.
18:13Era mais as leitoras mesmo, né?
18:15Que a gente se reunia ali
18:16blindada por esse nome
18:17numa época que
18:18as pessoas zoavam muito
18:20os assuntos mais femininos, assim, né?
18:22Tinha uma história de futilidade e tal.
18:24Moda e beleza é uma coisa fútil.
18:26E hoje vem mudando, né?
18:28Acho que sim.
18:29Acho que, tipo, hello, né?
18:312025.
18:32Tipo, o que é fútil?
18:33O que é útil, né?
18:35As coisas têm utilidade diferente
18:37para os grupos diferentes, né?
18:38Então, acho que é entretenimento.
18:40É entretenimento.
18:41Mas a gente tem os nossos grupinhos, sim,
18:43de influenciadoras.
18:44E agora eu estou mais ainda
18:46próxima das influenciadoras empreendedoras, né?
18:49Porque a gente tem muito assunto em comum.
18:51Sim.
18:51Então, a gente se fala bastante, bastante.
18:53E a sua relação com a moda?
18:56Do mesmo jeito que a sua carreira
18:57se transformou e se amplificou,
18:59a sua relação com a moda
19:00era diferente do que é hoje?
19:04Eu acho que, tipo,
19:05os assuntos vão...
19:07Como você falou,
19:07você vai amadurecendo
19:08e os assuntos vão ocupando
19:10mais ou menos espaço na vida.
19:12Então, eu sempre fui muito viciada em moda,
19:14muito apaixonada por moda
19:15e por cultura pop.
19:17Então, o início do blog,
19:19ele era muito cultura pop,
19:20um pouco de moda,
19:21até porque eu morava com meus pais.
19:24Não é que eu tinha mega dinheiros
19:25para ficar comprando roupas.
19:26Eu tinha uma mesadinha ali
19:28que eu, né?
19:29E quando eu comecei a ganhar dinheiro com o blog,
19:31aí eu comecei a gastar um pouco mais,
19:32mas eu nunca fui um perfil, tipo,
19:34que, tipo, gastava muito dinheiro.
19:36Eu sempre tive um perfil contrário.
19:38Eu economizo, guardo, eu adoro.
19:41Invisto e tal.
19:43E aí, depois, teve uma época
19:44que eu fiquei muito focada, assim,
19:46na imagem, no fashion week,
19:48no look e tal.
19:50Que eu acho que foi a época
19:50que eu fui menos feliz no que eu faço,
19:52porque eu me reduzi muito à imagem.
19:55Eu adoro construir imagem.
19:56Adoro provar looks e tal, maquiagem.
19:59Só que eu me reduzi muito a isso.
20:00Então, antes eu falava de celebridades,
20:02eles tinham um pouco de mim.
20:03Depois eu fiquei muito eu e muito imagem.
20:05Que aí eu, hum, não sei se eu estou amando.
20:08Foi um excesso ali de...
20:10É, foi bem quando o Instagram estava no auge,
20:13assim, não tinha tanto vídeo.
20:14E aí eu me sentia com um pouco
20:16diferencial competitivo, assim.
20:19Porque estava todo mundo meio que fazendo a mesma coisa.
20:21E aí eu comecei a olhar mais para esse lado
20:23de comunicação, de tecnologia,
20:25de inovação, comportamento.
20:26Que é uma coisa que eu me descobri amando.
20:29E comecei a me sentir mais também
20:31corajosa para falar sobre esses assuntos.
20:34Eu fui no Salto by Salto.
20:35Essa é a primeira vez.
20:36E aí eu fiz um vídeo de resumo gigante.
20:38O vídeo gigante.
20:39Não sei como as pessoas assistiram.
20:40E bombou muito.
20:43Ninguém postava vídeo longo nessa época no Instagram.
20:45E aí eu me descobri uma nova via ali
20:48de assunto com minha audiência, sabe?
20:51Mais conectada com a sua proposta ali, né?
20:54De ir mais a fundo nas coisas.
20:56Não ficar só na coisa da aparência.
20:58Exato.
20:59E aí eu misturo hoje em dia.
21:00Tanto é que minha audiência hoje tem, sei lá,
21:0335% masculina.
21:06Pessoas que se interessam
21:07sobre os vários assuntos que você trata, né?
21:09E a moda, você acha que o blog,
21:13o seu blog e o de outras,
21:15ajudaram a democratizar esse universo da moda?
21:19Sem dúvida.
21:20Sem dúvida.
21:21Não só o da moda.
21:21Que era mais inacessível.
21:23Não só o da moda.
21:24Ai, batom grudando.
21:25Mas o da beleza, eu acho, principalmente.
21:28Eu acho que a beleza é mais inclusiva do que a moda.
21:32Ainda hoje.
21:33Porque eu acho que você vê a moda
21:35fazendo um ensaio de ser inclusiva e tal.
21:39E eu acho que a gente teve uma intensidade mais forte nos últimos anos.
21:43Mas agora está voltando muito para um lugar de incentivar a magreza.
21:47Tipo, de reduzir os tipos de corpos que se acha bonito.
21:50O mundo é pêndulo, né?
21:51Então, assim, eu não sinto que...
21:54É difícil para a moda em termos...
21:56Não em termos conceituais,
21:58mas em termos de práticos mesmo, de produção, etc.
22:02Quando você vai olhar uma marca iniciante,
22:05você vê que as meninas sofrem, às vezes,
22:07por não conseguir oferecer a grade em termos de negócio mesmo.
22:11Falando de uma maneira sincera.
22:13O que é uma pena?
22:14Porque seria lindo, né?
22:15Se todo mundo fosse bem atendido.
22:18Não só em grade de tamanho, mas em design.
22:20Que eu acho que isso é uma das coisas que...
22:22Eu não compro na Shein, por exemplo.
22:25Mas também minhas leitoras falam...
22:27Cami, mas tipo...
22:28Não tem as coisas trendy que eu quero usar do meu tamanho nas marcas no Brasil.
22:32Aí eu falo...
22:32É, realmente, eu não tenho nem como argumentar.
22:35Então, é isso.
22:37Mas a beleza você vê.
22:38Tipo, assim...
22:39A Rihanna puxou a fila das bases com um range de cores muito amplo.
22:44A Bruna Tavares fez.
22:47A Boca Rosa fez.
22:49A Mari Saad reformulou agora a marca dela também para atender mais tons de pele.
22:54Então, eu acho que a beleza, ela consegue ser mais inclusiva do que a moda.
22:58E até em cabelo também, que é o meu segmento.
23:01O Brasil é o país mais diverso do mundo.
23:03E, obviamente, capilarmente também.
23:06E você imagina que as pessoas de cabelo cacheado e crespo foram mal atendidas por a vida inteira.
23:13Tipo, assim...
23:14É muito recente você ter produto para o tipo de cabelo, né?
23:18De curvatura mais cacheada.
23:20Então, as pessoas alisavam muito o cabelo.
23:23E aí é uma bola de neve.
23:24Porque aí você não vê na TV a celebridade com o cabelo igual o seu.
23:26Aí você acha que você tem que alisar.
23:28Um caos horrível.
23:29E aí, quando você começa a abrir para outras pessoas do Brasil inteiro falarem...
23:35Foi trazendo uma elasticidade para o mercado que as marcas...
23:38Foram surgindo novas marcas, né?
23:40E o público foi sendo mais atendido.
23:42Então, a G-Built, ela atende todos os tipos de cabelo.
23:45Mas ela tem, naturalmente, agora uma aderência maior.
23:48E meninas lisas e onduladas.
23:50Porque o meu cabelo é ondulado.
23:52Porque eu sei que a gente tem um trabalho muito longo de conquista de confiança das cacheadas e crespas.
23:56Que foram, por muito tempo, mal atendidas pelo mercado.
24:00E elas olham, às vezes, elas falam...
24:01Ah, eu vou nessa marca aqui, que é só de cachada e crespas.
24:05Então, assim...
24:06Mas eu vejo que o mundo da influência da internet fez assim, ó...
24:13No mercado de beleza.
24:14Até os tipos de marca.
24:16A gente só tinha Lancome na época que eu comecei.
24:19Basicamente de marca gringa, sabe?
24:21Cores, conceitos, tudo.
24:23E você representa essa nova era em que uma pessoa que era criadora de conteúdo tem o seu próprio negócio.
24:31Tem a sua própria marca.
24:33Qual que foi esse grande estalo que você teve de montagem e-Built?
24:37Zero romântico.
24:38Já contei em alguns podcasts.
24:39Mas, assim...
24:40No sentido de...
24:41Não era um negócio que eu sonhava.
24:42Meu Deus, eu quero ter minha marca.
24:44Pelo contrário.
24:44Eu dizia, Deus me livre dessa confusão.
24:46Que é um grande trabalho, né?
24:50Gigante, assim...
24:50Trabalhar com varejo.
24:51Ainda mais no Brasil e tal.
24:52Mas, aí, um moço me plagiou.
24:55E, aí, ele fez uma marca chamada Garota Estúpida.
24:58De cabelo.
24:59E...
25:00Tava bombando.
25:01E, aí, no processo de tirar ele do mercado, eu comecei a achar que poderia ter alguma coisa ali.
25:06Que, talvez, fosse a hora de eu me mexer nesse sentido.
25:09De fazer alguma coisa minha.
25:11E diversificar.
25:12Porque, eu também, pessoalmente, já tava ficando muito cansada daquela vida que me obrigava a viajar muito.
25:17Porque, como eu nunca baseei a minha narrativa em polêmica ou namorar alguém famoso.
25:22Ou essas coisas que dão audiência.
25:24Que muita gente faz.
25:26E eu acho legal acompanhar também.
25:27Mas, dependia de muito de onde eu tava, né?
25:31Então, eu tinha que ficar criando assuntos novos.
25:34E tinha que viajar muito.
25:35Então, teve ano que eu peguei, sei lá, 70 voos no ano.
25:38Era muito cansativo.
25:40Aí, eu meio que aproveitei essa vontade de ter um pouco mais de rotina.
25:44E, aí, fui com tudo na criação da marca.
25:48Foi uma mistura.
25:49Qual que foi a principal dificuldade?
25:51Porque não é fácil abrir uma empresa, né?
25:53Eu tive muito medo.
25:54Eu tenho, tipo assim, dá muito medo de quando você sai de um modelo de negócio que é tão bem resolvido.
26:00Como o da influência.
26:01Com a margem tão boa.
26:02É muito boa.
26:03Você está em casa com 5G.
26:07Pronto.
26:07Você e outra pessoa faz o business.
26:09Tipo, às vezes você sozinho.
26:10Eu fiz por muito tempo sozinha.
26:11Então, quando você vai para...
26:13É um modelo de negócio muito mais complexo.
26:15Com muito mais risco.
26:17Cifras muito maiores.
26:18Eu fiz todo o investimento sozinha.
26:20Então, assim, eu sou 100% independente.
26:24Então, dá muito medo, assim.
26:26Será que eu sou capaz?
26:27Aquilo que a gente falou no início da síndrome da impostora.
26:30É que eu acho que a síndrome da impostora, ela só é caracterizada como isso quando você não faz o que você está querendo fazer.
26:36Porque você duvidar...
26:37Você duvida todo dia.
26:39O medo, ele existe todos os dias.
26:42Aí vira uma síndrome quando você, tipo, desiste de fazer as coisas todos os dias, entende?
26:47Mas o medo, ele está sempre presente.
26:49Mas é medo de fracassar?
26:51Qual que é esse medo?
26:52Ah, medo de fracassar não tem muito, não.
26:54É, porque eu acho que esse é o músculo do treino da internet, né?
26:58Porque cada post é uma possibilidade de fracasso, de flop.
27:02Pode ir bem, pode ir ruim, pode...
27:04Então, eu acho que isso, a blogueira, ela é mais calejada.
27:08Mas o risco financeiro mesmo, você está colocando o seu patrimônio ali, entendeu?
27:11Então, tipo, você fica assim, caraca...
27:14Pode ter um prejuízo...
27:16Entendeu?
27:16É enorme.
27:17Aí a gente...
27:18Mas eu acho que é isso.
27:19Quando a personalidade do empreendedor é uma personalidade que naturalmente toma mais risco, né?
27:25Então...
27:25E qual que foi a grande sacada?
27:30O que você considera que é a grande sacada da GE Beauty como negócio?
27:34É uma marca que ela tem um conceito customizável e que ela traz novas...
27:40Primeiro, o produto é muito bom.
27:42Em termos de fórmula e de qualidade, de ingredientes.
27:44Tudo que está dentro do produto, por sinal, deve ter trazido.
27:48Tem que lembrar toda vez de vir em podcast, trazer o produto para colocar aqui na mesa.
27:53Que a gente ilustra, né?
27:55Mas, enfim...
27:56Depois você corta essa parte.
27:58O produto é muito bom.
27:59Então, assim, partindo desse princípio, é todo clean, vegano, embalagem reciclável.
28:04E é um produto que tem fórmula limpa, mas ele tem performance.
28:08Porque até pouco tempo os produtos eram limpos, mas o cabelo não ficava lindo.
28:12Aí também não serve, né?
28:14Para a brasileira que é super vaidosa.
28:16E a coisa da customização, né?
28:17Então, assim, você pode criar várias fórmulas diferentes usando a mesma linha.
28:23E atender não só o tipo do cabelo, mas o momento que o seu cabelo está.
28:27Você está fazendo uma viagem, está mais seco, está mais oleoso, a finalização.
28:32Então, tem isso e tem um approach para a naturalidade de uma maneira que não é forçada.
28:38Tipo, assim, tenha mais uma opção de usar o seu cabelo.
28:41Que também pode ser sair com ele molhado e descobrir como ele seca, sabe?
28:44E descubra a textura natural do seu cabelo.
28:46Que sai do looping da escova, que é uma coisa muito da brasileira também.
28:50É, e é uma abordagem um pouco mais inclusiva em relação à beleza que você estava falando, né?
28:54Que a beleza conseguiu ser muito mais inclusiva do que a moda.
28:58E que deixar as pessoas mais confortáveis na própria pele, né?
29:02Eu sou, tipo assim, eu sou a favor das coisas com muita naturalidade, assim.
29:06Eu não acho que tem que ser ou você é totalmente natural, não faz nada.
29:10Ou você está sempre muito produzida.
29:12Eu gosto de estar assim, tipo, nos dois, sabe?
29:14Então, eu acredito muito nessa beleza ser um conjunto de ser apropriado do que você é.
29:21Que é muito sobre o que o TED Talks fala, o da autoestima, né?
29:24Que a gente, nós somos SKUs únicos.
29:26A gente não tem concorrência, né?
29:28Você tem coisas muito interessantes suas, eu tenho muito minhas e somos, né?
29:32Mas que quando a gente só baseia isso na superficialidade, que é a casca, né?
29:38É muito frágil, porque a gente envelhece, o tempo passa.
29:41Então, eu acho que a gente tem que...
29:43Eu brinco que os conselhos de beleza que eu mais gosto é fazer terapia e ler.
29:48Porque são coisas que deixam a gente interessante e confiante,
29:51que vão muito além do que a beleza física, né?
29:56E o que você tem lido recentemente de interessante?
29:59Livro de história, eu adoro.
30:01Então, assim, eu leio muito lento, né?
30:04Tipo, eu fico, às vezes, muito mal-humorada, porque eu fico no celular.
30:07Então, acho que a gente está cada vez com menos concentração.
30:09Então, eu posto muitos livros, mas eu leio no ritmo da tartaruga.
30:13Então, eu estou lendo Laurentino, que eu adoro.
30:17Eu gosto muito, tenho gostado muito de ler livro de história.
30:21Laurentino Gomes.
30:21Me ajudar a me apropriar, assim, entender o passado.
30:26Acho que ajuda a gente a olhar para frente.
30:27E isso conversa com a campanha da qual você participou, da Heineken,
30:32que é o Social of Socials.
30:34No site do Meio Mensagem tem uma matéria...
30:35Que você escreveu.
30:36Que eu escrevi, que a Camila fala sobre isso.
30:39Mas, e você conta, né, um pouco sobre como a sua relação com as redes sociais
30:46tem que ser atenta, porque o seu trabalho depende das redes.
30:50Ele está lá, mas, ao mesmo tempo, você tem que tomar uma distância
30:54para que a vida não se resuma àquilo, né?
30:56Então, como que é esse exercício no seu dia a dia?
30:59Muito difícil.
31:00Muito.
31:01Porque, assim, como é que eu posso dizer?
31:06É projetado para envolver a gente de uma maneira que é irresistível.
31:10Então, assim, a dopamina é uma coisa que é muito poderosa.
31:13Ela move o mundo.
31:14Eu li um livro sobre dopamina também esses dias.
31:16Eu brinco que é livro de aeroporto, né?
31:18Que é bom, mas você lê metade e está lido.
31:20Não precisa ler todo.
31:21Mas é interessante, porque me deixou entender como é que funciona o mecanismo da dopamina.
31:26Que não é sobre o prazer, é sobre o desejo.
31:32É sobre você...
31:33O desejo, ele só existe com a falta.
31:34Então, você não sabe o que vem.
31:37Você não sabe o que vem.
31:37Então, você fica preso naquele loop.
31:39Então, é meio difícil a gente combater.
31:42Tem que ser muito ativo, né?
31:44E aí, ao mesmo tempo que eu crio as minhas pausas e o bloqueio.
31:47Tenho um bloqueio de nove da noite às nove da manhã.
31:51Deixo o celular carregando em outro cômodo e tal.
31:54Ao mesmo tempo, eu tenho que postar.
31:56Eu tenho que conferir se a postagem está indo bem.
31:58Tudo meu é no celular.
31:59Então, assim, é uma batalha, viu?
32:01Porque, quando eu vejo, eu estou lá e eu fico me policiando.
32:05Mas eu tenho...
32:05Eu gosto de ter esse distanciamento ativo físico mesmo, sabe?
32:10Eu acho que é isso.
32:12A nossa vida, ela é digital.
32:14Hoje em dia, não tem como fugir.
32:16Mas eu acho que a gente tem que criar novos hábitos mesmo.
32:20Porque aí a gente consegue criar um pouco mais de limite, né?
32:23Só que é isso.
32:23Eu trabalho no celular.
32:26Então, para mim, é mais difícil do que para um advogado.
32:29Ou para um contador.
32:30Ou para uma outra profissão, assim, que não tem que estar postando, né?
32:34Porque, ao mesmo tempo que eu estou trabalhando aqui, tipo, no WhatsApp.
32:36Eu estou fazendo alguma reunião.
32:38Eu tenho que estar pensando em como eu vou registrar o meu dia para a minha audiência ver, né?
32:42Tipo, como é que eu vou mostrar que eu estou no podcast do meu mensagem?
32:45Eu tenho que contar essa história também.
32:46Então, nunca para o cérebro de pensar em como traduzir a vida em conteúdo.
32:51E aí, quando você fica vendo se o post foi bem.
32:56Tem comentários bons e não tão bons.
33:00Vamos assim, né?
33:00Tem o famoso hate.
33:02Como é que você lida com o hate?
33:03Eu não tenho muito hate.
33:04Eu tenho, na verdade, muito, muito pouco.
33:06Então, nunca foi um problema, assim, para mim.
33:10Nunca foi algo com que você teve que trabalhar, assim, porque estava te afetando muito?
33:15Nunca.
33:15Nunca tive esse problema, assim.
33:17Porque eu acho que, como a minha audiência é muito antiga...
33:19Claro, tem sempre gente nova entrando.
33:21Mas são meninas...
33:22Não são adolescentes.
33:23Não tem um frenesi tão grande.
33:25A fatia maior são mulheres adultas, né?
33:27São adultos.
33:28Então, eu sinto que é uma comunidade muito ali, junta.
33:32E muito calma.
33:33São meninas muito interessantes.
33:35Eu falo meninas porque são as que me abordam mais.
33:37E eu tenho a chance de conhecer pessoalmente.
33:38Mas são meninas que poderiam ser minhas amigas e me dão vários conselhos.
33:44E, tipo, a gente troca muito.
33:46Então, a gente tem muito respeito na comunidade.
33:49Então, eu acho que isso é muito positivo.
33:50Nunca tive que lidar, assim, ativamente contra, sabe?
33:54É, mas teve aquele episódio que não foi exatamente...
33:56Foram críticas sérias, né?
33:58Da planilha dos influenciadores.
34:01E você se posicionou em relação àquilo.
34:04Mas como que aquilo pessoalmente chegou, né?
34:06Te tocou ali?
34:07E teve...
34:08Você teve algum tipo de revisão sobre o seu comportamento?
34:12Como é que foi?
34:13Ah, eu acho que foi...
34:14É muito ruim você ver uma pessoa falando aquele tipo de comentários, assim.
34:19Não tem como dizer que você olha e você fala...
34:22Que delícia, né?
34:23Ler isso sobre mim.
34:24É horrível.
34:25Mas eu acho que, ao mesmo tempo, as coisas, elas não são binárias, né?
34:29Eu acho que a vida é um espectro.
34:31E a gente tem as situações que a gente age e se coloca
34:34que, às vezes, agradam pessoas e não agradam outras pessoas.
34:37E, às vezes, é uma situação X que resulta...
34:41Claramente, é uma pessoa que não gostava de mim que escreveu aquilo ali, né?
34:44Então, assim, claramente.
34:46Mas, assim, você não...
34:47Eu não tenho como dizer que eu fui sempre perfeita
34:50numa comunicação com todo mundo.
34:53Ao mesmo tempo, eu não sou resumida aquilo.
34:57E, assim, o que me pegou muito foi que a gente foi atrás de descobrir o que era verdade,
35:03o que era mentira, porque eu não pude nem me posicionar da maneira que eu imaginaria
35:07como mais o meu jeito, porque eu não sabia o que era aquilo.
35:11A gente nunca tinha ouvido falar daqueles comentários dentro da empresa.
35:14Então, assim, foi uma experiência muito diferente,
35:17que a gente teve que investigar, teve que envolver advogado
35:21para entender como agir com relação àquilo.
35:25E aí, acho que falei da maneira que eu achava que era o mais correto
35:29e seguimos, assim.
35:31Mas é horrível, zero agradável.
35:33Mas foi um episódio muito pontual, assim,
35:36que não é uma coisa que é recorrente, assim.
35:39Em 20 anos, eu acho que foi a primeira vez.
35:41Isso prejudicou seus negócios de alguma maneira?
35:43Não, tipo, tem uma janela de tempo ali que fica todo mundo mais atento, né?
35:49Mas a vida correu normal desde o que aconteceu até ser resolvido.
35:54Então, não prejudicou, não.
35:56E teve também um episódio, também, que você, né, causou ali polêmica
36:02porque você se posicionou em relação ao show da Madonna.
36:05Agora eu vou fazer a pergunta para você.
36:07O que você entendeu daquilo?
36:10Que você estava dando a sua opinião?
36:12Qual era a minha opinião?
36:13Hum, que você...
36:15Ah, eu não me lembro bem.
36:16Agora você me pegou desprevenida, né?
36:18Sabe por que eu faço essa pergunta?
36:19Porque foi uma experiência antropológica para mim aquilo.
36:23Porque eu não fui para o show da Madonna.
36:25Eu tinha dois patrocinadores meus que estavam patrocinando, me chamaram.
36:29Só que eu estava cansada.
36:30Eu falei, pô, vou ver da TV porque eu vejo melhor e tal.
36:32Não, não.
36:33Eu nunca fui maior fã da Madonna.
36:34Eu sou fã da Lady Gaga.
36:35Mas a Madonna eu sempre gostei muito, mas não era uma fã de eu, tipo, passar pelo meu
36:40cansaço, pegar o avião para ir para um show em Copacabana.
36:43Falei, vou fazer minha pipoca e vem em casa.
36:45Aí eu estava no meu dia off, que eu não fiquei postando o meu dia inteiro.
36:48Eu postei uma tela de stories falando, pô, que show foda.
36:52Amei, não, não, não.
36:53Fui dormir.
36:55Aí o stories meio que passou as horas, né?
36:57E depois eu fiz outro stories comentando do porquê que a audiência do Brasil é sempre
37:02mais calorosa do que as outras audiências.
37:05Só que eu fui muito infeliz que o show, a artista estava tendo muitas polêmicas, né?
37:11Tipo, que tudo agora é esquerda e direita e, tipo, os clusters das características,
37:15que eu acho uma grande bobagem, porque, enfim.
37:19Só leva a gente para lugares péssimos, né?
37:20Esse extremismo.
37:23E aí eu dei esse exemplo, dessa minha opinião, de que o Brasil é um país que tem carência
37:28de muitas coisas e de cuidado, né?
37:31Historicamente, um país muito grande.
37:33E que a gente se apega aos ídolos de uma maneira diferente por causa dessa característica
37:38nossa.
37:39Só que aí o público LGBTQIA+, achou que eu estava falando dele, que eles eram um público
37:46carente.
37:47Só que aí eu vi, ao vivo, o fenômeno de como a narrativa é customizada e transformada.
37:55E tem uma hora que você realmente perde o controle.
37:57Não adianta você mostrar o stories.
37:59Não adianta você debater.
38:01Não adianta você, tipo, mostrar o seu histórico.
38:03Porque as pessoas que te conheceram a partir daquele recorte, elas só vão querer acreditar
38:07naquilo porque dá mais audiência, entendeu?
38:09Então, assim, é um negócio que você tem que realmente relaxar, porque quem te acompanha
38:14desse caso pra trás, que sabe toda a relação que você tem com o público, enfim, das doações
38:20que você faz, tipo, dos movimentos que você faz pró, olha aquilo e não...
38:25E, tipo, eu tenho vários amigos gays que viram e falaram, pô, concordo, sei lá.
38:28Só que a partir dali, é um novo mundo.
38:31E aí eu não tinha tido essa experiência.
38:33E é muito, muito, muito doido, assim.
38:35É preciso ter um desapego, né?
38:37Porque senão você não vai tocar a sua vida ou você vai deixar de se colocar.
38:43Eu deixo de me colocar hoje em dia, sabia?
38:45Eu acho que me deixou um pouco...
38:46Me deixou com uma cicatrizinha, porque foi meio assustador ver uma coisa que foi zero
38:55a minha intenção ter dito, tipo, ter falado naquele sentido.
38:58Tipo assim, eu falaria a mesma coisa do show do U2, que vai ter agora, que é um público
39:01diferente, né?
39:03Que eu acho que vai ser U2 o próximo show.
39:04Vai.
39:04Se aplica a uma mesma banda, Coldplay se aplica.
39:07Então, assim, fiquei triste de ter sido tirado de contexto.
39:12Mas aí, hoje em dia, eu penso sim.
39:14Não vou mentir, tipo, ai, será que eu quero, tipo, correr esse risco dessa opinião?
39:18Você pensa duas vezes antes de...
39:20Ah, eu vou não.
39:21Já desisti, vou ver minha série, entendeu?
39:24Porque às vezes é uma pena porque perde o debate, né?
39:27Mas também acho que nem tudo tem que ser debatido, não.
39:31Eu sou a favor, às vezes, da gente ficar...
39:33De guardar a opinião.
39:33De boa, sabe?
39:35E, Camila, qual que você considera, nesses seus 20 anos de carreira, que foi a sua grande
39:41ideia?
39:41Ai, meu Deus.
39:44Eu acho que foi o blog.
39:45Não tem como dizer.
39:47Não tem como dizer outra.
39:48Porque, assim, o blog, ele me...
39:51Eu tô aqui por causa do Garotos Estúpidos.
39:53Eu brinco com o Garotos Estúpidos da minha mãe.
39:55E, tipo, assim, no sentido de...
39:56Eu existo na internet porque eu vim dele, né?
39:59Então, não foi o contrário, né?
40:00Muitas meninas nasceram no ambiente do Instagram.
40:03Pós era blog.
40:04Mas eu acho que a minha grande ideia foi começar esse blog no momento certo, na hora certa.
40:11Ter a constância e me reinventando dentro do formato.
40:16E aí, acompanhando as transformações que ele foi pedindo ao longo desses anos, né?
40:21Foi uma grande transformação editorial, assim, né?
40:25E tem alguma ideia da qual você se arrepende?
40:30Ah, eu fiz um e-commerce, que eu até conto no meu livro.
40:32Eu fiz um e-commerce quando eu tava na faculdade, na época.
40:36E, nossa, a minha maior alegria foi fechar.
40:38Tipo assim, tanto que abrir e fechar, sabe?
40:41Acho que tem muitas ideias, gente, que a gente tem e que não dá muito certo.
40:46E eu nem lembro, assim, tá tudo bem.
40:48Eu acho que a minha cabeça funciona assim.
40:50O importante é fazer e aí ir vendo, sabe?
40:52Calcular o risco e tomar a decisão com um bom cálculo de risco.
40:57Mas eu acho que é isso, assim.
40:58A ideia a gente tem todos os dias.
41:00Pequena, grande.
41:01Tem que executar direitinho.
41:03É mais importante colocar em prática mesmo que dê errado.
41:06Ah, eu acho que se você olha praquilo, faz sentido dentro da sua estratégia num todo, sabe?
41:11Acho que vale a pena seguir.
41:13Tem ideias que, às vezes, eu tenho e eu nem executo.
41:17Eu dou pra alguém, porque não faz sentido dentro do meu nicho ali.
41:23Mas eu vivo pensando coisas.
41:26E você, Camila, tem o seu lado entrevistadora.
41:28Você até me fez uma pergunta um pouco atrás.
41:31Você tem o de carona há muito tempo, já há mais de década, lá no YouTube,
41:34que você conversa com as pessoas, pessoas famosas e tal.
41:38Tem algum caos que você se lembra, assim, que foi alguma situação engraçada com as pessoas que você entrevistou?
41:46Tem vários, tipo...
41:47Ah, mas nada muito...
41:48Ah, uau, não.
41:49Mas, sei lá, a Gisele.
41:50Foi super difícil de conseguir, aí eu consegui.
41:52Ela foi muito perfeita.
41:54Tipo assim, fiquei...
41:55A irmã dela, a Patrícia, maravilhosa.
41:58É super presente, sabe?
42:00Não é que ela...
42:01A Gisele, quando ela se dispõe a te dar ali 5, 10, 40 minutos, como foi comigo,
42:05ela está 100% ali e aí ela gosta da luz num ângulo específico e aí uma pessoa ficou segurando o meu spot, assim, tipo, todo o tempo.
42:15E ela foi maravilhosa.
42:17A Ivete, eu fui para Nova York entrevistar ela, aí a gente foi levá-la no Brazilian Day,
42:22ela desceu para fazer a entrevista, levou uma chuva que quase tinha muito forte, ia cancelar o show.
42:28E eu não tinha terminado a entrevista, eu pensei, bom, ela vai voltar e não vai querer continuar,
42:31que ela vai estar toda borrada, molhada.
42:33E ela entrou na van, a primeira coisa que ela fez foi, Camilinha, cadê o microfone?
42:36Pum, botou umas coisas assim, sabe?
42:39É muito bom quando a pessoa que você admira, ela entrega também nesse outro lado, sabe?
42:44A Anitta, que eu fiz duas vezes a entrevista com ela, 10 anos atrás e agora.
42:50E ela ficou, tipo, uma hora e meia no carro comigo, sabe?
42:53Eu fico super feliz, assim.
42:54E o Alceu Valença, que foi agora o mais recente.
42:57Recentemente, é.
42:57Gente, sério.
42:58Lições de autenticidade.
42:59Divo, divo.
43:01Seu conterrâneo.
43:01Meu conterrâneo.
43:03E aí, eu digo que ele é a personificação do bairrismo pernambucano.
43:07Porque a gente tem essa coisa de proteger o que é nosso e não deixa entrar uma poeirinha de fora.
43:12E ele tem muito esse protecionismo, assim.
43:15Então, ele não gosta de referência de fora.
43:18Ele é bem focado, assim, né?
43:21E aí, foi divertido desarmar ele, sabe?
43:24Porque ele é uma pessoa mais difícil de entrevistar.
43:26Tem um histórico de ser mais, tipo, durão, assim.
43:28Então, eu gosto dessa parte de ir craqueando, assim, sabe?
43:33Os caminhos.
43:34Agora, você fez duas perguntas super difíceis, super bem.
43:37E acho que essa é a grande característica do jornalista, né?
43:41Ele conseguir tirar as informações de uma maneira diferente e natural do entrevistado.
43:46E a Glória Maria também, que eu vou dizer só porque me marcou muito.
43:51Que eu fui entrevistar ela e eu estava super nervosa.
43:53E aí, eu falei, Glória, ela seguia o GE.
43:57E aí, ela entragia muito nos posts.
43:59E aí, a gente falou, vamos chamar ela para fazer uma capa.
44:02O não, a gente já tem.
44:03E ela topou na hora, assim.
44:04Foi surreal.
44:05E aí, eu fui fazer a entrevista.
44:06Eu falei, Glória, eu estou aqui com a lista de perguntas.
44:09Se você não ficar confortável com alguma, você me fala que eu tiro.
44:12Ela falou, minha linda, eu vou te falar uma coisa.
44:15O jornalista não pergunta se pode fazer.
44:18Ele faz.
44:19E aí, depois, você se vira com o que vier, entendeu?
44:22Tipo, não pergunte nunca.
44:23Só faça a pergunta.
44:24Então, eu acho que isso também me marcou muito, assim, das entrevistas que eu fiz.
44:29E o que te inspira hoje, fora do universo pelo qual você transita?
44:34Que é o da moda, o da beleza, o do conteúdo.
44:37O que hoje está te instigando?
44:42Ah, eu acho que são duas vias, assim.
44:46Eu acho que tem, e bem opostas.
44:47Eu fui fazer agora um talk no Brasil Conference, que foi no MIT.
44:51E eu nunca tinha ido para Boston.
44:52E eu sou muito curiosa.
44:53Então, tinha a Páscoa ali no meio, tinha uns dias off, eu fiquei.
44:56E eu fiquei muito solta.
44:57Tipo, eu ia para lá, para o Media Lab, MIT Media Lab.
44:59E, tipo, quem tem um amigo cientista aí para me dar um tour?
45:02E aí, eu fiz vários amigos.
45:03E eu ficava, tipo, descobrindo lá o que ele...
45:05Perguntando, né?
45:06E para eles, o dia a dia deles, para mim, era muito novo.
45:08Então, toda essa coisa de AI, de, tipo, eu conheci lá um designer de moléculas,
45:14que ele faz combinações de moléculas usando o AI para criar novas substâncias.
45:19Então, tipo assim, o quanto a tecnologia pode levar a gente, né?
45:23Para lugares inimagináveis.
45:25Ao mesmo tempo que eu gosto muito da parte de comportamento humano, né?
45:30Que é uma parte que eu acho que não muda tanto.
45:33O ser humano, ele tem ali um jeitinho de ser.
45:35Que eu acho muito difícil que ele se altere.
45:38Mas, quando eu digo que eu gosto de estudar história,
45:40é porque eu gosto muito de, tipo, de onde veio?
45:42Por que o brasileiro é assim?
45:44Por que o português é assim?
45:45Por que o americano é do jeito que ele é?
45:49Então, eu gosto da parte de comportamento, assim, sabe?
45:52De tentar dar um zoom out.
45:54Porque eu acho que a internet, ela faz a gente polarizar muito.
45:58Porque o trabalho do algoritmo é dividir a gente em clusters.
46:01E oferecer para aqueles clusters uma coisa que tenha a possibilidade de eles gostarem mais.
46:07Só que eu acho que é muito importante a gente sair disso.
46:11Tipo assim, que é a minha natureza, a minha personalidade.
46:14Eu saio para lugares que não são só os lugares que eu estou acostumada.
46:18Me chama para qualquer programação, eu vou.
46:21Peça de teatro, que eu não conheço o assunto.
46:24Então, eu estou sempre muito interessada.
46:25Eu acho positivo porque me agrega pontos de vista.
46:28Então, eu acho que quando você dá esse zoom out do Instagram,
46:31você consegue assistir um pouco o que está acontecendo ali.
46:34E você, tipo...
46:36Houve opiniões de todos os lados.
46:38Eu acho que essa é uma parte que me inspira.
46:40Não sei se eu viajei muito na resposta.
46:42Não, imagina.
46:43E, Camila, chegando à reta final da nossa conversa.
46:47Tem algum conselho que você daria para quem quer trabalhar com criação de conteúdo?
46:54Acho que, de novo, são dois polos opostos.
46:58Um, se conheça.
46:59Tipo, faça a sua terapiazinha ali para você se conhecer.
47:02E você ter a confiança num assunto que você escolher falar.
47:05Tipo, vou falar desse assunto, dessa maneira.
47:08Porque eu acho que, às vezes, o grande pulo do gato é o seu sotaque.
47:11É o seu jeito de fazer um negócio com humor que ninguém está fazendo.
47:15Tipo, por exemplo, a Mari Kruger, sabe?
47:16Que ela é bióloga, né?
47:18Então, assim, ela achou um jeito dela ali de fazer um conteúdo.
47:21E isso fez ela se destacar.
47:23Só que a pessoa tem que ter confiança, né?
47:25Para não seguir a manada.
47:27Eu acho que isso, que é uma parte mais quali.
47:30E a parte mais quante é use os dados.
47:32Quando eu comecei, não tinha métrica.
47:35Não tinha como saber o que estava dando certo ou não.
47:36Era meio tiro no escuro.
47:38Ganhei o seguidor, deu certo.
47:40Tipo, não tinha como saber.
47:41Era um mundo mais simples, assim, né?
47:43É, tinha menos gente, né?
47:45Então, assim, e hoje não.
47:48Você pode ver tudo.
47:49Você pode ver o segundo que a pessoa estava assistindo o vídeo e parou, sabe?
47:52Então, você tem como construir uma estratégia baseada em growth, usando todas as ferramentas
47:57de métrica que as plataformas oferecem.
47:59E eu esqueci só de uma coisa.
48:02O que é moda para você?
48:04Você consegue definir o que ela representa para você, já que foi o...
48:07Moda é semiótica.
48:09Tipo, moda é simbologia de um retrato do tempo.
48:13Tipo, assim...
48:14Nossa, diz tanta coisa.
48:16É muito além de roupa.
48:18Claro que tem, tipo, as tendências ali, as coisas.
48:21Mas, assim, você pode contar a história do mundo através da roupa.
48:26A história da mulher, como a mulher se colocava.
48:30O que era esperado da mulher até certo ponto, sabe?
48:33Tipo, hoje em dia, às vezes, no meu dia a dia...
48:34Hoje eu estou de salto.
48:36Mas eu uso muito tênis.
48:38Quando eu vou para o escritório, zero salto.
48:40E aí, esses dias, eu fiz uma reunião externa.
48:42Falei, ah, vou botar um saltinho.
48:43Aí, botei um salto.
48:44Quando eu desci do Uber, eu falei, que merda.
48:47Cadê meu tênis?
48:48Porque, tipo assim, tira a mobilidade da mulher.
48:51Eu estava brincando aqui com você.
48:52Você está de Birken, que é uma área super confortável.
48:55Então, assim, é a questão de mobilidade.
48:57O salto tira a mobilidade.
48:59Deixa a mulher mais durinha.
49:01Deixa, tipo, sabe?
49:01Então, você começa a aprofundar na função das coisas.
49:06Existe ali um por trás.
49:08A história é antes da história daquela peça.
49:11Fora essa coisa da semiótica que eu falei.
49:13Que o fato de você puxar uma manga de um jeito
49:15é diferente do que você deixar ela esticada e atacada e passada, né?
49:20Então, eu sou bem fascinada por essa parte, assim.
49:23São muitas mensagens.
49:24São muitas mensagens.
49:24Muitas entrelinhas.
49:26Muitas entrelinhas.
49:26Dá para construir muita coisa, né?
49:29Camila, muito obrigada pela sua presença na ideia.
49:31Obrigada a você.
49:31Adorei.
49:32Valeu.
49:32Adorei.
49:33Até a próxima.
49:33Até a próxima, gente.
49:35Continue acompanhando a ideia em todas as plataformas de e-mail e mensagem,
49:39no nosso canal do YouTube e em todos os agregadores de podcast.
49:43Os episódios de A Ideia são gravados nos estúdios do Content Club em São Paulo.
49:47Até a próxima.
49:48Tchau, tchau, tchau, tchau.
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