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Alexandre Pires, professor do Ibmec-SP, analisou o impacto do novo acordo Brasil-China para uso de moedas locais no comércio internacional e o investimento chinês de US$ 5 bilhões em tecnologia. Ele também avaliou riscos geopolíticos e o cenário global de acordos bilaterais.

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Transcrição
00:00O presidente Lula, em visita a Pequim, afirmou que a relação entre Brasil e China nunca foi tão necessária.
00:06Essa afirmação aconteceu depois que os bancos centrais dos dois países assinaram um acordo
00:11para a troca de moedas em transações internacionais.
00:15Vamos entender quais são os impactos desse acordo para a economia do Brasil
00:18com Alexandre Pires, que é professor de Economia e Relações Internacionais do IBMEC São Paulo.
00:25Tudo bem, Alexandre? Boa tarde, bem-vindo ao Money Times.
00:27Tudo bem, Natália? Tudo bem, Dilipo? Muito obrigado pelo convite.
00:33A gente que agradece a sua disponibilidade.
00:35Bom, esse recente acordo de redução de tarifas entre Estados Unidos e China,
00:40a gente vai falar dele daqui a pouquinho, mas quero te ouvir primeiro sobre esse acordo Brasil e China.
00:47Qual é o potencial, como isso deve acontecer e impactar na prática a nossa economia?
00:53Esse tipo de acordo vem sendo desenhado há algum tempo, ou seja, são trocas diretas entre economias que não usariam, digamos, o dólar.
01:04A China vem tentando montar um ecossistema de pagamentos e alguns países têm aderido.
01:09Sobretudo dentro do grupo dos BRICS, o Brasil está avançando nessa direção, mas nós temos que lembrar que isso gera uma tensão em relação aos Estados Unidos,
01:21sobretudo ao atual governo Trump, que falou que não vai permitir que o dólar deixe de ser a moeda de reserva.
01:27Por outro lado, você tem uma facilidade que seria pagar importações e exportações sem ter que fazer, digamos, um acúmulo de divisas em dólar.
01:39Supostamente, isso deixaria o balanço de pagamentos mais tranquilo, mais confortável ao longo do tempo.
01:46Interessante. Felipe, sua pergunta.
01:47Professor, boa tarde.
01:49Professor, esses 5 bilhões de dólares que a China anunciou o investimento aqui no Brasil,
01:53qual é a importância disso? Quais são as áreas que vai ter mais impacto, mais tecnologia, mais áreas de produtos?
02:02Quais são as áreas mais importantes aí?
02:06Concretamente, eu acho que o acordo que está mais bem desenhado é o da Dataperv com a Huawei na área de inteligência artificial.
02:13O Brasil parece que tem um interesse em criar uma plataforma disso e talvez a gente avance para outros setores,
02:20como baterias e carros elétricos.
02:23Certo. E, professor, agora falando da relação Estados Unidos e China,
02:29a gente teve essa redução temporária de tarifas, uma redução significativa.
02:34Como que o senhor está avaliando o impacto disso?
02:37E se isso é suficiente para acalmar, para estabilizar esse comércio global?
02:43Porque a gente sabe que o tempo dessas negociações é longo e 90 dias acaba sendo um prazo curto, não?
02:48É, olhando o Brasil, estava bom o cenário anterior.
02:53Ou seja, a gente estava com 10% e praticamente o comércio entre China e Estados Unidos parado.
03:00Então, a China ia ter que fazer um acordo conosco para a gente fornecer carne, frango e outros commodities.
03:07Agora, nosso poder de barganha caiu um pouco.
03:09Mas, do ponto de vista das cadeias globais de fornecimento, que envolvem todas essas empresas internacionais,
03:17isso acaba sendo positivo.
03:19O Brasil, nem tanto.
03:21Felipe, vai passar?
03:22Professor, quais são os riscos desse acordo do Brasil e China?
03:26Quer dizer, olhando assim do ponto de vista dos Estados Unidos,
03:28os Estados Unidos fechando muitos acordos até com países do Oriente Médio, enfim.
03:33O Brasil tem até...
03:35Pode parecer que o Brasil está do lado da China nessa discussão,
03:39se aproximando um pouco da China.
03:40É a segunda visita do presidente Lula à China já nesse segundo mandato.
03:44Qual é o risco de se aproximar muito da China e se distanciar um pouco dos Estados Unidos?
03:50O Brasil pode ir para o fim da fila dos acordos.
03:53Ou seja, olha, vocês estão dando preferência à China, então tentem se resolver com elas.
03:59Do ponto de vista estratégico, não faz tanto sentido como o governo atual tem defendido.
04:04Por quê?
04:05Nós estamos ficando mais dependentes da China.
04:07A ideia seria ficar menos dependente da China,
04:10ainda mais vendo que a economia dela está entrando em choque com a americana.
04:15Então, a tendência era que a economia da China se desacelerasse.
04:18O Brasil está apostando na China, sendo que a guerra comercial está em curso.
04:24Era melhor fazer uma estratégia mais pura de neutralidade
04:27e não esse alinhamento velado que nós estamos vendo.
04:32O que o senhor quer complementar?
04:33Não, só para complementar, Natália, só para não esquecer o raciocínio,
04:36para manter nessa mesma linha.
04:37Professor, mas o Brasil tem essa opção, quer dizer,
04:40diante das tarifas que o Donald Trump aplica no Brasil, está aplicando,
04:44o Brasil tem essa opção de não se aliar à China?
04:47Qual seria o caminho mais adequado para a economia, para a diplomacia brasileira?
04:55Bom, o Brasil não está com uma prática tão boa para acordos bilaterais.
05:00Tenho falado isso nas minhas últimas entrevistas.
05:03Ou seja, o Brasil tem apostado nos últimos 40 anos em acordos multilaterais.
05:08Só que o mundo mudou e nós precisamos enfrentar ali acordo por acordo, país por país.
05:14Então, o Brasil deveria tentar caminhar em outros mercados.
05:18É claro que a China é o nosso grande parceiro,
05:21mas aprofundar essa dependência talvez não seja o melhor caminho.
05:26Teríamos que destravar os acordos da Europa, investir nisso,
05:30e tentar não fechar o mercado americano, que é gigantesco.
05:34Porque, no fim das contas, a China vai ter que diminuir o déficit com os Estados Unidos.
05:40E ela vai ter que tentar manter o seu superávit com outros países.
05:43Talvez o Brasil seja o destino de muitos produtos chineses,
05:47e o que parece bom hoje pode ficar muito ruim amanhã.
05:51Então, eu só queria te ouvir mais sobre esse ponto muito interessante que o senhor trouxe,
05:54desse rearranjo de como o contexto todo global mudou.
05:59Então, a gente tinha um cenário de muitos acordos e negociações multilaterais,
06:04e agora uma tendência, um crescimento de acordos bilaterais.
06:09O senhor acha que o Brasil precisa evoluir nesse quesito?
06:12Não sei se evoluir seria a palavra correta, mas queria a sua leitura, então, sobre esse momento.
06:19Sim, o Brasil tem que fazer uma atualização de suas práticas diplomáticas.
06:24A gente tem que conseguir destravar o Mercosul para que permita que o Brasil use mais o seu poder de barganha,
06:32fazendo acordos com países de modo individual, sem que isso leve a uma implosão do Mercosul.
06:38E aí, o Itamaraty e o próprio governo têm que adotar a prática da negociação bilateral.
06:44É preocupante quando nós vemos o presidente Lula declarando ainda uma fé no multilateralismo.
06:50Já devia ele, que é uma figura vista como pragmática, ter percebido que isso praticamente morreu.
06:57Falta uma pá de caldo.
06:59A ONU está para ficar sem dinheiro, a OMC se tornou uma instância que não resolve disputas.
07:06Então, o Brasil deveria se adaptar ao mundo atual, até para trazer resultados rápidos para a população.
07:12Professor, o senhor está falando desse mundo multilateral, como a gente tinha até alguns anos atrás.
07:20E foi nesse aspecto, nesse contexto, que o Brasil fechou o acordo com a Europa.
07:25O Mercosul fechou o acordo com a União Europeia, que ainda não foi exatamente implementado.
07:29O que está faltando para ser implementado?
07:31E o senhor acha que ainda faz sentido esse acordo hoje, com esse mundo que já não está mais tão multilateral,
07:36quando a gente é no processo de negociação desse acordo?
07:39O poder de guardão da Europa está diminuindo a cada dia.
07:43Ou seja, a Europa está ficando sem o seu parceiro estratégico,
07:48e a China está tentando entrar no mercado europeu.
07:52Ou seja, a Europa tem que decidir se ela vai fechar uma parceria com a América do Sul.
07:57Obviamente que isso seria muito mais fácil se a negociação fosse Brasil direto com a União Europeia
08:04ou com países específicos tentando achar ali alguma saída.
08:08Sobretudo a Inglaterra, que está ali esperando acordos, e o Brasil simplesmente ignorando.
08:14Ou seja, a gente tem que ser realista.
08:15Esses fóruns não têm mais a mesma dinâmica que tinham antes.
08:20Professor, para a gente finalizar, queria ouvir a sua leitura, a sua avaliação desse movimento que a gente está vendo hoje.
08:27Essa primeira viagem internacional do presidente Donald Trump à Arábia Saudita,
08:32e esse investimento anunciado de 600 bilhões de dólares nos Estados Unidos,
08:38e ele ali é acompanhado por muitos empresários.
08:41Como é que o senhor vê esse movimento?
08:43Logo no primeiro mês, ele já disse que iria acontecer esse investimento,
08:49ele ia tentar chegar de 600 para 1 trilhão.
08:51Pelo visto, não deu certo, mas 600 bilhões é um volume grande.
08:55A Arábia Saudita é um parceiro dos Estados Unidos, na região.
09:00Isso estabiliza, obviamente, o fornecimento de petróleo.
09:03Nós estamos aí com o barril WTI, que é o padrão Texas.
09:10Ele já está a 60 doses, estava a 80 quando o Trump entrou.
09:14E o Trump, que quer diminuir a inflação,
09:17então pelo menos estabilizar, e isso é uma boa notícia.
09:20Ou seja, quanto mais ele estabilizar o Oriente Médio, melhor para os Estados Unidos.
09:24O grande problema é que o gás de xisto é um gás que é mais caro de extrair.
09:31Ou seja, é uma alternativa ao petróleo.
09:33Quanto mais o barril de petróleo baixa, mais prejuízo essas empresas tendem a ter.
09:40Então, uma hora é positivo, outra hora é negativo para os Estados Unidos.
09:45Mas é a coroação desses acordos que ele fez ao longo desses primeiros meses.
09:51Professor Alexandre Pires, de Economia e Relações Internacionais, do IBMEC São Paulo.
09:56Muito obrigada pela participação ao vivo com a gente.
09:59Boa tarde.
10:00Boa tarde.
10:01Boa tarde.
10:02Boa tarde.
10:03Boa tarde.
10:04Boa tarde.
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