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00:00Jovem Pan Saúde, oferecimento ampla, muito mais que um plano, um compromisso com você. Isso é ampla.
00:13Jovem Pan Saúde.
00:16Olá, seja muito bem-vindo a mais um JP Saúde. Hoje vamos falar sobre um tema que impacta profundamente a saúde e a qualidade de vida de milhões de mulheres.
00:26A endometriose. Uma em cada dez mulheres aqui no Brasil sofre com a doença. São cerca de sete milhões de brasileiras.
00:35No mundo, já são mais de 190 milhões de diagnósticos, segundo a Organização Mundial da Saúde.
00:41Por muito tempo, a dor feminina foi normalizada, especialmente durante a menstruação.
00:47Mas dor intensa não é normal e precisa ser investigada com seriedade.
00:52Para a gente conversar sobre este assunto, recebemos hoje a doutora Flávia Pursino, que é mastologista e também ginecologista.
01:01E a doutora Débora Pádua, que é fisioterapeuta pélvica e também sexóloga.
01:07Doutoras, muito obrigada pela participação aqui de vocês no JP Saúde.
01:11Queria começar aqui com a doutora Flávia, bem do comecinho mesmo.
01:14O que é a endometriose e como ela surge no nosso organismo?
01:19Soraya, muito obrigada pelo convite e agradeço a oportunidade de estar aqui conversando com você
01:24sobre esse tema tão relevante como você disse, que afeta a saúde e a qualidade de vida de tantas mulheres.
01:30A endometriose, para começar, ela é uma doença inflamatória que pode acontecer no corpo da mulher
01:37e que depende de um hormônio chamado estrogênio, que é um hormônio que a gente começa a produzir
01:43no início da nossa puberdade e essa ação se estende durante o nosso período reprodutivo.
01:49A grande questão é que a endometriose, ela é a detecção de células e de focos da nossa camada que menstrua,
01:59que normalmente fica dentro do corpo do útero, quando essas células se encontram dentro da cavidade abdominal
02:06ou mesmo dentro da cavidade torácica.
02:09E isso pode dar muita dor, que pode ser essa dor cíclica, como você comentou, durante a menstruação
02:16ou uma dor que perdura ao longo de todo o mês.
02:20E impacta a qualidade de vida de forma muito intensa por causa desse sintoma que muitas vezes não é validado.
02:27Agora, doutora Flávia, por que é tão importante a gente falar sobre a dor na menstruação com mais seriedade?
02:34A gente sabe, nós mulheres, sempre escutamos que sentir dor é normal, não tem problema, toma um remédio aqui, vai passar.
02:43E até por isso, muitas mulheres deixam de abordar essa situação com suas médicas, até na conversa social.
02:52O que acontece? As pessoas estão acostumadas, principalmente as mulheres, a sentir dor.
03:01Então, é aquela coisa que é cultural.
03:04Já a mulher, ela suporta muito mais dor do que os homens, ou pelo menos isso é cultural, não necessariamente é fisiológico.
03:13E a gente vai levando isso.
03:14E principalmente, quando se fala da menstruação, é algo que até pouco tempo atrás, não se falava muito sobre o tema.
03:23Era um tabu, né?
03:24Era um tabu.
03:25Era um tabu.
03:26Então, a menstruação, a mulher iria sentir dor mesmo, e a cólica era normal, e você coloca uma bolsinha de água quente, e vai levando.
03:35E assim, foi se normalizando essa dor de uma forma que não deveria ser.
03:44E a endometriose surgiu justamente com essa mudança nossa de estresse, né?
03:51Tem uma coisa que é mais inflamatória do que o estresse.
03:54Então, aquela coisa de...
03:56Hoje, as mulheres são infinitamente mais estressadas do que eram.
04:00Tem muito mais obrigações, muito mais atividades, muito mais coisas.
04:03Então, acaba piorando ainda mais essa endometriose, a dor acaba vindo com uma intensidade muito maior, e ela acaba suportando.
04:13E na sua especialidade, inclusive, como fisioterapeuta pélvica, você sente essa demora na procura pelas mulheres pra detectar essa dor?
04:23Pra elas entenderem que isso pode ser, de fato, um problema?
04:27Sem dúvida.
04:28Então, demora-se muito tempo pra descobrir a endometriose.
04:33As mulheres, elas, como a gente tava conversando antes aqui, elas demoram e elas vão pulando de médicos em médicos, muitos médicos.
04:42E as pessoas não conseguem aceitar que aquela dor é uma dor além.
04:47Não é uma dor que é suportável.
04:50Não é simplesmente uma dorzinha de cabeça que ela toma um remedinho e continua a vida dela.
04:54Não, é uma dor que ela tem que parar a vida para sentir aquela dor, porque ela passa do que a mulher consegue suportar.
05:03Ela se torna insuportável.
05:05Então, ela vai em busca de muitos médicos, mas demora muito tempo pro diagnóstico.
05:10E assim, não é uma coisa tão difícil de se ter o diagnóstico hoje em dia.
05:14Mas, ainda assim, a gente tem muitos profissionais desatualizados quanto a essa parte e não pedem os exames necessários, né?
05:24Doutora Flávia, também percebe isso que há uma certa vergonha das mulheres em abordar esse assunto?
05:31Sim, sem dúvidas.
05:32E eu acho que a vergonha, ela passa pela falta de espaço e de acolhida, tanto da sociedade, amigos, parentes, quanto das equipes de profissionais de saúde.
05:44Que pra criar um espaço pra essa dúvida, né? Pra essa queixa ser trazida e investigada, a mulher tem que se sentir bem pra falar.
05:53E muitas vezes, a gente tá esbarrando num termo que chama gaslighting médico.
05:58Que a não valorização ou o menosprezo da queixa real da mulher, por não ser palpável nesse caso, né?
06:05Que é a dor do outro, quando ela procura ajuda.
06:08Então, sem dúvida, em termos de endometriose, essa dor pélvica, ela pode começar na primeira menstruação.
06:1612, 14, 15 anos, enfim.
06:19E a média de idade do diagnóstico dessas mulheres é aos 30 anos.
06:24Ou seja, isso já teve um impacto.
06:27Uma vida inteira, né?
06:28De saúde mental, de sexualidade, em termos de trabalho muito grande.
06:33Inclusive, a gente vai ouvir agora um relato, né?
06:36De uma história real da Ana Paula Viscome, que inclusive é a paciente aqui da doutora Flávia.
06:41E que tinha esse histórico de dores bastante intensas.
06:45E só recentemente descobriu que era endometriose.
06:48Há três meses, ela passou por uma cirurgia.
06:51E conta como que foi esse processo e o que mudou na rotina dela.
06:54Vamos ouvir.
06:55O pior episódio da endometriose foi em novembro de 2024.
07:02Toda vez eu tinha dor, só que essa dor foi muito intensa.
07:04Tão intensa que eu cheguei a desmaiar.
07:07E eu fui às pressas ao ponto de socorro, perdi os sentidos.
07:10E voltei a mim horas depois.
07:13No ponto de socorro, fizeram uma nova bateria de exames.
07:15E viram que a endometriose tinha aumentado os focos.
07:20Por isso essa dor tão intensa que eu não suportei, que cheguei a perder os sentidos.
07:25E aumentou também o tamanho dos miomas.
07:30Daí então, voltei rapidamente com a doutora Flávia.
07:33Que foi maravilhosa.
07:35Entendeu a minha situação.
07:37E eu até pedi desculpas para ela.
07:39Eu devia ter focado mais em mim.
07:41Eu não foquei.
07:42Não estava tendo uma vida ativa.
07:46Totalmente sedentária.
07:48E comento muito mal.
07:49Então isso também contribuiu para que aumentasse.
07:52E as dores se intensificassem.
07:56Ela já, com a equipe maravilhosa dela, já promoveu.
08:00Já fui atrás da questão de operar.
08:03E conseguiu o máximo que ela conseguisse.
08:06E tirar os focos da endometriose e os miomas.
08:10Depois da cirurgia, foi muito bom.
08:15O pós-cirúrgico também não é doloroso.
08:19E até hoje ela me acompanha.
08:21Eu fiz agora em fevereiro.
08:22Hoje, que a gente está em maio.
08:26Faz três meses que eu fiz cirurgia.
08:27Eu não tenho mais dor.
08:29Eu não tomo mais remédio.
08:30É tão bom você ter uma vida um pouco...
08:32E eu tenho uma vida mais saudável.
08:33Porque eu agora parei para pensar em mim mais.
08:36E não só no trabalho.
08:37Então eu como melhor.
08:39Eu faço atividade física, se possível, todos os dias.
08:43Para poder continuar levando uma vida mais saudável.
08:48É isso.
08:48Obrigada para a Ana Paula.
08:50Que deu esse relato contando e compartilhando um pouco de história.
08:54Que com certeza deve ser de muitas mulheres que estão nos acompanhando no dia de hoje.
09:00E os sintomas que ela tinha, doutora, eram tão intensos.
09:03Mas ela não dava atenção.
09:05Porque talvez ela tivesse esse medo de chegar no médico e falar...
09:08Ai, eu estou sentindo aquela dor.
09:09Mas aí o médico vai falar...
09:10Ai, é normal.
09:11Sim, sem dúvidas.
09:12E você vê que agora na atualidade, nós que trabalhamos...
09:17A gente quer tirar nota 10 em todos os aspectos da vida.
09:21Sendo que essa produtividade, positividade durante todo o tempo nos faz tirar o foco da própria saúde muitas vezes.
09:29Então, como a Ana Paula falou, é de arrepiar.
09:32Sim, demais.
09:32Ver como é que isso muda a vida dela, da família dela, do futuro dela.
09:36Ela conseguiu se olhar também como mulher.
09:38Conseguiu se olhar como mulher, sim.
09:40Então, a gente pode ver que muitas vezes o discurso vem carregado de culpa, de sintomas depressivos.
09:48E como que não ter dor crônica, né, Nebra?
09:51Não ter dor crônica melhora a qualidade de vida.
09:54É impressionante.
09:55Os sintomas da endometriose são basicamente aquela dor intensa da menstruação.
10:01O que mais que a mulher pode sentir?
10:03Dor pélvica é um sintoma muito relevante.
10:06E quando essa queixa é trazida para o médico, é muito importante que passe na cabeça essa hipótese de endometriose.
10:14Porque precisamos fazer exames direcionados para essa investigação.
10:19E o que é mais relevante nisso tudo, né?
10:22É que os achados dos exames, os focos de endometriose, não necessariamente o volume, tamanho e distribuição
10:32tem correlação com o sintoma da paciente.
10:35Então, muitas vezes temos pacientes com poucos focos nos exames de imagem e que tem muita dor.
10:41Então, como você perguntou, pode ser essa dor menstrual, pode ser a dor durante todo o mês
10:48e pode também ter outros sintomas mais inespecíficos, como dor na relação, né, na penetração.
10:57Profundidade, né?
10:58Exatamente, que a gente chama de dor na profundidade, que às vezes a paciente não consegue precisar.
11:02Exatamente onde essa dor, aí cabe ao médico, ao fisioterapeuta identificar onde ela é.
11:07Ou mesmo, muito desconforto para urinar durante a menstruação.
11:12Sangramento evacuatório durante a menstruação.
11:16E sintomas muito atípicos, mas que eu já tive, por exemplo,
11:19quando a gente tem foco de endometriose na cicatriz umbilical,
11:23a paciente chegar com essa queixa de sangramento através do umbigo.
11:28Isso é muito raro, tá?
11:29Mas pode ser que alguém, né, tenha e não saiba o que fazer e acha que é alguma coisa mais grave.
11:34O foco de endometriose na cicatriz umbilical pode levar ao sangramento pelo umbigo durante a menstruação.
11:40Tá. E agora, doutora Débora, tem muitas pacientes que chegam no seu consultório com essa queixa de dor na relação sexual
11:49e aí você acaba encaminhando para outros médicos com esse diagnóstico de endometriose?
11:54Então, muitas vezes a gente recebe pacientes das duas formas.
12:00Pacientes que chegam para a gente e que o primeiro ponto é a fisioterapeuta.
12:05Então, muitas vezes a gente dá o diagnóstico que ela tem uma alteração funcional,
12:10mas a gente não dá o diagnóstico claro da endometriose.
12:14Geralmente, é muito comum ter a dor de profundidade.
12:18Então, a gente fala, olha, você já pesquisou a endometriose?
12:21Não.
12:22Olha, então nós vamos fazer toda essa parte de melhorar toda a tua função, de toda a tua musculatura.
12:28Se a gente perceber que ainda persiste essa dor de profundidade,
12:32então o ideal é que você volte na ginecologista e fale sobre a endometriose.
12:37Então, ela acaba depois voltando para a gineco e pedindo.
12:41E existe o oposto.
12:42Existe aquela que já tem o diagnóstico e já sabe.
12:46Porque o que acontece?
12:47Se ela tem um foco bem no fundo, onde durante a penetração vai bater nesse foco,
12:53ela acaba piorando e sentindo uma dor ainda maior.
12:56E aí, muitas vezes, o corpo dela reage com contrações de proteção.
13:00Então, quando ela chega na fisioterapia, às vezes, ela não tem só alteração de profundidade mais.
13:06Ela tem alteração em todo o canal vaginal, porque ela foi reagindo com contrações de tentativa de proteger o corpo daquela dor.
13:14Então, muitas vezes, está tudo alterado.
13:16Então, a gente tenta trazer a maior funcionalidade para esse canal e devolve ela para a ginecologista.
13:23E também tem aquelas que chegam para a gente como pós-operatório da endometriose.
13:27E também precisa fazer um trabalho de...
13:30Exatamente.
13:32Então, dependendo de como é, os focos que tinham, o tanto de aderências que ela tinha ali local,
13:39muitas vezes, tem a indicação do pós-operatório ir para a fisioterapia.
13:43Então, hoje, a gente já recebe bastante paciente.
13:47Muitas vezes, vem para a gente no pré, quando essa mulher já não consegue nem ser examinada mais de tanta dor que ela tem.
13:54Então, a gente melhora isso e vai para a cirurgia.
13:57E depois volta para a gente, para o pós-operatório, para a gente deixar essa mulher o mais funcional possível
14:03e melhorar ainda o resultado do que foi feito pela médica.
14:07Agora, antes da gente falar de cirurgia, vamos falar de diagnóstico, né?
14:10Por que é tão difícil se chegar a esse diagnóstico?
14:14Casos em que a paciente demora, por exemplo, anos, como é o caso até da própria Ana Paula, né?
14:19Ela tem 35 anos e descobriu recentemente que tinha endometriose.
14:24A grande questão é realmente não se pensar em endometriose.
14:29Porque o diagnóstico, ele se baseia na queixa da paciente, no exame clínico, como a Débora comentou.
14:37O ginecologista faz parte do exame de rotina dele, o exame do toque vaginal.
14:44Então, não é só coletar papo, examinar a mama.
14:48O toque vaginal permite que o médico perceba como está a mobilidade do útero no exame de toque mesmo.
14:57E se você consegue sentir alguma nodulação, algum enrijecimento,
15:02nestes locais de penetração de profundidade, isso corrobora a hipótese diagnóstica, né?
15:10Fala a favor se a gente precisa investigar aquilo.
15:12E os exames de imagem são relativamente simples e acessíveis, como o ultrassom transvaginal.
15:20Idealmente, quando a gente vai pesquisar endometriose, o ultrassom transvaginal,
15:25ele deve ser precedido de um preparo intestinal.
15:29Então, a paciente toma alguns laxativos.
15:31Então, é importante quando o médico for fazer o pedido do exame de imagem,
15:36ter essa atenção porque facilita a visualização de pequenos focos.
15:41E outro exame que é um pouco menos acessível, mas também muito bom para o diagnóstico,
15:46é a ressonância magnética de pelve, também com o preparo intestinal.
15:51Então, são exames que, dependendo de onde você está sendo atendido,
15:56são exames acessíveis.
15:58Mas, a gente não precisa ter, necessariamente, um achado muito exuberante de exame de imagem
16:05para validar a queixa da paciente e prosseguir com o tratamento para melhorar esses sintomas,
16:12que é o mais importante.
16:13Antes mesmo de se chegar a esse diagnóstico, que tipo de medidas que se toma, né?
16:18Para o paciente ter um pouco mais de qualidade de vida.
16:21Remédios mesmo?
16:22Sim, sem dúvidas.
16:24Então, quando a paciente tem dor pélvica, e esse é um diagnóstico possível e provável,
16:30a primeira linha de tratamento vai depender se ela está no momento
16:33em que ela quer engravidar ou não quer engravidar.
16:36Porque a primeira linha de tratamento para mulheres que não querem engravidar
16:40é o bloqueio hormonal com pílula contraceptiva.
16:44Então, se ela quer engravidar, a gente tem que entender a extensão da doença.
16:49E como a própria Ana Paula comentou, mudança de estilo de vida é fundamental.
16:55A alimentação, atividade física, controle de estresse.
16:58Mas o bloqueio hormonal é uma das nossas principais ferramentas de tratamento da endometriose.
17:04Antes da gente continuar o nosso bate-papo, eu tenho um recado também importante para quem nos acompanha.
17:10Você quer saber se tem vivido em movimento?
17:12O STS pode te ajudar.
17:15Uma sigla em inglês para a teste de sentar e levantar.
17:18O indicador de saúde mede quantas vezes você consegue se levantar em um período de 30 segundos.
17:25Embora mais comum a partir dos 60 anos, pode ser feito em qualquer idade e em casa mesmo.
17:32Sente-se em uma cadeira sem apoio para os braços, com as costas retas e os pés no chão.
17:37Cruze os braços sobre os ombros.
17:40Em 30 segundos, levante e sente o máximo de vezes que conseguir.
17:45Conte as repetições completas.
17:47O número ideal depende da sua idade e o histórico de saúde.
17:51E o resultado pode mostrar resistência, identificar problemas do coração, pulmão
17:56e, principalmente para os idosos, o risco de quedas.
18:00Mas, alerta laranja, especialistas afirmam que o STS não substitui o diagnóstico.
18:07Faça acompanhamento especializado.
18:10E aí, vai testar?
18:11Aproveite para colocar em prática até o nosso próximo quadro.
18:16Agora a gente falou muito de sintoma, né?
18:18A endometriose.
18:19É possível que a mulher não sinta nada e ainda assim tenha?
18:23E aí, como que ela vai descobrir, por exemplo, se ela não sente nada?
18:26Ótima pergunta, ótima pergunta.
18:28Porque 10% das mulheres na idade reprodutiva tem focos de endometriose.
18:34Se a gente entrar com uma camerazinha de laparoscopia na cavidade abdominal, a gente vai encontrar.
18:40Então, se a mulher não tem sintoma, é possível que ela passe uma vida sem saber e sem tratar,
18:46o que não traz impacto para a vida dela.
18:49No entanto, entre 20% e 30% das mulheres, quando começam a tentar engravidar
18:54e não acham nenhuma causa, encontram focos de endometriose.
18:59Então, isso é muito interessante.
19:00Porque até então, elas não tiveram sintoma de dor,
19:03mas em algum momento descobriram uma infertilidade,
19:06uma dificuldade de engravidar e descobriram focos de endometriose.
19:10Então, a gente trata de acordo com a queixa, com a chave, com o momento de vida da mulher.
19:15E aí, nesse caso específico de fertilidade, a cirurgia já é necessária ou não?
19:19É possível que sim, porque se a gente está diante de um diagnóstico de infertilidade,
19:25precisamos entender se essa mulher vai precisar ser submetida a uma cirurgia
19:30ou uma reprodução assistida e depende da estratégia personalizada para cada uma.
19:36E aí, depende também de cada caso.
19:39A cirurgia para todas são necessárias?
19:42Ou é possível tratar a endometriose com outro tipo de medicamento?
19:46Enfim, com o DIU, por exemplo?
19:50Sem dúvidas.
19:50Então, no cenário em que a mulher não quer engravidar,
19:54a gente tem uma ferramenta muito ampla de medicamentos, né?
19:58Então, a mudança de estilo de vida, o bloqueio hormonal, o próprio DIU.
20:03A cirurgia, normalmente, ela não é a primeira linha de tratamento.
20:08A não ser em alguns casos muito específicos,
20:11em que a gente tem a endometriose profunda, não superficial.
20:15Então, os focos de endometriose, eles podem ser encontrados no revestimento da cavidade abdominal,
20:22que a gente chama de peritônio, no revestimento dos órgãos de forma superficial também,
20:29ou na profundidade dos órgãos.
20:31Então, entrando na parede da bexiga, do intestino.
20:36Então, alguns desses casos que a gente chama de endometriose profunda,
20:39passam a ter uma abordagem melhor cirúrgica,
20:44ou mesmo quando a gente tem grandes cistos de endometriose nos ovários.
20:49Pode ter indicação cirúrgica também.
20:52E, além disso, a gente sabe que muitas mulheres que fazem um tratamento hormonal,
20:5820%, 25%, não tem melhora da dor.
21:02Então, a gente tem que pensar numa estratégia cirúrgica, muitas vezes, para essas pacientes.
21:07Para retirar esses focos de endometriose e ela poder voltar a ter qualidade de vida.
21:12Sem dúvidas.
21:13Esse é o foco, o tratamento da dor e dos sintomas dela.
21:16Doutora Débora, no seu caso, na sua especialidade,
21:19como a fisioterapia pode ser uma forma de tratamento também?
21:22Então, o que acontece?
21:24A fisioterapia, ela tenta diminuir toda a parte de inflamação que existe ali.
21:31As partes de musculatura, ligamentos,
21:35eles vão criando determinadas aderências,
21:39tanto pela endometriose quanto pela dor.
21:42Então, você vai modificando todas as estruturas.
21:45Então, imagina que ali existem tecidos que deveriam deslizar corretamente
21:51para que tudo funcione adequadamente.
21:54Quando existe a endometriose, isso muda.
21:57Então, você não consegue mais ter todas as mobilidades
22:00que você precisa de todos os tecidos.
22:03A circulação fica deficiente, a chegada de nutrientes.
22:06A própria inflamação que existe ali modifica tudo,
22:10trazendo dor não só na região.
22:13Por isso que muitas têm dor pélvica em toda a região.
22:16Então, a fisioterapia vai tentar mobilizar tudo aquilo ali
22:21vai tentar reduzir as inflamações também.
22:24Ele acaba ajudando junto com as medicações,
22:27junto com bloqueios e tudo mais.
22:30E o que acontece também?
22:31Algumas dessas mulheres que utilizam do bloqueio,
22:35muitas vezes pioram também a dor,
22:37porque às vezes diminui bastante a lubrificação do canal vaginal.
22:42Então, existem alguns sintomas aí de determinadas medicações.
22:46Então, às vezes a gente tenta amenizar o efeito dessas medicações também.
22:51Então, a gente tenta fazer algumas coisas bem local mesmo,
22:55parte abdominal, parte de assoalho pélvico,
22:58para que tudo ali seja trabalhado e comece a deslizar ali do jeito que deveria.
23:03Então, se tornando funcional.
23:05Bom, e junto com o seu trabalho, claramente mudança de hábito.
23:08Atividade física associada à fisioterapia vai trazer mudanças aí nesse sentido de dor,
23:15enfim, melhorar mesmo essa qualidade de vida.
23:18E entra muita coisa, né?
23:19Entra a parte de atividade física, entra a parte de alimentação.
23:24Muitas das coisas que a gente consome hoje são muito inflamatórias, muito sódio.
23:29Então, tem que ter todo um arranjo de toda a vida da paciente.
23:34E o que eu percebo, que eu acho que isso é uma coisa importante para a gente dizer.
23:38Quando a mulher tem o diagnóstico, muitas eu percebo que elas ficam meio desesperadas
23:45com tantas informações, porque hoje também tem bastante informação e bastante informação desencontrada.
23:51Então, também é importante o profissional te dar as informações, né?
23:56De uma forma que acalme as pacientes.
23:58Não sei se percebe isso também, né?
24:00É, de repente, até buscar o que eu posso comer para diminuir o sintoma, a dor, ou...
24:06Enfim, até ia te perguntar em relação a isso.
24:09Será que esses diagnósticos aumentaram até mesmo pelos hábitos alimentares hoje em dia?
24:17Muito provavelmente.
24:18Você concorda comigo, Flávia?
24:19Concordo.
24:20Porque são hábitos completamente diferentes.
24:22É, do passado.
24:23Exato.
24:24Exatamente.
24:25Muitos produtos industrializados, enfim.
24:28É, e se você pensar em detalhes, né?
24:30De vez em quando a gente fala algumas coisas assim, mas é verdade.
24:34Você hoje tem um controle remoto que você não precisa ir até a TV.
24:37É.
24:37No teu carro, você não precisa fechar o vidro.
24:40Sim.
24:41Então, você aperta um botão.
24:42Então, assim, tudo que a gente tem hoje é completamente diferente do que se tinha.
24:46A gente quase não saía para comer fora de casa.
24:49A alimentação não eram alimentos rápidos e processados e tudo que a gente tem.
24:55Então, assim, tudo isso modificou.
24:57Só que eu acho que quando essa mulher recebe esse diagnóstico, ela precisa também ser
25:02muito bem amparada.
25:03Esses dias eu tive uma paciente que ela falou assim, eu recebi o diagnóstico e eu surtei.
25:07Como que eu não vou poder tomar minha cerveja mais?
25:10Então, ela ficou enlouquecida.
25:12E por um período de quase dois anos, ela abandonou tudo.
25:16Ela não fez nada.
25:18Só depois de dois anos ela falou, agora que eu processei tudo, agora eu estou bem para
25:24fazer o que precisa.
25:25Mas ela demorou um período.
25:27Então, assim, a pessoa tem que entender que existe um diagnóstico, mas existe tratamento,
25:32existe coisas para serem feitas.
25:34Mas a mudança, às vezes, dói, né?
25:36A gente sabe que é uma doença que não tem cura, né, doutora Flávia?
25:39Acho que você pode até explicar um pouco mais para a gente.
25:42Apesar da cirurgia, enfim, dos tratamentos, essa mulher, ela pode ter de novo?
25:49A endometriose pode voltar?
25:52Sim.
25:52Esse é um dos grandes desafios do tratamento da endometriose.
25:56Então, tanto o tratamento medicamentoso com um bloqueio hormonal que falha em algumas
26:01mulheres ou que os sintomas voltam daí a um ano ou mais.
26:05A cirurgia também tem esse olhar específico de que o primeiro procedimento precisa ser
26:11bem efetivo com a retirada de todos os focos ou da maior parte do volume da doença para
26:17ter esse controle após.
26:19Então, um dos grandes desafios é manter a mulher sem dor nas suas diferentes fases
26:25de vida.
26:26Então, às vezes, no momento que ela não quer engravidar e depois que ela precisa tirar
26:30esse bloqueio hormonal para engravidar, os sintomas tendem a ficar mais brandos, né,
26:36depois da menopausa ou mesmo desaparecerem, por conta dessa redução do volume de estrogênio
26:42que a mulher deixa de produzir nos próprios ovários, né?
26:45Mas se você for pensar, são décadas, né?
26:48Não é esperar até a menopausa para ficar sem dor, né?
26:51Sim, sim.
26:52E tem alguns casos que as mulheres continuam com dor, não pelo mecanismo hormonal mais,
26:57mas como a Débora comentou, por essas aderências pélvicas, né?
27:01Essa inflamação crônica pélvica ao longo da vida, que os órgãos deixam de deslizar
27:06da forma ideal na cavidade abdominal e mantém essa dor.
27:10Então, realmente é um desafio, mas é possível o tratamento adequado com mudança completa
27:18da qualidade de vida da paciente após o tratamento.
27:21Isso é possível, a gente tem que manter isso em mente.
27:24E uma coisa que a gente não falou ainda, que também é muito importante, é entender
27:29a saúde mental dessa mulher.
27:31Não é isso?
27:32A gente está falando.
27:34E aí, até aproveitando essa deixa final, que o nosso tempo está terminando, queria
27:39que você deixasse uma mensagem para essas mulheres que estão nos assistindo, que certamente
27:45podem ter se identificado, que receberam um diagnóstico ou que estão sentindo algum
27:50tipo desses sintomas que a gente pontuou aqui.
27:53uma mensagem de força e de alerta, porque essa doença, enfim, essas dores todas têm
28:01cura, têm tratamento.
28:02Aliás, não têm cura, mas têm tratamento e pode trazer ali a qualidade de vida para
28:06elas de volta.
28:07Eu acho que o principal desse nosso bate-papo hoje é trazer informação, ensinar que a mulher
28:13deve valorizar os seus sintomas e realmente buscar ajuda, buscar validação de profissionais
28:21mais capacitados, que consigam entender essas queixas e levar a hipótese para ser investigada
28:28e de tratamento de endometriose.
28:30É isso.
28:30Então, é um olhar para dentro de si e conseguir procurar ajuda, porque a vida pode ser muito
28:37mais leve depois de um tratamento adequado.
28:39Sem dúvida.
28:40A endometriose não é frescura, não é normal viver com dor constante, nem sentir vergonha
28:45de buscar ajuda.
28:47Informação, acolhimento e diagnóstico precoce fazem toda a diferença.
28:51Quero agradecer a doutora Flávia, também a doutora Débora, que esteve aqui conosco.
28:56Mais uma vez, agradecer a Ana Paula, que dividiu a sua história com a gente.
29:00E a você, que também nos fez companhia no dia de hoje.
29:03Se você perdeu alguma parte e quer rever outras entrevistas também, o programa vai estar
29:07disponível no nosso canal ou também no aplicativo da Panflix para Android ou iOS.
29:13Se você tiver alguma sugestão também de tema, alguma dúvida, mande um e-mail para
29:16nós, é o saúde arroba jovempan.com.br.
29:20A gente se vê no próximo programa.
29:22Até lá.
29:22Jovem Pan Saúde
29:28Jovem Pan Saúde
29:33Oferecimento ampla, muito mais que um plano, um compromisso com você.
29:38Isso é ampla.
29:39A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan
29:46de Comunicação.
29:51Realização Jovem Pan News
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