00:00Como identificar a endometriose no nosso cotidiano?
00:05Cláudio, minha honra participar, obrigado pelo convite.
00:08Endometriose é uma doença que muitas vezes é minimizada por vários motivos.
00:14Primeiro pela própria paciente, porque ter cólica é uma coisa que muitas vezes é considerada normal, cólica menstrual.
00:24Então as mulheres têm cólica menstrual, a mãe fala, a tia fala, não, é normal, é normal, mas cólica muito forte nem sempre é normal.
00:34Então a paciente às vezes menospreza o próprio sintoma.
00:38Às vezes o próprio médico menospreza o sintoma da paciente.
00:42Ela fala, eu tenho cólica, mas isso não é nada, isso vai passar, toma uma medicação, isso vai acabar passando.
00:49E muitas vezes acaba demorando para se fazer diagnóstico.
00:52Então a endometriose é uma doença que causa muita dor, pode causar muita dor e pode causar dificuldade para engravidar.
00:58E muitas pacientes acabam percebendo que elas podem ter endometriose só nessa hora.
01:03E por causa disso, demora muito para se ter diagnóstico dessa doença.
01:07E como você faz o diagnóstico da endometriose?
01:11Primeiro, pelas queixas clínicas, que como eu falei, muitas vezes elas são menosprezadas.
01:16Mas a gente tem que ter um olhar para isso.
01:18E não importa a idade da mulher, isso é importante, adolescentes podem ter endometriose.
01:23Mulheres na faixa etária de 20, 30, 40 anos podem ter a doença.
01:29Então quem tem dor para menstruar muito forte, quem tem dor fora do período menstrual pode ter endometriose.
01:35Quem tem dor na relação sexual pode ter endometriose.
01:39Quem tem alterações intestinais, do hábito intestinal, hábito urinário durante a menstruação podem ter endometriose.
01:46E quem tem dificuldade para engravidar.
01:48Então esses são os seis sintomas que a gente tem que prestar atenção na paciente.
01:54E para fazer diagnóstico, ainda vale a pena examinar.
01:58Coisa que muita gente acaba deixando de lado na consulta médica.
02:02Examinar a paciente é muito importante.
02:04E por fim, pedir um exame de imagem adequado.
02:07Ou um ultrassom ou uma ressonância magnética.
02:11Ambos os exames são bem importantes para se chegar no diagnóstico.
02:15Dr. Sérgio, chama atenção para a parte do exame clínico.
02:18Porque muita gente procura o médico e imagina que a solução está atrás dos exames.
02:23Os exames complementam o raciocínio clínico.
02:25E uma vez feito o diagnóstico, existe uma classificação de graus de endometriose?
02:30Existe.
02:31Então, e isso é muito interessante também, porque tem mulheres que têm muita endometriose e não sentem absolutamente nada.
02:38E tem mulheres que têm pouca doença e têm muitos sintomas.
02:43Tanto dor, quanto às vezes dificuldade para engravidar.
02:46Então, existe uma graduação, uma classificação da quantidade de doença.
02:51E muito mais importante do que a quantidade é onde ela está presente.
02:55Porque a endometriose pode estar nos ovários, afetando, eventualmente, a reserva de óvulos e a chance de engravidar.
03:04Ela pode, em casos mais graves, pegar a parede intestinal.
03:07Ela pode pegar os ureteres, que são os canais que ligam o rim e a bexiga.
03:12Podem pegar a bexiga.
03:13Então, dependendo de onde está a doença, a gravidade e o tratamento, eles mudam.
03:22Segundo a OMS, a endometriose afeta aproximadamente 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo.
03:30No Brasil, a estimativa é que a cada uma, dez sofra com a doença e desconheça sua existência.
03:37De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 115.700 atendimentos relacionados ao diagnóstico da doença
03:45foram realizados em 2023 através do Sistema Único de Saúde.
03:49Pouco mais de 33 mil feitos em 2022.
03:54Dados preliminares mostram que, em 2024, esses números ultrapassam a casa de 145 mil.
04:01Um crescimento de 76,24% nos últimos três anos, que reflete na ampliação da demanda nos serviços de saúde.