No episódio desta semana do Check Up, o doutor Cláudio Lottenberg recebe o ginecologista Sérgio Podgaec para uma conversa esclarecedora sobre endometriose, uma das principais causas de dor pélvica e infertilidade entre as mulheres. O especialista explica o que é a condição, seus sintomas, graus e como é feito o diagnóstico.
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NotíciasTranscrição
00:00A endometriose é uma condição ginecológica em que o tecido que normalmente reveste parte de dentro do útero,
00:10chamado de endométrio, cresce fora do órgão do sistema reprodutor feminino.
00:15É comum que o problema afete mais os ovários ou as tubas uterinas,
00:21mas também pode acometer a bexiga, o intestino e até mesmo os pulmões.
00:26Cólicas fortes, dor abdominal intensa, menstruação irregular e sangramento fora do período menstrual são alguns dos sintomas.
00:34Além de dor nas costas, já que a endometriose pode trazer inflamações na região lombar.
00:40No check-up desta semana, o doutor Cláudio Lutenberg recebe o ginecologista Sérgio Podigaec,
00:46vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor administrativo da Federação Brasileira
00:53das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Diagnóstico, Tratamento e Prevenção.
00:59Isso e muito mais.
01:01Fique ligado, o check-up já está no ar.
01:03Sérgio, muito obrigado por estar aqui.
01:16Saiba que é um enorme privilégio para o nosso check-up receber você,
01:21pelo respeito, pelo carinho e, acima de tudo, pela nossa amizade.
01:26Como identificar a endometriose no nosso cotidiano?
01:30Cláudio, minha honra participar. Obrigado pelo convite.
01:34A endometriose é uma doença que, muitas vezes, ela é minimizada por vários motivos.
01:41Primeiro, pela própria paciente, porque ter cólica é uma coisa que, muitas vezes,
01:47é considerada normal cólica menstrual.
01:51Então, as mulheres têm cólica menstrual, a mãe fala, a tia fala.
01:55Não, é normal, é normal.
01:56Mas cólica muito forte nem sempre é normal.
02:01Então, a paciente, às vezes, ela menospreza o próprio sintoma.
02:04Às vezes, o próprio médico menospreza o sintoma da paciente.
02:08Ela fala, eu tenho cólica.
02:09Ah, mas isso não é nada.
02:11Isso vai passar, toma uma medicação, isso vai acabar passando.
02:15E, muitas vezes, acaba demorando para se fazer diagnóstico.
02:18Então, a endometriose é uma doença que causa muita dor, pode causar muita dor,
02:22e pode causar dificuldade para engravidar.
02:25E muitas pacientes acabam percebendo que elas podem ter endometriose só nessa hora.
02:29E, por causa disso, demora muito para se ter diagnóstico dessa doença.
02:34E como você faz o diagnóstico da endometriose?
02:37Primeiro, pelas queixas clínicas, que, como eu falei, muitas vezes elas são menosprezadas.
02:42Mas a gente tem que ter um olhar para isso.
02:45E não importa a idade da mulher, isso é importante.
02:48Adolescentes podem ter endometriose.
02:50Mulheres na faixa etária de 20, 30, 40 anos podem ter a doença.
02:55Então, quem tem dor para menstruar muito forte,
02:58quem tem dor fora do período menstrual pode ter endometriose.
03:01Quem tem dor na relação sexual pode ter endometriose.
03:05Quem tem alterações intestinais, do hábito intestinal, hábito urinário durante a menstruação
03:11podem ter endometriose.
03:12E quem tem dificuldade para engravidar.
03:14Então, esses são os seis sintomas que a gente tem que prestar atenção na paciente.
03:20E para fazer diagnóstico, ainda vale a pena examinar.
03:24Coisa que muita gente acaba deixando de lado na consulta médica.
03:28Examinar a paciente é muito importante.
03:30E, por fim, pedir um exame de imagem adequado.
03:34Ou um ultrassom ou uma ressonância magnética.
03:37Ambos os exames são bem importantes para se chegar no diagnóstico.
03:41Dr. Sérgio, chama atenção para a parte do exame clínico.
03:44Porque muita gente procura o médico e imagina que a solução está atrás dos exames.
03:49Os exames complementam o raciocínio clínico.
03:52E uma vez feito o diagnóstico, existe uma classificação de graus de endometriose?
03:56Existe.
03:56Então, isso é muito interessante também, porque tem mulheres que têm muita endometriose e não sentem absolutamente nada.
04:05E tem mulheres que têm pouca doença e têm muitos sintomas.
04:09Tanto dor, quanto às vezes dificuldade para engravidar.
04:12Então, existe uma graduação, uma classificação da quantidade de doença.
04:17E muito mais importante do que a quantidade é onde ela está presente.
04:22Porque a endometriose pode estar nos ovários, afetando, eventualmente, a reserva de óvulos e a chance de engravidar.
04:30Ela pode, em casos mais graves, pegar a parede intestinal.
04:33Ela pode pegar os ureteres, que são os canais que ligam o rinho e a bexiga.
04:38Podem pegar a bexiga.
04:39Então, dependendo de onde está a doença, a gravidade e o tratamento, eles mudam.
04:48Segundo a OMS, a endometriose afeta aproximadamente 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo.
04:57No Brasil, a estimativa é que a cada uma, dez sofra com a doença e desconheça sua existência.
05:03De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 115.700 atendimentos relacionados ao diagnóstico da doença
05:11foram realizados em 2023 através do Sistema Único de Saúde.
05:16Pouco mais de 33 mil feitos em 2022.
05:20Dados preliminares mostram que, em 2024, esses números ultrapassam a casa de 145 mil.
05:27Um crescimento de 76,24% nos últimos três anos, que reflete na ampliação da demanda nos serviços de saúde.
05:38Você falou de situações onde você tem algo que chama a atenção para o paciente procurar o médico.
05:46Agora, existem casos no qual o paciente não tem nenhum tipo de queixa, absolutamente nada.
05:53Achou a endometriose, tem que tratar, tem que operar?
05:55Isso é muito importante. Como eu falei, tem mulheres que, de repente, descobrem que tem endometriose
06:00e nem sonhavam que tinha doença.
06:03E aí depende. Depende da gravidade do quadro.
06:07Algumas pacientes, elas podem ser acompanhadas sem nenhuma intervenção.
06:13Outras, em outras, a gente pode medicar.
06:16E é importante que a medicação não trata a endometriose.
06:18Ela trata o sintoma e algumas pacientes têm que ser submetidas a cirurgias.
06:28Às vezes, mesmo sem sintomas.
06:31Mas isso é a minoria dos casos.
06:33É quando alguma coisa muito grave, lesões que podem destruir o intestino,
06:38ou que podem destruir o trato urinário.
06:40Mas isso não é comum, não é frequente.
06:42Então, um achado, como você perguntou, muitas vezes a gente pode acompanhar e ver o comportamento da doença.
06:49Quer dizer, daí de novo a necessidade de ter um médico competente tecnicamente,
06:53mas comprometido eticamente.
06:56Senão, você vai estar operando todo mundo.
06:58Olha, isso é uma luta que as sociedades médicas de ginecologia, obstetrícia,
07:03as faculdades de medicina, a gente procura disseminar esse conhecimento
07:09para não transformar um diagnóstico de endometriose necessariamente numa cirurgia
07:13que pode ser muito danosa para os pacientes.
07:17A cirurgia tem espaço, mas não é sinônimo de tratamento de endometriose.
07:22Tem protocolo super estabelecido para isso, Cláudio.
07:25Tanto da sociedade brasileira de ginecologia, que é a FEBRASGO,
07:29quanto a sociedade americana, a sociedade europeia,
07:32todas são parecidas na conduta.
07:35Algumas pacientes vão ser medicadas, outras vão ser operadas,
07:39outras podem ter que fazer tratamento para engravidar,
07:42porque a endometriose tem a ver com isso,
07:44e outras a gente pode acompanhar.
07:46Não necessariamente um super especialista precisa tratar dessa paciente,
07:52mas todo ginecologista tem que saber o básico de como tratar essas pacientes.
07:57Eu teria três coisas para perguntar para você.
08:00Uma delas é o fator hereditário.
08:03Segundo deles seria o fato de você usar anticoncepcional,
08:07se isso predispõe a endometriose.
08:09E o terceiro é a gravidez tardia.
08:12Você poderia falar um pouquinho a respeito de cada uma dessas coisas relacionadas com a endometriose?
08:16Perguntas excelentes, que é justamente o dia a dia das dúvidas das pacientes.
08:21Tem hereditariedade, sim.
08:24E vou exemplificar isso porque a endometriose vem da própria menstruação.
08:31Então a endometriose é o endométrio que fica dentro do útero, fora do útero.
08:36Toda mulher, na hora que menstrua, tem um refluxo menstrual para dentro da barriga.
08:41Toda mulher.
08:42Quando a gente opera mulheres que não têm endometriose,
08:45se ela está menstruada, vai ter sangue na cavidade abdominal, vai ter sangue na barriga.
08:50Por que algumas desenvolvem endometriose e outras não?
08:53Por uma questão hereditária.
08:55Porque o refluxo menstrual todas têm.
08:58Todo mundo tem.
08:59Mas algumas desenvolvem a doença.
09:01Tem estudo com isso.
09:03A gente ainda, obviamente, não se identificou qual gene que está relacionado.
09:07Mas tem um painel sendo estudado.
09:11Então genética é importante.
09:13E questões inflamatórias, que a gente estuda muito lá no Einstein.
09:16A parte inflamatória e imunológica do desenvolvimento da doença.
09:20Então hereditariedade tem papel.
09:22O uso de pílula tem trabalhos muito legais sobre isso.
09:25Que mostram, como eu falei, a pílula não trata a doença.
09:30Mas ela pode esconder a doença.
09:32Então isso é muito típico.
09:33É adolescente que começa a ter uma cólica horrível.
09:36Vai no ginecologista.
09:37Ele vai lá e prescreve uma pílula.
09:39Tudo bem.
09:40Porque a pílula melhora a cólica.
09:42Aí ela toma 15 anos de pílula.
09:44Porque não quer engravidar.
09:4520 anos de pílula.
09:46Quando ela tem 30 e poucos anos, ela para a pílula.
09:49E começa até a cólica que ela tinha na adolescência.
09:52O que pode ter acontecido?
09:54A endometriose foi crescendo, crescendo.
09:56Na hora que ela parou a pílula, aí ela descobre que ela está com uma endometriose grave.
10:00Então a pílula, ela de novo trata o sintoma, mas ela pode esconder o desenvolvimento da doença em si.
10:08Mas a pílula não provoca a endometriose.
10:10Isso é importante.
10:12O hormônio da pílula não causa a doença.
10:15Mas ela pode esconder o desenvolvimento da doença.
10:18E a gravidez tardia?
10:19Então a gravidez tardia, ela permite que a endometriose apareça.
10:24Então, quando você nasceu, tua mãe tinha uns 20 anos, 20 e pouco.
10:28A minha também.
10:30Antigamente, as pessoas engravidavam, obviamente, mais cedo.
10:33Até apareceu.
10:34Não sei se é um tema legal para você conversar no check-up.
10:39Da demografia brasileira em relação ao número de filhos, a fecundidade.
10:44Caiu brutalmente nos últimos 50 anos.
10:48Antigamente, as mulheres tinham 6 filhos por...
10:50Cada mulher tinha 6 filhos.
10:52Hoje tem 1.6.
10:53Nem repõe a população brasileira.
10:56E cada vez tendo filhos mais tarde.
10:59Então, não é que a gravidez tardia tenha a ver com a endometriose.
11:04Mas o fato de ficar menstruando, não engravidou.
11:08E isso permite que a doença possa aparecer.
11:12No nosso hospital, no Einstein, as pessoas tendem a ter filhos mais tarde.
11:18A realidade social que quem tem acesso ao Einstein vive.
11:22E a gente percebe que tem um número maior de mulheres com endometriose nessa situação.
11:28Você falou de aspectos ligados a hábitos de vida.
11:31Eu queria perguntar.
11:32Atividade física e alimentação.
11:35Algo relacionado à endometriose?
11:37No último congresso brasileiro da Sociedade de Ginecologia da Febrasgo, a gente fez mesas assim.
11:43O que rola nas redes?
11:45Porque tem muita coisa sem evidência científica boa, sólida, que se fala de tudo, né?
11:53A alimentação vai um pouco nisso, mas está se tentando construir um conhecimento de que há determinados alimentos que possam ajudar no tratamento da endometriose.
12:06Mas ainda não tem uma consistência científica bacana para a gente orientar.
12:14Mas ajuda, né?
12:15Ajuda.
12:16A atividade física ajuda?
12:17Ajuda.
12:18Ajuda para tudo.
12:20Para dor de cabeça, para tudo.
12:24A atividade física é interessante para a dor.
12:26E nessa linha, saúde mental e endometriose?
12:29Ansiedade, depressão, alguma relação?
12:32Super.
12:32Olha, eu orientei um doutorado há uns 2, 3 anos atrás de uma psicóloga, que foi um dos trabalhos mais legais que eu já participei científicos, não é?
12:42Acadêmico.
12:42Ela fazia terapia cognitivo-comportamental para um grupo de pacientes e para um outro não.
12:48Então tinha um grupo controle que não fazia o tratamento e um outro fazia a terapia, né?
12:54E o resultado é sensacional.
12:56Quem fez o tratamento psicoterápico, né?
12:59A terapia cognitivo-comportamental, melhorou a ansiedade, melhorou a depressão, melhorou o coping, que é o enfrentamento que a pessoa tem em relação ao problema.
13:10E melhorou a dor, melhorou a cólica.
13:13Assim, resultados incríveis.
13:16Mostrando como a saúde mental é importante em qualquer doença e na endometriose também.
13:21Agora, você, como ginecologista e professor, e com uma carreira absolutamente brilhante, vitoriosa, quais são os limites da orientação de um clínico geral em relação às queixas ginecológicas?
13:36Porque a gente vive num país com 200 milhões de habitantes, né?
13:40E nem sempre é possível ter os especialistas.
13:43Onde é que você acha que a gente tem que pedir a ajuda do especialista?
13:46Ah, eu acho isso fantástico.
13:48Inclusive, quando eu dou aula na faculdade, eu falo para os alunos.
13:52Olha, alguns vão ser ginecologistas, mas outros vão ser clínicos, clínicos pediatras, cirurgiões, ortopedistas.
14:00Justamente porque quando aparecer alguma coisa nesse sentido, uma cólica, uma dor, algum problema intestinal,
14:08às vezes é o clínico que vai pegar a dor ou o sintoma.
14:12E ele tem que saber, pelo menos, direcionar, pensar em endometriose.
14:17Olha, essa paciente tem dor para evacuar, por exemplo.
14:21Ele pode perguntar, mas você tem cólica menstrual?
14:23Você teve dificuldade para engravidar?
14:26Então, tem que estar na chavezinha ali da cabeça dele que a endometriose pode ser uma possibilidade de diagnóstico.
14:33Justamente para voltar ao nosso comecinho da conversa e diminuir o tempo de sofrimento,
14:40muitas vezes, que essas pacientes passam.
14:42É importante chamar a atenção porque nós temos uma diferença de idade de quase 10 anos.
14:46Na minha época, se falava pouco de endometriose e hoje a endometriose é um assunto corrente.
14:52Agora, indo um pouco mais profundo, existe um limite entre aquilo que a gente admite como sendo tratamento clínico
15:00e quando você tem que intervir cirurgicamente?
15:03Super definido, Cláudio. Super.
15:06Como eu falei, a gente tem protocolos até muito simples que definem quem tem que fazer um tratamento clínico
15:13e quem tem que fazer uma cirurgia.
15:15É simples.
15:16Quem não tem nada grave e não quer engravidar, vai fazer um tratamento hormonal.
15:21E os outros, vai fazer exercício, vai comer bem, vai fazer terapia quando precisar, fisioterapia, os tratamentos complementares.
15:29Mas, de novo, quem não tem nada grave e não quer engravidar, vai fazer um tratamento hormonal.
15:34Por que não quer engravidar?
15:35Porque os hormônios sempre são anticoncepcionais.
15:38O Check-Up entrevistou Silvana, que é paciente do Dr. Sérgio.
15:41Ela tem um depoimento interessante para falar aqui para a gente.
15:45Vamos conferir?
15:47Eu descobri a endometriose aos 41 anos e para mim foi um choque.
15:52Eu não sabia nem falar a palavra endometriose.
15:54Olha que interessante.
15:56Fazendo um exame comum de rotina, descobri o mioma e uma endometriose por meio de ressonância magnética.
16:03E aí, após esse diagnóstico, partir para a correção dessa enfermidade.
16:08Foi aí que eu descobri o Dr. Sérgio Podigaé, que no Hospital Albert Einstein, em São Paulo,
16:14que com certeza me ajudou muito.
16:16Ele diagnosticou a endometriose por meio de um exame ainda mais específico do que a ressonância magnética.
16:22O Dr. Sérgio enalteceu esse exame e eu pude fazer.
16:26E então, diagnosticou de fato a endometriose.
16:30Era isso que me impossibilitava de engravidar para ter a minha segunda filha.
16:34Fiz uma cirurgia, uma cirurgia muito bem sucedida com o Dr. Sérgio,
16:39onde o meu útero ficou, como ele disse, apto para engravidar novamente.
16:45E aí, eu falei, imagina que eu vou engravidar novamente aos 44 anos?
16:49Não, acho que já passei da idade, doutor.
16:52Mas, de uma forma que eu nomei o ser milagrosa e muito bem sucedida pelo tratamento que ele fez,
16:58eu fui mãe novamente.
16:59A endometriose é uma doença que as mulheres não sabem que tem muitas vezes.
17:04Eu não diagnosticava e não sabia.
17:07Eu tinha cólicas na juventude, quando eu me tornei mocinha, como falava na minha época,
17:14mas eu não dava muita bola, não.
17:16Não achava que isso era um problema.
17:18Mas, este já era um sinal de que eu poderia ter ali a endometriose.
17:23Então, a recomendação que eu digo para as mulheres,
17:26e esse depoimento que eu faço questão de anunciar ao mundo,
17:31é para que as mulheres façam exames constantemente,
17:34isso é muito anunciado, as mulheres se cuidam bastante hoje.
17:37Mas, e a endometriose?
17:38Será que você tem?
17:40Eu tinha e não sabia.
17:42E justamente porque nunca havia me atentado com alguns sinais importantes.
17:47Dor é um sinal, cólica menstrual é um sinal, e isso tudo tem que dar muita atenção.
17:52O doutor Sérgio Podigaec, para mim, foi um presente.
17:56É assim de se emocionar.
17:58O quanto esse médico foi qualificado e estudioso.
18:02Me fez uma cirurgia inicial de laparoscopia, por meio da laparoscopia,
18:06que fez a correção e me apoiou em todo momento.
18:11Impressionante essa Silvana.
18:12Além de tudo, muito boa de comunicação.
18:14A Silvana é fantástica.
18:15E ela ficou tão feliz com a história que aconteceu com ela.
18:19Ela demorou muito para engravidar de novo,
18:22porque ela não tinha a menor ideia que ela tinha endometriose.
18:24E ela foi no consultório, eu acabei descobrindo a doença, operei.
18:29Pouco depois, ela estava lá com a Milena, uma garota fofinha,
18:33que agora deve estar com uns 4, 5 anos.
18:36E nessa linha, quer dizer, o paciente que vai usar contraceptivo,
18:41não quer engravidar, ele pode tomar o contraceptivo,
18:45que está fazendo justamente esse tipo de abordagem como se fosse um hormônio.
18:50É correto?
18:51Exatamente. Mas o que a gente precisa fazer?
18:53Acompanhar uma vez por ano, fazer um exame de margem, ir acompanhando.
18:59Então, se a paciente não melhorar, ou se a doença crescer,
19:05aí tem indicação de cirurgia.
19:07Então, doença grave e falha do tratamento.
19:11Não deu certo o tratamento.
19:12Essa eu vou operar.
19:13Quer dizer, é fundamental quem está nos assistindo entender que tudo isso é padronizado.
19:18Super padronizado.
19:19Tem protocolos, coisas que são consensos, construídos pelas sociedades de especialidade,
19:25no caso, Sociedade Brasileira de Ginecologia.
19:29Exatamente.
19:29Você falou alguma coisa importante a respeito de cirurgia.
19:33Operou, melhorou.
19:34É possível que surja endometriose em algum outro local?
19:37E só um parênteses aqui, dessa questão da indicação de cirurgia.
19:42A gente sabe, de cada três mulheres nesse contexto, duas vão ficar bem.
19:49Uma vai precisar da cirurgia.
19:50Então, a indicação cirúrgica acaba se concentrando em mais ou menos 30% das mulheres.
19:57E eu operei.
19:58E depois?
19:59Putz, isso é super estudado.
20:02Super.
20:02Tem N trabalhos, revisões, alto nível de evidência científica.
20:08Quem não quer engravidar, vai voltar para o hormônio.
20:11Porque isso diminui o risco brutalmente de ela ter endometriose de novo.
20:16Então, operou.
20:17Não quer engravidar, hormônio.
20:19A chance da endometriose voltar é bem pequena.
20:22Com uma cirurgia bem feita, médicos bem preparados, exames de margem adequados.
20:27Quer dizer, a gente está falando do mundo ideal.
20:29Vejam, nós ouvimos aqui a palavra de um professor.
20:32Mesmo ele, que é um ponto de referência de encaminhamento para a endometriose,
20:37diz que só um terço dos casos acabam em cirurgia.
20:41Quer dizer, quem está operando demais, a gente tem que tomar alguns cuidados,
20:44que pode estar tendo aí um abuso dos recursos médicos.
20:48E, evidentemente, onerando sistemas de saúde e desperdiçando recursos
20:53que poderiam ser utilizados de uma forma um pouco mais consistente.
20:58Quando você olha o panorama do Brasil, qual é a avaliação que você faz
21:02da maneira como a endometriose é abordada no nosso meio?
21:06Nós temos especialistas com competência e capacidade.
21:10O Brasil tem uma cobertura adequada para tratar a endometriose?
21:13Então, você sabe que as sociedades têm debatido muito isso, principalmente no governo federal.
21:21E agora, com esse novo olhar que o governo tem feito para as questões de especialistas,
21:29a endometriose virou um objetivo do governo.
21:33E de tentar formar pessoas que consigam, talvez não no mundo ideal,
21:39mas pelo menos direcionar o tratamento de forma adequada.
21:42Aqui em São Paulo, na cidade de São Paulo, a prefeitura fez um programa imenso
21:50no Hospital Vila Nova Cachoeirinha.
21:52Eles estão fazendo 80 cirurgias, mais ou menos, de endometriose por mês.
21:57Em um ano, eles fizeram quase mil cirurgias para aliviar a fila de mulheres que precisam de cirurgias.
22:05Como eu falei, não são todas, mas tem muitas que vão precisar.
22:08Então, a saúde pública tem olhado de uma forma mais objetiva para a endometriose,
22:14que durante muitos anos foi muito deficiente.
22:17Eu, como você falou, atendi no Hospital das Clínicas aqui em São Paulo durante muito tempo
22:21e é sofrido.
22:24Muita fila, muita dificuldade para essas mulheres serem tratadas adequadamente.
22:30Muito porque o tratamento cirúrgico é por videolaparoscopia, que não é uma super tecnologia,
22:37mas nem todos os hospitais estão preparados e nem todos os profissionais habilitados para fazer esses procedimentos.
22:43Mas acho que tem um caminho aí.
22:47Porque, na realidade, pelo que eu sinto, a questão da endometriose passa a ser um problema de saúde pública,
22:53porque tem um papel de conforto, de qualidade de vida, que a gente não pode menosprezar,
22:58independentemente dos riscos que tem por si, enquanto outros elementos, como você bem descreveu.
23:06Sérgio, nós temos aqui no nosso programa uma sessão onde nós comentamos mitos e verdades.
23:13Eu comento uma coisa e você responde e depois você faz um comentário.
23:17Vamos tentar?
23:18Claro.
23:19Mitos e verdades.
23:24Endometriose pode virar câncer?
23:26Mito ou verdade?
23:28Não é um mito, mas não é uma super verdade.
23:30Porque o que tem de relação de endometriose com câncer é uma coisa muito específica,
23:36que são cistos de ovário que podem, eventualmente, virarem tumores, mas são raros.
23:46São tipos específicos de câncer de ovário.
23:50Então, não dá para jogar para mito ou verdade, mas é uma coisa rara de acontecer.
23:57Mulheres com endometriose precisam de várias cirurgias?
24:00Mito ou verdade?
24:01Isso é mito completamente.
24:04A cirurgia, a gente chama de one-shot surgery.
24:08Tem que ser feita num tiro.
24:10Um tiro.
24:11Um médico experiente que consiga fazer a cirurgia, a melhor cirurgia possível,
24:16mas sem ser muito agressivo.
24:19E uma cirurgia adequada, como eu falei, vai diminuir muito o risco dessa paciente ser operada de novo.
24:25O paciente teve cirurgia bem indicada, foi bem operada.
24:28A dor, ela pode continuar presente?
24:31Mito ou verdade?
24:32É verdade, mas num número pequeno de pacientes.
24:36E isso tem uma razão.
24:39Quem tem dor durante muito tempo, é como o paciente que, infelizmente, é amputado.
24:46Ele fica sentindo o membro mesmo sem tê-lo.
24:51Então, quem tem dor muito tempo, fica com uma sensibilização no sistema nervoso central,
24:56achando que a causa da dor está lá.
24:58E ela não está.
25:00E isso tem que ser cortado, e é cortado com o tempo.
25:03Mas não acontece em todo mundo.
25:04Acontece numa parte pequena das pacientes.
25:06E outras, às vezes, tem toda uma alteração muscular, pélvica, que causa muita dor.
25:13Muita dor por causa de tensão muscular.
25:16Isso também pode ser resolvido com fisioterapia.
25:19Mas essa é uma parte menor das pacientes.
25:21O meio ambiente pode influenciar o curso da doença?
25:25Bem bacana isso também, Cláudio.
25:26Tem estudos que falam de dioxina, de plástico, de bisfenol,
25:32que tem alguma ação hormonal.
25:34Então, tem gente que estuda isso relacionando a exposição a essas substâncias tóxicas
25:44que poderiam influenciar no aparecimento da endometriose.
25:48Interessante.
25:50Sérgio, obrigado.
25:51Foi um prazer, um privilégio poder te escutar.
25:54Eu que tenho uma admiração muito grande por você,
25:56saio ainda mais entusiasmado e admirando ainda mais.
26:00Muito obrigado, Cláudio.
26:01Foi um prazer estar aqui com você.
26:02Eu achei a conversa muito bacana também.
26:04O check-up de hoje falou sobre endometriose.
26:08Tivemos a participação do doutor Sérgio Podgaec.
26:11Doutor Sérgio que é professor da Universidade de São Paulo
26:14e professor da Faculdade de Ciências da Saúde do Hospital Israelita Albert Einstein.
26:21Se você tem alguma dúvida, alguma sugestão, algo que você quer escrever,
26:25mande o seu e-mail para doutorcláudio.com.br
26:31E no check-up de hoje você viu os principais sintomas diagnósticos e os tratamentos,
26:38tanto medicamentosos quanto cirúrgicos,
26:41classificações baseadas na extensão e profundidade de cada caso,
26:45genética e transmissão através dos genes,
26:48desenvolvimento e até agravamento da endometriose em decorrência da gravidez tardia,
26:53a importância do tratamento psicoterapico na redução da ansiedade e depressão.
26:59Até o próximo check-up!
27:00CICAP Jovem Pan
27:06Condutor Cláudio Lotenberg
27:08A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
27:22Realização Jovem Pan
27:23Comunicação Jovem Pan
27:30Queira
27:32Comunicação Jovem Pan