- há 4 horas
Problemas no coração e neurológicos estão entre os principais que podem comprometer a capacidade funcional de idosos no País.
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NotíciasTranscrição
00:00O brasileiro está vivendo mais, a gente está sabendo disso, a expectativa de vida é maior,
00:06mas será que a gente está vivendo melhor? A expectativa de vida aumentou,
00:11mas também cresceu o tempo que o brasileiro vem passando, convivendo com doenças ou limitações.
00:18Gente, você sabia que hoje, em média, são 12 anos que a gente vive com algum problema de saúde,
00:26alguma limitação, é muito tempo, não é não? E o alerta é que muitos desses problemas,
00:33eles não começam depois dos 60 anos, não, são resultado de processos que se acumulam ao longo da vida.
00:40Mas o que a gente pode fazer, desde já, para a gente ir mudando esse cenário, para a gente ir
00:46mudando essa história?
00:47Deixa eu sentar aqui, tomar um café, bater um papo com duas feras.
00:52Bom dia, meninas, a Dona Gislene Maria Frizeira, aposentada, está aí dando show, fazendo exercício físico,
00:59quase todo dia da semana, bem-vinda, Dona Gislene.
01:01Bom dia, Bruna, obrigado pelo convite, bom dia, bom dia a todos.
01:06Obrigada a você pela presença, e a gente está aqui também com a Roberta Rica,
01:10que é pós-doutora em Educação Física, pela UFIS, bom dia.
01:15Bom dia, tudo bem, Bruna, bom dia, é um prazer estar aqui com vocês.
01:19Igualmente. Vamos lá, Dona Gislene, conta para a gente como é que é a sua rotina de exercícios físicos,
01:25mas que nem sempre foi assim, né?
01:27Não, nem sempre foram assim.
01:29Foi, comecei a ter problema de saúde, né, esses problemas acumulados de anos que não eram cuidados,
01:38e aí quando agravou muito por recomendações médicas, eu comecei a fazer a atividade física.
01:45E isso foi se intensificando, né, para poder ajudar, eu estava prestes a fazer uma cirurgia no joelho,
01:53porque os meus joelhos, eles não tinham mais cartilagem, era osso no osso.
01:58Olha, de tanto desgaste?
02:00De tanto desgaste, e era dor assim, dia e noite, noite e dia, não tinha remédio, não tinha mais nada
02:06que dava jeito.
02:07E aí eu continuei fazendo acompanhamento médico e coloquei isso aí junto com as atividades físicas.
02:18Aí hoje em dia eu faço a hidroginástica duas vezes por semana e faço um funcional duas vezes por semana.
02:25E brinco que eu não faço mais porque na sexta-feira não tem nada no centro de convivência.
02:29Se pudesse fazer, eu faria na sexta também.
02:32Que legal.
02:33E é muito bom, e junto a isso, que ajuda tudo, ainda tem o centro de convivência que a gente
02:40participa das palestras,
02:42que é um acolhimento muito bom, muito grande.
02:45Mas a atividade física está sendo excepcional e a cirurgia totalmente descartada.
02:50Não vai mais precisar fazer.
02:51Não vou mais precisar fazer cirurgia.
02:53E como é que está a sua mobilidade hoje?
02:55Porque andar é uma grande dificuldade para você, né?
02:57Eu já estava, eu já não, praticamente eu não andava mais.
03:01Eu não saía mais de casa, eu não queria mais sair com os meus filhos para lugar nenhum.
03:08Para eu entrar no carro eu tinha que deitar nos assentos do carro, porque os joelhos não dobravam mais.
03:15Então eu entrava toda esticada e lá dentro eu ia me ajeitando.
03:19Era aquela luta, puxa o banco para trás, traz o banco para frente, bota o banco para lá, para eu
03:23poder sentar.
03:25E quando eu saía era assim, agarrada no braço de um filho, equilibrando no braço do outro.
03:31E cheguei a um ponto de ir para a bengalinha, para poder manter o equilíbrio, porque eu não conseguia fazer
03:37nada.
03:39Há quanto tempo a senhora começou com essa virada de chave e começando a fazer exercício físico?
03:44Há, tem uns três anos.
03:46De três anos para cá.
03:47Firme e forte, então.
03:48Foi firme e forte, firme e forte.
03:50Eu comecei primeiro só com a fisioterapia, fazia fisioterapia.
03:54Aí depois, quando eu mudei de local, lá em Jardim Camburi, no centro de convivência, não tinha fisioterapia.
04:02E aí o médico falou comigo, mas eu já ia mesmo mudar a sua atividade física.
04:06Eu ia te tirar da fisioterapia e colocar você na hidroginástica, porque é um exercício sem impacto.
04:12Você faz a atividade e ela não tem impacto por causa da água.
04:16Da água.
04:17E aí eu comecei a fazer e eu amo a semana assim que eu não falto um dia, parece que
04:23está faltando alguma coisa.
04:25E o centro de convivência é tudo uma convivência muito boa, porque são todas pessoas da terceira idade.
04:30A gente troca muita ideia, a gente conversa, é um acolhimento muito grande.
04:35E junto com a atividade física.
04:37Tudo, tudo, tudo melhorou.
04:38Olha o poder da atividade física, desse movimento, dessa transformação.
04:43Você estava um tempão ali com uma limitação, doente, não conseguia andar e de repente essa virada.
04:49Doutora Roberta, é isso aí, né?
04:51Quando a gente fala que em média o brasileiro fica aí mais de 12 anos da vida doente, com alguma
04:58limitação, alguma comorbidade.
05:00É real, é um cenário real e nem sempre a gente consegue ter essa virada de chave, né?
05:05Que a dona a gente teve.
05:06O que acontece hoje em dia é o seguinte, né?
05:08As pessoas idosas estão passando pela mesma sociedade que nós estamos hoje.
05:12Uma sociedade muito menos ativa, com menos exercício, com muito mais conforto, com celulares, né?
05:19Então a gente fala muito sobre a questão dos celulares para as crianças, mas hoje a gente vê a epidemia
05:24dos celulares nos idosos.
05:25Verdade.
05:25E a gente associa o tempo de tela à falta de exercício físico.
05:29E para ficar mais complexo ainda, é uma geração que não teve por hábito fazer exercício físico na infância, na
05:37adolescência.
05:38Por quê?
05:39Porque não precisava.
05:40Porque a vida era ativa.
05:42Porque a vida tinha movimento.
05:43Então essas pessoas não precisavam estar dentro de um ambiente.
05:48E aí você pega uma pessoa que já viveu 50, 60 anos, de repente se sente muito preso, viciado em
05:55tela, sem ter o que fazer, sem se movimentar.
05:57Então começar uma atividade física, começar uma prática, para eles é realmente muito difícil.
06:03E essa falta dessa alimentação adequada, de atividade física, faz com que essas comorbidades estejam cada vez mais em alta.
06:11E onde esse estudo revela esse dado chocante, onde as pessoas estão vivendo mais, mas estão vivendo piores.
06:17E quando a gente fala em envelhecer com saúde, do que a gente está falando?
06:22Saúde hoje, para a Organização Mundial da Saúde, é algo bem complexo.
06:26É um bem-estar físico, social e emocional.
06:30Então a gente fala muito do exercício físico, mas ser saudável não é só não ter nenhuma doença diagnosticada.
06:37É você estar bem em todos esses grandes aspectos.
06:41E o que a gente percebe dessas doenças que vem acometendo a população idosa,
06:46o que acaba fazendo com que elas fiquem mais dependentes e precisando de ajuda,
06:52que até como a dona Gislene fala, é a falta principalmente de musculatura forte,
06:58um músculo que consiga carregar esse corpo para fazer o que a gente chama das atividades de vida diária.
07:04Então ela citou o caso de entrar no carro, a dificuldade que ela tinha por conta das dores no joelho.
07:08Sim, claro, não tem o diagnóstico dela que é óbvio, mas muito provavelmente essa musculatura está enfraquecida
07:16e ela não conseguia fazer esses movimentos normais e diários.
07:20Aí ela começou a se exercitar, até mesmo não precisou fazer a cirurgia.
07:24Eu tenho um estúdio de idosos, somente para idosos voltados,
07:29porque a gente percebe que essas pessoas, é muito fácil falar assim, vai lá fazer atividade física, vai lá.
07:36E aí se matricula hoje na academia.
07:38E a gente sabe que o ambiente, muitas vezes, é um ambiente complexo, eles não têm esse hábito,
07:44os nomes são em inglês, isso afasta.
07:46Então é muito fácil a gente culpar e colocar a responsabilidade só nesse idoso
07:50sem trazer essa responsabilidade e essa realidade que é completamente diferente de quem é adulto
07:57ou principalmente de quem é criança.
07:58Tem idade certa para a gente começar?
08:02Dona Juliana começou com quantos anos?
08:04Ah, 61, 62.
08:07Nunca é tarde para começar.
08:08Esse é um dado muito importante.
08:11Nunca é tarde para a gente começar.
08:13A gente precisa entender que com 80 dá para começar, com 85 dá para começar.
08:18Eu tenho alunas de 96 anos que começaram agora, exatamente.
08:23Então assim, quanto mais cedo a gente começa, claro que a gente tem esses benefícios,
08:29mas já estou com certa idade, já passou meu tempo, isso não existe.
08:33O que é importante é que você encontre uma atividade que faça sentido para você,
08:38que você goste, sinta acolhido, como ela falou,
08:40quanto foi importante para a vida física, emocional nela.
08:44Então é importante que você encontre esse espaço.
08:47Existem diversas modalidades, existem diversos espaços que as pessoas podem procurar.
08:51Tem gente que se encontra muito bem em academias, que legal.
08:55Tem gente que vai para o centro de convivência, que legal.
08:57Tem gente que vai para a orla da praia.
09:00Então assim, o que a gente precisa é encontrar um espaço que eu goste,
09:04que eu me sinta acolhido, que respeite o meu corpo,
09:07que é o mais importante porque é um corpo que vem com comorbidades,
09:10que tem algumas limitações.
09:12E essas limitações e essas comorbidades precisam ser muito respeitadas.
09:16Então a gente precisa encontrar um espaço que eu me sinta bem,
09:20que comece a fazer, independente de quando seja esse início.
09:25Perfeito.
09:27Dona Gislândia, a senhora hoje tem alguma limitação?
09:32Tem alguma dificuldade para fazer as atividades básicas do dia?
09:37Sair de casa, ir numa padaria, ir num banco, enfim?
09:40Não, hoje tudo melhorou, porque inclusive a gente tinha esse problema em casa.
09:46Eu não conseguia, a gente às vezes ficava sem tomar um café à tarde com o pão,
09:50porque eu não conseguia ir na padaria.
09:52Eu não andava de ônibus, porque eu não aguentava subir no ônibus.
09:57Eu tinha medo de subir, o motorista arrancar e eu caí.
10:00E também não tinha, não tinha firmeza, não tinha aquela garantia que eu não ia acontecer nada.
10:09E hoje isso tudo mudou.
10:10Hoje eu vou ao supermercado, eu brinco que eu vou formiguinha, né?
10:14Trago no seu tempo.
10:16No meu tempo.
10:17Hoje eu vou no supermercado e faço a lixinha, o que dá para trazer?
10:20Isso aqui, o pesado fica por conta dos filhos.
10:22Mas o que dá para trazer eram coisas que eu não fazia.
10:26Eu não fazia, não fazia.
10:29Para fazer o simples da casa, limpar uma casa, eu limpava, sentava.
10:36Limpava, sentava.
10:37Aí eu brinco que eu virei a preguiçosa da vez, porque na minha cozinha já tinha as cadeiras disponíveis.
10:44Para eu sentar, para descascar um alho, para fazer uma coisa simples, eu tinha que fazer sentada.
10:50Porque em pé eu não aguentava.
10:52Olha só.
10:52E isso tudo mudou.
10:54Claro que eu continuo fazendo acompanhamento com o médico, né?
10:58Eu continuo tendo acompanhamento médico.
11:01Mas a virada de chave foi a atividade física.
11:05Porque, como ela falou, eu acho que eu nunca fui, mas eu não me adaptaria a uma academia.
11:11Não é o seu perfil.
11:12Não é o meu perfil.
11:13Porque eu olharia lá e pensaria, nossa, todo mundo faz e eu não faço.
11:17Então eu estou em um ambiente próprio para mim,
11:21se eu não fizer, tem várias pessoas comigo ali que também não fazem.
11:27E tem aquela coisa de não ter a cobrança.
11:29Eu escuto muito do professor Caio, que é o que faz as atividades comigo,
11:33ele diz assim, faz no seu tempo.
11:35Se doer, não faz.
11:36Que bom.
11:37Ó, vai levantar.
11:38Mas levanta até onde você aguenta.
11:40Então isso aí só vai me estimulando.
11:42Porque se eu tivesse no lugar onde eu visse todo mundo fazendo bem feito e eu não conseguisse,
11:46talvez eu não fizesse.
11:48Perfeito.
11:49Mas, gente, muito bom.
11:50Que bom que a senhora tem essa visão e conseguiu virar essa chave.
11:54Parabéns para a senhora.
11:56Obrigada.
11:56Doutora Roberta, para a gente encerrar aqui em um minuto, para quem está com 20, 30, 40 anos,
12:02o que a gente pode fazer hoje para que a gente não fique tanto tempo doente assim
12:08que a gente consiga envelhecer com mais saúde.
12:10Eu acho que a regrinha que todos conhecemos, né, daquela questão de atividade física,
12:15alimentação saudável, sono, baixo estresse, né, trabalhar um pouco menos,
12:21essa regra é algo que todo mundo já sabe.
12:24A gente já tem essas informações disponíveis, tanto em redes sociais, em jornais, né,
12:28olha a gente aqui hoje tomando um café da manhã para falar sobre esse assunto.
12:32O grande problema, eu acho que a grande dificuldade da população é conseguir virar essa chave.
12:38Conseguir deixar de fazer algo para começar a ter essa rotina saudável.
12:42Tanto fazer uma alimentação adequada, é muito difícil, muito complexo.
12:46Então, a gente precisa sair do âmbito da informação que hoje todos nós temos,
12:50mas conseguir fazer com isso vire um hábito e uma atitude.
12:53Perfeito.
12:54Doutora Roberta Rica, pós-doutora em educação física.
12:58A gente conversou também com a Gislene Maria Frizeira, aposentada,
13:01que está bombando no exercício físico.
13:04Parabéns, meninas.
13:05Obrigada aí pela entrevista.
13:07Eu que agradeço.
13:08Obrigada.
13:08Até a próxima.
13:09Até a próxima.
13:10Até a próxima.
13:10Até a próxima.
13:10Até a próxima.
13:10Até a próxima.
13:11Até a próxima.
13:11Até a próxima.
13:11Até a próxima.
13:11até a próxima.
13:14Obrigado.
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