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  • há 2 dias
Especialistas alertam para direitos dos idosos no mercado.
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Transcrição
00:00Olha só, a gente sabe que muitas pessoas continuam no mercado de trabalho mesmo depois de aposentar.
00:06Mas nem sempre a relação com os chefes, com os outros funcionários é saudável, é fácil, né?
00:13Ano passado foram 3.400 processos por discriminação relacionada à idade aqui no Estado.
00:20Por outro lado, tem quem só vê vantagens no trabalho 60 a mais. Vamos ver na reportagem.
00:27Na padaria do supermercado, o atendimento tem rosto conhecido.
00:32Seu Valdir começou na equipe há três anos como embalador e hoje, aos 72, ajuda a cuidar do balcão com
00:39tranquilidade de quem conhece o trabalho.
00:41Os cabelos brancos são só um detalhe da experiência que ele leva para o atendimento.
00:45A minha vida mudou, mudou para melhor. Então eu tenho mais cabeça para pensar, eu tenho mais coisas para me
00:52preocupar.
00:54Então eu chego em casa mais calmo, mais tranquilo. Então para mim é importante.
00:58Eu adoro servir, eu adoro recepcionar, eu adoro indicar o produto para a pessoa, que seria no caso pães, bolo,
01:11bolachas.
01:12Histórias como a do seu Valdir mostram que quando há oportunidade, experiência e disposição continuam fazendo diferença no mercado.
01:19Mas nem sempre é assim. Muitos profissionais mais velhos ainda enfrentam barreiras e preconceitos.
01:25Os mais de 3.400 processos por discriminação relacionada à idade que foram registrados em todo o ano passado ajudam
01:33a dimensionar o problema.
01:35Mas os especialistas avaliam que os casos que chegam à justiça são a minoria.
01:40Isso porque muitas vítimas evitam denunciar, temendo prejuízos à própria carreira.
01:45Nós temos hoje também no Brasil a necessidade de que idosos cada vez mais chefiam famílias no país.
01:52E isso obviamente faz com que haja uma real necessidade para que essas pessoas continuem no mercado de trabalho.
02:00E o aumento, o incremento dessas pessoas no mercado de trabalho naturalmente aumenta também judicializações.
02:08Seja por descumprimento de legislação trabalhista, seja também por, infelizmente, o fenômeno chamado etarismo está muito presente na sociedade hoje.
02:21Para o especialista, o preconceito por idade quase nunca é declarado.
02:25Ele se manifesta em muitos casos de forma velada, principalmente em processos de contratação e desligamento.
02:31Ainda assim, a justiça do trabalho reconhece a prática e prevê punições.
02:36A pessoa que pratica isso, caso seja comprovado, ela pode ser responsabilizada, tanto civilmente quanto criminalmente.
02:44Pode inclusive configurar um crime de honra, danos morais sem sombra de dúvida.
02:48Quando a gente fala de indenização, do ponto de vista civil, por exemplo, a empresa pode ser responsabilizada.
02:53A pessoa que pratica pode também ser responsabilizada e esse tipo de indenização pode configurar em dano moral.
03:00Documentar qualquer situação suspeita e buscar orientação jurídica é essencial.
03:04Enquanto isso, na rede que seu Valdir trabalha, a contratação de profissionais mais velhos faz parte da política da empresa.
03:11A diretora de operações diz que não é apenas uma formalidade.
03:15O grupo enxerga nesses colaboradores qualidades que são fundamentais na equipe.
03:20Educados, são muito solícitos, prestativos, são muito assíduos.
03:25E a troca é muito interessante com os mais jovens, né?
03:28Essa troca, essa maturidade é bem rica.
03:30Aos 64 anos, Dona Elzira trabalha como balconista e garante que a troca entre gerações diferentes fortalece o trabalho em
03:38equipe.
03:38Não acho dificuldade nenhuma em lidar com nenhum, nem com as pessoas mais novas, que têm mais tecnologia,
03:44porque eles também ensinam a gente de uma forma.
03:47E a gente passa a experiência que a gente tem pra eles.
03:50E a gente se dá muito bem no grupo.
03:52Às vezes essa pessoa, ela tá lá no cantinho, fazendo nada.
03:57Então a cabeça dela tá cada vez pior.
03:59Então ele tem que ter incentivo pra que ele venha trabalhar, não ficar com medo.
04:06Ah, aquilo deve ser um leão.
04:08Eu chegar lá, o leão vai me comer.
04:09Não, não vai comer.
04:10O leão vai te abraçar.
04:13Ele vai dizer pra você, faça o melhor daquilo que você sabe fazer.
04:19Pois é, né?
04:21E se no trabalho a idade ainda gera preconceito, na educação a idade pode virar potência.
04:28Cada vez mais pessoas com mais de 60 anos estão ocupando as salas das universidades públicas
04:35e provando que nunca é tarde pra realizar um sonho.
04:38Hoje a gente vai conhecer a trajetória inspiradora do seu Jorge Luiz Costa, de 68 anos.
04:45Olha só, todo feliz com esse sorrisão, porque foi aprovado pro curso de Biblioteconomia na UFIS,
04:53na Universidade Federal.
04:55Depois de uma vida inteira de trabalho, enfrentou um AVC, cirurgias cardíacas, muitos desafios pelo caminho.
05:02Ele voltou a estudar por meio da educação de jovens e adultos, a EJA, e não desistiu até conquistar a
05:10vaga dele.
05:11Foram quatro tentativas no Enem.
05:12Vamos entender hoje aqui no Tribuna Manhã como a EJA, na educação de jovens e adultos,
05:18transforma histórias como a do seu Jorge e como você aí de casa pode voltar a estudar,
05:24transformar a sua carreira, a sua vida depois dos 60.
05:28Deixa eu sentar aqui pra bater um bate-papo, né?
05:31Fazer um bate-papo com Mariana Berger, gerente de educação da EJA,
05:35Educação de jovens e adultos e com o seu Jorge Luiz Costa, aposentado e universitário.
05:42Agora, seu Jorge, bom dia, pessoal.
05:45Bom dia.
05:46Bem-vindos, bom demais ter vocês aqui.
05:49Que história, hein, seu Jorge?
05:51Parabéns antes da gente começar a nossa entrevista pela garra, pela força de vontade, né, Mari?
05:57Conta um pouco pra gente aí da sua trajetória.
05:59Não foi fácil, mas o senhor não desistiu, né?
06:02Muito difícil, né, porque fui a rima de família, né?
06:07Na época, meu pai abandonou, minha mãe com nove filhos, então tinha que trabalhar.
06:14Não tinha profissão, não tinha instrução pra ser muito novo, então tinha que fazer bico daqui, bico dali, né?
06:23Aí fomos levando, mas até então eu ainda estudava, né?
06:29Mas chegou um certo momento que não deu mais, por conta da profissão que eu tinha escolhido, né?
06:37Que, escolhido não, que...
06:39A vida te levou pra esse caminho, né?
06:41É, me levou pra pegar a primeira que aparecesse.
06:45Tinha que trabalhar pra ajudar em casa.
06:48Aí tudo bem.
06:50Aí fui, continuei estudando.
06:52Mas, certo momento, tive que parar, porque não coincidia os horários, né?
06:58Aí tive que abandonar.
07:00Os estudos.
07:01Tive que optar, né?
07:03Pelo trabalho, porque senão...
07:06Precisava sobreviver, né?
07:07Precisava sobreviver.
07:09E em que momento que o senhor dá essa virada, depois de tanto tempo, assim, de pausa nos estudos,
07:14pra voltar pra sala de aula por meio da educação de jovens e adultos?
07:18Eu sempre gostei de estudar, entendeu?
07:21Então, eu...
07:22Inclusive, eu morei no Rio e eu não conseguia lá conciliar horário, né?
07:29Morei muitos anos lá e não conseguia conciliar os horários.
07:33Quando eu voltei pra cá, aí a chance aumentou.
07:38E eu não sabia da EJA ainda.
07:43Não conhecia.
07:43Não conhecia.
07:45Quando eu ouvi, a primeira oportunidade que eu entrei, chamei a minha irmã, entendeu?
07:52Ela disse que ia, não foi, depois se arrependeu.
07:55Pessoas que estudaram comigo desistiram no último ano.
07:59Eu falei, não faça isso.
08:00Aí se arrependeram.
08:02Eu continuei e terminei.
08:03Olha, que legal.
08:05Entendeu?
08:05Sempre gostei de estudar, sempre gostei de saber das coisas.
08:09Procurei...
08:10Sempre procurei me informar, entendeu?
08:14Para a gente saber das coisas é bom, né?
08:17Lógico.
08:18É bom.
08:18Lógico.
08:19Para dar uma resposta, né?
08:22Com certeza.
08:23Com convicção.
08:24Isso.
08:25Que história bacana.
08:26Já, já eu vou te perguntar como é que a UFES entrou nesse caminho aí do seu preparo.
08:31Mas eu acho que a história do seu Jorge, né, Mariana?
08:34Ela é a história de muitos brasileiros e de muitos capixabas.
08:37E que bom que a EJA, que ele ficou sabendo da educação de jovens e adultos e que ele
08:42cruzou o caminho da EJA e conseguiu concluir os estudos, né?
08:45E...
08:46Só um minutinho, por favor.
08:47Claro, fica a vontade.
08:47E outra coisa.
08:49Falaram que eu era velho.
08:51Para que que tu vai estudar?
08:54Que absurdo.
08:54Tá velho.
08:56Eu falei assim, ó, gosto não se discute, aprendizado ninguém tira da gente, né?
09:05Então, é uma opção minha e eu quero continuar.
09:08Ainda bem que o senhor não deu ouvido para quem te falou isso, porque é um absurdo.
09:12Absurdo.
09:13Mariana, isso é muito comum e muitos alunos, muitas pessoas deixam de entrar na sala de
09:18aula, de voltar a estudar, por medo, por preconceito, né?
09:22Isso é muito comum.
09:23Sim.
09:23Então, enquanto o senhor Jorge falava, inclusive, para parabenizá-lo, né?
09:28Verdade.
09:29Por ser nossa inspiração, uma das nossas inspirações, né?
09:33A educação de jovens e adultos, Bruna, ela foi criada por lei justamente para atender
09:38esse público jovem, adulto, idoso, que não conseguiu concluir a escolarização nessa
09:45idade chamada convencional, né?
09:48Há ainda muito preconceito, há ainda muitas pessoas que não pensam como o senhor Jorge,
09:54né?
09:54Que acreditam que estão velhos para estudar, que não têm memória para isso, né?
10:01Mas, na SEDU, nós trabalhamos com a EJA na seguinte perspectiva.
10:07A educação, ela acontece ao longo da vida, então ela é direito de todos.
10:12Inclusive, essa pauta é tão pertinente que há uma discussão nacional para que na modalidade
10:21seja integrado o termo idosos, né?
10:23Porque hoje é a educação de jovens e adultos.
10:26Então, há uma discussão para integrar o termo idosos justamente para abraçar, né?
10:33Para acolher essas pessoas, assim como o senhor Jorge, que nunca desistiram e que têm o reconhecimento,
10:40né?
10:40Pela educação.
10:41E para quem está assistindo a gente que está se inspirando aqui na história do senhor Jorge
10:46falar, eu quero.
10:47Um ano meio que está começando agora, né?
10:49Pós-carnaval.
10:50Mas eu trabalho, eu tenho cuido de casa, será que eu consigo conciliar?
10:55Como é que é essa questão dos horários, essa flexibilidade, Mariana?
10:58Então, o senhor Jorge contava para a gente antes, né?
11:01Que ele estudou numa escola à noite, né?
11:04Conseguiu conciliar trabalho com o estudo, que a maior dificuldade que nós temos é essa
11:08no público da EJA.
11:09Sim.
11:10Mas hoje nós temos no Estado do Espírito Santo, Rede Estadual, 168 escolas que ofertam a EJA
11:16presencial, que é de segunda a sexta-feiras.
11:20É, espalhados no território capixaba.
11:22Mas nós temos também o Centro de Educação de Jovens e Adultos e os Núcleos de Educação
11:27de Jovens e Adultos, também espalhados no território capixaba, que possibilitam a organização
11:33de horários a partir das necessidades do próprio sujeito, do próprio estudante.
11:37Então, ele que vai organizar o seu tempo de estudo e o professor estará lá à disposição
11:44para atendimento, para orientação.
11:47Então, a gente acredita que essa forma é uma forma mais flexível para estudantes e trabalhadores.
11:51Aqueles que não conseguem estar nas escolas todos os dias, à noite, né?
11:56A gente tem uma escola também, que é a Escola do Debrando Lucas, que oferta a EJA diurna
12:01nessa modalidade presencial.
12:02Então, assim, dá para a pessoa...
12:05Não tem desculpa, né?
12:06Dá para a pessoa se encaixar ali e adaptar o estudo na rotina.
12:09A gente sabe que não é fácil, o cansaço bate, né?
12:12São muitas demandas, né, seu Jorge?
12:15Muitas responsabilidades, mas é priorizar, né?
12:18E lembrando também, Bruna, que a matrícula na EJA, ela acontece ao longo do semestre, né?
12:24A nossa EJA semestral e anual também no Centro de Educação de Jogos e Adultos e Núcleos.
12:30E ela é ao longo, você não tem uma data específica para o início do ano.
12:35É lógico que preferencialmente é no início do semestre e no início do ano.
12:39Mas, sendo ao longo do ano, em qualquer tempo, o estudante pode procurar a escola,
12:47pegar informações com a gente na SEDU também, que a gente acolhe, orienta.
12:52Inclusive, a gente está no chamadão da EJA, né?
12:55Isso aí, estamos no chamadão da EJA.
12:57A gente até parou umas imagens aí, quando puder rodar dos outros que passaram.
13:00Mas como é que funciona esse chamadão?
13:02Então, já estamos na terceira edição do chamadão da EJA.
13:08Nós fazemos a cada semestre.
13:11Esse chamadão visa estar perto das pessoas, perto do povo.
13:15Ir onde o povo está, né?
13:17E aí, convencer esse povo, essas pessoas, né?
13:23Dizer, olha, a gente tem, é legal, é gratuito.
13:27Porque muitas pessoas ainda acham que é pago, né?
13:30Então, a educação de jovens e adultos na rede estadual do Espírito Santo, né?
13:35Assim como nas redes municipais também, que ofertam, ela é gratuita e é legal, tá?
13:42As pessoas confundem ainda com o antigo supletivo.
13:45Então, é importante dizer, a EJA substitui aquele antigo supletivo.
13:50Incrível.
13:50Essa semana, o chamadão vai estar por onde?
13:53Então, hoje nós estamos em feiras populares, em Cariacica, Serra e Vitória.
13:59Legal.
14:00Também temos ação no interior.
14:02Semana que vem a gente continua com as ações em terminais rodoviários.
14:08Quer dizer, onde o povo está, nós também vamos.
14:11E depois a gente vai para o interior, né?
14:13De forma mais focada.
14:14Que incrível.
14:15Quem sabe você não topa aí com o chamadão e cria coragem, né?
14:19Para voltar às histórias.
14:20As pessoas têm que se conscientizar que sem estudo, sem ter uma, não digo nem faculdade,
14:34mas uma instituição, um curso técnico, entendeu?
14:38É muito importante hoje, porque hoje é tudo tecnológico.
14:42É verdade, senhor jovem.
14:44Porque os idosos foram pegos por mais da metade.
14:50Então, as dificuldades, tem pessoas que têm dificuldade de internet, mas não é porque
14:56ela é burra, é porque ela já pegou aquilo, um avanço enorme, ultrapassou o limite deles.
15:03Exatamente.
15:04Entendeu?
15:04Mas dá para caminhar junto.
15:06Dá para caminhar.
15:07Ah, claro que dá.
15:07Dá para caminhar, dá para conseguir, mas não, igual o jovem, tem que aproveitar.
15:13Os jovens têm que aproveitar.
15:15Hoje é tudo grátis.
15:16É verdade.
15:17Hoje é tudo gratuito.
15:19Antigamente, a gente tinha dificuldade.
15:21Tudo era pago, tinha que pagar tudo.
15:23E eles têm oportunidade, aí tem que aproveitar.
15:28Entendeu?
15:29Tem que abraçar essa oportunidade.
15:30Tem que abraçar, porque hoje em dia, e vai cada vez dificultar mais.
15:35Isso é verdade.
15:36Entendeu?
15:37Então, ele tem que acompanhar através dos estudos.
15:41Entendeu?
15:42Ah, as pessoas falaram que eu sou velha, eu não estou nem aí para eles.
15:46É isso aí.
15:46Eu estou certíssimo.
15:47Vai dar ouvido para eles.
15:49Quero nem saber.
15:50Aí que eu vou estudar mais ainda.
15:52Entendeu?
15:53E assim, esse conceito de envencimento, isso mudou muito.
15:57Isso já está lá atrás.
15:59É verdade, gente.
16:00Inclusive com o distanciamento da aposentadoria.
16:03Exatamente.
16:03Que está ficando cada vez mais distante.
16:06Mais distante.
16:07E a perspectiva de vida também aumentando.
16:10São pessoas muito ativas, né?
16:10Muito.
16:11Muito.
16:11E quando o senhor Jorge fala da tecnologia, é importante dizer que no currículo da educação
16:16de jovens e adultos, a gente incluiu cultura digital.
16:19Que é essa aproximação, né?
16:21Com a informática, com a tecnologia, né?
16:25Visando essa inclusão digital mesmo.
16:27Que bacana.
16:28Seu Jorge, como que a UFES entra no seu caminho?
16:31Quando que o senhor decide, eu vou fazer faculdade?
16:34Meu sonho era sempre, sempre foi me formar, ter um curso superior, independente de...
16:45Porque na minha idade, eu não posso almejar muita coisa devido aos problemas.
16:52O senhor tem muitos problemas de saúde, né?
16:53Tem um problema de saúde e tal.
16:55Mas, quem sabe da vida da gente é Deus.
16:58Então, enquanto eu não souber que eu...
17:02Enquanto eu estiver vivo, eu vou procurar me progredir, entendeu?
17:08Intelectualmente.
17:09Porque a oportunidade da gente é única, entendeu?
17:18Então, a gente tem que aproveitar.
17:21Eu sempre gostei de estudar, que eu vou repetir.
17:24E, como a minha oportunidade está surgindo agora, a UFES entrou como?
17:31Eu já tinha feito quatro vezes o Enem.
17:34O Enem.
17:35Mas, eu não tinha...
17:36Ninguém nunca me instruiu para...
17:39Ah, procura o ProUni.
17:40Ah, procura isso, procura aquilo.
17:42Eu não tinha ideia.
17:45Porque esse...
17:46O AVC, como eu falei para ela, ele entope uma veia, como eu fui esquema.
17:52Então, a gente tem certas dificuldades.
17:54Ficou com algumas sequelas ali, né?
17:56Fiquei com sequela.
17:58Antigamente, eu gravava...
18:00Era telefone fixo, eu nunca escrevia.
18:04Eu gravava todos na mente.
18:06Memorizava.
18:07Agora, eu tenho já dificuldade.
18:09Mas, isso aí não vai me impedir.
18:10Nunca.
18:11Como assim?
18:13A UFES, esse ano, a minha sobrinha, Tiara, que trabalha lá na Sedu,
18:19ela me deu as minhas instruções,
18:21que, inclusive, ela que fez a minha matrícula lá na UFES...
18:24Te ajudou nesse processo.
18:26Ela que me ajuda em tudo.
18:27Que incrível.
18:28Entendeu?
18:29Negócio de internet, por quê?
18:30Eu tenho uma certa dificuldade.
18:32Porque esse...
18:34Eu tenho uma dificuldade que essa aqui...
18:36Não tenho tato.
18:36Com o lado esquerdo, né?
18:38É, com o lado esquerdo.
18:38Certo.
18:39Ainda bem, graças a Deus, eu sou do lado esquerdo.
18:42Porque, se fosse do lado direito, eu estava lascado.
18:46Não estava nada, o senhor, do jeito que é fera, o senhor estava tirando de letra.
18:50Aí, eu falei assim, não, é agora, a minha oportunidade é agora.
18:53O que eu fiz?
18:54Eu optei por um curso que fosse que tivesse menor tempo, né?
18:59De conclusão, para...
19:01Devido à minha idade, né?
19:03E, se tivesse que pintar a sua oportunidade, a minha idade não estava tão, né?
19:09Que legal.
19:09Além de eu conseguir um trabalho, eu conseguir alguma coisa.
19:13Optou por biblioteconomia.
19:14Isso.
19:15Entendeu?
19:16Foi pelo período do curso.
19:19Perfeito.
19:20Entendeu?
19:20Então, uma escolha muito boa, tá?
19:21O mercado de trabalho é muito bom para essa área.
19:25Agora, o senhor estava falando aí dos seus desafios em relação à saúde, à memória.
19:30Quem está assistindo a gente em casa, às vezes, está até se identificando com o senhor.
19:33Tem mais de 60 anos, fica com medo de voltar a estudar.
19:36Será que eu vou dar conta?
19:38Será que minha memória não é mais a mesma?
19:40Como é que eu vou dar conta de fazer as provas, as atividades?
19:43Olha, a gente ouviu uma médica geriatra e a gente chama ela para essa conversa e ela falou dos desafios
19:50e da importância desse recomeço, inclusive, para a saúde.
19:53Vamos ver o que ela falou.
19:55Ter propósito, ter sonho e correr atrás dele é importante em qualquer faixa etária, né?
19:59Se a gente limita de acordo com a idade, o que se pode ou o que não se pode fazer,
20:05é uma forma de preconceito que a gente chama de etarismo.
20:08É muito importante que em toda a nossa vida a gente aceite desafios, que a gente acredite e corra atrás
20:17das coisas que a gente gosta, do que a gente quer para nós.
20:22Sabendo as habilidades, sabendo as habilidades de cada um, as possibilidades, né?
20:28Estar num ambiente universitário, aprender uma nova profissão, não precisa necessariamente ser com intuito financeiro, econômico, mas pode ser com
20:40intuito cultural, pode ser com intuito social, por que não?
20:44É muito importante esse novo convívio, aprender coisas novas faz a gente estimular o cérebro, diminui o risco de demência,
20:55né?
20:55Então, estar sempre aprendendo faz o estímulo cognitivo, como a gente fala.
21:01Com o envelhecimento, naturalmente, há uma lentificação no processo de memorização e de evocação, como a gente chama,
21:08que é o tanto fixar novas informações, como o resgatar informações adquiridas, memorizadas.
21:17É mais difícil a gente aprender, por exemplo, andar de bicicleta, depois de adulto, depois de idoso, do que quando
21:24criança.
21:25Também pode ser mais trabalhoso aprender novas habilidades aí, né?
21:30Nossos conhecimentos técnicos, depois de uma certa idade, mas isso não é nenhum impedimento.
21:35É, inclusive, muito saudável.
21:40Que bom. Obrigada, doutora, pelos esclarecimentos.
21:43Seu Jorge, a gente sabe que tem uma questão aí burocrática sendo analisada em relação à sua entrada na UFES,
21:51da matrícula,
21:52mas mesmo diante dessa situação de mais um desafio que o senhor está enfrentando, o senhor vai firme ali enfrentar,
21:58de frente, né?
21:59Essa vaga é sua.
21:59Com certeza. Não vou, enquanto houver oportunidade, eu vou lutar para conseguir, porque meu sonho não pode ir, né?
22:11Ir de água, por água abaixo, assim, de repente, sem luta.
22:15E não vai, não vai mais.
22:16Eu quero ver, eu quero que muitos, o pessoal que estão me ouvindo, procure os velhinhos, quero ver a sala
22:22da Eixa lotado de velhinhos.
22:25É isso aí.
22:26Entendeu?
22:27Ir assim.
22:28Para a gente pegar, o Brasil precisa de gente de estudar.
22:37Com certeza.
22:37Precisa, tem muita gente sem fazer nada.
22:40É isso aí.
22:41A educação é capaz de estudar.
22:42A educação muda tudo.
22:45É verdade.
22:46Entendeu?
22:46Seu Jorge, e aproveitando o recado dele, deixa eu pedir para você encerrada no recado.
22:50Quem tomou coragem aqui com a fala do seu Jorge, vou procurar a Eixa hoje.
22:55O que essa pessoa tem que fazer, Mariana?
22:56Então, procura uma escola mais próxima da sua residência, verifica se lá oferta a Eixa, na própria escola ela pode
23:06se informar também.
23:07Tanto estadual quanto municipal.
23:08Isso.
23:09Ou telefona para os nossos números da CEDU, da Gerência de Educação de Jovens e Adultos, que eu vou passar
23:15aqui.
23:173636-7864, 3636-7865, que nós temos uma equipe lá na disposição também, para dar todas as orientações necessárias.
23:28Bacana, Mari.
23:29Gente, obrigada pela entrevista, seu Jorge.
23:32Parabéns pela caminhada.
23:33Luz no seu caminho, força para continuar.
23:36Vamos resolver se essa questão aí, essa vaga é sua e eu quero ver você como o calouro de biblioteconomia
23:41da UFES.
23:42Muito obrigado.
23:43Parabéns pela jornada.
23:44Agradeço a vocês todos.
23:46Obrigada.
23:46E, Mari, obrigada também pela entrevista.
23:48Nós que agradecemos.
23:49Pelas orientações...
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