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00:15O que foi?
00:23Onde é que ele está?
00:24O Ricardo!
00:25Que Ricardo, menina?
00:27Você estava sonhando.
00:34Sonhando?
00:39Ouça o final do poema.
00:42Oh, não me chames coração de gelo.
00:45Bem vês, traí-me no fatal segredo.
00:49Se de ti fujo, é que te adore muito.
00:54És bela, eu moço.
00:56Tens amor e o medo.
01:09Tens amor e o medo.
01:29Amém.
02:25Eu não disse que é coisa feita?
02:27O homem rabichou mesmo, fui eu que disse, conheço alguém apaixonado, a moça parece que ficou bem baleada, o tiro
02:37acertou bem do lado esquerdo do peito, pegou os dois, uma bala só, o tiro acertou o alvo, o alvo
02:49é meu coração, o que eu estou sentindo agora, não vou esquecer mais não.
03:04Falta muito, João.
03:06Não sei, mas deve faltar.
03:09Mas a gente chega lá, Dona Ana, Deus vai ajudar.
03:12Você não está arrependido?
03:14A gente não deixou nada para trás, a não ser o que ficou enterrado e que não precisa mais de
03:19nós.
03:22Da frente é que tem vida, Dona Ana.
03:25Chique, chique.
03:26Bocu-G.
03:28A gente ainda pode se salvar.
03:31Se não fosse aquele homem...
03:34Ricardo Valeriano Brandão.
03:37Eu nunca mais vou esquecer.
03:40E um dia, se Deus quiser, eu vou pagar tudo o que ele fez.
03:46Por onde será que ele anda?
03:48Por aí, que nem nós, procurando seu destino.
04:11Está lá, patrão.
04:12O pouso do Angico.
04:15De lá, a gente derruba, depois segue direto para Mucu-G.
04:18Tem comércio de fora antes de Mucu-G.
04:20Mas no comércio tem barulho de cidade grande.
04:24É, mas eu quero chegar logo em Mucu-G.
04:27Vender essa carga e depois voltar.
04:30O patrão...
04:31O patrão está pensando na moça que ficou?
04:35Eu não sei.
04:38Alguma coisa me motivou.
04:42Vamos lá.
04:52Está todo mundo te chamando de vendida.
04:55Fica quieta, mãe.
04:56O que é isso?
04:57Agora é o filho que manda a mãe ficar quieta, é?
05:00Está aí o senhor Alcebeto que não me deixa mentir.
05:02É verdade ou é mentira?
05:03É o que se ouve dizer.
05:05Agora eu acho que...
05:06É verdade.
05:07Fui vendida, mas não fui comprada.
05:09Maria.
05:10É verdade.
05:12É um discurso que eu não falei.
05:15Eu não falei.
05:16Por um lanho de carne, de toicinha e mamão de sal.
05:20A desgraça é igual para todo mundo.
05:22Mas bem que ele podia ter oferecido um pouquinho de sal.
05:25Somos vizinhos.
05:26Para os vizinhos?
05:27Pois se nem para os filhos eles deram.
05:29Só eles.
05:30Só eles é que comeram.
05:33Gente ruim.
05:34É por isso que o povo fala.
05:36Fica quieta, mãe.
05:38Já temos que precisar.
05:40Vamos embora daqui.
05:47Fica ali, Luciano.
05:48Onde é que você pensa que vai?
05:50Vem cuidar do bró da tua mãe que o dele já está garantido.
05:54Essa gente aí não presta, seu Zé Tento.
05:57O velho e a velha se trancaram dentro de casa enquanto durou a carne, o tocinho e o sal.
06:05Nem os filhos.
06:07Nem os filhos experimentaram.
06:09Só eles é que comeram.
06:11Está aí o Luciano que não me deixa mentir.
06:13É verdade ou é mentira, Luciano?
06:15Não sei de nada.
06:16Não sabe nada.
06:17Olha aí.
06:18Está enrabichado por essa menina, Maria.
06:21Mas se ela fosse boa coisa, o mineiro tinha levado com ele.
06:25Esses mineiros são boa gente e são muito espertos.
06:35Olha seca e só.
06:40Ainda temos um olho d'água que nunca secou porque a gente cuidou da vegetação.
06:47Mas aí por fora, vós me sei devem ter visto.
06:51Uma desolação.
06:53Uma desgraça só.
07:15Agora, os burros gostam de mandar caru.
07:19Boi também gosta.
07:22Mas não tem boi aqui há muito tempo.
07:26Morreram todos como os homens.
07:35Daqui nós vamos chegar em comércio de fora.
07:39Daqui nós vamos para Mucuge vender a carga.
07:42E voltar para Minas com dinheiro.
07:45É o que deve fazer.
07:47Por aqui, não tem nada de bom.
07:53O patrão passou pela tapera da lagoa?
07:59Pois, o tal Raimundo Alves, todo mundo dizendo que ele vendeu uma filha por um punhado de sal.
08:12A mais mocinha, a Maria.
08:18Conheci ela quando nasceu e quando tinha muita fartura por lá.
08:27Vou contar para o patrão.
08:30O Deus que nos protegia ou morreu ou se mudou.
08:38É o que eu digo.
08:40Ou morreu ou se mudou.
08:58Minha Nossa Senhora do Patrocínio da Lagoa Seca, que vontade de voltar.
09:04Vós me sei, falou alguma coisa?
09:10Não.
09:13Cravo roxo, cravo rosa, cravo de toda nação.
09:19Meu pezinho de tão longe, ai meu Deus, não posso não.
09:44Cala essa boca, demônio.
09:46Cala essa boca, demônio.
10:05Tá quase tudo acabado.
10:10E agora?
10:13Não posso muito, mas somos vizinhos.
10:18Ele me pediu para tomar conta de vocês até crescerem um pouco.
10:23Nós somos pobres, não temos nada.
10:26Mas eu pensei, não sei.
10:37Se a gente chegar até dezembro, quem sabe?
10:41Que a vida é cada um por si mesmo.
10:43Que Deus não tem tempo de olhar para todo mundo.
10:46Eu fico com você, Maria.
11:01O que você vai fazer agora, Maria?
11:06Eu vou-me embora daqui.
11:09Para onde?
11:10Para onde tem vida.
11:12Quando?
11:15Hoje.
11:16Hoje.
11:36Você diz que vai embora hoje?
11:39Quando anoitecer.
11:42No rancho da Ana Maria.
11:44Ele vai passar por aqui.
11:46Mas aquilo não é coisa para você, Maria.
11:49A fome também não é coisa para mim.
11:51E é só o que eu conheço.
11:53A fome não é para ser humano nenhum.
11:56E é só o que todo mundo conhece por aqui.
12:00Eu sei me defender.
12:03Se não souber, eu aprendo.
12:05Então vamos esperar o tempo melhorar.
12:06Quem sabe vem um pouco de chuva?
12:11Nessa terra, quem espera a chuva...
12:14Não sabe se vai estar vivo quando ela chegar.
12:18Aqui não se pode esperar nada.
12:23O sol é esse.
12:25A seca é essa.
12:28Essa que é a nossa verdade, Luciano.
12:32Você mesmo lê no jornal.
12:34Ninguém sabe quando isso tudo vai acabar.
12:38Como é que a gente pode ficar esperando uma coisa...
12:41Que ninguém sabe quando vem.
12:43Um dia tem que chover.
12:45Tem que melhorar.
12:48Quando esse dia chegar...
12:51Eu vou estar em outro lugar.
12:54Vou ficar muito feliz por causa da chuva.
12:58Mas não vou ficar aqui esperando ela chegar.
13:02Durante toda essa seca...
13:05A chuva não pensou em nós.
13:09Agora eu também não vou pensar nela para viver.
13:15Se você quiser, você vem comigo.
13:17Mas hoje...
13:18Hoje.
13:20É hoje ou é nunca.
13:23Eu já resolvi.
13:26Não vou estar aqui para o enterro.
13:30Não quero mais saber de morte.
13:33Só de vida.
13:38O patrão está muito moço para estar tão preocupado.
13:54Posso ficar aqui com o senhor, patrão?
14:06O pensamento não é bom...
14:08Quando deixa uma ruga na testa.
14:12O senhor está com três rugas.
14:16Não é bom.
14:23Coisa feita de mulher.
14:26Só pode ser.
14:27Homem, quando está triste...
14:30Tem mulher na tristeza.
14:33Eu fui moço...
14:35E sei...
14:41Isto é saudade?
14:47Não sei.
14:50Uma coisa me picou.
14:55Se a picada está doendo...
14:57É amor.
14:59Se está coçando só...
15:01Então passa logo.
15:02Quem parte, parte chorando...
15:06Quem fica a vida não tem...
15:09Não tem sono...
15:11Nem sossego...
15:12Quem chegou a querer bem...
15:19Está doendo.
15:22O moço ralha bem na viola...
15:25E os versos cabem todinho no senhor.
15:30Veja certo de uma coisa.
15:33Se o senhor está chorando...
15:35A moça está morrendo.
15:40Quando a gente é que vai embora...
15:42Que parte...
15:44Tem sempre a esperança...
15:46De encontrar coisas novas no caminho.
15:49Lá pela frente...
15:51O senhor sabe.
15:55E fica...
15:57Fica no meio do que já conhece.
15:59E as coisas ficam mais sem graça.
16:03Sem gosto.
16:08Por que o patrão não volta e não pega a moça?
16:15Primeiro eu vou a mucurger.
16:18Vendo a carga.
16:19Depois eu volto aí...
16:20Que eu vou ver o que a gente vai fazer.
16:22Eu não sei, não.
16:24Não espere muito.
16:26O amor é impaciente...
16:29E gosta das coisas rápidas.
16:51Sabe a primeira coisa que eu quero que você me ensine, Luciano?
16:54É a lei e escrever.
16:56Você me ensina?
16:57Me ensino.
16:58Você me ensina também o nome das estrelas?
17:00Me ensino.
17:06Luciano.
17:08Você acha que ele se lembra de mim...
17:09Assim como eu me lembro dele?
17:11E como é que eu vou saber?
17:13O que você acha?
17:16Não sei.
17:17Eu acho que pode ser.
17:19Mas ele só te viu uma única vez.
17:21Não sei.
17:23Mas eu também só vi ele uma vez.
17:25E tu assim...
17:27Picado.
17:29Você não acredita que o amor pode aparecer assim...
17:32De repente...
17:33E a gente nunca mais esquece.
17:36É...
17:36Acho que sim.
17:40Você disse que a gente pode morrer de amor.
17:43Os poetas dizem.
17:45Você falou.
17:47Sentir sem que se veja...
17:49A quem se adora, compreender.
17:52Sem lhe ouvir seus pensamentos, segui-la.
17:55Sem poder fitar seus olhos, amá-la.
17:59E sem ousar dizer que amamos.
18:02E temendo roçar os seus vestidos...
18:05Ader por afogá-la em mil abraços.
18:08E esse é amor.
18:10E desse amor se morre.
18:15E esse amor que é capaz de fazer a gente morrer...
18:18Também é capaz de fazer a gente viver.
18:22Agora acabou tudo.
18:25Eu sei.
18:27Vai ser de nós.
18:32Vocês ficam aqui com o seu Zé Bento e Dona Mariana.
18:34Eles cuidam de vocês.
18:36E você?
18:38Eu vou-me embora.
18:41Com o Luciano.
18:43Hoje.
18:49Bem, foi melhor assim.
18:52Melhor para todo mundo.
18:53Vocês agora, vamos?
18:55Todo mundo a catar raiz.
18:57Que o bró da noite hoje tem que ser dobrado.
18:59E tem mais mão para catar.
19:00Todo mundo.
19:02Vamos.
19:04Vamos.
19:09Eles agora vão catar raiz para Dona Mariana e seu Zé Bento.
19:13Coitados.
19:16Quando escurecer, vão ter quatro mãos a menos nessa tapeira.
19:22As minhas e as suas, Luciano.
19:26Nós vamos embora daqui.
19:28Vamos para Mucuge.
19:28Para a cidade.
19:37Para a cidade.
19:42Posso jura que são elas.
19:45É a liberdade.
19:46É a liberdade.
19:49É a liberdade.
19:50Sou tropeiro de verdade.
19:53Pratico bem contra o mal.
19:55Água tropa carregada.
19:57De carne, docinho e sal.
19:59É a liberdade.
20:02É a liberdade.
20:03É a liberdade.
20:03É a liberdade.
20:03Já ouço na pedra verde.
20:05O barulho das chinelas são as forças da cidade.
20:10Posso jura que são elas.
20:12É a liberdade.
20:14Piedade, senhor.
20:15Tente piedade de nós, pecadores.
20:20Piedade, senhor.
20:22Piedade.
20:23Tente piedade de nós.
20:25São penitentes.
20:27Deus seja louvado.
20:30É penitência para pedir chuva.
20:33Bom dia, amigo.
20:34Bom dia, patrão.
20:37Que santo é que carrega?
20:39Nossa senhora.
20:40E estão levando para onde?
20:42A barra do gavião.
20:44É para fazer chover, né?
20:45É para ver se melhora.
20:47A santa não tem negado.
20:48Ela estava lá no tanquinho e lá choveu.
20:51Eu quero dizer, choveu pouco.
20:52Uns pingos só, mas choveu, né?
20:55Esse mundo de Deus, não se pode querer muito.
20:57Nem mesmo dos santos.
20:59Na fazenda, a lagoa seca, está morrendo todo mundo.
21:02Homem, mulher e criança.
21:05Bicho, então, já nem tem mais.
21:08Os cachorros da rua desapareceram tudo na barriga do povo.
21:12Tem passarinho pia para não dizer onde está.
21:16E é para lá que vocês vão?
21:18É o que a gente pretende.
21:20E o patrão vai indo para onde?
21:22É, eu vou para muito gênero.
21:24Cidade rica, grande, cheia de dinheiro e de pecado.
21:29Mas o patrão vai ficar rico lá.
21:32Mas muito cuidado, tem muito sem vergonha por lá.
21:35E se eu pedir um favor para os amigos, amigo me faz?
21:38O que o patrão mandar?
21:42Você está vendo essa estrela aqui?
21:45Quando você chegar na lagoa seca, você vai ter que passar pela tapera da lagoa.
21:49Tapera de Raimundo Alves, aquele demônio.
21:51Virgem Maria.
21:52Eu quero que vocês procuram uma moça que mora lá, Maria.
21:56Eu quero que vocês entregues isso para ela.
21:59E diga que fui eu, Ricardo Valeriano Brandão, que mandou.
22:03Ricardo Valeriano Brandão.
22:06Ricardo Valeriano Brandão.
22:08Só isso?
22:11Ela vai entender.
22:13O patrão não quer escrever um bilhetinho, não?
22:16Moça Nova gosta de um versinho, umas palavras bonitas.
22:19Muito obrigado, amigo, mas...
22:21Eu acho que ela nem não sabe ler, nem escrever.
22:25Ri...
22:26Ri...
22:28Ca...
22:31Do.
22:33Vamos lá.
22:34Ri...
22:35Ca...
22:36Do.
22:38Pronto.
22:38Agora você já sabe?
22:41Ri...
22:43Ca...
22:44Do.
22:45Isso.
22:46É, agora eu já sei.
22:50Juro que nunca mais eu esqueci.
22:59Maria, quanta gente.
23:02Parece que estava tudo esperando a gente.
23:04Começa de fora, dona.
23:06Aqui não tem nem sinal de seca.
23:08As pessoas comem, bebem normalmente, como gente mesmo.
23:13Igualzinha.
23:14Nós vamos pousar aqui, João?
23:16Vamos sim, dona mãe.
23:18Amanhã cedo a gente segue para o Mucujê.
23:20Depois, chique-chique.
23:22Que medo.
23:25Parece que a rua e as pessoas têm engolir a gente.
23:30Olha, como eles olham.
23:32Eles sabem o que nós passamos.
23:35Eles têm pena da gente?
23:37Um pouco de pena.
23:39E um pouco de medo.
23:41Vamos acampar na saída da cidade.
23:43De manhã, a gente parte.
23:45E a noitinha, a gente chega a Mucujê.
23:50É ele, olha.
23:52É ele.
23:53É o Caldo Valeriano.
23:55O destino está sempre pondo ele perto de nós.
23:58Isso é uma sorte, dona Ana.
23:59Você não vai falar com ele, João?
24:01Não.
24:02Ele não deve nem se lembrar de mim, mulher.
24:05E depois, ainda não posso fazer nada por ele.
24:08Ainda não.
24:09Mas ele pode fazer pela gente.
24:11Ele já fez pela gente tudo o que podia fazer.
24:37Vambara, gente.
24:38Vambara!
24:43Vambara!
24:45Vambara!
24:46Vambara!
24:54Vambara!
24:55Vambara!
24:55Vambara!
24:55Vambara!
24:58Vambara!
25:00Vambara!
25:00Vambara!
25:01Vambara!
25:01Vambara!
25:01Vambara!
25:02Vambara!
25:03Vambara!
25:03Vambara!
25:03Vambara!
25:06Vambara!
25:32Vambara!
25:33Vambara!
25:34Vambara!
25:34Vambara!
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25:52Vambara!
26:04Vambara!
26:16Vambara!
26:36Vambara!
26:37Vambara!
26:40Vambara!
26:47Vambara!
27:01Vambara!
27:08Vambara!
27:26Vambara!
27:29Vambara!
27:31Vambara!
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27:35Vambara!
27:35Vambara!
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27:38Vambara!
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27:43Vambara!
27:43Vambara!
27:44Vambara!
27:45Vambara!
27:47Vambara!
27:48Vambara!
27:48Vambara!
27:49Vambara!
27:49Vambara!
27:49Vambara!
27:50Vambara!
27:50Vambara!
27:52Vambara!
27:54Vambara!
27:55Vambara!
27:56Vambara!
28:19Maria, Maria.
28:33Olha para o céu, veja, é a estrela d'alva, e isso quer dizer que vamos ter muita sorte.
28:41Amém.
29:17Tuas coisas sente o homem, seja qual for sua idade, acertou quem disse logo, quer ter amor e saudade.
29:45Já vejo que com cachaça se animou o forasteiro, é coisa de gente nova que pensa que é bom
30:03Não penso que sou tropeiro, sou tropeiro de verdade, aqui no Rio São Paulo ou em qualquer
30:13outra cidade.
30:20Quem usa a palavra fácil é pouco é tropeiro, mas por isso é dizer que é bom homem é bom
30:30tropeiro.
30:36Até hoje nunca tive reclamação de ser homem, mas conheço muita gente que mata o boi, mas
30:47não come.
30:52O patrão está cada vez mais arreliado.
30:57É, eu já te falei, Felipe.
30:59Eu fui picado, viu?
31:02O bicho me mordeu mesmo, camarada.
31:05Então o patrão deve voltar lá e resolver a questão.
31:08Assim não dá, não pode ficar.
31:11É, eu vou vender a carga em Mocogê e depois vou voltar, sim.
31:19Se você quiser, você pode ir comigo.
31:21Eu vou para onde o senhor for, mesmo que seja para o inferno.
31:27É, eu estou achando mesmo que vai ser para o inferno.
31:31Ou então para algum lugar parecido.
31:35Conte comigo.
31:43Lá vem a procissão pedindo chuva.
31:46É Nossa Senhora.
31:48Que não traz alívio para ninguém.
31:50É só esperar.
31:52São retirantes.
31:53É o rancho de Ana Maria.
31:56Virgem Maria.
31:57Deus nos livre e guarde.
31:58Deus esteja convosco, meus amigos.
32:01Deus que tem piedade em vossa alma, que anda e deve estar precisando.
32:05Eu estou precisando muito, dona Ana Maria.
32:07Que Deus tenha piedade em todos nós, que não há quem não precise.
32:10Uns mais, outros menos, dona.
32:13Quem é mais e quem é menos?
32:15Só Deus junta.
32:17Só Deus divide.
32:19Só Ele sabe.
32:21Mas estamos no bom caminho.
32:24Vamos para a Barra do Gavião para ver se chove lá.
32:27E vamos chegar até a Lagoa Seca e temos a palavra cumprir com o tropeiro.
32:30Lagoa Seca.
32:33Lá não tem mais vida.
32:34Está morrendo todo mundo.
32:36O velho Raimundo Alves e a sua dona Maria Rosa já entregaram a alma a Deus.
32:41Lá tudo morreu.
32:43Gada e gente.
32:44Tudo.
32:45Mas não sobrou ninguém lá.
32:47Se sobrou, vai morrer.
32:48Quem tinha um pouco de vida me seguiu.
32:50Está aqui.
32:51A gente pergunta.
32:52É porque tem a palavra empenhada com homem bom.
32:56Um tal senhor Ricardo Valeriano Brandão.
32:59Nunca ouvi esse nome.
33:02Ricardo Valeriano Brandão.
33:04Ele deu uma incumbência para a gente entregar uma pessoa da Lagoa Seca.
33:07Será que não está aqui no meio?
33:09É melhor ver.
33:10É coisa de importância?
33:12Se um homem de bem pede uma coisa para a gente, é sempre coisa de importância.
33:17A menina, por acaso, vem de Lagoa Seca?
33:21Venho.
33:22Sou de lá.
33:23Conheço uma moça chamada Maria, filha de Raimundo Alves.
33:27Sou eu.
33:28Sou Maria, filha de Raimundo Alves.
33:30Virgem Maria.
33:31É Deus que está do lado do patrão.
33:34Que foi?
33:35O que aconteceu?
33:36Conhece um tal Ricardo Valeriano Brandão?
33:39Conheço.
33:41Conheci.
33:42O que foi?
33:44Ele mandou isso para a menina.
33:47Diz que a menina ia entender.
33:51Boas tardes.
34:13Maria, pegue os livros que estão em cima da escrivaninha.
34:16O senhor está se sentindo bem?
34:22Ficou tão branco como se tivesse se ausentado?
34:25É de sonho e de pó
34:29O destino de um só
34:32Feito eu perdido em pensamentos
34:35Sobre o meu cavalo
34:40É de laço e de novo
35:03É de laço e de novo
35:04частinho daensi
35:18O que aconteceu?
35:34Música de Abertura
35:51Abertura
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