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  • há 10 minutos

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Transcrição
00:00A CIDADE NO BRASIL
00:10Aqui, no Gerais Sertão,
00:13transcruzando as veredas de Deus e do Diabo,
00:16começou nossa história.
00:18Na beira do De Janeiro,
00:20o menino Reobardo conheceu um menino outro,
00:24desiguar de toda pessoa.
00:25Era um encontro de duas crianças
00:28que atravessavam junto um perigo momenteiro,
00:32traçando a destinação de seguir lado a lado,
00:35pra todo sempre, a perigosa travessia da vida.
00:39Mas foi com a morte de Bigri, mãe de Reobardo,
00:43que a vida do menino demudou por completo.
00:46Foi viver com o padrinho Celorico Mene,
00:49na fazenda São Gregório.
00:51Por lá, aprendeu das letras a arma,
00:54gastando até uns momentos safados com a menina rosoarda.
00:59Moço feito, Reobardo se depara pela primeira vez
01:03com um bando de jagunços.
01:05Na feita ocasião em que joga Ramir e seus cabra
01:07pernoito na fazenda de seu padrinho.
01:10De sabência da verdade danada
01:12de que Celorico Mene era pai dele,
01:15Reobardo ajuntou seus trens, suas armas e fugiu.
01:19Índia exerceu o ofício de professor
01:22na fazenda de Zé Bebelo.
01:24Homem astucioso que tem projeto de romper guerra,
01:28relimpando o mundo da jagunçada braba
01:31pra poder entrar direito na política.
01:34Ser deputado.
02:16A CIDADE NO BRASIL
02:19PROBABLA
02:20Co maco
02:47Co trending
03:17A CIDADE NO BRASIL
03:19O escondado e a lontra se foi a fogo.
03:22Era o bando de Ricardão que quase próximo cercamos.
03:27Aqueles sabiam brigar em desnascença?
03:30Eram os nossos homens perseguidos, uns que com o Ricardão se escapavam.
03:35Pra acuar, só fartando cães.
03:40Mas foi no gameleiro que tudo demudou pro completo e houve o pior.
03:45No refervo, a raiva de fúria de repente iguala a todos.
03:52Nos mesmos urro e urro, contra e contrário.
03:57Parece que se cunguina de botar fora as armas de fogo pra o aproximar do derradeiro.
04:04Pra se oferecer faca, oferecer fim.
04:07Me alembro e entregue companheiro em sopa de sangue, mais sujeiro de suas tripas,
04:15se abraçando comigo, de mandar da dor,
04:19pra morrer só mesmo, amarticulando em lei toda mãe e todo pai.
04:47O professor meu armário, nessa deu bem.
04:50Só farto saber agora onde é que ele demarcou o de comer do banquete político.
05:07Pra lá do Ripacu, acabamos de voltear um bando de jaguns com a Cisca Cardão à testa.
05:17Ele foi derrotado total, mais dez mortos, mais dez carros agarrados a puxos.
05:27Infelizmente só porque algum deles conseguiu fugir, mas não vai longe.
05:35Porque eu venho aqui prometer muita coisa republicana.
05:40E a primeira é essa, o fim do jaguncismo.
05:44Sim, senhor?
05:46Essa é a promessa do Zé Rebelo Vaz Antunes.
05:51O melhor chamado do Zé Bebelo.
06:04Viva a lei, viva o governo, viva o nacional!
06:08Viva!
06:09Viva!
06:09Viva!
06:11Viva!
06:17Viva!
06:18Tchau, tchau.
07:05Tchau, tchau.
07:18De jeito nenhum.
07:20O comando é meu e eu não sinto covardia e perversidade.
07:25Abaixo. Abaixo isso.
07:28Comente o meu comando.
07:29Espeçou, vai.
07:41Professor,
07:43no entretempo,
07:44não vai esquecer de botar isso no seu caderno.
07:47Esses homens
07:48vão pra cadeia de extrema,
07:51de lá pra outras cadeias,
07:54de certo em pé pra capital do estado.
08:03Não é lugar pra mim.
08:06Em cada banda que eu vou,
08:09são pessoas vivendo uma fúria firme,
08:13matando e morrendo.
08:17E como já falei,
08:19o sou é eu mesmo.
08:22Não pertenço a razão nenhuma.
08:25Não guardo fé,
08:27nem faço parte.
08:48Não pertenço a razão nenhuma.
09:00Boa noite.
09:27Boa noite.
09:57Onde é que para todo mundo?
10:00Tenha medo não, dona.
10:03Eu encostei no Rio das Velhas e estou remachando por uns 20 dias.
10:18Se a direção do senhor é para o outro lado do rio, não rumo certo, tá?
10:22Se não errar, deu certo.
10:25Aqui é o Corco Batisteiro.
10:30Ah, e por que a moça bonita não aparece na janela?
10:44E seu marido, dona?
10:47Está no jeito de falar com ele?
10:49O meu marido está fora, na redondeza.
10:56Esse lugar está muito me agradando.
11:01Aqui não dá maleta.
11:05O meu marido está fora, na redondeza.
11:23O meu marido está fora, na redondeza.
11:42O meu marido está fora, na redondeza.
12:08Quem é, quem é pão, é eu.
12:35Pão.
12:38Meu pai, existe daqui a quarto de légua.
12:41Vai, lá tua armoça e janta.
12:45De noite, se o meu marido não tiver abortado, eu te chamo dando aviso.
12:52Você acende uma fogueira lá naquele arto.
12:56Ou enxergo, cá venho.
13:08Aqui não posso.
13:10Alguém mais avistando havia de poder desconfiar.
13:13Mesmo assim eu quero.
13:16Uma fogueira.
13:18Uma fogueirinha de nada.
13:24Quem sabe o aceno.
13:27Não, não, não.
13:51Não, não.
13:56Não, não.
13:57Daqui em que ele foi ajudar a sr. Aloysio e a Larico, dito os irmãos Totonho.
14:01Deixa a ter notícia?
14:03Dive não.
14:06Em coração e devoção, eu fecho com o Jó Carramiro.
14:09Quer que o senhor me aconselhe?
14:14É.
14:17Eu aconselho que o senhor vá-se embora.
14:23Aqui me asma uma leite da braba.
14:26Fala isso não.
14:27Que atrapalhação.
14:31Eu vim até pensando em requerer um lugar pra armar a minha rede debaixo de uma sombra carqué.
14:38Não ando bem de saúde.
14:40Ah, pois.
14:41Se o senhor tem precisão de saúde, lá dentro eu tenho um quarto com Gerardo e enxergão.
15:23A CIDADE NO BRASIL
15:28O que é isso?
15:55Foi nada não. Chegaram uns homens aí querendo plasear pro senhor.
16:01Eu já falei da minha salva.
16:02Eles querem.
16:22Já relatei pro senhor Tropeiro nossa conversa.
16:27Ah...
16:28E o arreiro, dono da tropa, tem muita indagação por fazer.
16:33O Tropeiro não sempre pergunta demais.
16:40O qual quero dizer é que o segredo contado não é pra todos.
16:43Se o senhor tá em arma por Joca Ramiro, por que não foi pro Norte aos Ramiro se juntar?
16:56O que que tá acontecendo, seu tampaço?
17:02Tô querendo saber adonde esse moço vai além.
17:06Sim.
17:08Se a Ramiro, como diz, tá muito longe do rumo.
17:32Ah, pois.
17:34A fiança é o valimento. Conheço.
17:37Dá, Val?
17:40Dou.
17:41Não é admitido.
17:44É Eobar, amigo meu.
18:24Ah, pois, que você responde por ele?
18:28Responde e fecha.
18:33Nem nós, tropeiros, não somos.
18:37João Vaqueiro, Renato.
18:41E lá fora, Laripe, Lacral e Admir.
18:45Gente leal de Oca Ramiro.
18:47E eu sou de tão passo na chefia dessa parte da tropa mais escasseada.
18:52E o Gerardo da tropa?
18:54Ah, pois tamo no rumo de lá. E se você escolher de ir, vai vir.
18:58Se eu escolher?
19:00Ah, é só tomar decisões, é não se toma para você.
19:06Tomei do meu acordo.
19:08Tamo levando munição de conde réis.
19:10Sou molinácio ao guardador.
19:12E mais um homem em arma vai ser de grande ajuda.
19:17Daqui vão atravessar o rio.
19:19Você já tem seu decidido?
19:25Tenho, sim.
19:26Se vocês, Ramiro, me aceitam, fico que não.
19:30Vou com vocês.
19:31Cerro?
19:46Cerro?
19:49Cerro!
20:05A gente vai levar a arma pro lado de lá do rio, onde está o oculto.
20:10Leva a primeira reinada e leva o que quiser.
20:13Então, vaqueiro, dá uma de mão ali. Admeta, você toma conta dos cavalos.
20:19Que? Vamos?
20:24Presta atenção que tudo tem que ser feito com muita ordem acobertada.
20:29E a andada da noite tem que ser feita sobre argudão.
20:34Todo mundo atento, se protegendo. Se protegendo.
20:37Vamos embora, gente. Vamos embora.
20:41E o Bardo, o Reynardo, dá um paro na nós dois.
21:07Vamos embora, gente.
21:08Tá vendo, Guilherme?
21:09Tá vendo?
21:11Bem-vindo, seus tampas. Nosso chefe, em nome de Deus.
21:15Com a graça de Deus e em nome de Joca Ramiro.
21:18Pode descarregar, mano, Pedro.
21:20O senhor, seus tampas, conforme as suas ordens.
21:23Descarregando.
21:25Descarregando.
21:25P minding no
21:46Terminando, vamos dormir o dia.
21:48Más três, tende sobrificado e vigilar a sala.
21:51Renato.
21:53Gil Bardo.
21:54João Vaqueiro.
21:56Os três, na ronda.
21:59Olho aberto e orelha em pé.
22:01Zé Bebelo só faz barulho quando puxa o gatilho.
22:22Passarinho não sabe dessa guerra.
22:25E vocês já estão sabendo?
22:27Se algum levantou voo por causa de suspeitar de ver soldado rastreando.
22:35Se é maior de voar, isso não é susto não.
22:38Isso é variação deles.
22:41Qual que será o passarinho mais bonito?
22:44Pato verde?
22:46Matinho pescador?
22:48Negrião?
22:49Focar é que não sei.
22:51Ué?
22:52Gosta não?
22:54Passarinho ria acima e abaixo.
22:58Caçar despingarda é igual assim.
23:00E de apreciar?
23:04Poxa, eu até nunca pensei nisso não.
23:08Ficar vendo a vida lá deles.
23:11Começar e descomeçar os voos só por gosto.
23:15Do outro covê ser isso.
23:18Podia até ser um homem forte, brabo, de arma, de alguns que nem você.
23:24Eu não entendia.
23:25Ei, Berê, oxe.
23:27Ela tá pensando é frouxo.
23:30Um quimpu e não cuia.
23:32Tá pensando assim?
23:41Pra mim, o passarinho mais bonito se chama Manézinho da Cruz.
23:45Lá não...
24:02Passa barba senhor.
24:06Corra o cabelo também.
24:07Vem!
24:08Vá passar barba aqui.
24:09Vem, bora!
24:29Aí!
24:31Vamos!
24:32Aí!
24:33Te faço oferta.
24:37Onde é que você vai guardar as coisas suas?
24:40Tem mais de uma.
24:42Tá?
24:45Depois pra arrematar, tá?
24:47Vai lavar o corpo comigo.
24:50Tá certo.
24:52É só o tempo de limpar isso tudo aqui
24:54e não há um tamo no rio.
25:00Ei, Trembão!
25:02Reynardo!
25:04Ei, Reynardo!
25:07Você lembra quando eu não sabia nadar?
25:10Nem você também sabia.
25:13Ó então!
25:15Vamos ver quem aprendeu primeiro.
25:17Reynardo!
25:18Ei, Reynardo!
25:24Reynardo!
25:26Reynardo mandou isso.
25:28Ué!
25:30Por que que ele não veio aqui também?
25:33Reynardo soltar uma banha sozinho,
25:35romper do sol.
25:37Ah, e por quê?
25:40Com a acostumação.
25:42Vamos!
25:49Ixi!
25:51Não é esquisito!
25:58Seve muito bem que,
26:23Que perfume de cheiro é isso?
26:26É você que está recendendo a sabofina, João Vaqueiro.
26:30Quem sou eu pra cheiro?
26:32É o moço viobardo que vem se enfeitar.
26:36Eu mesmo? Por quê?
26:39É incômodo pra algum?
26:51Gandaiação. Eu entendo que estou gostando.
26:54Mas eu pensei que fosse só seu Reinardo que gostasse de tão bom cheiro.
27:15Bravo, seu moço.
27:19O Demo quer me dar duas caras.
27:23Então espia o Demo com o olho fechado e o outro aberto.
27:28O melhor é nem olhar pra cara dele.
27:51O que é isso?
27:54Exorciso te, imudíssimo espírito,
27:59homens sem curso adversari,
28:02homens fantasmas, homens sléssio,
28:06in homens domens nostri,
28:07Jesucristo eraricari.
28:59O que é isso?
29:01Caçando o quê, seu Riobardo?
29:04Caçando nada, não.
29:08O sono é que me foi embora.
29:11É.
29:11Já clareou?
29:15Ah, pois o Reinardo também estava com sono, não.
29:18Foi na pouquinho lá pro oco.
29:21Será?
29:23Será que ele foi tomar banho uma hora dessa?
29:26Reinardo é cabojo.
29:28É o quê?
29:30Corpo fechado.
29:33Os cabojus têm que proceder assim.
29:35Eu vou tirar esse pot, não.
29:40É.
29:41É.
29:42É.
29:42Amém.
30:24Ebenardo!
30:30Ebenardo!
30:56Reynardo!
31:01Seu Bargo, deixa a roupa aí e desafasta a hora.
31:07Que foi, seu Largo?
31:08Você tá trazendo perigo pro Reynardo.
31:11O Largo?
31:12Seu corpo fechado for visto por outro, uma vez que seja, tá disso feito quebrando.
31:21Então vambora.
31:23Cabo junto só vê se os outros perigos se escapar desse.
31:28Poxa, não sabia que é um encanto tão fácil de perder.
31:33Vambora.
32:01O Ser Estreito se informou que por lá no Jequitaí pode ter tropa de soldado.
32:08Minha ideia é atravessar o rio esta noite, vencer a Serra da Onça e entestar com o Jequitaí.
32:15Quanto mais cedo munição chegar no acampamento, melhor.
32:20Pode ter quem fecha e quem diverge.
32:23Tô escutando.
32:24Sou tão fácil. Não respeito suas ordens.
32:27Se perigo tem.
32:29Não será mais avisado mandar um só e ver bem visto, em vez de todos?
32:37Bom conselho.
32:38Bom conselho.
32:40A munição é urgente, mas vale mais que ouro, mais que sangue.
32:45Sr. Fried, vai espiar com seus olhos direitos.
32:49A gente espera um pouco mais.
32:50Sim, senhor.
33:02Ei, roubado. Acho bom você saber.
33:05Combate é no ferro e no fogo.
33:07Muitas vezes a luta acaba é na arma branca.
33:10Tende a aprender a lidar com a Khan?
33:13O inimigo está na sua frente.
33:22leurs bravações estămem lá мыш妹.
33:36Não há sorteio.
33:39Tende a peraça.
33:44Entendi tem bandas?
33:46Tende que me deixe de fazer quando a
33:46Cê?
33:46Cê, cê que ai caru shocking?
33:57Sobrou nenhum.
33:58Errei, errei.
33:59Quero estar do seu lado quando a luta for no ferro.
34:02Ah, pois.
34:04Vamos estar lado a lado, é no ferro e no fogo.
34:06Vem, abate!
34:06Eixa!
34:09Amigo?
34:11Amigo.
34:13De destino, Fier.
34:16Morro e vivo sendo amigo seu.
34:42Seu irmão é chefe das tropas, quer conhecer você.
34:45Onde é que está ele?
34:47Ah, quando chegar a hora ele chama.
34:50Agora ele foi raciar a Zé Bebelo aqui por perto.
34:59Para Galdeira?
35:01Galdeira.
35:02E aqui para o Florento?
35:05Isso é comigo?
35:07De Aluim.
35:08E é?
35:11Você tem...
35:14Você terá algo com minha irmã?
35:18Aham.
35:19Por quê?
35:21Você tem...
35:49A CIDADE NO BRASIL
35:54Amém.
36:22Amém.
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