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  • há 10 horas
Ismaelino Pinto entrevista o repórter/jornalista Carlos Brito do 'È do Pará', na TV Liberal.

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Transcrição
00:04Olá, está no ar o Manguerosamente. Hoje a gente recebe um cara super especial.
00:11Há cinco temporadas nós estamos aqui neste videocast chamado Manguerosamente
00:15para conversar com pessoas que são a cara de Belém e que contam histórias de Belém.
00:20Esse cara é sensacional, repórter, jornalista dos bons e faz um dos programas mais deliciosos,
00:28mais interessantes, que, por sinal, é a nossa cara, que é o É do Pará.
00:34Estou falando aqui com o Carlos Brito. Tudo bem, Carlos?
00:37Tudo ótimo, tudo excelente, tudo maravilhoso.
00:40Acho que a palavra que me resume hoje é gratidão.
00:42É gratidão por saúde, por ter colegas de trabalho queridíssimos.
00:47Sou teu fã e para mim é uma honra estar aqui.
00:50Cara, é o seguinte, também eu sou teu fã.
00:52E aí tu tens uma coisa que é ótima.
00:55Estávamos conversando agora que eu lembro de você lá na redação,
00:59lembro de ti lá na redação do Liberal, lá na televisão,
01:02anos 2011, 2010, é isso?
01:05E fala do teu começo, assim, como foi começar?
01:08Tu foste estudante de jornalismo, tu entraste...
01:11Conta para a gente um pouco da tua história.
01:14Eu sou nascido e criado na periferia,
01:16na época, quando eu morava em Deraponte,
01:19ali nas margens do Tucunduba, no bairro do Marco.
01:22E, assim, TV era algo muito distante da minha realidade, né?
01:25Quando eu vi os colegas de TV, eu achava aquilo sensacional.
01:27Era como se fossem astronautas.
01:29Sabe?
01:29Quando tu vê um super-herói, assim,
01:31tu, meu Deus, um repórter de TV, um repórter, olha que bacana.
01:35E assim...
01:35Meio que artista também, né?
01:36Isso, exatamente.
01:37E era algo, para mim, inacessível, inalcançável, né?
01:40Só que aí eu os via na TV e via lá na baixada,
01:43sempre descendo para fazer reportagens relacionadas à periferia,
01:46falta de saneamento, violência,
01:48que é uma coisa que, infelizmente, é muito presente.
01:51E, assim, eu sempre gostei de ler, né?
01:53Gostei de ler e escrever.
01:55Tudo eu escrevia, qualquer dor, qualquer sentimento,
01:58eu pegava uma caneta e escrevia.
01:59Uma espécie de diário.
02:01Exatamente.
02:02Era como se fossem realmente poesias,
02:03de todo tipo.
02:05E eu gostava muito de ler jornal, assistir.
02:07Sempre tive uma leitura, assim, crítica das coisas, sabe?
02:10De buscar justiça social, enfim.
02:13E aí isso foi me encontrando dentro do jornalismo.
02:15Na verdade, eu vi que era comunicação social,
02:18não podia fugir dali.
02:19Inclusive, hoje, colegas que, naquela época,
02:22foram fazer reportagens lá, eu falo para eles,
02:24olha, eu te vi lá na ponte, uma época dessa,
02:25eles falam, olha, fala baixo, que não é assim,
02:27tu vai me entregar a idade.
02:29E aí já queria ser jornalista e foi atrás.
02:31Então, é, eu estava meio que indeciso, né?
02:35Até o ensino médio eu estava indeciso.
02:36Eu sabia que eu gostava muito de escrever,
02:38mas TV também nunca foi o meu sonho, sabia?
02:41Eu gostava de me comunicar através das palavras.
02:43Eu era o cara que escrevia.
02:45TV, nunca imaginei.
02:46Porque, normalmente, quando as pessoas entram,
02:48estudante de jornalismo entra, né?
02:5090% tem uma grande vontade de trabalhar com TV, né?
02:54Na televisão, na verdade, parece ali uma coisa
02:56que você vai alcançar, meio que você está no topo
02:59e é pura ilusão, na verdade.
03:00Exatamente.
03:01E aí não era esse, não era.
03:03Eu comecei em rádios comunitárias.
03:06Eu trabalhei também em assessoria de imprensa.
03:09Eu trabalhei como...
03:10Isso como estudante da universidade.
03:12Isso como estudante.
03:13Eu fazia, sabe o quê?
03:14Estágio voluntário.
03:15Nem precisavam me pagar.
03:16Eu já me oferecia no estágio voluntário
03:18para adquirir experiência, sabe?
03:20E fazia de tudo um pouco.
03:22Vai, não, grava.
03:23Ia na radicultura na época.
03:25Na época do seu Hamilton Pinheiro.
03:26Saudoso Hamilton Pinheiro.
03:27O pessoal lá.
03:28Aprendi muito com eles, inclusive.
03:30Comecei em rádio.
03:31Oficialmente ali, estagiário mesmo em rádio.
03:33Depois que veio TV.
03:35Foi um processo, assim,
03:37para eu ir para a TV Liberal.
03:38Comecei como estudante.
03:39Não tinha passado no primeiro ano
03:40do programa de estágio que tinha lá.
03:44Não tinha passado.
03:45Aí não desisti, fui para o segundo ano, passei.
03:48Estagiário da TV Liberal.
03:49Nossa, para mim era...
03:50Agora, tu sabes que também essa coisa
03:51de escolher a profissão,
03:53chegar naquela época,
03:53a gente tem que escolher a faculdade
03:55que vai fazer o curso superior
03:56e garantir uma vida relativamente tranquila
04:00para o que vai acontecer.
04:03Você não pensou nisso, assim,
04:05porque vejo que é um embate das pessoas.
04:07Dizem, bom, eu vou escolher profissões
04:09que deem dinheiro, tipo...
04:10Exatamente.
04:12Essa profissão aqui, esse curso aqui,
04:14talvez faça com que eu tenha mais facilidade
04:17de ter uma melhora financeira, não sei o quê.
04:19Isso passou na tua cabeça?
04:20Com certeza.
04:21Eu sou filho de uma mulher que trabalhou
04:23durante muitos anos como empregada doméstica
04:25e de um pintor.
04:27E aí, diante daquelas condições
04:29que a gente vivia e o caramba...
04:31A saída é a educação,
04:33não tem outro jeito.
04:34Quem mora na periferia,
04:36quem tem uma situação assim...
04:37Você morava onde?
04:38Morava na passagem Maria Guiar,
04:40que fica em...
04:40No bairro do?
04:41No bairro do Marco.
04:41Bairro do Marco.
04:42Pertinho ali do Cunduba mesmo.
04:44Hoje está bem diferente.
04:45Naquela época era ponte.
04:46A macroordenagem já chegou.
04:48Chegou.
04:48É um projeto, aliás, sensacional.
04:51Era um sonho, que hoje é realidade ali.
04:53Para quem vive na periferia,
04:54sabe o que é, como era e como é.
04:56Então, assim,
04:58a gente tem noção
04:59de que o caminho para sair
05:01daquela situação é a educação.
05:02Não tem outra.
05:03É a educação.
05:05Minha mãe sempre investiu, né?
05:06Fazia de tudo.
05:07Olha, isso aqui é educação.
05:08Estuda, estuda.
05:09Não te mete com isso.
05:10Isso aqui é errado.
05:11Isso aqui é certo.
05:13E aí eu vi,
05:14por meio das minhas leituras,
05:16dos meus manuscritos lá,
05:18que era aquela saída.
05:19Eu fiz o ProUni, né?
05:21Passei na redação,
05:22tirei uma pontuação assim
05:23que eu poderia escolher entre...
05:25Olha só,
05:25é comunicação social,
05:27jornalismo,
05:28odontologia.
05:29E a outra,
05:30eu acho que era nutrição,
05:31totalmente diferente.
05:32Aí eu, cara,
05:33eu vou aqui em jornalismo.
05:35Só que foi o meu coração, né?
05:36Que falou mais alto
05:37aquilo que eu gostava de fazer.
05:38Eu nunca gostei
05:39de lugar fechado.
05:41Estúdio.
05:42Nunca gostei, assim,
05:43de, por exemplo,
05:44ficar,
05:45entender que eu ia passar
05:46anos e anos
05:46em lugar fechado.
05:48Eu sempre gostei da rua.
05:49Rua, rua,
05:50vento na cara,
05:51pessoas.
05:51Aí você entrou nessa época
05:53que você estagiária ali,
05:54você, ali você,
05:56eu lembro que você foi
05:57para a reportagem, né?
05:57Isso.
05:58Começou na reportagem.
05:58Era o seguinte,
05:59na TV liberal,
06:01eu gostava muito
06:02de escrever,
06:03a gente roteirizava, né?
06:04Fazia as pautas,
06:05os palteiros na época, né?
06:07Os palteiros,
06:07tinha os palteiros.
06:08Marcar e tal.
06:09Só que eu gostava também
06:10de ir para a rua.
06:11Eu tinha uma proatividade
06:12de ir pegar a camerazinha
06:14e entrar, por exemplo,
06:15em PSM,
06:16me passando por paciente,
06:18mas eu ia lá
06:19para denunciar
06:19que estava super lotado,
06:22entendeu?
06:22Para mostrar várias situações,
06:24é de tudo que tu imagina.
06:25Então, eu pegava a câmera,
06:27falava com os meus chefes,
06:28posso?
06:29Aí eles me olhavam assim
06:30com uma carência,
06:31daí é doido.
06:32Vai, vai.
06:32Agora, eu captava
06:34muitas coisas assim,
06:36principalmente relacionadas
06:36a lugares que as pessoas,
06:39repórter não tem acesso,
06:40como eu não era da TV, né?
06:42Era um trabalho
06:42meio que investigativo, sabe?
06:44Uma camerazinha na mão
06:45fazia um estrago.
06:46Então, a gente denunciou
06:47muitas coisas assim.
06:48Eu lembro, na época,
06:49venda de...
06:50Tudo que tu imagina,
06:51por exemplo,
06:52feira de produtos roubados,
06:56drogas,
06:57a situação alarmante
06:59do caos na saúde,
07:00enfim,
07:00muitas, muitas situações.
07:01Isso eu ainda era...
07:03Já estava saindo
07:04de estagiário para produtor.
07:06Foi um processo muito rápido,
07:07acho que deu uns seis meses,
07:08assim,
07:09de estagiário para produtor.
07:11E aí foi um processo
07:12de aprendizado, né?
07:13Eles me...
07:14Durante um tempo,
07:15eles perguntaram,
07:16Brito, tu queres ir para...
07:19a reportagem,
07:20aí eu falei, não,
07:20eu tremia na base,
07:22não, não quero,
07:22não é o meu momento.
07:23Eu sentia, sabe,
07:24o meu coração?
07:25Não.
07:25Tanto que eu demorei
07:26uns quatro, cinco anos
07:27para ir para a reportagem.
07:28Eu estava lá dentro.
07:29É muito bacana,
07:30porque o profissional
07:31de dentro da casa,
07:32ele tem essa oportunidade, né?
07:33Mas aí eu não queria,
07:34morria de medo,
07:35vergonha.
07:35Não me via ainda
07:36como repórter.
07:38Foi todo um processo
07:39de amadurecimento,
07:40até que eu fui
07:42para a frente da TV,
07:43me tremendo.
07:43para a rua e outra coisa,
07:44tu tens também uma...
07:46Bom,
07:47essa tua experiência pessoal,
07:48esse trabalho pessoal
07:49aí de formiga
07:50acabou acontecendo
07:51que tu já entraste
07:52e tu ganhaste
07:53uma visibilidade
07:54pela qualidade,
07:55pela excelência
07:55do teu trabalho.
07:56Isso é ótimo, né?
07:58É,
07:58o que era nos passados,
08:00e assim,
08:01o que a gente foi
08:01quebrando aos poucos,
08:02é...
08:03da gente sair
08:04daquela linha dura,
08:06daquele padrãozão,
08:07né?
08:07Que a gente sempre
08:08foi acostumado,
08:09de tentar humanizar
08:10o máximo possível
08:11se aproximar
08:12cada vez mais
08:13das pessoas,
08:13olhar nos olhos,
08:15né?
08:15Valorizar as expressões,
08:16as falas.
08:17E eu sempre fui muito assim,
08:18sabe?
08:19De pegar, abraçar.
08:20Se eu estou numa feira,
08:21por que não pegar aqui
08:21na fruta,
08:23no tomate,
08:25cheirar e, sabe?
08:26Comer uma farinha.
08:27Fazer uma certa realidade.
08:28Sem ser caricato.
08:30A gente está sendo filmada, né?
08:31Sem ser caricato, sabe?
08:32Sem querer ser o protagonista,
08:34porque nós somos
08:35apenas os interlocutores,
08:37a ferramenta,
08:37a ponte, né?
08:38Nós somos a ponte.
08:39Quem está ali,
08:40o nosso entrevistado,
08:41para quem a gente aponta
08:42o microfone é essa,
08:43a pessoa que é o protagonista.
08:44Lembrando,
08:45uma pessoa que é um jornalista
08:46que durante muitos anos
08:47trabalhou aqui no Liberal,
08:50o Edson Salami,
08:51figura importantíssima
08:52para o jornalismo paraense,
08:55figura importante
08:55para o jornalismo
08:56dentro aqui do Grupo Liberal,
08:58ele falava uma coisa,
08:59quando eu entrei aqui
09:00para ser colunista,
09:01ele me disse uma coisa,
09:02mas ele me lembra
09:02o seguinte,
09:03jornalista não é notícia,
09:05nós não somos a notícia.
09:07Perfeito.
09:07Na verdade,
09:08a gente é um vetor
09:09para levar aquilo,
09:10quer dizer,
09:10essa coisa então
09:11de ter uma preocupação
09:13que tu falaste,
09:13de tu não seres
09:14o protagonista.
09:15O protagonista,
09:16na verdade,
09:16é notícia
09:17daquilo que tu está dando,
09:18mas isso é legal,
09:19isso é o caminho certo,
09:21que tu foste
09:21no rumo certo.
09:23E assim,
09:24quando a gente se aproxima
09:25das pessoas,
09:26as coisas fluem,
09:26a informação que ela passa
09:28flui com mais naturalidade,
09:32flui com mais sensibilidade,
09:33se for para ela chorar,
09:34ela vai chorar.
09:35Estou olhando nos olhos dela,
09:36perguntando se ela está bem,
09:38como é que...
09:38É,
09:39tendo empatia,
09:40eu carrego muito
09:40essa palavra empatia,
09:42ser humano,
09:44afinal de contas,
09:44a gente faz o curso
09:45de comunicação social,
09:46então,
09:47se a gente faz um curso desses,
09:49com várias teorias,
09:51se distanciar da outra pessoa
09:52que está do outro lado,
09:54a gente não está
09:55se comunicando com ninguém,
09:56se a gente se distanciar,
09:57colocar um muro,
09:58não,
09:58a gente tem que quebrar isso.
10:00Como é que está?
10:01Como é que você está?
10:02O que é que você está sentindo?
10:03Sabe?
10:04E eu sempre criei
10:05uma conexão muito forte
10:06com os meus entrevistados,
10:07assim,
10:08acho que isso me ajudou muito.
10:09E aí,
10:09você tivesse um hiato,
10:11né?
10:11Foi o momento que você passasse
10:12a ser um repórter de rede,
10:15né?
10:15Olha só,
10:16você já ali,
10:17já teve um...
10:18Como é que foi
10:19essa tua experiência?
10:20Eu tive a experiência
10:21de produção de rede,
10:23para quem não entende,
10:23rede em TV,
10:25é um núcleo específico
10:27para reportagens
10:28que são exibidas
10:29em rede nacional.
10:30Isso.
10:30Então,
10:31eu tive uma experiência,
10:31aprendi muito,
10:32tá?
10:33Com os colegas
10:33do núcleo de rede
10:34da TV Liberal,
10:36trabalhei com dois grandes jornalistas,
10:38que foi o Fabiano Vilela,
10:40que hoje está em outra praça,
10:42BH.
10:43Trabalhei também com o Roberto Paiva.
10:44Eu era,
10:45na época,
10:46um,
10:47dois produtores.
10:48Nós,
10:48é uma equipe de produtores,
10:50né?
10:50Manhã,
10:50tarde e noite.
10:51Então,
10:52eu também trabalhava na produção
10:53e aprendi muito
10:54por trás das câmeras,
10:55vendo tudo,
10:56o valor notícia,
10:57o que é notícia,
10:58quais são as palavras.
11:00Aprendi muito.
11:01Nossa,
11:01foi uma escola e tanto.
11:02E aí,
11:02depois,
11:03eu fui,
11:03eu recebi um convite,
11:06né?
11:06De uma outra emissora
11:07para trabalhar como repórter de rede.
11:09E assim,
11:10cara,
11:10foi fantástico.
11:11Como eu te falei,
11:12mais uma vez,
11:12a palavra é gratidão,
11:14sabe?
11:14Reconhecer as pessoas
11:15que estavam ali,
11:16que me ensinaram,
11:17que se dispuseram.
11:18Pois é,
11:18mas ali você também
11:19já alcança essa coisa
11:20de ter uma visibilidade
11:23incrível, né?
11:23nacional, né?
11:24Quando você começa a fazer,
11:26inclusive dentro da TV liberal,
11:28mesmo como repórter daqui,
11:30da casa,
11:30da praça,
11:31que a gente fala,
11:32eu consegui emplacar,
11:33nós conseguimos emplacar,
11:35a equipe conseguiu emplacar
11:36reportagens em rede nacional.
11:37Por exemplo,
11:39uma viagem inesquecível
11:40que a gente fez
11:40para Marabá,
11:41nós passamos 15 dias
11:42para mostrar
11:43uma situação triste
11:44que foi o nível
11:45do Rio Tocantins
11:46subiu,
11:47cara,
11:48eu acho que quase 20 metros,
11:49já pensou?
11:50e aquilo ali rendeu
11:52o Jornal Nacional fantástico.
11:53Os alagamentos anuais
11:54de Marabá.
11:54E ele tem o alagamento
11:56e nesse tempo
11:57ele teve o alagamento,
11:59cara,
12:00é fantástico,
12:00assim,
12:01para a gente um aprendizado.
12:02Na época da pandemia
12:03ainda tinha que estar
12:03de máscara,
12:05nós passamos 15 dias
12:07emplacamos
12:08Jornal Nacional,
12:09Jornal Hoje,
12:10todos os jornais,
12:11fantástico.
12:12E, assim,
12:12graças ao trabalho
12:13de uma equipe
12:15formidável,
12:15formidável,
12:16sou muito grato,
12:16inclusive,
12:17aos meus colegas,
12:18assim,
12:18e é interessante
12:19que o Brasil
12:20passa a nos ver
12:22pela nossa fala,
12:24pela nossa identidade visual,
12:26pelo paraense,
12:27pela lata do paraense,
12:29e é o mais,
12:30o três,
12:31o cuscuz,
12:32né?
12:32E é muito bacana isso,
12:34eu me senti muito
12:36honrado,
12:36inclusive,
12:37em fazer parte
12:38dessas transições.
12:38Pois é,
12:38mas acho que isso,
12:39inclusive,
12:40é uma coisa muito positiva
12:42no teu trabalho,
12:43porque tu trouxeste,
12:44né,
12:45nós,
12:46trouxeste
12:46essa nossa cara,
12:48esses nossos esses,
12:50esse nosso jeito de falar,
12:51tu trouxeste isso
12:52para o teu trabalho,
12:54que é natural teu,
12:55claro,
12:56mas trouxeste isso
12:57para a gente,
12:57né,
12:57e em nenhum momento
12:58eu estou pensando,
12:59não,
12:59sou o Carlos Bito,
13:00sou desse jeito,
13:00eu vou colocar assim,
13:01né,
13:02deu esse reconhecimento
13:03todo.
13:04Com certeza,
13:04existia,
13:05inclusive,
13:06eu cheguei a ouvir,
13:07tá,
13:08que,
13:08ah,
13:08existe um padrão
13:09para te falar na rede,
13:11para te,
13:11mas que padrão,
13:12que Brasil é esse,
13:14que segue um padrão de fala,
13:16que nós somos vários brasistes,
13:18né,
13:18existe o Brasil de lá,
13:20que fala o mais,
13:21e o Brasil daqui que fala mais,
13:22e por aí vai,
13:23o Galinha e o Galinha.
13:24Eu acho que essa uniformização
13:26já até acabou,
13:27porque realmente eu lembro,
13:28que isso há muitos anos atrás,
13:29tinha uma regra,
13:30de uma forma de falar,
13:31primeiro,
13:32você tira o teu sotaque,
13:33né,
13:33que o teu sotaque não é bem-vindo,
13:35né,
13:36mas agora não,
13:36você vê que regionalizou,
13:39e nacionalizou ao mesmo tempo,
13:40né,
13:40porque você já vê o Nordeste falando,
13:42o Nordeste,
13:43exatamente,
13:44o Nordista falando desse jeito,
13:47enfim,
13:47eu acho isso é fantástico,
13:48né,
13:49então os pegaste isso,
13:50com certeza,
13:52com certeza,
13:53eu acho que é valorizar o que é nosso,
13:54né,
13:54o que nós somos,
13:55não adianta você se,
13:59você passar o que você não é,
14:00as pessoas daqui falam assim,
14:02mas aqui,
14:03né,
14:04recentemente o Teatro da Paz conquistou,
14:06né,
14:08o tombamento ali,
14:09patrimônio mundial,
14:10e aí eu lembro que a gente entrou em rede nacional
14:13para o programa da Globo Encontro,
14:14e aí eles,
14:15e aí Carlos,
14:16como é que está o povo?
14:17Aí eu disse,
14:17olha,
14:17como a gente fala aqui no Paraégua,
14:19dá notícia boa,
14:20então já foi sem forçar,
14:23sabe,
14:23a gente fala égua daqui para ali,
14:24é a mesma coisa que se a gente fala mano,
14:26é égua,
14:27então acho que é muito nosso,
14:28e a gente colocar isso para o Brasil,
14:30para o Brasil entender,
14:31pensar,
14:32refletir,
14:32que não é só o Eixo Rio-São Paulo,
14:34é muito bom,
14:35é muito bom.
14:36E aí de repente tu chega num programa
14:38que eu acho que o programa,
14:39É do Pará,
14:40é um programa certo,
14:42e lá tem a pessoa certa que é você,
14:45né,
14:45ali você consegue fazer tudo,
14:48né.
14:49Incrível,
14:49olha,
14:50eu estou aprendendo muito no É do Pará,
14:52é o seguinte,
14:53para o pessoal entender,
14:53existe o jornalismo,
14:55que é esse padrão mais sério,
14:58mais conservador,
14:59mais linhadura,
15:00que a gente fala de,
15:01enfim,
15:01notícias relacionadas à economia,
15:03política,
15:04cidades,
15:04polícia,
15:05meio ambiente,
15:06linhadura ali,
15:07hard news,
15:08o diário factual que a gente fala,
15:10né,
15:10e tem o entretenimento,
15:12né,
15:13que é totalmente diferente,
15:15né,
15:15cultura,
15:16arte,
15:16vivências,
15:17experiências,
15:19cores,
15:20simbolismos,
15:20sabores,
15:22e assim,
15:22eu fui desafiado,
15:23porque realmente eu nunca tinha trabalhado com entretenimento,
15:26fui desafiado,
15:28Carlos,
15:29temos uma proposta para você,
15:32entretenimento,
15:33aí,
15:33meu Deus,
15:34que entretenimento,
15:35eu nunca,
15:36eu imaginava uma outra coisa,
15:37né,
15:37eu disse,
15:38mas eu não sou do entretenimento,
15:39eu sou um cara,
15:39inclusive,
15:40sério,
15:40assim,
15:40eu sou muito tímido,
15:42como é que eu vou me jogar de uma forma,
15:44aí,
15:45não,
15:45a gente quer que você seja você,
15:49antes de tudo,
15:50o meu chefe me perguntou,
15:51tu és de onde?
15:51Tu viesse de onde?
15:52Qual é a tua relação com o interior?
15:54Então,
15:54eu sou filho de Bragantino,
15:56meu pai é Bragantino,
15:58né,
15:58meu pai é filho de pescador,
15:59Bragantino,
16:00eu vivia no interior,
16:01e minha mãe é do Maranhão,
16:02de uma comunidade quilombola,
16:04do Maranhão,
16:04minha mãe é lá do Maranhão,
16:06e eu sempre vivi no interior,
16:08eu sempre tive essa relação,
16:09jambeiro,
16:09assaí,
16:10isso daí que a gente mostra no programa hoje,
16:12é como se eu fizesse um recorte,
16:14tem umas coisas básicas,
16:15que só,
16:16tudo,
16:17eu vivi,
16:18eu senti,
16:18mas tu passas isso,
16:20na tua,
16:20no teu trabalho,
16:22tanto lá na Baixada,
16:23quanto no interior,
16:24minha avó vivia me levando,
16:25eu tomava banho de água de poço no interior,
16:27casa de farinha em Bragança,
16:29né,
16:29subia em jambeiro,
16:30pé de biribá,
16:32então é como se fosse um recorte da minha infância,
16:33assaizeira de viver no clássico,
16:35né,
16:36outro dia entrei ao vivo com a Patrícia Poeta,
16:38para subir no assaizeira,
16:39eu fiquei,
16:39meu Deus,
16:39como é que eu fui capaz de fazer isso,
16:41carai,
16:42e assim,
16:42cada coisa,
16:43eu estou aprendendo muito,
16:45é um recorte o programa do Carlos,
16:47da infância e da adolescência do Carlos Brito,
16:49eu,
16:49é um,
16:50tu te reconhece,
16:51me reconheço,
16:52eu me reconheço lá atrás,
16:53é como se eu olhasse para trás,
16:55olha só,
16:56eu era realmente esse moleque corajoso de me jogar no rio,
16:58de dar mortal,
16:59de subir em assaizeiro,
17:00minha avó pedia,
17:01minha avó não tinha máquina de assaizeiro,
17:03de bater açaí,
17:04ela,
17:04meu filho,
17:04eu preciso que tu pegues lá,
17:06e aí eu e meu primo,
17:06a gente pegava,
17:07e a vovó amassava ali na,
17:09naquela tigela de,
17:09tigela de barro,
17:10né,
17:11naquele,
17:11ao guidar,
17:12é,
17:12ao guidar,
17:13vai meu filho,
17:14e aí vovó,
17:15e hoje eu estou vivendo um momento assim,
17:17em que essa pessoa que sempre esteve comigo,
17:20que me ajudou nessas memórias,
17:22nessas lembranças,
17:23ela perdeu a memória,
17:24perdeu a lembrança,
17:25minha avó hoje está,
17:27foi diagnosticada com Alzheimer,
17:29né,
17:29então a pessoa que de certa forma me trouxe muito disso,
17:32dessas minhas raízes,
17:33hoje,
17:33ela não lembra,
17:35e é engraçado que hoje eu no programa,
17:38é,
17:39faço com que as pessoas lembrem do seu passado,
17:42das suas raízes,
17:43falar bom,
17:44olha isso aqui,
17:45isso já se perdeu às vezes,
17:46né,
17:46na verdade,
17:47porque a gente,
17:48o nosso olhar e a nossa vivência é urbana,
17:51né,
17:51exato,
17:51mas isso ainda existe muito no interior,
17:53né,
17:54coisas que,
17:54as pessoas quando me param,
17:55é assim,
17:56olha,
17:56minha avó,
17:57ou eu lembrava muito disso no interior,
17:59lá com a vovó,
18:00ou lá no lugar onde eu morava,
18:01em Coatipuru,
18:02em Bragança,
18:02em Marapani,
18:03não sei o que,
18:04cara,
18:04tu mostrou ali um pé de jambu,
18:06eu lembrei do quintal da vovó,
18:07não sei,
18:08outro dia tu estava jogando comida para a galinha,
18:10fazendo assim,
18:10ti,
18:13e é muito legal as pessoas falando do interior,
18:15inclusive.
18:16Tem muito isso,
18:17deve ser,
18:17deve ser muito abordado.
18:19Muito,
18:19o nosso público,
18:20ele é interessante,
18:21a gente,
18:22na rua,
18:23as pessoas dizem,
18:24posso fazer,
18:24faz um vídeo para a minha avó,
18:25que hoje é aniversário de 80 anos dela,
18:27ela te assiste,
18:28faz um vídeo para a minha mãe,
18:29faz uma foto,
18:30e eu acho muito bacana que a gente entende o público,
18:32e a gente conversa diretamente com eles,
18:35né,
18:36a gente conversa.
18:37Como é que é feita a produção do programa?
18:38Como é feita essas pautas?
18:40Porque eu lembro que,
18:40por exemplo,
18:41vocês têm uma gama de pautas,
18:43por exemplo,
18:43vocês estiveram agora recentemente
18:45no festival lá do,
18:47no,
18:47Jogos Indígenas,
18:49Jogos Indígenas,
18:50que aliás é um evento sensacional,
18:52poucas pessoas conhecem,
18:54incrível aquilo,
18:55eu já fui numa vez,
18:56numa das edições,
18:57e é incrível aquilo.
18:58Isso que tu falaste é interessante,
19:00quando a gente percebe
19:01que poucas pessoas conhecem,
19:03que pouco holofote foi colocado ali,
19:05é ali que a gente vai,
19:07entendeu?
19:08É no interior,
19:09numa característica,
19:10num costume,
19:11é ali que a gente vai,
19:12sabe?
19:13Por exemplo,
19:14isso nós fomos convidados,
19:16mas as pautas elas são pensadas
19:18com alguns meses,
19:19semanas de antecedência.
19:20Gente,
19:20e assim,
19:21pra gente quanto mais simples,
19:23não adianta,
19:24o nosso programa ele vai no simples,
19:26ele vai nas raízes,
19:27ele vai na essência,
19:28não adianta...
19:29Na memória, né?
19:29Exato,
19:30memória afetiva é a palavra.
19:31Isso.
19:32Não adianta a gente fugir muito,
19:33querer inventar roda,
19:35e cara,
19:35o paraense ele é apaixonado pelo Estado,
19:37ele ama os seus costumes,
19:40o chibé,
19:41outro dia a gente foi,
19:41eu fui aqui em Caraparu,
19:44e tem uma casa de farinha lá,
19:45aí eu já peguei um chibé,
19:46e tudo natural assim,
19:48e as mensagens rolando,
19:50e a galera,
19:50meu Deus,
19:51chibé,
19:51cara,
19:51quanto tempo,
19:52memória afetiva.
19:54Tu falaste do peão,
19:55memória afetiva,
19:56pipa,
19:57sabe?
19:57Tec, tec,
19:58tec, tec,
19:58isso que é importante,
20:00na verdade,
20:00que eu acho,
20:01que a gente te vê naquele lugar,
20:03a gente sabe que tu estás fazendo ali,
20:04tu não és um estrangeiro que chegou ali,
20:07está fazendo aquilo,
20:08sabe fazer,
20:09mas está como jornalista,
20:11vem na frente,
20:12tu, cara,
20:12não,
20:12tu trazes tudo isso,
20:14tu consegues abarcar todas essas coisas,
20:18dessa memória,
20:19da...
20:20A gente chega,
20:21não é,
20:22vou te falar,
20:22o roteiro,
20:23existe a pauta,
20:24ela é pensada,
20:26tem os produtores,
20:28inclusive,
20:29eu sou muito grato a toda a equipe,
20:30né?
20:31Repórter cinematográfico,
20:32editores,
20:33os estagiários,
20:34os produtores,
20:35enfim,
20:35toda a galera das redes sociais,
20:37sou muito grato,
20:38inclusive.
20:38E parece ser uma galera que gosta muito disso tudo,
20:40Exato,
20:41e isso que é bacana.
20:41Torce por aquilo,
20:43Cara,
20:43tu falaste,
20:43meu Deus,
20:44tu falaste a palavra certa,
20:45é muito bom quando você tem pessoas que torcem na sua equipe,
20:48que entendem que o Pará precisa ser mostrado,
20:51que vibram com o programa,
20:52que acreditam,
20:53cara,
20:53e até mesmo as pessoas,
20:54é,
20:54eu lembrei da minha,
20:55tu fizeste isso,
20:55lembrei não sei do que,
20:57e é muito bacana,
20:59paraenses apaixonados por esse estado.
21:01Quando a gente chega lá,
21:02o nosso roteiro,
21:03ele é super,
21:04a gente tem um pré-roteiro,
21:06mas assim,
21:06nada do que se fala é,
21:08tá escrito,
21:09a gente conversa,
21:10e vai deixar,
21:10a gravação vai rolando,
21:12e eu vou conversando,
21:13e deixo as pessoas,
21:14quem edita o programa é você ou não?
21:16Não,
21:16eu acompanho,
21:17eu trabalho hoje na direção,
21:19tem toda uma equipe,
21:20eu trabalho na direção,
21:20de uma equipe de direção,
21:21então eu estou desde a produção,
21:24até a gravação,
21:26até a edição,
21:27mas assim,
21:27são profissionais e profissionais,
21:29hoje,
21:29a edição do Edu Pará,
21:31é comandada por um cara chamado Júlio Baltazar,
21:34um editor,
21:35criado na periferia também,
21:36moleque do Tapanã,
21:38saca muito das músicas,
21:40então ele pega as músicas,
21:41inclusive é uma coisa muito,
21:42a trilha sonora é muito,
21:43cara,
21:44a galera vê,
21:45ouve,
21:45meu Deus,
21:46quem que comanda essa trilha,
21:47não é um senhor,
21:50é um lecote,
21:52de 30 anos,
21:54eu acho que fez 30 anos,
21:55só que a vivência musical dele é muito bacana,
21:58porque na periferia ele escutava muito,
22:00a galera do Merengue ao Passadão,
22:02ao Baile da Saudade,
22:03ao Bregoso,
22:04ao Ted Max da vida,
22:05ao Mauro Cota,
22:07e assim,
22:08ia ser muito legal,
22:09como tu mesmo falaste,
22:10são pessoas que acreditam,
22:12que se entregam no projeto,
22:14no trabalho.
22:14Que pertencem a esse universo.
22:17Pertencem.
22:17Nada mais importante do que isso.
22:19E eu acho que isso é importante,
22:20quando você tem comunicadores que entendem,
22:23que a gente está com um projeto,
22:25com conteúdo,
22:26e a gente vai falar com milhares de pessoas,
22:28e no final das contas,
22:30sempre vem um reconhecimento de uma palavra,
22:32uma pessoa que fala,
22:33eu vi,
22:34eu chorei,
22:35eu lembrei da minha mãe,
22:36eu lembrei,
22:37aí quando chega essa mensagem,
22:39é combustível,
22:40aí eu falo para ele,
22:41olha,
22:41está vendo?
22:41Eu já percebi,
22:43tem uma coisa que eu percebo em ti,
22:44quando a gente está no mesmo lugar,
22:46seja uma festa,
22:47seja um evento público e tudo mais,
22:48porque tu és o cara que tu,
22:50tu és o cara da fama,
22:51na verdade,
22:52né?
22:53Outra coisa,
22:54e tu és aquela figura,
22:55na verdade,
22:55que todo mundo sabe que pode chegar,
22:57né?
22:57Ah, sim.
22:58seja pela tua simpatia,
23:00pelo jeito que tu és,
23:01isso é legal,
23:02né?
23:02Que tipo de abordagem,
23:03assim,
23:03é mais comum?
23:06As senhoras,
23:07as mulheres,
23:08de uma determinada faixa etária,
23:09elas sempre se aproximam e dizem,
23:12e eu amo quando as senhoras,
23:14senhorinhas,
23:15meu filho,
23:16você lembrou,
23:17não,
23:17não,
23:17não,
23:18eu acho incrível isso,
23:21ali é um combustível,
23:23que não tem,
23:24eu acho que dinheiro que pague,
23:25né?
23:25As pessoas reconhecerem o teu trabalho,
23:27e eu faço questão de falar,
23:29olha,
23:29ali é um trabalho em equipe,
23:31eu sou apenas uma,
23:33uma ferramenta dessa grande engrenagem,
23:35da comunicação,
23:36e tudo mais,
23:37e eu faço questão de reconhecer,
23:38sabe,
23:38o trabalho dos meus colegas,
23:39porque eu também quero que eles se sintam prestigiados,
23:43né?
23:43Porque o Brito aparece na TV,
23:44o Brito é ali,
23:46é do Pará,
23:47mas assim,
23:47eu quero que todos se sintam valorizados e prestigiados,
23:50então sempre falo em nome da equipe,
23:51olha a equipe,
23:52normalmente o que eu posto também de bastidor,
23:54olha a equipe,
23:54olha o que a gente está fazendo,
23:55a galera não entende,
23:57muita gente não percebe o que acontece nos bastidores,
23:59né?
23:59Mas tem todo um trabalho,
24:02tu sabes como funciona,
24:04é assim,
24:04nós somos comunicadores,
24:06quem tem a sua cara,
24:08para uma câmera,
24:10tem a visibilidade,
24:11tem a visibilidade,
24:11ela tem que ter responsabilidade também,
24:13né?
24:13Muito, né?
24:14Responsabilidade no que faz,
24:16no que fala.
24:16Aliás,
24:17essa tal responsabilidade,
24:20que muita gente nem sabe o que é,
24:22muita gente nem busca,
24:23é muito esplanada,
24:25é muito visível nesse mundo digital,
24:27né?
24:27As pessoas não têm responsabilidade com o que fala,
24:31não têm responsabilidade com a palavra,
24:33da força da palavra,
24:34da força que tu vai dizer,
24:36a informação que tu estás dando,
24:38isso é muito importante.
24:39Tem uma coisa que antes,
24:41quando eu trabalhava no jornalismo,
24:42e a gente trata de notícias reais,
24:44verdadeiras,
24:45muitas das vezes ela tem um peso,
24:47né?
24:47Triste,
24:47nem tudo que a gente noticia no jornalismo
24:50é legal,
24:51é feliz,
24:52é alegre.
24:52Agora,
24:53no entretenimento,
24:54é.
24:54Então,
24:55normalmente,
24:55antes,
24:55quando eu visitava as cidades,
24:58as pessoas já entendiam,
24:59é,
24:59a TV está aqui,
25:01jornalista está aqui,
25:02então alguma coisa aconteceu de ruim,
25:04entendeu?
25:05Quando eu vou pelo Edu Pará,
25:07entretenimento,
25:07as pessoas já entendem,
25:08cara,
25:09ele vai fazer alguma coisa muito legal daqui,
25:10as pessoas recebem e olham a gente
25:12de uma forma diferente.
25:14E assim,
25:15voltando ao assunto do profissional
25:17que tem a sua imagem,
25:19eu acho que até,
25:20e tu sabes melhor do que eu,
25:22às vezes as pessoas confundem muito isso,
25:24porque tem uma bactériazinha
25:27que mexe no ego das pessoas,
25:29né?
25:29Muitos profissionais que acham
25:30que são artistas,
25:32quando na verdade não somos,
25:34somos comunicadores,
25:35não é verdade?
25:37Somos profissionais que
25:38temos que ter pés no chão,
25:41sempre,
25:41e eu acho que quando a gente
25:42tira esses dois pezinhos do chão,
25:44a gente se perde,
25:45e caminha para um abismo.
25:46É aquela história que você,
25:47o jornalista,
25:48não é a notícia,
25:49a notícia é aquilo que você vai dar,
25:50o fato é que é a notícia.
25:52A gente caminha para um abismo ali
25:53de vaidade,
25:54de coisas,
25:54então assim,
25:55eu tento me desprender ao máximo disso,
25:56como eu te falei,
25:57eu tento me conectar ao máximo,
25:58se eu vou no interior,
26:00eu não vou de sapato
26:02da última marca
26:04que foi lançada com o caminho,
26:06não,
26:06eu vou de sandália,
26:08minha camisa escrita aqui,
26:10Ribeirinho,
26:10Pará,
26:11qualquer coisa simples,
26:12e as pessoas se identificam,
26:14se aproximam,
26:15entendem,
26:15olha que bacana,
26:16sento do lado das pessoas,
26:17se ela estiver na calçada,
26:18vou sento,
26:19se estiver escorada,
26:20vou.
26:20Tem uma coisa que é bacana
26:21no programa,
26:22é que tu vais a lugares
26:23que a gente quer ir,
26:25ou que a gente planeja ir,
26:27de tudo assim que tu viste,
26:29o que mais tu achaste surpreendente
26:31nessas tuas viagens,
26:33um lugar tipo assim que é,
26:36lugares que você tem que conhecer
26:37antes de morrer,
26:38não tem uma pergunta assim como essa
26:42que faz uma enquete?
26:43Eu vou te falar,
26:44eu sou uma pessoa da água,
26:46eu sou,
26:47eu me sinto extremamente
26:53feliz quando estou perto da água,
26:56então lugares que tenho,
26:57pode ser um simples olho d'água,
26:59uma cacimba,
27:00um igarapé,
27:01um rio,
27:02eu fico muito feliz,
27:04inclusive hoje a gente estava conversando
27:05sobre isso no programa,
27:06é interessante,
27:07quando tem água,
27:08o programa parece que fica,
27:09as pessoas falam,
27:10fica mais bonito,
27:11mais leve,
27:12mais amazônico,
27:13talvez,
27:14mais amazônico,
27:15e eu adoro assim,
27:16essa nossa paisagem
27:18que a gente tem aqui pertinho,
27:19aqui em Belém,
27:20nesse núcleo não,
27:21porque a gente está no concreto,
27:22no vidro,
27:24no carro,
27:25no meio do calor,
27:26mas assim,
27:26é só a gente dar um pulinho,
27:26mas o que te surpreendeu,
27:28assim,
27:28um lugar,
27:28nossa,
27:29esse lugar realmente aqui,
27:31porque isso tem aqui,
27:32às vezes a gente vai,
27:33cachoeiras,
27:35cachoeiras,
27:35porque o rio a gente está acostumado,
27:37o igarapé a gente está acostumado,
27:38a gente mora na planície,
27:39eu sempre falo,
27:39a primeira vez que eu vi uma montanha,
27:41eu falei,
27:42cara,
27:42uma montanha,
27:43olha só uma montanha,
27:44porque a gente não está acostumado
27:45com esse tipo de visual,
27:46e tem lugares aqui no Pará
27:47que as pessoas nem acreditam,
27:49e eu acho tão bacana
27:49quando a gente mostra lugares novos,
27:51assim,
27:52cachoeira,
27:52aquelas grutas,
27:54com água transparente,
27:56então,
27:57por exemplo,
27:57ali na região de Carajás,
27:59Altamira,
28:00nem sempre são lugares acessíveis,
28:02assim,
28:03para a população,
28:04sabe?
28:04Acho que é bom mostrar
28:06que eles existem.
28:06Nossa,
28:07quando tu vê as pessoas,
28:08e eu acho legal a reação do povo
28:10quando diz assim,
28:10isso fica no Pará?
28:12Em que parte do Pará?
28:13É tão legal isso?
28:14Tu sai da bolha,
28:16Tu sai da bolha,
28:17essa que é a verdade,
28:17mostrar lugares,
28:18assim,
28:18que as pessoas ficam de boca aberta.
28:20Outro dia,
28:20eu mostrei uma lagoa azul,
28:23no Acará,
28:24e o povo,
28:24meu Deus,
28:24isso é onde?
28:26Era uma lagoa linda,
28:27assim,
28:27um azul,
28:28cara,
28:28uma cor incrível.
28:30Pois é,
28:30tem até uma certa polêmica
28:31nas redes sociais,
28:33que diz que a lagoa azul
28:34não é azul.
28:34É,
28:35a lagoa azul é azul.
28:36Aí o pessoal,
28:37não,
28:37a lagoa azul é verde,
28:38não sei o quê.
28:39Sim, sim.
28:40Mas eu acho muito interessante
28:41quando a gente,
28:42por isso que eu digo,
28:43a gente gosta de mostrar locais
28:45que não têm tanta visibilidade,
28:47que não têm tanta especulação,
28:49e a gente vai,
28:50e as pessoas se encantam,
28:51meu Deus,
28:51isso aqui na minha cidade,
28:52isso aqui no meu interior,
28:53que bacana isso aqui no Pará.
28:55Eu acho muito lindo
28:56ir quando as pessoas comentam,
28:57assim,
28:57mandam mensagens.
28:59Carlos,
28:59eu nunca conhecia,
29:00já coloquei no meu roteiro
29:01esse lugar.
29:02Muito obrigado.
29:03Nem sabia que comia isso
29:05com isso.
29:06Muito obrigado.
29:06Não,
29:07eu estou muito feliz.
29:09Olha o maior perrengue,
29:09é um super perrengue
29:11que vocês passaram.
29:12Vou te falar um perrengue.
29:13Eu tomei 5 litros
29:15e 250 ml de açaí.
29:17Eu tomei.
29:19Por quê?
29:20Como foi isso?
29:21Tá,
29:21vamos lá.
29:22Marajó,
29:22São Sebastião da Boa Vista,
29:25aqui no Pará,
29:26é cheio de terra do açaí,
29:27né?
29:27Terra do açaí,
29:28eu acho isso muito bacana.
29:30E lá tem um festival.
29:31O cara se domina ali.
29:32Eu acho legal isso.
29:33E eu digo,
29:34é a terra do açaí mesmo aqui.
29:35Claro, com certeza.
29:35terra do açaí,
29:36garapé-meri,
29:37é a baitetuba,
29:38São Sebastião.
29:39Eu acho isso muito legal,
29:40muito legal.
29:42Ano passado,
29:43o festival do açaí
29:44São Sebastião da Boa Vista.
29:46Eu fui para...
29:47Marajó, né?
29:48Marajó.
29:48Oito horas de viagem,
29:49sete horas de barco.
29:51Fui para cobrir o festival,
29:53mas não...
29:56Não estava no roteiro
29:57que eu iria participar.
29:58Beleza.
29:59O que é a brincadeira lá?
30:01Festa,
30:02cultura do pessoal,
30:03tem os bois.
30:04Olha que coisa bacana.
30:05Tem uma rivalidade lá
30:06de dois bois.
30:07E para te ver,
30:08só como o nosso pará é diverso.
30:10E a galera leva super a sério,
30:11muito bonito.
30:11Tá, beleza.
30:14Teve uma competição lá
30:15de quem toma mais açaí.
30:17E eu me inscrevi.
30:18Eu disse,
30:18eu vou brincar.
30:19Eu sei que eu não vou aguentar,
30:19mas era só...
30:20É o puro entretenimento.
30:22As pessoas gostam de ver,
30:23por exemplo,
30:23o Carlos se entregando no programa,
30:26sabe?
30:26Se jogando,
30:27pegando,
30:28rindo.
30:28E eu disse,
30:29cara, eu vou nessa brincadeira.
30:30Aquela experiência é real, né?
30:31É, eu disse,
30:31vou tomar um açaizinho,
30:32mas eu imaginava que não,
30:33eu vou ser desclassificado.
30:35Primeiro,
30:36tinha uns caras assim,
30:38meio porrudos, sabe?
30:39Aí eu fui,
30:40me inscrevi.
30:40Barrigão já todo moldado
30:42para tomar muita.
30:43Aí eu falei,
30:44bora lá.
30:45E comecei a tomar.
30:46Era o seguinte,
30:48era um litro
30:48que o rapaz deixava aqui
30:50e uma vasilhinha de farinha.
30:51Menos de meio quilo de farinha.
30:53Aí tinha que ser açaí com farinha.
30:55E eu fui tomando,
30:56tomando,
30:56concentrado aqui,
30:57não estava olhando mais
30:57para ninguém tomando.
30:59Aí eu olhava para o lado,
31:00um saía.
31:01Estava no jogo já.
31:02Eu também não entro
31:03para perder, né?
31:04Eu disse,
31:05eu não vou passar vergonha aqui.
31:06Aí foi saindo um do meu lado,
31:07outro saindo.
31:07Cara, quando eu vi,
31:10tinha uns passando mal do meu lado.
31:11Aí eu já estava assim, né?
31:13E eu não estava vendo
31:14o quanto que eu estava tomando, né?
31:15Eu só ia tomando,
31:16tomando, tomando, tomando.
31:17Aí me deu uma tontura.
31:19Me deu uma tontura,
31:20eu passei mal.
31:20E aí eu pedi para o juiz interromper,
31:22porque você pode parar,
31:24ficar lá e esperar
31:25no final o resultado.
31:26Aí ele falou,
31:27Carlos,
31:27tu tomou mais de cinco litros,
31:29tu tem noção?
31:30Aí eu falei,
31:31foi?
31:31Rapaz,
31:32eu estou passando muito mal,
31:33eu não queria mais nem saber
31:34de resultado.
31:35Quase que eu desmaio,
31:36foi?
31:37Aí, beleza,
31:37eu me sentei lá do lado,
31:38fiquei esperando.
31:40Aí o que aconteceu?
31:43A métrica lá, né?
31:45Tanto que o Carlos tomou,
31:47os outros competidores
31:48tinham que chegar.
31:50Acabou que um chegou
31:51bem aqui assim,
31:53cinco litros e pouquinho,
31:54ele não conseguiu chegar
31:55no 250.
31:56Aí quando ele desistiu,
31:58que ele fez assim,
31:59aí o juiz falou,
32:00e por incrível que pareça,
32:02vocês não vão acreditar,
32:04o ganhador foi o Carlos.
32:06Entende?
32:07Esse vídeo,
32:08a gente fez um programa
32:09sobre isso.
32:10Incrível,
32:10foi um perrengue,
32:11sabe por quê?
32:12Porque a gente ainda tinha
32:13gravação nos dois dias
32:15seguintes,
32:15e eu passei mal,
32:17assim,
32:17um dia eu passei mal,
32:18só tomando remédio.
32:20Excesso de açaí.
32:21Nunca tinha tomado,
32:22já pensou tomar mais
32:23de cinco litros disso aí?
32:24Eu passei,
32:25eu fiquei,
32:26meu Deus,
32:26será que eu vou morrer
32:27aqui gravando?
32:28Estou num momento
32:29tão bom da minha carreira.
32:30Tu rir,
32:31é verdade.
32:33Eu e algum
32:33ninhado,
32:34meu Deus,
32:34ir na farmácia.
32:35Essas preocupações,
32:35será que eu vou morrer
32:36aqui?
32:37Meu Deus,
32:37será que eu vou morrer
32:38aqui?
32:38Poxa,
32:39está tão bacana,
32:40as pessoas parecem
32:40que estão gostando do Pará.
32:42Será que eu não acredito
32:42que eu vou morrer assim?
32:43Eu sei que é do Pará,
32:44mas morrer assim,
32:45tanto açaí na barriga.
32:46Foi.
32:47Esse foi o maior perrengue
32:48que eu olhava assim para cima
32:50e a minha cabeça assim,
32:52açaí,
32:52açaí,
32:53a barrigão,
32:53nada de...
32:55Rapaz,
32:55foi.
32:56O resto é se jogar em Rio
32:58que tem jacaré,
32:59mas foi de boa.
33:01Eu acho,
33:02eu acho também o programa,
33:03ela tem uma coisa
33:04muito afetiva,
33:05e essa afetividade,
33:07além, claro,
33:07das matérias,
33:08do assunto e tudo mais,
33:10mas aí também
33:11tu deve trazer
33:11muitas histórias contigo,
33:13não é?
33:14Muitas.
33:15Tu tens como até
33:16de que dá uma filtrada,
33:18não é?
33:18Porque imagina as histórias
33:19daquelas pessoas
33:20que trazem contigo,
33:22que de uma maneira ou de outra
33:23tu coloca elas em destaque,
33:25não é?
33:25Aquelas vidas que estão ali,
33:27não é?
33:27A gente pensa que não,
33:28mas a gente tem
33:29a mídia como um todo,
33:31seja ela de redes sociais,
33:33de internet,
33:34de TV,
33:34de rádio,
33:35ela tem um poder muito grande
33:36de mudar vidas,
33:37isso que é verdade,
33:38de colocar pessoas para cima
33:40como colocar,
33:41derrubar,
33:41né?
33:41Sim, sim.
33:42E assim,
33:43quando a gente vai...
33:44Cria e destrói,
33:45na mesma proporção,
33:46né?
33:46Perfeito, perfeito.
33:47Por isso que tem aquela
33:48questão da responsabilidade,
33:49saber o que vai mostrar,
33:50como vai mostrar,
33:51e a gente pega pessoas simples,
33:53ali no seu cantinho,
33:54na sua casinha,
33:55pega essa pessoa,
33:56coloca numa TV,
33:58coloca o holofote,
33:59coloca a história
33:59daquela pessoa,
34:00então todo município
34:01se orgulha,
34:02se vê naquela pessoa,
34:04toda região se vê,
34:05todo o estado,
34:05imagina,
34:06e as pessoas super gratas,
34:08muito obrigado
34:08por vir aqui no meu quintal,
34:10nunca imaginei que
34:11a minha história fosse contada,
34:13ou o meu mingau de
34:15castanha do Pará fosse,
34:16nananã,
34:17ou o meu tacacazinho
34:18aqui,
34:18minha venda,
34:20entendeu?
34:20Outro dia,
34:21a gente foi fazer um material
34:23para o Ver o Peso ali,
34:24tantos anos do Ver o Peso,
34:26aí o que eu fiz?
34:27Disse,
34:27cara,
34:27eu vou me...
34:29vou incorporar ali o Brito
34:30que trabalha no Ver o Peso,
34:31então vou acompanhar os caras,
34:33vou carregar,
34:33sair três horas da manhã aqui,
34:34colocar saco,
34:35vou lá com a galera do peixe,
34:37colocar aqui,
34:38então,
34:38bora ver,
34:38é?
34:39Escorrendo o peixe.
34:39Com aquela água escorrendo,
34:40né?
34:41Bora,
34:41para a galera ver como é que...
34:44Água do pitiu,
34:45né?
34:45Para a galera ver como é que era,
34:48sabe?
34:48Eu achei isso muito bacana,
34:49e depois as pessoas,
34:50quando eu volto lá,
34:51gostam muito dali.
34:52É,
34:52Brito,
34:53muito obrigado,
34:54cara,
34:54aí os netos e filhos mandando,
34:56cara,
34:57foi emocionante mostrar o trabalho
34:58do meu avô,
34:59nossa,
34:59eu fiquei muito orgulhoso,
35:01porque o meu avô é peixeiro.
35:03Também tem uma coisa nessa nossa profissão,
35:05nesse nosso trabalho,
35:06que de uma maneira ou de outra,
35:07ao dar essa visibilidade,
35:10você também coloca dignidade, né?
35:12Porque às vezes o cara não se sente valorizado,
35:14ele é aquele carregador de caixa de peixe ali,
35:18a vida inteira, né?
35:19Ele acha que aquilo é um trabalho normal,
35:21que é um trabalho...
35:21Paulo Freire,
35:22inclusive,
35:23tem muitos escritos sobre essa coisa
35:25da dignidade do trabalhador
35:27e dali do seu trabalho
35:29que você faz isso.
35:30Eu acho que, assim,
35:31até pouco tempo,
35:33muita,
35:33quase a maioria das pessoas
35:34via o comunicador,
35:36o jornalista,
35:37como aquilo que eu te falei
35:38quando eu morava lá na Baixada,
35:39como algo inacessível,
35:40inalcançável.
35:41E aí,
35:42quando a gente também, né,
35:44baixa a nossa crista,
35:45e não,
35:46vamos nos conectar,
35:47vamos...
35:47E aí o Edu Pará chega
35:49nessa nova vibe, né,
35:51de realmente se igualar aqui,
35:53se comunicar,
35:54ir pescar,
35:54jogar tarrafa.
35:56Eu não sei,
35:57tem muitas coisas que eu não sei,
35:58mas vou e aprendo e pergunto
35:59e não tenho vergonha.
36:00Como é que pega?
36:01Como é que...
36:02Meu avô, por exemplo,
36:03era pescador.
36:04Meu avô me levava lá em Ajuruteu,
36:06na Vila dos Pescadores,
36:07a gente jogava tarrafa,
36:09entendeu?
36:09Para pegar peixe,
36:10para tiqueira,
36:10então eu fazia muito isso.
36:11Faço isso no programa,
36:12não posso ver uma praia,
36:13uma coisa assim,
36:14pescador,
36:15voe...
36:15Mas aquilo que eu te falei,
36:16você é a pessoa certa
36:17para estar naquele lugar.
36:18E isso que tu falaste,
36:19é muito legal,
36:20dignidade,
36:20levar e mostrar
36:21que aquelas pessoas
36:22tenham o seu valor.
36:23Claro, exatamente.
36:24Isso é muito bonito.
36:25Saber, na verdade,
36:26não é absoluto.
36:27Isso, voltando ao Paulo Freire,
36:28não existe esse saber absoluto.
36:30Existe aquele saber
36:31que você sabe,
36:32mas existe aquele saber
36:33nenhum maior do que o outro.
36:34Todos são saberes.
36:35Isso é muito importante.
36:36E assim,
36:37o É do Pará,
36:38eu tenho que ter noção
36:39de que é um programa
36:40sobre o Pará.
36:41Não é o brito protagonista,
36:43não é o brito super-herói,
36:44não é o brito que faz tudo.
36:47Eu até fico com vergonha,
36:48às vezes.
36:49Não,
36:49eu aprendo
36:51e o protagonista
36:53é quem está do lado.
36:53Mas, ao mesmo tempo,
36:54tu também mostra a verdade
36:55porque tu passaste por isso.
36:57Isso é uma experiência
36:58que está na tua memória.
36:59Isso é muito importante.
37:01Eu vejo, por exemplo,
37:02grandes repórteres brasileiros,
37:05Francisco José,
37:06enfim,
37:07muitas pessoas
37:09que têm essa coisa
37:11da característica
37:12da reportagem especial.
37:13Eles estão ali,
37:14Sônia Bride,
37:16quer dizer,
37:16já estão fazendo isso
37:17há muito tempo
37:18e eles trazem
37:19toda uma vivência.
37:20Isso é importante.
37:21Isso é uma memória
37:22que tu trazes isso.
37:23Estás todo cheio de coisa.
37:24Isso é da tribo indígena.
37:25É,
37:25esse que é um dos jogos indígenas
37:26e eu me amarrei demais.
37:28Nossa,
37:29muito, muito, muito mesmo.
37:30Adoro visitar as aldeias,
37:32as comunidades quilombolas.
37:33Eu acho que é um pedaço nosso
37:34que fica
37:37a grande mídia,
37:38como eu falo.
37:39Às vezes,
37:39a gente não joga muito holofote
37:40para determinados temas
37:42e a gente tem que jogar
37:43porque isso faz parte
37:44do nosso Pará.
37:44É gigante isso aqui.
37:46Nossa,
37:46às vezes a gente fecha
37:47os nossos olhos
37:48só para Belém,
37:48região metropolitana,
37:49achando que aqui
37:51é o Pará
37:51e se fecha aqui.
37:53E o Pará,
37:53a gente sabe,
37:54que aqui fala mais,
37:55mas vai lá em Altamira,
37:57em Parauapebas,
37:57lá o pessoal é mais.
37:59E tem outras formações,
38:02outro tipo de formação
38:03do povo.
38:04Outra cultura,
38:04inclusive,
38:05gastronômica.
38:06Gastronômica,
38:07musical,
38:07cultural como um todo.
38:09Claro,
38:09dessa diversidade.
38:11Eu acho isso incrível.
38:12e quando a gente tira
38:15essa nossa venda
38:16e passa a olhar o Pará
38:17como algo realmente gigantesco,
38:20acho que aí a gente passa
38:22a se orgulhar mais.
38:23Você está no ar
38:23há quanto tempo já?
38:25Não é do Pará,
38:26eu estou há um ano
38:30e cinco meses.
38:31Quantos programas?
38:32Tem mais de 40 programas?
38:34Tem mais de 40 programas.
38:36E cada programa
38:37é um aprendizado.
38:38Eu sempre tento mostrar
38:39algo novo,
38:40sempre, sempre, sempre.
38:41Algo novo,
38:41algo por uma perspectiva
38:43que é algo que é nosso,
38:45mas por uma perspectiva
38:46diferente.
38:47Não,
38:47e outra coisa que eu vejo,
38:48percebo também,
38:49isso eu acho
38:50um grande trunfo do programa,
38:51que é uma linguagem
38:52absolutamente acessível.
38:54Ali ninguém está querendo
38:55ensinar a ninguém,
38:56estamos mostrando aquilo que é
38:57e a gente está trazendo isso
38:59para as pessoas.
39:00tanto que tu és abordado
39:02por isso.
39:02E eu não me vi assim,
39:03incrível,
39:03porque no jornalismo
39:04tu tens,
39:05tu sabes,
39:05tu tens o teu roteiro,
39:07o teu script aqui,
39:08tu olha,
39:09grava aqui o texto
39:10e grava a passagem.
39:12De acordo com o Diese,
39:14é tudo muito bonitinho,
39:15muito formatadinho.
39:17E no entretenimento,
39:17quando pediram um brito,
39:19tu tens que ser,
39:19tu tens que que quebrar.
39:20É realmente isso,
39:21tu tira uma armadura,
39:23que é a armadura
39:24do jornalista.
39:24Do formalismo, né?
39:25Exato,
39:26tu tira
39:26e tu te permite,
39:28assim,
39:28cara,
39:30e como eu te falei,
39:32ele é um recorte
39:32da minha infância,
39:35da minha adolescência,
39:36do que eu vivi,
39:36o programa ele é muito.
39:37Tanto que eu faço questão
39:38muitas das vezes
39:39de falar na minha avó.
39:40Eu lembro que a minha avó
39:41fazia isso,
39:42eu falo
39:42e as pessoas se conectam lá.
39:44Ali também tem uma coisa assim,
39:45por tu estarem
39:46naqueles lugares ali,
39:48naquelas condições ali,
39:50reagem,
39:50não é?
39:50Tipo,
39:51muito sol,
39:52muito calor,
39:52não sei o que,
39:53tira até essa capa
39:55do repórter que vai aparecer,
39:56o cara tem que estar
39:57todo prontinho,
39:58montado,
39:58ali não,
39:59é como tiver,
40:00não é?
40:00Olha,
40:00tu falaste uma coisa interessante,
40:01outro dia a gente foi pescar
40:02em um lugar chamado
40:04Mococa,
40:05fiquei em Maracanã,
40:06ali,
40:07Mococa Fortalezinha,
40:08que é na ilha de Mayandeu,
40:09ali,
40:09Maracanã,
40:10e nós fomos
40:12vivenciar uma pesca
40:13mesmo raiz,
40:13como é que os caras pescam
40:15pratiqueira?
40:17O que eu vou falar
40:18é algo que,
40:20enfim,
40:20pode até surgir uma crítica,
40:21mas a gente teve que,
40:23a galera ali não usa colete,
40:25os pescadores não vão
40:26de noite usar colete,
40:27eles vão e,
40:28e lá no programa,
40:29aí depois eu recebi
40:30até umas críticas,
40:31tu tem que usar colete,
40:32não sei o que,
40:32depois eu me disse,
40:33realmente,
40:33por questão de segurança,
40:34eu teria que ter usado,
40:35mas eu estava tão envolvido
40:37pescando com os caras,
40:38puxando o rede,
40:38no meio do mar,
40:40e assim ó,
40:40as andas vinham assim ó,
40:42incrível,
40:42não é?
40:44Mariziazinha,
40:45uma banzeira enorme
40:46e vinha assim,
40:47e aí depois,
40:49eu disse,
40:49cara,
40:49às vezes a gente sai,
40:50e aí foi um erro
40:51que eu cometi,
40:53aí eu já começo a me,
40:54opa,
40:56calma,
40:57porque se alguma coisa
40:58der errado ali,
40:58tu sabe,
40:59né?
40:59É.
41:01Mas assim,
41:01a gente sempre tenta
41:04ter a nossa dose
41:05de equilíbrio,
41:06né,
41:06para levar o programa,
41:07para ele continuar
41:08sendo visto
41:12com muito carinho
41:12pelas pessoas,
41:13eu acho que é essa palavra,
41:14né,
41:15tem memória afetiva,
41:16tem verdade,
41:17a gente não tenta
41:18maquiar nada,
41:19são as pessoas falando,
41:21sabe,
41:21como eu te falei,
41:22sandália mesmo,
41:23as pessoas,
41:23na sua simplicidade,
41:24elas conquistam,
41:25elas cativam.
41:26e o programa faz esse resgate
41:28de memória afetiva,
41:30ele faz,
41:31ele tenta na medida,
41:32dependendo do assunto,
41:33do local,
41:34nem em todo lugar,
41:35mas assim,
41:35se eu ver algum elemento
41:36que dê para eu puxar,
41:38já era.
41:40Certo.
41:41Cara,
41:41foi um prazer
41:41conversar contigo,
41:43você não sabe o prazer
41:44que eu tinha,
41:44já era para te ter trazido aqui,
41:46mas enfim,
41:47chegou o dia,
41:48e para te parabenizar,
41:50o programa é sensacional,
41:51eu queria até
41:51que tu aproveitasse
41:52a oportunidade
41:53de dizer
41:54quem trabalha
41:55exatamente contigo,
41:56porque a gente valoriza
41:56essa turma aí
41:57que não aparece,
41:58mas...
41:58É,
41:59e eu falei aqui
42:00várias vezes,
42:00né,
42:00da equipe que trabalha,
42:02eu faço parte
42:03dessa equipe,
42:04né,
42:04uma equipe formada
42:05por estagiários,
42:06por produtores,
42:07ó,
42:08por exemplo,
42:08a gente tem
42:08como nossos produtores
42:11a Fabiola Borges,
42:12o Caio Brandão,
42:13que são nossos produtores,
42:15também na supervisão
42:16do Luciano Alma,
42:17a edição do programa
42:19é do Júlio Baltazar,
42:21tá,
42:22cara,
42:22tem uma equipe...
42:23Preciosa, aliás,
42:23a edição.
42:24Nossa,
42:24maravilhoso.
42:24Você falou agora
42:25da parte musical,
42:26realmente ele é...
42:27A direção geral
42:28é do Vinícius Volpi,
42:29um cara que acreditou
42:30no meu trabalho,
42:31disse,
42:31vem,
42:32confiamos em ti,
42:33assim,
42:33eu sou muito grato
42:34a ele pela oportunidade.
42:35Sim,
42:35grande Vinícius.
42:36Vinícius,
42:37você conhece.
42:37As redes sociais,
42:38por exemplo,
42:38tem um núcleo específico,
42:40né,
42:40que é a Raíssa Rodrigues
42:41e a Natália Freitas,
42:43também,
42:43que está nos deixando
42:45e,
42:45assim,
42:46nossa,
42:47deixa eu ver,
42:47rapaz,
42:47você foi esquecer de alguém,
42:49tem o Rafael Paz,
42:51tem também o Lucas,
42:52nosso grande editor,
42:53e por aí vai,
42:54repórter cinematográfico,
42:56né,
42:56que os caras são,
42:57né,
42:57os caras da imagem.
42:59Esse é o alma ali da história.
43:00Ivan,
43:01Ivan,
43:02grande Ivan,
43:03repórter cinematográfico,
43:04Cosmar também,
43:05na nossa equipe,
43:05que os caras encaram,
43:06estão ali com a gente,
43:08é o Brito que aparece,
43:09mas os caras...
43:10Lembrei de uma coisa agora,
43:11que eu estive lá te vendo
43:12na hora que tu vestiste a roupa
43:14da Rainha das Matas,
43:15foste fazer o Rainha das Matas,
43:16aquele concurso lá no Marajosa.
43:18Tu me ajudaste com essa sugestão,
43:19porque tu falaste,
43:20tu mandou a sugestão,
43:21Brito,
43:22que tal,
43:23e a gente olha,
43:23olha que esse assunto aí,
43:24a gente pega e reúne.
43:25Verdade,
43:26nós fomos lá,
43:27muito da tua sugestão.
43:29Coloquei...
43:30Rapaz,
43:31diferente,
43:32bonito,
43:34original,
43:35isso.
43:35Sabe,
43:36é um outro olhar
43:38que a galera tem,
43:39achei incrível.
43:40Esse é o Pará,
43:41cara,
43:41esse a gente vive no...
43:42Coloquei o negócio assim,
43:43porque tu olhares
43:44a pessoa fazendo
43:46e com seus malabarismos,
43:47performance,
43:48o pé,
43:48não sei para onde,
43:49ah,
43:50é fácil,
43:50ah,
43:50não sei o quê.
43:51Cara,
43:51quando tu chegar lá,
43:53aí eu já só fui levantar assim
43:54para ver,
43:55né?
43:55Ah,
43:55bora ver o que deve ser.
43:57Quando eu puxa,
43:58se eu digo,
43:58rapaz,
43:59eu não,
43:59não.
44:01Bacana.
44:02Incrível,
44:02incrível.
44:03São experiências assim que eu,
44:04de verdade,
44:05estou muito feliz.
44:06Eu tenho 100% de certeza
44:08que esse é o melhor momento
44:09da minha carreira,
44:10né?
44:11Conhecer lugares,
44:12aprender,
44:12nesse nosso parazão,
44:14estar com essa equipe aí
44:15maravilhosa,
44:16profissionais excelentes,
44:17eu sou grato,
44:18muito grato,
44:19muito grato,
44:19de verdade.
44:23É isso.
44:24Obrigado,
44:25então,
44:25pela tua presença aqui,
44:26prazer enorme.
44:27Obrigado,
44:27Ismael,
44:27você é teu fã,
44:28da época do seu,
44:30agenda cultural,
44:31eu ficava olhando lá,
44:32Ismael,
44:32muito legal,
44:33de verdade.
44:34Muito obrigado.
44:34Obrigado,
44:35obrigado por estar aqui com a gente.
44:36Sucesso, amigo.
44:37Luz, luz.
44:37Sucesso para ti sempre.
44:39Este é o Mangarosamente
44:41que você assiste no
44:42Libplay,
44:43dentro do
44:44liberal.com
44:45e no YouTube.
44:46O que você assiste no YouTube?
44:46O que você assiste no YouTube?
44:53O que você assiste no YouTube?
44:53O que você assiste no YouTube?
44:54Obrigado.
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