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Ismaelino Pinto entrevidta Gerlado Salles, diretor e Paulo Fonseca, ator do Grupo de teatro Experiencia
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00:00:04Olá, está no ar o Manguerosamente!
00:00:08Hoje um programa super especial, aliás, eu estou emocionado por este programa
00:00:13que é muito, mas muito especial ter trazido para cá, para este estúdio,
00:00:18para conversar conosco, para conversar com a gente, duas figuras
00:00:21que quando a gente falar de teatro paraense, quando a gente falar do teatro no Pará,
00:00:26da arte que se faz, a arte da dramaturgia paraense,
00:00:31a gente vai falar dessas duas pessoas, que são duas pessoas queridíssimas,
00:00:35eu fiquei emocionado, porque são dois amigos muito queridos,
00:00:39é um prazer ter aqui Geraldo Salles e Paulão, Paulo Fosseca!
00:00:46Tudo bem com vocês?
00:00:48Tudo bem, Ismarino, obrigado!
00:00:49Melhor agora que estamos aqui!
00:00:51Prazer em falar com vocês, você não sabe o quanto eu estou feliz de ter vocês aqui,
00:00:55Geraldo, então...
00:00:57Que bom!
00:00:58E olha, me conta, vamos falar da experiência,
00:01:00depois a gente vai contar uma história aqui que é muito engraçada,
00:01:02porque tem uma, eu acabei de falar para ele, estávamos rindo aqui,
00:01:05pelo menos uma vez por semana, alguém me chama de Paulão,
00:01:10acha que eu sou o Paulão, o cara é famoso, o cara é conhecido,
00:01:13então todo mundo acha, já me confundi em vários lugares,
00:01:16olha o Paulão, olha o Paulão, então, Paulão a gente é quase,
00:01:20eu diria, naquele caso lá daquela novela, ou é Ruth ou é Raquel,
00:01:24então é Paulão, a gente tira essa brincadeira,
00:01:26mas todo mundo acha que somos irmãos, não é, Paulão?
00:01:29Irmãos, graças a Deus!
00:01:30Ainda bem, né?
00:01:31Essa semelhança não é só na aparência,
00:01:34em cima do coração, no carinho que a gente tem um pelo outro, né?
00:01:37Que bom!
00:01:38Mas, Geraldo, me conta a história,
00:01:40como é que nasceu a experiência, Geraldo?
00:01:42Pois é, uma grande história, não é?
00:01:44Tchan, tchan, tchan, tchan!
00:01:45Eu tinha acabado de me formar pela Escola de Teatro da Universidade Federal do Pará,
00:01:53e eu me perguntava, e agora?
00:01:56E aí, não existia...
00:01:58Formaram como ator, né?
00:01:59Como ator.
00:02:00Não existia, na época, nenhuma companhia,
00:02:04como não existe companhia, não existe um grupo de teatro
00:02:08que tivesse, desenvolvesse uma atividade constante, né?
00:02:12E eu tinha um amigo chamado José Antônio Cruz,
00:02:20que era muito interessado em teatro,
00:02:24e a gente começou a ter a ideia de fundar um grupo de teatro.
00:02:30Já tinha outros grupos pela cidade?
00:02:32Não.
00:02:32Não tinha?
00:02:33Não tinha.
00:02:34Foram pioneiros, né?
00:02:35Não tinha pioneiros, né?
00:02:36E onde ele tinha o Cláudio Barrada
00:02:39dirigindo o grupo da Escola de Teatro, né?
00:02:43Que depois de formados...
00:02:46Isso, Geraldo, década de?
00:02:48Em 1971.
00:02:50Em 1971.
00:02:52Anos de chumbo, né?
00:02:53Pois é, anos de chumbo.
00:02:55E aí nasce a experiência, Geraldo?
00:02:56Nasce a experiência, né?
00:02:58Nasce a experiência pela necessidade
00:03:02daqueles atores que acabavam de sair recém-formados pela Escola de Teatro,
00:03:10terem a oportunidade de continuar a fazer teatro em Belém de Pará,
00:03:16e não terem que migrar para Rio, São Paulo e tudo mais.
00:03:20Coisa que eu fiz, já tinha feito, inclusive, né?
00:03:23Porque antes de fazer...
00:03:26Chegaste a viajar?
00:03:26Cheguei.
00:03:27Eu fiz teatro profissional no Rio, né?
00:03:30Eu fui dirigido pelo Tite Dilemas, que era um diretor do Rio de Janeiro,
00:03:37e contracenei com a T.T. Medina, num texto clássico do Sheik,
00:03:41chamado A Tempestade, né?
00:03:44Que eu fazia um dos papéis principais, né?
00:03:47Depois voltei para Belém com o intuito de ver como é que estava
00:03:54ou tentar ver se continuava como professor ou qualquer coisa assim na Escola de Teatro.
00:04:01Aí veio a ideia de pegar as pessoas recém-formadas pela Escola de Teatro
00:04:09e que praticamente não tinha onde, não tinha um grupo constante
00:04:15para desenvolver a sua atividade, o seu desejo de se exercitar como ator.
00:04:23E esse amigo, Zé Antônio Cruz, que era irmão, fazia produção artística em Belém,
00:04:32de artistas e tudo, e era irmão de uma atriz chamada Eudora Cruz,
00:04:37e era filho de um grande historiador, o Caubi Cruz, né?
00:04:43Que era amigo do Rui Barata, essa gente toda, né?
00:04:47Bom, aí veio a ideia de fazer um grupo de teatro.
00:04:51Como é que se vai chamar esse grupo, né?
00:04:54Porque eu tinha uma vontade enorme, já tinha voltado do Rio,
00:04:59tinha feito a tempestade e queria fazer um teatro
00:05:04que tivesse a cara da Amazônia, a nossa cara, mas que fosse universal também, né?
00:05:12E veio a ideia, junto com Zé Antônio Cruz, da gente montar o primeiro espetáculo
00:05:20e como é que vai se chamar esse grupo?
00:05:24Bom, experiência, que é o que a gente não tem, vamos ganhar.
00:05:28E surgiu o grupo Experiência e surgiu num grande sucesso,
00:05:36porque era uma época, eu sempre fui apaixonado por musicais, né?
00:05:42Pela música, no teatro, pelo canto, tudo isso.
00:05:46E na época o grande sucesso era um espetáculo que eu já tinha visto no Rio,
00:05:51chamado Ré, Ré, o Ré, né?
00:05:55E aí a gente teve a ideia de montar, de imitar um pouco,
00:06:02fazer um Ré paraelense, que passou a se chamar Happening.
00:06:07Happening é uma palavra americana que traduzindo é
00:06:11acontecendo ou um acontecimento.
00:06:15Como era isso?
00:06:17Era uma colagem, a gente teve orientação do Rui Barazzo,
00:06:21Mestre Rui, de fazer uma colagem, pegando vários escritores e poetas
00:06:29e dramaturgos brasileiros e fazer uma colagem que fosse retratando
00:06:37a realidade amazônica e do Pará, com música do Pará, né?
00:06:43Aí surgiu o Ré, tive a grande sorte de encontrar dois artistas,
00:06:52uma que era atriz e cantava, se chamava Deliana Chateni,
00:06:57que era casado com um músico que cantava também,
00:07:00chamado Simão Chateni.
00:07:02E junto com ele, Zé Antônio Cruz,
00:07:05partimos para esse espetáculo chamado Ré.
00:07:09E vocês apresentavam aonde?
00:07:12Estranhamos no Teatro da Paz, logo.
00:07:15Aí, era para fazer três dias,
00:07:17ficamos, foi um sucesso tão grande,
00:07:20que ficamos duas semanas fazendo o espetáculo no Teatro da Paz.
00:07:25Grande elenco, Geraldo.
00:07:26Era grande elenco.
00:07:27Mas tinha Ló Iglesias também?
00:07:29Não, Ló Iglesias.
00:07:30A Vanda Cabral.
00:07:31Não, tinha Vanda Cabral, Ló Iglesias.
00:07:34E depois, tinha o filho de um reitor da época,
00:07:40tinha gente importante.
00:07:41Antônio Carlos Conduru também.
00:07:43Tinha Antônio Carlos Conduru, gente importante,
00:07:45que tinham um grande conhecimento de pessoas influentes.
00:07:51E que, através dessas pessoas,
00:07:54a gente conseguiu montar e produzir
00:07:57o primeiro musical paraense,
00:07:59chamado Ré.
00:08:00Por que Ré?
00:08:01Porque era só do Ré,
00:08:03querendo limitar o Ré,
00:08:05só que trazemos para cá,
00:08:07com cara de Amazônia,
00:08:08com cara de Belém, do Pará.
00:08:11Aí surgiu o Grupo Experiência.
00:08:13Esse grupo já teve um nome.
00:08:15Aí, Geraldo, você, por exemplo,
00:08:17nesse início, você já diretou?
00:08:19Já era diretor.
00:08:20Já era diretor.
00:08:21Já veio dirigindo, né?
00:08:22Já era diretor.
00:08:23E estava no palco também.
00:08:24Estava no palco também.
00:08:25E dirigia.
00:08:26A minha carreira foi como ator de princípio, né?
00:08:29Mas eu tinha um grande facinho,
00:08:32porque só acerto ou para mim era pouco.
00:08:35Não bastava.
00:08:36E eu ficava observando sempre os grandes diretores,
00:08:41que eu tive a grande sorte de passar por eles,
00:08:44a milhafidade,
00:08:46diretores do Rio de Janeiro e outros.
00:08:49E eu observava, olhava, perguntava,
00:08:53queria saber os porquês e como.
00:08:56Pois é, porque anos 70, apesar dos anos de chumbo, né?
00:09:00Daquele período muito confuso ali, né?
00:09:02Da ditadura militar.
00:09:03Mas esse intercâmbio, né?
00:09:05Porque, por exemplo, nessa época,
00:09:06a Escola de Teatro recebia a Miradade, né?
00:09:08O grande a Miradade.
00:09:09Com certeza.
00:09:10A gente chamaria Silvia Nunes, né?
00:09:11Maria Silvia Nunes, a Miradade,
00:09:14Carlos Marcones, Eugênio de Moura,
00:09:19outros diretores que, depois que o Amir foi embora,
00:09:22voltou.
00:09:23Passaram pela Escola de Teatro da Universidade, né?
00:09:28E quem eram os meus companheiros,
00:09:30que foi a primeira turma nossa,
00:09:33a turma que fundou a escola,
00:09:35Dona Nilza, maravilhosa, atriz.
00:09:38Nilza Silva, que depois Nilza Maria, não?
00:09:40Nilza Maria.
00:09:41Mendara Mariani.
00:09:44Pessoal do rádio ainda, né?
00:09:45É, o creio do gondinho, o pessoal do rádio,
00:09:48do Gente Paravilhosa e tudo,
00:09:50e que, com direção do Amir, fizemos.
00:09:53E dessa época, Geraldo,
00:09:54ainda tinha também o pessoal da televisão, né?
00:09:57Que fazia teatro ao vivo, né?
00:09:59Sim, que a gente fazia na Marajoara, né?
00:10:02Na Marajoara, né?
00:10:03Tá sim, a cantuária.
00:10:05E era a escola,
00:10:07e esses espetáculos apresentavam ali na SAI,
00:10:10que era em frente ao Compre Bombeiros,
00:10:12onde é a Academia Paraíso de Letras.
00:10:15Isso, agora é a Academia Paraíso de Letras.
00:10:16Era ali que acontecia isso.
00:10:17Era SAI, Sociedade Artística Internacional, né?
00:10:22E lá a gente conseguiu aquele espaço,
00:10:25aquele teatro que estava parado,
00:10:27para fazer os espetáculos do Grupo Experiência.
00:10:30Fizemos grandes espetáculos.
00:10:31Porque a gente sabe que ali já foi um teatro, né?
00:10:33Eu lembro de Edivaldo me contando
00:10:34que assistiu lá Família Trap,
00:10:37que depois inspirou o Noviça Rebelde.
00:10:42Que história é essa?
00:10:43E, Geraldo, nesse ano, nessa época, assim,
00:10:46era uma coisa livre?
00:10:47Vocês podiam criar ou vocês sentiam
00:10:49que tinha um certo cerceamento dessa?
00:10:53Não, não.
00:10:53Tinha um certo cerceamento
00:10:55e o pessoal de teatro era visto...
00:10:59Existia a censura federal,
00:11:01a Polícia Federal em Belém, né?
00:11:04E o pessoal de teatro era visto como pessoas de...
00:11:09Sabe, que era uma ameaça...
00:11:11Submersivos de esquerda, né?
00:11:13De esquerda, que era uma ameaça.
00:11:15Eu, inclusive, por causa de um espetáculo,
00:11:19que eu fui chamado para dirigir em Coraci,
00:11:22e a gente achava que era em Coraci,
00:11:26não precisava de licença da Polícia Federal,
00:11:30para o censor ir lá ver,
00:11:32e resolvemos estrear na Marra.
00:11:34Teve uma denúncia de pessoas da própria classe, né?
00:11:39De que a gente ia estrear um espetáculo em Coraci,
00:11:43e que esse espetáculo não tinha passado pela censura,
00:11:48e tudo era direto.
00:11:51O espetáculo, na noite da estreia,
00:11:53foi interditado.
00:11:55A Polícia Federal foi...
00:11:57A Polícia chegou e parou o espetáculo?
00:11:58Parou a Polícia Federal.
00:12:00Eu fui...
00:12:00Eu passei uma tarde inteira lá na Polícia Federal.
00:12:05Foste preso?
00:12:06Fui preso, né?
00:12:09Agora, Geraldo, parece um tempo distante,
00:12:11mas não é.
00:12:12Esse passado é muito recente, né?
00:12:14Mas tinha essa coisa,
00:12:15eu lembro de amigos que faziam teatro e tudo mais,
00:12:18mas hoje é o espetáculo, o censor, né?
00:12:22Cara, tinha um dia de apresentação.
00:12:24Conta para a gente como é que era esse cenário.
00:12:27O espetáculo era o seguinte,
00:12:29você tinha primeiro que tu mandar o texto
00:12:33para ser liberal,
00:12:35de querer examinar, de tudo.
00:12:38E o espetáculo precisava passar
00:12:41pela visão, pela crítica,
00:12:44pelo exame dos censuros da Polícia Federal,
00:12:48que não entendiam nada.
00:12:50Que não entendiam nada do teatro.
00:12:52Para ver...
00:12:53Fazer o espetáculo só para eles.
00:12:54Para ver o espetáculo,
00:12:56para ver se não tinha alguma coisa
00:12:58que falasse contra a religião,
00:13:02o governo e tudo mais, né?
00:13:04Eu me lembro que o Rappling,
00:13:06que foi o grande primeiro espetáculo,
00:13:08a experiência,
00:13:11tinha as atrizes,
00:13:13os atores usavam aqueles calçons de bairro,
00:13:18as atrizes, biquíni,
00:13:20não era bem o biquíni,
00:13:21duas peças e tudo mais.
00:13:23Então, o espetáculo não pôde estrear
00:13:26por causa disso.
00:13:27Por atentado ao pudor.
00:13:28É, aí nós tínhamos que mudar
00:13:31esse guarda-roupa,
00:13:33esse figurino,
00:13:35para poder o espetáculo que estreava.
00:13:37Foi aí.
00:13:37Aí foi o nosso começo.
00:13:39E não fazemos mais.
00:13:41Agora, a gente fazendo uma análise,
00:13:43Paulão e Geraldo,
00:13:45vocês estão mentindo.
00:13:46Quanto tempo tu estás no teatro, Paulão?
00:13:47Eu comecei em 78.
00:13:50Já com experiência?
00:13:51Nenhum, eu entrei em 78.
00:13:53E quis ser ator,
00:13:54disse eu vou entrar na experiência?
00:13:55Na verdade, eu era pupilo
00:13:56do maestro Adelermo Matos,
00:13:58do Colégio Augustumeiro,
00:13:59do Grupo Folclórico do Pará.
00:14:01A gente viajava o Brasil inteiro
00:14:02dançando e tudo.
00:14:03Um belo dia,
00:14:04este montou um espetáculo
00:14:05do Edir Augusto
00:14:06chamado Foi Bocinhar,
00:14:07em 77,
00:14:09e convidaram.
00:14:1077?
00:14:1077 foi a primeira versão,
00:14:13a primeira montagem
00:14:14do Foi Bocinhar.
00:14:15E aí eles contrataram
00:14:17os batoqueiros do nosso grupo lá.
00:14:19E aí eles foram lá
00:14:20e venderam os ingressos
00:14:21e eu fui lá assistir esse atalho.
00:14:22E foi muito interessante
00:14:24porque eu fui ver
00:14:25um show do Adelermo Matos
00:14:28com esse grupo
00:14:29de dançarinos
00:14:31de Carimbó.
00:14:32E de repente vi
00:14:33uma figura comprida
00:14:35com o Samão,
00:14:36com tal, que tal, que tal,
00:14:37que tal, que tal, que tal.
00:14:38Deve ter pensado
00:14:39neste fresco tem futuro.
00:14:41Não, eu fiquei assim,
00:14:44eu digo, nossa.
00:14:45Esse aqui tem carreira.
00:14:47Tem carreira.
00:14:48Porque realmente aparecia.
00:14:51aparecia e fui lá.
00:14:52Depois, no final,
00:14:53eu falava com ele.
00:14:55Mas esse olhar
00:14:56do Geraldo
00:14:56é um olhar sério, né?
00:14:58Porque olha só,
00:14:58a partir de ti,
00:14:59imagina quantas e quantas
00:15:01outras pessoas
00:15:02não estão no teatro.
00:15:02que a gente passou pela mão,
00:15:04tem uma carreira sólida
00:15:05dentro do que a gente
00:15:06pode chamar de teatro
00:15:07paraense, né?
00:15:08Com certeza.
00:15:08A partir do teu olhar, né, Geraldo?
00:15:10Do olhar, né?
00:15:10Tu tens ideia
00:15:11dessa importância,
00:15:13desse teu faro
00:15:14para essa...
00:15:15Não, é uma coisa que...
00:15:17Sei lá, não...
00:15:18Eu não paro
00:15:20para ficar pensando nisso, né?
00:15:23Eu sei que eu tenho
00:15:24essa capacidade, bicho,
00:15:26de colocar o olho em cima, né?
00:15:29Olha, vou chamar esse,
00:15:31que vai ser a minha filha
00:15:32baixo e comprida.
00:15:36Vou chamar aquele
00:15:37que é um ótimo ator,
00:15:39tem uma presença e tudo,
00:15:40macho, e isso eu tinha, né?
00:15:42Sempre fui.
00:15:43E aí a experiência já existia?
00:15:46A partir de 71 do Rappen,
00:15:48vocês já existiam?
00:15:49Já existiam.
00:15:50Como grupo de experiência?
00:15:50Como grupo de experiência.
00:15:51Começaram a fazer espetáculos?
00:15:54Sim, porque tinha
00:15:56o Zé Antônio Cruz,
00:15:59que era filho
00:16:00de um escritor
00:16:02da Academia Paranense de Letras,
00:16:04o Cruz,
00:16:05e o tio dele
00:16:07também era
00:16:10importante e tudo,
00:16:11que começaram
00:16:12a movimentar o grupo,
00:16:15bancar os primeiros espetáculos,
00:16:17conseguir isso
00:16:18para que a gente
00:16:20continuasse.
00:16:21Tem dinheiro para montar, né?
00:16:22O teatro é isso,
00:16:24o teatro que é o retrato.
00:16:25É, e para continuar.
00:16:27E como a gente fez
00:16:28um espetáculo de estreia
00:16:30chamado Rappen,
00:16:32em que a gente reunia
00:16:33no elenco pessoas
00:16:35que viviam em colunas sociais,
00:16:38o Zé Antônio...
00:16:41Conduru...
00:16:41Conduru...
00:16:42Aquele outro do cartório,
00:16:43o outro cartório também era,
00:16:44também, né?
00:16:45Aquelas meninas,
00:16:46o pessoal da Cabral,
00:16:48o pessoal da Cabral,
00:16:49tudo isso,
00:16:49que conhecia
00:16:50muita gente.
00:16:52Nilson Chaves.
00:16:52Mas era a turma
00:16:53que passou pela experiência.
00:16:54O Nilson também estava
00:16:55nesse meio?
00:16:55O Nilson Chaves?
00:16:56Não,
00:16:57o Nilson e depois, né?
00:16:58Sabe,
00:16:59então,
00:17:00essa gente trazia
00:17:01um tipo de público
00:17:03que tinha um poder aquisitivo alto
00:17:05e que,
00:17:06em cima dessa gente,
00:17:07para montar os espetáculos
00:17:09seguintes,
00:17:10a gente ia
00:17:11para conseguir
00:17:12o patrocínio,
00:17:14para montar
00:17:15o próximo espetáculo,
00:17:16que em troca
00:17:17de uma citação,
00:17:19de uma publicidade,
00:17:20no programa,
00:17:21do espetáculo.
00:17:22Assim foi o começo
00:17:23do grupo, né?
00:17:25Mas sempre
00:17:25com o Pires na mão ali,
00:17:27né, Geraldo?
00:17:28Até hoje, não.
00:17:29A coisa é mais ou menos assim, né?
00:17:31Não sei de ir com ele
00:17:32na Secretaria de Cultura,
00:17:34lá,
00:17:34com o Lalo de Namaia,
00:17:36mas deixa eu cumprimentar
00:17:38uma coisa legal,
00:17:39que é,
00:17:40depois desse começo,
00:17:41veio outros espetáculos
00:17:42como os andrógenos,
00:17:44tem muita goma no meu
00:17:45Takaká,
00:17:45que foi a Fafá de Belém,
00:17:46participou pela primeira vez.
00:17:48Depois veio o Nilson Chaves,
00:17:49também,
00:17:50participou,
00:17:50Eloy Glezes,
00:17:51participou dos andrógenos,
00:17:53Kaká de Carvalho,
00:17:54entendeu?
00:17:55Que eram pessoas
00:17:56que passaram,
00:17:57que começaram ali,
00:17:59quando você falou,
00:17:59ah,
00:18:00passaram algumas pessoas,
00:18:00passaram muitas pessoas,
00:18:02acho que a maioria
00:18:03dos artistas de Belém
00:18:04passaram pela direção
00:18:06pela experiência.
00:18:07É o Kaká,
00:18:07é um exemplo forte,
00:18:09o Kaká de Carvalho,
00:18:10nossa,
00:18:12que foi lá,
00:18:13de repente,
00:18:13de repente,
00:18:15acha de ir para São Paulo,
00:18:17e lá,
00:18:18começou a forçar a barra,
00:18:20eles diziam,
00:18:21valsa, valsa,
00:18:22para cá,
00:18:22que nada.
00:18:23Aí ele conseguiu,
00:18:25num teste aberto
00:18:27para o elenco
00:18:28de Macunaíma,
00:18:29para o Antunes Filho,
00:18:31por um acidente
00:18:32que ele começou a...
00:18:34Ele falhava uma amiga
00:18:34para fazer o teste.
00:18:35É,
00:18:36ele começou a fazer barulho,
00:18:38aí o Antunes parou,
00:18:39ele sai,
00:18:40você venha cá,
00:18:41então venha fazer.
00:18:43Não deu ouça.
00:18:44Eu lembro da Xadê,
00:18:45eu lembro da apresentação
00:18:46de Macunaíma
00:18:47no Teatro da Paz,
00:18:48que acontecimento,
00:18:50foi aquele espetáculo,
00:18:51e que acontecimento,
00:18:53para quem viu,
00:18:54foi lindo.
00:18:55Assistir aquilo
00:18:56no Teatro da Paz,
00:18:57aquele espetáculo maravilhoso.
00:18:58E a gente merecia,
00:18:59que a gente viesse para ver
00:19:00e assistir na época.
00:19:00O clássico,
00:19:01porque acabou sendo,
00:19:03talvez,
00:19:03o espetáculo mais famoso,
00:19:05mais solidamente famoso.
00:19:07Mais premiado,
00:19:07do Brasil.
00:19:08É,
00:19:08viajou o mundo,
00:19:09a Europa,
00:19:10tudo.
00:19:11Exatamente,
00:19:12revelou o Cacá.
00:19:13Agora,
00:19:13olha só,
00:19:14todo mundo praticamente
00:19:15passou como você,
00:19:16passou na experiência,
00:19:17e aí,
00:19:19a partir daí,
00:19:20vocês começam também
00:19:20a ter um repertório.
00:19:21Sim.
00:19:22Uma peça atrás da outra.
00:19:23Sim, sim.
00:19:24Era sempre uma adulta
00:19:25e uma infantil, né?
00:19:26Era,
00:19:26a gente fazia muito
00:19:27teatro infantil também.
00:19:29Era uma época também
00:19:31que tinha uma efervescência
00:19:32muito grande
00:19:33do teatro paraense.
00:19:34As pessoas já esperavam,
00:19:35porque aí começaram
00:19:36a surgir outros grupos também.
00:19:38Então,
00:19:38as pessoas já esperavam
00:19:39no final do ano
00:19:39o que é que a experiência
00:19:40vai montar,
00:19:41o que é que o Sena Aberta
00:19:42ia montar,
00:19:42o que é que o Gruta
00:19:43vai montar,
00:19:44o que é que...
00:19:44O grupo do Cláudio Barrada,
00:19:46que era teatro de equipe
00:19:47do Pará,
00:19:48que era dentro da escola técnica.
00:19:49Então,
00:19:50eram vários grupos
00:19:51e que as temporadas
00:19:53de final do ano
00:19:53eram sempre muito concorridas.
00:19:55É,
00:19:55o teatro acontecia
00:19:57nessa época.
00:19:57Acontecia.
00:19:58Pois é,
00:19:58e aí a gente também pensando
00:20:00numa coisa,
00:20:00já conversando com uma amiga minha,
00:20:02a gente pensou
00:20:02que os tempos são caretas,
00:20:04né?
00:20:04Nós vivemos agora
00:20:05em caretamos, né?
00:20:07Chegamos a esse ponto agora
00:20:09até aqui
00:20:09que parece que não teve...
00:20:12O mundo começou agora, né?
00:20:14Quando na verdade
00:20:14teve um outro
00:20:15muito mais livre
00:20:17do que esse.
00:20:18Por exemplo,
00:20:18tu falaste agora
00:20:19da tua...
00:20:20Falaste agora
00:20:21da roupa, né?
00:20:22Do figurino.
00:20:23Mas eu lembro,
00:20:24por exemplo,
00:20:24de assistir peças
00:20:25no teatro,
00:20:25tipo cena aberta,
00:20:27mas o pessoal
00:20:27arnou no palco.
00:20:28Nós fizemos isso,
00:20:29que era aquilo aí.
00:20:30Muito depois.
00:20:31Muito depois,
00:20:32porque nós tivemos
00:20:33em 1980,
00:20:35exatamente em 1980,
00:20:37um divisor de águas
00:20:38no Grupo Experiência.
00:20:38Foi quando o Geraldo
00:20:39montou um espetáculo
00:20:41do Raimundo Alberto,
00:20:42que é um paraense
00:20:42que mora no Rio,
00:20:43chamado
00:20:44A Mãe D'Água.
00:20:46E a Mãe D'Água...
00:20:47E a Mãe D'Água...
00:20:47E a Mãe D'Água...
00:20:48E a Mãe D'Água...
00:20:49E a Mãe D'Água...
00:20:49Ele pegou e disse
00:20:50vamos fazer esses caruanas
00:20:52emergirem com a Mãe D'Água,
00:20:54que era a Vânia de Castro
00:20:55que fazia excelentemente,
00:20:58nos...
00:20:58E é isso,
00:20:59entre os atores,
00:21:00foi uma loucura, né?
00:21:01Imagina a gente
00:21:02trancado no teatro
00:21:03Valdemar Henrique
00:21:04ensaiando,
00:21:05já todo mundo
00:21:05tirava roupa,
00:21:06todo mundo...
00:21:07Ai, meu Deus,
00:21:08não sei o quê.
00:21:09Mano, uma semana
00:21:10bastou
00:21:10pra todo mundo
00:21:12chegar no teatro
00:21:12a primeira coisa que fazia
00:21:13era tirar a roupa.
00:21:14Eu já tirava a roupa, né?
00:21:15Então foi o nu
00:21:15tão natural
00:21:16que ele conseguiu
00:21:17que caiu
00:21:17a genialidade
00:21:18de Geraldo Salles, né?
00:21:20Que o espetáculo
00:21:21quando estreou
00:21:22as pessoas ficavam
00:21:23mundiadas na plateia.
00:21:24Não, eu lembro
00:21:25que pra entrar
00:21:26pra ter cena aberta
00:21:27um espetáculo
00:21:28com a Zé de Mãe D'Água...
00:21:29Tem que estar
00:21:29estertronto,
00:21:30geneio,
00:21:31palhaço de Deus.
00:21:31Exatamente.
00:21:32Mas isso veio depois, né?
00:21:34Mãe D'Água...
00:21:34Porque aí Mãe D'Água
00:21:35quebrou o paradigma
00:21:37e viajou
00:21:37pra Festival de Campina Grande.
00:21:39E aí foi o histórico.
00:21:40O famoso Festival de Teatro
00:21:41de Campina Grande.
00:21:41Não, e foi escolhido
00:21:44pro Projeto Bambembao
00:21:46na primeira vez
00:21:47que a gente viesse
00:21:47o Brasil
00:21:48com os peças.
00:21:50O Projeto Bambembao
00:21:50era um grande projeto
00:21:51de teatro brasileiro
00:21:52que pegava
00:21:53os grupos regionais
00:21:55e circulava
00:21:55em todo o Brasil.
00:21:56Na música
00:21:57foi o Projeto Peixiguinha, né?
00:21:59Isso.
00:21:59O Teatro foi...
00:22:00E teve um negócio
00:22:01incrível
00:22:02quando a gente foi
00:22:03pra São Paulo
00:22:05que a gente estreou
00:22:06no Teatro de Arena.
00:22:08No espetáculo
00:22:08que eu estava com esse
00:22:10tinha avisado
00:22:11pra nós
00:22:12comprem a...
00:22:14Era a Veja?
00:22:15Isto é.
00:22:15Sim, era a Veja.
00:22:16Isto é?
00:22:17Comprem a Isto é
00:22:18que vai ser um crítico.
00:22:20Vem assistir
00:22:20ao crítico
00:22:21da Isto é.
00:22:22Ele vai fazer
00:22:23uma matéria.
00:22:24Eu estava
00:22:24na Praça da República
00:22:26com você.
00:22:27Vamos comprar.
00:22:27Esperou a da revista.
00:22:29Vamos comprar.
00:22:29Quando a gente comprou
00:22:32a crítica.
00:22:33Eu li a crítica
00:22:34uma página inteira
00:22:35e comecei a chorar
00:22:36no meio da Praça.
00:22:37Foi muito doido isso.
00:22:38Muito doido.
00:22:39Pois é, mas muito efervescente.
00:22:41Agora, o que aconteceu
00:22:42com o teatro paraense?
00:22:46Ele começou a ser,
00:22:48como diz a música,
00:22:50que o que é bom
00:22:50vem lá de fora
00:22:52a partir depois
00:22:53dos anos 2000.
00:22:54Porque, antes disso,
00:22:55a gente não experimentou
00:22:56a velocidade
00:22:58de um fenômeno
00:22:59chamado
00:23:00Verde Ver o Peso.
00:23:02O Verde Ver o Peso
00:23:03é de que ano, hein?
00:23:03Foi em 1982.
00:23:06E que, sabe,
00:23:08até hoje
00:23:08tem gente
00:23:09que já assistiu
00:23:10dez vezes.
00:23:11Entendeu?
00:23:12Foi uma carreira
00:23:13que a gente já apresentou
00:23:14muitas cidades brasileiras,
00:23:15não só do interior
00:23:16do Pará.
00:23:17E hoje em dia
00:23:17a gente liga
00:23:18o experiência
00:23:19como o Verde Ver o Peso.
00:23:21Foi exatamente.
00:23:22Foi um homem
00:23:22feliz.
00:23:23O projeto Mamimbão
00:23:25foi o espetáculo
00:23:26que mais arrecadou público.
00:23:29Tanto que,
00:23:29nas grandes exposições
00:23:31que tinham
00:23:31do Mamimbão
00:23:32que faziam,
00:23:33que eram pedaços
00:23:35de tela
00:23:35com fotos
00:23:36de espetáculos
00:23:37do Brasil inteiro,
00:23:38a nossa era
00:23:39que abria a exposição
00:23:40com um painel gigantesco
00:23:41e a gente lá
00:23:42com aquela máscara.
00:23:43Eu queria contar
00:23:44a história
00:23:46de como foi
00:23:47o processo
00:23:48do Verde Ver o Peso.
00:23:50Foi bem interessante.
00:23:51A minha ideia
00:23:52de fazer um teatro
00:23:53amazônico
00:23:54para a igreja
00:23:54desfaltado,
00:23:55então vamos fazer
00:23:57um espetáculo
00:24:00que fale
00:24:02em várias cenas
00:24:04sobre Belém
00:24:04e não sei o que mais.
00:24:06Se conseguiu fazer isso,
00:24:09agora,
00:24:09onde vai se passar
00:24:12esse espetáculo?
00:24:13e um dia,
00:24:16passando o ônibus,
00:24:17eu vi o Ver o Peso,
00:24:18né?
00:24:20Aí me feio
00:24:20e vi os urubus
00:24:22voando.
00:24:23Aí me lembrei
00:24:24que o espetáculo
00:24:25precisava
00:24:26de um condutor.
00:24:30Lembrei
00:24:30que os espetáculos
00:24:31do Nordeste
00:24:32sempre tinham
00:24:33um cantador
00:24:34que cantava
00:24:35os causos.
00:24:37A que não tinha.
00:24:39Então quem pode
00:24:40levar o espetáculo,
00:24:43unir as cenas
00:24:44e tudo mais?
00:24:45Aí vi os urubus
00:24:47sobrevoando
00:24:47o Ver o Peso.
00:24:48Aí veio
00:24:50dois urubus.
00:24:50Ele mandava
00:24:51a gente
00:24:52para a feira.
00:24:53Na época
00:24:53tinha a Praça do Pescador
00:24:55que tinha as famosas
00:24:55serestas.
00:24:56E a gente ficava
00:24:57e amanhecia
00:24:58cada um
00:24:59com o seu alquimento,
00:25:00uma plancheta.
00:25:01Uma espécie de laboratória,
00:25:02E tentando
00:25:03entrevistar as pessoas
00:25:04no Ver o Peso.
00:25:05Agora, Geraldo,
00:25:05esse teu sentido
00:25:06de pioneirismo,
00:25:07olha só,
00:25:07lá atrás,
00:25:08lá no início,
00:25:09no próprio Rappen,
00:25:10tu já pega
00:25:11essa coisa
00:25:11de trazer para o teatro,
00:25:13trazer para o teu trabalho,
00:25:15trazer para a experiência,
00:25:16essa coisa
00:25:17da cultura para esse,
00:25:19você sempre teve
00:25:20esse foco também.
00:25:21Voltado para o regional.
00:25:22Agora que se fala muito
00:25:24de regionalismo.
00:25:24Sempre tive.
00:25:25Fui pioneiro nisso.
00:25:27Sempre tive.
00:25:28Isso é interessantíssimo.
00:25:30E de mostrar isso,
00:25:31porque vocês viajaram
00:25:32com o Ver o Peso
00:25:33e viajaram o Brasil inteiro.
00:25:34É, porque é uma receita,
00:25:36um teatro voltado
00:25:37para a nossa terra,
00:25:38é uma receita
00:25:39que tem em outros estados também,
00:25:40mas o Geraldo
00:25:41sempre foi apaixonado
00:25:42por essa...
00:25:42E o Cacá fala uma coisa
00:25:44muito interessante.
00:25:46O tipo do teatro
00:25:46que a experiência faz,
00:25:48que é um tipo de teatro único,
00:25:49que não se faz
00:25:50em teatro profissional
00:25:52em Rio de São Paulo,
00:25:52mas a prova disso é que
00:25:54quando nós chegamos
00:25:55no festival do Paraná
00:25:57e o Júri,
00:25:58que era formado
00:25:59por Ruth de Souza,
00:26:00Cláudio Cavalcante,
00:26:01Henrieto Morinor,
00:26:03essa mulher,
00:26:04quando acabou o espetáculo,
00:26:05todo mundo ficou,
00:26:07ninguém...
00:26:07O elenco tinha que ficar assim.
00:26:08Mas que maneira
00:26:09tu acha assim?
00:26:09Porque um teatro
00:26:10mais puro seria isso?
00:26:11Mais ingênuo,
00:26:12mais puro,
00:26:13mais despretencioso
00:26:14de grandes técnicas.
00:26:16É um teatro verdadeiro,
00:26:18entendeu?
00:26:19Teatro de uma forma de verdade.
00:26:21O Júri procurou isso
00:26:22na forma de...
00:26:23Eu acho que o grande lance,
00:26:24por exemplo,
00:26:25do espetáculo,
00:26:26como foi a manizagem,
00:26:27ao invés de ver o peso,
00:26:29é que as pessoas,
00:26:30o público,
00:26:31se vê no espetáculo,
00:26:34sabe?
00:26:34Se identifica, né?
00:26:35Vê, se identificam
00:26:37com as cenas,
00:26:38com as coisas
00:26:39que fazem parte
00:26:41da sua história, né?
00:26:42Esse, quando me perguntam,
00:26:44a forma do grande sucesso
00:26:46é isso.
00:26:47E o teatro não morre nunca,
00:26:49como já dizia
00:26:50Fernanda Montenegro.
00:26:51Ele se renova,
00:26:52ele vai.
00:26:53O público não é mais o mesmo
00:26:54e o público novo
00:26:56talvez não venha muito
00:26:57para teatro,
00:26:58porque acho que depois
00:26:58que a internet passou
00:27:00a fazer parte
00:27:00da vida das pessoas,
00:27:02muita coisa mudou.
00:27:03Não foi só no teatro,
00:27:04mas as pessoas
00:27:05não deixam de ir ao teatro.
00:27:06Eu não me lembro
00:27:07de ter feito espetáculos
00:27:10que não tenha
00:27:11um público expressivo.
00:27:12O último que fizemos agora
00:27:13tivemos três dias
00:27:15de casa lotada.
00:27:17Entendeu?
00:27:18Mas, assim...
00:27:18E o gesto...
00:27:20Não é...
00:27:21O público hoje
00:27:22está voltado muito
00:27:23para a tecnologia.
00:27:24Ou então,
00:27:25o que é bom
00:27:25vem lá de fora,
00:27:26quando vem um espetáculo
00:27:27de fora,
00:27:27às vezes vem um ator
00:27:29que fez novela,
00:27:30todo mundo conhece
00:27:31e o teatro, ó,
00:27:32lota.
00:27:33Porque o que é bom
00:27:33vem lá de fora.
00:27:34A música já dizia isso.
00:27:36Agora, eu acho
00:27:37uma coisa
00:27:38que eu sempre coloquei
00:27:39pelo coragem,
00:27:40procurei colocar
00:27:41nos nossos espetáculos.
00:27:44a verdade.
00:27:46Que tenha a verdade,
00:27:48que a gente
00:27:48é presença,
00:27:49que seja...
00:27:50Que não seja uma caricatura,
00:27:52né?
00:27:52Que seja a verdade.
00:27:53Da realidade.
00:27:54Que seja a verdade.
00:27:55Então,
00:27:56quando eu me pergunto,
00:27:57é através disso, né?
00:27:59Aí as pessoas
00:28:00se identificam
00:28:01de uma certa maneira, né?
00:28:04Ao longo desses anos,
00:28:05quantas vezes
00:28:06esse elenco também
00:28:07já do Ver o Peso,
00:28:09já...
00:28:10Vocês têm o Ver o Peso
00:28:11e o espetáculo pronto.
00:28:12Se eu te falar,
00:28:12amanhã eu quero que você
00:28:13apresente ver o Ver o Peso,
00:28:15o espetáculo está pronto.
00:28:16Aperta o botão e vai.
00:28:17Não precisa nem sair.
00:28:18Já faz aquela...
00:28:20E olha que já passaram
00:28:21muitas pessoas,
00:28:22já passaram mais de 80 atores
00:28:23pelo Grupo Experiência
00:28:24quando foram se renovando, né?
00:28:26Desde a turma do início,
00:28:28lá de 82,
00:28:29só está hoje
00:28:30eu,
00:28:31Natal,
00:28:32Paulo Cunha
00:28:33e Paulo Vasconcelos.
00:28:35Os últimos eram
00:28:35o Zecão e o Filé,
00:28:36que se foram,
00:28:38ficou só nós quatro.
00:28:39O resto tudo
00:28:39são pessoas
00:28:40que vieram entrando
00:28:41conforme o tempo
00:28:42foi passando,
00:28:43gente de fora,
00:28:44atores de fora
00:28:44que vieram morar em Belém,
00:28:46participaram do grupo,
00:28:46entendeu?
00:28:47Fomos se renovando.
00:28:48Voltando agora
00:28:49para essa parte lá
00:28:50que a gente voltou
00:28:51do tempo
00:28:51e dessa caretice
00:28:53ululante
00:28:54que paira sobre nós, né?
00:28:57Já achando
00:28:58que nós estamos lá na frente
00:28:59e seremos mais modernos.
00:29:00Você não acha
00:29:01que tem essa coisa também
00:29:02de, por exemplo,
00:29:03esse teatro
00:29:04que chega aqui,
00:29:05às vezes,
00:29:05de fora, né?
00:29:06Que é um teatro
00:29:07pasteurizado,
00:29:07na verdade, né?
00:29:09Um comercial, né?
00:29:10Ele tem uma verdade,
00:29:11ele é muito bem feito,
00:29:12ele é ótimo,
00:29:12ele até diverte,
00:29:13mas ele é um teatro
00:29:15pasteurizado, entendeu?
00:29:16Não diz o que tem
00:29:18que dizer,
00:29:18por exemplo,
00:29:19porque, por exemplo,
00:29:20às vezes...
00:29:20Eu acho que não tem
00:29:21uma verdade
00:29:22que faça com que
00:29:23o público seja...
00:29:25Tem uma forma,
00:29:27uma forma,
00:29:28tem uma falta,
00:29:29eu acho que um pouco
00:29:30mais de verdade.
00:29:31que é a forma comercial, né?
00:29:33Tinha uma companhia
00:29:34que trazia todos os anos
00:29:36para cá, para Belém,
00:29:37umas peças infantis
00:29:39e as pessoas até conseguiam
00:29:41uma divulgação na televisão.
00:29:43Eu acho que é quando
00:29:43eu via dois macaquinhos
00:29:44e uma velhinha
00:29:48vestida assim.
00:29:50O espetáculo era um horror,
00:29:52cara.
00:29:53Mas, olha,
00:29:53as crianças iam...
00:29:54Quer dizer...
00:29:55E outra coisa,
00:29:55também não tem mais
00:29:56teatro infantil, né?
00:29:57A gente não vê mais...
00:29:58Público que merece ter...
00:29:59É verdade.
00:30:00Merece ter...
00:30:01A gente já voltou a fazer.
00:30:02Já teve o antigo, né?
00:30:04Eu tenho feito
00:30:04meus espetáculos infantis
00:30:06da escola onde eu trabalho
00:30:07e, no final de ano,
00:30:08a gente consegue
00:30:09um público super expressivo.
00:30:10O espetáculo
00:30:12fora do Verde Verdeiro Peso,
00:30:14mais permeado
00:30:15fora do Belém,
00:30:17que a gente viajou,
00:30:18é um espetáculo infantil.
00:30:21Era no reino do reino, não é?
00:30:23Não ficou ótimo,
00:30:24o Lamarca
00:30:25e seu fiel companheiro,
00:30:27o Zé Chupança,
00:30:29que é uma versão
00:30:30do Don Quixote.
00:30:33Agora, olha,
00:30:35recordando assim,
00:30:35você fez lá o rap
00:30:36e depois você fez...
00:30:38Tem muita vuma, não é?
00:30:39Tem muita vuma.
00:30:40Os títulos são sensacionais.
00:30:41Fala aqui pra gente.
00:30:42Como cansei de ver o peso.
00:30:45Como cansei de ver o peso.
00:30:45Os andrógenos.
00:30:46É, o engraçado
00:30:47como cansei de ver o peso.
00:30:49Foi a primeira.
00:30:50Tem muita vuma
00:30:50no meu tacacá.
00:30:52Era o espetáculo
00:30:52que a Fafá de Belém fazia.
00:30:53Fazia,
00:30:54que o Cacá fazia também.
00:30:56O Fafá, aliás,
00:30:56até hoje faz referência
00:30:58nessa parte do teatro.
00:31:00Você imagina
00:31:01um espetáculo chamado
00:31:02Os Andrógenos
00:31:03em cima das mesas.
00:31:06É Ló Iglesa
00:31:06do lado,
00:31:07o Cacá de Carvalho
00:31:09do outro.
00:31:09E era um espetáculo
00:31:10apresentado na sede
00:31:11da Assembleia Paraense,
00:31:12ali na Presidente Vargas.
00:31:13Sim,
00:31:14na sede social.
00:31:14Na sede social.
00:31:15Na Presidente Vargas.
00:31:16E era muito engraçado
00:31:17porque...
00:31:18mas até a percepção
00:31:19do público
00:31:20era outra.
00:31:20Hoje em dia
00:31:21as pessoas hoje
00:31:22com tanto conteúdo,
00:31:23com tanta imagem,
00:31:24com tanta visualidade
00:31:25que nós temos,
00:31:26as pessoas se chocam com...
00:31:28Chegou uma época
00:31:29que a gente achava
00:31:30que, por exemplo,
00:31:32era muito mais fácil
00:31:33alguém ligar para o amigo.
00:31:34Oi, vamos pegar
00:31:35um cinema hoje?
00:31:36O que está passando?
00:31:37Do que ligar assim,
00:31:38vamos para o teatro hoje?
00:31:40Porque o cinema parece
00:31:42que era mais atrativo
00:31:43do que o teatro.
00:31:44Agora,
00:31:44quando tem uma boa divulgação
00:31:46e quando a gente conhecia,
00:31:47aí era legal.
00:31:49Mas,
00:31:50na maioria das vezes,
00:31:51a gente ia
00:31:52no boca a boca...
00:31:54E a gente conseguiu
00:31:55formar um público
00:31:57do experiência.
00:31:58Eu acho que,
00:31:59eu acho que,
00:31:59mais do que formar um público,
00:32:01vocês têm
00:32:01uma marca de qualidade,
00:32:05entendeu?
00:32:06Obrigado.
00:32:07Experiência já...
00:32:07Bom, olha,
00:32:08esse espetáculo
00:32:09é do experiência.
00:32:10É tipo quando a gente dizia assim,
00:32:11olha,
00:32:11esse filme é do Fellini,
00:32:13essa música é de tal pessoa.
00:32:14Olha,
00:32:15esse espetáculo
00:32:15é do experiência.
00:32:16A gente vê isso agora
00:32:17com essas últimas montagens,
00:32:18porque vocês não pararam,
00:32:19na verdade.
00:32:20Nunca pararam,
00:32:21vocês sempre têm
00:32:22espetáculos sendo apresentados.
00:32:25Porque, por exemplo,
00:32:25que eu me recordo,
00:32:26o tempo passado,
00:32:27vocês fizeram de Bragança,
00:32:29o musical da Estrada de Ferro
00:32:30de Bragança.
00:32:31Nos Tridos da Esperança.
00:32:32Que é,
00:32:32como chama?
00:32:33Nos Tridos da Esperança.
00:32:35Pois é,
00:32:35depois disso já teve outro,
00:32:36agora recentemente montou
00:32:38um texto clássico.
00:32:40Fala pra gente
00:32:41como é que é essa montagem,
00:32:42como é essa passagem aí
00:32:43do musical da comédia,
00:32:45pro...
00:32:46É,
00:32:46vamos falar do último espetáculo,
00:32:48Antônia.
00:32:50Bom,
00:32:51há muito tempo atrás,
00:32:53eu,
00:32:54logo no começo do Grupo Experiência,
00:32:57eu queria montar
00:32:59uma tragédia grega,
00:33:02eu estava muito ainda,
00:33:04junto com o Cláudio Barrado,
00:33:06que eles tinham vindo
00:33:06da escola,
00:33:08desse teatrão grego,
00:33:10não sei o quê.
00:33:11Então,
00:33:12a gente montou
00:33:14Antígone
00:33:14na escadaria
00:33:16do Teatro da Paz,
00:33:17o público ficava sentado
00:33:19embaixo,
00:33:20em cadeiras,
00:33:21o espetáculo...
00:33:22A gente...
00:33:23Aquela escadaria central ali
00:33:25do hall de Itália.
00:33:25aquele espelho
00:33:27era anulado
00:33:28com cortina negra
00:33:30e o espetáculo
00:33:31descia
00:33:31pela escadaria,
00:33:33Antígone.
00:33:35Depois montou
00:33:36não foi?
00:33:37Depois montou Édipo
00:33:38também lá,
00:33:39não é?
00:33:40depois de muito tempo
00:33:43a história de Antígone
00:33:44me perseguia.
00:33:46Eu vi falar,
00:33:47alguém falar,
00:33:48não foi uma ideia
00:33:49praticamente minha,
00:33:51que seria maravilhoso
00:33:52fazer um Antígone
00:33:54nas palafitas,
00:33:56correndo naquelas pontes.
00:33:59Pá!
00:34:00Aí isso me perseguiu.
00:34:01Eu não consegui fazer
00:34:04correndo nas pontes,
00:34:05na Vila da Barca
00:34:06e tudo mais,
00:34:07mas consegui trazer
00:34:09essa história
00:34:11para a nossa realidade,
00:34:13a realidade da Amazônia,
00:34:15do Pará.
00:34:16É isso.
00:34:17O experiência
00:34:18tem o eleico fixo.
00:34:20Tem pessoas que...
00:34:21Nós somos experiência.
00:34:23Sim.
00:34:23Quantas pessoas
00:34:25hoje fazem parte
00:34:26da experiência?
00:34:26Quantas?
00:34:27Não sei.
00:34:27Agora sempre temos
00:34:29convidados,
00:34:30de acordo com a necessidade.
00:34:33Tem uma galera
00:34:34que já vem...
00:34:35O André, a Kátia,
00:34:37mas dos antigos
00:34:38é Eu, Natal,
00:34:38Paulo Cunha
00:34:39e o Paulo Vasconcelos.
00:34:40Paulo, eu não me lembro.
00:34:42Tu já dirigiste?
00:34:44Tem alguma direção?
00:34:45Tua?
00:34:45Não pelo grupo experiência.
00:34:47Já fiz assistência de direção.
00:34:49Eu dirijo um grupo de teatro
00:34:50chamado Grupo Action de Teatro,
00:34:52atrelado à escola de inglês,
00:34:54que eu trabalho já há muitos anos.
00:34:55Então, já fiz grandes musicais também,
00:34:58como o Hércules.
00:34:58O Hércules é uma grande estrela.
00:34:59Ela faz cinema,
00:35:00faz televisão,
00:35:01faz tudo, né?
00:35:01Eu fiz Hércules.
00:35:04Já dirigi Hairspray,
00:35:06já dirigi Across the Universe.
00:35:08Já fiz vários espetáculos.
00:35:10E ultimamente estou voltado
00:35:11para os espetáculos infantis.
00:35:14Desse ano vai ser baseado no filme,
00:35:16vai ser uma adaptação.
00:35:25A arte como entrou na minha vida
00:35:27na época de colégio.
00:35:30Colégio Lauro Sodré.
00:35:32E eu tinha um professor
00:35:34que era ligado à arte e tudo,
00:35:36e ele resolveu fazer uma peça de teatro
00:35:38no final de ano.
00:35:40E aí eu fui,
00:35:42sem saber o que era peça,
00:35:43sem saber o que era teatro,
00:35:45e tive a experiência com os colegas
00:35:46da turma.
00:35:48O meu primeiro contato
00:35:49com uma peça
00:35:51e o público, né?
00:35:52Porque as famílias
00:35:53foram assistir e tudo,
00:35:55e foi bem legal.
00:35:58A Caraguaia,
00:35:59Conspiração do Silêncio.
00:36:01Depois fiz
00:36:03o Serra Pelada,
00:36:04participei também
00:36:05dos órfãos do Eldorado,
00:36:07e depois fiz o órfão, né?
00:36:09E depois fiz o Pacto de Sangue também.
00:36:11e depois fiz o Pacto de Sangue também.
00:36:12E depois fiz o Pacto de Sangue também.
00:36:14Mas o Gavião
00:36:15tá doidinho pra te encontrar.
00:36:17Tá doidinho pra te ver.
00:36:18Entendeu?
00:36:19Dá um corretivo nela.
00:36:22Eu quero matar.
00:36:24Matar logo, se for.
00:36:31Bira,
00:36:32você vai assumir essa operação.
00:36:34Só quero ser que não...
00:36:56Chegou a minha pipa.
00:36:58Vamos fazer uma oração.
00:37:01Vai, dá as mãos aí.
00:37:02Vamos lá, vamos lá.
00:37:06Vamos lá, vamos lá.
00:37:14Vamos lá, vamos lá.
00:37:34Amando.
00:37:46Precisamos ir ao hospital, doutor.
00:37:49Há muitos cidadãos a ser atendidos.
00:37:51Fizemos cuidados vivos.
00:37:54Fizemos mortos.
00:37:56Deus o tenha em bom lugar.
00:38:00Você, garoto.
00:38:02Vá.
00:38:02Vá cuidar de sua avó.
00:38:04Agora você é o homem da casa.
00:38:07Vá.
00:38:11Eu preciso de roupas novas.
00:38:14Suas roupas novas já estão no seu guarda-roupa, doutor.
00:38:17Vamos até a sua casa e depois seguimos pro hospital.
00:38:20Ah, doutor, esta casa aqui foi construída há mais ou menos uns 200 anos pelos padres jesuítas,
00:38:26os primeiros colonizadores da nossa região.
00:38:29E olha, é um orgulho pra nossa cidade poder ter preservado essa tal edificação aí que tantas lendas possuem por
00:38:36aqui.
00:38:36E o senhor, que é um grande, é um renomado médico desse enorme estado do Grão-Pará,
00:38:42vai ter a satisfação de residir.
00:38:43Perfeito, eu quero ficar só.
00:38:45Ah, tá certo, tá certo.
00:38:46Olha, vá descansar na sua casa nova e amanhã cedinho nos encontramos lá no hospital
00:38:50pra que eu possa te apresentar a todo mundo, tá bom?
00:38:52Eu vou ficar com a lancha?
00:38:54Ah, sim, claro.
00:38:55Esses rios são as nossas ruas, doutor.
00:38:57Tu vais precisar dela.
00:38:58Ah, eu já ia me esquecendo.
00:38:59Olha, aqui está o seu celular novo, doutor.
00:39:01Olha, é a única operadora que pega aqui, tá bom?
00:39:03Vá, vá.
00:39:04Bom descanso, doutor Tomás.
00:39:05A população está sempre insatisfeita, sempre reclamando.
00:39:09Você pode fazer 99% do que eles precisam, mas esse 1% que ficou faltando, eles vão estar
00:39:15sempre reclamando.
00:39:16Mas pega bem, vai ser assim com o senhor também.
00:39:18Preciso dar ouvido à população, você vai dar melhores condições de vida.
00:39:23E achas que eu não tento?
00:39:25Achas que eu não sei da miséria do povo da floresta?
00:39:27Do meu povo?
00:39:29Achas que eu nunca andei por esse rio de olhei nos olhos dessas crianças fadadas
00:39:33ao dar o esquecimento?
00:39:34Eu conheço muito bem os problemas da minha terra.
00:39:37Eu sou nascido e criado aqui no Marajó, por isso não me julgo.
00:39:40E Deus é minha testemunha que eu sempre tentei fazer o máximo que eu posso por essa cidade.
00:39:45Mas parece que ninguém lá embaixo se preocupa com ele.
00:39:47Nós somos um bando de índios e filhos de índios, os verdadeiros donos dessa terra.
00:39:52Os meus apelos por vemos estão sem resposta desde o meu último mandato.
00:39:57E se eu me reelegi, é porque eu sempre fiz mais do que eu posso por essa população.
00:40:02Mas a verdade é que eu nunca pude contar com ninguém.
00:40:05Brasília está demais ocupada para olhar para cima.
00:40:09Eita, que a noite está boa, hein, doutor?
00:40:11Está linda, pô.
00:40:12E daqui a pouco é sua vez de dançar, viu?
00:40:14Ô, prefeito, eu não danço.
00:40:15Ah, assim não.
00:40:16Ninguém dança quando chega por aqui, né?
00:40:18Eu realmente, prefeito, não danço.
00:40:20Doutor, olha, com o indivíduo e respeito, doutor.
00:40:21O senhor já esteve numa festa, assim, de noite e de lua.
00:40:32Vou trabalhar, seus bando de vagabundo.
00:40:34Bora!
00:40:36Já disse.
00:40:38Não vimos nada de estranho por aqui.
00:40:48Na floresta é assim mesmo.
00:40:51O rio leva tudo embora.
00:40:56Ajuste de contas, suicídio, estupro.
00:41:03Tem até gringo que vem tirar férias estranho aqui.
00:41:07Estranho é como?
00:41:12Estranho, olha.
00:41:14Na floresta não tem dono.
00:41:17Não tem memória.
00:41:21Aqui é terra de ninguém.
00:41:25Mais alguma coisa?
00:41:26Preciso voltar a trabalhar.
00:41:32Essas pequenas participações me deram uma alegria muito grande.
00:41:38Teatro é uma arte linda de aprender.
00:41:41Teatro é emoção pura, sabe?
00:41:43Maravilhoso.
00:41:44Eu não conseguiria viver sem teatro, não.
00:41:46Acho que eu vou morrer ator.
00:41:49Eu sou feliz por ser ator.
00:41:53Você já está com um projeto novo, né?
00:41:55Qual é esse projeto?
00:41:56Tchan, tchan, tchan, tchan.
00:41:59Ele está me deixando louco com a história de fazer um quase monólogo chamado O Canto do Cisne.
00:42:05O Canto do Cisne, pegando o texto do Tchekov, da Rússia, do Canto do Cisne, fazendo uma adaptação.
00:42:15Você nunca fizeste monólogo?
00:42:17Não, vai ser a primeira vez que ele vai fazer o monólogo.
00:42:20Agora tem que mostrar que tem talento, né?
00:42:22É.
00:42:22Eu te descobri, agora você vai ter que mostrar que eu estava certo.
00:42:28Tem uma outra cena que tem um estudante, um ponto do teatro, que é um ponto que fala.
00:42:36Que fala que ele quer levar ele para casa, para a cama sair dali, porque ele fica preso no teatro.
00:42:38Eu, com mim, faria uma comédia chamada O Canto da Siriemma, já pensou que ia ser engraçado.
00:42:44Agora, eu pensei nisso por causa dele, de dar essa chance.
00:42:49Agora, olha só, a gente...
00:42:50Para a minha filha mais cumprida.
00:42:52Minha filha mais cumprida.
00:42:54Agora, você falou de vários grupos.
00:42:56O que aconteceu com esse teatro paraense tão efervescente?
00:42:59Pois é, não.
00:43:00Esses grupos, a gente ficou mais distante, né?
00:43:05Mas tem grupos que ainda continuam, sabe?
00:43:08Porque era novidade fazer teatro, não era...
00:43:13Tinha o grupo palha, o grupo gruta, cena aberta.
00:43:16Cena aberta.
00:43:18Eu acho que, por exemplo, tinha negócio comigo e tudo.
00:43:21Quer dizer, eu tenho um relativo talento para dirigir.
00:43:24Eu comecei como ator.
00:43:25Nossa experiência é uma resistência.
00:43:26Relativo talento é uma modéstia, né, Geraldo?
00:43:29Eu tenho um relativo talento para dirigir.
00:43:31Geraldo Salles...
00:43:32Eu sou premiado em festival internacional de Manizales, na Colômbia.
00:43:39Quando a gente foi representar o Brasil com a escola de teatro, com a pena e a lei, varia no
00:43:45Soassuna.
00:43:46Eu fui o melhor ator do festival, né?
00:43:49Começou aí.
00:43:50O que aconteceu, enfim, com esses grupos?
00:43:52Os grupos meio que se distanciaram, mas continuam na ativa.
00:43:56Por exemplo, o grupo Guira, o grupo Palha, continuam ensinando.
00:43:59Porque não sai nas grandes mídias e as pessoas também não...
00:44:02Eu acho que falta paixão.
00:44:04É, também.
00:44:05Falta o quê?
00:44:06Paixão.
00:44:06E nascem outros grupos saídos da escola de teatro, porque a escola de teatro tem formado
00:44:11muitos atores.
00:44:14A minha impressão que eu tinha ainda lá na gestão do Paulo Chávez, na primeira vez que
00:44:19ele foi secretário de Cultura, que com todo aquele trabalho que foi feito de restauro,
00:44:24de resgate do Teatro Valdemar e Rico, eu digo, bom, agora aqui tem esse espaço e, a partir
00:44:29de agora, o teatro vai efervescer, não é verdade?
00:44:33Mas aí começou uma temporada de bandas de rock que aí...
00:44:37Mas sabe o que eu acho de muitos grupos que fazem um espetáculo, dois no máximo,
00:44:44depois, é porque estava na onda, sabe como é que é, estava na história, vamos fazer,
00:44:50vamos fazer, mas não tinha paixão, não tinha aquela coisa da vocação, da vocação.
00:45:00Existem grupos novos, relativamente novos, em atividade.
00:45:04Temos o grupo da Terra Firme, com o nosso querido Eli, temos o pessoal dos potoqueiros
00:45:11lá, com o Breno, o Newton, tem outros grupos, o grupo Cuíra também, de vez em quando fizeram
00:45:19Doroteia agora.
00:45:20Eles fizeram, participaram, inclusive, do festival Nilza Maria de Teatro, que teve recendo, inclusive,
00:45:26na época que a gente estava em temporada.
00:45:28Fala desse festival, que é muito importante.
00:45:29Esse é um festival importantíssimo, que o Edir Proença promove já tem uns quatro
00:45:33anos, eu acho, entendeu?
00:45:35Todos os anos eles reúnem...
00:45:36E trouxe para o Teatro da Praia.
00:45:37Trouxe para o Teatro da Praia grupos, né?
00:45:40Que vai de Fernando Raci aos potoqueiros, ao grupo Cuíra, ao grupo Palha, enfim.
00:45:47A gente ia participar, só não fomos porque eram nos mesmos dias que nós estávamos em
00:45:52Cartagena, no Valdemar Henrique, ali próximo, né?
00:45:54Mas, assim, é um festival que, além de exaltar o nome da nossa grande inspiração, que é
00:46:02Nilza Maria...
00:46:02Nilza, que é o elenco, né?
00:46:04Sim.
00:46:06O elenco clássico.
00:46:07O primeiro espetáculo que eu fiz com Nilza Maria foi em 1980, não, em 79, não, 78,
00:46:15que foi O Pássaro da Terra, era um espetáculo do Pai Loureiro, que o Geraldo dirigiu, a
00:46:20Nilza fazia um curupira, e ela me ajudava a entrar em cena, porque eu era muito envergonhado,
00:46:26ela fazia cosquinha e me empurrava, a Pracena empurrando uma canoa, eu e o Paulo Cunha, novinho.
00:46:31Então, assim, ela passou por vários espetáculos, fizemos espetáculos com o Doidira Proença,
00:46:37como a menina do Rio Guamá, que ela fazia, a minha esposa, que era uma comédia maravilhosa,
00:46:44um dos grandes espetáculos, e a Nilza fazia uma...
00:46:47Engraçado, voltando aí também, um título como esse, né?
00:46:51Se tu estás falando de muito tempo atrás, não é?
00:46:53De quanto tempo atrás?
00:46:54A menina do Rio Guamá tem uns 25 anos atrás.
00:46:57Olha, olha o impacto, olha o impacto, como a coisa muda, como hoje em dia é um título
00:47:02como esse, as meninas do Rio Guamá, tem todo um...
00:47:05E conta uma história engraçadíssima.
00:47:06E conta uma leitura e uma narrativa atual e contemporânea, né?
00:47:09E conta uma história engraçadíssima das famílias, parece que mandava a filha para o Rio
00:47:14para estudar e tudo, né?
00:47:15Então, ele fazia essa crítica, aí a família resolve um dia ir visitar a filha no Rio e leva
00:47:19os cofos de caranguejo, açaí, bandido, entendeu?
00:47:22E acaba sendo preso com aquele cheiro todo no prédio.
00:47:25Desse teu grande repertório aí, a partir da experiência, o que tu gostaria de remontar,
00:47:30por exemplo?
00:47:31Tem uns títulos aí que eu acho que foi Boto Sinhar, é...
00:47:34Foi Boto Sinhar, a gente montou cinco versões diferentes.
00:47:37Cláudio Barros foi o Boto, eu fui o Boto, que era fazer o Boto Cor de Rosa, ou o Finado,
00:47:41ou Inobis de Brito fazia um outro Boto na outra montagem.
00:47:44O Finado, o Carlos Santabrista fez o primeiro Boto.
00:47:47Então, foi muito louco.
00:47:50Esse é um espetáculo.
00:47:51Foi Boto Sinhar.
00:47:51Ele pensou em montar no passado, não foi?
00:47:53No passado, esse é um espetáculo.
00:47:54Hoje em dia, seria muito interessante.
00:47:56Ele pensou em montar para a COP.
00:47:58Para a COP, esse seria um espetáculo que eu sou afim de remontar, de trazer de volta.
00:48:05É, é muito.
00:48:05Sempre que a gente traz, tem alguma coisa nova que é legal, que atualiza.
00:48:11Assim como a experiência, né?
00:48:12Também, ao longo do tempo, já tem coisas que já foram colocadas lá, né?
00:48:16Que já se tornaram de sempre, né?
00:48:19Dentro do espetáculo.
00:48:20Não, uma certa atualização, não é?
00:48:22Sim, o Verde Ver o Peso é um prato cheio que a gente tem sempre que estar colocando
00:48:26algumas coisas novas, né?
00:48:27É, porque é em cima do que rola no Ver o Peso, entre as ferrãs, e as coisas se renovam
00:48:34sempre, né?
00:48:35Sempre.
00:48:35Tem sempre uma notícia nova que renova.
00:48:37Nova, é.
00:48:38É muito interessante esse fenômeno Verde Ver o Peso, né?
00:48:42Porque a gente vê quando...
00:48:43É inexplicável.
00:48:44É, eu tiro por mim assim, porque quando pessoas começam a me pedir, tem ingresso, consegue
00:48:48ingresso.
00:48:49Então, eu vejo que o espetáculo realmente está sendo bastante procurado.
00:48:52É.
00:48:52É uma terapia do riso, o Verde Ver o Peso.
00:48:54Porque além do para se identificar com aquilo...
00:48:57Você ri de si, ri de si mesmo, né?
00:49:00E hoje em dia essa questão que a gente fala do pertencimento, a gente já sente um orgulho
00:49:05de pertencer a todo aquele universo do Ver o Peso.
00:49:08Coisa que lá atrás não tinha íntimo.
00:49:11Era apenas uma feira da cidade que tinha aqueles personagens...
00:49:13Se adoriam, sabe, né?
00:49:15Exatamente.
00:49:16E o Ver de Ver o Peso, quando entra em cartaz, é muito engraçado, porque geralmente são
00:49:20duas temporadas que a gente faz num ano, né?
00:49:23A temporada do Sírio, e às vezes em junho, às vezes em janeiro, sempre tem alguma...
00:49:28Então, tem um congresso que a gente faz.
00:49:30E a gente costuma dizer que são dois espetáculos, né?
00:49:32O primeiro porque o elenco fica muito tempo sem se ver.
00:49:35Então, quando se reúne nesse dia, chega cedo no teatro e nos camarins, é uma gagalhada,
00:49:41é uma brincadeira.
00:49:41É outro espetáculo.
00:49:43A gente se prepara, a gente ri muito nos camarins.
00:49:47Principalmente quando o Zecão era, que o Zecão era quem comandava as brincadeiras no camarim.
00:49:51Então, a gente já ia pra cena imbuído de uma alegria muito grande, entendeu?
00:49:55O espetáculo tem uma coisa que é muito importante, para um espetáculo que seja comédia ou musical,
00:50:03é os atores gostarem, amarem, gostarem de fazer, se sentirem bem fazendo isso.
00:50:13É muito diferente, por exemplo, do espetáculo de Bragança, dos Trídeos da Esperança,
00:50:17que era um espetáculo poético, era uma homenagem, é um amor ao município de Bragança
00:50:23e de uma história de uma ferrovia que foi importantíssima para o nosso estado, entendeu?
00:50:28Então, tinha a crítica?
00:50:29Tinha, mas tinha a poesia, né?
00:50:32E terminava com a música.
00:50:34A gente também percebe já, no texto, naquele texto, apesar de ser um musical,
00:50:38que uma crítica social muito forte ali, né?
00:50:40De toda aquela condição que existia ali dentro, essa coisa do próprio Urubu,
00:50:44era um agente da, né?
00:50:47Com certeza.
00:50:48Ele costuma dizer que, no Verde Ver o Peso,
00:50:51Rindo se criticam os costumes.
00:50:55É, é como eu termino o espetáculo,
00:50:59Rindo se critica os costumes.
00:51:01É melhor dizer, porque defina muito bem a história do Verde Ver o Peso,
00:51:06porque a receita a gente não sabe dizer, porque foi um estouro, cara.
00:51:09A primeira vez que o Verde Ver o Peso se apresentou foi no Valdemar Henrique, lembra, né?
00:51:14Cinco sensões eu posso seguir, tá?
00:51:18Porque é um lugar pequeno, né?
00:51:19Não parava de...
00:51:20Nós somos seis horas da tarde, terminamos duas da manhã.
00:51:22É, porque não parava, mas de fila, não saía.
00:51:25Ficaram uma fila na porta aí, o Geraldo.
00:51:27Vocês topam fazer a vazia.
00:51:27Tu tens quantos anos de ator?
00:51:30Meu, comecei em 1978 com ele, né?
00:51:33Começou com essa?
00:51:3470, 40 e...
00:51:36Sim, 45 anos.
00:51:37Tá na hora de fazer o monólogo dele, né?
00:51:38É, agora tem que mostrar que sabe fazer.
00:51:42Eu sou um ator em final de capítulo.
00:51:43E, Paulão, nesse tempo todo, eu já te vi de várias e várias coisas.
00:51:47Aliás, uma das coisas que o Paulão emociona...
00:51:50Chato que abriu, moleque, né?
00:51:50É.
00:51:51Uma coisa que o Paulão emociona, me emocionou esse ano, ano passado.
00:51:58Ano passado, ano passado.
00:51:59Ele faz um Papai Noel, que é uma loucura.
00:52:02Conta uma história.
00:52:03Eu sei que é o Paulão, que é o ator do Paulo Fonseca que está lá, mas ele conta
00:52:08uma história que ele arranca lágrimas da gente.
00:52:10É, foi muito lindo.
00:52:12Tem você lá no apartamento da nossa querida amada amiga.
00:52:15E esse tempo todo, né, Paulão?
00:52:16Porque você é ator, né?
00:52:18Sim.
00:52:19O Papai Noel é um ator, né?
00:52:20O Papai Noel é um ator.
00:52:22O Papai Noel é um ator que abriu esse leque.
00:52:23Eu me lembro que quando comecei com o Geraldo, as pessoas...
00:52:26Ah, não sei o quê.
00:52:28Fizemos um espetáculo, Os Perigos da Bondade.
00:52:31A gente fez um pocket show na Chita Saudosa Maloca.
00:52:37Aí, nessa noite, que eu fazia um sacristão todo, serelepe, todo, aí chegou um menino
00:52:41que tinha um irmão que tinha uma agência de publicidade.
00:52:44Só ele tem um irmão que tem uma agência de publicidade.
00:52:45Ele falou, pode, quer ir lá, eu vou falar para ele de ti e tal, fazendo comerciais e tal.
00:52:51E eu fui lá, conheci o Wilson Portela, da Geopublicidade, e me jogou no estúdio da televisão,
00:52:59que eu acho que era a TV Tupi na época.
00:53:01Tinha dois panelões e uma câmera antiga, para eu decorar o texto em 30 segundos.
00:53:07Isso eu esqueci, eu tinha...
00:53:08Fazia ao vivo.
00:53:09Ele é ótimo decorar o texto, por isso esse papelão já é agora.
00:53:12E aí eu fiz o primeiro comercial da minha vida, que era um comercial da Rádio Lux.
00:53:16Pois é, é isso que eu digo, tu és chatoso de comercial.
00:53:18Aí passei a fazer loucão.
00:53:20Faz cinema.
00:53:20Falta e Bandeira me convidou para participar.
00:53:23Faz com o chefe, faz com o chefe.
00:53:24Não, isso eu não aprendi ainda.
00:53:26Isso ele não me ensinou ainda.
00:53:28Falta e Bandeira me chamou para participar de uma equipe
00:53:32que gravava toda terça-feira historinhas para o Telecriança.
00:53:36Era um, dois, três.
00:53:38As crianças ligavam, um, dois, três, e davam historinhas gravadas com um personagem que era eu, ele.
00:53:42Telefone de fixo.
00:53:43É, exatamente.
00:53:44Era eu, ele, Nilza Maria, Mendara Mariane e o Zé Paulo.
00:53:48Gente, a gente passou anos fazendo aquilo.
00:53:51Aí depois veio a história do tio Bolão, do palhaço, animação, o Cláudio Barros,
00:53:56meu querido Cláudio Barros, que me joga no cinema de vez em quando para participar dos filmes.
00:54:00Disse, olha, eu tenho uma prima, uma sobrinha com uma prima que vai fazer aniversário,
00:54:04ela quer uma roupa de teatro para a gente fazer.
00:54:05Falei, bora.
00:54:06Pô, a gente, né, 20 anos faz tudo, né?
00:54:09E lá fomos.
00:54:10E daí nasceu o tio Bolão.
00:54:12Sabe como nasceu o tio Bolão?
00:54:13Numa peça de teatro.
00:54:14A gente foi para o Waldemar Henrique e assistiu uma peça chamada O Ato Cultural.
00:54:18Era uma história, era dirigida pela Zé L. Amador,
00:54:20e que o Cristóvão Colombo tinha, ele ia no tribunal para provar
00:54:25por que que ele colocou o ovo em pé.
00:54:28E ele entrava vestido de ovo.
00:54:30Aí vinha aquele barril de esponja.
00:54:31Aí eu ia falar de Lima, ia o Linda Charoni e Cláudio Barros.
00:54:35Falei, gente, aquela, dá uma roupa de palhaço.
00:54:38Aí pedimos para a Zé L.
00:54:39A Zé L. Doou a roupa para a gente.
00:54:41E aí a minha mãe, uma exímena, gostaria.
00:54:43Não tenho condições, a coluna não aguenta mais, amigo.
00:54:46E nem sei mais como é que animam a festa.
00:54:50Mas foram 25 anos de tio Bolão.
00:54:52É porque eu tive.
00:54:5325 anos.
00:54:53Eu cheguei a ser chamado.
00:54:54Animava a festa todos os dias.
00:54:56Cheguei a ser chamado de tio Bolão.
00:54:57E tio Bolão, tio Bolão.
00:54:59E aí eu fiz um desafio também de ser Papai Noel do Shopping Guatemi
00:55:02durante 25 anos.
00:55:04Mas é bacana porque...
00:55:06É o exercício do ator.
00:55:07É isso.
00:55:08Tu vives disso, né?
00:55:10Isso é bacana, né?
00:55:10Aí depois comecei a fazer apresentações nos barros de formatura
00:55:13com o irmão da Lucinha Basque, meu amigo.
00:55:15Até hoje ele me chama, eu vou lá, entendeu?
00:55:18Grava.
00:55:19Eu tenho uma ideia.
00:55:20Locutor, né?
00:55:21Dia de domingo agora, Dia das Mães.
00:55:24Eu estou lá no cemitério fazendo a locução
00:55:25de uma brincadeira há 15 anos atrás.
00:55:28Como é essa história?
00:55:29Mano, o Jefferson, o nosso amigo, faz a cobertura lá no cemitério do Max Domino.
00:55:36Diz aí, Paulão, porra, cara, tem que ter que ir lá fazer uma palavrinha lá.
00:55:41Diz aí, o que eu vou fazer lá, criatura aí?
00:55:43No cemitério.
00:55:44Mas para ganhar o dia em dia, eu digo, eu vou.
00:55:46E foi, cara.
00:55:47Quando eu cheguei lá, estavam as caixas todas espalhadas,
00:55:49uma tendazinha.
00:55:50Aí eu sentei em uma mesa com o microfone.
00:55:52Diz aí, meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?
00:55:53Aí eu tinha levado um livrinho de Dalai Lama, com poesia, não sei o que.
00:55:58Eu vou ler alguma coisa, né?
00:55:59Na hora, eu inventei uma rádio, o DDD, direto com Deus.
00:56:05E aí, eu ligava as pessoas.
00:56:07Que horas o padre chega para a missa?
00:56:09Eu quero anotar.
00:56:10Você pode adotar o nome do falecido para a intenção e tal?
00:56:12Pode.
00:56:13Daqui a pouco, tinha o Vale, o senhor disse, olha.
00:56:15Aí chegou uma senhora e disse, olha, o padre vai precisar de uma hora para falar só disso.
00:56:20Mas muito nome.
00:56:21Se a senhora quiser, eu falo aqui ao vivo.
00:56:23Ah, por favor, meu filho.
00:56:24Estamos aqui com a nossa querida Tereza, que está aqui homenageando o seu marido,
00:56:28acendendo uma vela, fazendo uma oração para ele.
00:56:31Daqui a pouco, tinha uma fila enorme.
00:56:34Aí fui para casa.
00:56:35Quando eu cheguei em casa, ele me liga.
00:56:37Disse, olha, anota logo na tua agenda.
00:56:38Dia dos pais, dia das mães, dia de final está contratado.
00:56:41Esse é o exercício de ator.
00:56:42Nossa, eu acho...
00:56:44Maravilhoso.
00:56:44Eu acho, é uma coisa que ele falou, que é muito importante.
00:56:49Por lá, o senhor me perguntaram uma vez, o que é mais importante?
00:56:52Para o ator?
00:56:55A sensibilidade ou a imaginação?
00:57:00Muita gente erra achando que é a sensibilidade.
00:57:03Não é.
00:57:03É a imaginação.
00:57:06O grande lance de qualquer artista é a imaginação.
00:57:11É através dessa imaginação que o artista cria.
00:57:14Isso ele cria.
00:57:16Ele cria uma forma de fazer que vai ser sempre do mesmo nível, igual.
00:57:22E o Geraldo me deu uma coisa.
00:57:24Tudo que eu sei hoje eu devo a ele.
00:57:26Foi a minha faculdade, minha universidade.
00:57:28Foi ele que me ensinou.
00:57:29E ele me deu a oportunidade de aprender a dirigir um espetáculo.
00:57:33E não é só dentro da escola de inglês que eu dirijo os espetáculos.
00:57:36Eu dirijo o espetáculo do Dia Mundial da Voz, com a minha querida Márcia Salomão,
00:57:41que regimentou todo mundo quando era lá da Unama.
00:57:44A gente fez uns quatro anos.
00:57:45Eu dirigi outros espetáculos.
00:57:47A Edna Cabral, sabe quem é?
00:57:49Lembra da Edna Cabral?
00:57:50Minha louca, minha amiga mais louca, me levou para a polícia militar,
00:57:54para o grupo miliciano de artes.
00:57:57E eu dirigi um espetáculo deles lá.
00:58:00Então, assim, não só espetáculos dentro da escola,
00:58:03mas em outros grupos de pessoas que reuniram e me chamam para fazer.
00:58:09E hoje eu tenho um trabalho hoje num grupo,
00:58:13que é o Grupo Cintia Charoni.
00:58:14Sou terapeuta.
00:58:17Na verdade, sou formado pela Unama como gestor e produtor de eventos culturais.
00:58:21Mas lá eu funciono como diretor artístico e terapeuta.
00:58:24E eu entrei exatamente porque ela queria fazer um mini,
00:58:28um pocket show de um espetáculo dos 15 anos da filha dela.
00:58:32Que tinha vindo da Disney e tal.
00:58:34Tinha assistido a Cinderela, queria que fosse um espetáculo sobre a Cinderela.
00:58:37Mas quando ela chegou aqui em Belém, ela disse,
00:58:38não, não quero mais.
00:58:39Aí a Hélida Porto, que é cerimonialista,
00:58:45disse, se eu só conheço uma pessoa que possa te atender.
00:58:48Aí manda chamar o Paulão.
00:58:50Cheguei lá, queria fazer um espetáculo, um pocket show do Haspray.
00:58:56Eu já tinha montado o Haspray pela cultura inglesa e já tinha montado, dirigido.
00:59:00Porque você monta todo ano um espetáculo pela cultura inglesa,
00:59:04que é um grande espetáculo, musical, e o Haspray já tinha montado.
00:59:08E eu já tinha montado também, depois da cultura inglesa,
00:59:11um espetáculo Haspray com artistas paraenses,
00:59:14em que a Lucinha Bastos fazia a grande Tracy,
00:59:17o Paulinho Vasconcelos fazia o pai, o Emmanuel Freitas fazia a mãe,
00:59:20a Edna Tumblitz.
00:59:22E aí eu disse, eu já montei, então eu vou ter a facilidade,
00:59:25mas eu preciso de duas pessoas, um produtor e um coreógrafo.
00:59:29E assim a gente fez.
00:59:29Quando começou os ensaios, era para ser um pocket show de 20 minutos.
00:59:34A gente acabou fazendo o espetáculo todo,
00:59:37porque a empolgação foi tamanha, e a produção, os bailarinos, as perucas e tudo,
00:59:41foi na Estação das Doca, foi maravilhoso.
00:59:45Quer dizer que a grande novidade vai ser o monólogo de o Paulão,
00:59:49essa vai ser o meu maior desafio.
00:59:51Essa é a grande novidade da experiência agora, ainda para 2026.
00:59:54Tem um título, tem dois títulos, os pesados.
00:59:59Canto do Cisne.
01:00:00Canto do Cisne e o Canto da Siriem.
01:00:03É porque se não der certo na seriedade, a gente vira uma comédia.
01:00:07A gente vira essa chave.
01:00:08Como de abrir uma consulta pública.
01:00:11Olha, para encerrar, eu queria que você me dissesse uma coisa.
01:00:15Existe todo esse trabalho, toda essa história de experiência,
01:00:20isso foi catalogado, foi guardado?
01:00:23Tem alguém que trabalhe com isso?
01:00:25Olha, dizem que, na época, quando a gente fazia grandes espetáculos,
01:00:33ficava na memória das pessoas que assistiram o espetáculo,
01:00:36porque na época não tinha internet, nem máquina podia fotografar.
01:00:42Nós temos algumas fotos de Miguel Chicaoca,
01:00:45nós temos alguns registros em vídeo do Verde Ver o Peso,
01:00:48nós temos algumas pouquíssimas coisas.
01:00:50De uns tempos para cá...
01:00:52E de princípio, a família do Zé Antônio Cruz, do Calbi Cruz,
01:00:59que tem escritos guardados e tudo sobre isso.
01:01:03Fizemos uma exposição de 40 anos do Grupo Experiência.
01:01:06Porque a gente tem livro da moça, sobre a moça, a história da moça,
01:01:08mas não tem o do teatro, não é?
01:01:11Nós temos num livro anuário brasileiro da Funarte,
01:01:18tem a participação do...
01:01:21Já tem lá a história da experiência.
01:01:23Da Mãe d'Água, tem lá.
01:01:24Prazer enorme conversar com você, Geraldo.
01:01:27Repetindo, é uma alegria.
01:01:28Vocês são dois queridíssimos amigos aí,
01:01:31já fizemos muitas coisas juntas, né?
01:01:33Eu já, inclusive, estive no papel de Paulão,
01:01:36Paulão já teve o papel, então, enfim...
01:01:40A pergunta a gente precisa fazer,
01:01:42a gente é uma pergunta para o povo.
01:01:43Podemos?
01:01:44Vamos fazer.
01:01:45Quem é Ruth e quem é Raquel.
01:01:46Quem é Ruth e quem é Raquel.
01:01:49Não confunda Paulo Fonseca com Ismailino,
01:01:52nem Ismailino com Paulo Fonseca.
01:01:53São dois grandes profissionais da área que exercem.
01:01:57Eu queria, eu gostaria de agradecer a você, Ismailino,
01:02:01pelo apoio que você sempre lhe deu,
01:02:04não só ao Grupo Experiência,
01:02:06sempre, mas o Teatro Paraense.
01:02:08Obrigado por nos trazer aqui
01:02:11para falar todas essas coisas,
01:02:14contar todas essas histórias.
01:02:16Contar histórias, tem muitas outras histórias
01:02:18que a gente vai contar,
01:02:19e tem um espetáculo novo,
01:02:20quando estrear a gente vai estar de volta.
01:02:21Isso, e esse agradecimento eu estendo também
01:02:23à nossa querida Loloca Maiorana,
01:02:25que sempre também apoiou o Grupo Experiência
01:02:28várias vezes aqui, entendeu?
01:02:30O Grupo Liberal sempre apostou em algumas coisas,
01:02:34que nos dê oportunidade de divulgar na televisão.
01:02:37É, lembrar um espetáculo chamado Matinei,
01:02:40pelo Grupo Liberal.
01:02:42É, que foi maravilhoso que você fez o roteiro
01:02:44brilhantemente também.
01:02:45Foi maravilhoso.
01:02:46Que bom, prazer enorme falar com vocês,
01:02:48está certo?
01:02:48Muito obrigado.
01:02:50Obrigado, Ismail.
01:02:51Este é o Mangarosamente que você assiste
01:02:54no Libre Play,
01:02:55dentro de o Liberal.com e no YouTube.
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