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Músico e compositor, Pinduca conversa sobre a carreira e conta histórias da sua vida
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NotíciasTranscrição
00:05Olá, está no ar o Mangueirosamente. A gente completa cinco temporadas. No início, lá na
00:12primeira temporada, nós começamos o primeiro programa gravado, foi com as rainhas da rainha
00:18do carnaval. Claro, estando nesse tema rainha, passamos para o rei. E quando a gente fala de
00:25rei, o rei da Amazônia, o rei do carimbó, o rei da música, o rei total, Pinduca. Muito
00:32obrigado, satisfação estar aqui no programa. Eu gostei da mistura do rei, rainha, rainha,
00:40rei. Você é o rei, você nem imagina como você é o rei, Pinduca. Não é só o rei pelo
00:46seu talento, pela sua habilidade. Você é o rei pela pessoa gentil, homem de fine estampa,
00:52eu diria. Muito obrigado. Pinduca, me diz uma coisa, como é que está o teu nome no
00:56batismo, na sextidão de nascimento? Na sextidão da Aurino Quirino Gonçalves. E de onde surgiu
01:03o Pinduca? Posso falar? Eu fui fazer campanha e aí eu, trabalhando lá, tive a ideia de...
01:16Campanha política. Não, não é bem, a história é bem do chá, do nome, do nome. É, eu estava
01:25trabalhando em campanha política. Não sei se pode falar o nome do chá de barbado. Aí,
01:32fazendo campanha para ele, aí comecei a usar esse nome de Pinduca, porque eu tinha dançado
01:41com a Dilha Junina e colocou na aba do chapéu aqui, esse nome Pinduca. E muito, 50% de pessoas
01:48já me chamaram... Isso lá em Garapé-Biri, né? Aqui em Belém. Já aqui em Belém. Aqui em Belém.
01:53Aí, quando saí de lá, aí foi, aquilo foi, eu já andava na rua, Pinduca, Pinduca, Pinduca,
01:58Pinduca. Digo, não, eu vou mandar registrar. Aí eu fiz o registro. Mas foi engraçado o registro.
02:05E quando eu já era músico também, aí vai, é muito protocolar pra... Qualquer pessoa pode trocar
02:14nome, tirar nome, acrescentar, né? Mas demora muito. Aí, dentro dos meus documentos, através
02:21de um advogado, e uma semana depois eu passei por lá pra ver como é que estava a situação
02:28do meu pedido de alterar, colocar o nome de Pinduca. Aí, me contaram. Não, eu já estou
02:36liberado. Olha, sabe o que acontece? Que o doutor chegou aqui, um monte de papel pra ele
02:44passar a vista, né? E dar a assinatura. E o primeiro era o teu. Quando ele viu aquele Pinduca,
02:51ele perguntou, esse Pinduca que está aqui, esse que anda cantando por aí, falaram pra
02:57ele, é esse senhor? Ah, esse não é preciso pesquisar. Assinou e pronto.
03:01Tá certo. Pinduca me diz uma coisa.
03:04Aí entrou Aurino Pinduca, porque ele que acrescenta, né? Não é você pedir. O juiz é que vai
03:11dizer onde vai entrar.
03:13Como ficou?
03:14Ficou Aurino Pinduca, Quirino Gonçalves.
03:18Pinduca, voltamos lá pra Igarapé-Miri, né? Lá na sua origem, né? Lá você já era
03:22músico?
03:23Era. Eu comecei com 13 anos de idade. E foi muito bonito.
03:30Autodidato ou você teve um ensinamento pra chegar até?
03:32Não. Eu estudava com meu pai, meu pai era professor de música. Se ele morasse na capital,
03:38era maestro. Mas lá no interior, professor de música. Ele me ensinava música, mas eu
03:44tava numa idade que eu não dava a mínima. Eu queria era brincar. Quando ele me chamava
03:50à tarde pra estudar, era a hora que eu queria jogar bola com a molecada. Então eu estudava
03:55muito pouco com ele, né? Mas eu ia estudando um pouquinho com ele. Até que um dia o meu
04:03irmão, que era baterista de uma orquestra lá do Jaze, chamava o Jaze. E Jaze, você sabe
04:09o que é Jaze.
04:09Sim, sim, sim. Mas é bom que você explique. Porque na verdade no interior, ali pro lado
04:14de Cametá e tudo mais, tem Jaze. Ainda tem. J-A-Z-Z. Jazz, né? Jazz. Mas pra lá ninguém
04:21fala. É Jaze mesmo. Jaze. Jaze Abaitetuba, Jaze Abaité, Jaze Garapemiri, Jaze Cametá.
04:28Chamava, eu lembro de Jaze Caferana. Jaze Caferana. Jaze Caferana.
04:33Que andou por aí fazendo show, de reativar e tudo mais.
04:37Então aí que surgiu a minha ideia. A sua pergunta foi?
04:42Da história do... Como você já tinha música lá?
04:47Sim. Eu analisando ultimamente com a maior idade, eu desde essa época já era compositor,
04:54me lembro. Eu desde essa época já era compositor, fazia música pra lá.
04:58Então eu fui fazer um show, me convidaram pra tocar na Vila Maiuatá, a festividade de São Sebastião.
05:06A Vila Maiuatá, ela tem três festas no ano. São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário e Nazaré.
05:16São Sebastião, Nazaré e Rosário. E eu fui convidado pra tocar nessa orquestra aqui, pra tocar,
05:24que disputavam. Era muito rico em Garapemiri, dentro da cachaça.
05:29Os ricos se reuniam ali, gastavam dinheiro.
05:32Aí disputavam a diretoria pra ver quem fazia a melhor festa.
05:36Aí eu fui... Meu irmão me levou pra juntar na orquestra de Abaitetuba, Jaze Brasil,
05:43e o Jaze Garapemiri.
05:45Fazia de 12 a 1, que era pra... A novidade explodir.
05:49E com que idade, Pinduca?
05:50Treze anos.
05:51Treze anos.
05:52Treze anos.
05:53Você já é músico pela estrada?
05:56Já, eu comecei. Eu comecei já como músico profissional.
06:00E você tocava o que, Pinduca?
06:02Bandeiro. Bandeiro.
06:05Aí eu fui fazer... Não foi teste, não. Meu irmão já me levou.
06:12Quando eu cheguei, que vi aqueles músicos de estante,
06:15aqueles senhores músicos do antigamente, tudo no estante,
06:18eles reclamaram, disseram, esse menino não vai dar conta do nosso trabalho.
06:23Que havia uma disputa de diretoria.
06:27A gente não ia dar conta.
06:29Aí, quando chegou o dia...
06:31Aí fomos fazer Alvorada na Vila Maiuatá.
06:35A jaz e orquestra combinado o nome que deram.
06:40Que era o jaz Brasil de Abaitetuba, com jaz Guarapemiri, junto.
06:45Aí fui fazer Alvorada.
06:48Sabe o que é Alvorada?
06:49Diga lá pra gente.
06:50Alvorada é quatro ou cinco horas da manhã, a orquestra vai pro coreto da praça
06:55e toca até seis horas da manhã, pra avisar o povo que começou...
07:00Na Alvorada mesmo.
07:01A festa do santo.
07:02Começou a festa do santo.
07:04Aí eu...
07:06Todo mundo sentado, como nós estamos...
07:09Tudo sentado assim, os músicos.
07:11Eu também era o pandeirista, né?
07:13Pá, pá, pá, pá, batendo pandeiro.
07:15Pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá.
07:17Aí, outra música e tal.
07:20Aí tocou o Mambo número oito.
07:23Aí que vem a história, começa.
07:25E quando tocou o Mambo número oito, eu peguei as duas maracas.
07:30Vou levantar, mas...
07:31Aí levantei...
07:33Pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá,
07:37pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá.
07:38E, rapaz, aí foi um corre-corre.
07:41Foi um corre-corre.
07:42Pessoal, eu nunca tinha visto músicos dançando, tocando.
07:46Aquela coisa foi...
07:48Aí, quando parou a música, eu tenho dito para as pessoas que o Michael Jackson, naquela hora, era a fichinha
07:58para mim.
07:59É muita, mas foi uma coisa aí.
08:01E, Pinduque, me diz uma coisa, você sempre tocou pandeiro?
08:06Quer dizer, passou esse período todo tocando pandeiro ou passou por outros instrumentos?
08:09Eu tocava pandeiro, depois eu passei a tocar bongô, que era novidade, ninguém conhecia bongô.
08:15Compramos um bongô, depois o dono da orquestra de Abaitetuba, com quem nós fizemos o combinado de Garapemiri, foi na
08:26casa do meu pai, lá em Garapemiri.
08:29De Abaitetuba, foi para Garapemiri, pedi para o meu pai para deixar eu ir morar em Abaitetuba,
08:35para me ser músico da banda dele, da banda Vista da Conceição e da Orquestra Brasil, que era famosa.
08:43Aí o meu pai me perguntou, olha, o maestro Agenô veio aqui pedir se tu podes ir morar lá em
08:50Abaitetuba, ele assume a responsabilidade e tal.
08:54Ora, para Abaitetuba, e Garapemiri sempre foi assim, uma escadinha, Abaitetuba a mais, né?
09:00Aí eu fui embora para Abaitetuba.
09:02Fiquei em Abaitetuba, fiz o mesmo sucesso, na banda e na Orquestra Brasil.
09:07E para chegar até Belém?
09:09Aí eu queria ser...
09:10Aliás, antes disso, o que vocês tocavam? Qual era o repertório?
09:15Marcha, frevo, marcha, bolero, samba, canção, tocava até Foxy Blue.
09:24Era música...
09:25No repertório tinha música paraense? Tinha músicas tipo Carimbó, por exemplo?
09:30Não, não, não.
09:31Aí o Carimbó é outra história. Carimbó foi eu, o Pedro Alvarez Cabral do Carimbó.
09:38Eu que peguei o Carimbó e...
09:40Mas assim, para chegar de lá, tu chegou até a cidade.
09:43Aí eu cheguei em Abaitetuba, passei lá uns dois anos, aí eu queria ser soldado.
09:49Porque eu via o soldado da polícia andando de perneira.
09:53Eu queria andar assim na rua também.
09:55Aí eu vim para...
09:58Se eu me adistasse em Abaitetuba e Guarapemiri, não ia pegar a fada porque lá é núcleo básico.
10:06Aí eu vim me adistar em Belém.
10:08Me adistar em Belém.
10:10Passou?
10:11Passei.
10:12Fui servir no Exército.
10:15Aí dali...
10:16Quantos anos?
10:17E nessa época de Exército o músico parou?
10:20Não, parou em parte, né?
10:24Porque eu passei a frequentar o Café Glória, onde era o ponto dos músicos de Belém.
10:31Lá, se você quisesse falar com Alberto Mota, Orlando Pereira, Lélio, Guiães de Barro, esses maestros,
10:39você não ia na casa dele.
10:41Você ia no Café Glória, segunda a sexta, até sábado.
10:45Você falava.
10:47Contratar a orquestra, qualquer uma lá.
10:50Então, eu peguei fada no Exército.
10:54Aí fiquei triste quando um dia me disseram que eu ia ser licenciado.
10:59Eu pensava que ser licenciado era uma questão de conduta.
11:06Mas eu era um bom soldado.
11:09Mas procurei saber, não, é assim mesmo.
11:11É só um ano e cai fora.
11:13Ah, fiquei muito triste.
11:15Mas saí, mas já estava entrosado.
11:18Aí você vem, por exemplo, você tocava ali o tambor, né?
11:23Que você falava.
11:24O bongo, bongo.
11:25O bongo e tudo mais.
11:26Aqui em Belém já passei a tocar bateria.
11:27E para você chegar até na frente, chegar até o microfone, você também cantou.
11:32Não, foi o seguinte.
11:35Quando eu, aí eu passei a ser baterista.
11:39Comprei uma bateria, comecei a treinar bateria.
11:40Me apresentando o Café Glória como baterista.
11:43Vai fazer com um dali, outro dali, outro dali, outro dali.
11:47Cada semana fazia com uma banho, um conjunto.
11:52Chamava orquestra.
11:54Orquestras.
11:55Aí, nessa...
11:57Quando o Orlando Pereira me convidou, que foi o maior...
12:02Maior susto, não, não sei, a emoção.
12:04Que eu estava no Café Glória e o Orlando Pereira...
12:07O Orlando Pereira era o grande nome.
12:08Era o grande, era o famoso.
12:10Quando ele bateu a mão...
12:12Ele já me via por lá, mas eu não tinha intimidade com ele.
12:15Mas ele me via por lá, no meio.
12:16E botou a mão no meu ombro e foi me puxando assim.
12:21Me chamou de caboquinha.
12:23Caboquinha, quero falar com você.
12:25Me levou para um canto assim, disse, eu quero te convidar para você ser baterista da minha orquestra.
12:31Meu amigo, eu fui lá nas nuvens e voltei.
12:36Eu na orquestra do Orlando Pereira, o Internacional.
12:43Aí, dali...
12:44O Orlando Pereira dominava as festas, dominava os grandes bailes, os grandes salões da cidade.
12:49Dominava.
12:49As melhores festas eram o Orlando Pereira.
12:52E essa pitada dele passou para mim por um tempo.
12:55Quando eu também dominei em Belém.
12:58Tinha cinco, seis orquestras aqui.
13:01Para poder atender o carnaval.
13:03Era no carnaval.
13:04Pois é, mas aí...
13:05O Orlando Pereira sempre tinha duas.
13:07O ano todo.
13:08Aquilo que eu te perguntei.
13:09Para chegar até na frente, para chegar no microfone, já se apresentou.
13:12Aí, não.
13:13Aí, não.
13:14O Pinduca vem depois.
13:17Eu tinha o...
13:19O Paulo era pandeirista do Internacional do Orlando Pereira.
13:24Eu pedia para ele vir.
13:26Com a bateria, eu pegava o pandeiro e ia cantar a música do Jackson do pandeiro.
13:31Mulheres, me fiz assim, eu estrago.
13:35Eu de nevoso...
13:38E o salão endoidava comigo lá.
13:41Grande Jackson do pandeiro.
13:43É, é.
13:44A música do Jackson do pandeiro.
13:46Todo baile que a gente ia tocar, eu tinha que cantar as músicas do Jackson.
13:49E daí, eu fui me acostumando a cantar.
13:53Agora, para...
13:54Era uma época que a música brasileira, o Jackson do pandeiro, o Luiz Gonzaga, eram tocados...
13:58O forró era um sucesso nacional, né?
14:03Tinha que tocar.
14:05Tinha que tocar.
14:06Depois veio o Arilobo também, que já...
14:09Mas tudo de lá, né?
14:12E o Arilobo morava lá no Rio de Janeiro, parece.
14:15Quando lançou o Caranguejo Sá.
14:18Caranguejo Sá, olha o gol do Guayamum.
14:23Mas isso foi um sucesso, rapaz.
14:25A gente tocava aqui em Belém.
14:27Mas a gente morava para lá.
14:29Então, para adiantar um pouquinho a história, para mim...
14:34Aí, eu como músico e tal, aí...
14:37Fui em Marapani.
14:40Cheguei lá e vi o pessoal tocando carimbó.
14:42Animação do salão.
14:45Digo, eu vou começar a cantar carimbó.
14:48Aí, já como dono de conjunto.
14:51Você já assinava como pinduca, já era o dono do conjunto.
14:55Já pulei um bocado a história, né?
14:57Sim, sim, sim.
14:58Quando eu fui...
14:59Aí, comecei...
15:00Cheguei aqui em Belém, comitrei...
15:03Ensaiei uns carimbó e...
15:05Saí para tocar carimbó.
15:07Mas isso me custou caro.
15:10Como é que foi a recepção?
15:11Ah, porque tinha aqui o Clube Satélite.
15:15Lá no Augusto Montenegro.
15:17Era o ponto dos estudantes...
15:20Dia de domingo.
15:21Todo domingo era assim lá.
15:24Gente assim.
15:25Aí, o Zé Lopes me convidou para tocar lá.
15:28Aí, eu fui.
15:29A minha banda sempre foi a música animada.
15:31Sei.
15:32Aí, eu...
15:33Dava tudo bem.
15:34Animador de festa mesmo.
15:35É, a animação era comigo mesmo.
15:38Ainda é até hoje.
15:39Aí, comecei a tocar lotado.
15:42Era o ponto dos estudantes, sabe?
15:45Aí, comecei a tocar lá.
15:48Aí, de repente, eu falei...
15:51Pessoal, agora eu vou cantar um carimbó para vocês.
15:54Meu amigo, eu levei a maior vaia que um artista pode ter pegado no show do público.
16:04E eu fiquei em pé aí.
16:07A minha banda esperando, eu em pé.
16:09A vaia rolando e você em pé encarando a plateia.
16:11A vaia...
16:12Era com assovio.
16:13Fiu, fiu, fiu, fiu, fiu, fiu, fiu.
16:15Uh, estudante.
16:17Era só estudante.
16:20Aí, eu vi que não parava.
16:22Eu estava lotada.
16:22Eu disse, vocês não vão parar?
16:25De me vaiar?
16:26Pois eu vou cantar.
16:27Aí, bora mais.
16:30Menina, menina, me diga seu nome.
16:32Meu nome é botão de cirula.
16:34Menina...
16:35Aí, todo mundo saiu do salão.
16:39Ficou dois pares.
16:41Ficaram dois pares dançando.
16:43Eu cantei uns dois carimbó lá, aí parou.
16:47Aí voltou ao normal.
16:48Era na época do twist.
16:50Sim.
16:51Twist estava na moda, tinha um rapaz que cantava comigo, twist e tal.
16:56Aí voltaram de novo para o salão.
16:59Lotaram.
17:00Aí passou aí uns 20 ou 30 minutos, eu anunciei.
17:03Alô, pessoal, vou cantar outro carimbó.
17:06Ah, rapaz, palavrão, meu amigo.
17:08Palavrão que não sei, ninguém queria mais escutar.
17:14Aí vaiaram, me vaiaram, chamavam para lá um filho não sei de quem e tal.
17:19Aí eu vou cantar.
17:21Era jovem, eu era jovem também.
17:23Era festa de juventude.
17:25E você já tinha essa coisa de colocar o carimbó, claro, né?
17:28O carimbó era o quê?
17:30Era uma música regional?
17:33O carimbó é uma música afro-brasileira com influência indígena.
17:39É a música, a música é articultural do estado do Pará.
17:45É da cultura para resumir.
17:47Mas estava lá em Marapanim todos esses anos.
17:50Todos esses anos estava lá o carimbó.
17:52E com eles lá conservando o que são.
17:55Eu falo até hoje.
17:57Marapanim é a capital mundial do carimbó.
18:00É de lá que eu trouxe o carimbó.
18:04Aí comecei a tocar carimbó.
18:07Aí comecei a...
18:08Eu tocava muito baile aqui em Belém.
18:10Porque antigamente tinha muito baile.
18:11Você, quando era menino, você chegou a ver isso.
18:14Que era baile aqui, baile ali, baile 15 anos, formatura, não sei de quem.
18:19Isso, aquilo, aquele outro.
18:20Aí um dia o Luciano Bastos chegou, foi na minha casa.
18:26Luciano Bastos, a banda Sayonara.
18:28Não, ele não foi na minha casa.
18:29Ele se encontrou comigo no Café Glória.
18:32Era o nosso ponto.
18:34E me chamou assim, nunca vem cá.
18:36Que negócio é uma música aí.
18:39E não sabia nem pronunciar carimbó.
18:42Boró, coró.
18:43É carimbó, pô.
18:45Tu anda tocando por aí, rapaz.
18:47A gente vai tocar.
18:48E as pessoas pedem para tocar.
18:50Olha.
18:51Ele disse, estão te pedindo, Luciano?
18:53Estão.
18:54Luciano Bastos.
18:56Aí aquilo me deu um fôlego.
18:59Eu disse, Luciano, quer lá em casa, bora.
19:01Aí eu fui com o Luciano lá em casa, peguei o violão e comecei a cantar para ele.
19:07O carimbó é isso?
19:09Menina, menina, menina, diga se não.
19:13Cantei lá uma meia dúzia de ele me escutando.
19:16Eu não me lembro se ele estava gravando.
19:20Ele passou a tocar no Sayonara um pouquinho.
19:23Só uma amostrazinha, que o titular era eu, porque eu tinha medo de vaia.
19:27Mas eu não tinha mais.
19:29Fui tocar uns 15 anos, aí o pai da moça disse assim.
19:34Educa, eu não quero que toque carimbó nos 15 anos da minha filha.
19:40Pois não.
19:41Eu sempre tive um bom repertório.
19:43Quando chegou, aí começamos a tocar, bolero, chama canção e tal.
19:49Tchá, tchá, tchá.
19:50Tchá, tchá, tchá.
19:52Tchá, tchá, tchá.
19:53Era mambo.
19:55Aí, de repente, eu vi que ninguém queria dançar.
19:58E aquele bloco de jovens, era 15 anos da moça, os colegas dela ali conversando e falavam.
20:07Eu estou tocando aqui.
20:09Quando eu vi, lá foram eles para ali, para o rumo do velhão.
20:13Foram falar com o pai dela.
20:15Não demorou, veio eles, vieram trazendo o velhão até a mim.
20:20Chegaram.
20:21Olha, Pinuco.
20:21Ele falou para mim.
20:22Pinuco, eles estão querendo que você cante carimbó, você pode cantar.
20:28Como é que você vê hoje em dia essa coisa do carimbó?
20:31Está aí, né?
20:32O carimbó está no Brasil, está no mundo, meu amigo.
20:34Isso.
20:35Está no mundo.
20:35Já viajei para fora do Brasil.
20:37Bom, você está contando essa história, a gente sabe, da tua importância, né?
20:41De todo esse trabalho que tu fizeste lá, até pela insistência de trazer isso, né?
20:47De trazer uma coisa que...
20:49Ninguém conhecia.
20:50A gente diria que estava em questão de apagamento e tudo mais.
20:55Fala-se muito desse termo hoje.
20:58Mas, enfim, você trouxe isso e insistiu, né?
21:01Você, por exemplo, tem a noção disso tudo?
21:03Por exemplo, hoje você é um grande artista, você é o rei do carimbó.
21:07Você sabe disso?
21:08Você tem essa noção dessa importância toda?
21:12Eu nunca deixei me envolver pelo fato de me classificarem como rei do carimbó.
21:18De onde surgiu essa nomenclatura?
21:19Quem te chamou pela primeira vez?
21:20Foi pela gravadora Copacabana.
21:23Quando eles viram que a vendagem era boa,
21:25e se você quiser, depois eu te conto a história da entrada do disco.
21:29Quando eles viram que a minha vendagem estava à altura...
21:32Porque você se lembra que antigamente os cantores tinham pedido
21:36rei do tal coisa, rei do forró...
21:39Rei da bota, rei do forró...
21:41Aí, rei do carimbó.
21:43Eles que me deram, colocaram para mim, você é o rei do carimbó.
21:48E nessa época já, você se lançado como o rei do carimbó, a sua banda tocava carimbó.
21:54Tocava, mas tocava tudo.
21:56Tocava tudo, né?
21:57Como toca até hoje.
21:58Porque a gente estava falando ainda agora aqui, a gente passou aí recentemente pelo período do carnaval,
22:02estava falando dos carnavais que você fazia, os melhores bairros de carnaval,
22:06tinha bandas de peduques, principalmente os do Círculo Militar.
22:10Principalmente lá.
22:12No carnaval em Belém, houve uma época que eu dominei, que eu mandei buscar músicos no interior,
22:18como veio o Juventino, veio o...
22:23Esqueci até o nome do outro, Manel Cupu, eu mandei buscar lá em Boa Vista,
22:29São Sebastião da Boa Vista.
22:30Juventino deve assistir, ele sabe disso.
22:34E eles...
22:35Porque eu precisava de mais músicos.
22:37Eu tinha...
22:38Houve um ano que eu tinha seis, cinco bandas tocando carnaval em Belém.
22:43Eles queriam que fosse assim.
22:46Eu colocava a banda, mas eu dava uma passadinha lá.
22:50Porque eu tinha compromisso no Círculo Militar.
22:52Eu ia, por exemplo, dez...
22:53Eu começava nove horas, dez horas da noite.
22:56Eu passava uma meia hora aqui e já...
22:59Saia de carro para outro lugar, passava meia hora e fazia uma visita.
23:04Então, eu...
23:05Rodando pelos pares de carnaval, né?
23:06Eles queriam pelo menos meia hora da minha presença.
23:10Você já o Pinduca, famoso Pinduca.
23:12Já o Pinduca.
23:13Já o Pinduca famoso.
23:14Agora, voltando também lá, vamos voltar um pouquinho lá atrás de Garapé Mirita.
23:19Você teve...
23:21As maiores dificuldades para chegar até esse ponto que a gente falou de você já ser dono da sua banda?
23:27Teve algum entrave, alguma coisa que você sentiu que ali tinha uma dificuldade?
23:32Por exemplo, você falou que tocava o carimbó, levou vaia, era chamado de várias coisas, mas não desistiu.
23:39Teve alguma coisa assim muito...
23:40Quais as dificuldades para chegar até aí?
23:43Aí entra um lado especial meu que chama-se o lado religioso.
23:47Que eu sou uma pessoa muito crente.
23:50Eu sou uma pessoa que eu respeito todas as religiões.
23:54E eu acredito muito que há, até hoje, há uma presença espiritual boa na minha vida.
24:03A prova disso é que você está me entrevistando agora.
24:06Você podia estar aqui com o doutor falando de tal, qualquer autoridade que você chamar para vir no seu programa,
24:13ele vem.
24:14Você está entrevistando o Pinduca, uma pessoa simples, pessoa humilde, um músico, um cantor.
24:20Não, mas você é o rei, eu não me conheço.
24:22Eu não me deixo levar por isso.
24:25Não me deixo levar por isso.
24:26Se você for assistir um show meu, você vai ver que eu faço um show, eu falo até isso.
24:31O meu show é familiar.
24:33Eu faço um show para a família.
24:35Eu gosto de ter criança no palco, as senhoras.
24:39Porque hoje em dia, como o carimbó pegou mesmo, né?
24:43Eu vou fazer...
24:44Quem vai cantar o Pinduca?
24:46Vão com saia de carimbó.
24:47Você, hoje em dia, você é a atração principal.
24:50Você sabe disso, né?
24:53Vão com roupa de carimbó.
24:54Até chegar a isso, até chegar a esse ponto assim, você teve muita dificuldade.
24:58Por exemplo, você chegou a sentir preconceito alguma vez?
25:01Além, claro, dessa coisa que eu acho que, por exemplo, existia um certo preconceito da música carimbó, né?
25:08Do gênero carimbó.
25:09Do gênero carimbó?
25:10Tinha.
25:11Tinha, mas eu encarava com naturalidade, né?
25:15Quando a pessoa não queria, eu não tocava.
25:19No Imperial, uma vez, uma diretoria lá me proibiu de tocar carimbó.
25:25Mas acontece que havia sempre uma reação de alguém, um, dois, três, quatro, cinco, dez pessoas,
25:32e um na diretoria pedindo pra deixar eu tocar o carimbó.
25:36Porque eu fiz esse movimento do carimbó lá no Arraial de Nazaré, no tempo que era barraca.
25:43Não tinha esse arraial bonito, aquelas barracas...
25:46Ali no Largo mesmo, na frente.
25:47Ali no Largo.
25:48Largo de Nazaré, no Arracã.
25:51Se conhecesse...
25:52Sim, claro.
25:54Eu me lembro como era aquilo.
25:56Ali era o verdadeiro arraial.
25:58Arraial acabou comigo.
26:00A rebaca, restaurante, as atrações ali, o famoso carrossel de avapor.
26:08Agora, o seguinte, Pinduca, a gente contou, já tivemos aqui falando, Zé Paulo mesmo, no
26:15episódio passado, falamos sobre a história do brega.
26:18Da história lá da TV, do programa e tudo mais, e da entrada, por exemplo, de certas
26:24barreiras que se quebraram.
26:26Uma delas, você me contou ainda há pouco, é a história de você ter ido fazer um show
26:30na Assembleia.
26:31Conta essa história pra gente.
26:32Do show da Assembleia?
26:33É porque a Assembleia era um clube de elite, na verdade, considerado muito restrito.
26:40Nós músicos aqui de Belém, a gente sabia que pra tocar na Assembleia era Alberto Mota,
26:47Guilherme de Barros, Lélio, Orlando Pereira.
26:52Olha onde Orlando Pereira veio.
26:54Alberto Mota é o principal.
26:55Alberto Mota, Guilherme de Barros, Lélio, Orlando Pereira.
27:05Pra tocar na Assembleia para isso era muito difícil.
27:09Era uma espécie de, não digo preconceito, né?
27:13Mas tinha que ter qualidade.
27:15Tinha que ser um conjunto musical com repertório pra sociedade.
27:21Só se dançava agarradinho.
27:24Ninguém dançava uma música solta.
27:26Nem forró, nem baiano, nada.
27:29Era tudo, todo mundo agarrado.
27:31Era o tempo do namoro.
27:32Era quando o rapaz tava daqui desse lado,
27:35dava um sinal com a cabeça pra moça daqui.
27:38Se ela fizesse também assim...
27:41Era convidado a dançar, né?
27:43Aí o cara, o rapaz ficava deste lado,
27:47as moças dali, né?
27:49Aí o cara marcava que era dançar com a...
27:51Aí daqui fazia um sinal pra ela.
27:54Aí ela...
27:55Aí podia ir, porque se ele fosse direto e ela dissesse não,
28:00era uma vergonha, chamava...
28:02Tomou uma benção.
28:05Foi dispensado, né?
28:06Foi dispensado, tomou uma benção.
28:08Mas conta pra gente, como é essa chegada na Assembleia paraense?
28:11Foi a tua primeira apresentação.
28:13Como foi esse processo pra chegar até ali?
28:15Foi aquele Ronaldo Maiorana que me levou.
28:18Foi quando o Ronaldo me convidou,
28:21que eu já tava meio parado,
28:23ninguém tava me chamando.
28:25Eu recebi o chamado do Ronaldo Maiorana.
28:28Você já pinduca com os discos levados?
28:31Já, já pinduca.
28:31Sucesso na...
28:32O Carimbó já tinha sido conhecido no Brasil?
28:36Olha, você fez uma pergunta pra mim
28:37que eu preciso analisar um pouco o tempo.
28:40se eu já tinha gravado ou não.
28:43Mas eu tenho a impressão que não.
28:46Eu não tinha gravado ou não.
28:47Só que eu parei,
28:49ninguém tava me chamando pra nada.
28:50As aparelhagens tomaram conta
28:52de Belém pra todo canto
28:54e não sobrava nada pro músico...
28:58de música ao vivo.
29:01Aí quando o Ronaldo me chamou,
29:02me levou pra Assembleia,
29:04foi aquela explosão de sucesso.
29:07Aí, de lá,
29:10eu tive uma outra oportunidade também,
29:13a do Iaste Clube,
29:14com o senhor Romulo Maiorana.
29:16Ele era presidente da história do...
29:19do...
29:20A banda vinda do Rio.
29:22Porque eu não tinha banda,
29:23não tinha nome.
29:24Então, aconteceram umas coisas pra mim,
29:27uma coisa que eu considero encaminhada por Deus.
29:30Deus existe na vida de todo mundo.
29:33E todo mundo tem esse Deus
29:36que nos orienta, nos guia,
29:38mas Ele quer que a gente seja,
29:40pelo menos,
29:41meio direito na vida.
29:43Essa história da banda vinda do Rio
29:45é interessante, né?
29:46Porque foi feita a propaganda,
29:47você me contou, né?
29:48Que todo mundo achou...
29:49Esperando a banda do Rio,
29:51do Rio de Janeiro.
29:53Na verdade, a banda veio do Rio, né?
29:55Veio do Rio.
29:55Como é que foi que a banda chegou?
29:56Nós embarcamos em dois botes
30:00lá no...
30:01na Condor.
30:03Eu me lembro que a gente
30:05colocava a perna aqui
30:06pra colar um barco no outro,
30:08daquelas voadeiras,
30:09e a banda toca...
30:13Tocando carnaval.
30:15É, carnaval.
30:16Aí a voadeira,
30:19um motorzinho ligado,
30:21bem lento aqui.
30:23Aí fomos chegando lá,
30:25mas o mais bonito era lá em terra,
30:27que o povo esperava a banda vinda do Rio
30:30e o locutor, um da diretoria,
30:35Alô, amigos associados,
30:38a banda do Rio está chegando.
30:42Banda vinda do Rio.
30:44Muito boa essa história.
30:46Pinduca...
30:46Foi bom demais.
30:47E olha, outra coisa,
30:49daquele dia em diante,
30:51até hoje eu nunca mais parei.
30:54Foi aí o...
30:56Tênis Clube contratou,
30:58Paraclube contratou
30:59e Caixa Econômica,
31:00todo mundo contratou,
31:02todo mundo contratou.
31:02Você até hoje continua sendo chamado
31:04para fazer programas de televisão.
31:06Você sai daqui,
31:07você é um artista que nunca saiu de Belém,
31:08né?
31:09Você sempre...
31:11O seu lugar é aqui
31:12e você vai para...
31:13Vai se apresentar fora, né?
31:15Tem uma história...
31:15Se apresentou em programas de televisão e tal.
31:17Tem uma historinha aí,
31:20quando eu explodi junto com o Secos e Molhados,
31:25aquela música...
31:25O Gato Preto cruzou.
31:28Tocava aí e tocava o Pinduca.
31:30Tocava aí, principalmente para lá.
31:33Porque eram as duas novidades que tinham.
31:34Carimbó.
31:35Não.
31:36O Secos e Molhados tocava...
31:37Não, eu digo você...
31:38Eu era.
31:39Você tocou cantando Carimbó.
31:40Porque não tinha novidade nessa época,
31:44nesse período,
31:45para o pessoal de rádio colocar.
31:47Então, eles colocavam o Pinduca,
31:48que estava sendo espalhado
31:50como uma loucura da...
31:52A música que veio do Pará,
31:53que veio da Amazônia, né?
31:53A música que veio do Pará.
31:55Foi, até assim, né?
31:56Quando eu cheguei lá em Berlim para fazer show,
31:59era que eu anunciava.
32:00Música da Amazônia.
32:02Lá na Alemanha.
32:04Bom, aí tocava o Secos e Molhados,
32:08tocava a Pinduca.
32:08Tocava o Secos e Molhados,
32:09tocava a Pinduca.
32:10Assim, não tinha muita música gravada,
32:14como hoje em dia,
32:15qualquer coisa tem gente gravando aí.
32:18Era contratado,
32:19só cantor contratado.
32:20Mas essa opção de sempre ficar aqui...
32:21Aí a gente fala sobre o negócio de morar.
32:24O dono da gravadora Copacabana
32:26me levou na Avenida São João,
32:29sem me falar nada.
32:31São Paulo, né?
32:32São Paulo.
32:33Desembarcamos aqui,
32:34pegamos o prédio,
32:35subimos,
32:35chegou no quarto andar,
32:37aquele quarto andar vazio, assim.
32:41Ele disse assim,
32:42Pinduca,
32:44a terra dos artistas
32:46é São Paulo e Rio de Janeiro.
32:49Você tem que vir pra cá com a sua família
32:52e a gravadora vai comprar esse apartamento todinho pra você.
32:58Aí eu olhei pra um lado,
32:59olhei pro outro,
33:00passei um pouquinho.
33:04Fez uma análise, né,
33:05da história.
33:06Aí eu analisei,
33:08aí eu virei e pensei,
33:10se o senhor quer comprar uma casa pra mim,
33:13compre lá em Belém,
33:15porque eu não quero vir morar aqui, não.
33:18Se não quer,
33:19não, eu não quero.
33:20Eu não gosto do frio.
33:21Lá, nossa terra,
33:23tudo quentinho,
33:24eu não me dou com o frio daqui.
33:26Mentira,
33:26eu tava pensando,
33:27não,
33:28eu vou,
33:29agora vem que eu vou,
33:30olha a época dos cantores.
33:31Nelson Gonçalves,
33:33Calbi Peixoto,
33:35Ângela Maria,
33:36Aguinaldo Timóteo,
33:38Aguinaldo Raió,
33:39só aquele bando de fera,
33:41tudo em São Paulo,
33:42aparecia eu querendo cantar carimbó lá.
33:45Não,
33:46isso tudo
33:47passou na minha cabeça rapidinho.
33:50Eu não ia aceitar
33:51convite no meio dessas feras,
33:54só feras.
33:55Eu vou cantar carimbó, não.
33:58Compre uma casa pra mim lá em Belém,
34:00que eu não quero vir morar aqui.
34:01Pinduca me diz uma coisa,
34:02a gente sabe que você é o cara do hit,
34:04você toca em músicas,
34:06você já faz um show
34:07e todo mundo canta,
34:08todas as suas músicas
34:10sabem cantar as suas músicas,
34:11isso é raro nos artistas.
34:12É mesmo.
34:13Você já faz um show de sucesso,
34:16Pinduca canta os seus sucessos,
34:18que são todos.
34:19E a sua música também tem uma coisa
34:21muito interessante,
34:22que você sempre conta uma história.
34:24É.
34:25Quer dizer,
34:26a gente, por exemplo,
34:27eu vejo que quando toca
34:29garota do tacacá,
34:30a gente fica imaginando
34:31quem seria essa garota do tacacá.
34:33Você contando uma história,
34:34você sempre se inspira
34:35no teu universo?
34:37Também.
34:38Mas essa,
34:39voltando um pouquinho
34:40da sua pergunta,
34:43uma ocasião,
34:45eu, no início,
34:47falei com o professor
34:48Guilherme de Barros.
34:50Professor,
34:51eu tive a oportunidade
34:53de gravar
34:55carimbó.
34:56mas como é que é?
34:57O que é o carimbó,
34:58para me responder
34:59nas entrevistas por aí?
35:01Senhor,
35:02Pinduca,
35:02eu não sei muita coisa,
35:03porque ninguém,
35:04até hoje,
35:04nada escreveram
35:05sobre o carimbó.
35:07Mas eu sei que,
35:08no tempo da escravatura,
35:11os escravos
35:12trabalhavam
35:14e o amo,
35:15o feitor,
35:16não sei o quê,
35:17dava chicotada
35:18para o cara trabalhar
35:19mágico,
35:20animação,
35:21e não pode chorar,
35:23canta,
35:23mandava ele cantar.
35:24Aí,
35:26ele cantava,
35:27é que vem a história
35:28do carimbó,
35:29o carimbó mesmo,
35:31original,
35:32são quatro linhas.
35:34Menina,
35:35menina,
35:35me diga seu nome,
35:37meu nome é
35:37Botão da Cirola dos Homens,
35:39primeira parte.
35:41Segunda parte,
35:42aperta o nó
35:43do teu vestido,
35:44a barra da saia
35:45está muito comprida,
35:47terminou o carimbó.
35:49É esse tipo de música,
35:51o escravo tinha que cantar
35:53para incentivar
35:54os outros escravos
35:55a trabalharem.
35:56Isso o Guiando de Barros,
35:58o maestro Guiando de Barros,
35:59conversando comigo,
36:00me expondo
36:01e me explicando
36:03por que que era
36:04esse pedacinho de música.
36:05Você vai buscar
36:06a explicação,
36:07a gênese da história
36:08lá do carimbó.
36:09Até aí eu fiz muita,
36:12gravei músicas assim,
36:13depois eu fui esticando.
36:15Você já compondo?
36:16Já compondo.
36:17Já compondo,
36:18já cantava
36:19suas composições?
36:20Eu sou compositor
36:20desde criança.
36:21Aí eu comecei
36:23meio preocupado,
36:25porque quando eu lancei
36:26o primeiro disco,
36:28muita gente
36:29meteu o pau em mim
36:30aqui,
36:31que eu tinha deturpado
36:32o carimbó.
36:32Pois é,
36:33vamos falar disso.
36:34Existia uma crítica
36:35muito grande
36:36que você tinha deturpado,
36:37na verdade,
36:38que você se tinha apropriado
36:39de um ritmo,
36:41de uma música,
36:41de um gênero,
36:42e tinha tirado
36:44esse toque primitivo.
36:46Justamente.
36:47Tinha tirado
36:47a essência da coisa
36:48por introduzir
36:51instrumentos
36:51e tudo mais.
36:52Como é que foi isso
36:53para você?
36:53É porque quando eu tive
36:55a oportunidade...
36:56Você se abalou com isso?
36:57Não,
36:58eu não me abalei
36:59porque eu tinha
36:59um objetivo.
37:02Estava entrando
37:03a modernização
37:04das coisas.
37:06Não era nem...
37:07Estava vindo...
37:08Já estavam lançando
37:09aquele CD
37:11com uma velocidade
37:13assim,
37:14estava tudo
37:15modernizando
37:16já as coisas.
37:17Aí eu pensei,
37:18vou gravar carimbó,
37:19mas eu vou gravar
37:20carimbó moderno.
37:22Foi uma proposta
37:23minha
37:23de modernizar
37:25para poder
37:26chegar
37:27na modernização,
37:30para chegar
37:30onde nós chegamos.
37:32Então,
37:32eu comecei
37:33com esse tipo
37:34de música
37:35de subir
37:36pelo tronco,
37:37descer pelo galho,
37:39morena me
37:39apara,
37:40senão eu caio,
37:41senão eu caio,
37:42senão eu caio,
37:43morena me apara,
37:44senão eu caio.
37:44Acabou.
37:46Quando eu comecei
37:47a aumentar
37:48as letras
37:50do carimbó,
37:51aí todo mundo
37:52estranhava e falava
37:53que eu estava
37:54deturpando,
37:56estava modificando
37:57tudo,
37:57mas eu estava
37:58modificando
37:59com o objetivo
37:59de modernizar.
38:01Eu queria modernizar
38:02para acompanhar
38:03isso que a gente
38:05vê até hoje,
38:06que nunca mais parou,
38:07nunca mais parou
38:08de evoluir.
38:09Vai só evoluindo,
38:11evoluindo,
38:11evoluindo.
38:12Pois é,
38:12e nessa evolução,
38:13a gente,
38:14claro,
38:14hoje em dia
38:15tem um novo panorama
38:17que a gente pode chamar
38:18de música paraense.
38:19Você vê a guitarrada,
38:21a lambada,
38:22enfim,
38:23todos esses gêneros
38:24aí,
38:24com grandes artistas
38:26como você,
38:26tem Dona Onete,
38:28todo mundo está aí,
38:29Mestre Vieira.
38:31você está nesse processo
38:33aí, né?
38:33Olha,
38:34eu cheguei um dia
38:36em casa,
38:36os músicos
38:37estavam me esperando
38:38no ensaio,
38:40estavam brincando.
38:41Músicos chegam,
38:42pegam o instrumento,
38:42a guitarra,
38:43contrabaixo,
38:44bater,
38:44estava brincando.
38:45Aí eu cheguei assim,
38:48foi assim,
38:48continua esse ritmo,
38:49continua esse ritmo aí.
38:51Continuaram,
38:52fazendo aquela...
38:52Eu peguei um gravadorzinho
38:54e gravei.
38:55Aí,
38:57eu fiz dali
38:58a lambada.
39:00Com o nome de lambada,
39:01não foi bem lambada.
39:02Eu fiz uma música ali,
39:04aproveitando
39:05aquele ritmo
39:06que eles estavam fazendo,
39:08aí eu digo assim,
39:10vou colocar o nome
39:11de lambada
39:12ou lapada.
39:15Já ouviu falar em lapada?
39:17Pois é,
39:17baseado nisso.
39:19Pensei,
39:20fazer lapada
39:21é um negócio
39:21que o cara vai de manhã
39:22tomar
39:23para poder ir trabalhar,
39:24principalmente
39:25pessoal de estiva,
39:26pessoal da roça,
39:28tomar uma lapada.
39:30Era assim,
39:31foi uma lapada
39:32aí para mim,
39:32fulano,
39:33aí cara,
39:33xô, xô, xô, xô.
39:35Lapada.
39:36Aí eu fiquei,
39:37lapada,
39:37lambada,
39:38lambada,
39:39aquele que está no cavalo
39:40e o cavalo corre
39:42com o nome
39:43de lambada.
39:45Chamei meu irmão
39:46Mário Gonçalves,
39:47Mário,
39:48vamos gravar isso assim
39:49com o ritmo de lambada,
39:51com o nome de lambada.
39:53Vamos lançar.
39:55Aí eu vou falar
39:56com o senhor Rosvaldo
39:56lá em São Paulo,
39:57aí eu vou compor
39:58umas coisas em cima disso
40:00para gravar.
40:01Quando eu cheguei lá
40:02eu falei para ele,
40:02ó,
40:03senhor Rosvaldo,
40:04eu queria gravar
40:05lambada também.
40:06Não,
40:08você já é
40:09o rei do carimbó,
40:10não quero não,
40:11pode arrumar
40:12quem você quiser
40:13para gravar essa lambada
40:14que eu nem conheço,
40:15não sei o que é.
40:17Aí o Mário Gonçalves,
40:18meu irmão,
40:19gravou em solo
40:20de lambada,
40:21mas já mudou
40:21o que eu tinha feito.
40:24Eu tinha feito
40:24numa outra batida,
40:26ele modificou,
40:27aí eu digo,
40:28aí mudou tudo,
40:29meu irmão,
40:30como é que a gente vai
40:30dar o nome de lambada
40:32para isso?
40:33Vamos para o nome
40:33de lambada sambão.
40:35Aí colocamos o nome
40:36de lambada sambão.
40:39Aí,
40:40deu certo,
40:41todo mundo gostava.
40:42Aí eu insisti,
40:43e agora,
40:44aí o senhor Rosvaldo
40:45disse assim,
40:45se você quiser
40:47lançar essa lambada,
40:48você pode arrumar
40:50quem cante,
40:51mas você não.
40:52Aí eu arrumei
40:54um bocado de gente
40:54para gravar lambada.
40:57Aí quem se deu
40:58melhor com isso
40:59foi o Beto Barbosa,
41:00mas todo mundo
41:01modificava.
41:02O começo da coisa
41:04foi de um jeito,
41:05aí melhorou para cá,
41:08outro colocou
41:08uma pitada para cá,
41:10que o músico tem isso,
41:12ele cria.
41:13No ensaio,
41:14está ensaiando uma coisa,
41:16depois de repente
41:17surge um negócio
41:18que ele criou ali,
41:19isso é bom,
41:20isso é bom.
41:21E essa coisa também
41:23de você chegar na frente,
41:24chegar no microfone,
41:25ser o artista principal
41:27da banda,
41:28aquilo ali também
41:28já estava no sangue,
41:29ali naquela coreografia,
41:31aquele balé
41:32que você faz ali,
41:33não é?
41:34Tem o chapéu também,
41:35introdução da indumentária,
41:37do chapéu,
41:38tem toda uma construção
41:39dessa figura do Pinduca.
41:40Isso tudo eu fiz
41:41para modernizar o Carimbó,
41:44que o Carimbó
41:45era o pessoal dançava,
41:47ainda dança até hoje,
41:49com camisa branca
41:50e calça branca,
41:52uns com manga comprida ou não,
41:54uma fitinha amarrada aqui,
41:56um chapéuzinho na cabeça,
41:58o homem do Carimbó.
42:00E a mulher
42:00era com a blusa
42:03e aquela saia comprida,
42:08só fazendo mais ou menos
42:10esse trejeito aqui,
42:12pegando aqui um pouquinho.
42:13hoje em dia você vê
42:15as meninas pegam a saia,
42:17jogam lá
42:17para cima da cabeça
42:19e da pião
42:20e mostram até as calcinhas.
42:24Vai mudando tudo.
42:25Claro.
42:26Vai mudando tudo.
42:27É por isso que eu digo...
42:29Mas essa que foi
42:30a sua grande sacada,
42:31Pinduca,
42:31porque a partir do momento
42:32que você viu
42:33que o movimento
42:34estava levando
42:34para essa modernização,
42:36é necessário,
42:36essa briga de introdução,
42:39de modernidade
42:40na história
42:40da música popular brasileira,
42:42a gente teve a marcha
42:43contra a guitarra elétrica.
42:45Quer dizer,
42:46os puristas
42:47achavam que a introdução
42:48da guitarra elétrica
42:49não era.
42:50Caetano Veloso
42:50foi malhado
42:51porque usou
42:52a guitarra elétrica
42:52numa música dele.
42:53Mas, enfim,
42:54você está nesse processo
42:55quando a partir do momento
42:56que você modernizou
42:58o Carimbó.
42:59Oi.
42:59O Carimbó...
43:01Eu sou o Pedro Alves Cabral
43:04do Carimbó.
43:07Carimbó,
43:08quantos anos tem Marapani?
43:09Cento e poucos anos.
43:10Foram cento e poucos anos
43:12que Marapani tem Carimbó.
43:15E aí pegou naquela região
43:16todinha ali
43:16que nós chamamos
43:17região do Salgado, né?
43:19Carimbó.
43:20Mas era aquela coisa mesmo.
43:21Me lembro que uma ocasião
43:23foi fazer um show em Lituia,
43:25com a minha banda já,
43:26e saía de uma vicinalzinha
43:28lá no lado da cidade.
43:30O pessoal entrava e saía,
43:31entrava e saía.
43:32Nós estávamos passando
43:33o som aqui
43:34no Clube Brasil.
43:36Vamos ver o que é isso aí,
43:38vamos ver.
43:38Aí chamamos um garoto.
43:39Garoto, vem cá.
43:40O que é que está acontecendo ali?
43:42É Carimbó.
43:44Hein?
43:45Bora lá dar uma olhada.
43:46Aí nós fomos,
43:47chegamos lá,
43:48encontramos os músicos
43:49do Carimbó
43:50nesse barracão.
43:51Estavam todos
43:52num canto, assim.
43:54Que bocado de músicos,
43:55uns sentados,
43:57bebendo cachaça e tal.
43:59Estavam lá.
44:00Aí nós já chegamos lá,
44:02entrosamos com eles,
44:03e cada um deu
44:03uma bicadinha lá
44:04na cachaça dos músicos
44:06do Carimbó.
44:07Aí começamos a dançar
44:09Carimbó no barracão.
44:11Quando nós saímos de lá,
44:12quase que ninguém
44:13tocou o baile,
44:15porque nós fomos
44:16para o barracão do Carimbó.
44:18Olha aí
44:19o preconceito.
44:21Quando souberam
44:22que nós estávamos
44:23no barracão do Carimbó,
44:24não gostaram.
44:25Quando souberam
44:26que Pinduca,
44:27os músicos estavam
44:27dançando lá no barracão,
44:29não gostaram.
44:30Mas passaram...
44:32Pinduca,
44:33você tem uma vida
44:34ainda muito movimentada,
44:35toca muito,
44:36vai muito show
44:37no interior,
44:38e você gosta disso, né, Pinduca?
44:39Eu gosto.
44:39Agora de onde vem
44:40toda essa vitalidade?
44:42Eu acho que é...
44:45é gostar.
44:46A palavra certa
44:48para mim
44:48é gostar.
44:50Eu gosto de todo mundo,
44:52eu gosto de tudo,
44:54eu gosto de...
44:54Você se sente,
44:56por exemplo,
44:56hoje em dia,
44:57valorizado?
44:59Eu me sinto.
45:03Uma coisa
45:04que eu gosto,
45:08como acontece
45:09quase que diariamente,
45:10quando eu saio
45:11vou em algum lugar,
45:13supermercado,
45:14shopping e tal,
45:15sempre o cidadão
45:17falar comigo.
45:19Aquele cidadão
45:19chega,
45:20põe uma no meu ombro,
45:21quando eu conheço,
45:22quando eu conheço,
45:23Pinduca,
45:24até hoje
45:25eu me lembro
45:26quando eu passei
45:26no vestibular.
45:28Ah, pois é.
45:29Senhora do vestibular,
45:30você fez um teste
45:32com a música, né?
45:33Foi.
45:33Que é um dos seus
45:34grandes sucessos,
45:35é um hit até hoje
45:36tocado, né?
45:37E muito.
45:38Você fez um teste
45:39no baile de carnaval, né?
45:41Conta pra gente.
45:42Eu fiz os testes
45:43lá no Círculo Militar.
45:45Quando eu...
45:45o carnaval
45:46que você conheceu,
45:47o carnaval do Círculo Militar
45:48era muito bom,
45:50aí dois salões
45:51cheios de gente,
45:52aí no meio da festa,
45:54duas horas da manhã,
45:55no auge
45:56do carnaval.
45:57Ô jardineira,
45:58por que estás tão triste?
46:00O povo cantando,
46:01que foi o que te aconteceu?
46:03Aí de repente eu...
46:04Pessoal,
46:07alô, meus amigos?
46:08Eu vou lançar
46:09uma música agora aqui.
46:11Se vocês gostarem,
46:13vocês podem
46:14me dizer que gostaram.
46:16Se vocês não gostarem,
46:18vocês me dão uma vaia,
46:19tá bom?
46:22aí...
46:24Alô, papai,
46:25alô, mamãe,
46:27ponha a vitrola pra tocar.
46:30Meu amigo,
46:31quando terminou,
46:33aquela multidão
46:34de dois salões
46:35querendo gritar pra mim,
46:38grava,
46:38grava,
46:39grava,
46:39grava.
46:40Isso é um sucesso
46:41até hoje,
46:42as pessoas comemoram
46:43até hoje
46:43esse grau aí
46:45que recebem quando passam.
46:46A gente tem
46:47a tua história contada,
46:48Já trouxemos aqui
46:49O som da cor e o sim da cor
46:52Do Zé Paulo
46:55Que conta só a biografia
46:57Você dá a sua história toda aqui pra ele
46:59O livro ainda vai ser lançado
47:01Ainda vai ser lançado
47:03A editora é a Paca Tatu
47:05E você conta tudo aqui
47:07Não
47:08Não dá pra contar tudo
47:10A minha vida é uma história
47:12Que tem que ser aproveitada
47:14Aliás o livro é ricamente ilustrado
47:16Tem fotografias preciosas
47:18Imagens de resgate da sua história
47:20Tem muita coisa que ainda falta
47:22Falar com o Zé Paulo depois
47:24Porque eu queria que ele fizesse
47:26Parte 1 e parte 2
47:28É, eu queria que ele fizesse
47:30Mas eu queria que o livro fosse menor
47:32Essa parte
47:34Depois o outro
47:35É mais fácil de ler
47:38Mais fácil, dá mais prazer
47:39Porque o único livro grosso
47:42Que eu leio é a Bíblia
47:44O outro livro se não for pequeno
47:47Eu não leio
47:48Pinduco, eu vejo muito você
47:50Isso é uma coisa que me
47:51Me emociona
47:53Até
47:54Já vi você nos bastidores
47:55Que a gente se encontra ali
47:56Pelo show
47:57Que você está ali
47:58Esperando pra se apresentar
47:59Porque tem aquele show
48:00De grandes participações
48:01Como você é uma grande participação
48:03Você é a principal atração
48:05Acaba deixando você pro final
48:07Uma vez você quietinha ali
48:09Esperando-se
48:10Tranquilo
48:10Mas isso também precisa
48:12De uma certa paciência
48:13Até um fôlego
48:14Não é?
48:15É
48:15Porque eu fico preocupado
48:18Principalmente quando
48:20Começo a tocar as minhas músicas
48:22Principais
48:24Do meu show
48:25Ainda bem que eu tenho
48:26Um único
48:27Cantor paraense
48:29Que tem 40 discos gravados
48:31Sou eu
48:3220 LPs
48:33E 20 CDs
48:34Eu tenho muita música gravada
48:37Então
48:38Embora eu fique
48:39Poxa
48:40Tocar a minha marcha vestibular
48:41Poxa
48:42Sinhapureza
48:43Poxa
48:44Garota do Takacá
48:45E vão tocando a minha frente
48:46São famosas
48:47Sinhapureza
48:48Garota do Takacá
48:50Essas músicas
48:50É isso que eu digo
48:52Você na verdade
48:53A gente
48:53Você cria imagens
48:55Com a sua música
48:55A gente ouve a tua música
48:56A gente está criando uma história
48:57Ali que você está contando
48:58A Garota do Takacá
49:00Existiu mesmo?
49:00Existiu
49:02Existiu lá na esquina
49:04Da Estrada Nova
49:05Com a travessa
49:07De
49:09Conselheiro
49:10Furtado
49:11Se eu não me engano
49:13Óbidos
49:14Ou é de óbidos
49:15Estrada
49:16Antigamente
49:17Eu vi uma garotinha
49:18Ela não tinha mais do que 10 anos
49:21Toda bonitinha
49:23Uma mesinha assim
49:24A mãe dela
49:25Eles moravam assim
49:27A mãe dela de lá
49:28Estava olhando
49:29Ela que estava vendendo
49:30Do Takacá
49:31Eu não acho
49:32As bancas divinas
49:33Do Takacá
49:33Chega lá
49:35Aí eu fiquei olhando
49:36Eu já era compositor
49:38Aí eu era garota
49:40Do Takacá
50:08Estou com prazer enorme
50:11Isso
50:12Isso
50:12Porque eu não sou desse lado aí
50:15Isso não tenho nada a ver
50:17Eu estou aqui para curtir
50:19O meu carimbó
50:20Fazer a alegria do povo
50:21Mas eu não
50:22Não use meu nome
50:23Para essas coisas
50:24Que não fica bem
50:25Eu usar minha imagem
50:27Eu não faço
50:27Olha
50:28Deixa eu falar uma coisa
50:29Em primeiro lugar
50:30Esse prazer enorme
50:31Estar aqui contigo
50:32E já que tu lançaste a ideia
50:33É o seguinte
50:34Já que tu querias um livro
50:35Com vários capítulos
50:37Vários livros
50:38Com várias edições
50:39Essa é a sua segunda volta
50:41Aqui no programa
50:42Como eu te falei
50:42A gente esteve lá no início
50:44Cinco anos atrás
50:44No primeiro programa
50:46Que a gente fez
50:47Foi você que foi o convidado
50:48E a gente também já vai lançar
50:50Vamos ter outro
50:50Se Deus quiser
50:52Vamos juntar assunto
50:53Para na próxima temporada
50:55A gente já traz você
50:56Prazer enorme
50:57Falar contigo
50:57Muito obrigado
50:58Muito obrigado
50:59Prazer enorme
51:00Muito obrigado
51:00Prazer foi todo meu
51:02Muito obrigado
51:02Pela oportunidade
51:04Este é o Mangarosamente
51:06Que você assiste
51:07No Libreplay
51:08Dentro de
51:09Liberal.com
51:10E no Youtube
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