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  • há 3 meses
Repórter pede desculpas após entrevista com Paolla Oliveira

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Transcrição
00:00Gente, estamos precisando conversar. Que história é essa? Que loucura é essa que eu chamei Paola Oliveira de obesa?
00:06Gente, a Paola Oliveira é uma mulher padrão, ela é uma mulher magra, ela é uma mulher esbelta.
00:13Eu quero pedir desculpas se alguém entendeu que eu falei isso.
00:18Eu quero pedir desculpas se a Paola também entendeu na hora, ela não escutou.
00:22Mas se depois ela viu o vídeo e achou isso, eu também gostaria de pedir desculpas.
00:25O que eu fiz ali foi agradecer a Paola de maneira pessoal por ela estar levantando a pauta do Corpo
00:34Livre.
00:35Porque eu, como uma pessoa obesa, eu como uma pessoa ex-obesa, bariátrico, não tive na minha juventude nenhuma Paola
00:45Oliveira
00:46pra falar sobre aceitação, sobre autoaceitação.
00:49E a Paola Oliveira ser essa mulher padrão que ocupa o lugar que ela ocupa na nossa mídia,
00:54sendo rainha de bateria, estando nas capas de revista, na televisão,
01:02falar pra gente que a gente pode se aceitar de uma generosidade, de um carinho tão grande.
01:10E a Paola ter que ir pro Fantástico pra falar sobre os ataques que ela tava recebendo,
01:16sobre o corpo dela, de uma loucura, de um adoecimento social,
01:24que é muito difícil de falar.
01:26Porque são várias camadas, né?
01:28Quando ela rompe esses laços com o patriarcado e fala que ela não liga mais,
01:35mesmo ela sendo magra, se as pessoas quiserem falar sobre o corpo dela,
01:40isso passa uma mensagem muito forte pra gente que tem o nosso corpo marginalizado.
01:46Eu falo pra gente porque eu falo da gente que tem a vivência de ser ou LGBT ou ser mulher
01:54desse corpo que é sempre muito subjugado, muito exposto a todo tipo de sordidez possível.
02:03Então, quando a Paola vai lá pra televisão e fala que, pera lá, a gente tá indo num caminho errado,
02:10a gente tá indo pra um caminho adoecido, é hora da gente rever o que está acontecendo,
02:15eu parei pra juntar algumas pecinhas.
02:19Há algum tempo atrás, eu acho que há duas semanas atrás, no Mais Carnaval,
02:23o site que eu trabalho, a gente fez uma postagem sobre a Paola Oliveira Sambão, dança por cair,
02:27e quando eu acordei no dia seguinte, tinham vários comentários falando do corpo da Paola.
02:35E eu entrei numa onda de ficar refletindo o quanto, se o corpo da Paola é julgado dessa forma,
02:45com ela sendo magra, com ela sendo branca, com ela sendo uma mulher padrão,
02:50o quanto o meu corpo não está à margem, né?
02:55O quanto o meu corpo já é considerado um corpo morto.
03:00E as pessoas falam assim, ah, você está sendo cancelado agora por causa desse vídeo da Paola.
03:04Gente, eu já nasci cancelado.
03:06Eu sou viado, eu sou ex-obeso, eu sou preto, eu sou afeminado.
03:11Pessoas como eu, elas já nascem canceladas.
03:14Difícil é a gente conseguir algum espaço na sociedade e ter voz para falar alguma coisa.
03:20E é muito importante isso ter acontecido agora comigo, desse vídeo ter viralizado,
03:26essa confusão estar acontecendo, as pessoas estarem me jogando esse hate
03:28por uma interpretação que é muito equivocada do que aconteceu ali.
03:34Porque eu raramente uso esse espaço para falar sobre mim,
03:38o meu Instagram, as minhas redes sociais,
03:40eu raramente uso esse espaço para falar sobre mim, sobre o que me atinge, sobre as minhas dores.
03:44E essa pauta, em específico, a pauta do corpo livre, da autoaceitação,
03:50é uma pauta que, para mim, ela é muito importante.
03:53Porque uma pessoa que chegou a 150 quilos, como eu cheguei,
03:57e aí depois perdeu todo esse peso e ficou com cicatriz de cirurgia bariátrica,
04:00cicatriz de plástica,
04:02que cresci, né, olhando a televisão.
04:05E na televisão só tinham pessoas brancas, pessoas magras,
04:09pessoas esbeltas na capa da pence leve.
04:13Chegar até o momento que a gente chegou hoje na sociedade,
04:16que a gente tem meninas como a Georgia Chagas, no Carnaval,
04:21que é uma musa e passista,
04:22que fala sobre a marginalização do corpo da mulher no Carnaval e na cultura.
04:26Ou então da Alexandra Gurgel, do Alexandrismos,
04:29que criou, né, essa pauta,
04:33que levantou, que capinou essa pauta,
04:35ficou toda lanhada de capim mesmo,
04:39porque ela trouxe isso pra gente,
04:42ela trouxe pra gente o body positive.
04:47E ver hoje uma mulher como a Paola Oliveira
04:51falar sobre isso em TV aberta
04:53é muito simbólico,
04:55porque quando essas meninas falam,
04:58quando as meninas em geral falam
04:59sobre a realidade delas,
05:02sobre a realidade do corpo,
05:03sobre o corpo livre,
05:04sobre plus size, enfim,
05:07quando elas falam,
05:08atinge um determinado público
05:10que se identifica com essas questões.
05:14Quando a Paola Oliveira fala,
05:17ela alcança um outro público.
05:19E esse público é o público que precisa,
05:22às vezes, ser alcançado
05:23e não se alcançava,
05:27que às vezes não consegue entender essa pauta
05:30quando vem da boca dessas meninas
05:33que são influenciadoras do corpo livre.
05:37Quando a Paola Oliveira fala sobre isso,
05:40a gente alcança uma parcela maior da sociedade.
05:42E isso faz com que pessoas como eu
05:45sofram menos,
05:47carreguem menos o peso
05:49de ter que falar sobre isso sozinho,
05:51de ter que viver isso sozinho.
05:53E sendo o corpo que sou,
05:57que é esse viado preto afeminado
05:59e ex-obeso,
06:02castigado pelas consequências da obesidade,
06:07eu fico muito aliviado
06:08que esse debate esteja acontecendo
06:11e que esse assunto esteja sendo pauta,
06:13porque chega, né?
06:15Chega de ódio.
06:17Até quando?
06:19E por que estamos falando sobre isso?
06:24Aham.
06:25Aham.
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