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  • há 2 horas
Especialistas explicam que o avanço da ciência retirou produtos com mercúrio e álcool das prateleiras por riscos de toxicidade; saiba o que substitui os antigos "queridinhos" das farmácias caseiras.
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Transcrição
00:00Quem tem mais de 30 anos provavelmente vai se lembrar do mercuro cromo, metiolate.
00:07Todo mundo tinha esse líquido vermelhinho na farmacinha de casa, era só cair.
00:12Criança ralava o joelho, cotovelo, passava ali o medicamento no machucado.
00:17Mas você sabia que ele saiu de circulação há mais de 20 anos?
00:22Uma recomendação, porque ele tinha mercuro na composição, um metal que pode fazer mal à nossa saúde.
00:29Você imagina usando em criança também, né?
00:31Bom, gente, é só uma das muitas mudanças que aconteceram com o avanço aí da ciência.
00:37Remédio para matar piolho alguns, xaropes, cânfora em crianças.
00:42O próprio Vick também para criança cheirar.
00:45A formulação antiga do biotônico Fontoura.
00:49Quem nunca, né? A gente lembra, tinha propaganda direto na televisão.
00:53Muita coisa que a gente usava, que era recomendada, que saiu de circulação por conta do avanço aí do conhecimento
01:01da ciência.
01:02Você se lembra de algum remédio que você usava e que hoje não é mais recomendado a utilização em casa?
01:10Compartilha com a gente.
01:11Vamos conversar sobre isso agora e vamos falar também sobre o perigo da automedicação.
01:17Tomar remédios errados em casa.
01:19A gente que acaba tendo a nossa farmacinha, toma ali sem nenhuma recomendação às vezes.
01:24Rodrigo Alves, do Conselho Federal de Farmácia, está aqui para orientar a gente.
01:28Bom dia, Rodrigo.
01:29Bom dia, Bruna.
01:30Bem-vindo.
01:31Muito obrigado.
01:32Bom demais ter você por aqui.
01:33Ô, Rodrigo, às vezes quem está me ouvindo falar, às vezes vai falar, eu usei metiolate a minha vida inteira,
01:40usei o mercúrio-croma aqui a minha vida inteira e nunca me aconteceu nada, era ótimo.
01:44Por que que essa medicação foi retirada de circulação? Explica para a gente.
01:50Eu fui o que utilizei.
01:51Eu também.
01:52Pois é.
01:53Isso revela a idade, né, Bruna?
01:55Não é?
01:55Nem vou falar muita coisa, mas não.
01:58Mas o que acontece?
01:59A ciência evolui e junto com essa evolução vão sendo feitas novas descobertas, novas moléculas mais eficazes para essa situação.
02:11Ao mesmo tempo vão se descobrindo efeitos tóxicos.
02:15Então o mertiolate, por exemplo, descobriu-se que ele poderia levar a toxicidade da mesma forma que o mercúrio-cromo,
02:22justamente por ter o mercúrio na composição.
02:25E ao longo do tempo essa evolução vai fazendo substituições.
02:30Então moléculas, fármacos vão deixando de existir, vão deixando de ser utilizados e novas vão surgindo.
02:36Hoje, por exemplo, para feridas é mais indicado clorexidina.
02:40O mertiolate, além do tiomersal, que é o componente ativo, a substância ativa,
02:47ele também possuía álcool na formulação, por isso que ardia.
02:52E a gente cresceu com essa frase, que arde cura, o que não é uma verdade.
02:57Verdade, com certeza.
02:59Agora, outras medicações também, por exemplo, o Biotônico Fontura, que era muito divulgado,
03:07tinha muita propaganda dele, a formulação antiga saiu de circulação também.
03:11E as crianças tomavam.
03:13Sim, justamente porque na época era comum a prescrição desse fármaco, dessa substância,
03:20para estimular o apetite.
03:23Porém, ele tem álcool na formulação, ele tinha álcool na formulação.
03:27Outro que tinha álcool também.
03:28E por anos a gente utilizou esse medicamento para abrir o apetite.
03:33Mas ao longo dos anos isso foi caindo em desuso e outras substâncias vão surgindo.
03:38A evolução da ciência, ainda bem.
03:40Tem muitos, Rodrigo, que não foram proibidos muitos medicamentos,
03:46mas tiveram ali o uso um pouco mais restrito.
03:49Para nós, enquanto consumidores, como é que a gente pode entender essa diferença?
03:55Exatamente.
03:56Alguns medicamentos, algumas substâncias não foram de fato suspensas,
04:00mas elas tiveram um reposicionamento na questão do seu uso, nas recomendações de uso.
04:05Então, o Vic Vaporub, por exemplo, ele não é indicado passar dentro das narinas.
04:12Então, antigamente era muito comum esse tipo de coisa.
04:14Hoje a gente já entende que pode trazer algum tipo de risco.
04:18Então, como obter essas informações?
04:21A gente sempre recomenda que procure o farmacêutico.
04:25Vá até a farmácia em caso de dúvida, procure o farmacêutico.
04:28Entre em contato com esse profissional que está habilitado, capacitado,
04:32para esclarecer, tirar as dúvidas da população no que se refere ao uso de medicamentos.
04:38Isso é muito importante.
04:39Bater esse papo com quem está ali do outro lado.
04:42Porque às vezes a gente vai tão automático.
04:43Exatamente.
04:43Não, mas você já toma muito tempo.
04:45Esse remédio aqui já faz parte, já toma antes.
04:48E às vezes não é bem assim.
04:49Exato.
04:50Não é porque foi utilizado antigamente que ele continua sendo indicado,
04:54que ele continua sendo seguro.
04:55Essa questão da segurança passa por um processo chamado farmacovigilância.
05:00Então, todos os medicamentos que estão sendo utilizados,
05:04caso haja algum efeito adverso que não está relatado em bula,
05:08o profissional ou até mesmo a população pode e deve notificar a Anvisa
05:13e a Anvisa vai criar um banco de dados.
05:15A partir disso, vão ser tomadas medidas ou não em relação ao uso ou desuso desses medicamentos.
05:21Qual que é o principal critério hoje, Rodrigo, para retirar um remédio de circulação?
05:26O principal critério é principalmente a questão da segurança.
05:30Então, se uma indústria identifica, por exemplo, que um fármaco é inseguro para determinada situação,
05:36ela muito provavelmente vai retirar esse medicamento do mercado.
05:40Isso aconteceu alguns anos atrás, por exemplo,
05:43com uma classe específica dos anti-inflamatórios,
05:47que estava aumentando o risco cardiovascular.
05:50Então, essa indústria, na época, resolveu retirar do mercado
05:54por causa desse aumento do risco de morte por infarto, AVC.
05:58Importante o papel do farmacêutico também, nessa conversa aqui que a gente está tendo.
06:03Sem dúvida.
06:03Tanto do farmacêutico quanto da pessoa que vai ali comprar do paciente,
06:07de ouvir, mas de dar também essa orientação para a pessoa, né?
06:12Com certeza. Porque o farmacêutico está ali para orientar a melhor forma de uso do medicamento.
06:18Então, por vezes, a pessoa utiliza não apenas um, ela utiliza dois, três, cinco, dez medicamentos.
06:24E muitas vezes, nessa polifarmática, que a gente chama, quando a pessoa utiliza cinco ou mais medicamentos,
06:30aumenta o risco dela trocar, dela esquecer, dela ter uma interação medicamentosa.
06:34E aí, o farmacêutico, ele pode identificar isso e orientar a melhor forma.
06:40Caso necessário, ele vai entrar em contato com o médico, prescritor.
06:44É um trabalho de equipe.
06:45Com certeza.
06:45E o paciente tem que estar sempre no centro dessa equipe,
06:48porque ele que vai ser o maior beneficiado nesse trabalho em conjunto.
06:52Médico, farmacêutico e outros profissionais da saúde.
06:55Legal. Você falou uma coisa muito importante.
06:57Pessoas que tomam muitos medicamentos, às vezes, se confunde, confunde o nome, confunde o horário, a dosagem.
07:04E é muito importante a gente falar sobre intoxicação medicamentosa, né?
07:10Que acontece muitas vezes, gente, dentro de casa.
07:13Só para a gente ter uma ideia, no ano passado, foram mais de oito mil casos.
07:19Vai passando aí, para a gente informar quem está em casa, mais de oito mil casos de intoxicação por remédios.
07:26Só no ano passado, aqui no Espírito Santo.
07:31Então, são crianças, às vezes, que têm acesso a remédio.
07:35A gente sempre fala para deixar fora do alcance das crianças, mas, às vezes, acontece.
07:39Idosos que se confundem.
07:41Enfim, todo mundo pode estar suscetível, corre esse risco.
07:45Você sabe, você aí de casa, o que fazer no caso de intoxicação por medicamentos?
07:51Júlia Cássia está entrando aqui nesse bate-papo com a gente.
07:55Ela está no Centro de Informação e Assistência Toxicológica para esclarecer as nossas dúvidas, o Ciatox.
08:03Bom dia, Júlia.
08:06Ei, Bruna. Bom dia para você.
08:08Bom dia também ao nosso convidado aí no estúdio, a vocês de casa.
08:12Bruna, é um número que a gente tem que gravar na agenda, deixar o contato salvo, que é o número
08:18do Ciatox,
08:19esse centro aí de Informação e Assistência Toxicológica, um serviço gratuito.
08:24Já, já a gente passa esse número, justamente porque a gente não sabe, muitas vezes,
08:29como agir em casos de intoxicação medicamentosa, picada, às vezes, também de animais peçonhentos.
08:35O Ciatox, ele abarca vários serviços, mas hoje a gente está falando sobre essas intoxicações, né?
08:40Como você falou, mais de 8 mil casos ano passado aqui no estado, é preciso saber como agir.
08:47É por isso que a médica toxicologista aqui do Ciatox, a Rinara Angélica de Andrade, vai explicar para a gente,
08:54porque, Rinara, muito bom dia.
08:56A gente estava até conversando que, infelizmente, as crianças são as mais vulneráveis, né?
09:01São mais alvos desses casos de intoxicação.
09:04Por que isso geralmente acontece, Rinara?
09:07Bom dia.
09:07Então, as crianças, principalmente na faixa etária de 1 a 4 anos, elas estão na fase da descoberta, né?
09:15Então, tem a questão da descoberta, da curiosidade.
09:18As crianças, às vezes, imitam os adultos, os pais, os cuidadores.
09:22E, nisso daí, de imitar, e às vezes, da facilidade do acesso do medicamento, do produto em casa, né?
09:29Através de uma gaveta aberta, da bolsa de um cuidador, de um pai.
09:35E, às vezes, numa mesinha, às vezes, de cabeceira, a criança pode ter acesso ali ao medicamento de uso diário
09:42de um familiar, né?
09:44E isso aí pode gerar um acidente.
09:45E, como aquele ditado bem diz, né, Rinara, a diferença do remédio e do veneno é a dose.
09:51Como é que podem ter complicações aí, dependendo da dose, principalmente em crianças, né?
09:57Que são mais vulneráveis.
09:58Como é que vocês lidam com esses casos?
10:00Então, quando a gente atende uma suspeita ou uma confirmação de acidente por medicamento,
10:06a gente vai tentar identificar o produto e tentar identificar a dose.
10:10Porque existe uma diferença entre dose terapêutica e dose tóxica.
10:14Na dose tóxica, você pode evoluir com quadros de intoxicação.
10:19E essas intoxicações, elas podem ser leves, mas, às vezes, podem ser graves e até fatais, né?
10:26Então, assim, tentar identificar o produto, a quantidade ingerida,
10:31porque isso daí vai facilitar, inclusive, o atendimento médico.
10:34Então, o número do Ceatox é 0800-283-9904.
10:410404-0800, eu apareci aí na tela também pra vocês, né?
10:47283-9904.
10:48É uma informação que a gente tá divulgando, ampliando, porque salva vidas, né, Bruna?
10:53É um serviço 24 horas, né, doutora?
10:55Quando a gente liga, então, pro Ceatox, que tipo de orientação vocês recebem?
11:00E, principalmente, o que não fazer, né?
11:02A gente tava falando aqui agora o que, geralmente, as pessoas fazem de errado em casa,
11:05que pode complicar um quadro de intoxicação.
11:07Então, quando você tá diante de uma suspeita, um quadro confirmado de intoxicação,
11:14a primeira coisa que você tem que fazer é manter a calma,
11:17entre em contato com o Ceatox.
11:18O Ceatox, ele funciona em regime de plantão, como você disse.
11:22Existe uma equipe médica e uma equipe multidisciplinar
11:26que vai tentar identificar o tipo de intoxicação
11:29e vai tentar te orientar da melhor forma possível.
11:33O que você não deve fazer em casa?
11:35Provocar vômito, água, leite, porque o vômito, dependendo do produto,
11:41ele pode reduzir o nível de consciência e facilitar uma broncoaspiração,
11:46quer dizer, o líquido, ele acaba indo pro pulmão, isso daí é muito grave.
11:51E, no caso do leite, existem substâncias que são mais absorvidas pelo leite.
11:58Isso daí vai facilitar e potencializar o quadro de uma possível intoxicação.
12:02Doutora Rinar Angélica de Andrade, médica, toxicologista aqui do Ceatox,
12:07com informações valiosíssimas, né, Bruna?
12:10Quantos de nós não achamos alguma vez que pra conseguir lidar com um episódio de intoxicação
12:14tinha que tomar água, beber leite, a situação pode piorar e agravar?
12:19Então, esse primeiro contato com o Ceatox é imprescindível
12:21pra receber esse encaminhamento para uma unidade de saúde, se for preciso,
12:25ou então observar aí esses sintomas, essa reação em casa.
12:29Então, você salve aí na agenda esse número que a gente divulgou,
12:33esse 0800 que aparece na tela, pra poder ligar pro Ceatox,
12:36serviço gratuito de orientação em caso de intoxicação medicamentosa.
12:40É com você, Bruna.
12:42Obrigada, meninas. Informações valiosas.
12:45Vamos deixando ali na tela.
12:47Se não der tempo de anotar, bate uma foto ali rapidinho
12:50e salva esse número na agenda, porque pode acontecer com qualquer um.
12:54Quem tem criança em casa, idoso, mas qualquer idade, a gente fica vulnerável.
12:59Isso acontece.
13:00Se confundir ali, às vezes, com sono de manhã cedo ou à noite vai tomar um remédio, né?
13:06Pode acontecer com qualquer um.
13:07Obrigada, Júlia, pelas informações.
13:09Agradeço a nossa entrevistada também.
13:11Pra gente encerrar por aqui, Rodrigo,
13:13eu acho muito importante a gente reforçar essa questão da automedicação.
13:17A gente sabe que todo mundo tem a farmacia em casa e acaba tomando remédio sem orientação médica.
13:24Isso é um perigo.
13:26A gente tem que avaliar os riscos, né?
13:28Sem dúvida.
13:28A automedicação é um problema, vamos dizer, de saúde pública no Brasil,
13:33porque o brasileiro tem esse hábito de se automedicar.
13:37Nem todo medicamento é seguro.
13:38Na verdade, até aqueles medicamentos chamados de isentos de prescrição,
13:42que são aqueles que não têm tarda nenhuma,
13:44eles não são isentos de risco.
13:45Então, a automedicação nunca deve ser praticada.
13:49A pessoa sempre deve buscar ajuda, deve buscar uma orientação do farmacêutico,
13:54porque por mais seguro que seja o medicamento,
13:57pode ter algum tipo de interação,
14:00pode agravar uma doença existente,
14:03pode retardar algum diagnóstico.
14:05Então, é sempre importante a pessoa vá até a farmácia,
14:09converse com o farmacêutico,
14:10ele vai identificar se é o caso de fazer um encaminhamento para o médico
14:14ou se ele pode fazer o manejo daquela condição de saúde ali,
14:18naquele atendimento.
14:20Mas é sempre importante a pessoa buscar uma orientação qualificada
14:23por um profissional habilitado que estudou para isso.
14:26Com certeza.
14:27Obrigada, Rodrigo.
14:29Rodrigo Alves, do Conselho Federal de Farmácia,
14:32trazendo essas orientações valiosas aqui para a gente.
14:35Chegou mensagem aqui de telespectador falando da cânfora,
14:39falando de água boricada nos olhos.
14:41O pessoal estava voltando ali no passado.
14:43Gente, nada disso.
14:44É soro fisiológico no olho.
14:46Em outros casos, só água e acompanhamento mesmo.
14:49Obrigada, Rodrigo, pelas informações.
14:51De nada, eu que agradeço a oportunidade.
14:52Valeu.
14:56Obrigada, Rodrigo.
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