00:00Estamos de volta com o nosso Tribuna Notícias, primeira edição, junto com a doutora Sara Sayuri,
00:06ela que é psicóloga e vai conversar conosco aqui hoje sobre relacionamento tóxico.
00:13Se você tiver as suas perguntas, pode mandar pra cá, que a gente, claro, vai repassando pra ela aqui.
00:19Sara, boa tarde, obrigado por aceitar conversar conosco e falar de um assunto tão delicado que é o assunto de
00:26violência contra a mulher, né?
00:27Sim, boa tarde, Douglas, boa tarde a todos. É um assunto delicado que ainda existem muitos tabus e estigmas, né?
00:35Verdade. Doutora Sara, o que exatamente caracteriza um relacionamento tóxico?
00:42Existe um, digamos assim, um limite claro desse relacionamento ou é algo gradual ali na vida a dois?
00:52É algo que acontece de forma gradual. Relacionamento tóxico, abusivo, violento, todas essas palavras acabam sendo sinônimos, né?
01:03E é claro que o abusador, ele não começa logo de cara com uma violência extrema.
01:10Às vezes o relacionamento começa muito bom, né?
01:14E aos poucos esse abusador vai apresentando alguns comportamentos violentos, tentando controlar a vítima, isolar ela do restante do convívio,
01:24né?
01:24E essa violência, ela vai escalonando com o tempo, né? Então nunca começa a contar.
01:30A senhora falou, né? Sobre o controle, falou sobre ciúmes excessivo, manipulação emocional, né?
01:39Agora, como diferenciar isso num relacionamento que isso é cuidado e que isso é algo tóxico dentro de um relacionamento?
01:49Dá pra diferenciar isso?
01:50Claro, sim. É claro que pra alguém que desde criança aprende que amor é controle, essa diferenciação fica muito confusa,
02:01né Douglas?
02:02Mas o amor, ao contrário do relacionamento tóxico, ele respeita a autonomia e a liberdade de ambos.
02:11Doutora, ao longo do nosso jornal de hoje, eu vim pedindo aqui a confiança das mulheres em mandar relatos pra
02:19gente aqui, se já passaram por uma situação.
02:22E são vários os relatos aqui, alguns que nem dá pra ler pra você ter ideia.
02:27Olha só, dentro desses relatos que a gente tem recebido aqui, eu percebi, inclusive, relatos de mães e de vítimas
02:37falando da questão de namorado.
02:40Ou seja, um relacionamento que não é um relacionamento ali, digamos assim, diário, de convivência debaixo do mesmo teto, da
02:50convivência entre quatro paredes.
02:52E veja que essa agressividade, essa demonstração de posse ali da mulher, já vem desde o caso do namoro.
03:04Veja aqui um relato, olha, minha filha sofreu isso com o namorado.
03:08E olha que ponto chegou, ela teve que mentir pra esse rapaz que ela não gostava de homem, que ela
03:15era homossexual, pra se ver livre dele.
03:19A que ponto a gente chega pra não se tornar uma vítima, né, doutora?
03:23Exato.
03:24Quem está de fora tem muita dificuldade de entender por que a pessoa continua nesse relacionamento.
03:30Esse é o ponto, né?
03:31Porque, pô, tá sofrendo, tá sendo agredida, tá ali numa linha tênue da violência.
03:37Por que que não sai, né?
03:38Porque o relacionamento, ele passa por ciclos, né?
03:43Existe, primeiro, a tensão, né?
03:45Então, algumas pequenas discursões que vão escalonando até o movimento extremo de violência.
03:52E após isso, o que a gente chama de lua de mel, né?
03:55Que é a reconciliação.
03:57Normalmente, o homem pede desculpas, fala que isso não vai se repetir mais.
04:01Às vezes, até chega a buscar ajuda profissional, mas não mantém, né?
04:06Exatamente pra reatar, pra continuar nessa relação.
04:09Porque ele entende que isso, esse modelo, né?
04:13É um relacionamento comum.
04:15O controle é o que prevalece.
04:17Doutora, vejas bem aqui mais um relato.
04:20Olha, Douglas, infelizmente hoje vivo num relacionamento tóxico.
04:26Ciumento e tenho que avisar o tempo todo onde estou, com quem estou e como vou.
04:33Olha só que situação delicada isso.
04:36Outro relato aqui, ó.
04:37Eu também já passei por isso.
04:38Meu ex me obrigava a ficar com ele.
04:42E outro aqui, ó.
04:43Já vi meu pai bater na minha mãe, mas nós filhos agimos com ele e chamamos as autoridades.
04:49E por fim, se separou, graças a Deus.
04:52É outro ponto importante, doutora, que eu acho que a gente precisa debater aqui com os nossos telespectadores, né?
04:59Porque como disse a especialista na reportagem agora há pouco,
05:02nós pais, nós somos exemplos, somos espelhos para os nossos filhos, né?
05:07Se a criança nasce vendo um pai agredindo a mãe, agredindo a avó, agredindo uma mulher,
05:16a criança realmente pode achar que isso é normal e crescer com essa mentalidade de que isso pode ser feito?
05:22Sim, é bem possível, né?
05:25A criança, o adulto, inclusive, pode depois questionar essas atitudes, não achar boas, né?
05:32Mas acaba se vendo repetindo padrões, né?
05:35Às vezes não a violência física propriamente dito, as violências mais sérias,
05:39mas repetindo padrões de abuso com a parceira.
05:43Doutora, agora, quais são os prejuízos psicológicos que uma agressão dessa traz,
05:50não somente para quem vive ali no entorno, mas para quem sente literalmente na pele essa agressão?
05:58São muitas.
06:00E isso é um dos motivos que as vítimas permanecem com o agressor, né?
06:04Uma baixa autoestima, isolamento social, né?
06:08Uma falta de confiança em si mesmo e na possibilidade de sair dessa relação
06:15são os mais comuns que nós vemos.
06:18Tem um relato aqui que me chamou muito a atenção e eu agradeço à telespectadora pela confiança.
06:24Ela disse o seguinte, doutora Sara Douglas, já tive um relacionamento tóxico,
06:29apanhei muito por causa de ciúmes dele.
06:32Hoje em dia, somos casados há 38 anos e ele mudou da água para o vinho.
06:39Hoje ele é um ótimo marido, superamos tudo isso que vivemos no passado.
06:45Aí eu pergunto para a senhora, é possível superar no caso da vítima
06:51e é possível também mudar as suas atitudes no caso do homem
06:58e depois ter uma convivência tranquila, no caso aqui, pegando como exemplo
07:04essa nossa amiga que mandou o relato?
07:06Certo.
07:06É claro que mudanças são sempre possíveis e é o que a gente espera.
07:10Sim.
07:11É muito importante um papel de psicoeducação, tanto com a vítima quanto com o agressor.
07:17É importante que esse homem também seja atendido, assistido de uma certa forma.
07:22É claro que esse relato não é um relato de exceção, não é a maioria.
07:29Inclusive, não é recomendado que a vítima permaneça com o agressor.
07:36Um relacionamento saudável, ele não pode se pautar na violência e no controle.
07:41Chegou aqui uma outra questão muito interessante e que é muito pertinente
07:47para o que causou essa nossa discussão para o assunto,
07:52que foi o caso da Deise Barbosa, comandante da guarda.
07:56Veja só a pergunta aqui.
07:58Doutora, imagino que os policiais façam exames psicológicos para admissão,
08:04afinal, andam armados, passam no teste e depois acabam adoecendo.
08:10Ela está querendo saber se realmente é necessário e importante
08:15com que os profissionais da Forças de Segurança sejam assistidos com uma profissional,
08:21tanto para o âmbito profissional como também para a vida pessoal.
08:26Sim, é importante porque é um trabalho de alto estresse.
08:31Então, isso impacta diretamente na vida pessoal desse profissional,
08:37não só sendo assistido, mas acompanhado de forma mais próxima,
08:42tanto por profissionais da área da saúde mental,
08:44quanto os outros profissionais.
08:46Perfeito.
08:47Doutora, muito obrigado pela participação da senhora.
08:50Muito importante essa discussão com uma profissional que fala fácil,
08:54que a gente consegue entender e compreender tudo direitinho.
08:58Tem alguma rede social para que as pessoas possam tirar dúvidas e acompanhar o seu trabalho?
09:03Claro, tem o meu Instagram, né, psissarasayuri, né,
09:07que vocês podem me acompanhar por lá.
09:09Perfeito.
09:09Doutora, muito obrigado pela participação.
09:12Volte mais vezes para conversar com a gente, tá bom?
09:14Claro, muito obrigada.
09:15Tchau, tchau, tchau, tchau.