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  • há 10 horas
Dietas radicais elevam risco de recuperar peso perdido rapidamente de forma prejudicial.
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Transcrição
00:00Porque o tema agora é emagrecer, recuperar o peso e recomeçar tudo de novo.
00:06Esse é o chamado efeito sanfona, que vai muito além da estética e pode trazer impactos para a saúde física
00:14e emocional.
00:15Hoje a gente conversa com a endocrinologista doutora Luzaneri Cruz para entender por que o tão difícil,
00:24é tão difícil, né doutora, manter aí o peso e como emagrecer de forma saudável e duradoura.
00:32Boa tarde doutora, muito obrigado pela sua presença.
00:34Obrigada pelo convite, esse tema é super importante, super pertinente.
00:38Doutora, por que é difícil uma pessoa assim, demora a perder o peso e ganhar é tão fácil?
00:45Isso acontece com todo mundo?
00:46Acontece com muita frequência e a gente explica pelos mesmos mecanismos que a gente ganha peso.
00:52Tem fatores genéticos, emocionais e fatores comportamentais.
00:56Então, o reganho também, a gente envolve os mesmos fatores.
01:00E por que é tão difícil, doutora, a gente manter o peso?
01:04Vamos lembrar que a gente engorda por fatores genéticos.
01:06A genética determina, se a nossa saúde fosse uma pizza, 40% do que a gente chama de saúde tem
01:11determinação genética.
01:13Então, por exemplo, a capacidade que eu tenho de queimar peso,
01:17aonde eu vou localizar a gordura, se é no abdômen, se é no quadril, se é na perna,
01:22tudo isso tem determinação genética.
01:24Então, os nossos genes a gente não modifica durante o emagrecimento.
01:27Os defeitos que nos levaram a ganhar peso geneticamente continuam lá.
01:31E além disso, a gente pode fazer uma série de modificações.
01:35Então, por exemplo, a gente pode emagrecer perdendo músculo, né?
01:39Não emagrecer com qualidade.
01:40E aí, quando a gente volta a engordar, a gente volta a engordar com menos músculos do que a gente
01:46tinha na nossa primeira versão.
01:49Então, a gente precisa emagrecer com qualidade.
01:53Emagrecer, isso é muito importante, eu falo sempre isso para quem eu consigo alcançar.
01:57Emagrecer não é perder peso de balança.
02:00Emagrecer é perder gordura.
02:02Por exemplo, uma vez eu fui treinar para corrida de rua e eu perdi dois quilos.
02:06Quando eu fui ver, eu tinha perdido dois quilos de músculo.
02:08Então, eu não emagreci, eu engordei.
02:11Eu perdi músculo, então a minha porcentagem de gordura corporal até aumentou.
02:16Nesse contexto, eu levei uma bronca do meu personal, viu?
02:20Então, a gente precisa manter a massa muscular.
02:23Tem uma série de modificações também que a gente faz no tecido gorduroso.
02:26Enquanto a gente engordou, a gente pode transformar esse tecido gorduroso em um tecido inflamatório e fibrótico
02:33que depois ele continua aí secretando uma série de substâncias que continuam nos inflamando.
02:41Então, esse tecido pode contribuir para o reganho de peso se a gente não modificar também o tecido gorduroso durante
02:48o emagrecimento.
02:50Também tem a questão das vitaminas, que a gente se torna às vezes desnutrido durante o emagrecimento.
02:55Então, essas vitaminas vão criar uma série de substâncias no nosso cérebro.
02:59É como se fosse uma trapaça do cérebro para aumentar o apetite, dizendo assim,
03:04ó, você está perdendo vitamina, então coma de novo.
03:06Então, a gente aumenta o apetite.
03:09E a gente tem uma série de produções de substâncias, de hormônios.
03:14Um deles é a grelina, que quando a gente emagrece muito, especialmente os emagrecimentos ligados à medicação,
03:20que hoje a gente tem um emagrecimento importante com o uso de medicação e na bariátrica também,
03:26que também o nosso cérebro entende que a gente está desnutrido e começa a produzir grelina demais,
03:31então a gente tem fome demais.
03:33E o mais importante é que essa trapaça mental é tão grande que a gente acha que está comendo pouco.
03:38Se você não quantificar, você fala, não, eu estou fazendo um sacrifício enorme e continuo engordando.
03:44Mas, na verdade, você está comendo em quantidades altas sem imaginar.
03:48E pegando um gancho agora que você falou das crianças, a coisa mais importante na manutenção de peso,
03:54de longe a gente tem isso com a cirurgia bariátrica, né, que tem aí quase 30 anos que a gente
04:00acompanha pacientes bariátricos,
04:01é a gente precisa fazer exercício físico durante o emagrecimento.
04:05Para perder peso, a dieta é muito mais poderosa do que o exercício, mas para manter, o exercício é mais
04:11poderoso do que a dieta.
04:12Doutora, a percepção das pessoas que começam um processo de emagrecimento, muitas vezes é a dificuldade de perder peso, né,
04:21ou perde peso muito rápido no início e depois meio que estabiliza.
04:25O que acontece com o nosso organismo?
04:27E muita gente acaba desistindo, né?
04:29Então, a gente precisa primeiro estabelecer com essa pessoa o que é eficiência do tratamento.
04:36Então, o tratamento foi eficiente porque às vezes o que eu desejo, o que eu idealizei é irreal, né?
04:43Por exemplo, eu vi que uma blogueira perdeu 8 quilos em um mês.
04:47Aí eu falo, não, se eu perdi 4 eu estou insatisfeito.
04:50E essa pessoa desiste.
04:51Então, a gente tem que fazer metas muito realísticas e acompanhar esse paciente.
04:56Segundo, a gente tem que avaliar o que ela está perdendo.
04:59Às vezes o peso de balança estabilizou porque ela começou a ganhar massa muscular e continua perdendo gordura.
05:05Mas o que ela tem em casa é um instrumento mais simples do que o que a gente tem no
05:09consultório.
05:10Então, a gente tem que estabelecer isso muito bem.
05:12E às vezes a gente tem que entrar com uma outra estratégia.
05:15Por exemplo, a princípio eu consegui perder peso com dieta e exercício, agora eu entrei no platô.
05:19Será que não é uma hora da gente entrar com a medicação anti-obesidade?
05:23Ou então estudar algum hormônio que esteja desajustado, que pudesse estar atrapalhando essa perda de peso?
05:29Então, essa pessoa, meu conselho é, vá ser seguido por alguém que possa te orientar e possa conduzir o caminho.
05:37Às vezes não é tão difícil quanto a gente pensa, né?
05:40Às vezes a gente só está mal orientado.
05:42Tem também aquela questão que muita gente usa, é o dia de chutar o balde, o dia do doce, o
05:47dia que eu posso comer.
05:49Isso realmente existe?
05:51Ou o dia que eu posso beber?
05:52É, eu acho que a gente precisa estabelecer se a gente faz esse tratado com uma criança ou com um
05:58adulto.
05:58Eu falo isso para os pacientes às vezes.
06:00Às vezes a gente é tão infantilizado no nosso modo de comer e eu tenho isso, experiências incríveis de pessoas
06:08que são exponenciais nas suas profissões,
06:11mas na hora de comer são apenas crianças e eu estou falando de adultos de 40, 50, 60 anos.
06:16Então, isso é uma estratégia que a gente faz com criança e às vezes com adulto muito infantilizado.
06:19Mas precisa ficar muito bem estabelecido porque às vezes o chutar o balde, se você somar as calorias da semana
06:25inteira,
06:26às vezes a pessoa chuta o balde tanto no final de semana que todo o sacrifício da semana foi em
06:32vão.
06:32Que destrói o balde, não derruba o balde, né?
06:34Exatamente, exatamente.
06:35Então, precisa estar muito bem estabelecido isso e a pessoa precisa cumprir.
06:39E a gente tem que entender que é quem paga a conta, é vida de quem paga boleto, eu falo
06:43assim, né?
06:44A gente não desejaria pagar certos boletos, a gente paga.
06:47E assim é com a saúde, talvez você tenha que fazer aquele sacrifício ali, vamos ali de vez em quando.
06:52Então, eu falo assim, datas específicas, Natal, Ano Novo, aniversário de casamento, aniversário de filhos, tudo bem.
06:57Mas a gente liberar todos os finais de semana, talvez não seja para mim nem para você, por exemplo.
07:02E para as pessoas, doutora, que a gente sabe, né?
07:05Que tem gente que realmente tem uma dificuldade, como a senhora disse no início, genética de emagrecer.
07:11E a gente vê, muitas vezes, uma visão preconceituosa da ciência, das canetas, né?
07:18As pessoas falam, ela só consegue emagrecer com caneta, faz um esforço físico.
07:23Tem gente que nem se esforçando vai conseguir.
07:25Isso existe, né, doutora?
07:26Então, nós estamos tratando de obesidade.
07:28A obesidade é uma doença crônica, inflamatória e progressiva.
07:32E eu vou comparar com uma outra doença semelhante, que é o diabetes.
07:36E eu falo sempre isso para os meus alunos e meus pacientes.
07:39A gente considera o paciente diabético quando a glicose está acima de 125, 126 ou mais.
07:45Se você pega um paciente aí com 130 de glicose, você fala, faça dieta, exercício, ok.
07:51Mas se você pega um diabético acima de 400, ninguém vai deixar essa pessoa só com dieta e exercício.
07:56Mas com o obeso a gente faz isso, né?
07:58A gente realmente tem preconceitos, mitos e falhas no tratamento da obesidade.
08:03Muito do que a gente não tinha medicação.
08:05Hoje a gente tem medicação, elas são seguras, tem um perfil específico.
08:09E a gente ainda continua mandando um obeso grave ou então alguém que diz para você com todas as letras.
08:14Eu não consigo, eu tenho compulsão, eu como sem desejo, eu como frio, eu como até me sentir mal, eu
08:21como até ficar...
08:22E você faz isso, você manda a pessoa para casa e fala, precisa se esforçar mais, você não se esforçou
08:28direito, você malhou fofo, né?
08:29Malhou, tem um tal de malhar fofo.
08:31Às vezes a pessoa está cheia de lesão, fala, vai lá e malhe mais.
08:34E essa pessoa se machuca e aí desiste da academia mesmo.
08:38Então eu falo assim, se existe a medicação, se ela é segura, por que não usar?
08:43Precisa ver se esse é o perfil para a pessoa usar.
08:45E é a caneta ou não é a caneta, é um remédio para a compulsão.
08:49Precisa traçar esse perfil também, porque senão a gente investe, é uma medicação cara, a pessoa não perde peso, se
08:56frustra e aí não quer fazer nenhum tratamento.
08:58Mensagem final, doutora, para a pessoa que está assistindo agora e fala assim, olha, não estou conseguindo perder peso ou
09:04quando eu perco eu engordo tudo rápido?
09:05A minha mensagem é a mensagem que eu falo sempre para todo mundo.
09:10Faça um tratamento guiado por alguém que saiba o que está fazendo.
09:14Quando você vai fazer exercício, faça com o professor que saiba o que está fazendo.
09:19Quando você vai fazer uma dieta, faça com o nutricionista, com o médico.
09:21Não fique sozinho nessa luta, pode ser mais fácil.
09:25E a gente precisa que, a gente sempre fala, não foi o paciente que falhou, quem falhou foi o tratamento.
09:31Com certeza. Doutora Luzaneri Cruz, endocrinologista, mais uma vez, muito obrigado pela sua presença aqui no TN1.
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