00:00Você aí de casa, passou dos 40 anos? Então presta atenção que é hora de redobrar a atenção com a
00:07saúde vascular.
00:09Pressão alta, diabetes e colesterol elevado podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, muitas vezes sem dar sinais.
00:19Nas mulheres, a menopausa também exige cuidados especiais nessa fase.
00:23Para falar de prevenção, explicar como retardar esse envelhecimento das artérias e das veias, eu estou aqui com o cardiologista,
00:33o doutor Emílio Júnior.
00:35Boa tarde, doutor. Muito obrigado pela sua presença.
00:38Boa tarde, Jorge. Boa tarde, telespectadores.
00:41Doutor, depois dos 40, o que realmente muda aí em relação às artérias, às veias no nosso clube?
00:48É, só para deixar bem claro que não existe esse, até os 39 eu estou bem, ou até tal idade,
00:53de uma hora para outra, acordei, dormi, acordei diferente.
00:56Não. É um processo que continua ao longo da vida.
00:5940 a gente coloca, por N outros motivos assim, não pensar, o futebol vai até os 45, então acaba como
01:06se fosse pensar em tempo, como se fosse grande mudança.
01:09Na verdade, é o acúmulo que nós tivemos na nossa vida até agora, claro.
01:12Tem uma base genética, nosso histórico familiar, como você mencionou, sobre doenças de colesterol, glicose, hipertensão, a saúde arterial em
01:22si.
01:22Tem muito do histórico familiar, só que grande parte ainda são os nossos hábitos.
01:26Isso aí não há dúvida que a nossa história, nossa biografia até os 40 é que vai dizer quem nós
01:31seremos agora aos 40 e pelos próximos 40, se tudo correr bem.
01:35Em relação especificamente ao coração, doutor, quais são as doenças que podem estar evoluindo aí de forma silenciosa?
01:43Muita gente aí fala assim, ah, eu senti uma dor, senti uma palpitação.
01:48Quando é hora realmente de ligar o alerta e falar, opa, preciso procurar um médico especialista?
01:54Dois alertas que temos são inclusive questões que nós não conseguimos mudar, né?
01:58Que a própria idade, como disse aí, chegou nos 40, eu uso muita analogia para que todos entendam, inclusive o
02:03leigo, né?
02:04Do carro, né? A gente sabe que o carro tem a cada 10, 12 mil quilômetros, a cada ano, a
02:08sua revisão periódica e com a gente não é diferente.
02:11Quanto mais aumenta o tempo de rodagem do carro, maior tende a ser a revisão, né?
02:16Então, quem chegou pelo tempo, pela idade, aos 40, já está na hora, já deveria até ter se programado para
02:22ter ido ao médico.
02:23E quem tem uma história familiar de doenças, como a gente mencionou, ah, eu tenho meu parente já cardiopata.
02:28O que é isso? Para os homens, inclusive, é daí a preocupação maior. Por quê?
02:32É considerado história de doença aterosclerótica, né? Que é doença cardíaca, infarto, AVC, se também contam, né?
02:40Para homens abaixo de 45 anos. Então, se o meu pai infartou abaixo de 45 anos, até os 45, beirando
02:46isso, que é uma idade já precoce, né?
02:49A mulher, já a gente contaria o histórico familiar a partir de 55 anos ou já de forma mais tardia.
02:55Dez anos antes, por questões variadas, o homem adoece antes da mulher.
03:00E as doenças, né? Essas doenças têm sintomas.
03:03O infarto, 99% das vezes vai dar sintomas, os AVCs também.
03:07Porém, o que leva a ter essa doença que são?
03:09Colesterol alto. O colesterol pode estar altíssimo, a pessoa não vai sentir nada.
03:13Jamais veremos alguém no pronto-socorro sendo admitido por hipercolesterolemia aguda, né?
03:18O colesterol altíssimo ou até baixíssimo, por algum motivo, alguma restrição, alimentar, desnutrição.
03:23Não vai ter sintomas.
03:25A hipertensão, né? Que aí já entra como a principal, né?
03:29Acredita-se até, desde a minha época da graduação da faculdade, esses anos aí depois,
03:33e a estatística que é baseada no que nós vemos, acredita-se que um terço da população seja hipertensa.
03:39E desse só um terço, só um terço que sabe que é hipertensa e dos que sabem, só um terço
03:43que trata adequadamente.
03:45Então, veja, é uma doença assintomática que grande parte só vai dar sintomas quando ela se manifesta com doenças graves,
03:52como essas que eu mencionei, AVCs, infartos.
03:54É a pressão realmente, aí sim, se ela estiver muito baixa, se ela estiver muito alta, ela vai dar sintoma.
03:59Mas mesmo não estando nesses extremos, ela pode, né? A hipertensão é uma doença ser tratada.
04:04Glicose, que você mencionou também, o diabetes, a mesma coisa.
04:07A pessoa pode ficar 5, 10, às vezes 20 anos, dependendo do diabetes tipo 2, principalmente, né?
04:13Da idade adulta, né?
04:14Tem o diabetes tipo 1, que é mais da infância, aí sim, a pessoa vai ter descompensações, às vezes, na
04:19infância, na adolescência,
04:20vai ter um diagnóstico, vai dar sintomas logo.
04:23Mas o diabetes tipo 2, que é aquele que acontece mais, de acordo também com os hábitos que a pessoa
04:28tem ao longo da vida,
04:29e que acontece na idade adulta, ela pode ficar anos, às vezes, décadas assintomática,
04:34e ela tem que ser medida para ser descoberta.
04:36Doutor, o senhor falou em AVC e infarto.
04:40Trouxe elementos que é preciso ficar atento para pesquisar, como colesterol, que não dá sintoma, a gente não aparece.
04:48Mas quem está assistindo a gente, assim, existe algo, algum sinal prévio dessas doenças, do AVC e do infarto,
04:58antes, por exemplo, dele se concretizar de forma geral, na maioria dos casos?
05:04Sim, a pessoa pode ter um infarto fulminante, ela pode até falecer por conta disso.
05:10Mas, por exemplo, se, né, aqui, inclusive, um dos critérios que eu vinha comentando sobre procurar um médico, né,
05:16se eu estou parado de tudo, vou começar uma atividade física, o que é bom, é louvável, né,
05:21o difícil é convencer o paciente a fazer exercício.
05:24E se durante o exercício, ou uma forte emoção, ou um forte estresse, né, o mal do século aí, o
05:29estresse,
05:30eu já senti, pode ser de variadas formas, o típico mesmo, não, mas tido como cardíaco,
05:36é uma dor no peito, que pode ser em fisgada, em aperto, em queimação, ela pode ou não irradiar para
05:43os braços,
05:44pode ou não irradiar, né, sentir na frente, no dorso, pode ir para o pescoço,
05:48o que a gente tem de livro, e é possível, e não só sabemos que existe, como eu já atendi
05:54pacientes, né,
05:55dores da mandíbula para baixo, do umbigo para cima, nos dois braços, na frente e nas costas,
06:01inclusive o pescoço, pode ir sem infarto, inclusive sem dor.
06:05Alguns pacientes, estamos falando aqui do tema específico de 40 anos,
06:09mas pacientes mais idosos, diabéticos, mulheres, em alguns casos, podem até nem ter dor,
06:14ter outros sintomas, em momentos de atividade física vigorosa, estresse intenso,
06:20grande crise de ansiedade também, que é um diagnóstico diferencial,
06:24mas elas podem ter, desde palpitações, como você mencionou, náuseas, tontura, desmaio,
06:30ou quase desmaio, podem ter uma falta de ar mais súbita,
06:33tudo isso já são sinais de alerta, que não há dúvida, que tem que se procurar um médico.
06:38Convulsão também conta, doutor?
06:40Uma crise convulsiva, diretamente não, aí a gente pensaria, não pensando num infarto em si,
06:46mas num AVC, é possível, mas um AVC hemorrágico, por exemplo,
06:51que seria aquele associado não a um entupimento nas artérias,
06:54mas a um rompimento de uma artéria de sangramento na cabeça,
06:58antes da crise convulsiva, pode ter também, mas uma dor de cabeça intensa,
07:02a gente já viu algum paciente, às vezes, vítima ou sequelada de AVC,
07:06é aquela paralisia, não é qualquer formigamento que eu vou ter nos membros,
07:10principalmente se for dos dois lados direitinho,
07:12mas algo mais unilateral, a pessoa está segurando um copo,
07:15de repente o copo cai da mão dela,
07:17ela começa a falar, não consegue falar, aquela rima, o desvio,
07:21uma paralisia facial, pode ou não ser,
07:23mas num paciente de risco tem que ser diagnosticado,
07:26ela fica de um lado paralisado e do outro lado,
07:29como se fosse tracionando o corpo,
07:32a mímica facial muda, ela às vezes não consegue falar,
07:35às vezes ela tem um lapso de memória,
07:38muita coisa pode acontecer antes de uma crise convulsiva,
07:41quando são crises convulsivas, a gente pensa primeiro na epilepsia,
07:43que é uma doença específica, mas pode ter também.
07:47Vamos falar agora da hipertensão,
07:49muita gente tem, não sabe, e isso traz consequências graves,
07:54como eu posso também saber que eu tenho uma pressão alta ou baixa
07:57e buscar ajuda?
07:58É, se eu tenho dúvida numa medida, eu tenho que medir mais vezes,
08:03a gente mede uma, duas, meça em consultório, em casa,
08:06hoje tem aparelhos muito bons aí, de custo acessível,
08:10farmácia, serviço de saúde e até exames também,
08:13que quando gera dúvida a gente pede, que é um mapa,
08:15um exame que os pacientes odeiam quem perde,
08:19mas depois a gente vê o resultado, não é sempre que tem que se fazer,
08:22mas até para diagnosticar essa pressão à noite,
08:25ninguém acorda de noite para ficar vendo a pressão,
08:26ninguém vai colocar um alarme, despertar para ver se a pressão está boa ou está ruim,
08:31mas a pressão não só tem que estar dentro de níveis adequados durante o dia,
08:34como à noite, o normal, ela cair de 10% a 20%,
08:38aqui os gráficos desse exame de mapa, por exemplo, apontam para a gente,
08:42qualquer coisa fora disso já dá para se pensar em tratar,
08:45não necessariamente com remédio,
08:47mas um cuidado maior de hábitos,
08:49o sal na comida tem que ser diminuído,
08:51falei do estresse, sem dúvida que tem que ser combatido,
08:54a questão do sono é importante,
08:58então, se eu tenho dúvidas na medida,
09:00o que eu faço é que eu meço mais vezes,
09:01com mais medidas, a gente também não vai,
09:03não quer dizer que se eu sou normotenso,
09:05eu não tenho pressão, eu não tenho pressão, nunca vai subir,
09:07claro que pode subir aqui, no trânsito,
09:09para poder chegar aqui correndo,
09:11a gente no trânsito, como a gente vê, a pressão sobe,
09:14agora se a pessoa, mesmo tranquila,
09:15mesmo calma, a maioria das vezes,
09:17ela está hipertensa, mesmo sem sentir nada,
09:20aí sim, a gente vai pela maioria,
09:21é igual chegando no período das eleições,
09:24nunca é absoluto de um lado ou do outro,
09:26a gente vai pela maioria,
09:27se a maioria das medidas está alta,
09:29eu sou hipertenso,
09:30e se a maioria das medidas bem aferidas está normal,
09:33eu posso me considerar normotenso.
09:35Ok, conversei aqui com o doutor cardiologista Emílio Júnior,
09:38muito obrigado pelas informações, doutor.
09:40Eu que agradeço.
09:44Obrigado.
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