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História de como os movimentos sociais no Uruguai colocaram na agenda do presidente José Mujica reivindicações como a legalização da maconha, o matrimônio igualitário, o aborto e a lei de cotas para afrodescendentes, assuntos que posicionam o país na vanguarda da luta pela justiça social no século XXI.
Dirigido por Marco Antônio Pereira
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00:00:08Música
00:00:43Comienzo del siglo XXI en Uruguay de alguna manera marcó un hito en muchos aspectos vinculados a los derechos humanos
00:00:52fundamentalmente porque se promulgan un número importante de leyes en algunos casos muy novedosos y de vanguardia
00:00:59en otros casos que saldan viejas deudas
00:01:10salda viejas deudas estoy pensando por ejemplo el reconocimiento de las trabajadoras domésticas como trabajo
00:01:17con leyes, la obligación de aporte, el control para que eso efectivamente sea así
00:01:23las 8 horas de trabajo rural, o sea tenemos el reconocimiento de diferentes derechos de trabajadores y trabajadoras que son
00:01:33muy importantes
00:01:35Hay otro conjunto de leyes que integra lo que podría ser la nueva agenda de derechos
00:01:41capaz que hay tres que son particularmente significativos
00:01:45una es la ley de interrupción voluntaria del embarazo
00:01:49otra es la ley de regulación del cannabis
00:01:53y una tercera que es la ley de matrimonio igualitario
00:01:58vale la pena preguntarse bueno por qué o cómo se da este fenómeno en Uruguay
00:02:05VINUNITY
00:02:06VINUNITY
00:02:07VINUNITY
00:02:08VINUNITY
00:02:12O que é isso?
00:02:41Muitos analistas políticos diriam que a democracia no Uruguai já está consolidada
00:02:46E isso é uma nova agenda de tema
00:02:49Sin embargo, um pode encontrar que vários desses assuntos que hoje se estão discutindo
00:02:55Como o aborto, o matrimonio igualitario, a legalização da marihuana
00:02:59Se veniam discutindo na transição, nos 80
00:03:01São temas que aparecem por primeira vez na discussão pública nos 80
00:03:09E aqui, sim, emergiram através de certos movimentos sociais
00:03:13Que lograram colocá-los e instalá-los nas agendas políticas
00:03:16E gerar algum tipo de conexão entre os outros direitos humanos e esses direitos humanos
00:03:25Há uma série de assuntos que hoje emergem que têm que ver com processos novos
00:03:31Mas que têm uma base em certa cultura política do século XX do Uruguai
00:03:37Particularmente um fato que acho que é clave tem que ver com a relação da Iglesia Católica com o Estado
00:03:42do Uruguai
00:03:43E com a sociedade em geral
00:03:44Ou seja, a Iglesia Católica do Uruguai é muito débil
00:03:48E essa debilidade tem que ver com o estado vallista
00:03:56Com o forte componente secular e quase anticlerical do Valle na primeira metade do século
00:04:07Não esquecemos que no Uruguai, por exemplo, na Semana Santa
00:04:10Se chama Semana de Turismo
00:04:23Eu pergunto a os presentes
00:04:28Se não se han posto a pensar
00:04:34Que esta terra é de nós
00:04:37E não do que tenha mais
00:04:45Eu pergunto se na terra
00:04:49Eu pergunto se na terra
00:04:51Nunca habrá pensado você
00:04:57Amigos todos, vengo do sul, esquina do Atlântico e o Plata, meu país
00:05:04Tuvo décadas púrpuras
00:05:07Até que por fim
00:05:08Al arrancar o siglo XX se puso a ser vanguardia
00:05:12En lo social
00:05:14En el Estado
00:05:15En la enseñanza
00:05:17Diría
00:05:19A socialdemocracia se inventou no Uruguai
00:05:23A socialdemocracia se inventou no Uruguai
00:05:28Alguno que ande por aí
00:05:33Le aseguro que é um gringo
00:05:36Ou um dueño do Uruguai
00:05:39Ou um dueño do Uruguai
00:05:42A desalambrar, a desalambrar
00:05:44Que a terra é nossa, é tua e de aquel
00:05:47De Pedro e Maria
00:05:48De Juan e José
00:05:58Todo começou um dia
00:06:01Agarrou e Uruguai apareceu
00:06:03Sucediu
00:06:04Uruguai é um milagro
00:06:05É um milagro da existência
00:06:06Não deveria existir, de fato
00:06:08É a verdade
00:06:11Nació como
00:06:12A separação entre
00:06:13O Reino de Portugal e o de España
00:06:15Então, em definitiva
00:06:17É como um lugar
00:06:19É um lugar que é o que não tem que ser
00:06:21Porque está feito para separar coisas
00:06:23Países
00:06:25Economias, políticas
00:06:26Creo que essa é a condição inicial
00:06:28Para
00:06:29Para
00:06:30Para a identidade nacional
00:06:43O Uruguai
00:06:44De fato, quando começa a ter o conceito de nación
00:06:47Que pode ser desde 1850 em adeante
00:06:50Pero pongamos como
00:06:51Nación moderna
00:06:52A principios do século passado
00:06:54Con algumas decisões políticas
00:06:56A gente começa a tomar natural
00:06:58O que para o mundo exterior
00:07:00Parece uma coisa
00:07:02Asombrosa
00:07:03São muitas gerações de gente
00:07:04Vivendo de maneira natural
00:07:05Então, me parece que há algo
00:07:07Em o inconsciente colectivo
00:07:09Que tem que ver com
00:07:11É o que acontece normalmente
00:07:13Desde o princípio
00:07:14Desde a separação do Estado
00:07:16Com a Iglesia
00:07:17Desde a possibilidade do divorcio
00:07:19Desde
00:07:20Desde muitas
00:07:21Muitas leis de defesa do trabalhador
00:07:26Vamos, senhores, que vivo de isto
00:07:28Vamos, que vino a vender
00:07:30Estou branco, senhores, quero comer
00:07:32Vamos, senhores, vamos, que se te rígan
00:07:35Vamos, que se te rígan
00:07:37Vamos, que se te rígan
00:07:37Vamos, que se te rígan
00:07:37Vamos, que se te rígan
00:07:37Vamos, que vale
00:07:38Vamos
00:07:40Y vos, hace cuánto está trabajando
00:07:41Me dijo tu papá
00:07:42Tocó
00:07:42Un ano
00:07:49De todos modos
00:07:50En Uruguay
00:07:50Hay otros asuntos
00:07:51De esas nuevas agendas
00:07:52Que todavía están
00:07:53Tienen cierto retraso
00:07:54Un ejemplo claro
00:07:56Es toda la cuestión
00:07:57De la racial
00:07:58En Uruguay
00:08:00Hace mucha falta
00:08:02Discutir las cuestiones raciales
00:08:04Es un país que se ve
00:08:06Que se ha visto durante el siglo XX
00:08:07Como un país muy blanco
00:08:09Europeo
00:08:12Y en realidad
00:08:13Eso ha servido para invisibilizar
00:08:16Para no ver muchos conflictos
00:08:19Vinculados a lo racial que existen
00:08:21El racismo funciona
00:08:22Como reconociendo un lugar
00:08:24De esa población en la cultura
00:08:25Pero no reconociendo
00:08:27Un lugar de esa población
00:08:28En otros ámbitos de la vida del país
00:08:35Creo que uno de los problemas
00:08:36Del racismo en Uruguay
00:08:37Es que justamente
00:08:39Los negros para el candome
00:08:40Pero no los negros para la política
00:08:42Los negros para...
00:08:43¿No?
00:08:53La cultura negra justamente
00:08:55En Uruguay
00:08:56Por estar asociada
00:08:57Justamente
00:08:58Exclusivamente
00:08:58Al tambor
00:08:59¿Ya?
00:09:00Ha perdido
00:09:01Mucho
00:09:02De
00:09:02De
00:09:03De
00:09:04De
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00:09:23De
00:09:23E toda essa história horrível, inhumana por demais, que muitas vezes se quer tapar ou se quer falar pouco como
00:09:34coisa do passado.
00:09:46Juntos com todas essas discussões, o tema da razão entrou a aparecer nesta última década, mas ainda com muito menos
00:09:53força do que os outros tempos.
00:09:55Muito bom dia, companheiras e companheiros. Bem-vindos a uma nova celebração deste acto do Dia dos Travajadores aqui na
00:10:06Plaza Martins, em Chicago.
00:10:11Tudo isso vai moldeando um país que tem uma visão muito avançada em termos sociais e, particularmente, em relação a
00:10:18certos direitos sociais, de gênero, culturales,
00:10:22que claramente estavam em dissonância, em conflito com a Iglesia Católica.
00:10:26De alguma maneira, acho que essa história do Uruguai do princípio do siglo XX, que nos valiu uma calificação de
00:10:37Uruguai como a Suíça de América,
00:10:39muitas coisas foi um orgulho e outras coisas terminou sendo um lastre, porque já por década de 50, 60, deixamos
00:10:49de ser a Suíça de América.
00:10:51Vim o golpe, que teve uma profundidade muito particular, o golpe de Estado, a dictadura e o autoritarismo em Uruguai.
00:10:59Não foi uma repressão sobre determinados setores, mas foi uma repressão e uma sensação de vigilância que envolvou toda a
00:11:08sociedade.
00:11:09E a saída da dictadura tem suas particularidades também em Uruguai.
00:11:15A saída da ditadura em Uruguai e o retorno à democracia, muitos autores falam de restauração.
00:11:23Vem os mesmos atores à escena. Vem os mesmos políticos, vêm as mesmas organizações sociais e até vêm os mesmos
00:11:30líderes das organizações sociais.
00:11:32Estamos falando também de aniversários e neste ano 2016 se cumprem 40 anos da clausura do teatro de Galpão por
00:11:41a dictadura.
00:11:46Em Uruguai, na verdade, as mulheres organizadas, com reclamos, por exemplo, por o voto, as sufragistas do início do século
00:11:57XX, dos sectores educados,
00:11:59as obreras reivindicavam, sobre todo, as raízes anarquistas, tinham reivindicações sobre todo do trato entre a própria classe obrera.
00:12:12Mas, sem embargo, essas reivindicações depois têm como uma meseta de desaparição a partir dos anos 40, 50,
00:12:24onde se tornou um pouco como nos Estados Unidos, o ama de casa, em casa e as reivindicações do dever
00:12:35ser tradicional das mulheres.
00:12:37E não há movimentos organizados de mulheres.
00:12:40Uma acadêmica brasileira, Suzana Prates, foi a que fundou no Uruguai um grupo de estudios
00:12:48do que se chamava naquele momento a condição da mulher.
00:13:09Ese pequeno grupo de estudios com a condução de Suzana Prates e Acadêmicas Uruguaias, que era um grupo pequeno,
00:13:17a saída da ditadura, quando as mulheres, nos organizamos um pouco, as mulheres de todos os partidos políticos,
00:13:25junto com as mulheres do movimento obrero, mais que nada para volver a reclamar as libertades,
00:13:32uma plataforma de institucionalização dos partidos políticos, dos movimentos sociais.
00:13:38Naquele momento, havia uma discussão no Uruguai muito interessante de todos os partidos políticos,
00:13:44de como, que compromissos todos os partidos.
00:13:47Ganar o que ganar as primeiras eleções depois da ditadura, que programa se ia aplicar.
00:13:53As mulheres pedimos um espaço em essa discussão, que se chamou a concertação programática de todos os partidos políticos,
00:14:01para colocar nossas reivindicações.
00:14:04E armamos o nosso próprio diagnóstico do país,
00:14:08em acordo com todos os problemas que deveria o Uruguai post-dictadura enfrentar.
00:14:15Isso foi em 1984.
00:14:18Aí começa, digamos, o movimento de mulheres no Uruguai,
00:14:21a trabalhar e a ir profundizando aquele primeiro diagnóstico que havíamos...
00:14:27Obviamente, começam a concretar políticas públicas importantes
00:14:32quando ganha a esquerda, por primeira vez, a nível nacional.
00:14:36Em 1990, quando ganha o Frente Amplio da capital,
00:14:39o departamento mais importante que tem mais población no Uruguai,
00:14:43já se começa a criar políticas específicas, mas a nível departamental.
00:15:05Eu entrei a primeira vez, em 1995, por cuota.
00:15:09Não tenho nenhuma orgulha, não tenho nenhuma orgulha,
00:15:14porque primeiro a pelea dentro de meu partido, que bom trabalho me deu.
00:15:18Em Uruguai, o primeiro projeto de lei de cuota se apresentou em 1988,
00:15:24a só quatro anos de saída da ditadura.
00:15:28E uma das razões por apresentar nesse momento o projeto
00:15:32foi que no primeiro parlamento electo depois da ditadura
00:15:37não houve nenhuma legisladora titular electa.
00:15:41Mas a lei de cuotas uruguaias é muito particular.
00:15:45A lei aprobada estabelece que a cuota se aplica como uma medida permanente para sempre,
00:15:52só para as eleições internas.
00:15:55Para as eleições nacionales e as eleições departamentais,
00:15:59se aplica únicamente no atual ciclo electoral.
00:16:03Nós, no 2007, fizemos uma encosta de opinião perguntando a a cidadania uruguaias
00:16:11que opinião tinham sobre a quantidade de mulheres que havia no parlamento.
00:16:17E mais do 60% diziam que deveria haver mais.
00:16:21A população espera ver ou ter pessoas que são representantes
00:16:28não só com as quais compartilham certas ideias ou ideologias,
00:16:33mas com as quais se identificam.
00:16:35Há poucas mulheres e eu quero ser representada por uma mulher.
00:16:40Quando nós olhamos o outro lado,
00:16:44o que as mulheres tinham no parlamento,
00:16:46também o que encontramos era que as mulheres representam muito mais que os homens
00:16:52os assuntos das mulheres.
00:16:55Hoje te pusiste tu vestido,
00:17:01o proibido.
00:17:05Voz inconsciente,
00:17:09tan decente, desmedida.
00:17:14O tema da violência contra as mulheres e o tema do aborto
00:17:21foi uma bandera que começou a levantar no fim dos anos 90,
00:17:28e que permanece, permanece, permanece, permanece.
00:17:32Mas uma das leis importantes que foi a lei de interrupção voluntária do embarazo,
00:17:37também teve um antecedente.
00:17:40Essa lei,
00:17:41ou seja,
00:17:42houve uma lei que se votou no primeiro governo do frente
00:17:45de direitos sexuales e reproductivos,
00:17:49que incluía a despenalização do aborto.
00:17:52Essa lei foi vetada por o presidente,
00:17:58no momento do Dr. Tabaré Vásquez.
00:18:00É um fato muito inédito,
00:18:03que o poder executivo vete uma lei,
00:18:06foi realmente uma coisa muito comum em nosso país.
00:18:10Em noviembre de 2008,
00:18:12a Câmara de Senadores
00:18:13sancionava a lei de saúde sexual e reproductiva
00:18:15com 17 votos frente a amplistas a favor e 13 em contra.
00:18:20O projeto chegava à Câmara Alta
00:18:21com a amenaza de excomunidade da Iglesia Católica
00:18:24e com a advertencia do veto do então presidente Tabaré Vásquez.
00:18:28O Uruguay, tradicionalmente,
00:18:30se regulou por o aborto.
00:18:32Isso é o que nunca se diz.
00:18:34O Uruguay é um país muito hipócrita,
00:18:36nesse sentido,
00:18:37porque foi tradicionalmente laico,
00:18:41mas tem uma moral muito cristiana
00:18:43e muito católica, digamos.
00:18:45Eu diria que é um país mazão católico.
00:18:51O sistema político é muito hipócrita,
00:18:53nesse sentido,
00:18:54porque é masculino e porque tem essa tradição.
00:18:58Mas toda a vida,
00:18:59antes de que aparecieram os anticonceptivos,
00:19:02minha família,
00:19:03minhas tias,
00:19:04as mulheres que eu tinha ao redor,
00:19:06todas abortavam e era o mais natural do mundo.
00:19:10Desde o primeiro governo democrático,
00:19:15houve intentos de regularizar esta hipocresía,
00:19:21e houve projetos de lei que nunca chegaram a ser tratados.
00:19:25Então, quando ganha o Frente Amplio,
00:19:27obviamente, o primeiro que fazemos é voltar a apresentar o projeto.
00:19:33E aí, como tínhamos maioria,
00:19:36e apesar de que sabíamos que o presidente não estava de acordo,
00:19:40porque era médico tradicional,
00:19:42digamos que não estava de acordo com o aborto,
00:19:46igual as legisladoras do Frente,
00:19:48dígimos a nossas bancadas,
00:19:50tanto em Diputados como no Senado,
00:19:52nós vamos apresentar.
00:19:53Isso chegou no primeiro momento a uma certa desmovilização,
00:19:58desconcierto.
00:20:01Mas, rapidamente,
00:20:04volta a conjugarse forças.
00:20:08E aqui me parece que é interessante, de alguma maneira,
00:20:11alguns elementos.
00:20:13Finalmente, a lei de interrupção voluntária do embarazo
00:20:16se logrou votar,
00:20:17no segundo período que está ao Frente Amplio,
00:20:20com a presidencia de José Mujica.
00:20:26E, de alguma maneira,
00:20:29começam a confluir fenômenos.
00:20:31Se vota uma lei,
00:20:32a lei de concubinato,
00:20:34onde se reconhece o concubinato entre pessoas do mesmo sexo,
00:20:39depois vem a lei que legitima o cambio de identidade,
00:20:43e depois o matrimônio igualitario.
00:20:45Ou seja, o movimento da diversidade
00:20:48começa a assumir um discurso de direitos.
00:20:54que, de alguma maneira,
00:20:57depois de bastantes décadas,
00:20:59te diria,
00:21:00a fim do siglo XX,
00:21:01é uma década de encontros e desencuentros
00:21:04entre o movimento da diversidade e o movimento feminista.
00:21:08Acercamientos,
00:21:11distanciamentos, etc.
00:21:12E, finalmente,
00:21:13a fim do siglo XX,
00:21:15efectivamente,
00:21:16há como um clique de confluência,
00:21:18onde,
00:21:20acho que ganou,
00:21:22ambos movimentos ganaram.
00:21:26Porque todo o movimento da diversidade
00:21:28começa a assumir um marco teórico
00:21:31e um discurso
00:21:33desde os direitos
00:21:35que faz ganhar forte legitimidade e legitimidade argumentativa.
00:21:4071 e 92,
00:21:42afirmativo.
00:22:01A viscosity
00:22:02O movimento unanimitario
00:22:03é último municional.
00:22:06Episode 33
00:22:08A20
00:22:09A20
00:22:09A20
00:22:10A20
00:22:11A20
00:22:13Na transição há como uma expansão da discussão sobre a democracia
00:22:17e é onde, por primeira vez, aparecem movimentos de homossexuais
00:22:20que colocam a questão da democracia em relação ao tema do reconhecimento, dos direitos, etc.
00:22:39Esos movimentos foram virando, transformando-se, e hoje, claramente, o movimento mais forte
00:22:45nesse âmbito das Ovejas Negras, que tem certos lazos com a esquerda,
00:22:51mas mantém uma autonomia importante.
00:23:00Eu havia participado antes em outras organizações da diversidade sexual
00:23:04e me havia deixado um pouco desse espaço porque não me convencia muito a forma que se trabalhava.
00:23:10Acá, no movimento, as organizações LGBT, nos anos 90,
00:23:14estavam como muito centradas em uma aposta identitária forte.
00:23:18Então, se fazia toda uma reivindicação em clave de ser gay, de ser lesbiana ou de ser trans,
00:23:23e só se expediam sobre esta agenda e não sobre outro tipo de problemáticas.
00:23:28E, ademais, o outro problema que eu encontraba é que essas organizações
00:23:30reproducíram criticamente formas de liderazgo tradicionales,
00:23:35um tipo de caudillismo que não contribuíram realmente
00:23:38para que o movimento cresceram e que se gera uma discussão, uma massa crítica
00:23:42involucrada no processo.
00:23:44E, então, foi quando, em dicembre de 2004, fundamos o coletivo Ovejas Negras,
00:23:49o que trata, de alguma forma, de gerar espaços colectivos de discussão
00:23:53que permitam a apropriação de diferentes individuos
00:23:56que têm recorridos muito heterogêneos
00:23:59do ponto de vista acadêmico, biográfico ou de vivenção.
00:24:03Entre tanta oveja blanca, uma negra vem mal.
00:24:10Entre tanta oveja blanca, uma negra vem mal.
00:24:17Al que se crea tan gaúcho, eu o invito a redomar.
00:24:25Eu acho que o central para ver como opera é mais ou menos como analiza a realidade,
00:24:29como ponto de partida.
00:24:31Al analizar a realidade, não só encuadrado com a problemática da diversidade sexual,
00:24:37mas vendo como esta se interactua com uma quantidade, podemos chamar,
00:24:41de cortes de discriminação na sociedade, ou cortes de exclusão, como o gênero,
00:24:46a classe, a raza, a etnia e, obviamente, a orientação sexual.
00:24:51E, inclusive, nos hizo generar um marco de alianzas muito mais amplio.
00:24:56E, obviamente, isso permitiu que o discurso permeasse a mais actores da sociedade.
00:25:02Esta aliança foi com o movimento feminista em Uruguai,
00:25:05com o movimento afro em Uruguai,
00:25:07também com o movimento de regulamento de cannabis em Uruguai.
00:25:10Nos permitiu chamar a uma quantidade de gente
00:25:11que, se hoje, se nos arriesgar muito,
00:25:14a gente que participa na marcha da diversidade sexual,
00:25:16majoritariamente heterosexual,
00:25:17que, talvez, gay ou lesbiana ou trans.
00:25:21E tem que ver com esse conceito de construir uma sociedade muito mais amplia, mais democrática.
00:25:45É uma tensão que tem que manter permanente.
00:25:48A que me refiro com isso?
00:25:50Que, por um lado, a palavra gay, a palavra trans, a palavra lesbiana,
00:25:54pode ser útil políticamente
00:25:55em sua capacidade de convocatória
00:25:58ou na construção de uma agenda específica,
00:26:01contingente sobre um tipo de problemática,
00:26:03mas, ao mesmo tempo, tem que fazer todo um esforço
00:26:05por tentar superá-la.
00:26:07Para entender, primeiro,
00:26:08quem quedan excluídos da minha agenda,
00:26:11que é uma pergunta que tem que estar todo o tempo instalando.
00:26:14E, dois, para, a sua vez, entender que,
00:26:17para que realmente a sociedade se transforme,
00:26:19eu vou ter que transcender minha própria identidade social
00:26:22para que, de alguma forma, se vea uma agenda política
00:26:25que seja de todos e todas.
00:26:26Se eu logro que todo o mundo, heterosexuales, gays e lesbianas,
00:26:30discutem a agenda que a mí me interessa,
00:26:33tenho muitas mais chances de avançar com elas.
00:26:54Não esquecemos também que todo este processo
00:26:56se dá junto com mudanças
00:26:58na normativa internacional dos direitos humanos,
00:27:02que isso tampouco se pode desconocer.
00:27:04Todos os cambios que vai havendo
00:27:05em termos de reconhecimento do tema da diversidade,
00:27:10e o reconhecimento da diversidade
00:27:12em diferentes convenções internacionais,
00:27:15Uruguai ratifica rapidamente todas as convenções,
00:27:18então isso também dá argumentos
00:27:20aos movimentos para poder fortalecerse.
00:27:25e talvez no tema que Uruguai avança mais que o discurso internacional
00:27:30é o cannabis.
00:27:31Eu acho que já desde hace uns 10 anos,
00:27:36talvez 12, 14 anos,
00:27:39no Uruguai se discute que o problema de drogas
00:27:42é um problema de saúde pública.
00:27:44Este é um processo longo,
00:27:47que se inicia, eu diria que por o ano 2000, 2001,
00:27:53quando começam a surgir
00:27:56uns movimentos sociais de novo tipo,
00:27:59diferentes,
00:28:00que são os movimentos canábicos.
00:28:03Um grupo de adolescentes,
00:28:05de jovens,
00:28:06que começam a reivindicar o direito a consumir,
00:28:11acceder legalmente ao cannabis,
00:28:14começam a fazer actos públicos de consumo.
00:28:18Este movimento foi impregnando,
00:28:21de alguma maneira,
00:28:22aos partidos políticos
00:28:23e às estruturas mais tradicionales
00:28:26dos movimentos sociais.
00:28:28Isso chega, esse processo diverso,
00:28:30chega até o ano 2010, digamos,
00:28:33onde se presentam no Parlamento
00:28:36dois projetos de lei
00:28:38que ten o respaldo dos quatro partidos
00:28:42com representação parlamentária.
00:28:44Con o qual, de alguma maneira,
00:28:47expressava a voluntade, se se quer,
00:28:51de sectores de todos os partidos políticos
00:28:56com representação parlamentária,
00:28:58de modificar as políticas de drogas.
00:29:01O Senado ingresa a discussão.
00:29:06Com esta votação, Uruguai se ubica
00:29:08à vanguardia do mundo.
00:29:10Com a maioria oficialista,
00:29:12o Senado aprobou este martes
00:29:14a lei que regula a produção e venda
00:29:16de marihuana bajo control do Estado.
00:29:17Isso se inscreve também
00:29:20na despenalização do aborto,
00:29:23se inscreve no matrimonio igualitario
00:29:25e em muitas acções e leis
00:29:28que temos votado para avançar
00:29:30em termos de eliminar todo tipo de discriminação.
00:29:33Em esse contexto, se dá um fenômeno
00:29:35que podíamos chamar atípico,
00:29:38por o pronto, para a reflexão política
00:29:42que desde a esquerda teníamos
00:29:45do fenômeno da criminalidade e da violência.
00:29:48Asociámos sempre que os fenômenos
00:29:51de criminalidade e violência
00:29:55eram, de alguma maneira,
00:29:57dependentes das situações de pobreza
00:30:01e marginalidade, sobre todo de pobreza.
00:30:04A medida em que tivéssemos
00:30:06uma sociedade mais igualitária,
00:30:07mais cohesionada,
00:30:08com menos desigualdades sociais,
00:30:14com menos pobreza,
00:30:16naturalmente, a violência
00:30:17ia crescer.
00:30:18Aí é quando do Poder Ejecutivo
00:30:20se faz uma reflexão global
00:30:23sobre este tema,
00:30:26sobre a base também
00:30:27de que, e isto é muito importante,
00:30:29a nível internacional,
00:30:31há um amplio debate
00:30:33sobre o tema
00:30:34de nova forma de regulação.
00:30:45A regulação implica ordenar um mercado,
00:30:53ordenar um mercado,
00:30:54que é um mercado negro,
00:30:55mas totalmente desregulado.
00:30:58O Estado não tem nenhum tipo de injerencia
00:31:01na produção, na distribuição,
00:31:04na dispensação.
00:31:05Então temos um problema
00:31:07de incongruência jurídica,
00:31:09um problema de saúde pública
00:31:10e um problema de narcotráfico.
00:31:13A lei,
00:31:14conceitualmente,
00:31:15o que faz é tentar dar resposta
00:31:17a estes três temas à vez.
00:31:20Dar oportunidades
00:31:22aos usuários
00:31:23de que possam aceder legalmente
00:31:24a marihuana
00:31:25por três vías,
00:31:27que é
00:31:27autocultivando
00:31:28até seis plantas,
00:31:30que é
00:31:32asociándose
00:31:33com outros
00:31:33até 45
00:31:35mais
00:31:36em clubes
00:31:37de membresia,
00:31:38ou
00:31:40adquirir
00:31:40a marihuana
00:31:41por sistema de farmácia.
00:31:45e
00:31:46isso,
00:31:46de alguma maneira,
00:31:47busca contribuir
00:31:48a
00:31:50dar-lhe melhores
00:31:51niveis de saúde,
00:31:52porque as pessoas
00:31:53vão poder
00:31:55ir
00:31:55a um lugar
00:31:57e comprar um produto
00:31:58de boa qualidade.
00:31:59Esse lugar é um lugar seguro,
00:32:01por tanto,
00:32:02estamos
00:32:04desenganchando
00:32:05aos usuários
00:32:06do círculo vicioso
00:32:08da delincência,
00:32:10e
00:32:11gera
00:32:13um mecanismo
00:32:14econômico
00:32:15para competir
00:32:15com o narcotráfico.
00:32:17O narcotráfico,
00:32:19conceptualmente,
00:32:20é,
00:32:21antes que nada,
00:32:22um tema
00:32:23meramente
00:32:23econômico.
00:32:24ninguém
00:32:26se vincula
00:32:27ao narcotráfico
00:32:28por nenhum tipo
00:32:28de princípio,
00:32:30não?
00:32:30Não tem
00:32:32uma ideologia
00:32:33de esquerda,
00:32:33de centro, de direita.
00:32:34Qual é a vantagem de comprarlo
00:32:35em farmácia?
00:32:36E não ir a lugares
00:32:37peligrosos,
00:32:38ir a lugares de noite,
00:32:39que te metem leis e selos,
00:32:40senão ir com as reglas claras,
00:32:42acho que isso vai ser
00:32:42muito melhor para todos.
00:32:43Isto vai diminuir
00:32:45a violência na rua
00:32:46e vai baixar os suicídios.
00:32:48Está muito bem
00:32:48em sair do previsionismo
00:32:50e, nada,
00:32:52favorecer
00:32:52o mercado negro,
00:32:53não está bem,
00:32:55acho que é uma boa medida.
00:32:57Existem muitas dificuldades,
00:33:00não há,
00:33:01segundo as encostas
00:33:02de opinião pública,
00:33:03uma opinião favorável,
00:33:04maioritaria.
00:33:05Nós creemos
00:33:06que a política
00:33:07tem a função
00:33:07de mudar os estados de opinião,
00:33:10e por isso insistimos
00:33:11com esta proposta,
00:33:12e, por tanto,
00:33:13a gente,
00:33:13progresivamente,
00:33:14vai compreendendo
00:33:15que esta não é uma lei
00:33:18que liberalize,
00:33:20ao contrário,
00:33:21é uma política
00:33:22que tenta regular
00:33:24e dar marco
00:33:25a uma realidade
00:33:27que não
00:33:30se podia modificar
00:33:32de outra maneira.
00:33:33e, por tanto,
00:33:49a política
00:33:50é uma realidade
00:33:51que é uma realidade
00:33:52que é uma realidade
00:33:54de certa identidade nacional
00:33:55esta questão de querer mostrarse ao exterior
00:33:58como um país de avançada
00:33:59há algo gracioso, que há muita gente que está
00:34:02em contra dessas leis
00:34:04mas gostam de que se fale
00:34:06de Uruguai no mundo
00:34:09essa questão
00:34:11contradictória
00:34:12é como um elemento
00:34:15relativamente constitutivo
00:34:16de certa identidade, gente que está
00:34:18que tem uma visão homofóbica
00:34:19mas que a vez dizem, ah, nós somos
00:34:22que, um pode viajar por o mundo
00:34:24é dizer, somos um país de avançada
00:34:25então, isso está jogando também
00:34:27é um país modelo, num contexto global
00:34:31que é uma coisa que
00:34:32em Uruguai
00:34:34cai bem, ajuda, digamos
00:34:37a construir uma proposta política
00:34:39Que lejos está
00:34:40minha terra
00:34:43E, sem embargo, que cerca
00:34:48O é que existe um território
00:34:52onde a sangue se mistura
00:34:57tanta distância e caminho
00:35:01tan diferentes banderas
00:35:06e a pobreza é a mesma
00:35:10como um povo
00:35:13os mesmos homens esperam
00:35:16eu quero romper o meu mapa
00:35:21formar o mapa de todos
00:35:26A mim me toca, como uruguaia, ver as coisas também desde esta outra perspectiva,
00:35:30que é desde este lugar, digamos, do mundo.
00:35:36E nesse sentido, me parece que sim, que está bom reconhecer como o avanço que tem implicado algumas leis,
00:35:43mas também está bom pensar e reflexionar de como essas leis se aplicam ou não
00:35:50na vida cotidiana de quem vivemos e que repercussões têm na cotidiana.
00:35:55Há algumas coisas que as leis planteam que não são exatamente o que se estava planteando em um primeiro momento.
00:36:02Por exemplo, com a lei do aborto, para chegar a lograr a interrupção voluntária do embarazo,
00:36:08a mulher tem que passar por uma quantidade de provas e uma quantidade de examens,
00:36:14como alguém que não está do todo coherente, como...
00:36:16Há examens psicológicos e há pruebas biológicas.
00:36:20Então está bem interessante poder problematizar em que lugar nos ponen as mulheres,
00:36:25em que lugar se pone nosso corpo, desde onde nos pensam.
00:36:30E nesse sentido, seguir disputando o sentido da lei e o sentido de lograr decidir sobre nosso corpo,
00:36:38que é o que está de fundo e nos interessa.
00:36:41O Congresso Uruguai aprobou hoje uma lei que despenaliza o aborto até a semana 12 de gestação,
00:36:47por decisão unilateral da mulher,
00:36:49sob a supervisão do Estado e cumprindo alguns requisitos e plazos.
00:36:53A decisão se resolviu com 17 votos a favor e 14 em contra.
00:36:57Eu não sei se vocês conhecem, mas a lei implica que para acceder a um aborto legal até as 12
00:37:03semanas de gestação...
00:37:04Até as 12 semanas, depois disso não se pode.
00:37:07Depois disso...
00:37:08A legalidade é até as 12 semanas.
00:37:11Até as 14 se o embarazo é produto de uma violação,
00:37:15e sem plazos, se esse embarazo põe em risco a saúde ou a vida da mulher,
00:37:22ou o feto tem uma malformação fetal incompatível com a vida.
00:37:26Essas são as condições de plazos.
00:37:29E depois, as condições do trâmite sanitario é um pouco mais engorroso.
00:37:36A mulher tem que passar por três consultas.
00:37:38A mulher que se enfrenta a um embarazo não deseado,
00:37:41tem que consultar com um ginecólogo, com um psicólogo e com um assistente social,
00:37:47para relatar as razões por as quais quer interromper esse embarazo.
00:37:53Esse equipe profissional tem que informar a mulher sobre políticas públicas de apoio à maternidade,
00:38:02políticas e opções de adopção desse bebê que está em curso,
00:38:06ou os riscos, e assim o diz a lei, os riscos que podem estar associados ao aborto.
00:38:13Este é o problema da lei.
00:38:15A intenção que quedou desta lei é desestimular as mulheres a abortar.
00:38:22E a intenção do legislador é que o desestimulo é porque tem que a mulher passar por tantas barreras sanitárias
00:38:32antes de concretar a interrupção.
00:38:35Além disso, tem que ter cinco dias de reflexão previo para decidir.
00:38:41O que opta o legislador é tutelar a decisão da mulher porque, entre outras coisas,
00:38:48não reconhece que as mulheres somos sujeitos éticos capazes de tomar decisões responsáveis.
00:38:54Esta é a nossa principal disconformidade com este projeto.
00:39:20A campanha de aborto na Uruguai é baseada em quatro pilares de fundamento.
00:39:26Um deles foi o óbvio de saúde, que o aborto clandestino e o aborto inseguro era um problema de saúde
00:39:33pública.
00:39:34O segundo foi que era um problema de direitos.
00:39:38Que cada pessoa, cada pareja, tem o direito de decidir número e espaciamiento de seus filhos.
00:39:46E que isso tem que fazer com a total liberdade.
00:39:50Porque trazer um filho ao mundo é um acto de profunda responsabilidade.
00:39:55O terceiro foi que legalizar o aborto não impunia a práctica do aborto.
00:40:02Mas que, em realidade, o que promovia era que todos os filhos e filhas que nascem sean filhos deseados.
00:40:10E o quarto foi que era uma qualidade democrática.
00:40:13Como sociedade, temos que aprender a viver que, em muitos temas, não há verdades únicas.
00:40:20E que, no terreno das filosofias, dos sistemas de creência e das ideologias,
00:40:26temos que aprender a convivir pacíficamente com essa multiplicidade de creência.
00:40:33Acho que ninguém pode estar a favor do aborto como questão de princípio.
00:40:39Mas há um quadro de mulheres em toda a sociedade que se vê na amargura
00:40:43de ter que tomar essa decisão contra o vento e o maré.
00:40:46E esse mundo vive na clandestinidade e explota.
00:40:50E se joga a vida.
00:40:51E toma decisões mais além das discussões de princípio que podem ter os políticos e os filósofos.
00:40:58Eu creio que reconhecer a existência do desecho,
00:41:03ponerlo arriba da mesa, nos dá a oportunidade de poder obrar persuasivamente sobre a decisão das mulheres.
00:41:14E se há uma questão econômica, uma questão de soledade, uma questão de angustia,
00:41:19os filhos demonstram que muitas mulheres retrocedem e se podem salvar mais vidas.
00:41:24O outro é deixá-las isoladas no meio do seu drama.
00:41:29Me parece que é hipócrita.
00:41:37Música
00:41:39Música
00:41:41Hoje olhamos juntos o amanhecer
00:41:46Lua deve contar
00:41:49Há 20 anos eu fui juntada pela Universidade de Barcelona
00:41:53com muitas montañas e espaldas
00:41:55e hoje estamos a campo
00:41:57A lei do matrimônio em Uruguai, a atual, é uma lei general
00:42:01para todos os cidadãos uruguaios
00:42:03Não há uma lei para gays e para heteros
00:42:05Há uma lei sem gênero
00:42:07que fala que dois cidadãos se não estão casados
00:42:11se podem casar
00:42:12e se são maiores de idade e não estão casados
00:42:14não fala de gênero
00:42:15Isso é o que se teria que trazer a outras leis
00:42:19que não há leis de gênero
00:42:25Quando se começou a tratar a lei do matrimônio
00:42:27que nós começamos a seguir
00:42:29um dia dijimos
00:42:32que estaria bom se sair
00:42:34casarmos como para celebrar
00:42:36não era um direito importante
00:42:37para nós
00:42:39então era mais bem uma forma de celebrar
00:42:42que um deseo de casarmos
00:42:44E nos importava também
00:42:46o fato de que saísse
00:42:48obviamente seguimos todo o processo
00:42:50da lei
00:42:50foi um processo longo
00:42:52do parlamento e tal
00:42:54e o que sim nos importava
00:42:57era que saísse a lei
00:42:59e houve um efecto inmediato
00:43:01e então alguns amigos
00:43:04alguns amigos parlamentares
00:43:07nos diziam
00:43:07agora que saísse a lei
00:43:09e vocês que vão fazer?
00:43:10Como notícia
00:43:12a aprovação da lei
00:43:14e os matrimônios
00:43:15a sociedade em conjunto
00:43:18não foi uma coisa para a comunidade gay
00:43:21a nós
00:43:22a maioria das pessoas que se nos acercaram
00:43:24e que nos felicitaram
00:43:26não eram necessariamente gays
00:43:27eu acho que
00:43:28a comunidade é muito mais que as pessoas gays
00:43:32são os entornos
00:43:33acho que a gente que nos sentiu melhor
00:43:35ou que nos disfrutou mais
00:43:36e que nos acercou mais a nós
00:43:37foram as famílias
00:43:39Queda muito
00:43:40não é que agora
00:43:41se terminou todo o tema
00:43:42ainda há sectores
00:43:44que estão muito marginados
00:43:46e muito excluídos
00:43:46toda a gente
00:43:47todas as pessoas trans
00:43:49deste país
00:43:50me parece que agora
00:43:51agora que este tema
00:43:52do matrimônio igualitario
00:43:53está como laudado
00:43:55me parece que
00:43:55é hora de que
00:43:57a prioridade
00:43:57passe a ser
00:43:59outros sectores
00:43:59entre colectivos LGBT
00:44:01que necessitan
00:44:03de atenção
00:44:04não é o mesmo ser gay
00:44:06nos barrios da costa de Montevideo
00:44:07que ser gay
00:44:08em um povo do interior
00:44:10ainda
00:44:12imagina que
00:44:13muito menos
00:44:13uma pessoa trans
00:44:15nos barrios céntricos
00:44:16de Montevideo
00:44:17que ser uma pessoa trans
00:44:17na periferia
00:44:18ou no interior
00:44:28a criança
00:44:29e o apoio familiar posterior
00:44:33fora da linha
00:44:34da adolescência
00:44:35e na juventude
00:44:37eu acho que
00:44:38sempre foi
00:44:39o elemento
00:44:41decisivo
00:44:41para que
00:44:42minha vida
00:44:42tiveram um caminho
00:44:45um caminho
00:44:46muito distinto
00:44:47ao que
00:44:47o 99%
00:44:48das mulheres trans
00:44:49no Uruguai
00:44:50as histórias
00:44:51das mulheres trans
00:44:53apesar de que
00:44:54todas somos distintas
00:44:55venimos de lugares diferentes
00:44:57de clases
00:44:58sociais diferentes
00:44:59temos corpos
00:45:00distintos
00:45:01formas de pensar
00:45:02e sentir
00:45:03parecen recortadas
00:45:04com a mesma tijera
00:45:05ou seja
00:45:06a uma
00:45:07temprana edade
00:45:09a
00:45:09uma
00:45:11incursão
00:45:12abrupta
00:45:13nossa identidade
00:45:14nos plantamos
00:45:15ante o mundo
00:45:16com uma identidade
00:45:17feminina
00:45:18com um nome
00:45:20feminino
00:45:21com uma aparência
00:45:22feminina
00:45:23isso acarrega
00:45:25que
00:45:25haja um castigo
00:45:27social
00:45:28muito forte
00:45:29e que
00:45:30haja um abandono
00:45:32por parte de
00:45:32de sua família
00:45:34que
00:45:35geralmente
00:45:35é afetivo
00:45:37material
00:45:38e acompanhado
00:45:39do despojo
00:45:40absoluto
00:45:41de ficar
00:45:42literalmente
00:45:43na rua
00:46:14Eu me lembro que um dia a professora chamou a minha mãe e disse que quando eu passava o pizarrão
00:46:18tinha gestos manerados e que devia de ir ao psicólogo.
00:46:21Tão só tinha 10 anos, ainda não sabia que meu dever ia ser em uma mulher drã.
00:46:32Os direitos humanos não só se defendem desde a prevenção e a consagração de direitos,
00:46:38mas também desde a proteção.
00:46:40Quando uma norma, um direito fundamental foi violado,
00:46:44o sistema tem que ter uma reação de proteção à vítima,
00:46:49de ressarcimento à vítima,
00:46:52uma vez que o direito foi menoscabado
00:46:54e que as demais etapas de defesa dos direitos humanos foram transferidas.
00:46:59Não temos.
00:47:00Portanto, nos faz notar o enorme vazio institucional e legal
00:47:06que há nesta área desde os civis.
00:47:10Porque a maioria dos problemas que temos,
00:47:13a maioria,
00:47:15não são problemas de discriminação de tipo penal,
00:47:20senão que são, por exemplo,
00:47:22acosos laborais,
00:47:24situações de exclusão em sistemas de seleção de personal,
00:47:29situações de exclusão ou de discriminação em lugares de esparcimento,
00:47:34como restaurantes, boliches, discotecas, etc.
00:47:40Quando existem grupos que históricamente são vulneráveis,
00:47:46isso também nos mostra em que sociedade vivemos.
00:47:52Eu considero que o mensagem seria,
00:47:55ao fim e ao cabo,
00:47:57que todos tratemos de pensar em esta ideia inclusiva da sociedade,
00:48:03e que todos também fazemos um mea culpa.
00:48:07Até que ponto,
00:48:10aquelas coisas que não nos gostam da nossa sociedade,
00:48:13não temos sido cómplices.
00:48:18O que é o racismo?
00:48:38Uruguai se jacta de não ser um país racista,
00:48:41mas há um racismo solapado.
00:48:45Eu digo que vão a qualquer bar,
00:48:49a qualquer restaurante,
00:48:50de mediano para cima,
00:48:52e vejam quantos afrodescendentes
00:48:56há trabalhando na atenção ao público.
00:48:59Onde estamos agora?
00:49:00No barrio Sul e Palermo,
00:49:02na cuna do Candombri.
00:49:03Mis irmãos saem,
00:49:05tocam o tambor.
00:49:06As comparsas de barrio saem a passear por todo o barrio,
00:49:09e o barrio saem afuera a olhar.
00:49:10E isso é normal.
00:49:12É normal.
00:49:13O dia que te hagas uns tambores como este,
00:49:15é como Peñarón.
00:49:16Claro, um sentimento.
00:49:19Está na sangra dos uruguaios.
00:49:21Que esse uruguaios de verdade o sienta,
00:49:22o tambor, de verdade.
00:49:36O candombri é a música que os descendentes dos africanos
00:49:42e os africanos traídos desenvolvidos aqui no Uruguai.
00:49:46É, primeiro, uma espécie de música que se faz na clandestinidade.
00:49:54Recién no ano 1857,
00:49:58o Cabildo de Montevideo,
00:50:00que era como a autoridade, digamos,
00:50:04puesta...
00:50:05O parlamento, digamos,
00:50:07que se fundava o virrey español aqui,
00:50:10autoriza a os negros a realizar seus festejos.
00:50:22O tema da cultura do candombri,
00:50:25nasceu aqui, no Barrio Sur de Palermo.
00:50:28No tempo em que estavam os comentos,
00:50:31os comentos de Ancina.
00:50:33Isso é super interessante.
00:50:35Claro, os comentos de Ancina,
00:50:36que são as vivendas que tenes aí.
00:50:38Agora está reformado isso.
00:50:39Não era assim como está agora, não?
00:50:43Os reformaram.
00:50:44Mas aí foi onde nasceu o candombri, não?
00:50:51Eu nasci aqui.
00:50:53Aqui.
00:50:54Antes era uma porta assim,
00:50:58e aqui jogamos a bola.
00:51:00Acá havia um espalda de madeira.
00:51:05Então você tinha que passar,
00:51:06era assim, tipo, para cá.
00:51:08E aí veias o patio.
00:51:10Doble piso tinha.
00:51:12Tá?
00:51:13Então você tinha que subir uma cadeira,
00:51:15depois subir uma cadeira,
00:51:16que era tudo assim, grande.
00:51:18Mas nada que ver com isso.
00:51:20Isso é uma refação que...
00:51:22Eu não entendo.
00:51:24E eu sei que isso é meu patrimônio,
00:51:26porque eu nasci aqui.
00:51:32Quando os tambores saem,
00:51:34seja o dia que seja,
00:51:41vamos até a porta do meio mundo,
00:51:43tocamos.
00:51:44Então, claro,
00:51:45os vecinos que vivem aí,
00:51:46pobre gente.
00:51:47O meio mundo é como um caserão,
00:51:49se poderia dizer,
00:51:51com 56 peças.
00:51:53Tinha um aljibe,
00:51:568 pilhetões grandes,
00:51:582 pisos,
00:51:59ou seja, plantas e 2 escaleras
00:52:01para subir ao segundo piso.
00:52:03E tínhamos 4 anos.
00:52:04para todas essas famílias.
00:52:07Se chamava meio mundo.
00:52:09E era, em realidade,
00:52:11um mundo inteiro.
00:52:12Éramos uma família aí adentro,
00:52:14onde as festas,
00:52:15os cumpleaños,
00:52:16o compartilhar,
00:52:17o estar um ao outro,
00:52:19o ter,
00:52:20nessas épocas,
00:52:21esses principais,
00:52:22esses valores,
00:52:23coisas que hoje
00:52:26se vão perdendo.
00:52:28Por isso, também,
00:52:29é, depois,
00:52:30todo este empreendimento
00:52:31aqui na zona.
00:52:40Por ser nascida
00:52:41no meio mundo,
00:52:43e desalojada,
00:52:44a sua vez,
00:52:45no 78,
00:52:47um 3 de diciembre.
00:52:49Uma tem, ou seja,
00:52:50como muitas etapas
00:52:51na vida,
00:52:51mas essa é uma que nos deixou
00:52:53como muito marcada
00:52:54por o que foi o desalojo.
00:52:57Obviamente, estábamos
00:52:58em plena dictadura.
00:52:59O que nos passou
00:53:00na época foi
00:53:03que para plena dictadura
00:53:04tampouco servía
00:53:06que tivéssemos
00:53:07muitas masas, este,
00:53:10em equipe,
00:53:11concentradas.
00:53:12A dictadura tirou abaixo
00:53:14esses conventos
00:53:15e os realojou
00:53:16a todos os lugares distintos.
00:53:18Foi terrible.
00:53:19Foi uma vejación
00:53:22no sentido
00:53:24mais puro, digamos.
00:53:27porque é verdade
00:53:28que o edificio
00:53:29estava em malas condições,
00:53:30mas era um edificio
00:53:31que era para ser recuperado
00:53:35para que fosse
00:53:36uma espécie
00:53:36de monumento
00:53:38histórico
00:53:39vivente.
00:53:41Há uma ida e volta,
00:53:43uma retroalimentação.
00:53:46A música
00:53:47se transforma
00:53:49durante a dictadura militar
00:53:51em um sector
00:53:53de resistência
00:53:55muito duro,
00:53:56verdade, este,
00:53:58a da ditadura.
00:54:00Silencio.
00:54:02Silencio.
00:54:03Silencio.
00:54:04Silencio.
00:54:04A dor.
00:54:05Repican os cuernos.
00:54:07Silencio.
00:54:08Silencio.
00:54:09Silencio.
00:54:09E a aire se latinendo.
00:54:11Silencio.
00:54:13Silencio.
00:54:28Silencio.
00:54:30Estão eles, se aqui havia 100 pessoas que tocaram o tambor, agora há 100 milhões.
00:54:35Agora toca todo mundo o tambor.
00:54:51Apesar de que somos um povo pequeno, a ditadura não nos pôde doblegar.
00:54:57O canto popular, eles dizia todo o tempo coisas, através da música.
00:55:12Todos os que nascemos aqui no barrio sentimos os tambores desde a pança de nossas mães, desde o ventre.
00:55:22E, instrutivamente, já tocamos. Usamos o tambor, sim.
00:55:26Desde a criança.
00:55:28Porque é uma forma de divertir-se em comum.
00:55:40Quando eu era chico não havia instrumentos de candombe para criança.
00:55:45E o instrumento era uma lata de dulce.
00:55:49Os tambores originales eram troncos, agüecados.
00:55:55De fato, a flora autótona de aqui não nos permitiu continuar com essa construção, porque não havia árvores.
00:56:02Nós tivemos que, depois de muito tempo, construir nossos tambores com o ofício do tonel.
00:56:10Com os barris, as barricas.
00:56:39E aqui eu tenho o taller.
00:56:42E depois, recém se toca.
00:56:45Mantuímos a relação com os tamanhos da corda, que são o chico repica e piano.
00:56:52Cada um deles tem uma forma, um tamanho e tem uma frase e uma voz diferente.
00:57:00E os três formam o ritmo, que é o candombe.
00:57:03Porque o chico tem a frase e a voz, que é assim.
00:57:19E o piano suena assim.
00:57:45E depois, temos o repique.
00:57:50Que é este, que é um pouco mais corto.
00:57:54E que é o tambor que tem mais síncopa.
00:57:58É o que usa muito a inspiração do que toca.
00:58:03E é o que mais improvisa.
00:58:04Mas também tem uma frase fixa, que é esta.
00:58:19É uma tradição que hoje em dia interpretam todas as coletividades.
00:58:23Não é que seja africana.
00:58:25Hoje é da sociedade inteira.
00:58:45Ao entender a problemática e o o folclore de o que representam.
00:58:48o que é o candombe em um contexto sociológico, em um contexto histórico,
00:58:55em um contexto social, mais além da expressão artística
00:58:59e da parte musical propriamente dita.
00:59:10Que é o que os identificam eles?
00:59:12Que é algo comum a eles, que é deles, e é o candombe.
00:59:20O nível da energia interna de um, é como que se incrementa,
00:59:26você terminas de tocar e estás como cargado, te recargas,
00:59:31é uma descarga para outros temas, que de repente pode estar complicado por muitas coisas,
00:59:38mas te pones a tocar e estás em esse trance de tocar,
00:59:43e como que terminas de tocar e estás com uma boa energia.
00:59:47Quando toco, estou em um estado diferente, me sinto um negro de 4 metros de alto,
00:59:55por 3 de ancho e com uma energia diferente a o comum.
01:00:01Tocar o tambor é esse honor.
01:00:04Acer instrumentos é um don de meus ancestros que eu tenho com muito orgulho.
01:00:14É uma resistência, considero que é uma resistência,
01:00:17que forma parte da idiosincrasia, da estrutura política,
01:00:21dentro da estrutura política do Uruguai, nossa forma de vida.
01:00:27É parte do que nós somos, um pequeno país, um pequeno grupo,
01:00:31sempre com muita tenacidade, com muito amor próprio.
01:00:38Estamos acostumbrados a dar o melhor de nós,
01:00:41e o candombe é algo que te saca, é muito visceral.
01:00:51O candombe sempre foi, basicamente, um grito de resistência de todo esse sector.
01:00:59Por isso, é lógico que eles também o vejam com muitas reservas, a massificação.
01:01:08Por um lado, é lindo e bom para eles sentir que a sua música é tomada por todo o mundo.
01:01:15Por outro lado, há um candombe antigo, muito, muito famoso,
01:01:20que diz em seu estribilho,
01:01:23o candombe é dos negros, mas gostam dos outros.
01:01:29A vaga e o candombe, isso vem do meu coração.
01:01:35São coisas que...
01:01:37um vem disso, dessa realidade.
01:01:40O racismo, o faz um.
01:01:43Eu...
01:01:44Acá vejam todos os jovens peruanos, paraguaios, argentinos...
01:01:48Compartimos todos.
01:01:52Entende? Então... vamos.
01:01:56Não é...
01:01:57O faz quem quer.
01:01:59Ai, ai, como que não, ai, sim.
01:02:01Mas a mim não me interessa isso.
01:02:03Porque nasceu aqui.
01:02:04Acá ali.
01:02:06Acá nasceu.
01:02:08Um...
01:02:09Um...
01:02:09Um...
01:02:09Um...
01:02:09Um...
01:02:10Um...
01:02:11Um...
01:02:13Um...
01:02:15Um...
01:02:18Um...
01:02:19Um...
01:02:20Um...
01:02:22Um...
01:02:30Um...
01:02:33Um...
01:02:41Um...
01:02:44Um...
01:02:49Um...
01:02:50Um...
01:02:53Um...
01:02:57Um...
01:03:01Um...
01:03:02Um...
01:03:05Um...
01:03:11Um...
01:03:19Um...
01:03:20Um...
01:03:25Um...
01:03:28Um...
01:03:30Um...
01:03:30Um...
01:03:38Um...
01:03:39Um...
01:03:43Um...
01:03:51Um...
01:03:55Um...
01:04:06Um...
01:04:07Um...
01:04:09Um...
01:04:13Um...
01:04:15Um...
01:04:15Um...
01:04:15Um...
01:04:15Um...
01:04:36Um...
01:04:37negras no país, que podemos ser doctoras, enfermeras, abogadas, presidentas, e isso é
01:04:44importante também para nós. Eu acho que a Mujica deu um passo importante na equidade
01:04:49racial e na equidade da mulher, principalmente.
01:04:58A mim parece que neste momento o que está em disputa e o que é importante seguir também
01:05:04como luchando é por esta forma de entender a democracia e por outras formas de democracia
01:05:09possibles. Eu acho que sim, como jovens, nos toca repensar esta democracia que estamos vivendo
01:05:15e conseguir ir mais além de algumas tragas ou de alguns bloqueos que têm que ver com
01:05:21uma burocracia demasiado representativa e não tão participativa, uma democracia que passa
01:05:27tudo por um parlamento e que não chega à população diretamente. Então, me parece que por aí
01:05:32há um caminho para continuar e que há isso que está sucedendo em outros lados, não?
01:05:38Então, desde esse lugar, acho que aos jovens nos toca assumir esse lugar histórico
01:05:42com tudo o que temos para aprender e seguir fazendo e lutar por conquistar outras formas
01:05:50possíveis de democracia que há para gerar outros mundos possíveis, mais igualitarios, mais livres,
01:05:56mais justos e seguir generando luchos que, com alegria, música, tambor, cantor, me deseam por aí
01:06:04isso de que se possa continuar fazendo ruido e gritando desde as juventudes para transformar.
01:06:28Nós temos que dizer que às vezes temos um grave problema, que criamos leis, mas depois as abandonamos.
01:06:38E com isso o que quero dizer? As normas, um tem que fazer-se responsável das normas que se criam.
01:06:45E teria que monitorar sua aplicação, e teria que avaliar até que ponto se funciona como se esperava,
01:06:54se não teria que fazer modificações, até que ponto estão as condições materiais para que a norma
01:06:59opere como se espera, e até que ponto temos a população, a população objetivo,
01:07:08que realmente este empoderada de seus direitos.
01:07:12Primeiro, que os conheça, segundo, que se anime a querer exercerlos, e terceiro, que haja vías para que os possa
01:07:19exercer.
01:07:23Eu acho que todas as normas, os avanços institucionais, em forma indirecta, como sempre digo,
01:07:30não afetam as normas só aos diretamente involucrados, mas aos indiretamente involucrados.
01:07:36Que tem que ver com que se instala, cada vez que se dá uma norma que tem que ver com
01:07:41a diversidade sexual e sua discussão,
01:07:43se instala uma discussão paralela ou subyacente, que não tem que ver com o tema específico,
01:07:50mas com um tema mais amplo, que é a sociedade em que queremos viver.
01:07:53Porque, inclusive, tem que ver com que sociedade quero para meus filhos.
01:07:59Obviamente, isso não significa que não tenha exercer.
01:08:03Significa que, para mim, havia um mudança de sensibilidade social.
01:08:09Nós avançamos muito em 30 anos, muito, muito, muito.
01:08:15Ainda temos muitas dificuldades, mas os avanços são incríveis.
01:08:20Mas, em toda esta velocidade, as raízes são muito indebidas, em muitos casos.
01:08:27Você olha os dados, e, a não ser em setores muito pequenos, muito educados e jovens,
01:08:36a divisão sexual do trabalho, a nível doméstico, deixou de existir.
01:08:41E se encargan, por igual, de a criança, de as tareas reproductivas e do marco de trabalho.
01:08:47É isto. É chiquitito assim.
01:08:49Na maioria dos lugares deste país,
01:08:52segue reproduciéndose a divisão sexual do trabalho mais clásica.
01:08:57Aunque a maioria das mulheres estemos no marco de trabalho.
01:09:00Volvemos ao marco de trabalho, a fazer tudo o que temos que fazer,
01:09:04como em nosso rol mais tradicional e clásico.
01:09:08Para que tenham raízes fortes, para que, de verdade, cambie a vida concreta da gente,
01:09:16ainda não falta.
01:09:18E aí é um tema que não sei como se faz,
01:09:21porque o sistema patriarcal é um sistema muito forte, com muita história,
01:09:30muito arraigado, que vem da mão com o capitalismo.
01:09:33Então, são sistemas que estão fortemente imbricados.
01:09:36Então, não é simples.
01:09:41avanças até alguns pontos.
01:09:43Depois, começas a chegar a frenos na realidade das leis.
01:09:56laraí, laraí, larai, laraí, laralero,
01:10:01que linda a madrugada, con ese sol trafoguer.
01:10:07Há que ahorrar para não ser pobre, um pio viejo me decido
01:10:12E a ele nunca lhe sobrou um cobre, para comprarse uma alcancinha
01:10:19Larai, larai, larai, larai, laranero
01:10:23Que linda a madrugada, com esse sol trafoguero
01:10:30Pichito guapo, o hornero, trabalhador como um pio
01:10:34Não precisa dinheiro, e a má, e a má, não tem patro
01:10:42Larai, larai, larai, larai, laranero
01:10:46Que linda a madrugada, com esse sol trafoguero
01:10:52O sueldo de um pion carrero, nunca se deve aumentar
01:10:57Para que valore ao dinheiro, e não aprenda a malgastar
01:11:05Larai, larai, larai, larai, laranero
01:11:09Que linda a madrugada, com esse sol trafoguero
01:11:15Os piones, dijo un doutor, não são homens dedicados
01:11:27Larai, larai, larai, laranero
01:11:31Que linda a madrugada, com esse sol trafoguero
01:11:36Que linda a madrugada, com esse sol trafoguero
01:11:40Quando se faz a madrugada, com esse sol trafoguero
01:11:45Larai, larai, larai, laranero
01:11:50Que linda a madrugada, com esse sol trafoguero
01:11:56Que linda a madrugada, com esse sol trafoguero
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