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O novo episódio do Podcast Degusta fala sobre comida asiática de Victor Naddeo, chefe do Koboshi, restaurante que mistura comida japonesa, temperos tailandeses e uma experimentação muito além do sushi.

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#gastronomia #desgusta #comidajaponesa

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Transcrição
00:00:09Olá, eu sou a Celina Aquino e esse é o Degusta, o podcast de gastronomia do estado de Minas.
00:00:15Que bom ter você aqui de novo na mesa, nós já vamos começar mais um episódio.
00:00:21E no cardápio de hoje, nós temos uma cozinha asiática que não se volta apenas para o Japão, não.
00:00:27É uma coletânea de referências que passam por países e culturas que fazem os olhos desse jovem chefe brilhar.
00:00:36Ele sempre se interessou por gastronomia, mas deu algumas voltas aí pela vida até ser descoberto,
00:00:44acreditem, em uma loja de aquários e entrar de vez na cozinha, ou melhor, atrás do balcão.
00:00:52Ele foi um dos primeiros a apresentar para a gente aqui de Belo Horizonte a proposta de um izakaia,
00:00:59que no bom português seria um boteco japonês.
00:01:03Hoje, ele tem o seu próprio restaurante e uma vontade enorme de apresentar para a gente sabores asiáticos pouco conhecidos.
00:01:13O nosso convidado é o Vitor Nadeu, sócio e chefe do Koboshi.
00:01:18Oi, Vitor! Estou muito feliz de ter você aqui. Obrigada pela sua presença.
00:01:23Tudo joia, Celina. Prazer todo meu de estar aqui hoje com você.
00:01:26Que bom! Então vamos bater um papo, que eu sei que tem histórias super interessantes aí na sua trajetória, né?
00:01:32Sim, sim. Tem muita coisa para contar.
00:01:36Então, vamos lá. De onde que vem seu interesse pela cozinha?
00:01:40O que que te despertou para esse lado?
00:01:45Então, fazer comida sempre fez parte da minha vida, assim como eu acho que faz parte da vida da maioria
00:01:51dos mineiros, né?
00:01:53A comida na cultura mineira, ela é uma coisa muito importante, né?
00:01:57No dia a dia das nossas casas, etc. e tal.
00:01:59E por volta dos 18 ou 19 anos, eu comecei a querer cozinhar coisas diferentes em casa e etc. e
00:02:11tal.
00:02:11Estava meio perdido na vida.
00:02:13Na realidade, é isso, assim.
00:02:15Eu trabalhava com...
00:02:17Igual você falou, eu trabalhava com aquário, que era um hobby meu de infância e tal, que meu pai sempre
00:02:22teve em casa.
00:02:23Acabei caindo nessa, era um negócio que eu gostava muito, mas eu sentia que dali não tinha muito para onde
00:02:31eu ir, de onde eu estava, né?
00:02:34E aí aquela crisezinha ali, eu estava já quase fazendo 20 anos, aí na dúvida, gostava de antiguidade, por exemplo.
00:02:43Era uma coisa que eu pensava em talvez trabalhar.
00:02:46E um dia, curiosamente, um dos motivos foi porque uma menina que eu namorava, na época, me deu um estalo
00:02:53e falou
00:02:54Vitor, você cozinha tão bem, por que você não trabalha com isso?
00:02:56E eu falei, rapaz...
00:02:58Você não tinha pensado, então, até então, que existisse a possibilidade?
00:03:01Até então, nunca tinha que ter uma possibilidade, né?
00:03:03A gente está falando aí de 15 anos atrás.
00:03:07Ainda não tinha essa coisa que se tem hoje, da televisão, todos esses holofotes em cima da cozinha.
00:03:17Então, a profissão não era vista da forma que ela é vista hoje, né?
00:03:23Então, eu pensei, falei, cara, pode até ser que seja uma boa ideia.
00:03:27Vou procurar saber a respeito disso, como é que é que funciona.
00:03:31E aí, daí pra frente, foi só pra cima, né?
00:03:36Aí, apaixonei de primeira.
00:03:38Falei, cara, acho que é um universo que talvez eu queira entrar.
00:03:41Já tinha comprado livros e livros de cozinha em casa, mas sempre enxerguei isso como um hobby.
00:03:46Até esse momento que eu falei, poxa, acho que eu vou tentar me dedicar a isso aqui.
00:03:50Vamos ver se dá certo, né?
00:03:52Só que não foi exatamente nesse momento que você já virou um cozinheiro e depois um chefe, né?
00:03:58Não, não, não. O trajeto é longo. Na realidade, o que que acontece?
00:04:04Eu sempre fui muito chato com essas...
00:04:06Pra eu pegar alguma coisa pra fazer, eu tenho que ter segurança de que eu sei o mínimo do que
00:04:13eu tô fazendo.
00:04:15E eu falei, cara, eu vou correr atrás de um estudo, porque é isso.
00:04:19Eu não faço ideia de como uma cozinha profissional funciona.
00:04:22Na época, eu trabalhava na loja de aquário, né?
00:04:28Eu projetava aquário marinho, projetava aquário de água doce, aquários enormes na época.
00:04:34E comecei a cursar gastronomia durante a noite.
00:04:38Então, eu trabalhava de dia e durante a noite estudava gastronomia.
00:04:43E aí, comecei a fazer os primeiros freelancers ali no domingo,
00:04:47que era o único dia de folga que eu tinha na semana, eu falava, pô, é o único dia que
00:04:52eu tenho pra poder tentar, né?
00:04:54Ver até onde é que vai isso.
00:04:56E aí, comecei a conhecer as cozinhas de Belo Horizonte por dentro, primeiro como freelancer, antes de me formar, né?
00:05:03E aí, justamente nessa época, um dia na loja de aquário apareceram lá dois caras procurando fazer uns aquários absurdos,
00:05:15né?
00:05:15Eram uns formatos muito malucos.
00:05:16Eu falei, gente, esse povo é louco.
00:05:19E conversa vai, conversa vem um desses caras, que é o Máximo Bataglini, você conhece bem a figura.
00:05:26Demais!
00:05:27O chefe italiano, né?
00:05:28Que vive aqui no BH já há muitos anos e que já teve ideias muito malucas, realmente, na vida dele.
00:05:35É, um cara vanguardista, assim.
00:05:38E o Máximo, ele tava, o Máximo e o Éder, que era sócio dele na época, um dos sócios, eles
00:05:44estavam montando um restaurante num lugar, coincidentemente, há poucos quarteirões de onde eu morava,
00:05:49que era um lugar inabitável durante a noite, na época, praticamente, que é a Rua Sapucaí, que hoje a gente
00:05:55conhece bem.
00:05:56Sim.
00:05:57Eles estavam montando o Pecatore, na época, que foi um restaurante importantíssimo, acho, pra história de Belo Horizonte.
00:06:04E eles queriam fazer os aquários desse restaurante e me procuraram.
00:06:09E aí eu falei, cara, na época, o dono da loja de aquário, que começou a atender eles,
00:06:15ele falou, Vitor, atende esse povo aí, que eles estão com umas ideias muito malucas, eu tô sem paciência hoje
00:06:20e tal.
00:06:21E me passou esses clientes, e na hora que ele falou, eu falei, não, eu tô montando um restaurante,
00:06:26na hora eu pensei, falei, nossa, você perdeu, você é o melhor vendedor hoje.
00:06:31Nada acontece por acaso mesmo, né, impressionante.
00:06:35E aí, conversando, eu falei, cara, pô, eu amo frutos no mar, uma das coisas que eu mais tenho vontade
00:06:40de trabalhar com,
00:06:43deixa eu, quando você abrir lá, deixa eu dar um pulo na sua cozinha, ficar lá uns dias e tal,
00:06:48pra eu aprender e não sei o quê.
00:06:50Resultado, dois meses depois, pela primeira vez na minha vida, assinei carteira como um cozinheiro,
00:06:57saí de, fazendo as tripas coração pra manter os bichinhos vivos, pra lá, reconhecendo vários peixes do balcão pelo nome
00:07:04científico, assim.
00:07:06E falando, vai virar aqui um prato muito bom.
00:07:09Isso, isso, é muito curioso, assim, da frigideira pro fogo, instantaneamente, assim.
00:07:15E você chegou a terminar o projeto do aquário pra eles, do restaurante?
00:07:20Fiz, fiz os aquários, lá tinham uns aquários legais, assim, tinham uns aquários quadrados, com uma projeção atrás,
00:07:27que passavam uma mulher e um cara nus, eles ficavam nadando de um lado pro outro, assim, era uma coisa
00:07:33incrível.
00:07:33E, curiosamente, também, meu primeiro emprego de cozinha foi no balcão.
00:07:39Olha!
00:07:39Lá tinha um balcão aberto e eu cozinhava no salão, assim como eu faço hoje, lá atrás, no início, já
00:07:47em contato direto com os clientes,
00:07:49tirava dúvidas, etc, e tal, que é uma coisa que eu sempre gostei muito, né?
00:07:53E em que momento você se aproxima da cozinha asiática? De onde que vem esse seu interesse tão específico, né?
00:08:05Curiosamente, nesse período de poucos meses, acho que de dois ou três meses, entre eu sair do aquário
00:08:11e passar a me dedicar inteiramente à cozinha, eu fui pra São Paulo pra um simpósio de aquarismo,
00:08:21uma feira de aquarismo, alguma coisa assim.
00:08:23E era a minha primeira vez em São Paulo, eu tinha 20 anos, 21 anos.
00:08:28Na época, internet não era como é hoje, rede social não existia da forma que é hoje, né?
00:08:35Eu falei, cara, eu queria aproveitar essa chance pra visitar algum lugar, comer alguma comida que seja completamente diferente do
00:08:43que eu encontro aqui,
00:08:44que eu não vá comer aqui.
00:08:46Mais uma vez, eu falei, cara, eu vou procurar alguém que viaje muito.
00:08:51Recorri ao máximo, e na época a gente já tava conversando e etc, já tava fazendo uns freelancers lá no
00:08:58Pecatore.
00:08:59Falei, bicho, me indica algum lugar pra eu ir?
00:09:02Que eu vá comer uma coisa completamente diferente.
00:09:06E ele me indicou um isakaya.
00:09:08O Kintaro existe até hoje, é excelente.
00:09:11Lá é um verdadeiro boteco japonês.
00:09:14Na época que eu cheguei lá, tinha, assim, dois taxistas nipo-brasileiros tomando Kirin Shiban no balcão e só.
00:09:23Não tinha esse hype que tem hoje.
00:09:25Hoje, inclusive, é um lugar que dá fila de espera na porta.
00:09:28E aí começou essa aventura a partir daí, que aí expandiu a cabeça, né?
00:09:33Eu falei, cara, eu provei, sei lá, 10 pratos.
00:09:37Nenhum daqueles gols eu jamais tinha experimentado na minha vida.
00:09:40Era completamente diferente de tudo que eu tinha provado até lá.
00:09:43E o que, assim, que mais te chamou atenção em toda essa experiência?
00:09:47Desde o ambiente até a comida?
00:09:51A primeira coisa, assim, eu acho que é a atmosfera.
00:09:54Porque é isso, assim, a partir do momento que eu passei das norens,
00:09:57que são aquelas cortininhas que ficam na porta,
00:10:01a sensação que eu tinha é que eu não tava mais aqui.
00:10:04Eu falei, cara, eu tô numa backdoor aqui, um universo paralelo.
00:10:08E é uma coisa que não faz parte da minha realidade, de fato, né?
00:10:12E, a partir daí, os sabores, né?
00:10:16Então, assim, esse impacto visual do ambiente, a etiqueta muda,
00:10:22os talheres mudam, tudo muda no final das contas.
00:10:25Quando você para pra pensar, é o mais distante da cultura.
00:10:30É o mais distante, não.
00:10:31Mas é uma das coisas mais distantes da cultura que a gente tá acostumado, é isso.
00:10:37Então, eu cheguei lá, tinha uma estufa, uma estufa de boteco.
00:10:41Na hora que eu olhei, eu não fazia a menor ideia do que era nada do que tava lá.
00:10:46E isso me deu vontade de querer provar tudo.
00:10:48Eu falei, pô, quero saber tudo, qual o gosto de cada coisa que tá aqui, né?
00:10:52E aí começou...
00:10:54Eu não vou lembrar o nome da senhora que me atendeu lá na época.
00:10:58É um isakaya que é de dois ex-lutadores de sumô.
00:11:03Um deles, até hoje, a gente mantém em contato, que é o Taka, Taka Higuchi.
00:11:06Hoje ele é do isakaya Doncham.
00:11:09Muito legal, um abraço pra ele aí.
00:11:11Que é figura fundamental nesse início aí.
00:11:16Mas...
00:11:17É isso, assim, era tudo diferente.
00:11:20Então, me instigou imediatamente a curiosidade mesmo, assim, de provar tudo, sabe?
00:11:25E aí, a partir daí, você foi pesquisar, foi descobrir o que era esse mundo que você tava entrando.
00:11:32Isso.
00:11:32Na época, principalmente em Belo Horizonte, ainda é um pouco, né?
00:11:37Mas, na época, era ainda mais restrito o acesso, principalmente, a ingredientes, né?
00:11:43Então, se tornou, primeiro, a minha comida favorita de comer.
00:11:49Pra depois virar a comida com a qual eu me dediquei profissionalmente.
00:11:54Então, durante muito tempo, era a minha comida favorita.
00:11:58Segue sendo até hoje, mas durante muito tempo era apenas a minha comida favorita.
00:12:03Então, eu estudava pra comer, não só pra cozinhar.
00:12:07Então, aproveitava a vida em São Paulo, trazia ingredientes.
00:12:10Os amigos, quando iam lá, eu pedia pra trazer, pra testar e etc e tal.
00:12:15E aí, fui conhecendo.
00:12:16Ao longo desse período, aí eu passei por...
00:12:19Pecatore mesmo, era comida italiana.
00:12:22Mas eu sempre tentava...
00:12:24Ó, vamos botar uma pimentinha de Sichuan nesse tartar de peixe aqui, pra ver como é que fica.
00:12:29Vamos botar uma alga, não sei aonde.
00:12:31E, aos pouquinhos, eu fui tentando, dentro da realidade que eu vivia, de adicionar ali, discretamente, essas coisas, né?
00:12:40Esses elementos, né?
00:12:42E vamos explicar pras pessoas, então, o que é um isacaiá, do que a gente tá falando exatamente.
00:12:47Tanto de ambiente, o balcão, ele tem um protagonismo muito grande, né?
00:12:51Sim.
00:12:51No salão.
00:12:52E que tipo de comida, também, que a gente tá falando, que se come nesse tipo de restaurante.
00:12:57Sim, o isacaiá, ele surgiu no Japão, salvo engano, ele se tornou mais popular no período Edu, né?
00:13:09Ele, na verdade, ele não começou como...
00:13:12Hoje a gente conhece como um restaurante, bar, né?
00:13:15Mas o isacaiá, o nome isacaiá vem de sakaiá.
00:13:19Sakaiá é a loja de sake.
00:13:21Ah, interessante.
00:13:23E vem de sentar, permanecer, estar.
00:13:26Então, é uma loja de sake onde você pode consumir o sake ali.
00:13:31Então, começaram, eram lojas primeiro de arroz, que aí, depois que começou a surgir o sake, começaram a vender também
00:13:38o sake.
00:13:40E nessas lojas de sake, passaram, algumas passaram a permitir que os clientes consumissem o sake ali.
00:13:48Consequentemente, onde tem bebida, tem que ter comida, senão vai dar problema, né?
00:13:51Então, às vezes, ó, o dono do isacaiá estava fazendo ali uma comida para eles e etc e tal.
00:13:59Ó, você aceita um... Toma aqui um tsukemono, um picles, que é um picles, né?
00:14:04Que é super tradicional de acompanhar o sake.
00:14:07Toma um tsukemono, vamos comer um espetinho, um yaktori, né?
00:14:12Alguma coisa assim. E aí, foi se construindo a cultura que hoje a gente conhece do isacaiá, né?
00:14:18Em torno sempre da bebida.
00:14:22A bebida é a primeira coisa, né?
00:14:25Tanto que eu brinco sempre assim, não existe.
00:14:27Você pode construir o melhor isacaiá do mundo.
00:14:30Mais bonito, mais bem estruturado, com a melhor comida.
00:14:33Se não tiver sake, não é isacaiá.
00:14:38Não vale.
00:14:39Vai ser outra coisa. Vai ser um restaurante japonês de balcão.
00:14:43Entendeu?
00:14:43Então, é sempre no entorno, é comida feita pensando em alguém que está bebendo.
00:14:49Legal.
00:14:50E em BH, naquela época, a gente está falando de um período que isso não existia mesmo, né?
00:14:55Não, não existia.
00:14:56Não existia.
00:14:57E a gente tem aqui em Belo Horizonte, por exemplo, o sushinaka, que é vanguardista, assim, nessa área de, principalmente,
00:15:04comida quente japonesa.
00:15:06Está lá, firme e forte até hoje.
00:15:08É uma grande referência.
00:15:10Mas é isso.
00:15:11O sushinaka, como o nome diz, nunca foi um isacaiá, né?
00:15:15É um sushiá que também serve algumas comidas quentes.
00:15:19Eu acho que o primeiro isacaiá que eu tive, notícia, que surgiu em Belo Horizonte, era o Dona Tomoko.
00:15:27Não sei se você chegou a conhecer.
00:15:28Cheguei, ali na Grão Mogol, né?
00:15:30É, na Grão Mogol.
00:15:31Era ótimo, inclusive.
00:15:33Quando abriu, para mim, foi uma alegria, porque assim, você não faz ideia.
00:15:37Fui frequentador de lá, mas infelizmente, fechou a China pandemia, por conta da pandemia.
00:15:42Foi, foi.
00:15:42Triste, né?
00:15:44Deixou saudades aí.
00:15:45E isso a gente está falando já de, sei lá, 2018, talvez, 19, por aí.
00:15:51É, se a gente for pensar, é recente, né?
00:15:53É muito recente, muito recente.
00:15:55Uma coisa que apareceu há pouco tempo, né?
00:15:57Isso.
00:15:58Vitor, vou fazer uma pausa aqui rapidinho.
00:16:00Vou mostrar os nossos conteúdos que publicamos toda semana no Jornal Impresso.
00:16:05Aqui a gente tem essa matéria que a gente fala do demi-glace,
00:16:08que é um molho que é considerado ouro da gastronomia,
00:16:12pelas horas e horas de preparo, pela complexidade toda e porque dá um sabor especial para a comida.
00:16:19E aqui também a gente tem essa outra edição,
00:16:23que a gente fala sobre a evolução do bolo de aniversário ao longo dos séculos.
00:16:28O que mudou desde lá do início até hoje?
00:16:32O que as pessoas querem?
00:16:34O que elas pedem para o aniversário?
00:16:36É bem legal a gente ver essa retrospectiva.
00:16:39E, Vitor, voltando aqui à sua história,
00:16:43você tinha vontade de ter um restaurante próprio?
00:16:46Isso já fazia parte dos seus planos?
00:16:50Sempre tive vontade, né?
00:16:52Acho que todo cozinheiro tem esse sonho, assim, dentro dele,
00:16:55ou pelo menos a maioria dos cozinheiros, né?
00:16:57Que é uma oportunidade ali de mostrar aquilo que você mais acredita, né?
00:17:02Mas a vontade maior, ela surgiu depois de...
00:17:06Em 2022, eu dei consultoria durante um ano num restaurante em São Paulo.
00:17:11E durante esse período, durante um ano,
00:17:14eu morei durante 15 dias por mês.
00:17:17Ficava 15 dias lá, 15 dias aqui.
00:17:20Em São Paulo, aproveitei a deixa,
00:17:23alugamos um apartamento próximo da Liberdade,
00:17:26onde eu poderia ir a pé.
00:17:29Estratégico.
00:17:30Longe de onde eu trabalhava,
00:17:32porém, entretanto, próximo da Liberdade.
00:17:35Isso foi intencional, não é brincadeira.
00:17:38Então, você ia lá todos os dias comer?
00:17:40Sempre que eu tinha folga, a minha folga era lá.
00:17:43E aí foi o período onde eu tive a oportunidade,
00:17:46de fato, frequentar esses lugares, né?
00:17:51Inclusive, nesse período,
00:17:52foi o período onde eu comecei a explorar também
00:17:54outras culturas da Ásia,
00:17:58chinesa, tailandesa,
00:17:58que ali é um grande caldeirão, né?
00:18:01Hoje, a Liberdade, ela ainda é considerada um bairro japonês.
00:18:06Mas hoje, você já tem lá uma influência muito grande da China,
00:18:10da Tailândia, Coreia nem tanto.
00:18:11Coreia tá mais pro lado do Bom Retiro ali,
00:18:14que tem excelentes restaurantes também,
00:18:15que eu tive a oportunidade de frequentar.
00:18:17mas foi aí nesse momento que eu comecei a viver
00:18:21e ter contato direto, mais acesso.
00:18:27Voltei pra Belo Horizonte, a minha consultoria acabou.
00:18:31E eu falei, meu Deus, e agora?
00:18:33Onde que eu vou?
00:18:35E aí foi quando eu cheguei que eu falei,
00:18:37cara, preciso começar a pensar em fazer isso aqui,
00:18:41porque senão nunca mais eu vou comer a sua comida.
00:18:44Vou ter que ir pra São Paulo pra comer, né?
00:18:46Vou ter que ficar indo pra São Paulo, pensa.
00:18:47E aí foi nesse período que aí eu comecei a levar mais a sério a ideia.
00:18:52Tipo, não, cara, acho que agora eu já tava há quatro anos,
00:18:55três anos, dando consultoria,
00:18:59me dedicando só a isso.
00:19:00Então, assim, é, pá, três meses ali, seis meses ali,
00:19:02um ano ali, seis meses ali, três...
00:19:05Falei, cara, tô precisando que é tal facho.
00:19:07Não aguento mais esse pulando de galho em galho, né?
00:19:12Tô afim de que é tal facho.
00:19:13Vou procurar alguma coisa pra eu abrir.
00:19:18Vou abrir um isacaiá.
00:19:21Na época, por coincidência,
00:19:25o fugu isacaiá já existia.
00:19:29Na época eu não conhecia ainda.
00:19:31E o cara que tinha comprado lá,
00:19:35ele tava sem equipe.
00:19:36O restaurante tinha fechado, né?
00:19:39Ele começou com a Gabi,
00:19:40que é filha de um dos donos do Sushinaka, né?
00:19:43Exatamente.
00:19:44A Gabi abriu o fugu isacaiá,
00:19:46acho que tinha seis meses, um ano, mais ou menos.
00:19:50E ela vendeu pra esse rapaz que era cliente dela na época.
00:19:55E por intermédio de amigos,
00:19:56eu tava já olhando ponto pra abrir o meu na época.
00:20:00E por intermédio de amigos,
00:20:03ele me procurou e falou,
00:20:04olha, eu tô precisando,
00:20:06eu tô com o isacaiá pronto,
00:20:08montado,
00:20:09e eu preciso de alguém que monte a equipe
00:20:12disposta a tocar o barco.
00:20:15E cara, assim,
00:20:16vamos sentar e vamos conversar,
00:20:17porque das duas,
00:20:18uma,
00:20:18ou eu vou ser seu concorrente,
00:20:22ou a gente vai entrar nessa juntos, né?
00:20:25E aí eu pensei,
00:20:27pô, é uma oportunidade legal até de botar a prova,
00:20:31o que eu sei disso,
00:20:32porque é isso,
00:20:33aqui em Belo Horizonte eu nunca tinha feito comida asiática,
00:20:37comercialmente, né?
00:20:38Até porque não existia esse nicho ainda.
00:20:41E aí me tornei chefe do fugu isacaiá,
00:20:45que foi o primeiro lugar onde eu pude botar a prova isso, né?
00:20:48Lá eu fiquei durante dois anos e meio,
00:20:53até então surgiu a oportunidade aí de abrir o Kobochi,
00:20:57finalmente.
00:20:58Sim, muito legal,
00:20:59que foi no fim do ano passado,
00:21:01não é isso?
00:21:01Fim do ano passado.
00:21:022025, né?
00:21:03E eu tenho que contar essa história,
00:21:05porque é muito curiosa,
00:21:06como eu conheci o Kobochi,
00:21:08que foi completamente por acaso,
00:21:11eu saindo aqui do jornal,
00:21:12com fome,
00:21:13sem ideia de onde que eu ia comer,
00:21:15descei sentido Savassi e pensei,
00:21:18vou achar algum lugar para comer lá.
00:21:20E de repente,
00:21:22passo na porta,
00:21:23numa esquina,
00:21:24vejo um lugar novo,
00:21:26diferente,
00:21:27falei, gente,
00:21:27que lugar interessante,
00:21:28não conhecia.
00:21:29E tinha aquela cortininha,
00:21:30qual o nome que você falou que é?
00:21:32Norém.
00:21:33Norém.
00:21:33Norém.
00:21:34E aí eu olhei e falei assim,
00:21:36gente,
00:21:36esse lugar é bem interessante,
00:21:38vou entrar.
00:21:39Quando entro,
00:21:40quem está atrás do balcão?
00:21:42Vitor?
00:21:43Eu lembro direitinho da cena.
00:21:45E eu não acreditei
00:21:46que o mais impressionante
00:21:48era o primeiro dia.
00:21:49Era o primeiro dia.
00:21:50Vocês estavam começando ali
00:21:51e eu cheguei,
00:21:52eu acho que ainda foi uma das primeiras
00:21:54a chegar,
00:21:54era cedo ainda,
00:21:56foi impressionante,
00:21:56foi incrível,
00:21:57aquela noite foi maravilhosa.
00:21:58Foi coincidência enorme.
00:21:59Deu para experimentar muita coisa,
00:22:01já conhecia você do Fugu
00:22:02e aí,
00:22:03sim,
00:22:04foi muito legal ver
00:22:05o projeto nascer mesmo
00:22:07naquele momento.
00:22:09É,
00:22:09você estava lá no parto,
00:22:11né?
00:22:12E aí é curioso você falar isso
00:22:14porque isso esbarra
00:22:16em uma das características
00:22:17do isakaya.
00:22:18Porque no Japão,
00:22:20o isakaya,
00:22:21ele cumpre uma função social.
00:22:23A rotina de trabalho lá,
00:22:25ela é muito extensa,
00:22:27muito extensa,
00:22:28os apartamentos
00:22:28são muito pequenos.
00:22:30Então, assim,
00:22:31a cultura do cozinhar em casa,
00:22:33ela não é tão presente
00:22:34quanto é para a gente,
00:22:36principalmente aqui em Minas,
00:22:38no Brasil,
00:22:38de uma forma geral,
00:22:39mas aqui em Minas mais.
00:22:42Então,
00:22:43o isakaya,
00:22:44ele é
00:22:45um ponto de encontro
00:22:47depois do trabalho.
00:22:49Porque aí,
00:22:49se a pessoa sai,
00:22:50trabalha lá uma rotina
00:22:51de 14 horas por dia,
00:22:54ela sai do trabalho,
00:22:56ela vai passar
00:22:57no isakaya favorito dela,
00:22:58ela vai comer alguma coisa,
00:23:00ela vai beber alguma coisa,
00:23:02ela vai,
00:23:03muitas vezes é usado
00:23:04como sala de reunião,
00:23:06porque como é um lugar fechado,
00:23:07é um lugar mais despojado,
00:23:09é uma sociedade muito repleta
00:23:11de pudores mesmo,
00:23:15assim.
00:23:15E os isakaya,
00:23:17eles são os lugares
00:23:19onde as pessoas vão
00:23:20para se soltar.
00:23:21Então,
00:23:21é sempre um lugar
00:23:22onde você vai entrar,
00:23:23vai ser mais barulhento,
00:23:24vai ser mais apertado,
00:23:26vai ter o balcão ali
00:23:27onde você vai conversar
00:23:28com a pessoa
00:23:28que está do seu lado,
00:23:29vai beber,
00:23:30vai falar mais alto.
00:23:32Muitas vezes,
00:23:32eles vão lá
00:23:33para negociar,
00:23:34porque é um lugar
00:23:34onde você pode estar
00:23:35mais solto,
00:23:36não precisa tanta etiqueta
00:23:39para estar ali,
00:23:39né?
00:23:40Diferente,
00:23:40por exemplo,
00:23:41dos sushi-as,
00:23:41que são lugares
00:23:42mais silenciosos,
00:23:44mais calmos,
00:23:45etc.
00:23:45Então,
00:23:46você usufruiu do restaurante
00:23:49exatamente da forma
00:23:50como ele era
00:23:51para ser usufruído,
00:23:52entendeu?
00:23:53Totalmente,
00:23:53é.
00:23:54Exatamente,
00:23:55porque eu cumpri o papel
00:23:56perfeitamente ali.
00:23:57E foi maravilhoso.
00:23:58Ah,
00:23:59que ótimo.
00:23:59E hoje,
00:24:01assim,
00:24:01passado esse tempo,
00:24:03até da sua experiência
00:24:04anterior e somando
00:24:05com o que você já tem
00:24:06no Kobochi,
00:24:07as pessoas já entendem bem
00:24:09esse conceito,
00:24:10essa ideia.
00:24:11Como é que está isso
00:24:12para o Belo Horizonte
00:24:13hoje?
00:24:14Olha,
00:24:15assim,
00:24:15uma mudança muito drástica
00:24:17de três anos para cá,
00:24:19que foi quando eu
00:24:20comecei nisso,
00:24:22né?
00:24:23Assim,
00:24:23no início,
00:24:25eram todos eu
00:24:26chegando lá
00:24:27no Quintarô,
00:24:29assim,
00:24:30mas o que é isso?
00:24:31Como é que se come isso?
00:24:33Por que isso?
00:24:34Hoje,
00:24:35a gente já tem
00:24:36uma
00:24:38uma disseminação
00:24:39muito maior
00:24:40do assunto,
00:24:41até por conta
00:24:41de redes sociais,
00:24:43etc.,
00:24:44jornal.
00:24:45Então,
00:24:46as pessoas já têm
00:24:46uma consciência
00:24:47muito maior
00:24:48do que esperar,
00:24:49mas ainda assim,
00:24:50eu acredito
00:24:51que há uma parcela
00:24:52ainda pequena
00:24:53da população,
00:24:54a galera,
00:24:55às vezes,
00:24:55ainda tem
00:24:56um receio
00:24:56de experimentar
00:24:57um ingrediente
00:24:59muito diferente,
00:25:00mas é isso,
00:25:02a cozinha de balcão
00:25:03ali,
00:25:04o fato de ter
00:25:05cozinheiros
00:25:06no balcão
00:25:06aliado
00:25:07ao serviço
00:25:08de salão
00:25:09facilita muito
00:25:10isso,
00:25:11porque dá
00:25:11a oportunidade
00:25:12da gente falar
00:25:13sobre o que a gente
00:25:13está servindo.
00:25:14Então,
00:25:15às vezes,
00:25:15a pessoa tem
00:25:15uma dúvida
00:25:16ali muito mais
00:25:17profunda
00:25:18sobre determinado
00:25:19ingrediente,
00:25:20etc.,
00:25:20e tal,
00:25:20e a gente consegue
00:25:21olhar no olho
00:25:22do cliente
00:25:23e falar,
00:25:23então,
00:25:25isso aqui
00:25:25não é só
00:25:26floco de peixe,
00:25:27isso aqui é um peixe
00:25:28que ele é defumado,
00:25:29ele é fermentado,
00:25:30ele passa um ano
00:25:31o processo inteiro,
00:25:33depois ele é passado
00:25:34numa plana,
00:25:34a gente traz do Japão,
00:25:36é um negócio
00:25:36que não existe
00:25:37no Brasil,
00:25:38hoje até tem,
00:25:39está começando,
00:25:40está falando
00:25:40do Katsubushi,
00:25:41mas...
00:25:41Está começando
00:25:42a produzir aqui?
00:25:43o pessoal do Projeto Amar
00:25:45em Ilha Bela
00:25:46já acredito
00:25:47que foram os primeiros,
00:25:48pelo menos
00:25:48que eu tive notícia.
00:25:50Que interessante!
00:25:51Já estão começando
00:25:51a produzir no Brasil
00:25:52uma iguaria,
00:25:54assim,
00:25:55é um negócio maravilhoso,
00:25:56é uma das bases
00:25:57da comida japonesa.
00:25:59Mas é isso,
00:26:00assim,
00:26:00então a gente tem
00:26:01essa oportunidade
00:26:02de poder falar melhor
00:26:03sobre isso,
00:26:04então,
00:26:05acaba elucidando
00:26:06a galera,
00:26:07Muito,
00:26:08e para a gente
00:26:08cliente é muito legal,
00:26:10você está ali
00:26:11muito próximo
00:26:12da cozinha,
00:26:13vendo o movimento,
00:26:14acho muito bonito
00:26:15ver toda a cena
00:26:17acontecendo
00:26:18do preparo
00:26:19do prato e tal,
00:26:20e aí a gente vê
00:26:22que é uma organização
00:26:23impressionante
00:26:23para tudo acontecer,
00:26:25e é tudo silencioso,
00:26:26vocês estão ali
00:26:27concentrados,
00:26:28na medida do possível,
00:26:30claro,
00:26:30mas assim,
00:26:31tem uma concentração,
00:26:32tem uma comunicação
00:26:33ali silenciosa
00:26:34que faz tudo
00:26:35fluir e acontecer,
00:26:37né?
00:26:37É uma dança,
00:26:38a gente brinca
00:26:39que é um balé
00:26:40toda noite,
00:26:41ainda mais em espaços
00:26:42como o nosso,
00:26:43que a gente explica
00:26:46para os clientes,
00:26:47fala,
00:26:47gente,
00:26:48é um restaurante
00:26:48muito pequeno,
00:26:49às vezes,
00:26:50por exemplo,
00:26:50o pessoal manda mensagem
00:26:51e eu queria fazer
00:26:51uma reserva
00:26:52para 25 pessoas,
00:26:53eu falo,
00:26:53gente,
00:26:53é impossível
00:26:55para mim fazer
00:26:55uma reserva
00:26:56para 25 pessoas,
00:26:57ah,
00:26:57não consegue juntar
00:26:58as minhas,
00:26:58eu falo,
00:26:58gente,
00:26:59no meu balcão
00:27:00eu tenho 16 lugares,
00:27:01como é que eu vou
00:27:01fazer uma mesa
00:27:02de 25?
00:27:03Não cabe,
00:27:04realmente não cabe,
00:27:06né?
00:27:07Mas se para quem
00:27:08está fora é apertado,
00:27:09você não imagina
00:27:10como é do lado de dentro,
00:27:11que é mais apertado ainda,
00:27:14né?
00:27:14A gente brinca
00:27:14que tem que agachar
00:27:15de ladinho,
00:27:16assim,
00:27:16porque não dá,
00:27:18mas,
00:27:19então,
00:27:19assim,
00:27:19é tudo,
00:27:20tem que ser realmente
00:27:22muito controlado,
00:27:23tudo ali dentro,
00:27:24mas,
00:27:24hoje,
00:27:25a gente tem uma equipe
00:27:25muito boa lá,
00:27:26então,
00:27:27assim,
00:27:28a minha suchefe,
00:27:29por exemplo,
00:27:29a Clara,
00:27:30ela trabalhou comigo no Fuguru
00:27:31durante a maior parte
00:27:32do período que eu tive lá,
00:27:33a gente já tem uma sincronia
00:27:35muito boa ali,
00:27:36então,
00:27:37a gente dá risada a noite inteira,
00:27:38conversa com os clientes,
00:27:40é outra pegada,
00:27:42Não tem tanto essa tensão,
00:27:44assim,
00:27:44até porque é o tipo de ambiente
00:27:45que permite isso,
00:27:46né?
00:27:46Sim,
00:27:47um clima,
00:27:47né?
00:27:48Bem descontraído e leve,
00:27:50né?
00:27:50Se a gente está rindo
00:27:51dentro da cozinha,
00:27:52quem senta no balcão
00:27:53não tem porquê
00:27:54não estar rindo também.
00:27:55Não.
00:27:56A gente recebe muita gente
00:27:57às vezes sozinha,
00:27:58ó,
00:27:58posso sentar aqui?
00:27:59Cara,
00:27:59é o melhor lugar
00:28:00para você ir sozinho.
00:28:02Se você está afim
00:28:03de sentar,
00:28:04às vezes bater um papo,
00:28:05o balcão
00:28:06vai ser sempre o melhor lugar,
00:28:08é melhor do que uma mesa
00:28:08no canto,
00:28:09gente.
00:28:09Com certeza.
00:28:10Senta aqui,
00:28:10conversa com a gente,
00:28:11a gente está aqui.
00:28:12Muito bom.
00:28:14E o que significa Koboshi?
00:28:16De onde que você tirou
00:28:17esse nome?
00:28:18Então,
00:28:19essa aí é uma outra história.
00:28:21Isso eu fui pesquisando
00:28:23durante muito tempo,
00:28:24assim,
00:28:24acabei caindo numa
00:28:28uma compilação
00:28:29de amuletos japoneses.
00:28:31Gente,
00:28:32que específico, né?
00:28:34É, muito,
00:28:34muito.
00:28:35Inclusive,
00:28:35tem um livro sobre isso
00:28:36lá no restaurante,
00:28:37se alguém quiser ir lá
00:28:38dar uma olhadinha,
00:28:39tem...
00:28:40É isso,
00:28:41igual eu te falei,
00:28:41eu gosto de aprofundar
00:28:42nas coisas, sabe?
00:28:44E aí existe um amuleto
00:28:45numa região do Japão
00:28:47que chama Izu,
00:28:50chamado
00:28:50Kyagari Koboshi,
00:28:52que é
00:28:53um bonequinho
00:28:54de papel machê,
00:28:55tipo um João Bobo,
00:28:56Tá.
00:28:56Eu podia até ter trazido,
00:28:58porque eu consegui trazer
00:28:59dois do Japão.
00:29:02E ele é um mongezinho,
00:29:04você empurra,
00:29:04ele cai e levanta,
00:29:05cai e levanta,
00:29:06cai e levanta.
00:29:07O nome significa
00:29:08o Kyagari,
00:29:09é como se fosse
00:29:10que sempre se levanta,
00:29:12que se levanta.
00:29:14E o Kyagari é
00:29:15Koboshi é pequeno monge.
00:29:17Então,
00:29:18é o pequeno monge
00:29:19que sempre se levanta.
00:29:20E ele representa
00:29:22um provérbio japonês
00:29:24que fala
00:29:25cair sete vezes
00:29:26e levantar oito.
00:29:27Então,
00:29:27é um símbolo
00:29:28de perseverança,
00:29:29de resiliência.
00:29:31Então,
00:29:31é isso,
00:29:32assim,
00:29:32o Koboshi,
00:29:33ele é isso,
00:29:34de estar sempre tentando,
00:29:35sempre,
00:29:36ó,
00:29:37deu errado aqui,
00:29:37vamos fazer de novo,
00:29:38vai dar certo.
00:29:39Vamos fazer de novo,
00:29:40vai dar certo,
00:29:41até dar certo.
00:29:42E na cozinha é muito isso,
00:29:44né?
00:29:44Você tem que fazer
00:29:45muitas vezes
00:29:45até dar certo,
00:29:47né?
00:29:48Aí a gente já esbarra
00:29:49em um outro provérbio,
00:29:50né?
00:29:50Que é o
00:29:53princípio do Kaizek,
00:29:55do Kaizen.
00:29:55Kaizen ou Kaizek?
00:29:56Não lembro agora.
00:29:58Mas que é
00:29:59parte fundamental
00:30:00da
00:30:03cultura japonesa,
00:30:04né?
00:30:04Do aprimoramento
00:30:05perpétuo.
00:30:06Sim.
00:30:07É muito melhor,
00:30:07muito mais importante,
00:30:09você melhorar,
00:30:09muito mais eficaz,
00:30:11na verdade,
00:30:11você melhorar um pouquinho
00:30:12todo dia,
00:30:14do que você todo dia
00:30:15ficar tentando melhorar
00:30:16um monte.
00:30:18É muito mais eficaz.
00:30:19Então,
00:30:19todo dia você vai lá,
00:30:20para uma pontinha,
00:30:22tenta aqui mudar
00:30:23uma coisinha,
00:30:24que aos poucos
00:30:25esses pequenos passos,
00:30:26eles fazem uma grande
00:30:27diferença, né?
00:30:28Com certeza.
00:30:29E agora,
00:30:30Vitor,
00:30:30chegou a hora
00:30:31da gente ouvir
00:30:32dicas quentes
00:30:33de lugares
00:30:33para comer em BH.
00:30:35Eu vou trazer
00:30:36aqui para a conversa
00:30:37a Carol Fadel,
00:30:38que é chefe,
00:30:39e ela vai contar
00:30:40para a gente
00:30:41quais são os lugares
00:30:42da listinha
00:30:43dela,
00:30:44imperdíveis.
00:30:45Carol,
00:30:45conta para a gente
00:30:46quais são os seus
00:30:47lugares favoritos
00:30:48aqui em BH.
00:30:49Oi, pessoal do Degusta,
00:30:50eu sou Carol Fadel,
00:30:51sou chefe de cozinha
00:30:52e proprietária
00:30:52do Matula Cozinha,
00:30:54também apresentadora
00:30:55do programa
00:30:56Matula 98,
00:30:57que vai ao ar
00:30:57na Rede 98
00:30:58e na Rede Minas
00:30:59todos os sábados,
00:31:01e também sou consultora
00:31:02de negócios gastronômicos.
00:31:04Hoje eu vim aqui
00:31:04falar para vocês
00:31:05onde eu gosto
00:31:06de comer em BH.
00:31:07Eu gosto de comer
00:31:08em muitos lugares
00:31:09em BH,
00:31:10desde o Boteca
00:31:11até o restaurante
00:31:11mais sofisticado,
00:31:12mas hoje eu vou
00:31:13deixar para vocês
00:31:14aqui três lugares
00:31:15que eu amo,
00:31:16todos são chefiados,
00:31:18são de propriedade
00:31:19de mulheres
00:31:20que eu admiro muito,
00:31:21o trabalho
00:31:22e a comida.
00:31:23O primeiro deles
00:31:25é o Bar da Loura,
00:31:26um clássico
00:31:27que já é ponto turístico
00:31:29aqui,
00:31:29a Loura,
00:31:30que é uma mulher
00:31:30maravilhosa,
00:31:31super batalhadora
00:31:32e que entrega
00:31:34a melhor comida,
00:31:36os melhores tiragostos,
00:31:37tudo com muita qualidade.
00:31:38então o Bar da Loura,
00:31:39qualquer uma das três
00:31:40unidades,
00:31:41da Savas,
00:31:41da Rousso Ares
00:31:42ou do Mercado Central
00:31:43é assim,
00:31:44certeiro.
00:31:45O segundo lugar,
00:31:46a Porca Voadora
00:31:47ali no Serra,
00:31:48da Bruna Tod,
00:31:49além dela ser uma
00:31:50mulher incrível,
00:31:51a comida dela
00:31:51é maravilhosa,
00:31:52minha dica lá
00:31:53é o giló recheado
00:31:55de joelho de porco
00:31:56e de queijo
00:31:56que é assim,
00:31:58meu Deus do céu,
00:31:58bom demais.
00:31:59E a minha terceira dica
00:32:01é o 31,
00:32:01da chefe Ana Gabi Costa,
00:32:03que não entrega
00:32:04só um almoço,
00:32:05jantar perfeito,
00:32:06mas um café da manhã
00:32:07de interior.
00:32:08Todos os produtos
00:32:09no restaurante
00:32:10são produtos mineiros,
00:32:11então ela valoriza
00:32:12a nossa terra
00:32:13e ela tira o melhor.
00:32:14Uma roupagem nova,
00:32:15mas aquela essência
00:32:17de Minas Gerais.
00:32:18Eu amo.
00:32:18Então essas são
00:32:19as minhas dicas pra vocês.
00:32:20Ótimo, Carol.
00:32:21Obrigada pelas dicas,
00:32:22tá anotado aqui.
00:32:23E agora, Vitor,
00:32:25vamos lá,
00:32:25conte aí suas dicas.
00:32:27Quais são os lugares
00:32:27atualmente que você tem
00:32:28ido pra comer
00:32:29e que você gosta?
00:32:30Bom,
00:32:31vamos lá,
00:32:31vamos falar primeiro
00:32:32de
00:32:36asiático.
00:32:36Vamos lá.
00:32:37Vamos lá.
00:32:38Eu fui recentemente
00:32:39em um,
00:32:40esse é daqueles raízes,
00:32:43que a galera curte
00:32:44muito isso aqui, né?
00:32:45A gente teve
00:32:46uma sorte aí
00:32:47de ter uma
00:32:49uma imigração
00:32:50grande de chineses
00:32:51pra Belo Horizonte,
00:32:52estão trazendo
00:32:52algumas coisas legais.
00:32:54Eu fui recentemente,
00:32:55acho que é na Santos Dumont,
00:32:57Casa de Bambu,
00:32:59restaurante minúsculo,
00:33:00mesinhas de plástico,
00:33:01tem cinco pratos
00:33:03no cardápio,
00:33:05baratíssimo,
00:33:06delícia,
00:33:07muito, muito bom.
00:33:08Vai comer a sopa
00:33:09de um tom,
00:33:10que assim,
00:33:10é maravilhosa.
00:33:11Pode ir sem erro.
00:33:13Vamos pra outro.
00:33:15Fuga,
00:33:17esse assim,
00:33:17das últimas vezes
00:33:18que eu tive um sábado
00:33:19à noite livre,
00:33:21fuga foi uma
00:33:22das melhores decisões
00:33:23em quase todas elas.
00:33:25Excelente lugar,
00:33:26o Pedrão tá lá,
00:33:27o Nico,
00:33:29um dos melhores
00:33:29anfitriões
00:33:30de Belo Horizonte.
00:33:32Então assim,
00:33:33feijão sem bicho,
00:33:34vai que é sem erro.
00:33:36Ótimo.
00:33:37Faísca,
00:33:38eu amo ir lá
00:33:39no domingo,
00:33:40comer um,
00:33:41um,
00:33:42a polenta frita dele,
00:33:43você já comeu?
00:33:44Não.
00:33:45Gente,
00:33:45eu não sou fã de polenta,
00:33:46mas assim,
00:33:47pra mim é impulsivo,
00:33:48eu falo isso,
00:33:49que é,
00:33:50já falei isso com eles,
00:33:51ela falou,
00:33:51gente,
00:33:51assim,
00:33:52eu tô esperando o dia
00:33:53que vocês vão tirar
00:33:53do cardápio,
00:33:54porque eu gosto tanto,
00:33:55porque toda vez eu venho aqui
00:33:56eu tenho que comer,
00:33:57aí eu já fico cheio,
00:33:58vou comer outras coisas,
00:33:59e já não aguento,
00:34:00mas eu vario o outro prato,
00:34:01a polenta não.
00:34:01Não tem jeito.
00:34:03Maravilhosa a polenta frita deles.
00:34:05Zito,
00:34:05maravilhoso.
00:34:06Zito,
00:34:06maravilhoso,
00:34:07super competente também,
00:34:09um,
00:34:09eu acho que hoje,
00:34:10assim,
00:34:11botequinha,
00:34:11você tá na calçada
00:34:12num domingo,
00:34:13ainda mais essa época do ano,
00:34:14essas tardes fresquinhas,
00:34:16campeão de Belo Horizonte,
00:34:17assim.
00:34:18Delícia.
00:34:18e bola barra,
00:34:21acho que é o,
00:34:22esse aí,
00:34:23eu acho que tá na boca
00:34:24de todo cozinheiro
00:34:25de Belo Horizonte,
00:34:26que é,
00:34:26assim,
00:34:28quer ir num boteco,
00:34:29conhecer um boteco
00:34:30de Belo Horizonte,
00:34:31bola barra,
00:34:31pra mim,
00:34:33top 3 aí.
00:34:34Ó,
00:34:35ótimas dicas.
00:34:36E,
00:34:37voltando a falar
00:34:38do Koboshi,
00:34:40na sua cozinha,
00:34:41você mostra
00:34:42que cozinha asiática
00:34:44não se resume
00:34:45a Japão,
00:34:46e que também comida japonesa
00:34:48não se resume
00:34:49a sushi sashimi.
00:34:52Queria que você me falasse
00:34:53um pouco mais
00:34:53sobre isso,
00:34:54assim,
00:34:54essa ideia
00:34:56de ampliar mesmo
00:34:57os nossos horizontes,
00:34:58né,
00:34:59mostrar que a gente
00:34:59não precisa ficar só
00:35:01naquilo que a gente
00:35:02conhece muito bem,
00:35:04né,
00:35:04que a gente pode se abrir
00:35:05pra outros sabores,
00:35:07outros pratos,
00:35:08outros ingredientes.
00:35:09É,
00:35:10com certeza,
00:35:11assim,
00:35:11a ideia de,
00:35:14quando o Koboshi,
00:35:15a ideia do Koboshi,
00:35:16o Koboshi surgiu,
00:35:17eu nunca tive dúvidas
00:35:18que eu queria fazer
00:35:18um restaurante
00:35:19em modelo de zakaiá,
00:35:21até porque eu sou
00:35:22apaixonado por saque,
00:35:23sou sommelier de saque hoje,
00:35:28mas é tão vasta
00:35:30a cultura,
00:35:31quando a gente pega
00:35:32as outras culturas,
00:35:33além do Japão,
00:35:34o Japão por si só
00:35:35já é um mundo
00:35:35dentro de uma ilha,
00:35:37de algumas ilhas,
00:35:38né,
00:35:38no caso,
00:35:39mas você vai pra China,
00:35:40a China é um continente
00:35:41inteiro dentro de um país,
00:35:44né,
00:35:44é uma das maiores populações
00:35:45do mundo,
00:35:46então,
00:35:46assim,
00:35:46uma cultura extremamente vasta,
00:35:48Tailândia,
00:35:49Vietnã,
00:35:50então,
00:35:51assim,
00:35:51eu falei,
00:35:51cara,
00:35:51eu queria poder
00:35:53mostrar um pouquinho
00:35:54de cada uma dessas coisas,
00:35:56né,
00:35:56no Japão,
00:35:57quando eu vou fazer
00:35:58comida japonesa lá,
00:36:00eu sempre tento trazer
00:36:01uma comida japonesa
00:36:04caseira,
00:36:06uma comida japonesa,
00:36:07que quem
00:36:09tá lá no Japão,
00:36:10no dia a dia,
00:36:11vai querer comer,
00:36:13de trazer ingredientes
00:36:14que são muito presentes
00:36:15na cultura deles,
00:36:17no dia a dia,
00:36:18porque é isso,
00:36:18gente,
00:36:18japonês não acorda de manhã
00:36:20e vai comer sushi,
00:36:21temaki,
00:36:22amo de paixão,
00:36:23mas é isso,
00:36:24não é a comida
00:36:25que eles vão comer
00:36:25todo dia.
00:36:26E não é só comida fria,
00:36:28inclusive,
00:36:28Não é só comida fria,
00:36:29muito pelo contrário,
00:36:30na verdade,
00:36:31a comida lá
00:36:31tem que estar pelando,
00:36:34mas aí é isso,
00:36:35então,
00:36:35assim,
00:36:35por exemplo,
00:36:36o ramen,
00:36:36que a gente vai,
00:36:37o ramen já é uma comida
00:36:38que já tá mais popularizada
00:36:40no Brasil hoje,
00:36:41etc e tal.
00:36:43Quando eu fui decidir
00:36:45qual ramen que a gente faria lá,
00:36:46eu falei,
00:36:47cara,
00:36:47eu vou fazer o meu ramen favorito,
00:36:48que é um ramen que hoje
00:36:49em Belo Horizonte,
00:36:50na época,
00:36:51eu não conseguia encontrar
00:36:52pra comer.
00:36:52Na época,
00:36:53todos os rames de BH
00:36:54eram a base de frango,
00:36:56a base de galinha,
00:36:57era um caldo mais claro,
00:36:58e eu já trouxe um ramen
00:36:59que vem do norte do Japão,
00:37:01de uma região mais fria,
00:37:02que é de Sapporo,
00:37:04que hoje a gente prepara
00:37:05o Tom Cotes tradicional
00:37:06de Sapporo,
00:37:07que é servido com milho,
00:37:08e ele tem uma curiosidade
00:37:10que difere do resto do Japão,
00:37:12que ele é finalizado
00:37:12com manteiga.
00:37:14Então,
00:37:14deixa ele ainda mais,
00:37:15assim,
00:37:16pra essa época de frio,
00:37:17então,
00:37:17deixa aquela carinha
00:37:19de aconchego,
00:37:21sabe?
00:37:22E aí,
00:37:23eu falei,
00:37:23cara,
00:37:23eu quero trazer outras coisas,
00:37:24não quero ficar preso
00:37:26no Japão ali só.
00:37:28Se eu quiser usar
00:37:29um outro ingrediente
00:37:30que venha de uma outra cultura,
00:37:31um outro molho,
00:37:32um outro prato,
00:37:33que eu possa ter
00:37:34essa liberdade,
00:37:35né?
00:37:35Então,
00:37:35hoje,
00:37:36tanto que é,
00:37:38sempre perguntam,
00:37:38ah,
00:37:39aqui é restaurante japonês,
00:37:40eu falo,
00:37:40não,
00:37:40cara,
00:37:40aqui é um restaurante asiático,
00:37:42porque é isso,
00:37:43a gente não se prende
00:37:45só ao Japão,
00:37:46a influência é fortíssima,
00:37:47é sempre presente,
00:37:48respeito enorme,
00:37:50né?
00:37:50Mas hoje,
00:37:51por exemplo,
00:37:51a gente tem a
00:37:53do Shijang,
00:37:54que é um molho
00:37:55à base de feijão preto
00:37:56fermentado da China,
00:37:58maravilhoso,
00:37:58eu amo,
00:37:59é um dos meus prazos
00:37:59favoritos do cardápio.
00:38:01Ele vai com uma couve
00:38:02chinesa
00:38:03chamada Tatsui,
00:38:04na wok,
00:38:04ela é salteada
00:38:05com amendoim
00:38:06e esse molho
00:38:07de feijão preto
00:38:07fermentado,
00:38:09e por cima
00:38:09vai uma paçoca
00:38:10de carne de porco
00:38:11chinesa,
00:38:12que chama Hulsong,
00:38:13é uma paçoca
00:38:15adocicada
00:38:15de carne de porco,
00:38:17maravilhoso o negócio,
00:38:18muito,
00:38:18muito bom.
00:38:21e a gente tem influência
00:38:22da Tailândia,
00:38:23por exemplo,
00:38:24o nosso,
00:38:24aí eu falei,
00:38:26cara,
00:38:26tem que ter algum peixe cru,
00:38:28eu quero servir
00:38:28um peixe cru,
00:38:29mas vamos brincar
00:38:30com isso,
00:38:31vamos fazer justamente
00:38:32o peixe cru,
00:38:33nada japonês?
00:38:35Aí fui lá
00:38:36para a Tailândia,
00:38:37hoje o nosso cru
00:38:38da casa,
00:38:39ele é servido
00:38:40com um molho
00:38:41que se chama
00:38:41Nandintalé,
00:38:42que é um molho
00:38:43tailandês,
00:38:44a base de molho
00:38:45de peixe fermentado,
00:38:46limão,
00:38:46um molho super
00:38:47refrescante,
00:38:48ele é servido
00:38:48com coentro,
00:38:50manjericão,
00:38:51que curiosamente,
00:38:53esse manjericãozinho
00:38:54de folha miúda
00:38:55que a gente usa
00:38:55no Brasil,
00:38:56a gente aprende
00:38:58a usar na comida
00:39:00italiana,
00:39:00mas esse manjericão,
00:39:02essa espécie
00:39:02que a gente usa,
00:39:03ela na verdade
00:39:03é tailandesa.
00:39:05Eu não sabia,
00:39:06gente,
00:39:06olha.
00:39:07Nos Estados Unidos,
00:39:08por exemplo,
00:39:08eles chamam de Thai Basil,
00:39:10é o basílico tailandês,
00:39:12então ele é muito presente
00:39:14em vários pratos
00:39:15da comida tailandesa,
00:39:16então a gente serve ele
00:39:17com o manjericão fresco,
00:39:19com o coentro,
00:39:21e aí a gente vai passeando
00:39:23pela Coreia,
00:39:25futuramente eu quero botar
00:39:26alguma coisa vietnamita também,
00:39:27que eu amo,
00:39:29e aí a gente vai brincando
00:39:30com isso aí.
00:39:30Às vezes mistura um pouquinho
00:39:31de Japão,
00:39:32um pouquinho de China,
00:39:32um pouquinho de os puristas
00:39:34que me perdoem,
00:39:35mas é minha vez de tentar.
00:39:39E como é que funciona
00:39:40esse seu processo
00:39:41para chegar nas receitas,
00:39:42suas pesquisas?
00:39:44Você já foi
00:39:45a algum país asiático?
00:39:46Já visitou algum lugar?
00:39:48Nunca pisei na Ásia.
00:39:49Isso é uma pergunta
00:39:50que me fazem constantemente.
00:39:51Há quanto tempo
00:39:52você morou lá?
00:39:55Eu ainda não pisei na Ásia.
00:39:57Está nos planos
00:39:58para os próximos um ano,
00:40:00talvez dois,
00:40:01eu consegui ir lá.
00:40:03mas é pesquisa mesmo,
00:40:05o cozinheiro pesquisa comendo.
00:40:08Sim, total.
00:40:09Além de livro,
00:40:11literatura é importantíssima,
00:40:13ainda mais hoje com a internet,
00:40:14que tem uma quantidade
00:40:16cavalar de informação
00:40:18e você fica até perdido.
00:40:19Então, já há muitos anos,
00:40:21alguns estão até lá
00:40:22no restaurante,
00:40:23eu quis deixar algumas referências
00:40:24para que a galera pudesse folhear,
00:40:27entender o processo mesmo,
00:40:28estão lá na prateleira,
00:40:30quem quiser passar,
00:40:31pega, dá uma olhadinha.
00:40:34Mas...
00:40:35E é isso, assim,
00:40:36comendo nesse período
00:40:37em São Paulo,
00:40:38foi incrível.
00:40:40Você continua indo
00:40:41em São Paulo, então, né?
00:40:42Sempre tem que ir.
00:40:43Eu tenho algo,
00:40:44sei lá,
00:40:4525% dos ingredientes
00:40:47que eu uso,
00:40:48eles nem enviam
00:40:50para Belo Horizonte,
00:40:51então eu tenho que ir lá
00:40:51pessoalmente buscar
00:40:53muita coisa, assim.
00:40:55O próprio feijão preto
00:40:56fermentado que eu uso
00:40:57para fazer o molho
00:40:59da Tatiçói,
00:41:00de tempos em tempos,
00:41:01que eu estive lá em março,
00:41:02agora trouxe
00:41:05uma sacola.
00:41:06Meu sócio foi de carro,
00:41:08voltou só ele
00:41:10trazendo as mercadorias,
00:41:11porque não dava
00:41:12para eu vir junto.
00:41:15Eu voltei de avião.
00:41:17Mas é isso, assim,
00:41:18então é muita pesquisa,
00:41:21estudar mesmo, assim.
00:41:22Então, muitas vezes eu vejo,
00:41:23ó, cara,
00:41:24isso aqui é um prato
00:41:25que eu nunca vi.
00:41:26Vamos fazer?
00:41:27Aí combina com a equipe,
00:41:29a gente vai lá,
00:41:29pô, vamos testar.
00:41:30Faz, experimenta.
00:41:32Pô, legal.
00:41:33Segui uma receita certinha.
00:41:36Vamos mudar uma coisinha aqui,
00:41:37vamos fazer assim,
00:41:38vamos fazer assado,
00:41:39vamos entender o prato,
00:41:40vamos pesquisar sobre a história
00:41:41para a gente que está trazendo
00:41:43uma cultura que é nova.
00:41:45entender a história
00:41:46daquilo que a gente está fazendo
00:41:47é muito importante, né?
00:41:49Até para trazer
00:41:50com um contexto ali
00:41:51por que que é assim, né?
00:41:54Igual, ah,
00:41:55pô, a barriga de porco,
00:41:56essa inclusive é spoiler,
00:41:59mas a gente vai trazer
00:42:00uma barriga de porco
00:42:01aí para o cardápio novo,
00:42:02que é uma barriga de porco
00:42:03cozida chinesa,
00:42:05que chama Dong Po Hou,
00:42:07que aí chama Dong Po,
00:42:09que foi popularizada
00:42:10por um poeta chinês
00:42:12que tinha esse nome,
00:42:13ele foi o primeiro
00:42:14brasileiro a produzir
00:42:14essa barriga desse jeito,
00:42:17popularizou o preparo
00:42:19e etc e tal.
00:42:19Então, isso faz parte, né?
00:42:21Porque comida é cultura,
00:42:22você não entender a cultura,
00:42:23você não vai entender
00:42:24nunca a comida, né?
00:42:25Com certeza.
00:42:26E quando você for à Ásia,
00:42:28qual que é o país, assim,
00:42:29que está em primeiro lugar
00:42:30e qual o prato
00:42:32que você já está sonhando
00:42:34comer lá?
00:42:35Nossa, poxa,
00:42:37daí você me pegou
00:42:38de jeito, assim,
00:42:39porque é tanta coisa,
00:42:40mas eu acho que China e Japão
00:42:42são as prioridades, assim.
00:42:44Tá.
00:42:44O Japão, porque é isso, assim,
00:42:46o Japão,
00:42:47quando eu falo de lá,
00:42:48não é só a comida,
00:42:49é a comida,
00:42:49é a bebida,
00:42:50é a etiqueta.
00:42:52Então, assim,
00:42:52acho que hoje ele é o que está
00:42:53mais presente na minha identidade
00:42:56como chefe de cozinha,
00:42:57é o Japão, né?
00:42:59Mas a China também,
00:43:01para mim,
00:43:01é indispensável, assim.
00:43:02A China,
00:43:03acho que de todos os países asiáticos,
00:43:04a China e a Tailândia
00:43:06são os que mais se aproximam
00:43:09do brasileiro, assim,
00:43:11especialmente do mineiro,
00:43:13que aí são sabores mais potentes.
00:43:15O japonês,
00:43:15ele trabalha muito na sutileza,
00:43:18que para a gente,
00:43:19às vezes,
00:43:19é um negócio difícil de entender,
00:43:21sabe?
00:43:21Sim.
00:43:22A China, não.
00:43:22A China já é pancada em tudo,
00:43:25assim,
00:43:25China e Tailândia.
00:43:26A Tailândia é um país tropical,
00:43:28então, assim,
00:43:29você vai comer a sobremesa
00:43:30é coco e manga.
00:43:31Então, são sabores
00:43:32que já são familiares para a gente.
00:43:34Hoje, a gente, inclusive,
00:43:35a sobremesa do Koboshi
00:43:36é baseada nessa,
00:43:38nessa,
00:43:39do Kauniao Mamuan,
00:43:41que é essa sobremesa tailandesa.
00:43:43Mas é isso, assim,
00:43:44acho que China e Japão
00:43:46estão à frente de tudo.
00:43:47E no Japão,
00:43:48comer um tempura perfeito,
00:43:51perfeito,
00:43:52feito por um Itamai,
00:43:53que faz isso há 50 anos,
00:43:55e tomar um sake junto,
00:43:58e acho que ir para o sul da China ali
00:44:01e comer tudo,
00:44:03carne de porco,
00:44:04tudo que estiver bem apimentado,
00:44:06o que não é apimentado,
00:44:08os fermentados,
00:44:09eu acho que, assim,
00:44:10vai ser essa,
00:44:11o ponto alto da viagem.
00:44:13Você vai se perder lá, né?
00:44:15Eu tenho que comprar passagem de volta,
00:44:16assim,
00:44:18daquela que você tem que pagar uma multa
00:44:20se você perder o voo,
00:44:21porque a chance de eu perder é grande.
00:44:22É grande,
00:44:23de querer perder.
00:44:24É, querer perder.
00:44:26E falando sobre peixes,
00:44:29como que é você,
00:44:30a gente vê que você tem essa preocupação
00:44:33de fugir do salmão,
00:44:35do atum,
00:44:36tentar trazer o primeiro,
00:44:37o peixe que está mais fresco, né?
00:44:39Sim, sim.
00:44:39Que eu acho que isso faz toda a diferença,
00:44:42e também de trazer coisas diferentes.
00:44:46Como que é isso no dia a dia,
00:44:48lá, assim,
00:44:49é difícil pensando no fornecimento,
00:44:52e também na ponta,
00:44:53no cliente, assim,
00:44:54o cliente aceita bem
00:44:55essas ousadias,
00:44:57digamos assim,
00:44:58de fugir do básico?
00:45:01É, então,
00:45:02essa é uma proposta, né,
00:45:05que para a gente é muito importante.
00:45:07A gente tem,
00:45:08o Brasil é um dos países do mundo
00:45:10com uma das maiores costas, né?
00:45:12A gente tem uma indústria pesqueira gigantesca
00:45:14e uma variedade enorme de pescados
00:45:17de altíssima qualidade na nossa costa,
00:45:19inclusive muitos são exportados, né?
00:45:22Então, assim,
00:45:22o salmão,
00:45:24não trabalhar com ele,
00:45:26para mim é uma coisa
00:45:26que faz absoluto sentido.
00:45:29Porque é isso,
00:45:29poxa,
00:45:30eu tenho um peixe que está vindo aqui,
00:45:31hoje a maior parte dos nossos pescados
00:45:34que a gente trabalha no restaurante
00:45:35vem da costa do sudeste mesmo,
00:45:37da região de Búzios,
00:45:38por aí.
00:45:40Está ali a, sei lá,
00:45:41600 quilômetros de distância,
00:45:43eu vou trazer um peixe
00:45:43que veio lá do Chile,
00:45:45do outro lado do continente,
00:45:47de outro oceano
00:45:50para cá,
00:45:51para mim não faz sentido.
00:45:53Já começa aí, né?
00:45:54Fora a questão do fomento.
00:45:56Hoje a gente tem
00:45:58dois pratos com pescados
00:46:00frescos no restaurante, né?
00:46:02Um é o sumibi yakizakana,
00:46:05esse é um prato
00:46:05bem purista japonês, né?
00:46:08Que é o peixe grelhado do dia,
00:46:10ele é grelhado no carvão,
00:46:11ele vai com tsuyu,
00:46:13que é um molho
00:46:14que é uma espécie de shoyu temperado,
00:46:16vamos dizer assim,
00:46:18leva katsubushi,
00:46:19alga, várias coisas,
00:46:20e gengibre ralado,
00:46:22que dá uma refrescância.
00:46:23Esse é o que mais varia
00:46:25no restaurante.
00:46:26Eu acho que a aceitação
00:46:27do pessoal que ainda está
00:46:28conhecendo esses pescados,
00:46:30para o peixe,
00:46:31quando ele é grelhado,
00:46:33é mais fácil de assimilar, sabe?
00:46:35Esse varia, assim,
00:46:37às vezes duas vezes
00:46:38na mesma semana.
00:46:39Eu tenho alguns fornecedores,
00:46:42eles trazem para mim,
00:46:43assim, me liga,
00:46:44segunda-feira,
00:46:4510 horas da noite,
00:46:46ô, Vitor,
00:46:47ó, estou aqui,
00:46:48está rolando isso,
00:46:49isso, isso,
00:46:50isso,
00:46:51que está super fresco.
00:46:53O resto não está tão bom.
00:46:55Então, assim,
00:46:55às vezes a semana,
00:46:56ó, Vitor,
00:46:57estou com um olhete aqui
00:46:58de 16 quilos,
00:47:00maravilhoso,
00:47:00quer que leva?
00:47:01Pode trazer.
00:47:03Então, assim,
00:47:03igual essa semana,
00:47:05a gente tem dourado
00:47:06e tainha.
00:47:07A gente está entrando
00:47:08na safra da tainha,
00:47:09agora é uma época
00:47:10muito boa.
00:47:12semana que vem,
00:47:13pode não ter nenhum
00:47:14dos dois mais.
00:47:15Sim.
00:47:15Aí vai ser,
00:47:16semana passada
00:47:16era cavalinha,
00:47:18na anterior era cavala,
00:47:20na anterior era olhete,
00:47:22na anterior era xarel,
00:47:23na anterior,
00:47:24então, assim,
00:47:24cada semana
00:47:25é um peixe diferente.
00:47:26E o atum,
00:47:27o atum,
00:47:28a gente trabalha com ele,
00:47:29né?
00:47:30O atum,
00:47:31hoje a gente trabalha
00:47:32com o atum nacional,
00:47:33ele vem da costa
00:47:34do Rio Grande do Norte,
00:47:35mas o atum,
00:47:37até pela popularização dele
00:47:39dentro do sushi,
00:47:40hoje a gente tem
00:47:41uma cadeia
00:47:42de transporte,
00:47:43de produção
00:47:45muito eficaz
00:47:46dentro do Brasil,
00:47:47inclusive em Belo Horizonte.
00:47:49Então,
00:47:50a gente consegue ter
00:47:51um atum,
00:47:51assim,
00:47:53fresquíssimo,
00:47:53pescado na nossa costa,
00:47:57não perde em nada
00:47:59para o atum importado,
00:48:00inclusive hoje o Brasil
00:48:01é um grande exportador
00:48:03de atum,
00:48:05então aí o atum
00:48:07é um desses peixes
00:48:08convencionais
00:48:09que eu me permito
00:48:09a trabalhar hoje.
00:48:11Mas é brasileiro,
00:48:12isso aí já muda
00:48:14a conversa também,
00:48:15né?
00:48:15Já muda tudo,
00:48:16chega,
00:48:17nunca vi um freezer
00:48:18na vida dele.
00:48:20Olha,
00:48:21eu só sei que esse papo
00:48:22deu fome,
00:48:23então nós vamos fazer
00:48:24uma pausa,
00:48:25vamos ali para a cozinha
00:48:27e voltaremos
00:48:27já já
00:48:29com a mesa aqui
00:48:30com comidinhas,
00:48:31espere por nós.
00:48:34Estamos de volta então
00:48:36e com uma mesa oriental aqui,
00:48:39mudamos aqui,
00:48:41olha,
00:48:41tem rashi,
00:48:42tem copo para saque,
00:48:44o Victor vai explicar
00:48:45tudo isso para a gente
00:48:46e comida,
00:48:47que é o mais importante
00:48:48e saque também.
00:48:50Vitor,
00:48:51aproveitando,
00:48:52eu quero que você apresente
00:48:53esse saque para a gente
00:48:54e já conte,
00:48:55porque você tem
00:48:56uma carta de saques
00:48:57lá no Koboshi
00:48:58e você tem outras bebidas também,
00:49:00né?
00:49:01que são diferentes,
00:49:02asiáticas e tal.
00:49:03Conta um pouco
00:49:04como é que você faz
00:49:05essa curadoria das bebidas
00:49:07e o que você tem
00:49:08de interessante,
00:49:08curioso lá.
00:49:10Beleza,
00:49:10então,
00:49:11igual a gente estava falando,
00:49:13o isakaya,
00:49:14ele é construído
00:49:15no entorno da bebida,
00:49:17então,
00:49:17não existe isakaya
00:49:18sem saque.
00:49:20Hoje,
00:49:21no Koboshi,
00:49:22a gente tem
00:49:23uma carta
00:49:23exclusivamente
00:49:24de saques japoneses,
00:49:25são os melhores saques
00:49:26do mundo.
00:49:27O saque,
00:49:28ele é uma bebida
00:49:29que ela é fermentada,
00:49:30muita gente acha
00:49:31às vezes
00:49:32que é destilada
00:49:33e etc e tal,
00:49:33não é.
00:49:34Ele é uma bebida
00:49:35fermentada
00:49:36assim como o vinho,
00:49:37um processo de fermentação
00:49:38diferente,
00:49:39mas ela é fermentada
00:49:40e além de fermentada
00:49:41ela é diluída
00:49:43depois da fermentação,
00:49:45porque ela sai
00:49:45com um teor alcoólico
00:49:46muito alto,
00:49:47ela é diluída
00:49:49com água pura.
00:49:51E isso é uma das coisas
00:49:52que torna o saque japonês
00:49:54tão especial,
00:49:54que foi um dos motivos
00:49:56pelo qual escolhi
00:49:56ter uma carta de saque
00:49:58exclusivamente japonesa,
00:49:59que diferencia ele
00:50:00do resto do mundo,
00:50:01que é a qualidade
00:50:02da água.
00:50:03O tipo de água
00:50:04do Japão
00:50:06é ideal
00:50:07para a produção
00:50:07de saque.
00:50:09Gente!
00:50:10E muda muito,
00:50:10igual na cerveja,
00:50:11que a cerveja X
00:50:13que é produzida
00:50:14no Rio
00:50:15é muito melhor
00:50:16do que a produzida
00:50:17em Minas,
00:50:18porque é isso,
00:50:18é uma bebida
00:50:20que além dela
00:50:21levar água,
00:50:22ela é diluída
00:50:23com água
00:50:24após a fermentação,
00:50:25então essa água
00:50:26é muito importante.
00:50:27muitas vezes
00:50:27tem saque que é feito
00:50:29com a água
00:50:30de degelo
00:50:32do Monte Fuji
00:50:33ou de fontes minerais
00:50:35muito específicas,
00:50:37as melhores
00:50:38regiões produtoras
00:50:40de saque,
00:50:40as mais importantes
00:50:41do Japão,
00:50:42elas crescem
00:50:43no entorno
00:50:43de aquíferos.
00:50:45Então você tem ali
00:50:49no sul do Japão,
00:50:51por exemplo,
00:50:52o tipo de saque
00:50:52vai ser diferente
00:50:53do norte do Japão,
00:50:56principalmente o terroir
00:50:57da água,
00:50:58nem o arroz
00:50:59influencia também,
00:51:00mas mais a água
00:51:01do que do arroz
00:51:02no final das contas,
00:51:03sabe?
00:51:03Muito legal.
00:51:04E conta pra gente
00:51:05desse que você trouxe
00:51:06e já vamos,
00:51:07já vamos partir
00:51:08pro brinde?
00:51:09Vamos.
00:51:09Vamos começar
00:51:10a experimentar
00:51:12pra saber
00:51:12o que a gente
00:51:12tá falando exatamente?
00:51:14Então,
00:51:15esse aqui
00:51:16é um dos saques
00:51:19muito legais
00:51:19que a gente tem
00:51:20lá na carta,
00:51:22esse daqui
00:51:22é o Roco Xica,
00:51:23tá?
00:51:23É uma sacagura,
00:51:25sacagura são
00:51:26as fábricas de saque,
00:51:28né?
00:51:29É uma sacagura
00:51:30que ela tem
00:51:31em torno aí
00:51:32de 200 anos,
00:51:36né?
00:51:36É um saque
00:51:37de um mai,
00:51:39que significa
00:51:40que é um saque
00:51:40que 100%
00:51:41do álcool dele
00:51:42é proveniente
00:51:42da fermentação,
00:51:44né?
00:51:45Hoje a gente
00:51:46tem uma gama
00:51:46grande de saque
00:51:48de pequenos produtores,
00:51:50de produtores
00:51:50artesanais,
00:51:51a gente tem até
00:51:52saque de fermentação
00:51:54selvagem,
00:51:54que hoje
00:51:55os vinhos
00:51:55estão na moda,
00:51:56né?
00:51:56Os vinhos naturais
00:51:57e hoje
00:51:58a gente já começa
00:51:58a ter no Brasil
00:52:00uma movimentação,
00:52:01a gente tem um parceiro
00:52:02importador de São Paulo
00:52:03que já tá
00:52:03fornecendo isso
00:52:04pra gente,
00:52:05a gente já começa
00:52:06a ter uma movimentação
00:52:07pra esse saque
00:52:07de fermentação
00:52:08natural,
00:52:08né?
00:52:09Então,
00:52:10esse é um saque
00:52:10de um mai
00:52:11é um saque
00:52:12100%
00:52:13o álcool dele
00:52:13é proveniente
00:52:14da fermentação,
00:52:17Ele,
00:52:18a gente tá
00:52:19servindo ele
00:52:20aqui gelado,
00:52:21né?
00:52:22Ele é um saque
00:52:23levemente seco,
00:52:24ele não é um saque
00:52:24muito seco,
00:52:26assim como um vinho,
00:52:27a gente tem saques
00:52:28que são mais doces
00:52:29e saques
00:52:30que são mais secos,
00:52:31tá?
00:52:32Esse aqui,
00:52:32ele tá
00:52:33no limiar ali,
00:52:34ele é levemente seco.
00:52:37Esse copo
00:52:38que a gente
00:52:39tá usando,
00:52:39ele é um copo
00:52:40específico
00:52:40pra degustação
00:52:41de saque,
00:52:42você pode ver aí
00:52:42que ele tem
00:52:43um tom de palha
00:52:44bem levinho,
00:52:46ele é bem
00:52:47translúcido,
00:52:48né?
00:52:49Então,
00:52:49assim,
00:52:49esse hoje
00:52:50é um dos saques
00:52:51mais vendidos
00:52:52do restaurante.
00:52:53Ele é delicioso,
00:52:55pode experimentar aí
00:52:55pra você ver.
00:52:56Japão tem brinde?
00:52:58Tem,
00:52:58kanpai!
00:52:59Vamos lá,
00:52:59kanpai!
00:53:00Kanpai!
00:53:01Opa!
00:53:03Vamos experimentar.
00:53:07Nossa,
00:53:08muito interessante,
00:53:09hein?
00:53:09Realmente,
00:53:11ele...
00:53:11Você vê que ele
00:53:12tem uma doçura.
00:53:13Tem uma doçura
00:53:14bem presente,
00:53:14Ele tem umas notas
00:53:15de pera,
00:53:17de maçã verde
00:53:18também muito presente.
00:53:19A maçã verde
00:53:20é uma nota muito,
00:53:22é relativamente comum
00:53:23em saque,
00:53:24o fenol da maçã verde,
00:53:26né?
00:53:27E você vê que ele
00:53:29é um saque leve.
00:53:30As pessoas,
00:53:31muitos clientes
00:53:32às vezes aparecem lá
00:53:32e falam,
00:53:33ah, não gosto de saque,
00:53:33e saque tem muito gosto
00:53:34de álcool.
00:53:35Gente,
00:53:35saque japonês
00:53:37é outra coisa.
00:53:38Você vê que você não sente,
00:53:39é muito leve.
00:53:40Uma pessoa que gosta
00:53:41de vinho branco,
00:53:43por exemplo,
00:53:44cara,
00:53:45vai gostar de saque japonês,
00:53:46porque é isso,
00:53:46eles são leves,
00:53:47eles são...
00:53:48Você não sente o álcool
00:53:49na boca,
00:53:50você sente esse perfume.
00:53:51Os saques de um maio,
00:53:53eles são,
00:53:53normalmente,
00:53:53eles têm uma complexidade maior,
00:53:56acabam por ter um pouco
00:53:57mais de dulçor também,
00:53:59por conta do tipo
00:54:00de fermentação,
00:54:01né?
00:54:01Os outros que têm álcool
00:54:03adicionado,
00:54:04existem saques excelentes
00:54:05que têm álcool adicionado também,
00:54:07tornam o saque mais seco.
00:54:09Então,
00:54:09você gosta de um vinho
00:54:10mais seco?
00:54:11Vá para esses outros.
00:54:12Vá para o food sushi,
00:54:13para o rondioso.
00:54:14Você gosta de um vinho
00:54:16um pouco mais adocicado,
00:54:18um pouco mais complexo?
00:54:19Aí você vai para os jumai,
00:54:21para os guinjo,
00:54:21para os dai guinjo,
00:54:23eles vão te dar
00:54:23essa complexidade maior
00:54:25aí do arroz.
00:54:26Ótimo.
00:54:27E o que você trouxe
00:54:28para acompanhar
00:54:29esse saque delicioso?
00:54:31Então,
00:54:32hoje a gente tem
00:54:33dois pratos bem diferentes aqui.
00:54:35Hoje a gente tem
00:54:35o crudo,
00:54:36que é
00:54:38o nosso crudo do dia,
00:54:39então o peixe pode variar.
00:54:41Hoje é atum,
00:54:42né?
00:54:43Que foi uma brincadeira
00:54:44que eu quis fazer,
00:54:45que eu falei,
00:54:45cara,
00:54:46eu queria ter um prato
00:54:46de peixe cru,
00:54:48só que está todo mundo
00:54:49acostumado,
00:54:50a coisa mais,
00:54:51o pessoal está mais acostumado
00:54:52a comer de japonês
00:54:53é peixe cru.
00:54:54Sim.
00:54:54Então eu falei,
00:54:55eu vou fazer um peixe cru
00:54:55que não seja japonês.
00:54:57E com shoyu, né?
00:54:58E com shoyu.
00:54:59Então assim,
00:55:00eu não quero nem shoyu
00:55:01e nem nada
00:55:02que seja japonês
00:55:03no peixe cru.
00:55:04Então hoje a gente
00:55:05tem um crudo de peixe
00:55:06com nandintalé,
00:55:08que é um molho
00:55:10típico tailandês,
00:55:11feito especialmente
00:55:12para comer
00:55:13com frutos do mar, né?
00:55:14Ele é um molho
00:55:15à base de
00:55:17namplá,
00:55:18que é molho de peixe
00:55:18fermentado,
00:55:19limão ele leva
00:55:20coentro,
00:55:21então assim,
00:55:21bem refrescante,
00:55:23leva um pouco de pimenta,
00:55:24alho,
00:55:25e ele é finalizado
00:55:27com essas ervas
00:55:28aromáticas
00:55:28muito comuns
00:55:29no sudeste asiático
00:55:31que é o coentro
00:55:31e o manjericão tailandês,
00:55:33que é esse manjericão
00:55:34que a gente está acostumado
00:55:35aqui da folha pequenininha, né?
00:55:37E aqui a gente tem
00:55:39o canil wonton,
00:55:41que é um dumpling
00:55:42inspirado nos dumplings
00:55:45sino-americanos,
00:55:47feitos por imigrantes chineses
00:55:49nos Estados Unidos,
00:55:50que eles passaram
00:55:51a fritar o wonton,
00:55:54e lá eles têm
00:55:55o crab
00:55:56e o wonton crackling,
00:55:59eu acho que eles chamam,
00:56:00que são uns bolinhos
00:56:01bem pequenininhos,
00:56:02rechados com carne de caranguejo
00:56:04frito.
00:56:05Aqui o canil wonton
00:56:06ele é rechado
00:56:07com carne de siri
00:56:09e arraia,
00:56:11aí é legal
00:56:12que esse aqui
00:56:12ele mostra bem
00:56:13o restaurante,
00:56:14que ele é um fusion,
00:56:15assim, fusion mesmo, né?
00:56:17Então,
00:56:17o dumpling é chinês,
00:56:19rechado com siri e arraia,
00:56:20em cima a gente tem
00:56:21uma maionese
00:56:22de naman hoi,
00:56:23que é o molho de ostra
00:56:24tailandês,
00:56:26e finalizado
00:56:27com o katsuobushi,
00:56:29que são essas lâminas
00:56:30de peixe curado
00:56:31e defumado,
00:56:31que é uma das bases
00:56:32da culinária japonesa,
00:56:34então a gente tem
00:56:35três países
00:56:36dentro de um prato
00:56:37tão pequenininho
00:56:38para eu provar.
00:56:39Nossa,
00:56:40vamos lá,
00:56:40então vamos começar
00:56:41pelo crudo, né?
00:56:42Bora lá.
00:56:43E vamos de rashi,
00:56:44não é isso?
00:56:45Isso.
00:56:45Então,
00:56:46olha só,
00:56:46o Vitor trouxe
00:56:47para a gente ter
00:56:48experiência
00:56:48como se fosse
00:56:49num restaurante, né?
00:56:51Exatamente.
00:56:51E você deu
00:56:52a dica do pratinho,
00:56:54como é que é?
00:56:55Qual que é
00:56:56o jeito
00:56:57para a gente comer?
00:56:57É tradicional
00:56:59nos izakayas
00:57:00a gente ter
00:57:01esse pratinho
00:57:01pequeno
00:57:02logo em frente
00:57:03e ele é pequeno
00:57:04por um motivo,
00:57:05ele é feito
00:57:05para você pegar
00:57:06ele na mão,
00:57:07você vai até o prato
00:57:12e você traz
00:57:13junto do pratinho
00:57:14e não precisa,
00:57:16não corre a risco
00:57:17de pingar
00:57:17na mesa
00:57:18ou na roupa
00:57:19e você leva
00:57:20até a boca
00:57:21e come.
00:57:23Olha só,
00:57:24tá vendo?
00:57:25As coisas,
00:57:26tudo tem uma explicação,
00:57:27né?
00:57:27O pratinho
00:57:28não tá ali
00:57:29na mesa
00:57:29à toa.
00:57:30Então é isso,
00:57:31a gente vem aqui
00:57:32e eu busco
00:57:35com o pratinho
00:57:36e traz até a boca.
00:57:39Pensa,
00:57:40se todo mundo
00:57:40fizesse isso
00:57:41na hora de comer
00:57:41o sushi,
00:57:42ia ter muito menos
00:57:43mancha por aí.
00:57:46Com certeza.
00:57:47Com certeza,
00:57:48é feito para isso.
00:57:49Nossa,
00:57:50o molho
00:57:50é muito saboroso.
00:57:52Curtiu?
00:57:52Muito.
00:57:53Ele é muito refrescante,
00:57:54muito mami
00:57:55ao mesmo tempo.
00:57:57igual eu tava falando
00:57:58na Tailândia,
00:57:58é um país tropical,
00:57:59né?
00:57:59Então assim,
00:58:00conversa muito
00:58:01com o Brasil isso.
00:58:02Se você pensar
00:58:03esse prato
00:58:04tirando o molho
00:58:05do peixe,
00:58:06todos são ingredientes
00:58:07muito familiares,
00:58:09tirando o molho
00:58:10de peixe fermentado.
00:58:11É limão,
00:58:12é alho,
00:58:13é coentro,
00:58:13é cebola.
00:58:14Então assim,
00:58:15é quase uma muqueca
00:58:17o negócio,
00:58:18no final das contas.
00:58:19E esse é o atum brasileiro,
00:58:21fresquíssimo,
00:58:22não é isso?
00:58:23Fresquíssimo,
00:58:23esse vem da costa
00:58:24do Rio Grande do Norte,
00:58:26no coboche a gente recebe
00:58:27normalmente dia sim,
00:58:28dia não,
00:58:29então ele tá sempre fresco,
00:58:30sempre fresco.
00:58:32Isso, gente,
00:58:32faz muita diferença,
00:58:34né?
00:58:34Na hora que a gente come,
00:58:35a gente percebe,
00:58:36a gente sente mesmo,
00:58:37né?
00:58:38Textura,
00:58:38sabor,
00:58:39é outra história, né?
00:58:40O peixe fresco,
00:58:41ele tem gosto
00:58:41e tem cheiro de mar.
00:58:44Se ele não tem cheiro
00:58:45e gosto de mar,
00:58:46ele não tá fresco mais.
00:58:48Ele tem que ter gosto
00:58:49e cheiro de mar.
00:58:51É,
00:58:51então é bom a gente
00:58:51ficar atento com isso,
00:58:52pra não ser enrolado aí,
00:58:55né?
00:58:55Comer coisa que não tá fresca,
00:58:57né?
00:58:57Esse é o primeiro sinal.
00:58:59Vamos pro próximo,
00:59:00então?
00:59:01Vamos lá,
00:59:02esse aqui pode pegar
00:59:03com a mão,
00:59:04com o rashi,
00:59:04como preferir.
00:59:06Ó,
00:59:07nossa,
00:59:08olha que delícia.
00:59:09E o katsuobushi,
00:59:11não é isso?
00:59:13Como é que é o nome certo?
00:59:14katsuobushi.
00:59:15Katsuobushi.
00:59:16Isso.
00:59:17Não sei se vocês conseguiram
00:59:18reparar,
00:59:19ele se mexe, né?
00:59:21Porque é uma lâmina
00:59:22muito fininha,
00:59:23então ele vai,
00:59:24o calor,
00:59:26o vento.
00:59:26O calor e o vapor,
00:59:27a umidade vai fazendo
00:59:28ele movimentar.
00:59:29A galera,
00:59:29às vezes,
00:59:29até assusta,
00:59:30assim,
00:59:30eles adoram filmar
00:59:31o katsuobushi mexendo,
00:59:33porque é isso,
00:59:34assim,
00:59:34ele é muito fininho,
00:59:37ele é um peixe,
00:59:37katsu significa bonito,
00:59:39sabe aquele peixe bonito,
00:59:40que parece um atum?
00:59:41Esse é o bonito seco.
00:59:43Ele é sempre preparado
00:59:45com o bonito.
00:59:47E ele,
00:59:48como ele passa por um processo
00:59:50muito longo de produção,
00:59:51é um ano para produzir
00:59:53o katsuobushi,
00:59:54ele fica muito duro
00:59:56e muito seco.
00:59:56Aí eles passam numa plana,
00:59:57tipo uma plana de madeira mesmo,
00:59:59e tiram essas lâminas finíssimas
01:00:01para a gente conseguir comer
01:00:02e aproveitar.
01:00:03Nossa,
01:00:04é delícia.
01:00:04E ele já tem
01:00:06um cheiro,
01:00:07já,
01:00:07de peixe,
01:00:09assim,
01:00:09muito marcante,
01:00:11E de defumado também.
01:00:13Agora,
01:00:14uma outra curiosidade
01:00:15sobre isso aqui,
01:00:16é que
01:00:18no início do século,
01:00:20no final do século XIX,
01:00:21início do século XX,
01:00:23um médico japonês,
01:00:25a base da comida japonesa
01:00:27é o dashi,
01:00:28que é um caldo feito
01:00:29de alga kombu
01:00:30e katsuobushi.
01:00:33Ele é usado
01:00:34em quase todos
01:00:35os pratos japoneses.
01:00:37E um médico,
01:00:38um dia,
01:00:38intrigado com isso,
01:00:39ele quis entender
01:00:40por que que o dashi
01:00:43dava esse sabor
01:00:44e transformava
01:00:45qualquer prato
01:00:46em um prato delicioso.
01:00:47E durante esse processo,
01:00:48ele conseguiu isolar
01:00:50uma molécula
01:00:53de um negócio
01:00:54chamado ácido glutâmico,
01:00:57que então,
01:00:59ele conseguiu sintetizar
01:01:00e fez um negócio
01:01:02chamado glutamato monossódico.
01:01:05Então,
01:01:05o início de tudo,
01:01:07do realçador de sabor
01:01:08é isso aqui.
01:01:09Esse é o ancestral
01:01:10do glutamato monossódico.
01:01:13Ele conseguiu,
01:01:14no caso,
01:01:14isolar do katsuobushi,
01:01:17que é o...
01:01:18e da alga kombu,
01:01:20que usa para fazer o dashi.
01:01:21Então,
01:01:21sem isso aqui,
01:01:22hoje a gente não teria
01:01:23nenhum realçador
01:01:24de sabor no mercado.
01:01:26Nossa,
01:01:26impressionante, né?
01:01:27E ele tem o glutamato
01:01:30naturalmente, né?
01:01:31Nossa, gente,
01:01:32está maravilhoso, tá?
01:01:37Nó!
01:01:39Nó!
01:01:40É muito sabor!
01:01:43Um recheio delicioso!
01:01:45O recheio ainda leva
01:01:46um pouco de curry
01:01:47do irlandês.
01:01:48Então,
01:01:48ele dá essa...
01:01:50Maravilhoso!
01:01:53Olha,
01:01:54eu sugiro que você
01:01:55vá lá no katsuobushi
01:01:56para experimentar,
01:01:58porque...
01:01:58Está no cardápio,
01:01:59não é isso?
01:02:01Inclusive,
01:02:03você soltou aí
01:02:04um spoiler
01:02:05de uma mudança
01:02:06de cardápio.
01:02:08Então,
01:02:08você vai ter que
01:02:09contar mais para a gente.
01:02:11O que você está
01:02:11programando aí?
01:02:12Quando vai ter
01:02:13essa virada de cardápio?
01:02:14Então,
01:02:15o frio está chegando, né?
01:02:16Na verdade,
01:02:17chegou já,
01:02:18assim,
01:02:18de certa forma.
01:02:19Sim!
01:02:20Então,
01:02:21a gente está querendo
01:02:21dar...
01:02:22A gente trouxe
01:02:23essa primeira temporada,
01:02:24a gente abriu em dezembro,
01:02:26que é o ápice do calor
01:02:27em Belo Horizonte.
01:02:28Então,
01:02:28a gente trouxe
01:02:29muitos pratos
01:02:30que são refrescantes,
01:02:31né?
01:02:33Então,
01:02:33agora,
01:02:35para complementar
01:02:35essa atmosfera
01:02:37acolhedora,
01:02:38porque é isso,
01:02:39né?
01:02:39É um restaurante
01:02:39que ele não tem
01:02:40mesa na calçada,
01:02:42então,
01:02:42tem as cortininhas
01:02:43na porta,
01:02:44então,
01:02:44você entra
01:02:45é aquele clima
01:02:46de aconchego.
01:02:47A ideia
01:02:48é trazer pratos
01:02:49que vão complementar
01:02:51isso
01:02:51com o calorzinho
01:02:53deles ali,
01:02:54muito vapor,
01:02:56a gente quer trazer
01:02:56alguns dumplings
01:02:58diferentes,
01:02:59alguns hamens
01:03:00diferentes,
01:03:01é uma época
01:03:01onde o pessoal gosta
01:03:02muito de tomar o ham
01:03:03para dar uma aquecida,
01:03:04né?
01:03:05E para complementar
01:03:07as bebidas também,
01:03:08que agora também
01:03:09a gente tem
01:03:09shochus,
01:03:10que são destilados
01:03:11japoneses,
01:03:12a gente está começando
01:03:13a trazer alguma coisa
01:03:14de bebida chinesa
01:03:15também para o cardápio.
01:03:16Olha,
01:03:16legal!
01:03:17Coisas que em Belo Horizonte
01:03:18nunca teve antes,
01:03:19tipo o baju,
01:03:21essa semana eu recebi
01:03:22um curiosíssimo,
01:03:23que é um licor
01:03:24de folha de bambu.
01:03:26Nunca te ouvi falar.
01:03:26Eu nunca tinha ouvido falar,
01:03:28falei,
01:03:28cara,
01:03:28eu vou pegar uma garrafa
01:03:29para ver qual que é,
01:03:30uma delícia,
01:03:31inclusive,
01:03:32muito bom.
01:03:33Interessante,
01:03:33então,
01:03:33você está ampliando também
01:03:34sua gama de bebidas,
01:03:36né?
01:03:37Tanto de bebidas,
01:03:38quanto de comida,
01:03:39a gente vai ter bastante
01:03:40coisa nova.
01:03:40Vou dar mais uma gerada
01:03:41na carta de saquê também,
01:03:43trazer uns outros
01:03:43saquês diferentes,
01:03:45trazer um saquê de inverno,
01:03:46que é o nigori,
01:03:48que ele é um saquê
01:03:49não filtrado,
01:03:50então ele é leitoso,
01:03:51é muito legal,
01:03:53também é considerado,
01:03:55eles brincam com isso,
01:03:56né?
01:03:56De saquê de inverno,
01:03:57que ele parece a neve
01:03:58dentro da garrafa ali,
01:03:59é muito,
01:04:00muito legal.
01:04:01Legal!
01:04:01Notam,
01:04:02vem muitas novidades
01:04:03por aí,
01:04:03Vem muita coisa nova
01:04:04por aí nos próximos dias.
01:04:06E, Vitor,
01:04:07para a gente encerrar,
01:04:09no início do ano,
01:04:10a gente fez uma matéria
01:04:11falando sobre as nossas
01:04:13apostas para 2026,
01:04:15quem que a gente achava
01:04:16que ia se destacar?
01:04:17E você estava na lista,
01:04:20e, pelo que a gente tem visto,
01:04:21você está num momento
01:04:22muito brilhante
01:04:24da sua carreira,
01:04:25né?
01:04:25Para você,
01:04:272026 é o seu ano?
01:04:30Com certeza,
01:04:31com certeza.
01:04:32É o que eu sempre falo,
01:04:34né?
01:04:34Muito melhor que ontem,
01:04:36e se tudo der certo,
01:04:38pior do que o ano que vem.
01:04:41É isso,
01:04:42assim,
01:04:43está sendo maravilhoso
01:04:44até agora,
01:04:45está sendo excelente,
01:04:46nada a reclamar,
01:04:47só agradecer.
01:04:49E vem,
01:04:50né,
01:04:50Koboshi aí,
01:04:51vai vir com tudo aí,
01:04:54que bom.
01:04:56Vamos com tudo,
01:04:57e trazendo coisa nova
01:04:58sempre que possível,
01:04:59se deixar,
01:04:59eu trago coisa nova
01:05:00todo dia,
01:05:02que eu adoro.
01:05:02E a gente gosta.
01:05:03É isso.
01:05:05Ótimo,
01:05:05muito obrigada
01:05:06pela sua presença,
01:05:08a gente ficou muito feliz,
01:05:09viu,
01:05:09de ter você aqui,
01:05:10de você compartilhar
01:05:11um pouco do seu conhecimento,
01:05:12da sua comida,
01:05:13obrigada mesmo.
01:05:14O prazer é todo meu,
01:05:16estar com vocês aqui
01:05:17é sempre maravilhoso,
01:05:19espero te receber de novo
01:05:20no nosso balcão lá,
01:05:21para a gente poder bater
01:05:22mais um papo,
01:05:23vai ser um prazer.
01:05:23Com certeza,
01:05:24voltarei no novo cardápio.
01:05:26Por favor,
01:05:27valeu.
01:05:27E obrigada a você também,
01:05:29que acompanhou esse papo,
01:05:31em breve a gente volta
01:05:32com um novo episódio,
01:05:33e enquanto isso,
01:05:35você acompanha
01:05:36o nosso conteúdo
01:05:36no Jornal Impresso,
01:05:38às segundas e às quintas,
01:05:40no site
01:05:41em.com.br
01:05:42barra degusta
01:05:44e também no Instagram,
01:05:45a gente está lá
01:05:46no arroba degusta.em.
01:05:48Até o próximo então.
01:05:50Tchau.
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