- há 1 hora
Ela transformou tradição, técnica e sensibilidade em um dos restaurantes japoneses mais respeitados do Brasil!
Telma Shimizu é a chef à frente do Aizomê — com unidades nos Jardins e na Japan House São Paulo — e uma das maiores referências da culinária japonesa contemporânea no país.
Embaixadora da Culinária Japonesa pelo governo do Japão, finalista do Latin America’s 50 Best Restaurants e responsável pelos jantares oficiais do Consulado do Japão, Telma construiu uma trajetória marcada por excelência, identidade e pioneirismo feminino na gastronomia.
No papo com Manu e Gabe, Telma revela os bastidores da criação do Aizomê, os desafios de empreender com autenticidade, a importância da técnica e da sazonalidade, a construção de uma marca sólida ao longo de 18 anos, o papel da diplomacia gastronômica e sua visão sobre o futuro da cozinha japonesa no Brasil.
Siga nas redes sociais:
Telma Shimizu – https://www.instagram.com/telmashiraishi/
Hosts:
Manu Carvalho – https://www.instagram.com/manucarvalho/
Gabriel Carvalho – https://www.instagram.com/gabrielopcarvalho/
Match Gastronômico – https://www.instagram.com/match.gastronomico/
JP Entretenimento – https://www.instagram.com/jovempanentretenimento/
Telma Shimizu é a chef à frente do Aizomê — com unidades nos Jardins e na Japan House São Paulo — e uma das maiores referências da culinária japonesa contemporânea no país.
Embaixadora da Culinária Japonesa pelo governo do Japão, finalista do Latin America’s 50 Best Restaurants e responsável pelos jantares oficiais do Consulado do Japão, Telma construiu uma trajetória marcada por excelência, identidade e pioneirismo feminino na gastronomia.
No papo com Manu e Gabe, Telma revela os bastidores da criação do Aizomê, os desafios de empreender com autenticidade, a importância da técnica e da sazonalidade, a construção de uma marca sólida ao longo de 18 anos, o papel da diplomacia gastronômica e sua visão sobre o futuro da cozinha japonesa no Brasil.
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Categoria
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DiversãoTranscrição
00:00Olá, olá, bem-vindos ao MET Gastronômico, o maior programa de gastronomia e empreendedorismo do Brasil.
00:13Eu sou a Manu Carvalho.
00:14Eu sou o Gabriel Carvalho e a gente está aqui de novo para explorar o sabor de sucesso e aprender com histórias inspiradoras.
00:19E olha, nossa convidada de hoje é uma chefe que transformou tradição, sensibilidade e identidade em um negócio muito premiado.
00:26É isso. A frente do Aizome, com um histórico impressionante como embaixadora da culinária japonesa aqui no Brasil, ela é verdadeira líder do setor.
00:34E além disso, foi finalista do Latin America 50 Best Restaurants em 2021 e também tem uma cozinha que encanta o público e crítica.
00:44É isso aí. Seja muito bem-vindo ao MET Gastronômico, Thelma Shimizu.
00:49Que agradeço. Convite.
00:50Uma aula sobre gastronomia japonesa, sobre esse setor que encanta tanto os paulistas, né?
00:56Acho que faz parte da vida do paulistano.
00:59Faz parte, é sucesso, comida japonesa, né?
01:03Com certeza.
01:04Não tem como vir a São Paulo e não estar dentro do ambiente de culinária japonesa.
01:08E a gente é reconhecido por isso, né, Gabi, aqui.
01:11Mas antes da gente começar, não esqueça de seguir a gente nas redes sociais, que é arroba match.gastronômico.
01:17E se inscreva também no canal do YouTube para não perder nenhum episódio, porque tem muita gastronomia aí com a gente, né?
01:24Isso aí. Thelma, conta para o pessoal que está em casa quais são suas redes também.
01:28O pessoal poder seguir o Aizomer, seguir a Thelma, saber o que está acontecendo por aí.
01:33Você é uma postadora, Thelma?
01:35Muito pouco. Eu postei muito na pandemia.
01:38Eu acho que depois eu peguei um pouco de ranço de redes sociais.
01:41Mas sim, as redes do restaurante são muito ativas.
01:44Então, para quem quiser seguir o Instagram, é o arroba Aizomer Restaurante.
01:49E eu tenho a minha conta pessoal, Thelma Shiraishi.
01:52Dá uma certa confusão, porque todo mundo me conhece como Thelma Shiraishi.
01:55Só que esse ano eu mudei, retornei para o meu sobrenome de família, que é Chimiza.
02:00Por quê?
02:00Uma mudança recente.
02:02Uma mudança recente.
02:03Numerologia?
02:04Não.
02:05Eu me descasei.
02:07Ah, entendi.
02:08Eu voltei a ser solo no restaurante também.
02:10Porque é uma decisão difícil, né?
02:13Até teve uma blogueira recentemente que ela era muito reconhecida com o sobrenome do marido.
02:18E refazer o nome com um nome novo é mais difícil, né?
02:23Sim, mas eu acho que é cada vez mais frequente isso, né?
02:26O concerto está cada vez mais fácil, né?
02:28Porque a rede social hoje em dia amplifica a comunicação e acelera muito a disseminação da informação.
02:32É, a própria Janaína, né?
02:34Que agora é Torres.
02:35É isso.
02:36Coeda, né?
02:37E até hoje...
02:38E está um bom exemplo de que está funcionando, porque as pessoas já têm falado Janaína Torres.
02:43É isso.
02:44E eu reconheço quando alguém fala, Janaína Torres, eu não me sou estranho.
02:47Ah, tá, Janaína...
02:48Eu me casei, mas eu aprendi.
02:50Eu mantenho o meu nome de solteiro.
02:51Pois é, mas na minha geração, na minha época, não era estranha, né?
02:55Na minha geração foi mais fácil, porque a minha esposa tinha o meu sobrenome.
02:58Então, manteve.
02:59É só.
03:00Aí ficou assim.
03:00Muito bom.
03:01Eu não conheço ela, meu nome, continuou o meu nome, ficou mais simples.
03:04Facilitou as coisas em casa.
03:05Thelma, primeiramente, muito obrigada por estar aqui com a gente.
03:08A sua cozinha, ela é baseada em identidade, delicadeza, tradição.
03:12Como é que foi essa sua conexão com a culinária japonesa?
03:18Desde que eu abri o Exome, eu tinha muito claro que eu queria trazer uma culinária japonesa
03:23mais conectada às minhas raízes, que veio através dos meus avós, imigrantes,
03:28que cruzaram o mundo, né?
03:30Vindo do Japão para o Brasil.
03:31E o que eu via na época, né?
03:34Porque essa popularização da culinária japonesa é algo muito recente aqui no Brasil.
03:39Apesar da gente ter a maior comunidade japonesa fora do Japão, o que a gente aprendeu a conhecer
03:45como culinária japonesa foi principalmente sushi, né?
03:50Quase que unicamente sushi.
03:52Se você pergunta o que é culinária japonesa, é sushi.
03:55A primeira associação é sushi.
03:56É peixe cru.
03:58E, assim, a gente não honrou algo direto do Japão, e muito menos o que os imigrantes
04:06trouxeram com eles.
04:07A gente acabou, na verdade, adotando o sushi, que fez uma escala nos Estados Unidos.
04:13Por isso que, quando se popularizou a culinária japonesa no Brasil,
04:18você tinha salmão com cream cheese, né?
04:22Califórnia mac, Philadelphia roll, hot roll.
04:26E algo que, para mim, não fazia sentido.
04:28Que era um pouco a influência, então, americana na culinária japonesa.
04:32Americana, sim.
04:32Faz todo sentido.
04:34Porque popularizou os modelos, né?
04:36Mais fritos, né?
04:36Mais negócio.
04:37Creme em Philadelphia.
04:38Hot roll, cara.
04:39Total, faz todo sentido.
04:40Então, não é japonês e nem brasileiro.
04:42Você usa ingredientes que não são nem do Japão, nem do Brasil.
04:45Então, quando eu comecei, eu já tive, né?
04:50Essa visão de querer fazer algo mais conectado às raízes.
04:54E depois o Aizomir foi evoluindo muito.
04:56Para hoje, que é contar a história dessa comunidade.
05:01E o Aizomir veio disso, né, Thelma?
05:03Ele nasceu com uma ideia de ser uma gastronomia muito autêntica japonesa.
05:08Mas ele também teve, desde o nascimento, um foco em gestão muito grande, né?
05:14Pelo menos é o que a gente vê por aí.
05:18Como é que foi essa história?
05:19Tipo, vou montar um restaurante, agora eu tenho que deixar de só cozinhar e tocar um negócio.
05:23Que é o que é o Aizomir hoje.
05:25Então, o restaurante é um negócio.
05:27Então, você tem que pensar na sustentabilidade.
05:29O Aizomir já vai fazer 20 anos.
05:32Passei por muitas dificuldades, com certeza, ao longo desses anos todos.
05:38Desde o começo, eu que cuidava da parte administrativa.
05:41Então, assim, eu fiz muito bastidor de restaurante.
05:44Mas o Aizomir começou pequenininho.
05:47Um restaurante com 40, 50 lugares, sem palata na porta.
05:52No começo, só se falava japonês.
05:55Porque eu já abri mirando todo aquele público do consulado japonês,
06:00que fica a poucas quadras aqui na Avenida Paulista.
06:03Bem na fonte do seu público.
06:06E os diretores e presidentes das empresas japonesas.
06:10Que frequentavam o programa.
06:11E tem a sede aqui na Avenida Paulista também.
06:14E, principalmente, tentando replicar os pratos, os sabores que eles tinham saudades do Japão.
06:20E que você encontrava, assim, em restaurantes tradicionais, ali no bairro da Liberdade.
06:25Só que eles queriam, às vezes, um ambiente também mais corporativo, né?
06:31Onde eles pudessem trazer os clientes, fechar negócios.
06:35Então, o Aizomir também se tornou um restaurante onde você tinha muitos almoços e jantares de negócios.
06:41Que legal.
06:42Mas lá no início, eu gosto de contar essa história.
06:46O Aizomir era mais um isakaya.
06:47Era mais um boteco japonês.
06:49Jura?
06:49Então, é...
06:51Ou seja, com muita comida quente, muito espetinho.
06:55Sim.
06:55Não espetinho, mas pratos quentes, né?
06:58Principalmente.
06:58Porque eu sou cozinheira.
07:00Essa, aliás, é outra diferenciação.
07:02Eu ficava na cozinha ou ficava na gestão.
07:05Eu ia até perguntar isso.
07:07Da onde que veio, né?
07:09Todo esse seu know-how com a culinária japonesa.
07:13Assim, desde pequena você cozinha?
07:15Sempre gostei de cozinhar.
07:16Meus pais também sempre gostaram de cozinhar, de receber em casa.
07:21Então, eu estava sempre metida nas cozinhas.
07:24E eu tinha duas referências muito fortes também das minhas avós, né?
07:28Que vieram do Japão, né?
07:31Imigrantes.
07:32Uma avó não gostava de cozinhar de forma alguma.
07:36Mas ela lia e escrevia.
07:38Fazia os versos japoneses, né?
07:39Então, eu sempre via ela mergulhada, fugindo da cozinha, mas mergulhada nos livros.
07:44Que é algo que eu tenho muito forte.
07:46Na minha vida, na minha família, de ler muito, estudar, pesquisar.
07:52Agora, a outra avó, sim.
07:54Apesar de ser uma mulher forte também e ajudar nos negócios da família.
07:59Eu ficava fascinada com a cozinha dela.
08:01Porque ela tinha muitos apetrechos que a gente não via em nenhuma outra cozinha.
08:05E eu via ela nas festas de família, varando à noite, cozinhando, fazendo sushi, aquele sushi caseiro, né?
08:13E os cheiros, os ingredientes, né?
08:16Ela fazia missô, fazia conservas, fazia muita coisa.
08:21É artesanal na cozinha.
08:23E foi daí que você foi se inspirando e aprendendo.
08:27Das duas avós e das minhas mães, da minha mãe e das minhas tias.
08:31Uma curiosidade, Thelma.
08:32Você se rendeu ao Filadélfia em algum momento ou não?
08:35Não.
08:36O Aizomê.
08:36O Aizomê, nesses quase 20 anos de restaurante, nunca teve sushi de salmão.
08:43Nunca teve visão.
08:44No cardápio.
08:45Que muita gente não sabe, mas salmão no Japão não é tão referência assim como um peixe bom, né?
08:53Eu não sei, eu nunca fui para o Japão, mas eu já escutei histórias aí dos meus pais que foram
08:57que salmão não é um peixe tão visto como bom, né?
09:01É que foi popularizado recentemente também, né?
09:05Na verdade, se você pensar a origem do sushi, principalmente esse que conquistou o mundo,
09:10que é o nigirizushi, né?
09:12Que é o bolinho de arroz com uma fatia de pescado fresco, fruto do mar em cima, é algo
09:18muito recente.
09:19É do século XIX, ali na Baía de Tóquio.
09:22É o que a gente chama de estilo Edomai de sushi.
09:26Perfeito.
09:26A gente teve essa aula aqui com o Vais.
09:29Isso, o Vais, então.
09:31É um dos brasileiros que se destacam aí.
09:33E que vai todo ano pro Japão, né?
09:35Exato.
09:36Quando você vai ver a origem do sushi ali na Baía de Tóquio, não tem salmão ali.
09:40Você tem salmão no Japão, mas principalmente ali no Norte.
09:44Só que você imagina, né?
09:46Um país milenar.
09:48E na época que não tinha refrigeração.
09:51Como é que você tinha esse sushi que a gente come hoje?
09:54Não tinha.
09:55Eram outras técnicas, eram outros testados.
09:58O que eu sempre escutei é isso.
09:59Que o grande motivo do salmão não ser um peixe tão...
10:03Enfim, tão bem visto.
10:06Popular, vai.
10:06O salmão é tão popular no sushi Edomai.
10:09É porque o salmão se vende congelado em grandes volumes e etc.
10:14E que o peixe normal do niger sushi, que é o dia-a-dia lá do japonês,
10:21normalmente é o fresco do mercado.
10:23E que o salmão não tem fresco no mercado.
10:25Você compra do produtor.
10:27Enfim, é um outro bicho.
10:29Então, eu sempre escutei isso.
10:31O que se come normalmente nos restaurantes japoneses,
10:34ainda não consegui ir, é um sonho.
10:35Um dia a gente vai poder visitar.
10:38É muito isso.
10:39É o peixe fresco do dia.
10:40Sim, é o pescado local.
10:42Não fazendo parte dessa...
10:44É o pescado local, sazonal.
10:45E quando eu mergulhei fundo na culinária japonesa,
10:48porque foi isso, foi um estudo,
10:50foi um mergulho muito profundo.
10:52E não é só a receita.
10:53Não é só a comida, os pratos, as técnicas.
10:57Mas estudar muito essa questão cultural e da filosofia
11:01e dos princípios da cozinha.
11:04Então, eu realmente tive que estudar muito.
11:07História, geografia, filosofia, cultura, tradição.
11:12Porque, queira ou não,
11:14comer e cozinhar no Japão
11:16é uma das formas mais fortes dessa expressão.
11:19Inclusive, eu vou querer provar um pouquinho do que tem aqui, Thelma.
11:22Por favor.
11:23A gente trouxe aqui uma amostra.
11:23Estou vendo aqui que tem um atu, tem um carapau, tem um...
11:26Isso, tem pargo, tem linguado.
11:30Está bonito o negócio aqui, Manu.
11:32O Gab está algum tempo sem comer, gente.
11:34Minha sócia, Manu, está aqui, ainda não pode comer.
11:37Grávida, né?
11:38Mas eu não tenho esse problema.
11:40Como é que as grávidas fazem...
11:42Como é que as grávidas fazem no Japão?
11:46Come?
11:47Então, é que as pessoas têm essa noção
11:49de que comida japonesa é baseada em sushi e peixe cru.
11:53E não é.
11:53É uma especialidade, né?
11:56Até no Japão é um prato para ocasiões especiais
11:59ou você vai numa casa especializada em sushi,
12:03senta no balcão e come sushi.
12:05Hoje, lógico, está mais popular mesmo no Japão, né?
12:09Você tem sushi nas lojinhas de conveniência.
12:13Você tem sushi até no supermercado.
12:16Eles montam na hora bandejas para você levar para casa.
12:20Mas não é um prato do dia a dia.
12:22A comida do dia a dia no Japão
12:24é, na verdade, o que eu tento apresentar no Aizomê.
12:28Entendi.
12:28E eu, como cozinheira, eu quis mostrar
12:30toda a outra variedade e diversidade
12:33da culinária japonesa,
12:35o que os japoneses realmente comem.
12:37Sabe o que você pegou num ponto, Thelma,
12:39que eu acho muito interessante?
12:40Eu acho que o brasileiro tem a tendência
12:42de quando ele importa alguma cultura culinária,
12:45ele não importa a cultura culinária
12:47do dia a dia daquele local.
12:49Porque eu lembrei um pouco da história
12:50da comida italiana.
12:52A gente vai muito,
12:53acho que a grande maioria dos restaurantes italianos
12:55do Brasil vendem muito a ideia da massa fresca
12:59e feita no dia e etc.,
13:03que são para momentos de grande, enfim, festa,
13:07ou momentos de celebração.
13:08Ou quando você faz em casa, talvez,
13:10a nona vai lá, mas mesmo assim não é.
13:12Ela não faz no dia a dia.
13:13Ela não tem todo dia que ela pode bater massa
13:15e separar e preparar e passar num extrusor
13:17ou abrir um macarrão.
13:19A comida do dia a dia do italiano é a massa seca.
13:22E eu acho que é isso.
13:23Acho que o brasileiro tem essa tendência
13:25de quando ele importa uma cultura culinária,
13:28ele acaba importando a cultura culinária
13:30dos grandes eventos ou dos grandes momentos
13:32ou das celebrações,
13:33e não necessariamente a do dia a dia.
13:35Sim.
13:36E eu acho que quando alguém consegue trazer
13:37a comida do dia a dia,
13:39se destaca muito aqui no mercado do Brasil,
13:41porque fica operando meio sozinho
13:43dentro desse setor.
13:44É, eu quis me especializar.
13:46Eu poderia fazer sushi?
13:47Eu poderia ter estudado
13:49para seguir o caminho do sushi?
13:51Poderia, mas o que eu via,
13:54que o meu público inicial,
13:56dois japoneses, sentiam falta,
13:58eram dessas preparações,
14:00sem ser sushi.
14:01Eles queriam uma comida que eles comem lá.
14:04Para eu me diferenciar,
14:06quantos sushi e chocunin,
14:08aliás, eu me recuso a falar sushi man.
14:10Olha só o termo.
14:12É, é, sushi man.
14:14Ainda bem que você avisou antes,
14:15porque eu já ia falar.
14:16É um termo.
14:16É um termo.
14:17Eu já dei uma gafe no começo do programa.
14:21Já passei minha conta.
14:22Já passou.
14:22Mas é um termo em inglês.
14:24O termo em japonês é sushi e chocunin,
14:26ou artesão do sushi,
14:28alguém dedicado ao sushi.
14:29Mas é uma observação importante, Thelma,
14:33que eu percebo aqui,
14:35é que a grande maioria dos chefes japoneses,
14:38ou que tem restaurante japonês,
14:39como, por exemplo, o Vaz,
14:41eles falam muito da técnica.
14:44E você, em nenhum momento,
14:46falou da técnica,
14:47mas sim da cozinha,
14:48de você ser uma chefe,
14:51que aprendeu em casa
14:53e sabe outras técnicas,
14:55não só do sushi,
14:57como você estava falando,
14:59de pratos quentes.
15:00E começou com pratos quentes, né?
15:02Comecei com pratos quentes,
15:03mas sim,
15:04é muita técnica.
15:05Agora, o que as pessoas não entendem,
15:07que a culinária japonesa também,
15:10ela é simples.
15:12Mas isso não quer dizer que é fácil,
15:14porque exatamente...
15:15Simples, mas não se plório, né?
15:16Simples, é o mais difícil.
15:18Por quê?
15:19É muito baseada no ingrediente,
15:21de você entender, né?
15:23De você ter um bom ingrediente,
15:24local, da estação.
15:26Então, o meu arsenal de técnicas, né?
15:30O meu arsenal de temperos,
15:32é o que eu vou usar
15:33para emoldurar aquele sabor,
15:35aquele ingrediente.
15:36Eu não posso atropelar.
15:37Minha responsabilidade como chefe,
15:39aliás,
15:40é não estragar o que já é naturalmente bom.
15:42Então, isso é uma base,
15:46uma essência dessa filosofia japonesa
15:48que eu fui entender.
15:50É sutil, sim,
15:51mas é muito de respeito, principalmente,
15:53né?
15:53E de gratidão pelo alimento.
15:56Então, é isso que a gente tenta passar, né?
15:58Quando eu conto do trabalho
15:59que a gente faz no Aizome, né?
16:02De você entender um pouco mais profundamente
16:04a cultura e essa filosofia
16:06e de como você traduz isso
16:08nas receitas, nos sabores,
16:10nas preparações.
16:11Exatamente esse ponto que eu ia chegar.
16:14Como que você se inspira
16:15para estar ali nas suas receitas?
16:18Busca nas receitas da sua avó?
16:21Viaja bastante para o Japão?
16:23Como é que é ali o mix?
16:24Porque eu sinto que o Aizome
16:27é um restaurante japonês
16:31bem diferenciado em técnicas
16:33e comidas diferentes.
16:36Então, me explica um pouquinho
16:39de onde que vem toda essa inspiração?
16:42Bom, primeiro veio de casa,
16:43como eu falei, né?
16:44Da minha família.
16:45Mas depois...
16:46Pegou o livro de receitas da sua avó e...
16:49É, o que a gente fazia no dia a dia.
16:50Exato.
16:51Que eu comia, né?
16:52Os sabores que a gente tinha de referência.
16:54Mas depois,
16:55que o negócio ficou sério, né?
16:57Profissional.
16:58Aí eu tive, sim,
16:59que ia até a fonte.
17:00Fui até o Japão.
17:01Foi para o Japão estudar a economia.
17:03É, mas foi muito essa pesquisa, né?
17:06Dos ingredientes, dos pratos.
17:09A gente acha que o Japão também...
17:10Ah, é sushi ou é tempurá, né?
17:14São pratos muito populares, ok.
17:17Mas não se resume a isso.
17:18Sim.
17:19Muda conforme a estação.
17:21Muda conforme a região do Japão.
17:23De cidade para cidade,
17:24muda muito também, né?
17:27Essa base de sabores.
17:28Tem muitas especialidades.
17:30Então, tem muito para se explorar.
17:32E essa é a graça.
17:34Cada vez que eu vou para o Japão,
17:36eu tento visitar,
17:38conhecer uma região diferente,
17:40entender a base de sabores que eles têm.
17:42Porque muda se é montanha, se é mar.
17:44E a sua base de sabores
17:46é mais inspirada em qual região?
17:50Eu acho que é mais,
17:51talvez, a região de Tóquio.
17:54Embora eu tenha uma admiração
17:56muito grande por Kyoto, né?
17:57Em termos culturais,
17:59de preservação das tradições.
18:01É tudo muito bonito,
18:03muito estético,
18:05bem cuidado.
18:06Mas Tóquio é uma grande cidade
18:10onde você tem tudo.
18:12Sim.
18:12Para quem é do ramo culinário,
18:15gastronômico,
18:16é o maior playground do mundo.
18:18Todo mundo fala.
18:19Todos os grandes chefes do mundo.
18:21Do mundo.
18:22O Japão é a grande viagem.
18:23Né?
18:23Tóquio é a grande viagem.
18:25E se você puder ter sorte
18:26e depois de conhecer Tóquio,
18:29poder conhecer toda a complexidade
18:31do Japão por região,
18:33porque muda muito o Japão.
18:34Além de se estender muito
18:35de norte a sul,
18:37tem essa diferenciação,
18:38leste-oeste.
18:40Então, muda os ingredientes,
18:41muda o perfil de sabores,
18:43os temperos.
18:44E a grande variedade
18:46de ingredientes, né?
18:47Frutos do mar,
18:49algas, cogumelos,
18:50os fermentados.
18:52Então, tem muito
18:53para se explorar.
18:55Eu tenho uma pergunta
18:56mais polêmica agora, Thelma.
18:58Eu sempre escutei,
18:59não vou falar o nome em japonês,
19:01mas o sushi...
19:02Quem faz o sushi?
19:03Como é o nome?
19:03Artesão do sushi.
19:04Sushi Shokunin.
19:06Shokunin.
19:06Então, o sushi Shokunin,
19:08eu já escutei,
19:09não vou falar sempre,
19:10mas já escutei algumas vezes
19:11que tem que ser homem,
19:13por causa da temperatura da mão,
19:15do não sei o quê.
19:15Eu já ouvi um monte de boato.
19:17Como é que você enxerga isso?
19:18É verdade?
19:18É mentira?
19:19É lenda?
19:20É mentira.
19:20Bom, lógico,
19:21tem a raiz machista
19:23desse comentário, né?
19:26Imagino que tenha.
19:27Ó, mas...
19:28Por que eu prefiro
19:29sushi Shokunin também?
19:30Porque Shokunin
19:31não diferencia...
19:32Achei perfeito.
19:34Quando você falou,
19:34eu já pensei nisso.
19:35Então, não diferencia
19:36homem nem mulher.
19:37É Shokunin.
19:38É um artesão,
19:38é alguém dedicado ali.
19:41Diferentemente,
19:41se você fala sushi man,
19:42o próprio termo
19:43só fala man, né?
19:45Aí você tem que...
19:45Ah, é sushi human?
19:47Nem existe o termo,
19:49mas é muito mais fácil
19:50e melhor falar sushi
19:51Shokunin.
19:52Perfeito.
19:53Mas primeiro falavam
19:54que as mulheres
19:54têm as mãos mais quentes.
19:56Esse foi o boato
19:57que eu escutei.
19:57Mas não é, gente.
19:59Fisiologicamente...
20:00É mentira mesmo.
20:00É mentira.
20:01Eu sei porque
20:02minha primeira faculdade
20:03foi medicina.
20:04Então, eu posso falar
20:05que fisiologicamente
20:06isso é mentira.
20:07Aí disseram que não,
20:09que é porque as mulheres
20:10têm as oscilações hormonais.
20:12Então, o humor flutua
20:13e aí a mulher não tem
20:15a dedicação,
20:17o foco suficiente
20:18para manter a padronização
20:20no trabalho,
20:21na entrega.
20:22Eles não conheceram a minha esposa,
20:22então.
20:22Ela é dez vezes mais focada
20:23do que eu.
20:24Pois é, então.
20:25Mentira.
20:26Ou diziam, né,
20:27que essas flutuações hormonais
20:29e de humor
20:29também influenciam
20:30o olfato e o paladar.
20:34Não sei.
20:35A maioria das mulheres
20:36que eu conheço
20:36têm o paladar
20:37e o olfato
20:40muito mais apurados.
20:41Você acha que o Japão
20:42é um país mais machista?
20:45Como todo país
20:46mais tradicional,
20:48sim.
20:49Tanto que
20:50eu acho que
20:51se eu morasse no Japão
20:53e tivesse tentado
20:55seguir essa trajetória,
20:57essa carreira
20:57que eu fiz aqui no Brasil,
20:58talvez não teria funcionado lá.
21:00Eu sempre escutei
21:01que é o filho mais velho
21:02é quem segue a carreira do...
21:03É, não é fácil.
21:04Está mudando
21:05aos poucos.
21:07Mas pelo fato
21:08de eu estar no Brasil
21:09e talvez
21:11por ter sido sempre
21:12a zebra no páreo,
21:14sei lá,
21:15a ovelha negra,
21:16exatamente por ser mulher também,
21:18eu acho que eu sempre
21:19busquei um caminho
21:20diferente.
21:22Eu já sabia
21:23que não ia adiantar
21:24eu seguir
21:24padrão,
21:26o mesmo rumo,
21:28o direcionamento
21:28de alguém.
21:29Porque de partida
21:30eu já era diferente.
21:32Era mulher.
21:33E outra,
21:33não sou japonesa.
21:35As pessoas olham
21:36para a minha cara
21:36e acham que eu sou japonesa.
21:37Mas na verdade não,
21:38eu sou brasileira.
21:39Sim.
21:40de uma família japonesa.
21:43Na cidade no Brasil.
21:44É.
21:45Na verdade eu sou sansei,
21:46eu sou neta.
21:46Eu sou terceira geração já.
21:49E as pessoas olham
21:51para mim aqui e falam
21:52ah, de onde você veio?
21:53Você é japonesa?
21:54Não.
21:55Só que aí você vai
21:56no Japão,
21:57de alguma forma
21:58eles sabem
21:58que eu não sou japonesa.
22:00É mesmo?
22:01Por quê?
22:02Não sei se é o porte,
22:04o jeito de
22:05ir lá,
22:06andar,
22:07falar,
22:07ou me vestir,
22:08mas eles já sabem
22:09que eu não sou japonesa.
22:10Agora.
22:10Mas eles falam com você
22:12em japonês ou em inglês?
22:14Primeiro que eles já
22:15ficam com receio
22:16quando já sentem
22:18que eu não sou japonesa, né?
22:19Por causa do choque, né?
22:20Da língua, né?
22:21Da cultura, né?
22:22Realmente,
22:23eles são mais tímidos.
22:24Mas a partir do momento
22:25que você pede ajuda
22:27ou precisa de algo,
22:28eles são super solícitos.
22:29O Japão é o país
22:30mais seguro
22:31para você viajar.
22:32É, dizem que
22:33o povo é muito receptivo.
22:35Mesmo com a diferença cultural
22:36que você precisar,
22:38eles têm assim...
22:39São muito lícitos.
22:40Sim,
22:40é o homotenaste
22:41que a gente fala.
22:42Essa hospitalidade, né?
22:44Essa disposição
22:47para ajudar, né?
22:49E para olhar o outro.
22:51E, Thelma, você,
22:52enfim,
22:53tudo bem que você
22:53não é japonesa,
22:54mas acho que pela história
22:55que você construiu
22:56no Aizomê,
22:57você também assumiu
22:57a responsa
22:58de cuidar da gastronomia
22:59do consulado do Japão
23:00aqui, né?
23:01Como é que é isso
23:02dentro da sua vida,
23:04do seu dia a dia?
23:04Porque é uma pressão grande.
23:07É o consulado.
23:08É qualquer lugar.
23:09É uma embaixadora
23:10da gastronomia japonesa
23:11no Brasil, de certa forma.
23:12Foi uma grande responsabilidade.
23:14Acho que já fazia uns 10 anos
23:15que eu atendo o consulado.
23:17Primeiro começou esporadicamente, né?
23:19Em alguns eventos.
23:20Isso.
23:21Como a Aizomê já tinha
23:22essa reputação
23:24de atender
23:25o tanto, né?
23:26Muitas pessoas do consulado
23:29com todas as empresas japonesas
23:31e de fazer uma culinária
23:32tradicional, né?
23:34Porque geralmente
23:35o consul,
23:37ele traz um chefe do Japão.
23:39Então, na equipe dele
23:40sempre tem
23:41e que é responsável
23:42pelas recepções.
23:43Só que aí, acho que começou
23:45a não deu certo um chefe,
23:46não deu certo outro
23:47e começaram a me chamar.
23:49E aí, eles perceberam
23:51que talvez era muito mais...
23:53Não digo fácil,
23:55mas fazia muito mais sentido, né?
23:56Acionar um chefe local.
23:58E que tivesse,
23:59como você faz, né?
24:01Esse apego...
24:02Esse know-how, né?
24:03E esse apego à tradição, né?
24:05Que eu acho que é o diferencial.
24:06Porque chefes de culinária japonesa
24:08em São Paulo
24:08têm centenas.
24:10Mas eu acho que poucos
24:12têm esse foco
24:13em ser realmente
24:15voltado para a essência, né?
24:17E assim,
24:17a gente hoje consegue
24:18ser muito versátil, né?
24:21Então, eu consigo
24:21tanto fazer
24:23uma refeição japonesa
24:24muito autêntica
24:28no sentido, né?
24:28Das técnicas,
24:30dos pratos,
24:31da estética, né?
24:32Para apresentar
24:33para os convidados
24:34que não são japoneses,
24:36quanto
24:37quando o consul,
24:39por exemplo,
24:39recebe convidados
24:40do Japão,
24:41eles pedem
24:42para eu fazer
24:43um menu
24:43que misture
24:45e traga ingredientes
24:46brasileiros também.
24:48Que hoje
24:49é o grande diferencial
24:50do Aizome.
24:50Bem legal.
24:51Dessa fusão, né?
24:53E é o que eu batizei
24:54de culinária nipo-brasileira.
24:56Bem legal.
24:56Thelma,
24:57antes da gente
24:58finalizar aqui
24:59esse quadro,
25:02você já recebeu
25:03muitos
25:03prêmios,
25:05títulos,
25:06como é que isso
25:07influencia
25:08na sua carreira
25:09profissional e pessoal?
25:12Vou dizer que
25:12não foi fácil
25:13no começo, né?
25:15Foi um trabalho
25:16de formiguinha,
25:17o caminho das pedras,
25:18como todo empresário,
25:19empreendedor
25:20do ramo gastronômico
25:21sabe,
25:22porque o Brasil
25:23não é para amadores,
25:24não é fácil.
25:26Cada mês,
25:27cada ano
25:28é uma novidade.
25:30Aliás,
25:30vocês sabem
25:31que a gente está aí
25:31se preparando,
25:32porque vai ter
25:33muitas mudanças
25:34nos próximos meses,
25:36para o próximo ano.
25:38Então,
25:38a gente tem que ter...
25:40Você está falando
25:40de política,
25:41do quê?
25:42Reforma tributária,
25:44a gente sempre
25:45tem novidades,
25:46né?
25:47Sim.
25:48O Brasil
25:48só tem uma certeza,
25:50que a gente não tem
25:50certeza de nada.
25:51Não tem certeza.
25:52Só tem uma certeza,
25:52que todo dia
25:53você precisa ter
25:54uma nova estratégia.
25:55Tem que estar pensando
25:55novo.
25:56Tem que estar pensando
25:57novo,
25:57se reinventando,
25:59e acho que
26:00essa é a diferença
26:01do Waisomer,
26:02de ter no DNA
26:03essa disponibilidade
26:05para estar sempre
26:05buscando,
26:07para estar evoluindo,
26:08crescendo,
26:09aprendendo.
26:11É essa busca constante
26:13que a gente fala,
26:13né?
26:17Mas...
26:18O que você tinha
26:19perguntado?
26:20Dos prêmios.
26:21Dos prêmios.
26:22Quando os prêmios
26:23vieram,
26:24acho que foi
26:25o reconhecimento.
26:26Não que a gente
26:26trabalhe pensando
26:27no prêmio.
26:29O que eu falo
26:30é que a gente
26:31trabalha muito mais,
26:32com a consistência,
26:34com a coerência,
26:36sempre nessa busca,
26:38e o prêmio,
26:39o reconhecimento,
26:40quando vem,
26:41ele é a consequência
26:42disso.
26:43E tem funcionado,
26:45né?
26:46Eu sou muito grata,
26:47porque acho que o Waisomer
26:48nunca teve tanto
26:48reconhecimento
26:49quanto ultimamente,
26:51né?
26:51Esse ano foi um ano
26:52particularmente
26:53muito...
26:56Record de prêmio.
26:56sim,
26:58né?
26:58De reconhecimento.
27:01E foi justamente
27:02quando o Waisomer
27:03fez essa virada,
27:04sabe?
27:04De ser um restaurante
27:06só tradicional,
27:08né?
27:08De ter começado
27:09a contar a história
27:10dos imigrantes japoneses
27:11aqui no Brasil,
27:12que na verdade
27:12é a minha história.
27:14Com certeza.
27:14E essa singularidade,
27:16né?
27:16De você poder trazer
27:17o Brasil e o Japão juntos.
27:18Sim.
27:19E poder mostrar
27:19o melhor dos dois mundos,
27:21que cria algo único,
27:23né?
27:23De você mostrar
27:25o que o Brasil tem
27:25de bom,
27:26de ingredientes,
27:27essa fartura,
27:28trabalhar esse frescor,
27:31começar a falar
27:32de sazonalidade
27:33e mesmo nos pescados,
27:35né?
27:35Porque eu acho
27:36que eu fui uma
27:36das primeiras a falar
27:37sobre a sazonalidade
27:39dos pescados também
27:40e a responsabilidade
27:41que a gente,
27:41como restaurante japonês,
27:43que impacta muito
27:44o consumo de pescados,
27:47né?
27:47Tem,
27:47que a gente tem
27:48que pensar
27:49sobre as épocas
27:50de defeso,
27:50quais são as espécies
27:52ameaçadas de extinção,
27:53e olha que eu não tenho
27:55nada contra salmão.
27:57Aliás,
27:57acho que vocês
27:58são os primeiros
27:58que eu vou falar
27:59que, na verdade,
28:00o Isomer vai sim
28:01colocar o salmão
28:03no menu.
28:04Olha!
28:04Mas é agora
28:06um salmão
28:06que tem uma pegada
28:09sustentável.
28:10Legal.
28:10Sem sofrimento animal.
28:12Por quê?
28:12Porque a gente tem
28:13sempre que apoiar
28:14causas, né?
28:16Ou formas melhores
28:17de produção
28:18e de consumo.
28:19Muito legal.
28:20Porque o prêmio
28:21que você citou
28:22na indicação
28:22do Fifth Best
28:23não foi pela culinária
28:25do Isomer,
28:27mas foi porque
28:27durante a pandemia
28:28o Isomer
28:29transformou a cozinha
28:31lá da Japan House
28:32dentro do museu
28:34em uma cozinha comunitária,
28:36né?
28:36A gente fazia,
28:37na verdade,
28:38refeições
28:38para o sem-teto.
28:40Que fantástico.
28:40Que ficaram abandonados
28:41durante a pandemia.
28:43Que fantástico.
28:44Então foi algo,
28:45um projeto
28:46que mobilizou
28:47vários setores,
28:48governo do Japão,
28:49apoio da prefeitura,
28:52iniciativa pública,
28:53privada,
28:54pessoa física,
28:55todo mundo apoiando,
28:56né?
28:57Para a gente conseguir
28:57levar adiante
28:58um projeto
28:59de combate à fome.
29:01Muito legal.
29:01Você vê que
29:02tem sempre um propósito
29:03por trás,
29:04né?
29:04Tem que ter,
29:04senão fica frágil,
29:05né, Manu?
29:06A gente já falou
29:06muito disso.
29:08Chegou na parte
29:08de conhecer um pouquinho
29:09mais sobre a Thelma
29:10agora, Manu.
29:11Chegamos agora
29:12ao retrato do convidado.
29:15Retrato do convidado.
29:17Thelma,
29:19qual foi a melhor
29:20experiência gastronômica
29:21da sua vida?
29:23Eu acho que foi em Tóquio,
29:24no restaurante Narizawa,
29:26chefe Yoshihiro Narizawa.
29:28O que você comeu?
29:30Foram vários pratos,
29:31mas como ele apresenta
29:34e fala muito sobre isso,
29:35né,
29:36sobre o ingrediente,
29:37conta a história,
29:38de onde veio,
29:39ele dá o nome
29:40do produtor,
29:41né?
29:42E o pão é assado
29:43na mesa,
29:44enquanto você está lá,
29:45o pão está sendo assado,
29:46ele só usa ingredientes
29:48da estação
29:49e tanto chás,
29:51quanto vinhos,
29:53quanto saquês
29:53que ele serviu,
29:55né,
29:55pareando cada etapa,
29:57era ou produzido
29:58exclusivamente para ele
30:00ou era uma
30:00criadoria muito especial.
30:02Então,
30:04tudo tinha ali
30:05a fonte
30:05e tudo era pensado.
30:07Legal.
30:08Né, assim,
30:08para ser uma singularidade
30:10ali no prato.
30:11Bem bacana.
30:12Qual profissional
30:13da gastronomia
30:13te inspira
30:15hoje em dieta?
30:15Acho que o chefe
30:17Murata
30:18é do Kiko Noi
30:18de Kyoto.
30:20Ele é um chefe
30:21super estrelado,
30:22acho que o mais estrelado
30:23do Japão,
30:24tem vários...
30:25Várias casas
30:26custadas.
30:26Vários restaurantes
30:27e todos estrelados.
30:28Como é que você
30:28mantém a constância?
30:29E todos os estilos
30:30ele faz?
30:31Não,
30:32ele faz kaiseki,
30:33que é a forma
30:33mais refinada
30:35da alta gastronomia
30:36japonesa.
30:38Você imagina
30:39que você tem
30:40várias etapas,
30:41né,
30:42e cada prato
30:44é servido
30:44às vezes
30:45numa cerâmica
30:46de 600 anos
30:47de idade
30:48em peças
30:49de museu.
30:52E você...
30:52Aquelas que racham aí
30:53cola com ouro,
30:55tem toda uma tradição.
30:56Tem toda a história.
30:57Aliás,
30:57eu tive a oportunidade
30:59de passar um dia
31:00com ele,
31:01né,
31:02uma das bases japonesas
31:04importantes
31:04é o dashi,
31:05é o caldo básico.
31:07Então,
31:08masterclass dashi,
31:09aula com a curadora dele
31:11dessas peças únicas,
31:13né,
31:13para entender
31:14os tempos de cerâmica,
31:16de peças de madeira,
31:18de laca.
31:19Uau!
31:19Fantástico!
31:20Que aula, hein, Gabi?
31:21É, alguém que...
31:22E assim,
31:22ele é o grande embaixador
31:23da culinária japonesa.
31:25Se você não fosse chefe,
31:27o que você escolheria ser?
31:28Eu sonho um dia
31:31ser professora
31:33e escritora.
31:35Que legal!
31:35Puxando sua avó um pouquinho.
31:37Sim.
31:38Que legal!
31:38Eu gosto muito de estudar.
31:39Talvez ensinar um pouquinho
31:40sobre a cultura japonesa
31:41que você já faz,
31:42de certa forma, né?
31:43Você já está sendo...
31:44Sim, foi esse o diferencial, né?
31:45Porque eu senti na pele
31:46a dificuldade
31:47de conseguir referências, né?
31:49De buscar conhecimento
31:50nesse mundo.
31:52Que legal!
31:53Qual ingrediente
31:53não pode faltar
31:54na sua cozinha?
31:56Eu acho que o sal.
31:58Sal.
31:58Se fosse a sua última refeição,
32:01vai acabar o mundo.
32:02Qual seria?
32:03Gohan,
32:04que é o arroz japonês,
32:05cozido, né?
32:07Sem nada,
32:08mas com feijão
32:08bem temperadinho
32:09que a minha mãe fazia.
32:11Aí já é um pouco
32:11do Brasil aí
32:13na influência.
32:14O Japão e o Brasil.
32:15Arroz japonês e feijão.
32:16Culinária nipo brasileira.
32:18Exato.
32:18Perfeito.
32:19Qual é a sua
32:20guilty pleasure, assim?
32:22Aquela coisinha
32:22que você não consegue dizer não,
32:24que você sabe que é besteira,
32:25mas você não aguenta não comer.
32:27Olha,
32:27eu me contenho, tá?
32:29Mas
32:29eu já falei hoje
32:31as pessoas
32:32dando muita risada.
32:33Eu gosto de comer
32:33cheetos sem queijão,
32:35mas é aqueles momentos
32:36assim que
32:36vem trash.
32:38Mas tá aí,
32:38é gostoso mesmo
32:39cheetos sem queijão.
32:40Eu como com rashi.
32:41É um dos mais gostos.
32:42Ah, vai!
32:42Então ela gourmetizou
32:44os cheetos.
32:44Gourmetizou o cheeto.
32:45Eu como com rashi
32:45pra não pegar o cheiro da mão.
32:47Pra não ficar com a mão toda...
32:49E não sai por três dias, né?
32:51É, fica, né?
32:52Pior que alho aqui,
32:53pelo amor de Deus.
32:54Ou bolo de cenoura.
32:55Adoro um bolo de cenoura caseiro.
32:56Esse eu tô junto também.
32:59Então vamos conhecer
32:59um pouquinho mais
33:00da Thelma
33:00Onde os Chefes Comem.
33:03Onde os Chefes Comem.
33:06E agora só vale
33:07nomes de restaurante.
33:09Melhor italiano
33:10na sua opinião, Thelma.
33:11O Fame.
33:13Osteria.
33:13Casal Renzetti.
33:14Oi.
33:15Já foi logo
33:16pras cabeças.
33:17Não brincou em serviço.
33:18A melhor pizza
33:19na sua opinião.
33:21Olha, Carlos.
33:22Carlos ganha bastante aqui.
33:24É muito boa mesmo.
33:25Melhor hambúrguer.
33:27Zedeli.
33:28Ah, Júlio.
33:29Zedeli ganha bastante também.
33:32O melhor árabe.
33:34Make Hommes.
33:35Make Hommes.
33:36O Fred esteve aqui com a gente.
33:37Papo fantástico.
33:39E sabe que ele tem
33:39uma história muito parecida
33:40com a sua?
33:41Ele foi muito pesquisar a história.
33:44O lado social das pessoas.
33:46Como essa interação
33:47do lado da rotina
33:49e do dia a dia
33:50com a comida.
33:50Mas é o tempero a mais.
33:52É isso.
33:52que leva para outro patamar
33:54a gastronomia.
33:56Com certeza.
33:57Não vale
33:59o Aizomê.
34:01Melhor culinária japonesa.
34:03Olha, eu gosto muito
34:04do Kido Iraco.
34:05Kido Iraco.
34:06Não conheço.
34:06Também não.
34:07Bem tertinal.
34:08Onde fica?
34:09Na Liberdade.
34:10Na Liberdade.
34:10Então sempre lá na Liberdade.
34:13O que você gosta de comer?
34:15Eu gosto de comer sobar.
34:17Tá bom.
34:17Sempre gostei de sobar.
34:18Mas o carê deles
34:20também é muito bom.
34:21Eu já vou botar
34:22na minha lista.
34:23É a minha melhor comida brasileira.
34:26Tordesilhos.
34:26Eu sou muito fã
34:27da Mara Salles.
34:28É outra grande contadora
34:29de histórias.
34:30O gestual.
34:31Sabe?
34:32As coisas que ela cozinha.
34:33E conta histórias.
34:34Baita história também, né?
34:35De negócio, de tudo.
34:37O que é a melhor sobremesa
34:38na sua opinião?
34:40Ah, desculpa.
34:41Agora eu vou ter que falar
34:41do Aizomê.
34:42Mas é porque a gente
34:43investiu muito
34:44na sobremesa.
34:45E a gente está fazendo
34:46o que eu gostaria
34:47de comer como doces
34:49que une Brasil e Japão.
34:52É o quê?
34:53Que une Brasil e Japão.
34:54Mas é o quê?
34:55É uma confeitaria
34:56que a gente chama
34:56de iogashi.
34:58Tá.
34:58Que é isso.
34:59É a versão japonesa
35:01dos doces tradicionais
35:04do Ocidente.
35:06Inclusive, eu trouxe
35:07alguns aqui.
35:07Qual que é esse
35:08que você trouxe aqui
35:08para a gente ir?
35:09Esse é o chucrim.
35:10O clássico de baunilha
35:12e o outro que a gente
35:12está fazendo.
35:14Machá?
35:15O recheio de machá
35:16e a casquinha
35:17de cacau black
35:18e carvão de bambu.
35:22E os nossos bombons
35:23com recheios
35:24que unem ingredientes
35:26do Brasil e do Japão
35:27também.
35:28Uau!
35:29E eu estou com o chefe
35:29confeiteiro
35:30que é um dos talentos
35:32da nova geração
35:33Rafael Aoki.
35:34Que legal.
35:35Já vamos experimentar.
35:36Sua comida favorita,
35:38Thelma?
35:39É o sobar.
35:40É o macarrão de trigo
35:41sarraceno.
35:41Por isso que eu falei
35:42que eu gosto
35:42de comer no Kiddoiraco.
35:44Que ele, pelo jeito,
35:45eu já vou ter que ir lá
35:46para pedir o sobar agora.
35:47Já ferrou.
35:48O que você não come
35:49de jeito nenhum, Thelma?
35:51Olha, eu vou te falar
35:51que eu sou uma aventureira.
35:53Eu gosto de provar de tudo.
35:54Eu gosto de viajar
35:55e provar.
35:57Tudo, tudo.
35:59Não posso falar
36:00que eu não gosto
36:00sem provar.
36:02E não tem nada
36:02que eu falar
36:03não como.
36:04Ainda mais depois
36:04que a gente percebe
36:06os desafios
36:06da alimentação global
36:09e eu tive que estudar
36:11a fundo a questão
36:12da fome
36:12e insegurança alimentar
36:14aqui no Brasil.
36:15Eu não posso falar
36:16que eu não como.
36:18Se é de comer,
36:19você não...
36:19Se é de comer...
36:21Certíssima.
36:22Vamos lá.
36:23Momento
36:23panela de pressão.
36:27Panela de pressão.
36:28Uma dica de ouro
36:32para quem quer investir
36:33no setor da gastronomia
36:34hoje, qual seria?
36:36Olha, está difícil
36:37investir no setor.
36:39A gente sabe
36:39como está complicado.
36:42Mas eu acho
36:42que tem que fazer
36:43um bom estudo
36:44na parte de gestão.
36:46Porque tudo aqui no Brasil
36:47é você chegar
36:48nos números,
36:50estudar a viabilidade,
36:51ver a sustentabilidade
36:53e fazer muita conta.
36:55Porque CMV, CMO,
36:57tem que estar tudo
36:58muito estudado,
37:00tudo muito controlado.
37:02Muito.
37:02Se vacilar um pouquinho...
37:05Porque cozinhar bem, né?
37:07Geralmente as pessoas
37:07vão lá porque
37:08eu gosto de cozinhar.
37:09Mas não, gente.
37:10Restaurante é negócio.
37:12Então, precisa entender
37:13muito bem de gestão,
37:15principalmente.
37:15Legal.
37:16O que mais te inspira
37:18em modelos internacionais
37:19que você acha
37:19que falta no Brasil aqui?
37:22Olha, para mim
37:23a inspiração é Japão.
37:25E como eu falei,
37:25o motenashi.
37:26que a gente pode traduzir
37:28muito grosseiramente
37:29como hospitalidade,
37:31a moda japonesa.
37:33Mas é muito mais que isso.
37:34Como tudo no Japão,
37:35é uma questão cultural
37:36e de base filosófica.
37:38De você olhar muito
37:40o outro.
37:42E quando você traduz isso
37:43para o serviço,
37:45tem a ver com você
37:46surpreender,
37:47você entregar aquele a mais
37:49de uma forma espontânea,
37:51que a gente chama
37:51com o kokoro.
37:53Ou com o coração.
37:54Com intenção de verdade.
37:56É algo genuíno.
37:58As pessoas vão no Japão
37:59e se surpreendem
38:00com o atendimento.
38:01Acha que é até forçado.
38:03Tem muita coisa
38:04que é assim,
38:05treinada.
38:06Faz parte do roteiro básico.
38:08Mas a diferença no Japão
38:09é que realmente
38:09as pessoas têm isso.
38:11E esse, na verdade,
38:12é o grande segredo,
38:13eu acho,
38:14de toda a evolução japonesa
38:16e da admiração
38:17que ele desperta.
38:17Das pessoas terem
38:20esse senso de comunidade,
38:22de pensar muito no outro.
38:24Isso é o que eu sempre
38:25escutei do Japão.
38:26O respeito ao espaço do outro
38:27está sempre na frente
38:28do meu desejo pessoal.
38:30Então, quando você traduz isso
38:31para o serviço,
38:33é você olhar muito.
38:35Não só o seu cliente,
38:37mas também o seu colega
38:39de trabalho,
38:40o seu prestador de serviço,
38:42o seu produtor,
38:43o seu fornecedor.
38:44Então, isso reverbera muito.
38:47E você acha que o Brasil
38:47ainda não conseguiu trazer isso?
38:50É que é diferente.
38:52A gente se espelha muito
38:54no modelo ocidental.
38:56Sim.
38:56Né?
38:57Assim, eu já estudei também
38:58muito sobre hospitalidade, né?
38:59O yugdara, né?
39:01De você surpreender
39:02o efeito Uau.
39:03Ok, mas...
39:05Eu acho que a abordagem japonesa
39:06para o modelo de negócio
39:08é muito mais orgânico
39:09e pega muito mais fundo,
39:11eu acho.
39:11Se a pessoa consegue
39:12realmente entender
39:13e assimilar isso,
39:15é muito mais fluido,
39:16é muito mais autêntico.
39:18Concordo.
39:18De todo sentido.
39:20Olha, que aula, hein?
39:21Que aula, Manu.
39:22Telma, uma verdadeira aula
39:23sobre cultura, tradição.
39:26Muito, muito obrigada
39:27por estar aqui com a gente
39:28dando essa aula
39:29no Médio Gastronômico.
39:31Telma, quando eu for para o Japão,
39:32eu vou te ligar
39:33para você me ajudar.
39:34Eu também.
39:34Com certeza.
39:35Eu não vou perder as dicas
39:36da Telma, não.
39:37Jamais.
39:37Mas vocês vão amar.
39:39Não tem ruim no Japão.
39:40É, foi fantástico o papo.
39:42E se você também curte histórias
39:43de quem transforma
39:44a paixão em estratégia,
39:45já se inscreve no canal
39:46e compartilha esse episódio.
39:48É isso aí.
39:48Até a próxima, pessoal,
39:49com mais ingredientes
39:51que fazem a gastronomia
39:52brasileira ou japonesa
39:53ferver.
39:54Um beijo.
39:55A opinião dos nossos comentaristas
40:10não reflete necessariamente
40:12a opinião do Grupo Jovem Pan
40:14de Comunicação.
40:19Realização Jovem Pan
40:20Jovem Pan
40:22Jovem Pan
40:23Jovem Pan
40:24Jovem Pan
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