O maestro Edilson Ventureli, diretor-executivo do Instituto Baccarelli, nova entidade homologada para gerir o Complexo Theatro Municipal de São Paulo pelos próximos cinco anos, afirmou que as futuras montagens de ópera não terão conteúdo político ou identitário.
A declaração marca uma mudança de rumo na linha editorial do espaço.
Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.
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NotíciasTranscrição
00:00A nova gestão do Teatro Municipal de São Paulo
00:04afirmou que haverá apenas obras artísticas
00:08e não mais manifestações políticas.
00:12Houve uma troca de gestão, foi uma briga muito grande,
00:17porque o Teatro Municipal de São Paulo
00:19é custeado com dinheiro público para oferecer à população
00:23e para oferecer de graça também a estudantes da rede pública
00:26um tipo de cultura.
00:28Você só pode gostar do que você conhece.
00:32Se você nunca ouviu música clássica, nunca ouviu ópera,
00:35você deve achar chato.
00:37Você não gosta porque você não foi exposto.
00:40Na nossa sociedade, o que acontece?
00:42Tem um mundo de criança cantando música do Oruan,
00:46rebolando até o chão, mostrando a bunda.
00:48Por quê? Porque foi exposto a isso.
00:50Estruturas como o Teatro Municipal existem no mundo inteiro
00:53para expor as pessoas a algo de qualidade,
00:57porque, sem que sejam expostas,
00:59as pessoas não têm como fazer uma avaliação,
01:02não têm como gostar disso.
01:03Só que o que estava acontecendo?
01:05Vamos dar uma olhada aqui
01:08na gestão Sustenidos,
01:10que é a gestão anterior.
01:13Põe aí, produção, um filme
01:14do que estava acontecendo no Teatro Municipal
01:17em vez de ópera.
01:25E aí, produção, um filme
01:49Ah, mas não pode tocar na ação zumbi?
01:52Não pode ter show assim nessa estrutura.
01:55Ele é muito antigo, ele é todo de madeira.
01:58O teatro só resiste se for um espetáculo
02:02em que todo mundo fica sentado.
02:04Não dá para pôr gente pulando ali,
02:06porque dá para desabar aquilo.
02:07É esse o problema, não é o estilo de música.
02:10Agora, tivemos coisas como essa...
02:14que não era ópera,
02:16porque não existe nenhuma ópera com isso.
02:18Essa manifestação política.
02:19Vamos dar uma olhada.
02:43Isso aí foi no final do quê?
02:44Era o final do quê?
02:45Foi uma ópera chamada O Café,
02:47uma ópera original,
02:48que a gente fez...
02:48Ópera, né?
02:49Tem que colocar entre aspas,
02:50porque isso evidentemente não é ópera.
02:53E foi chamada O Café,
02:55uma ópera original,
02:57que colocou também o Borba Gato pegando fogo,
03:00exaltando o Borba Gato pegando fogo.
03:02Que é uma coisa que a própria prefeitura
03:04se opôs a esse incêndio, né?
03:06Bom, José, me tira uma dúvida, assim.
03:07Com esse gesto no final,
03:09o que eles estavam dizendo?
03:10Que o teatro municipal
03:11era um local improdutivo, é isso?
03:13É, na verdade é o seguinte.
03:16No contexto lá da ópera,
03:17eles encenaram a revolução.
03:19E a revolução era o MST indo lá
03:23e se colocando como agente dessa revolução.
03:27E aí também o Borba Gato pegando fogo
03:30também foi colocado como agente dessa revolução.
03:33Por que o José está insistindo
03:34tanto na história do Borba Gato?
03:35Por quê?
03:36Por que eles miraram no Borba Gato
03:39como um agente branco colonizador
03:41e puseram fogo na estátua?
03:42Porque são burros,
03:43eles queimaram a estátua errada.
03:45O Borba Gato sequer falava português.
03:48Era filho de indígena.
03:50Eu fiz uma coluna sobre isso na época.
03:52Ele é um dos bandeirantes que falava
03:54o tupi e aquele idioma intermediário
03:58entre tupi e gê
03:59que existia em São Paulo.
04:01Era o idioma falado em São Paulo.
04:02Aliás, por isso
04:03que o sotaque do paulista é diferente
04:05porque o nosso português deriva
04:08de um idioma intermediário
04:10que era mistura de tupi com gê
04:12e que era a língua que o Borba Gato,
04:14filho de indígena, falava.
04:16A colonização em São Paulo
04:18foi feita com o casamento
04:20de um bandeirante com uma índia.
04:23E ela tinha...
04:25A família dela também mandava.
04:27É uma colonização diferente.
04:28Então, assim, além de tudo,
04:30é um erro histórico.
04:32E um erro histórico
04:33não pode ser financiado
04:34com dinheiro público.
04:35Agora vamos a quem ganhou,
04:37que é o Instituto Bacarelli.
04:39E eu quero mostrar para vocês
04:41o que o Instituto Bacarelli fez
04:43na favela de Heliópolis,
04:45aqui em São Paulo.
04:46Por que eu quero mostrar?
04:47Porque você vai ver intelectuais
04:50contra a gestão do Instituto Bacarelli.
04:53Porque eles não querem
04:54que nada de qualidade
04:55chegue ao pobre.
04:57Olha o que o Instituto Bacarelli
04:59fez na favela de Heliópolis.
05:00Dá uma olhada aqui.
05:02Música é vida.
05:04Eu diria que aqueles
05:05que não são atingidos por ela
05:07têm a vida pela metade.
05:09A música, para mim,
05:10é o dia a dia da minha vida mesmo.
05:12A música te traz disciplina,
05:14um amor ao próximo.
05:16Eu não sei o que seria
05:17e não sei o que eu faria
05:18se não fosse a música
05:20na minha vida hoje.
05:21A música, para mim,
05:22é um relax.
05:23relaxamento do meu coração.
05:31O contraste parte
05:33já do princípio
05:35de que, encrustado
05:36no meio daquela favela,
05:39surgem dois edifícios
05:41de cinco andares cada um.
05:43Música
05:45Eu moro no Heliópolis,
05:47na Alcua Paraíba.
05:48Onde eu passo,
05:49eu vejo casa, carro,
05:51criança brincando na rua.
05:54É, livre.
05:56Eu entrei no Instituto
05:58com oito anos de idade.
05:59Eu entrei na orquestra principal,
06:00estava com 16 anos,
06:0216 para 17 anos já.
06:04É, eu passo mais tempo aqui
06:05do que em casa, né?
06:07Estudei no Instituto Pacarelli
06:08de 2007 a 2014.
06:12Hoje, retorno
06:13como professor de iniciantes,
06:15trompete.
06:20Música
06:22Hoje nós somos uma organização social de cultura
06:25e, com essa mudança,
06:27nós tivemos a oportunidade
06:29de assumir a gestão de 12 céus
06:31onde nós somos responsáveis
06:32por gerar atividades
06:34de lazer,
06:35de esporte,
06:36de recriação
06:36e de cultura.
06:37Essa expansão
06:39nos mostra
06:40que essa instituição
06:41ao longo desses 25 anos
06:42amadureceu,
06:44aprendeu,
06:45cresceu
06:45e está pronta
06:46para assumir
06:47muitos outros desafios
06:49que a vida vai colocar
06:50no nosso caminho.
06:52Música
06:53Para o futuro,
06:55eu só espero
06:56ver essas crianças
06:57que hoje estão com 4 anos
06:58possam estar
07:00com 18 anos
07:01aqui dentro.
07:02Vocês estão vendo tudo isso
07:04e ali aparecem
07:05umas filmagens
07:06que você que é de São Paulo
07:07deve estar achando
07:08que isso aí é na Sala São Paulo,
07:10não é?
07:12O Instituto Pacarelli
07:13construiu
07:14com o mesmo pessoal
07:15que fez a Sala São Paulo
07:17uma sala de concertos
07:18de luxo
07:19em Heliópolis.
07:20Então,
07:21quando você vir
07:22e você vai ver
07:24pseudo-intelectuais
07:25falando
07:25que não tem que ser
07:27o Instituto Pacarelli
07:28no municipal,
07:29que tem que ser
07:29aquele pessoal
07:30da ópera,
07:31do MST,
07:33você pensa
07:33no que essa elite
07:34perversa e falsa
07:35de São Paulo
07:36quer na vida
07:37do pobre.
07:38Eles querem ser ricos
07:39e enfiar até o talo
07:41oruã,
07:42funk
07:43e ideologia
07:44na guela do pobre.
07:45E só eles
07:46terem acesso
07:47ao que é bom.
07:48Quando o pobre
07:49pode ter acesso
07:50a algo bom,
07:51essa elite
07:52paz e amor
07:53de São Paulo
07:54fica contra.
07:54Por quê?
07:55Porque aí o pobre,
07:56quem sabe,
07:57pode ter tanta cultura
07:58quanto eles.
07:59e como eles
07:59não têm tanta cultura
08:00assim,
08:01eles têm uma média
08:01cultura,
08:02eles não querem competição.
08:04Imagina um pobre
08:04ter mais cultura
08:05que eles.
08:06Eles querem ver
08:06tal acesso.
08:08É uma coisa...
08:09Assim,
08:09eu fiquei muito feliz,
08:11estou muito esperançosa,
08:12porque,
08:13em geral,
08:14as gestões
08:15do teatro municipal
08:15são muito boas.
08:17Essa,
08:18na prefeitura
08:18do Nunes,
08:19por incrível
08:20que pareça,
08:21foi mais ideológica
08:23do que do PT.
08:23se elegesse
08:25a Erika Hilton,
08:26prefeita de São Paulo,
08:28não ia ter
08:28o que o Nunes
08:29botou no teatro municipal.
08:30Pois é,
08:30eu acho engraçado
08:31o seguinte,
08:32que o Eduardo Bolsonaro,
08:33ele soube defender
08:36a eleição
08:37do Ricardo Nunes,
08:38mas ele não soube
08:39falar uma palavra
08:40sobre esses absurdos
08:42que estavam acontecendo
08:43no teatro municipal
08:44de São Paulo.
08:44O que eu observe,
08:46tem uma narrativa
08:47aí acontecendo,
08:48inclusive saiu
08:48na matéria da Folha,
08:50dizendo que está
08:50havendo uma guerra
08:51cultural
08:52no contexto
08:54do teatro municipal
08:55de São Paulo.
08:56Isso é mentira,
08:57não existe guerra
08:57cultural nenhuma,
08:59não existe uma luta
09:00da direita
09:01contra as desconstruções
09:05da ópera.
09:05Eles admitem,
09:06eles usam até
09:07esse termo desconstrução,
09:08é, desconstruiu mesmo,
09:09não sobrou nada
09:09no caso.
09:10Porque veja bem,
09:11o que é que eles fizeram?
09:12Eles cortaram o Guarani,
09:15eles colocaram
09:16músicas indígenas
09:17que não existem
09:17na ópera,
09:18tiraram o balé,
09:20fizeram na ópera Nabucco,
09:22eles colocaram o couro,
09:24botaram o couro
09:25para cantar
09:25Palestina Livre,
09:26fizeram uma manifestação,
09:27um casamento palestino
09:28lá no meio do hall
09:29do teatro,
09:30que eu não entendi
09:31até agora,
09:31porque isso não faz
09:32o menor sentido.
09:34Teve uma manifestação
09:35na MST,
09:36na ópera Borba Gato.
09:38Agora,
09:39a coisa que mais
09:40me dá raiva
09:41e a coisa que,
09:42assim,
09:43o público ficou
09:43muito decepcionado,
09:45o público ficava
09:45com ódio,
09:46dava para ver,
09:47por exemplo,
09:47na ópera Maria
09:48de Buenos Aires,
09:49colocaram prostitutas
09:50idosas
09:51mostrando os seios
09:53no meio da ópera,
09:54numa manifestação
09:55contra a putofobia.
09:57E aí,
09:57o diretor dessa ópera,
09:59que é Kiko Goffman,
10:00que é um cineasta,
10:00um péssimo cineasta,
10:02ele foi falar
10:04no conversa
10:05de bastidor
10:05dentro do teatro municipal
10:07e perguntaram a ele,
10:08como é que você
10:08se aproximou da ópera?
10:09Ele disse,
10:10olha,
10:10eu não entendo nada
10:11de ópera,
10:11eu estou aqui
10:12apenas para pagar boletos.
10:14Então,
10:14isso mostra o seguinte,
10:16o problema do teatro municipal
10:18era a desvio
10:21da finalidade
10:22do teatro,
10:23que era um teatro de ópera,
10:24foi transformado
10:25num teatro
10:26de experimentações
10:28contemporâneas
10:28e de militância
10:30identitária.
10:31Então,
10:32o que o Edilson Venturelli,
10:33que é um maestro,
10:34que é uma pessoa séria,
10:35falou,
10:35foi que não vai ter
10:36mais ópera identitária
10:37e política
10:38no teatro municipal.
10:39O que não significa
10:41que não existam óperas
10:42com suas respectivas
10:43dimensões políticas,
10:45como eu já falei,
10:46a ópera Nabucco
10:46é uma ópera política,
10:48porque exalta
10:49a unificação da Itália
10:50naquele contexto.
10:51Isso tudo pode ser
10:53discutido,
10:54atualizado,
10:55isso tudo faz parte
10:57da gestão da ópera.
10:59O problema é
11:00que eles pegaram,
11:01usaram o teatro municipal
11:02para fazer propaganda
11:04ideológica,
11:05para fazer militância
11:06esquerdista
11:07identitária.
11:08Pegaram dinheiro público
11:09e fizeram isso.
11:10E eles estão reclamando
11:11hoje o sujeito
11:12chamado Wagner Assis.
11:14Vocês sabem
11:15quem é Wagner Assis?
11:16Wagner Assis
11:17é o ator
11:18que ficou pelado
11:19na frente
11:19daquela criança.
11:21Aquele vídeo
11:22famosíssimo
11:23que eu acho
11:24que esse cara
11:25devia ter sido preso
11:26porque ele deixou
11:28aquilo.
11:28E ele estava reclamando
11:30que não vai ter
11:32mais política
11:32no teatro municipal.
11:33Isso não faz
11:34o menor sentido.
11:35Outro que eu estava
11:35reclamando é a Lei
11:36Ucef,
11:37que é um dos responsáveis
11:38por todos esses desmandos
11:40que foi secretário
11:41de cultura
11:41do município de São Paulo
11:43e foi um dos que mais
11:44defendeu essa gestão
11:45vergonhosa do teatro municipal.
11:46E ele trouxe a questão
11:48da semana de 22
11:49dizendo
11:50que o teatro municipal
11:52é um lugar
11:52de experimentação
11:53e de rupturas
11:54porque lá foi feita
11:56a semana de 22.
11:57Peraí,
11:58tem um detalhe.
11:59Vamos lá.
11:59Vamos lá.
12:00A semana de 22
12:01foi feita,
12:02ela não interrompeu
12:04a programação regular
12:05do teatro,
12:05de ópera e de concerto.
12:07A semana de 22
12:08ela foi feita
12:08e foi extremamente relevante
12:11na história brasileira,
12:13na história da cultura brasileira.
12:15Só que ela foi feita
12:19fora da programação.
12:20A programação continuou
12:21e Mário de Andrade
12:22jamais teria aceitado
12:24interromper a programação
12:25de ópera e de concerto
12:26que é a programação
12:28que a população
12:29precisa ter acesso
12:30porque ela precisa ter acesso
12:31ao repertório operístico,
12:34ao repertório
12:34de música sinfônica
12:36que esse é o repertório
12:37que o teatro municipal
12:38traz para a cidade
12:40de São Paulo.
12:41E felizmente
12:41eu acho que agora
12:43vai voltar a ser feito
12:45ópera de excelência
12:46que é isso
12:47que o teatro municipal
12:48precisa
12:49e que a população precisa.
12:51sem putofobia
12:51ou com putofobia.
12:53Sem putofobia.
12:54Mas isso nem é uma questão, né?
12:55É, Nino.
12:55E aí
12:56E aí
12:59Obrigado.
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