00:00Uma notícia que está trazendo esperança para pacientes e médicos de todo o mundo.
00:05Um novo medicamento em forma de comprimido apresentou resultados considerados históricos
00:12no combate ao câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos e difíceis de tratar.
00:18Um estudo internacional mostrou que a nova terapia reduziu em cerca de 60% o risco de morte dos pacientes.
00:26Mas afinal, o que é o câncer de pâncreas? Quais são os sintomas? Como é feito o diagnóstico?
00:33E quando essa medicação poderá chegar aos pacientes?
00:37É o que nós vamos saber agora com a médica oncologista, a doutora Fernanda Oliveira.
00:42Doutora, muito boa tarde. Obrigado pela sua presença.
00:45Obrigado pelo convite para falar de uma notícia tão bacana, né?
00:47Pois é, né? A senhora que trata e recebe pacientes assim todos os dias.
00:52Claro, tem notícias também da cura e tudo, mas é um medicamento revolucionário, né, doutora?
00:57É, é. Nós, assim, no congresso que foi apresentado, esse estudo, foi agora recentemente,
01:02o congresso mundial, né, nos Estados Unidos, os oncologistas levantaram, aplaudiram, se emocionaram.
01:08Então é nesse nível mesmo. Por quê?
01:11Porque o câncer de pâncreas, além dele ser muito agressivo, nós temos muito pouco.
01:17O arsenal terapêutico é pequeno, né? E nos últimos 15 anos, nós tivemos uma revolução na oncologia.
01:25Tratamentos que mudaram a história da oncologia, de vários tumores.
01:30Mas o câncer de pâncreas, ele ainda estava ali na gaveta.
01:34A gente teve essa dificuldade de encontrar um tratamento que ajudasse aí a melhorar a sobrevida do paciente.
01:40Vamos falar um pouquinho dos sintomas, doutora. O câncer, qual o primeiro sintoma, por exemplo, do câncer de pâncreas?
01:46É muito relativo, né? Porque depende de onde que o tumor, né? O câncer de pâncreas nós temos ali, a
01:53cabeça, o corpo, a cauda,
01:56de onde ele se apresenta. E por que ele fica, ele é grave? Justamente porque ele está ali atrás, né,
02:03no abdome.
02:03Então, para ele apresentar algum sintoma, ele precisa estar já grandinho.
02:10Então, eu posso ter apenas emagrecimento, né?
02:13Que não se explica, perder fome.
02:15É, o tumor tem essa capacidade, né?
02:18Porque o múspedeiro, ele está querendo ali prejudicar o paciente.
02:23Então, o paciente perde fome, então, emagrecimento.
02:26Ou dor, dor nas costas, em barra, a gente chama de dor em faixa, né?
02:31Dor nas costas ou dor no abdome, dor em faixa.
02:33Ou apenas o amarelão, que é a icterícia, por obstrução de vias biliares.
02:39Então, ele começa a apresentar sintomas quando ele já está um pouco mais avançado.
02:44Pode confundir com algum outro tipo de sintoma ou de uma doença?
02:48O próprio emagrecimento, né?
02:49Eu já tive paciente que começou a fazer atividade física, estava se cuidando, achando que era por conta disso.
02:56E era uma neoplasia.
02:58E qual é o exame que a gente faz para detectar, doutora?
03:02O exame que comprova o câncer de pâncreas, os cânceres em geral, é a biópsia, né?
03:08Mas tomografia, exames de imagem podem mostrar o tração de abdome que o paciente faz, tomografia, ressonância de abdome.
03:15Ele está relacionado a quê, assim?
03:17Ele está relacionado a uma coisa genética, a uma alimentação?
03:22A que a gente pode atribuir o aparecimento do câncer de pâncreas?
03:26Principalmente ao envelhecimento da população.
03:28Então, assim, a incidência vem aumentando por o envelhecimento.
03:31Estar vivendo mais, nós temos aí as neoplasias.
03:35Mas também está relacionado ao estilo de vida, obesidade, diabetes.
03:41E muito associado, as pessoas acham que é só pulmão, mas é o tabagismo.
03:46Também.
03:47Também.
03:47Então, assim, o tabagismo está associado a 14 tipos de cânceres.
03:50Mas, assim, a população, ela associa muito ao câncer de pulmão.
03:55Mas o câncer de pâncreas está muito associado ao tabagismo.
03:58Então, diabetes, hipertensão, obesidade e o envelhecimento.
04:01Voltando a falar sobre esse novo remédio, doutora, o que que ele age de forma diferente, né?
04:08Desse arsenal que a senhora falou que existe para combater, que é pouco, né?
04:12O que nós temos até então é quimioterapia e como que nós temos avançado na oncologia em geral,
04:19que é o que nós chamamos de terapia-alvo, uma oncologia de precisão mais específica para algum alvo que a
04:25gente encontra.
04:26A gente faz testes nos tumores, testes genéticos, descobre ali uma mutação naquele gene específico,
04:33no caso, o RAS, que é difícil de atuar em cima dele e aí essa droga atua nesse gene RAS.
04:43Então, agora nós, até então nós tínhamos quimioterapia, que é o que já se conhece há muitos anos, né?
04:51Mas é que é um tratamento mais generalizado e agora esse tratamento, ele é específico para esse gene RAS.
04:57Não será só para câncer de pâncreas, esse tratamento virá para outros tumores também.
05:01Nós temos agora para câncer de pâncreas, então ele vai lá nesses tumores mutados, né?
05:07Mais de 90% do câncer de pâncreas tem essa mutação e a droga atua ali especificamente.
05:15E falando nisso, esse estudo mostrou que a sobrevida dos pacientes praticamente dobrou.
05:21Esse ganho é considerado expressivo para o tratamento?
05:24Porque nós tínhamos aí uma sobrevida de um pouco mais de seis meses, né?
05:29Com uma certa linha de tratamento e com essa droga nós chegamos ali mais ou menos 14 meses.
05:37Agora, para esse medicamento chegar até a ser usado, né?
05:41Quais são as etapas? O que que falta?
05:43Essa expectativa, assim, saiu, né?
05:45Como está na mídia, nós temos recebido aí muito...
05:47Os pacientes nos mandando aí as reportagens.
05:50Vai demorar, infelizmente.
05:52Até no próprio Estados Unidos agora, nós temos aí as agências regulatórias.
05:57Então, até chegar no Brasil, a logística, né?
06:00Da indústria farmacêutica.
06:04E a minha esperança é que chegue aí no máximo até no 2028.
06:08Mas já é uma grande ajuda, né?
06:11Já, já.
06:11Enquanto não chega, doutora, o que que a gente pode dizer para a população em geral, né?
06:15Para o amigo, para a amiga do TN que estão assistindo a gente, sobre o diagnóstico, né?
06:19Uma palavra final para ficar atento aí sobre os sinais no nosso corpo.
06:23É, nós temos que conhecer nosso corpo, né?
06:25O ser humano tem que conhecer.
06:27E alguma mudança, procurar o médico.
06:29E principalmente, não fumar, né?
06:32Se cuidar, movimentar-se, fazer atividade física, evitar aí obesidade,
06:38procurar o médico, qualquer mudança, ficar alerta, né?
06:41Dor no abdômen, é claro que a gente tem isso no dia a dia,
06:45mas a gente sabe quando é uma dor diferente, né?
06:47Tem que ficar atento e procurar o médico logo, né?
06:50Tem, tem.
06:50Doutora Fernanda Oliveira, oncologista, muito obrigado pela sua participação.
06:55Obrigada por esse espaço.
06:56Olá.
06:57Minha do tipo.
06:57Doutora Fernanda.
06:59Doutora Fernanda.
07:00Doutora Fernanda.
07:00Doutora Fernanda.
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