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TVTranscrição
00:00Vocês não vão acreditar, vocês não sabem o que eu acabei de ouvir no rádio.
00:03O tal do policial federal, ele não morreu.
00:05Como não morreu? Eu dei um peco no coração dele.
00:08Pois é, inacreditável. O cara tem muita sorte.
00:11Parece que a bala pegou em alguma coisa que estava no paletó dele, no bolso.
00:14Ela acha que era um celular, uma carteira, alguma coisa assim.
00:16Não acredito, não é possível isso.
00:17É possível sim, acabou de dar no noticiário.
00:20Atentado a policial no aeroporto.
00:22Parece que ele se safou por causa dessas coisas que estavam no bolso, no paletó dele, tá?
00:25Vamos ver na televisão, pode ser que esteja dando alguma coisa.
00:27Aqui é mais rápido, Jota. Online, na rede.
00:30Olha aqui.
00:32Tá aqui, ó.
00:35Como é que é verdade?
00:37O federal se safou com vida.
00:39Ileso, é mole.
00:40O cara tem sorte, viu?
00:41É, mas a sorte dele não vai durar pra sempre, não.
00:44Ele e a filhinha dele vão dançar, vocês vão ver.
00:49Aqui, chegou o e-mail da chefia.
00:54Trabalho novo, hein? É urgente.
00:56O que a gente vai ser obrigado a fazer agora?
00:59Esse maluco aqui.
01:02Funcionou demais ou não devia?
01:03Agora a gente vai atrás dele.
01:05A gente quem? Você tá louco? Eu não vou atrás de ninguém, não, tá?
01:08Cala a boca, Helga.
01:09Fala sério.
01:10Depois da morte daquele doutor Sócrates lá naquela mansão...
01:14Meu Deus, aquela menina, Maria, que foi presa...
01:16Nunca mais eu dormi, tá?
01:18E eu adoro dormir.
01:19Mas que vai dar uma de santinha agora, é...
01:21Tua morrata, tua elatra, tá?
01:23Não fica dando lição de moral pra cima de mim, não.
01:25Eu vou te falar uma coisa, hein, Eric.
01:26Esse negócio de matar é muito diferente de roubar.
01:29Tem que dar conta, hein, Eric.
01:31Antigamente, nossa parada era outra, era muito mais leve.
01:34Era um roubo aqui, um furto, um golpe.
01:37Não tinha esse lance de violência, não.
01:39Agora você resolveu chutar o balde de vez, né?
01:42É uma vítima todo dia.
01:43O que é? Você tá louco?
01:44A chefia paga bem.
01:46Muito bem.
01:48Quando a gente consegue dar conta do serviço, né, Ramon?
01:51Mas parece que dessa vez vai ser fácil, viu?
02:04Bom dia.
02:05Bom dia, doutor Josias.
02:06O Platão já chegou?
02:07Deve estar chegando.
02:14A doutora Júlia não está aí?
02:16Não. Está na clínica no Guarujá.
02:19Bom dia, dona Amália.
02:20Oi, Josias. Vamos, então.
02:22Não podemos perder tempo.
02:29Estou muito nervoso, Platão.
02:31Também não é pra menos, não é, Josias?
02:34Eu trouxe o meu laptop aqui.
02:38Vou mostrar a você os e-mails que o Socrates escreveu.
02:43Fiquei chocado com as coisas que você contou.
02:46Fiquei sentindo que eu ia suspeitar, Platão.
02:50Mas se os e-mails do Socrates, você disse que não podemos usá-los como provas?
02:54Não, não, não. Não podemos.
02:56Na verdade, esses e-mails só provam que o Socrates estava muito preocupado, Zé.
03:00Ele estava desconfiado.
03:03Ele estava com muito medo de ser assassinado, Platão.
03:07Nenhum juiz vai aceitar eles como provas.
03:13Tem certeza?
03:14Eu tenho, sim.
03:16Mesmo porque esses e-mails foram conseguidos como violação de correspondência, não tem...
03:20não tem uma ordem judicial com isso, nada.
03:26Deixe-me ver os e-mails do Socrates, deixa eu ver.
03:29Segura o queixo, Platão.
03:31Você não vai acreditar nas coisas que o Socrates revela e a gente não ia desconfiar.
03:36Ninguém podia desconfiar.
04:00Eu te admiro muito, Simone.
04:03Muito.
04:05Você não se entregou ao desespero, à autopiedade ou à raiva, à depressão.
04:11Você continua procurando o prazer de ser, de existir, de viver.
04:17Claro, eu tenho muitos sonhos ainda, Lúcia.
04:21Eu tenho vontade de fazer ainda tantas coisas na vida.
04:25Fala dos seus sonhos pra mim.
04:27Bom, o maior deles seria reencontrar a minha filha, né, que está desaparecida.
04:33Qual o nome dela?
04:34Gabriela.
04:36Faz muitos anos que ela sumiu.
04:39Ai, se eu pudesse te ajudar.
04:42Olha, eu também tenho muitos outros sonhos, viu?
04:45Tenho vontade de fazer um monte de coisas que eu ainda não fiz na vida.
04:49Você quer ver, por exemplo, eu nunca fui ao Rio de Janeiro?
04:53Acredito, eu também nunca fui.
04:55Eu tinha muita vontade de ver o dia, o porcovado, de ver de perto aquela estátua do Cristo Redentor, lindo,
05:01maravilhoso, de braços abertos, enorme.
05:04Aliás, dizem que a vista lá de cima diz que é das mais bonitas do planeta.
05:09Mas esse sonho você ainda pode realizar, Simão.
05:12É, esse eu sei, né?
05:14Até porque não é tão longe assim, né?
05:17Depois tem isso também, né?
05:18Que apesar do diagnóstico, eu estou me sentindo muito bem.
05:23Você sabe que eu não me entrego.
05:26Porque a vida, Lúcia, já é uma bênção estar vivo.
05:32Participar dessa experiência extraordinária, maravilhosa.
05:36E tem gente que não valoriza isso, né?
05:39Você vê esse meu amigo virtual, Mauro?
05:42Eu sei que você conhece ela na internet.
05:44Então, parece que ele é um homem rico, viu?
05:48Pelo menos pelo que ele fala aí da vida dele.
05:52Mas ele vive deprimido, sabe?
05:56Preso ao passado.
05:57Ou seja, por enquanto, ele ainda não conseguiu dar valor ao fato de estar vivo.
06:06De aproveitar essa coisa bonita, da maravilha, de cada novo dia.
06:12Enfim, dessa dádiva que é o tempo que nós temos para viver.
06:32Onde você foi?
06:33Ai, papai, que susto.
06:35Deu pra isso agora?
06:37Pegou seu laptop e saiu?
06:40Ah, eu fui tomar um café e aproveitei para passar umas mensagens.
06:46Tem um lugar aqui pertinho, com internet sem fio.
06:50É muito gostoso.
06:52Aqui pertinho, no shopping.
06:54Mas por que ele não tomou café aqui em casa?
06:57Por que teve que sair para passar uma mensagem?
07:01Nossa, papai, quantas perguntas.
07:05É que este lugar é muito gostoso.
07:09O café lá vem com um petifú, uns bolhinhos assim que eu adoro.
07:13E eu queria aproveitar esse tempo para resolver várias coisas pelo computador.
07:19O Josias já voltou?
07:21Ainda não.
07:22O celular dele não atende?
07:24Eu já deixei vários recados.
07:26Estou muito curioso para saber...
07:30O que será que o Josias contou para o Platão?
07:36Eu também queria saber, papai.
07:39E por que ele resolveu contar tudo para o Platão e não para você?
07:44Ele disse que pode ser muito perigoso.
07:48Perigoso?
07:50Para quem?
07:51Para ele ou para você?
07:53Para todos.
07:56Eu acho.
08:02O Tio Josias descobriu uma pista ótima sobre quem matou o Tio Socrates.
08:06E parece que ele resolveu contar tudo para o papai.
08:08E cadê o papai?
08:09Sei lá, Cleo.
08:11Eu fui encontrar com ele e até agora não voltou.
08:13Eu queria muito saber dessa história.
08:15Descobri por que mataram o Tio Socrates e quem mandou matar.
08:19Também não sei, mas pode ter sido muita gente.
08:22É.
08:23Eu queria muito descobrir, Regina.
08:26Você sabe que quando a gente faz uma experiência no laboratório de física, muita coisa depende de quem observa o
08:32evento, né?
08:33Como é que é?
08:33O evento depende do observador.
08:35Mas por que você está dizendo isso?
08:37Sei lá, Cleo.
08:38Eu estou tentando, estou tentando raciocinar, estou tentando pensar por que fizeram isso com o Tio Socrates.
08:43Quanto mais informações a gente tiver, melhor vai ser para a gente agir.
08:47E você, hein?
08:48Quem você acha que pode ter sido o mandante?
08:51Não sei.
08:52É como você disse.
08:54Pode ter sido muita gente.
08:56Até mesmo a mamãe?
08:57Ai, Rê, não quero acusar ninguém sem ter certeza.
09:01Ai, meu Deus, eu sei que é horrível desconfiar da própria mãe, mas...
09:05Não sei o que eu posso fazer se eu suspeito.
09:08Pois é.
09:17Ai, meu Deus do céu, que susto!
09:20Nossa, pensa em assombração!
09:22Que susto digo eu, irmã.
09:23Você não parece uma assombração.
09:25Vamos deixar uma coisa bem clara.
09:27Para mim, você é a própria assombração.
09:29E, pai, é assim, hein?
09:30É assim que você pretende me conquistar, me assombrando, Ari?
09:34Ari?
09:34Não, meu nome é Ari Stokes.
09:36Quem te disse que eu quero te conquistar?
09:38Você não precisa dizer.
09:40Seus olhos falam com você.
09:43Eles praticamente imploram.
09:46Como você é uma pessoa pretenciosa, né?
09:48Você sabe por que eu nunca fui senhoras, Ari Stokes?
09:52Porque você é uma pessoa graça.
09:55Eu dou a cada mulher o que ela merece.
09:58Você nunca conseguiu ser gentil.
10:00Nunca conseguiu ser educado.
10:02Malu, sua falecida esposa, mãe dos seus filhos, deve ter morrido de desgosto, né?
10:08Quando descobriu que você era um canalha.
10:10Irmã, você limpa a sua boca quando você for falar da Malu?
10:13Escuta aqui.
10:14Eu tô aqui nervosa, esperando notícias do Platão.
10:17E você fica aqui, estrupiço, no meio do meu caminho.
10:20Dá licença, por favor.
10:22Você sumiu de repente, né, cunhadinha?
10:25Onde é que você foi?
10:26Eu não te devo explicações, Ari Stokes.
10:29Você sempre tem atitudes muito suspeitas, né, cunhadinha?
10:33Muito suspeitas.
10:36Engano seu.
10:37Você é que tem atitudes extremamente suspeitas.
10:42Com licença.
11:01E aí, beleza, princesa?
11:08Oh, Batista.
11:10Tem horas que eu me sinto tão sozinha.
11:13Mas que sozinha por quê, Celia?
11:15Eu tô aqui com você, meu.
11:17Quando minha mãe era viva, pelo menos a gente ainda tinha uma outra, sabe?
11:22Mesmo quando ela tava doente.
11:24Só o fato de cuidar dela já me dava mais força, me fazia me sentir mais forte.
11:29Mas agora não.
11:31Agora eu não tenho mais ninguém mesmo.
11:33É, mas como eu não tenho ninguém, Celia?
11:35Você tem e eu.
11:38Sabe, às vezes eu também me sinto sozinho, mas...
11:43Sei lá, a gente podia, de repente, juntar as nossas solidões.
11:49Quem sabe eu, você, você e eu...
11:54Batista!
11:56Batista, vê se toma jeito, vai.
11:59Tô falando de uma coisa séria aqui.
12:01Você vem com esse seu papinho, com esse seu xavequinho chato pra cima de mim.
12:04Não, mas não é xavequinho, princesa.
12:06Eu tô falando sério, é sinceridade, Celia.
12:09Por favor, olha pra mim.
12:11Deixa eu sentir esse seu cheirinho gostoso.
12:14Me dá um beijinho, Celia, por favor.
12:16Batista, vai lá, feijão, vai.
12:21Aí, ó.
12:22Tá vendo?
12:22Deixou tudo cair no chão.
12:23Agora eu vou ter que catar tudo de novo.
12:24Não, não, desculpa, Celia.
12:25Ai, mas só trabalha, que raiva.
12:27A culpa foi minha, Celia.
12:28Deixa que eu dou um trato nessa bagunça aqui.
12:31Deixa comigo.
12:52Danilo, preciso falar com você.
12:53Tá, só assim, Celia, deixa eu terminar essa série aqui de díceps.
12:58É importante, maluco.
13:01Ô, ô, ô, Rodrigo, você ficou maluco, cara?
13:03Como é que você desliga o som assim sem pedir licença?
13:04Você não cresce, não?
13:05Parece criança, cara.
13:06O papai descobriu quem mandou matar o tio Sócrates.
13:09Quem foi?
13:10Na verdade, o papai não sabe ainda.
13:13Quem descobriu foi o tio Josias.
13:15Marido da tia Cassandra.
13:17Enfim, os nossos tios por afinidade.
13:20Mas ele descobriu porque ele não contou logo.
13:22Parece que ele ligou pro tio Platão.
13:24Ele queria falar com ele primeiro.
13:31A gente tem que descobrir se essa história é real.
13:34Se tem fundamento.
13:37Vem, vem, vem, vem ver o circo de verdade.
13:41Tem, tem, tem, tem, tem cadeira e qualidade.
13:45Faço versos pro palhaço.
13:47Que na vida já foi tudo.
13:49Foi soldado, carpinteiro.
13:51Seu esteiro e vagabundo.
13:53Sem juízo, sem juízo.
13:55Fez feliz a todo mundo.
13:57Mas no fundo não sabia quem seu rosto coloria.
14:01Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria.
14:06Vai, vai, vai começar a brincadeira.
14:09Tem charanga tocando a noite inteira.
14:12Vem, vem, vem ver o circo de verdade.
14:15Tem, tem, tem, tem picadeira e qualidade.
14:19De chicote, cara feia.
14:22Domador fica mais forte.
14:24Meia volta, volta e meia.
14:26Meia vida, meia morte.
14:28Terminado o seu batente.
14:30De repente a fera some.
14:32Vão, mandor que ela valente.
14:34Noutras feras se consome.
14:40Vai, vai, vai começar a brincadeira.
14:43Tem charanga tocando a noite inteira.
14:46Vem, vem, vem ver o circo de verdade.
14:50Tem, tem, tem picadeira e qualidade.
14:54Fala o fale da sanfona.
14:56Fala a flauta pequenina.
14:58Que o melhor vai vir agora.
15:00Que desponta a bailarina.
15:02Que seu corpo é de senhora.
15:04Que seu rosto é de menina.
15:06Quem chorava já não chora.
15:08Quem cantava desafina.
15:10Porque a dança só termina.
15:12Quando a noite for embora.
15:14Vai, vai, vai terminar a brincadeira.
15:19Que a charanga tocou a noite inteira.
15:24Morre o circo.
15:26Renasce na lembrança.
15:29Foi-se embora.
15:31Eu ainda era criança.
15:41Eu ainda era criança.
16:08Maria, Maria é um dom
16:10Uma certa magia
16:14Uma força que nos alerta
16:19Uma mulher que merece
16:24Viver e amar
16:27Como outra qualquer do planeta
16:31Minha filha
16:37Mas é preciso ter força
16:40É preciso ter raça
16:42É preciso ter cana
16:44Sempre entras no corpo a marca
16:47Maria, Maria mistura
16:50Amor e alegria
16:52Mas é preciso ter manha
16:55É preciso ter graça
16:57É preciso ter sonho
16:59Sempre entras apenas a marca
17:02Possui a estranha mania
17:05Que entra na vida
17:07Alea, alea, alea
17:24Alea, alea, alea
17:42Estou até suando de tão nervoso.
17:46É?
17:47Mas você tem razão, tem.
17:49Não podemos usar isso como provas.
17:51Mesmo porque não são provas?
17:53Esses e-mails são apenas indícios.
17:55Mas são fortes indícios, são.
17:57Você tem razão.
18:00Quanto a isso, não há a menor dúvida.
18:02E o que é que você pretende fazer agora?
18:05Vai contar tudo para a polícia?
18:06Divulgar para a imprensa?
18:08Eu vou lhe falar agora.
18:10Tudo o que eu penso sobre esse assunto.
18:17Sabe você o que é o amor?
18:20Não sabe, eu sei.
18:24Sabe o que é um provador?
18:26Não sabe, eu sei.
18:28Você sabe andar de madrugada, tendo a moda pela mão.
18:36Sabe gostar, não sabe nada.
18:40Não sabe, não.
18:43Ah, você não sabe, não.
18:56Você entendeu, Platão?
18:58Entendeu tudo o que eu disse?
19:00Se eu fizer isso, vai ser um escândalo muito maior.
19:02Você sabe muito bem.
19:04É.
19:05Vai ser como jogar merda no ventilador.
19:07E o pior, sem provas, não é?
19:09Eu tenho muita vontade, sinceramente, muita vontade de fazer isso.
19:14Mas eu fico pensando...
19:18Será que vale a pena esse escândalo?
19:20Mas é uma questão de injustiça, é.
19:22O Sócrates morreu envenenado, assassinado.
19:27E cruelmente...
19:28Eu sei, eu sei.
19:29Mas se a gente revelar tudo isso, a gente vai estar acusando.
19:33Praticamente acusando, Platão.
19:35Em uma pessoa muito próxima da gente.
19:38E eu fico pensando que isso vai causar um tremendo tumulto.
19:41Isso vai ser péssimo para os negócios.
19:44Péssimo para as empresas.
19:46Ah, agora eu entendi.
19:48Você é igual aos outros.
19:50Você só está pensando nos negócios.
19:53No dinheiro, só está...
19:54Fala a verdade.
19:56Platão.
19:57Eu entendo muito bem você.
20:01Sinceramente, eu entendo.
20:03O Sócrates era teu irmão e você está muito chocado com a morte dele.
20:07Mas se nós entrarmos em mais um escândalo,
20:10aí sim é que nós vamos correr mesmo o risco da progênese ir para a falência.
20:14E eu não quero isso.
20:15Eu não quero que a progênese vá à falência
20:17porque eu não quero perder tudo que eu tenho na minha vida
20:20por causa de um bando de malucos.
20:23Um bando de sociopatas.
20:25Gente violenta, canalha, mau caráter
20:28que não mede as consequências dos seus atos.
20:31Tá, tá, tá.
20:36Mas nós não podemos ignorar as coisas que você descobriu.
20:42Se a gente não contar nada para a polícia, para a imprensa,
20:45nós temos que continuar a investigação também.
20:50Muito bem.
20:51Eu concordo com você.
20:53É isso mesmo que nós temos a fazer.
20:57Mas agora nós sabemos que o Sócrates estava com muito medo de ser assassinado.
21:03nós sabemos de quem ele desconfiava e porquê.
21:10Eu sou um pesadelo.
21:14É um pesadelo.
21:18Vamos para a casa, Platão.
21:20Vamos sair daqui.
21:22Não vamos falar sobre isso com mais ninguém.
21:24Não podemos, Platão.
21:25Não podemos.
21:26Se a gente comentar com alguém, um conta para o outro,
21:28o outro conta para o outro.
21:30E deixa de ser segredo.
21:31E as coisas vão fugir do nosso controle.
21:34É, você tem razão.
21:36O melhor mesmo é guardar segredo.
21:40Platão.
21:43Escuta bem o que eu vou te dizer.
21:46Nós não podemos...
21:47Não podemos comentar sobre isso com ninguém, meu amigo.
21:51Você e eu não podemos falar sobre esse assunto com ninguém.
21:54Nem com as nossas próprias famílias.
21:58Até encontrarmos as provas.
22:03Está muito bem.
22:06Até encontrarmos as provas.
22:12Vamos.
22:18Doutor Sócrates Mayer, dono da progênese.
22:21Assassinado no mesmo dia que Amabel.
22:24E você acha que pode haver alguma relação entre as mortes?
22:28Tenho certeza.
22:31Por quê?
22:33Como foi que você chegou a essa conclusão?
22:36Porque o veneno utilizado foi exatamente o mesmo.
22:39O veneno do sapo bufo.
22:42Um veneno raríssimo.
22:45Para mim, isso é praticamente uma assinatura do criminoso.
22:48E não pode ter sido uma coincidência?
22:50Não.
22:51Eu vou te explicar por que não.
22:53Você pode pensar que eu estou louco, pedreira.
22:56Mas tudo o que eu vou lhe dizer agora é a verdade.
23:00Foi esse livro aqui
23:01que me deu a pista que eu precisava.
23:07Mutação?
23:09Doutor Walker.
23:11É o cientista americano.
23:13O mesmo que foi assassinado logo depois que você encontrou com ele em Miami, não é?
23:16Exatamente.
23:17A polícia americana está suspeitando de você.
23:20Isso é um absurdo.
23:21Eles vão interrogar você.
23:23Sem problemas.
23:24Quando o doutor Walker se despediu de mim e da minha filha, ele ainda estava vivo.
23:28E foi assassinado depois.
23:31Tudo bem, continue.
23:32Você estava falando sobre as pistas que encontrou neste livro.
23:35O livro do doutor Walker fala de pessoas com habilidades especiais.
23:41Mutantes?
23:41Sim.
23:43Mutantes.
23:45O livro mostra dois casos no Brasil.
23:48O caso de um menino elétrico.
23:50Ah, criança elétrica.
23:52Isso.
23:53Um menino que dá choques.
23:55Hum.
23:55E o caso de uma moça com...
23:58garras.
23:59Garras felinas.
24:01Garras de pantera.
24:03Marcelo, você está falando tudo isso a sério?
24:04Ou você voltou de férias disposto a brincar comigo?
24:07Pedreira, eu sei que é difícil acreditar.
24:11Mas todas essas pessoas com habilidades especiais...
24:16nasceram no mesmo lugar.
24:18Onde?
24:19Na clínica Progênese, no Guarujá.
24:22No litoral de São Paulo.
24:24O mesmo lugar que nasceu a minha filha.
24:27E a sua filha?
24:28Ah, agora eu me lembro.
24:30Um pouco antes de a gente pegar o filho de rua, se eu me disse uma vez...
24:34A sua filha é especial, não é isso?
24:39Marcelo, você está tentando me dizer que a sua filha é uma mutante.
24:45Você pode não acreditar, Pedreira, mas é verdade.
24:48Mas não sou só eu.
24:49Ninguém vai acreditar nessa história, Marcelo.
24:52Nós fomos atacados em Miami por um tris.
24:55Não aconteceu pelo menos.
24:56E é isso que você vai dizer lá para os americanos?
24:58Que esse tal de Dr. Walker foi assassinado porque fez um livro sobre mutantes.
25:02É a verdade.
25:04Todos esses casos estão relacionados.
25:06A morte do Dr. Walker, a morte do Dr. Sócrates, a morte da minha mulher, o atentado contra
25:11mim e minha filha em Miami e aqui em São Paulo.
25:13Todos esses casos estão relacionados com experiências, mutações genéticas em seres humanos.
25:18Eu vou te mostrar, Pedreira.
25:23Essa mulher.
25:24Doutora Júlia Zacarias.
25:26Essa pista foi o Dr. Walker que perdeu.
25:30Marcelo, eu tenho uma outra, Pedreira.
25:33Para mim, algum chefão do filme organizado, quem sabe até mesmo Figueroa, ficou com muita
25:38raiva e mandou acabar com você e acabou pegando a sua mulher por engano.
25:42Eles não estão só atrás de mim, eles querem a minha filha também.
25:45E esse tiro que você levou, isso é coisa do Figueroa?
25:48Você está salvo por um milagre, Marcelo.
25:50Porque o meu bolso estava cheio de coisas.
25:51Carteira, celular, pendrive.
25:53Um pendrive que tinha todas as informações que eu consegui com o Dr. Walker sobre os mutantes.
25:58Eu perdi o pendrive e o celular.
25:59E esse pendrive tinha informação exatamente do quê?
26:02Sobre os mutantes.
26:04Sobre o programa de mutação genética em seres humanos da Clínica Progênes no Guarujá,
26:08no litoral de São Paulo.
26:10Marcelo, eu não acredito.
26:14Vou te levar na minha casa.
26:17Vou te mostrar o que minha filha é capaz de fazer.
26:19Então você vai compreender o que realmente está acontecendo.
26:25O que a gente não existe, Marcelo?
26:31Existem.
26:33Eu vou te provar.
26:40Filha, Angela, pode sair.
26:41Sai que a tua professora já foi embora com a doutora Beatriz.
26:44Vem, sai.
26:46Elas demoraram pra ir.
26:47Demoraram muito.
26:48Demoraram e ficaram enchendo a minha paciência, isso sim.
26:51Eu fiquei nervosa.
26:52Mas eu te falei pra ficar lá dentro, não te falei?
26:54Quieta, escondida, o tempo todo.
26:56Mas eu não estava conseguindo mais ficar naquele lugar.
26:58A tia Érica viu suas asas.
27:00Ela me viu?
27:00Ela viu você correndo, com as asas de fora.
27:03Achou que era um passo.
27:04Mas ela ficou desconfiada.
27:05Será?
27:06E eu achei.
27:07Eu não estou gostando nada dessa história
27:08de ter que ficar escondida dentro de casa.
27:11Papai disse pra tia Érica
27:12que você foi pra São Paulo com a mamãe.
27:14Que mentira, pai.
27:16Eu disse isso pra ver se ela deixa a gente em paz.
27:18Mas vai ser difícil.
27:19E ô, professorinha chata essa tua, hein?
27:22Mas você disse pra gente nunca mentir.
27:24Sempre falar a verdade.
27:29Você tá certa, filha.
27:31A gente deve sempre dizer a verdade.
27:33Se o próprio pai não dá exemplo pro filho,
27:36como é que ele quer que o filho fale a verdade?
27:38A minha vida inteira eu tive que mentir pros outros
27:40que eu era corcunda.
27:42Porque ninguém podia saber que eu tenho asas.
27:44Pois é, mas eu tive que inventar essa história,
27:45na verdade, pra te proteger.
27:48Mas eu preferia falar a verdade.
27:50Eu preferia contar pra todo mundo
27:52que eu nasci com essas asas.
27:54Eu acho, acho essas asas lindas.
27:57Elas continuam crescendo.
27:58E a vontade de voar.
28:00Continuam crescendo também.
28:02Pai, hoje quando você tava conversando
28:03com a tia Érica sobre minha mãe,
28:06eu fiquei com vontade de encontrar ela.
28:09Eu nem lembro mais comer a nossa mãe.
28:11Ela ainda tá viva?
28:12Eu acho que tá.
28:13E por que ela nunca mais apareceu?
28:15Não sei, ela desapareceu, nunca mais deu notícias.
28:18Por que ela fez isso?
28:21Meu amor, eu também gostaria de saber.
28:23Não dá pra dentro tomar um café com o leite.
28:25Um biscoito.
28:39Aqui é um carro roubado, chapa fria.
28:41Perto da sede da Progênese.
28:43Érica, tá boa, cara.
28:45Você tá ficando cada dia mais maluco.
28:46Ela tá louco, Elga.
28:47Tá completamente louco.
28:48Aqui é um carro, um poçante poderoso, Elga.
28:50Vai ficar tranquila, que a chapa tá adulterada.
28:52Então quer dizer que você vai atrás do cara, é isso?
28:55Esperando o cara sair, né?
28:56O jefe me passou o serviço.
28:58Ele tá pra sair a qualquer momento.
28:59E pra que você fica me ligando
29:00pra contar esses detalhes, hein?
29:02Qual o problema?
29:02O problema é que você vai matar uma pessoa
29:04e fica me ligando pra contar.
29:06Isso não é normal, entende?
29:07E quem disse que eu vou matar, Elga?
29:09Pelo menos foi isso que eu entendi.
29:10A ordem não é matar.
29:11A ordem é fazer o cara sumir do mapa.
29:13Ah, então quer dizer que além de matar o cara,
29:15você vai ter que sumir com o corpo, é isso?
29:17Aqui, ô, Elga, relaxa, tá legal?
29:19Relaxa.
29:19Não vou ficar dando detalhe da operação pro telefone.
29:21Então pra que você me ligou?
29:23Você fica aí em casa,
29:24só esperando na boa,
29:25quem vai fazer o serviço sou eu mesmo.
29:27Pelo menos falando no celular.
29:28Sei lá, parece mais normal, né?
29:30Tá menos bandeira.
29:31Não fico pilhado, fico tranquilo.
29:33Como assim mais tranquilo?
29:34Você vai cometer um crime,
29:35você quer ficar mais tranquilo?
29:36Cala a boca, Elga.
29:37Tá?
29:41E aí, o cara tá saindo.
29:43A gente se fala depois.
29:44Eu tenho que desligar.
29:45Me desejo boa sorte.
29:46Boa sorte.
29:47Beijo, tchau.
29:51Tá ficando cada vez pior.
29:52O que a gente vai fazer agora, hein?
29:54Não sei.
29:55Você tem alguma ideia?
30:17O que a gente vai fazer agora?
30:25Esfixi-se.
30:26Você tem 어떡 still.
30:29A gente vai fazer agora.
30:31O que a gente vai fazer agora?
30:36E aí?
30:39E aí?
30:44Tchau, tchau.
31:18Tchau, tchau.
31:39Você examinou meu peludo.
31:42Desculpe, isso é o quê?
31:45Peludo. É como eu gosto de chamar o meu menino lombo.
31:50Peludo. Muito interessante.
31:53Não é desprezo. É uma forma carinhosa de chamar o menino.
31:58De alguma maneira, eu tenho um grande amor pelas minhas criaturas.
32:03Eles são fruto do meu saber.
32:06Tira a mordaça dele.
32:07O que? Como é que é?
32:11Tira a mordaça.
32:13Eu vou examinar os dentes e vou recolher células e saliva da gengiva.
32:17Ele pode acordar, despertar e me morder.
32:21César, ele está sedado, dormindo profundamente.
32:24Júlia, crianças e lobos são espertos, matreiros, smart.
32:29César, faça o que eu mando.
32:32Por favor, e mais.
32:34Para por um instante de ficar falando todas essas línguas estrangeiras.
32:38Porque eu preciso de concentração.
32:39Isso me distrai.
32:41Ok.
32:41Sorry.
32:42Desculpe, é um hábito.
32:43Puxa, eu pensei que te agradava.
32:46Até certo ponto.
32:47Para tudo ter uma medida.
32:48Depois, cansa.
32:49Tira a mordaça.
33:00E agora, me ajuda aqui.
33:04Escreve.
33:06O que você quer que eu escreva?
33:08Lobo.
33:10Sofre.
33:11Bolfe.
33:12Lobo.
33:13Lobo.
33:22Não adianta rezar.
33:25A reza tem muito mais poder do que você pensa, Pachola.
33:32Rezar não vai trazer o Vavá de volta.
33:36Isso é o que você diz.
33:42A força dos pensamentos
33:45Faz muita coisa acontecer na vida da gente.
33:51Então você acha que você
33:53Atraiu o que aconteceu com o Vavá?
33:58Eu passei a minha vida inteira
33:59Tão preocupada com ele.
34:03Porque ele é
34:05Assim, desse jeitinho, diferente dos outros.
34:10Acabou acontecendo alguma coisa.
34:15Meu filho não tá comigo
34:20Mas eu tô com ele
34:27Eu peço que me esclareça
34:30O que tem maior valia
34:33Se a esperança frustrada
34:36Ou ela quando ainda via
34:40Gostaria de saber
34:42O que mais vale nesta vida
34:46Ter a coisa desejada
34:49Ou não ter a coisa querida
34:55Uma felicidade maior, Maria
34:58Do que você aqui
34:59De novo com a gente
35:01Não, mãe
35:03Mentira
35:03Olha
35:04Eu amo muito esse circo
35:06Mas eu amo muito mais você
35:08Você é alegria
35:09Tira esse velho palhaço
35:15Maria
35:19Palhaço
35:19O que cai
35:21É o que chora
35:22É o que leva o tarta na cara, né pele?
35:25Leva o chute na bunda
35:26Palhaço é o pobre, Maria
35:27É o rejeitado
35:28Mas ele tem muita coisa pra dar
35:30Ele tem muito amor no coração
35:31Igual tem por você, Maria
35:34Tem muito amor
35:37Eu te chamo
35:53Mandou bem, Gude
35:54Ai, Maria querida
35:56Que saudade que eu tava de ti, Gude
36:01Hoje é minha festa
36:03A rainha do circo
36:05Chegou
36:07Ai, dona Marisa
36:11Eu tava com muita saudade da senhora
36:17Você fez muita falta aqui no circo, viu, Maria?
36:20Tava todo mundo triste, Maria
36:21Parecia que tinham roubado a alegria da gente
36:24É, Maria
36:26E se eu posso te dizer
36:29Tu que é a alegria desse circo aqui
36:32Também tô feliz que você voltou, viu
36:36Eu é que tô feliz, gente
36:37Tô de volta
36:42Graças ao meu super, hiper, ultra, competente advogado
36:46Meu grande amigo, doutor Armando Carvalho Pinto
36:52Viva, doutor Carvalho
36:55Salvas e palmas para o doutor Carvalho
36:59Obrigado, gente
37:00Eu tô muito feliz
37:01De ter conseguido com o juiz
37:03A liberdade provisória da Maria
37:05E principalmente
37:07Porque eu acredito
37:08Acredito na inocência dela
37:10Todos nós
37:11Nosso grande e querido novo amigo
37:14Temos certeza
37:16Da inocência da Maria
37:20E hoje tem espetáculo?
37:22Tem, senhora
37:22Hoje tem barbelada
37:24Tem, senhora
37:26Não parece o que que é?
37:27Ela é tão linda, né?
37:29Então, dá licença
37:30Eu vou roubar a Maria pra mim
37:37Pai
37:38Oi
37:38Eu quero fazer o número do tecido hoje
37:41Hoje?
37:42É, hoje, com certeza
37:44Esse tempo todo que eu tava lá na cadeia
37:46Na hora do espetáculo
37:47É que eu queria tá aqui
37:48Aqui com vocês
37:50Minha família
37:50Maria por um traço
37:52Maria por um tris
37:54Maria em liberdade
37:55Palhaço fica feliz
37:56Maria por um tris
37:58Maria por um traço
38:00Maria alegria
38:01Desse velho palhado
38:02Maria por um traço
38:08Maria por um traço
38:10Maria por um traço
38:12Maria por um traço
38:15Maria por um traço
38:16Maria por um traço
38:19Maria por um traço
38:23Mutantes?
38:25É isso que nós somos
38:27Mutantes
38:28É
38:31É exatamente isso que vocês são
38:33Mas o que você sabe sobre isso?
38:36Pai, fala pra gente
38:39Vocês são mutantes, sim
38:42São diferentes do resto das pessoas
38:44Vocês sabem o que acontece com as pessoas
38:46Que são muito diferentes na nossa sociedade
38:51As pessoas que são muito diferentes
38:54Elas não são aceitas
38:57Não são compreendidas
39:00Elas sofrem discriminação
39:03Mas pai
39:04Nem todo mundo que é diferente
39:06Sofre assim do jeito que você tá falando
39:07Eu posso ser diferente pra melhor
39:09Eu posso
39:10Bater recorde
39:12Ganhar medalhas pro Brasil
39:13Participar das Olimpíadas
39:15A minha visão também pode ajudar os outros
39:18Pai
39:18Eu descobri isso naquele dia
39:20Que a gente ajudou a salvar aquele garotinho
39:22Que tinha se perdido da mãe
39:24Agatha
39:24Você sempre me ajudou
39:25Nas pescarias
39:26Minha filha
39:28Eu consigo ver onde os cardumes estão
39:30Por causa do voo dos pássaros
39:32Eu posso ver muito mais fundo
39:34Que você imagina
39:43Eu sei
39:45Eu sei
39:47Vocês tem que entender
39:50Eu sempre procurei proteger vocês
39:55Eu queria que vocês tivessem uma vida normal
39:58Tão normal quanto possível
40:01Apesar de vocês serem mutantes
40:03Pai, você fica falando essa palavra mutantes
40:06Como se eu e aqueles fôssemos pessoas deformadas
40:08Deficientes
40:09Pai, você até que eu sou alguma aberração
40:10Você fica falando como se a gente tivesse alguma doença grave
40:12Pai, não é
40:13Não, não
40:14Não é nada disso
40:18Será que não dá pra gente conversar sobre outras coisas?
40:21Não dá pra esquecer o minuto que vocês são mutantes?
40:25A culpa é da sua mãe
40:27Ela que não se conforma de ter filhos diferentes como vocês
40:30Tem certeza pai?
40:32Você tem certeza que é só minha mãe que não se conforma?
40:35Ou é você também pai
40:43Já sei, Rosana
40:46Sabe o quê?
40:48Eu me lembrei de onde eu conheço você
40:50Lembrou?
40:51Você teve filhos aqui na clínica, não foi?
40:54Eu?
40:55Já faz tempo
40:56Mas eu estou lembrando
40:59Lembrando o quê?
41:00Filhos?
41:01De que você está falando?
41:02Na época você me chamou atenção pela sua beleza
41:06Obrigada Ruth, mas eu acho que você está me confundindo com outra pessoa
41:10Não, não
41:11Eu lembro muito bem
41:12Não foi só por causa da sua beleza
41:14Mas porque o seu primeiro filho era especial também
41:19Filho?
41:20Especial?
41:21Do que você está falando?
41:25Rosana
41:25Eu lembro muito bem
41:28Que eu dei vacina nele
41:33E a feridinha da injeção
41:35Curou na hora
41:36Assim na minha frente
41:38Antes que eu tivesse tempo de acabar o curativo
41:42Depois você teve uma filha que tinha olhos especiais
41:46Engraçado
41:48Demorou um tempo para eu me lembrar de onde eu conhecia você
41:51Mas agora me veio tudo com muita nitidez
41:57É verdade, Ruth
42:02Mas eu não queria que você comentasse com ninguém
42:04Seus filhos já devem estar adolescentes, né?
42:08Estão
42:10Ele vai fazer 15 anos
42:12E ela vai fazer 13
42:14E por que você veio trabalhar aqui?
42:16Porque eu tenho necessidade de saber
42:20O que aconteceu com meus filhos
42:23Você se formou enfermeira
42:25Arranjou trabalho aqui
42:27Pensando em espionar o que acontece nessa clínica
42:31Espionar é uma palavra muito forte
42:34Mas é exatamente isso que você veio fazer aqui, né?
42:43Obrigada, Beatriz
42:44De nada, Erika
42:47Só foi uma pena não ter visto a menina, né?
42:50Passou uma ideia pela cabeça
42:52Que ideia?
42:54Ele estava mentindo
42:55Por que você acha isso?
42:57A menina, a Angela, estava lá escondida, eu tenho certeza
43:00Será possível?
43:02Tudo é possível, Beatriz
43:04Eu tenho uma espécie de dom, sabe?
43:07Dom?
43:08É, desde menina eu sei quando as pessoas estão mentindo para mim
43:11Como assim?
43:12Eu sei, eu simplesmente sei
43:14Toda vez que alguém fala uma mentira
43:15É mesmo?
43:17Nossa, eu confesso que eu gostaria muito de ter essa sua habilidade
43:21Mas
43:21Para falar a verdade, Erika
43:23Eu acho difícil de acreditar
43:25Por isso que eu não gosto de falar sobre isso com as pessoas
43:27Elas não acreditam
43:28Mas Beatriz
43:29Desde a primeira vez que eu conversei com o pai da Angela
43:32Eu vi que ele estava mentindo para mim
43:35Boa tarde
43:36Boa tarde
43:37Essa é a professora Erika, uma amiga
43:39Essa é a Marley, enfermeira aqui da clínica
43:41Prazer, tudo bom?
43:42Prazer, tudo bom?
43:44Que flor linda é essa?
43:45Ganhei do Cris
43:46O que Cris?
43:47Cristiano, bebê
43:49Você ganhou uma flor de um bebê?
43:51Foi
43:51Sabe o que eu descobri?
43:53Que o Cris é um grande brincalhão
43:57Doutora Beatriz
43:58Já encontrou o novo diretor da clínica, o doutor César?
44:01Ainda não
44:02Ele e a doutora Júlia estão examinando o menino que está lá no quarto da quarentena
44:06O tal menino peludo de doença rara?
44:09Ele mesmo
44:10Com licença
44:11Eu vou botar a minha flor numa jarrinha com água
44:15Fica à vontade
44:21Pelo risco, as coisas estranhas não acontecem só comigo, né Beatriz?
44:24Não, Erika
44:25Não mesmo
44:36Alguma notícia dos Júlias?
44:39Ainda não
44:40E eu já estou ficando preocupada
44:45Mãe
44:47Tudo bem com vocês?
44:49Não, mãe, não está tudo bem, não
44:50Qual o problema, Lucas?
44:54Essas experiências que a doutora Júlia fez lá na clínica
44:57Onde eu e a Janete nascemos
44:59É por causa disso, mãe
45:01Que a gente é do jeito que é
45:04Por que você me pergunta o que já sabe?
45:08Você queria ter filho mutante, mãe?
45:10Explica direito isso
45:11Você sabia do que estava acontecendo naquela clínica?
45:15Eu não sabia exatamente o que era
45:17A doutora Júlia e o Sócrates disseram que meus filhos poderiam nascer superdotados
45:23E eu concordei
45:25Meus netos nasceram superdotados
45:28E põe super nisso, hein?
45:32Já que eu não sabia exatamente o que ia acontecer
45:35Eu não sabia que ia ter um filho capaz de invadir a minha mente para ler meu pensamento
45:42Quem foi que mandou matar o doutor Sócrates, mãe?
45:45Responde, mãe
45:46Se você sabe quem foi, diz-lhe
45:51Para de tentar escutar meu pensamento
45:54Para
45:56Para
45:56Para
46:04Pronto
46:05Já joguei fora a sacola com os ovos quebrados
46:07Tu não sujou as mãos, não?
46:10Um pouco
46:10Eu acho que tem um lenço aqui
46:11Pera aí
46:24Sempre foi muito gentil, né, Felipe?
46:27Eu estava me lembrando que a gente só se separou porque você foi trabalhar na Ásia, no Japão
46:31Enquanto eu fui para a Europa, para Milão
46:34Foi isso?
46:35É, foi o destino que quis nos separar
46:38É, parece que o destino resolveu me colocar na sua vida de novo
46:42É, parece
46:44Faz quase dez anos, Guarinha
46:46Ah, quase dez anos, quanto tempo?
46:49Você era uma menina ainda
46:51É
46:53Eu me lembro, você foi meu primeiro...
46:57Deixa pra lá
46:59O que foi?
47:00Ah, eu estou meio dividida, não sei
47:02Como assim?
47:04Assim, meio dividida, um milimestre, eu fico desse jeito
47:08Não estou entendendo, explica
47:10Por exemplo
47:12Agora, eu não queria estar de óculos
47:15Por quê?
47:17Porque eu fico me sentindo feia
47:20Você não fica feia nunca, Guarinha
47:22Agora, se você tirar o óculos, não vai enxergar direito
47:24É, isso tu tem razão
47:26É por isso que eu falo que eu fico dividida
47:28Porque metade de mim quer que eu fique com os óculos
47:30É a outra metade quer que eu tire os óculos
47:32Então tá bom, você vai ficar de óculos, tá?
47:36Quer dizer que você fica dividida?
47:38Quem sabe eu não consigo te unir
47:40Ai, Felipe
47:42Você sabe que eu sempre gostei desse teu senso de humor?
47:46Então vamos embora que eu vou te ajudar a fazer novas compras e te levo pra casa
47:49Não, tu não precisa se preocupar
47:50Eu faço questão
47:51Não, tu não precisa se preocupar que eu não quero tomar teu tempo
47:56Eu faço meu próprio tempo
47:58Vamos?
48:01Bom, já que tu insistes então, Felipe
48:04Como dizia minha avó
48:05Não vou me fazer advogada
48:08Eu gostoES dos manufactured store
48:10Eu gosto da fé
48:12Eu gosto do homem
48:13Eu gosto do homem
48:16Eu gosto da fé
48:30Nossa, filha
48:30O homem
48:31Eu gosto do homem
48:31Eu gosto do homem
48:32Hoje eu gosto do homem
48:32Eu gosto do homem
48:32Deobra
48:32Deixe somebody
48:33Eu gosto do homem
48:34Agora travelling
48:34Eu gosto, amor
48:34Bora
48:35Nossa vegetação
48:42Que merda, esse cara está me seguindo.
48:49Que droga.
49:07Que droga.
49:39Que droga.
49:41Que droga.
50:03Você viu aqui, Cleo, que saiu mais uma notícia sobre aquelas experiências que estão sendo feitas na Inglaterra?
50:09Ah, sobre as quimeras, eu vi.
50:10É, só que aqui nesse artigo, elas estão sendo chamadas de quiméricos.
50:16Hum, quiméricos. Depois de transgênicos, vem aí os quiméricos.
50:21É, olha só. Eles têm 99% de DNA humano e 1% de DNA animal.
50:28Nossa, 1% já é muito, né?
50:32É, mas eu acho que é praticamente a mesma percentagem que a doutora Júlia usou nas experiências dela, sabia?
50:45Eu não vou falar nada. Nada.
50:49Não admito essa intrusão dentro do meu pensamento.
50:54Para de tentar me escutar, Lucas.
50:57Parece que você sempre está querendo esconder alguma coisa de mim, mãe.
51:01Então é uma questão de esconder, Lucas.
51:04De quem que o papai está desconfiando, mãe?
51:06Eu não sei. Eu não tenho certeza.
51:10Os herdeiros, talvez.
51:12Os herdeiros são Platão e Aristóteles.
51:15É.
51:16Se o papai foi falar com Platão, então Aristóteles deve ser suspeito.
51:21Ou ele, ou a mulher do Platão, a Irma.
51:25Ou os filhos dele.
51:27Os sobrinhos de Sócrates também são herdeiros.
51:31É, mas pensando bem...
51:34Eu não sei.
51:35Tinha outras pessoas que teriam interesse que o doutor Sócrates não deixasse os bens dele para uma fundação científica, né?
51:40Ai, de quem é que vocês estão falando, hein?
51:44Eu não quero acusar ninguém, não, mas...
51:47A doutora Júlia, por exemplo.
51:48Ela podia querer manter a autonomia dela sobre as experiências dos mutantes na progêndia.
51:54Claro, claro.
51:56Não adianta especular.
51:59Eu acho que nós temos que esperar o seu pai chegar, porque pode ser tudo.
52:04Josias tem que nos dizer o que foi que ele descobriu.
52:17O que foi?
52:19Filho, o que foi?
52:20O que foi, Jeanette?
52:21Jeanette, você está bem?
52:22Meu pai.
52:23Vai acontecer uma coisa horrível com meu pai.
52:26Coisa, Jeanette?
52:27Eu não sei.
52:28Mas eu estou sentindo uma coisa horrorosa.
52:31Senta aqui.
52:33Senta aqui.
52:36Alô?
52:36Lucas, meu filho.
52:37Ô, pai, você não morre mais?
52:38A gente estava agora mesmo falando de você.
52:40Ai, graças a Deus.
52:42Pois eu estou com muito medo de morrer.
52:43Como é que é, pai? Por quê?
52:44Eu, que eu estou sendo seguido, filho.
52:46Onde é que você está, pai?
52:47Eu estou a caminho de casa, mas eu estou com muito medo.
52:49Com medo por quê, pai?
52:50Ele está vindo.
52:51Ele quem, pai? Ele quem?
52:52O cara que está me seguindo, eu tenho que estar fora daqui.
52:55Pai, pai, fala comigo, pelo amor de Deus.
52:56Pai, pai.
53:03Pai.
53:14Pai, pai, pai.
53:34O que está acontecendo?
53:35Gente, o papai já está sendo assaltado ou sequestrado.
53:37Como é que você sabe?
53:38Porque ele falou que tinha um cara seguindo ele.
53:40Aí eu ouvi uma voz que caiu a ligação, mãe.
53:41Liga de novo, Lucas.
53:43Liga de novo.
53:43É.
53:50Agora ela atende.
54:11Sabe você o que é o amor?
54:14Não sabe, eu sei.
54:18Sabe o que é o trovador?
54:21Não sabe, eu sei.
54:25Ah, você não sabe, não.
54:34Não sabe, eu sei.
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