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00:12Fala, bofe.
00:13Só pra tu saber, aconteceu tudo como eu previ.
00:17O irmão dele veio pro aeroporto.
00:19Com certeza pra pegar.
00:20Você tá no aeroporto?
00:22Tô na garagem, perto de onde ele estacionou o carro.
00:25Peraí, Eric, você vai fuzilar o federal na garagem do aeroporto?
00:29Tem que desligar, estão chegando.
01:27Pai, eu quero banheiro.
01:28Ih, então nós vamos ter que voltar.
01:31Teto, leva ela pra mim, por favor.
01:32Você sabe onde é?
01:33Enquanto isso, eu vou colocando as malas dentro do carro
01:35e vou dar uns telefonemas pro pessoal da agência de inteligência
01:38pra avisar que eu já voltei.
01:40Pessoal do carro.
01:41Vamos, Tati.
01:41Tati.
01:55Tati.
01:56Tati.
02:02Tati.
02:17Por favor, informação.
02:52O que é isso?
02:54O que é isso?
02:55É barulho de tiro.
03:05Pai!
03:08Pai!
03:08Calma, Tati!
03:10Meu pai!
03:12Tati, você tem que ficar calma.
03:14Meu pai!
03:15Pai!
03:15Calma, Tati!
03:17Meu pai!
03:18Meu pai!
03:19Pai!
03:21Pai!
03:22Pai!
03:24Pai!
03:30Pai!
03:32Tati, você tem que ficar calma, Tati.
03:33Se não, as coisas vão continuar a quebrar aqui.
03:35Explodir perto da gente.
03:37Vamos ver meu pai.
03:38Não, eu vou ver seu pai.
03:39Você fica aqui.
03:40Não, eu vou com você.
03:41Eu não quero ficar aqui sozinha, tio.
03:43Então você fica perto de mim, atrás de mim, colada em mim.
03:46A gente vai ver seu pai.
03:47Fica calma.
03:56Ah, meu Deus do céu, eu devia ter ido com eles.
04:00Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador.
04:04Se a ti me confiou, providência divina, sempre me rege, guarda, me protege e ilumina.
04:11Não deixai que nada de mal aconteça ao Marcelo, a Tatiana e ao Beto
04:16Guiai-nos sempre pelo caminho do bem
04:19Marcelo!
04:19Pai!
04:20Sustenta a nossa poragem
04:21Ele morreu!
04:22Consolar a nossa poragem
04:23Pai, eu tiro nele!
04:25Alma, Tati, calma!
04:26Ele não tá respirando
04:27Não, ele tá sim, ele tá sim, tem pulsação
04:30Cuidado!
04:32Pai!
04:33Tá tudo bem agora, mãe? Tá tudo bem, mãe?
04:35Criança de Deus, você tá viva
04:37O que aconteceu?
04:39Hein?
04:41O cara atirou em mim
04:43Zabal!
04:45Me acertou!
04:49Pau, pegou na minha carteira, no meu celular
04:52No CanDrive, o Dr. Walker me passou
04:54Entrave esse
04:56CanDrive, tem todas as informações
04:57O Dr. Walker conseguiu sobre os mutantes antes de morrer
05:00Você acha que dá pra recuperar esses arquivos?
05:02Não, não dá, tá tudo quebrado, olha aqui
05:03Partiu no meio
05:05E a bala parou no meio da minha carteira
05:07E quebrou o meu celular
05:10Meu irmão, eu achei que você estivesse
05:14Nossa, com o impacto da bala, eu caí pra trás
05:17Eu acho que eu bati com a cabeça
05:24Alô?
05:25Oi, mãe
05:27Não, tá tudo bem
05:29Nós estamos saindo daqui do aeroporto
05:31Daqui a pouquinho também em casa
05:33Tá tudo bem com o Mãe, só ele com a Tati também
05:38Mãe, protegei você, pai
05:44Amor, não acredito
05:46Você voltou, você chegou
05:48Não sabia que você estava aí tão à vontade
05:51Foi mal
05:51Imagina, que bom
05:53Você fez falta, sabia?
05:55É mesmo?
05:56Claro, claro que sim
05:58Você é um cara tão legal comigo, tão carinhoso
06:01Tão diferente do seu irmão
06:03Que é tão grosso comigo
06:04Me trata que nem uma cachorra
06:05Não deixa
06:06Eu já falei pra não deixar de te maltratar, não falei?
06:09Eu tento
06:10Eu tento, mas
06:12Eu preciso de uma pessoa assim
06:14Que nem você
06:15Que cuide de mim
06:16Que me proteja dele
06:17Que me dê guarida
06:21Elga
06:22Elga, meu, poitete
06:23Não sei quem pegar o federal
06:24Deu um teco no peito dele
06:26Caiu na hora
06:28Porra, amor
06:29Então, chegou?
06:30E aí, beleza?
06:32Tudo bem, tranquilo
06:33Quer dizer, então, que o tal policial federal tá morto?
06:36Já era
06:37Federal
06:39Foi se juntar com a mulherzinha no céu dos otários
06:42Elga, vai botar alguma coisa mais decente, vai?
06:44Como assim mais decente?
06:46O que que tem minha camisola inocente?
06:47Tô tão bonita
06:48Imagina
06:49Essa coisa de homem
06:50Que tem a cabeça suja, que nem vocês
06:51Eu, hein?
06:52Tô linda, maravilhosa, tá?
06:54Cala a boca, tá?
06:55Pega alguma coisa pro bebê que eu tô estressado
06:58E a garota, Eric?
07:01A pirralha, a poltergacha, a maluca
07:03A filha paranormal do policial federal
07:06Que você queria que eu acertasse em Miami
07:07E aí?
07:08Conseguiu?
07:10Não
07:11Ainda não
07:13Agora só falta ela
07:15A garota
07:17Vovor
07:46Tati
07:48Mabel
07:50Caramba, machucuinho
07:52Depois sim, Miami
07:55Boa tarde, Beto lá
07:56Ela podia ter morrido
07:59Foi por um tris
08:01Com certeza tinha alguém na sua cola
08:02Aqui em Miami
08:04É, com certeza
08:05É por isso que eu preciso
08:07Desesperadamente
08:07Prender essa pessoa
08:09Que tá por trás desses atentados
08:10Antes que seja tarde demais
08:11Pra mim, todos esses crimes estão relacionados
08:13Olha aqui
08:19Milionário assassinado
08:20Doutor Sócrates Maier
08:21Presidente da Progênese
08:24E a mulher que foi acusada do crime
08:26É do lado dele
08:31Maria Luiz
08:34Artista de circo
08:35A polícia é suspeita de crime passional
08:38Será?
08:40Essa foto não tá muito boa
08:41Não dá pra ver direito
08:42Ela tá meio de lado
08:44Mas dá pra ver que ela é uma moça jovem
08:45Bonita
08:47Será que ela ia matar esse homem
08:49Por motivo passional?
08:50Muito estranho na cela
08:53Bom
08:54Nós temos duas linhas pra investigar
08:56A primeira
08:58É essa moça que tá sendo acusada da morte
09:00De Doutor Sócrates
09:01E a segunda
09:02A clínica da Progênese
09:03No Guarujá
09:04Onde a Tatiana nasceu
09:09Eu não vou me submeter aos caprichos de um canalha
09:12Como o senhor
09:13Mestrela sua, Maier
09:14Prefiro morrer do que ser sua
09:15Eu prefiro ficar deformado o resto da minha vida
09:18Tem certeza?
09:20Porque é isso que vai te acontecer
09:21Vou te entregar pra Machadona
09:23Ela vai te estraçalhar
09:24Vai acabar com você
09:24Ela já tentou uma vez
09:25Não consegui
09:26Não, mas dessa vez ela vai conseguir
09:28Já arrumou tudo com as coleguinhas de cela
09:30Elas vão se juntar pra te pegar
09:33Talvez se fosse sua Machadona
09:34Você até desce conta
09:35Mas dessa vez
09:36Não sei mais de dez
09:37Pra te pegar, Maria
09:38E eu vou deixar
09:39Você é um criminoso
09:41Um bandido
09:42Não merece ser chamado de policial
09:49Você é do circo
09:50Sabe brigar
09:51Mas elas vão te segurar, Maria
09:54E nenhum dos meus homens
09:55Vai mover um dedo pra te ajudar
09:57Até que você esteja
09:58Completamente destruída
09:59De um modo
10:00Que nenhum cirurgião plástico
10:01Vai poder dar jeito em você
10:04O dever de um policial
10:06É zelar pela lei
10:08É bem pedido
10:09Que o crime aconteça
10:09O senhor é um monstro
10:10Que deveria estar na cadeia
10:12Pensa bem, Maria
10:13É tão mais fácil ceder
10:16Me deixa
10:17Dá pra mim teu carinho
10:19Nojento
10:20Eu posso não ser perfeito
10:21Mas algumas partes de mim
10:22São ótimas
10:22Asqueroso
10:24Asqueroso
10:25Na verdade
10:25Eu sou muito mais gostoso
10:26Do que você pensa
10:28O senhor é um péssimo caráter
10:30É um senhor
10:31Invesprezível
10:32Um animal
10:33Mas eu não vou me deixar
10:34De migrar
10:35Por isso
10:35Eu sou de verdade
10:35Eu devia experimentar
10:37Um beijo meu
10:38Pode te fazer mudar de ideia
10:41Nunca
10:43Nunca
10:44Nunca
10:44Agora eu vou até o fim
10:46De verdade
10:46Eu não tenho medo
10:48Eu prefiro morrer
10:49Ou ir parar no hospital
10:50Do que isso
10:50O mal sobrevalece
10:52Quando os povos
10:54Se arrofartam
10:58Muito bem
11:00Foi você que escolheu
11:01Depois não diga
11:01Que eu não avisei
11:03Eu vou te entregar
11:04Para a Machadona
11:05E quero ver
11:06Se você mantém
11:06Essa arrogância
11:07Depois de passar
11:08Pelas mãos dela
11:09E das coleguinhas
11:10Que obedecem
11:10A ela na carceragem
11:13O que é?
11:14O senhor é o Ernesto Taveira
11:18Senta aqui
11:19Senta aqui
11:20O que é agora?
11:25Estou culpado
11:26Por licença delegado
11:27Desculpe interromper
11:28Mas é que o doutor Carvalho
11:29Está aí
11:30Ele trouxe uma ordem
11:30Do juiz
11:31Ordem do juiz?
11:32Que história é essa?
11:33É
11:33É que o juiz
11:34Concedeu liberdade
11:34Provisória
11:35Para Maria Luz
11:36Graças a Deus
11:37Paga
11:39Essa mulher
11:40É uma assassina
11:41Presa em flagrante
11:41É que na opinião
11:42Do juiz
11:43Ela é reprimária
11:44Tem bons antecedentes
11:45E também possui
11:45Residência fixa
11:46Não viu a menor
11:47Necessidade de mantê-la presa
11:49Eu não acredito
11:50Esse juiz
11:51Está de miolo mole
11:52Eu quero ver essa ordem
11:53Deixa ver
11:56Aí está
11:57A ordem do juiz
12:00Doutor Carvalho
12:03Eu...
12:03Eu estou livre mesmo?
12:05Então sim, Maria
12:06Eu posso voltar para o Ciro
12:07Pelo menos por enquanto
12:09Você vai ficar em liberdade
12:12Ai, que bom
12:14Muito obrigada
12:15Muito obrigada
12:18O senhor chegou na hora exata
12:21Para impedir que esse pesadelo continuasse
12:24Ele estava me assediando
12:25Estava me ameaçando
12:27Maria
12:28Eu ainda posso te processar
12:30Por desacato à autoridade
12:31E ofensas e danos morais
12:32Mas o senhor não vai fazer isso
12:33Não é mesmo, delegado?
12:35E sabe por quê?
12:37Porque o senhor não quer um escândalo
12:38Na sua carreira
12:39Não é mesmo, delegado?
12:40O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
12:42Acusado de assediar uma presa na carceragem
12:49Vocês ainda vão ter notícias minhas
12:51Esse caso ainda não acabou
12:53Podem ter certeza disso
13:02Com licença, delegado
13:04Com licença, delegado
13:20O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:23O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:26O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:30O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:31O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:34O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:34O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:35O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:36O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:37O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:42O senhor não quer ver o seu nome no jornal?
13:49A minha mãe pediu para não falar nada para vocês, não, de jeito nenhum, mas eu não aguentei, vim aqui.
13:54Poxa, é minha mãe, tá? Eu acredito em tudo que ela fala para mim.
13:57E ela falou que a Maria foi deixada no circo e que ela não é filha de vocês, Ana Luz,
14:02poxa.
14:03Foi deixada assim, Gordi, ali, no marco e bancada.
14:07Mas você tem que entender uma coisa, meu filho, Maria é e sempre será a nossa filha.
14:14Gente, vocês não estão entendendo o que eu falei.
14:16Eu falei que a Maria não é filha biológica de vocês.
14:19É, ela não foi feita por mim, mas é nossa filha, minha filha não é um jeito, cara.
14:23Pai e mãe é quem cria. Educar uma criança, meu amor, não é fácil.
14:28É da educação, amor, carinho, dignidade, respeito, respeito ao outro.
14:33É fazer um ser humano.
14:35É, mas vocês nunca contaram para ela, né?
14:37Não.
14:38Mas por que não contaram, Pepe?
14:40Por causa de um bilhete.
14:41É, uma ameaça, cara.
14:42Se a gente contasse para a polícia, se a gente contasse para alguma autoridade, eles matavam a gente.
14:47Tá aqui, ó.
14:49Esse bilhete aqui, meu filho.
14:51Pode ler.
14:52É uma ameaça.
14:53Isso botava em risco todos nós.
15:00Caramba.
15:02Mas tudo bem.
15:03Esse bilhete que vocês receberam aqui, foi logo que ela chegou?
15:07Foi.
15:08Então, gente, desculpa, passou muito tempo.
15:10A Maria já podia saber da verdade, né?
15:13Rude, meu querido, olha, você pode até não acreditar.
15:16Mas nós estávamos indo direto para a delegacia, fazer uma visita para a Maria, para contar tudo para ela.
15:21Tudo bem, né?
15:22Antes tarde do que nunca.
15:24Mas eu confesso a vocês que eu estou um pouco surpreso de vocês nunca terem falado a verdade para ela,
15:28sabia?
15:29Rude, meu filho, eu amo você e você sabe disso.
15:33Eu não tinha falado isso.
15:33Aquela altura, eu tinha perdido um bebê.
15:36Um mioma.
15:38Tiraram meu útero.
15:40Eu nunca mais ia poder engravidar.
15:43A gente queria muito um filho.
15:45Muito.
15:46E aí, do nada, chega a Maria, largada aqui na ribancada, linda, como um anjo.
15:54Como se fosse um presente de Deus, entende?
15:56Olha, eu confesso que a vida toda eu fiquei na dúvida se eu contava isso ou não, cara.
16:02Tinha duas partes.
16:02Uma parte me dizia que eu devia contar logo a verdade.
16:06A outra, que eu devia deixar assim mesmo, sabe?
16:09Desse jeito.
16:10Eu tinha medo.
16:11Pepe, Ana, eu entendo, de verdade eu entendo.
16:15Mas essa situação, gente, é crítica.
16:18A Maria precisa saber toda a verdade agora.
16:21Rude, eu e a Ana temos falado muito sobre isso, sabe?
16:25E como?
16:26Por isso que a gente resolveu.
16:28Talvez esse mistério do passado da Maria,
16:30que alguma coisa é ligado a essa armadilha que fizeram pra ela, gente.
16:34Mas é exatamente essa conclusão que nós chegamos.
16:37E por isso que nós estamos indo na delegacia, cara, pra contar pra ela hoje.
16:41Aqui o telefone, Maria.
16:46Segura aqui, por favor.
16:47Claro.
16:48Obrigada.
16:51E aí.
16:53Peraí, celular.
16:53Me ajuda nessa boca.
16:56Muita coisa.
16:58Alô?
16:59Alô, mãe?
17:01Sou eu.
17:03Graças a Deus.
17:04O juiz mandou me soltar.
17:07Minha filha, graças a Deus.
17:11O doutor Carvalho tá aqui comigo sim, mãe.
17:14Ele trouxe a ordem.
17:16Aquele delegado teve que aceitar.
17:18E você tá livre?
17:21Eu tô saindo, mãe.
17:23Deus seja louvado.
17:25A justiça tarda, mas não falha.
17:28É, é uma liberdade provisória, né?
17:30Eu ainda vou ser julgada.
17:32Mas eu vou, pelo menos, poder esperar o julgamento em liberdade, né?
17:36Eu tô indo pra casa, mãe.
17:38Daqui a pouco eu tô aí.
17:40Vinha logo, minha filha.
17:42Vim pra cá.
17:43Tá todo mundo morrendo de saudade, te esperando.
17:48Outra.
17:48Beijo.
17:49Maria tá livre.
17:51Maria tá livre.
17:53Maria tá livre.
17:54Maria tá livre.
17:57Maria tá livre.
17:58Maria tá livre.
17:58A notícia maravilhosa.
18:00Maria tá voltando.
18:01Maria tá chegando.
18:02Graças a Deus, Pepe.
18:04Justiça tá sendo feita, rapaz.
18:07Tô vendo de novo a Maria já voando no tecido, no círculo.
18:10Todo mundo feliz.
18:11A criançada feliz.
18:13Só tem um detalhe.
18:14Vocês já decidiram se vocês vão contar pra ela que ela não é filha de vocês?
18:18Quer dizer que ela não é filha biológica de vocês?
18:22O que você acha?
18:23Agora?
18:25Eu não sei, não.
18:27O que você acha?
18:28Deixa eu me meter.
18:29Só um pouquinho.
18:31Tem que contar a verdade pra ela, gente.
18:34Ela tem que saber de tudo.
18:35Tudo, tudo.
18:35Tintim por tintim.
18:47Vem, Cláudia, me assentar com a tia.
18:48Vem.
18:51Sr. Giga, o senhor sabe o quanto é importante que a Angela seja examinada por um profissional?
18:56É.
18:57Foi por isso que eu trouxe a Beatriz aqui.
18:59Então, a que horas a Angela deve estar de volta?
19:02Olha, você vai me desculpar, mas eu nem sei se a Angela volta.
19:05Como é que é?
19:06A Angela foi pra São Paulo com a mãe.
19:09A Angela foi pra São Paulo no meio do ano letivo?
19:12Olha, eu não sei nem se a Angela vai voltar.
19:14Caso ela se adapte a São Paulo, deve ficar.
19:16Mas e a Clara?
19:17A Clara fica com o pai.
19:19Ah, mas que pena.
19:20Vocês vão separar as duas irmãzinhas?
19:23Imagina.
19:23São Paulo e Guarujá, com o segundo.
19:26Elas não vão deixar de se ver por causa disso.
19:28Posso fazer uma pergunta, Sr. Giga?
19:30Pois não.
19:31Por que a Angela vai morar com a mãe?
19:33Eu tô me lembrando muito bem agora.
19:36A Angela me disse que não conheceu a mãe.
19:38Que a mãe sumiu quando ela era pequena ainda.
19:41Você tá confundindo, professora.
19:42Ah, não tô, não.
19:44Ela não sabia se a mãe tava viva ou morta.
19:46Clara, como é o nome da sua mãe?
19:48O nome da minha mãe?
19:49Não fala de boca cheia.
19:51Você não se lembra do nome da sua mãe, Clarinha?
19:55Viviane.
19:57Vivi.
20:00Professora Erika.
20:21O que é isso?
20:28Era um pássaro correndo?
20:30Olha, eu não vi na Helena, não vi.
20:31A gente sumiu.
20:32Era um pássaro correndo na estufa.
20:34Mas era um pássaro correndo ou voando, Erika?
20:36Correndo.
20:37Só deu pra ver as asas.
20:38Que estranho.
20:40Bom, seja lá o que for, já foi embora, mas...
20:42Eu vi, Sr. Giga.
20:43Eu vi.
20:44Eu tenho um grau de milpio, mas enxergo muito bem.
20:46E era um pássaro grande pelo tamanho das asas.
20:48Entendi.
20:49Acho que ele foi pra lá.
20:51Vamos ver o que foi, né?
20:55Eu não vou descobrir as asas da Angela.
20:58Não vai descobrir nada.
20:59Vamos embora.
21:01Julia, me diga, o que é que você pretende fazer com o menino novo, a Wolf Boy?
21:05Estou na dúvida.
21:06Eu não sei se levo ele pra família.
21:08Acho arriscado.
21:10Por quê?
21:10Por quê?
21:11Porque esse menino pode falar que tem na clínica que fizeram experiências com ele.
21:15É arriscado.
21:16Ele pode ter visto ou lido que não deve dar com a língua nos dentes.
21:21Julia, o menino quer falar.
21:23Ele quer falar.
21:23É perigoso tirar a mordaça dele.
21:25Mas, Guilherme, você está desesperado pra falar.
21:27Que desesperado.
21:29Garoto, se você prometer não gritar, eu tiro a sua mordaça.
21:33Mas se você gritar, você nunca mais vai falar na sua vida.
21:39Entendeu?
21:40Então, ele disse essa.
21:42O I, quer dizer sim.
21:48Pronto.
21:49E agora?
21:50Fala.
21:51Por favor, me mata.
21:53Não faça nada de mal comigo.
21:55Me diga uma coisa.
21:56Se a gente levar você de volta pra sua casa, o que que você vai falar pra sua família?
22:01Eu não vou dizer nada.
22:03Eu não tenho mais família.
22:04A minha mãe morreu.
22:06Eu não tenho mais ninguém.
22:09Eu só tenho o Pachola, né?
22:11Ele me expulsou de casa quando minha mãe morreu.
22:14Ru, quem é Pachola?
22:16É o marido da minha mãe.
22:17Muito bem.
22:18Pronto.
22:19Já falou.
22:20E agora, calma, a gente vai no carro.
22:22Calma.
22:23Quieto.
22:24Quieto.
22:25Quieto.
22:27Quieto.
22:28Tem que ter segurança com você, porque você morde.
22:33Eu vou dizer uma coisa.
22:35Estou muito satisfeita que não tenha ninguém que se preocupe por esse menino lobo.
22:42Isso me deixa mais tranquila.
22:44Pai, por quê?
22:45Mas o que você pretende fazer com esse menino lobo, Júlia?
22:49Essa coisa tem que fazer em testa, Júlia.
22:59Eu tenho certeza que eu vi.
23:01Mas era um pássaro?
23:02Era um pássaro.
23:03Estava com as asas abertas, mas estava correndo entre as flores.
23:06Mas que esquisito.
23:07Se preocupa não, porque já deve ter ido embora.
23:09Mas você sabe pelo menos que tipo de pássaro era?
23:12Não deu pra ver direito.
23:13Tinha um monte de planta na frente.
23:17Olha, será que não é uma garça, hein?
23:20Garça?
23:21Por quê?
23:21Há muitas garças por aqui?
23:23Tem uma que de vez em quando vem aqui pra comer uns girinos, né, filhota?
23:26Não é?
23:27Isso é impressionante.
23:28Há pouco esse pássaro estava aqui e de repente sumiu.
23:31Coisa de garça, né?
23:37Eu estou pensando seriamente em levar esse menino pra ilha, onde eu guardo as experiências
23:42que não deram certo.
23:43Assim ele já fica lá com aqueles monstrinhos.
23:45Júlia.
23:45Não é melhor sedar esse garoto.
23:49Ele está um pouco agitado, realmente.
23:52Ele está muito irritado.
23:53His nerves.
23:56Não.
23:57Ele não tem força pra romper essas amarras.
23:59Ele é muito pequeno.
24:00Ele é fraco ainda.
24:01Será que não, Júlia?
24:02Ele é um menino lobo.
24:03A wolf boy.
24:05A força dele é muito maior, bigger, do que a força de outros garotos.
24:09Você tem razão.
24:10Vou pegar o spray na lagoa.
24:12Esse é o mesmo spray que a caçana usou.
24:14Isso.
24:16Nós vamos colocar pra ele respirar alguns segundos e ele logo vai ficar calminho.
24:22Ah, isso.
24:28Calminho.
24:31Muito bem.
24:34Perfeito.
24:35Perfeito.
24:36Great.
24:37Você é uma grande cientista.
24:39Great scientist.
24:40Você merece o prêmio Nobel.
24:43The Nobel Prize.
24:44Eu mereço este prêmio e muitos outros também.
24:48Com certeza, minha querida.
24:49Certainly my dear.
24:51Mas certamente eu não vou receber nunca nenhum prêmio.
24:55Por quê?
24:55Why?
24:56Por quê?
24:56Porque eu só faço experiências com gente, meu amigo.
25:03Gente.
25:04E não com ratos ou cobaias.
25:08E eles só valorizam a ciência que trabalha com animais.
25:13Entendeu?
25:14Esta é a diferença.
25:17Gente e animais.
25:19E agora eu não quero mais falar sobre esse assunto porque eu preciso me concentrar no meu trabalho.
25:24Você é a única pessoa que teve coragem, Júlia, de fazer experiências com alterações genéticas.
25:29Alterações genéticas.
25:30Graças a essas experiências, César, eu descobri marcadores genéticos de extraordinária importância.
25:38Veja, por exemplo, esses dentes.
25:42Este pequeno ser mutante.
25:46Ah, sim, sim, sim, sim, sim.
25:49Por supuesto.
25:50Anote, por favor.
25:52Ah, sim, sim, sim, claro.
25:53Depois eu vou examinar o fundo do olho.
25:55Vamos tirar a célula da gengiva.
25:58Material genético.
25:59Os pelos.
26:01Depois eu vou fazer uma profunda punção para retirar células-tronco da medula desse menino.
26:12Então, eu vou poder conhecer, estudar melhor esse pequeno ser mutante que eu mesma criei.
26:26Pai, por que você acha que é perigoso investigar a clínica em quem?
26:30Intuição.
26:33Para sentimento.
26:34Porque se alguém fez isso mesmo, mexeu com as crianças na clínica, fez isso escondido, é proibido.
26:42Então, se isso for verdade, nós somos resultados de uma experiência criminosa.
26:45É isso que você está dizendo?
26:46Deixa quieto, Aquiles.
26:50É por essas e outras que eu prefiro nem falar nesse assunto.
26:55Melhor é continuar a viver em paz e não ficar futricando, porque as coisas são do jeito que são.
27:01Olha, pai, eu não sei por que meus olhos são desse jeito, mas eu gosto deles.
27:06É, e eu também gosto de ser super veloz.
27:08E de sala rápido de qualquer machucado.
27:16Desculpa, meus filhos.
27:18Seu pai está nervoso, mas é preocupação com a sua mãe e com vocês.
27:23É por isso que tem hora que dá vontade de sumir e ir para um lugar bem deserto.
27:30E como a ilha do Arraial que eu falei para vocês, sabe?
27:33Pai, você pode ter medo, mas eu não.
27:37Ah, jura, Aquiles?
27:38Você é indestrutível.
27:39Você já foi atropelado por um caminhão e não morreu.
27:41Eu não quero me esconder da sociedade.
27:44Eu quero ter uma vida normal.
27:46Não, Aquiles, você não quer ter uma vida normal.
27:48Você quer ser uma celebridade, você quer ser famoso.
27:51Quer ser um campeão olímpico, quer ganhar medalha.
27:53E qual o problema se eu sei que eu posso?
27:56Ninguém vai chegar mais rápido do que eu.
27:58Não.
27:58Vai chamar a atenção para você, meu filho.
28:01Vai se expor ao perigo.
28:03Qual o perigo?
28:04O perigo de ser um mutante.
28:09Me diz uma coisa, Rosana.
28:16Você já tinha encontrado a doutora Júlia antes?
28:20Não sei.
28:22Pode ser, eu não me lembro.
28:24Por quê?
28:25Porque eu tive a mesma sensação quando conheci você.
28:29E que sensação?
28:31De que já tinha te visto antes.
28:35Hum, pode ser.
28:37Eu moro perto daqui, Ruth.
28:39Talvez a gente tenha se visto no supermercado, na rua,
28:44em algum restaurante.
28:47Até mesmo na praia, você não vai na praia?
28:49Muito de vez em quando.
28:52Eu não tenho tempo.
28:53Hum, já sei.
28:55A gente deve ter ido à praia no mesmo dia.
28:59É.
29:01Pode ser.
29:12Não abre.
29:16Por que você não abre se você já bebeu o leite todo?
29:22Cris, a porta ainda está trancada.
29:24Por favor, abre a porta pra mim.
29:26Preciso sair.
29:32Cris, é você que está fazendo isso.
29:34Por favor, para.
29:39Ai, meu Deus.
30:03É uma flor muito linda.
30:04Agora você me deixa sair.
30:07Por favor.
30:14Obrigada.
30:25E ele te acertou com o canivete?
30:26Correu atrás da Tatiana, que já tinha fugido.
30:29E você correu assim, machucado?
30:31Beto, quando a filha da gente está em perigo,
30:32a gente é capaz de fazer qualquer coisa.
30:34Mas eu não aguentei muito tempo por causa da ferida.
30:36Então eu peguei um táxi, que por coincidência
30:39era dirigido por um brasileiro.
30:40É.
30:41Normal, o que mais tem em Miami é brasileiro.
30:43Consegui pegar os dois no último minuto.
30:45Graças a Deus, né?
30:52Alô?
30:53Não, é o Beto.
30:55Opa, peraí, peraí que ele está aqui.
31:03Marcelo?
31:03Fala, pedreira.
31:04É verdade que você sofreu uma pentada assim que chegou?
31:07No estacionamento do aeroporto,
31:08um motociclista tirou a queima-roupa no meu peito.
31:11Eu fui salvo porque a bala pegou no meu celular e no pendrive
31:15que estavam no bolso do meu casaco.
31:16Rapaz, mas você deu muita sorte, meu.
31:19Você nasceu de novo.
31:20Foi uma porrada tão forte que eu caí pra trás.
31:23Mas estou vivo.
31:24Só estou com um hematoma, por incrível que pareça.
31:26Eu preciso muito falar com você.
31:28Eu também quero falar com você.
31:30É, sobre o que aconteceu lá em Miami.
31:32É exatamente sobre isso que eu quero falar com você.
31:34Eu estou cheio de novidades.
31:35Estou passando aí, pedreira.
31:36Um abraço.
31:37Vou lá no serviço de inteligência.
31:40Você vai contar tudo pro seu chefe?
31:42Tem que contar, né?
31:44Você acha que ele vai acreditar na história dos matantes?
31:47Tem que acreditar, é a verdade.
31:49O Celo chama ele pra vir aqui em casa.
31:52Mostra a Tati pra ele o que ela já sabe fazer.
31:55Se ele não acreditar em mim, a gente tem como provar.
32:00Beto, toma conta da Tati e da mamãe.
32:03Esses caras que estão atacando a gente, eles não têm medo de nada.
32:06Porque você acha que eles iam ter coragem de vir aqui?
32:08Nada, é impossível.
32:10Deixa as portas e as janelas trancadas.
32:13Deixa a arma sempre do seu lado.
32:15Se mantém acortado, Beto.
32:16Fica sempre de olho.
32:18Até eu voltar.
32:19Pode chamar.
32:27O homem mal me atacou.
32:29Com uma agulha?
32:31É, parecia uma seringa.
32:33Mas era como se estivesse dentro de uma espécie de pistola, sabe?
32:37Mas que horror, Tati.
32:39O papai começou a brigar com ele.
32:41Eu corri pra chamar ajuda.
32:43Só que aí ele veio atrás de mim.
32:46Eu tô chocada.
32:47Fiquei tão nervosa, vó.
32:49Que as coisas começaram a explodir perto de mim.
32:52E teve uma hora que estourou um monte de dívida de um prédio.
33:00Ah!
33:01Já tá ligado para trás.
33:02Já tá ligado para trás.
33:03Ah!
33:26Papai me sobrou bem na hora.
33:28Que homem ia me pegar.
33:31Filha, esse homem, esse bandido, conseguiu fugir?
33:35Conseguiu, né, avó?
33:37Papai não quis me deixar sozinha.
33:43Marcelo, eu tô chocada com as coisas que a Tati me contou.
33:48Não é, mãe.
33:50A gente tá sendo atacado direto.
33:53Mas por quê?
33:55Porque a Tatiana, assim como outras pessoas, devem ter sofrido alguma mutação genética na clínica progênese.
34:03É, a clínica onde a Mabel fez tratamento pra engravidar.
34:07É onde a Tatiana nasceu também.
34:09E eu sou uma mutante, vó.
34:13Mãe, eu tenho falado pra Tatiana que, de alguma forma, todos nós somos mutantes.
34:22Seres únicos, especiais, cada um com seus dons, suas habilidades.
34:31Eu vou trabalhar.
34:32Eu vou falar com o meu chefe pra começar as investigações imediatamente.
34:36Filho, não vai comer nada? Acabei de servir o lanche.
34:38Não, mãe, obrigado, mas eu preciso do trabalho.
34:40Eu quero botar toda a polícia federal atrás desses covardes que mataram a Mabel e o doutor Walker.
34:47E que provavelmente são os mesmos que mataram o doutor Sócrates.
34:50Esses crimes todos devem estar relacionados.
34:53Devem não, mãe. Com certeza.
34:56É por isso que eu preciso ir pro trabalho.
34:58Pra quebrar esses bandidos.
35:00Tá?
35:02Beijo, meu amor.
35:04Fica bem.
35:05Tchau, mãe.
35:07Tchau, querido. Vem com Deus.
35:09Cuida delas, tá?
35:10Se cuida.
35:18Mãe, tosse de banana?
35:20É, vejo aquela que você gosta.
35:37Esse dom de ler o pensamento das pessoas é muito complicado.
35:42Meu mundo tá de cabeça pra baixo.
35:45Ele tá te preocupando, Lucas.
35:48Lucas.
35:52Eu sinto que um grande escândalo tá pra acontecer.
35:55Eu também.
35:57Eu sinto a mesma coisa.
35:59Um escândalo que pode levar pro genes e a falência.
36:02Um escândalo que vai nos envolver, Janete.
36:06Claro que vai.
36:07Alguém vai acabar descobrindo sobre as experiências da doutora Júlia.
36:12Se é que já não descobriram, né?
36:14Lucas, e se for tudo a falência?
36:17Vamos todos ficar pobres.
36:19Já pensou?
36:21E agora o papai descobriu quem mandou matar o doutor Sócrates.
36:26Janete.
36:27Janete, você lembra que na festa...
36:29o doutor Sócrates falou que ia fazer um testamento.
36:31E que não ia deixar nada pros herdeiros?
36:42Durante uns anos,
36:45eu pensei, tive a esperança
36:47de reencontrar minha mulher e minha filha.
36:50Mas a cada ano que passa,
36:53a esperança diminui em seu lugar.
36:56Cresce o meu desespero.
37:00Eu não vou mais esconder de ninguém o que eu penso, nem
37:03no que eu acredito.
37:05Essa tragédia aconteceu
37:08por causa do interesse na minha herança.
37:12Por isso eu decidi que eu vou doar em vida
37:14tudo que eu tenho
37:15pra uma fundação científica
37:17que tem um serviço médico
37:20pra atender as pessoas carentes.
37:22Não vou deixar um centavo
37:23pra nenhuma pessoa da minha família
37:26se vocês...
37:29vampiros, sanguessucos, interesseiros,
37:32se vocês sumiram com as pessoas
37:34que eu mais amava na minha vida
37:35por causa do meu dinheiro,
37:37fique sabendo que não adiantou nada,
37:39vocês não maldão meu dinheiro!
37:44Você acha que quem mandou matar
37:46o doutor Sócrates
37:47foi um dos herdeiros?
37:49É.
37:51É bem provável, Janete.
37:53Eles pelo menos teriam motivo.
37:56É.
37:58Você tem razão.
38:01Da próxima vez que a gente estiver juntos,
38:02eu vou perguntar essas coisas pro papai.
38:04Ele pode tentar não responder,
38:06mas você senta do lado dele
38:07e tenta escutar o que ele tá pensando.
38:09É, quem sabe assim a gente consegue descobrir
38:10quem mandou matar o doutor Sócrates.
38:13Se as nossas suspeitas tiverem certas,
38:17o mandante do crime
38:18é alguém que a gente conhece.
38:20É.
38:21Com certeza é.
38:22A gente tá medo só de pensar.
38:30É mesmo.
38:33Não se preocupe não, mania.
38:36Mas mudando de assunto,
38:39me conta,
38:40você tá bem com o Tony?
38:42Tô.
38:43Tô feliz com ele.
38:46Mas,
38:47não sei.
38:49Sei lá.
38:51as vezes eu tenho uns pressentimentos estranhos
38:55de que tem alguém querendo me fazer mal.
39:07Paola!
39:12Saudades.
39:13Ah,
39:13você que some.
39:18Sem nada.
39:19É você que não desgruda daquela mucreia.
39:22Fala assim na Janete, vai.
39:24Ah,
39:24não vai me dizer que você se apaixonou por aquela garota.
39:27Paola,
39:28eu nunca me dei tão bem com uma mulher em toda a minha vida.
39:31Fora eu, é claro, né?
39:33Você é diferente.
39:33Você é minha melhor amiga.
39:35Você é quase uma irmã que desde a época...
39:37Desde a época que a gente estudava junto,
39:39ainda no primeiro grau,
39:40eu já conheço esse texto.
39:42Então,
39:43eu queria muito que você se desse bem com ela.
39:46Bom,
39:47eu só acho que você não conhece ela tão bem assim
39:49e já tá parecendo que tá seríssimo.
39:51Mas eu conheço ela há muito tempo.
39:53Na verdade,
39:54porque ela é filha e neta de sócios da progênese.
39:56Aquela empresa de saúde que era do meu tio Sócrates, sabe?
39:59E que agora vai ser dos seus pais.
40:01E dos meus tios.
40:04Eu não tô nem aí pra essa história de herança, sabe?
40:08Eu queria mesmo que meu tio estivesse vivo.
40:13E você conhece a Janete há mais tempo do que eu?
40:16Eu conheço ela há muito tempo, mas...
40:18Mas só assim de vista, sabe?
40:21Agora há pouco tempo que a gente começou a sair...
40:23E se conhecer melhor e tal.
40:26Paula, você sabe como é que eu sou, né?
40:28Eu não gosto de ficar só por ficar.
40:30Pra mim...
40:31Pra mim a mulher tem que ter algo a mais.
40:34E nunca foi tão bom quanto tá sendo agora.
40:37Nossa, mas você não tá com uma cara muito feliz.
40:40Tá preocupado?
40:46Eu acho que eu não vou mais lutar em campeonato de Kung Fu.
40:48Por que não?
40:50Tá maluco?
40:50Isso sempre foi uma coisa que você adorou fazer.
40:54Eu vou te contar por quê.
41:18Eu vou te contar por quê.
41:29Cláudio?
41:31Cláudio?
41:37Machucou?
41:38Ah, eu devo ter ralado aqui alguma coisa.
41:41Barbaridade, eu devo ter quebrado todos os ovos.
41:43Eu comprei vários ovos, sabe?
41:45Eu acabei de fazer um rancho...
41:46E é porque eu como muita clara de ovo.
41:49Então eu devo ter quebrado todos os ovos.
41:51Desculpe, eu te distraí.
41:54Quem?
41:56Você não tá me reconhecendo, Glória?
42:00Não.
42:02Mas eu acho que eu conheço nossa voz de algum lugar.
42:05Cadê seus óculos?
42:07Óculos?
42:08Como assim, óculos?
42:09Que óculos?
42:10Não é possível, Glorinha.
42:12Você ainda tem vergonha dos seus óculos?
42:15Você tem essa mania desde adolescente.
42:17Na época que eu ainda era modelo.
42:22Filipe...
42:47Filipe...
42:48Eu tava com eles aqui agorinha mesmo.
42:52É...
42:55Tava no chão.
42:57Tô aqui.
42:59Obrigada.
43:01Põe.
43:01Pra você me ver direito.
43:16Continua linda.
43:18Você também.
43:20Eu tô te achando até mais bonita, sabia?
43:29Vocês não vão acreditar.
43:30Vocês não sabem o que eu acabei de ouvir no rádio.
43:32O tal do policial federal, ele não morreu.
43:35Como não morreu?
43:36Eu dei um teco no coração dele.
43:37Pois é, inacreditável.
43:39O cara tem muita sorte.
43:40Parece que a bala pegou em alguma coisa que tava no paletó dele, no bolso.
43:43Eu acho que era um celular, uma carteira, alguma coisa assim.
43:45Eu não acredito.
43:46Não é possível isso.
43:47É possível sim.
43:48Acabou de dar no noticiário.
43:49Atentado a policial no aeroporto.
43:51Parece que ele se safou por causa dessas coisas que estavam no bolso do paletó dele, tá?
43:54Vamos ver na televisão.
43:55Pode ser que esteja dando alguma coisa.
43:56Aqui é mais rápido, idiota.
43:58Online, na rede.
43:59Olha aqui.
44:01Tá aqui, ó.
44:04Como é que é a verdade?
44:06O federal se safou com vida.
44:08Beleza, é mole?
44:09O cara tem sorte, viu?
44:11É, mas a sorte dele não vai durar pra sempre, não.
44:13Ele e a filhinha dele vão dançar.
44:15Vocês vão ver.
44:18Aqui, chegou o e-mail da chefia.
44:23Trabalho novo, hein?
44:24Urgente.
44:25O que a gente vai ser obrigado a fazer agora?
44:28Esse maluco aqui.
44:31Funcionou demais ou não devia?
44:33Agora a gente vai atrás dele.
44:34A gente quem?
44:35Você tá louco?
44:36Eu não vou atrás de ninguém, não, tá?
44:37Cala a boca, Helga.
44:38Fala sério.
44:40Depois da morte daquele doutor Sócrates lá naquela mansão.
44:43Meu Deus, aquela menina, Maria, que foi presa.
44:46Nunca mais eu dormi, tá?
44:47E eu adoro dormir.
44:49O que vai dar uma de santinha agora é...
44:50Tu é morrata, tu é ladra, tá?
44:52Não fica dando lição de moral pra cima de mim, não.
44:54Eu vou te falar uma coisa, hein, Eric.
44:56Esse negócio de matar é muito diferente de roubar.
44:58Tem que tá rolando, hein, Eric.
45:01Antigamente, nossa parada era outra, era muito mais leve.
45:03Era um roubo aqui, um furto, um golpe.
45:06Não tinha esse lance de violência, não.
45:08Agora você resolveu chutar o baldo de vez, né?
45:11É uma vítima todo dia.
45:13O que que é?
45:13Tá louco?
45:14A chefia paga bem.
45:15Muito bem.
45:17Quando a gente consegue dar conta do serviço, né, amor?
45:21Mas parece que dessa vez vai ser fácil, viu?
45:22Eu vou te dar conta do serviço, né?
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