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00:08Viu?
00:34Viu?
00:39Viu?
00:40O que foi?
00:41A professora.
00:42Caramba, e agora?
00:44Se esconde, voa pra casa.
00:45Não dá, elas vão me ver.
00:47Não se esconde não da casinha, rápido!
00:49Tá.
00:52Fica aí, não sai daí.
01:03Oi, filha, posso saber o que está acontecendo?
01:06A professora, pai.
01:07Ela trouxe uma médica para examinar a Ângela.
01:09E a Ângela se escondeu dentro da casinha.
01:33Essa é a doutora Beatriz, amiga minha, de confiança.
01:38Qual é?
01:39Meu nome é Guilherme, mas você pode me chamar de gigante.
01:42Como vai?
01:43Trabalhando, né?
01:44Esse tempo maluco.
01:46Uma hora faz calor, outra hora faz frio.
01:48A gente nunca sabe a medida de como aguar as plantinhas.
01:52Você conhece a Clara, minha filha?
01:55Oi.
01:56Que linda.
01:57Eu trouxe a Beatriz para ver a Ângela.
02:00Olha, eu agradeço a tua intenção, mas infelizmente a Ângela não está mais aqui.
02:03O que não está? Ela não estava doente?
02:05Sim, mas ela foi para São Paulo, a mãe resolveu vir buscá-la.
02:07A mãe dela?
02:10Que estranho.
02:12A Ângela me disse uma vez que a mãe tinha morrido,
02:15ou que ela não via a mãe faz tempo, uma coisa assim.
02:17A senhora deve estar confundida,
02:18porque a mãe das meninas vem aqui quase todo dia para visitá-las.
02:21Não foi isso que ela me disse, eu tenho certeza.
02:23Olha, professora, a senhora tem muitos alunos na sua escola,
02:25e com certeza a senhora deve estar confundindo.
02:29Você quer tomar uma água, um café?
02:31Claro.
02:32Vamos, Ana, que eu estou morrendo de sede.
02:34Bom, aí você pode confirmar que a Ângela não está em casa.
02:37Ângela?
02:38Que nome bonito.
02:39De vez em quando eu chamo ela de Anjinha.
02:40De vez em quando.
02:42Vou me traque.
02:44Vem, filha.
03:08Como pode uma coisa dessa?
03:12Inacreditável.
03:13Mas aconteceu...
03:14Se eu não estivesse vendo com meus próprios olhos,
03:16eu não ia acreditar.
03:19Até ontem era um bebê de oito meses.
03:24Ele cresceu.
03:25Da noite para o dia.
03:28Ele cresceu.
03:29É assustador.
03:47Alô?
03:48Aqueles?
03:49Está tudo bem em casa, filho?
03:51Por aqui está tudo bem.
03:53Mas você está nervosa?
03:54Aconteceu alguma coisa?
03:55Ai, filho.
03:58Sabe aquele bebê que eu falei que eu fiquei presa no quarto e que a lata de lixo pegou fogo?
04:05Sei.
04:06O que tem?
04:06Ele cresceu, filho.
04:09Da noite para o dia ele cresceu.
04:11Cresceu?
04:12Como assim?
04:12Não sei.
04:14Crescendo.
04:15Ontem ele tinha oito meses de idade.
04:19Hoje está parecendo que tem mais de um ano.
04:22Já está ficando até em pé.
04:25Cresceu o cabelo, dente, tudo.
04:28O que é isso?
04:30Rosana?
04:31Rosana?
04:32Ó, peraí.
04:34A doutora Júlia, presidente da Progênese, está chegando com o novo diretor da clínica.
04:41Filho, depois a gente se fala, tá?
04:43Um beijo aí para todos vocês.
04:45Tá bom.
04:46Tchau.
04:51O que é que sua mãe estava falando aí?
04:53Ah, ela falou que aquele bebê esquisito que nasceu lá, parece que ele cresceu demais
04:58de ontem para hoje.
04:59Tipo, ficou mais velho, de repente.
05:07É cada uma que me aparece e a Rosana lá, metida naquele lugar estranho com aquela gente.
05:13Aquele lugar é a clínica onde a gente nasceu, né, pai?
05:18E esse bebê, ele é diferente que nem eu e você, Aquiles.
05:22É, não só dá pena do coitadinho, né?
05:24Ele largou ele lá.
05:25Dá pena?
05:26Você não imagina o que o garoto devia fazer com a mãe dele, né, Aquiles?
05:28Eu sabia que a Rosana ia se meter em confusão quando resolveu fuxicar o que fizeram com
05:33vocês.
05:34Mas, como você sabia, pai?
05:37Eu não sei o que acontece direito naquela clínica, mas eu acho que alguém faz essas
05:42coisas estranhas acontecerem com as crianças que nascem ali.
05:46Pai, às vezes parece que você sabe mais do que fala pra gente.
06:02Eu trouxe...
06:05Eu trouxe o menino lobo, the wolf boy.
06:07Eu deixei trangado no quarto, exatamente como a doutora pediu.
06:10He's locked in the room.
06:11E alguém viu o menino ontem que vocês chegaram aqui?
06:13Não.
06:14Ele estava coberto na maca completamente desacordado.
06:17E quando nós chegamos, já estavam os seguranças da madrugada.
06:19Excelente.
06:20Ele continua sedado?
06:21Oh, yes.
06:21Oi, César.
06:22É importante que ninguém tenha acesso a ele.
06:25Sure.
06:26Mas pra isso eu preciso que você dê as ordens, Julia.
06:28Por isso eu estou aqui.
06:29Eu quero saber o que está acontecendo.
06:32Eu confesso...
06:33I confesso.
06:34Eu estou um pouco nervoso.
06:35I'm a little nervous com a situação.
06:37A situação é de saber bizarra.
06:39César, não se preocupa.
06:41Eu vou fazer as experiências que eu tenho que fazer com esse menino.
06:43Depois eu despacho o garoto.
06:45Vamos.
06:56Vamos morrer, um miralata.
06:59Isso não é normal não, bicho.
07:13Sai de perto de mim, coisão.
07:15Aparece mais aqui, mulher.
07:33Eu vou fazer as experiências que eu tenho.
08:04Sabe você o que é o amor?
08:07Não sabe, eu sei.
08:11Sabe o que é um provador?
08:14Não sabe, eu sei.
08:17Sabe andar de madrugada, tendo a amada pela mão.
08:23Sabe gostar, não sabe nada.
08:27Sabe, não.
08:29Ah, você não sabe, não.
08:36Ah, não sabe, não.
08:49Tô impressionada, como você cresceu rápido.
08:53Como é que pode uma coisa dessas?
08:56Você não vai fazer mal pra mim, vai?
09:00Você gosta de mim, não gosta?
09:02Você é muito lindinho.
09:05Olha, eu trouxe sua mamadeira.
09:08Você deve ficar com fome, né, Cris?
09:17Ah, meu Deus.
09:19Cris, eu preciso cuidar das outras crianças.
09:24Toma aqui, sua mamadeira.
09:44Depois de mamar, você vai deixar eu sair, tá bom?
09:51Doutora Júlia, como vai?
09:53Ruth, querida.
09:54Ruth é a nossa enfermeira-chefe.
09:56Ela está conosco há muito tempo.
09:58Uma pessoa maravilhosa e discreta.
10:02Muito obrigada, doutora.
10:04E essa é a nova enfermeira de que lhe falei, a Rosana.
10:07Como vai?
10:10Por aí.
10:11Eu tenho a impressão que conheço você de algum lugar.
10:16É possível?
10:18Às vezes eu tenho essa mesma impressão quando sou apresentada a alguém.
10:24Esse é o doutor César Rubicão.
10:26Ele é um dos nossos melhores advogados.
10:29E ele vai dirigir a clínica aqui do Guarujá enquanto eu fico na presidência das empresas.
10:34É um prazer em conhecê-las.
10:39Desculpem, eu tenho esse vício de falar muitas línguas.
10:42É porque o meu pai foi diplomata.
10:44Meu pai foi diplomata.
10:45E eu vivi um ano em cada país, em diferentes países.
10:48Mas eu sou uma pessoa completamente normal.
10:51Eu sou totalmente normal.
10:53Desculpe, desculpe.
10:56Ruth, eu estou com um paciente em quarentena.
10:58É um menino.
10:59Ele está com uma doença rara, que talvez seja contagiosa.
11:04Extremamente contagiosa.
11:07Então, Ruth, eu quero que somente você, ou alguém que você confia, tome conta dele.
11:12O mesmo esquema do bebê Cristiano Pena.
11:15Oh, yes, yes, yes, oui, oui.
11:17O famoso bebê?
11:19The famous baby.
11:20Na verdade, no caso desse menino, eu quero que você coloque a comida e a água por um buraco debaixo
11:25da porta.
11:27Compreende?
11:27Sim.
11:28Sem nenhum contato com ele.
11:30Ele morde.
11:31His bite.
11:32Isso.
11:32Oui, c'est vrai?
11:34Si, si, si.
11:34Doutora, eu preciso lhe falar sobre esse caso do bebê.
11:39Rosana sabe desse caso?
11:41Sabe.
11:42Ela, a doutora Beatriz, eu e a Marli.
11:46Somos as únicas pessoas que já tivemos contato com o bebê aqui na clínica.
11:51Gente demais.
11:52Ah, doutora Júlia, cuidar de um bebê dá muito trabalho.
11:56Na verdade, um bebê tão especial, ainda mais nesse caso.
12:01Mas não se preocupe que a Ruth já conversou com a gente, que devemos ser discretos.
12:06A senhora pode confiar.
12:09Posso mesmo?
12:10A senhora vai ver.
12:12Doutora.
12:13Sim?
12:14O bebê tem um crescimento muito acima do normal.
12:20Na realidade, ele cresceu da noite para o dia.
12:24Ele está parecendo ter mais de um ano de idade.
12:27Mas, mas como é possível?
12:29How?
12:29Se ele tem apenas alguns meses, Justin Philmos?
12:31A progenia quimérica, César.
12:36Foi o nome como eu batizei esse fenômeno.
12:39A doença da velhice precoce.
12:42Quer dizer, então, que ele vai continuar crescendo, envelhecendo rapidamente?
12:48Provavelmente, o metabolismo dele tem essa tendência geneticamente determinada a um envelhecimento acelerado.
13:06No caso, você precisa se acalmar.
13:09Janete, eu encontrei aquele garoto, o Vabá, no Ibirapuera.
13:12E assim que eu vi os dentes dele, os caninos crescidos, pelos no rosto, eu soube que era um mutante.
13:17Assim como eu, como você, Janete.
13:19Tem certeza?
13:20O Vabá tem um super olfato, uma super audição.
13:22Como um cachorro?
13:23Ou um lobo.
13:25Eu queria ter conhecido esse menino, o lobo.
13:27O pior de tudo é que eu tive que sair.
13:32Não precisava falar com a Glória.
13:41Ela acabou tudo comigo, Janete.
13:44O Lucas.
13:45Que chato isso.
13:48Nem me fala.
13:51E ainda por cima, quando eu volto, o Vabá sumiu.
13:56Tenho certeza, Janete.
13:57Tenho certeza que foi a nossa mãe que levou ele daqui.
13:59Mas levou pra onde?
14:00Sei lá, Janete.
14:00Ah, por quê?
14:00Sei lá, sei lá, pra algum lugar.
14:02Mas eu vou descobrir.
14:09Lucas, eu não sei.
14:10Talvez você esteja enganado.
14:13É muita coincidência você ter encontrado um dos mutantes da doutora Júlia no Ibirapuera.
14:17Numa cidade com 20 milhões de pessoas.
14:19Coincidência demais, mana.
14:21E eu não acredito em coincidências.
14:23Pra mim aquilo foi um sinal.
14:25Sinal?
14:26De quê?
14:26Sei lá.
14:28Sei lá.
14:28Que talvez eu deva proteger aquele garoto.
14:31Ele tava muito sozinho.
14:32A mãe dele morreu, sabia?
14:34Já.
14:35E agora a nossa mãe levou ele daqui.
14:37E ele sumiu.
14:41Lucas.
14:44Tem um negócio que eu preciso te falar.
14:47Eu tô preocupada porque eu acho que eu descobri uma coisa.
14:52Eu acho que o doutor Sócrates morreu porque essa história dos mutantes começou a vazar.
14:57Como assim, Janete?
14:58É.
14:59Por que você acha isso?
15:00Esse livro aqui, ó.
15:03Foi o Tony que me deu.
15:04Danilo, irmão dele, deu pra ele.
15:07Esse livro, Mutação, o autor, o doutor Christopher Walker,
15:12fala sobre pessoas que têm poderes, donos especiais.
15:16E ele cita mais de um caso de pessoas que nasceram na clínica do Guarujá.
15:21No mesmo lugar onde a gente nasceu.
15:25E o mais impressionante é que esse autor aqui, o Christopher Walker,
15:30também foi assassinado na Flórida.
15:33Logo depois da morte do doutor Sócrates.
15:35Não brinca, Janete.
15:37Isso é coincidência demais ou então...
15:39Não, não é coincidência, Lucas.
15:41Os crimes estão relacionados.
15:43E agora o papai descobriu quem foi que mandou matar o doutor Sócrates.
15:46É, mas ele não quer falar quem foi, né?
15:47Você tem que dar um jeito de ler os pensamentos dele pra descobrir isso.
15:51Bem que eu tentei ontem, Janete.
15:52Só que o papai e a mamãe, com o passar do tempo,
15:55eles descobriram como se desviar,
15:57como controlar os pensamentos quando eu tô por perto.
15:59Mas ele não vai conseguir fazer isso por muito tempo.
16:01Não vai cortar esse segredo pra sempre.
16:04Você tem que continuar tentando ler os pensamentos dele.
16:07A gente precisa saber o que foi que ele descobriu sobre o mandante desses crimes.
16:11Tá bom.
16:13Tá bom, eu vou tentar.
16:33Alô, Platão?
16:34E aí, Josias, alguma novidade?
16:36Muitas, Platão, muitas.
16:38Eu consegui entrar nos e-mails do Sócrates.
16:41O e-mail do Sócrates?
16:42Como assim?
16:43Explica-se direito.
16:44Eu resolvi investigar por conta própria, Platão.
16:48Sabe como é que é?
16:49Se for esperar, a polícia isso pode demorar.
16:51Então, eu achei que um bom começo eram os e-mails do Sócrates.
16:55Eu consegui a senha com um programa lá,
16:58um decodificador de senhas que eu mesmo inventei.
17:00Você e essa sua paixão pela informática, hein?
17:03Parece um garoto hacker, um adolescente.
17:07Ô, Platão,
17:08eu descobri
17:09que o Sócrates já desconfiava
17:12que podia ser assassinado.
17:14Como desconfiava?
17:15Bem, foi isso que ele escreveu num dos e-mails.
17:17Que e-mail é esse?
17:19Pra uma pessoa que eu não conheço.
17:20Que pessoa?
17:21Platão,
17:23eu acho melhor a gente...
17:26a gente falar pessoalmente.
17:28Sim, sim, mas uma coisa eu quero que você me diga agora.
17:31De quem é que o Sócrates tinha medo?
17:34Eu vou te falar.
17:37Mas é melhor você sentar.
17:39Tô sentado.
17:41Não.
17:43Mas como pode?
17:47Que loucuras.
17:50Mas...
17:51Não, não, Josias, mas...
17:53Como é que o Sócrates nunca me falou nada sobre isso?
17:56Isso é muito sério.
17:57É, é.
17:58É muito sério.
18:00Mas é que com você eu posso me abrir.
18:02Não posso?
18:04Mas o que é que você pretende fazer agora?
18:07Você quer contar logo tudo pra polícia?
18:09Mostrar tudo?
18:10Ou quer continuar investigando por conta própria?
18:12Eu acho que é melhor a gente conversar pessoalmente.
18:14Eu já disse.
18:15Você não pode me encontrar na Progênese?
18:17Posso.
18:19Quando?
18:20Vem a hora?
18:22Não, tá bom.
18:23Daqui a pouco a gente se encontra lá, então.
18:25Até já.
18:25Um abraço.
18:26Outro pra você.
18:44Filha?
18:44Ai, pai.
18:46Quer me matar do coração?
18:48Você estava ouvindo a conversa do seu marido escondida?
18:52Ou é impressão minha?
18:55Eu escondida, papai?
18:57O que é isso?
18:58Olha, eu estava aqui assim tão distraída arrumando as flores.
19:03Cassandra.
19:04Fala, papai.
19:04O Josias falou pra você o que foi que ele descobriu?
19:09Não.
19:11Ah, é?
19:13Então foi por isso que você estava aqui escondida tentando ouvir a conversa dele, né?
19:18Imagina, papai.
19:19Fala, Cassandra.
19:21O que foi que você descobriu?
19:24Eu preciso saber.
19:26Eu tenho o direito de saber.
19:27Eu era o melhor amigo do Sócrates.
19:30Ele era o seu padrinho.
19:32Morreu envenenado talvez por alguém que a gente conheça.
19:35Fala, filha.
19:37Fala.
19:38Ah, papai.
19:40Olha, pelo que eu pude perceber, o doutor Sócrates desconfiava de mais de uma pessoa.
19:47Desconfiava?
19:47De quem, Cassandra?
19:49Conta pra mim.
19:51Pelo amor de tudo que é mais sagrado.
19:54Ah, papai.
19:55É melhor não dizer mais nada.
19:57Por quê?
19:58Por quê?
19:59Primeiro foi o Josias.
20:00Agora é você que não quer falar também?
20:03Mas eu preciso saber quem foi o mandante desse crime.
20:06É melhor não saber, papai.
20:08Por quê?
20:10Porque pode ser perigoso.
20:13Muito perigoso.
20:21Quanto tempo o senhor pretende me manter naquela cela solitária, apertada e fria?
20:26A cela do seguro.
20:28Aqui nem parece uma cela, parece mais uma geladeira.
20:31Ou um caixão.
20:32Frio, gelado.
20:33O que é isso, Dino?
20:34Para de pegar pesado com a menina.
20:36Está falando alguma mentira, Ernesto?
20:37Aquela cela parece uma gaveta apertada, fria, escura.
20:42E é ali que você vai ficar, porque você é presa de péssimo comportamento.
20:45Que absurdo.
20:46Brigou com a machadona na primeira noite na cela.
20:49Depois desacatou minha autoridade.
20:50Eu só me defendi.
20:52E o senhor sabe muito bem disso.
20:53Posso ser mal com você.
20:56Posso ser pior do que você imagina.
20:58Está me ameaçando de novo?
21:00Não aprendeu a lição ainda.
21:02Eu ainda posso dar queixa na corrigidoria.
21:04É difícil, garota.
21:05É melhor pensar que eu sou impossível, delegada.
21:08Pelo menos para o senhor.
21:10Ainda acho que a gente pode chegar no acordo.
21:12Que acordo?
21:14Vai deixá-la aqui com a gente, doutor Taveira?
21:16É, deixa, doutor.
21:18Bota ela na roda.
21:20Está precisando aprender uma lição.
21:21Senhor.
21:24E aí?
21:26Quer ir para a cela?
21:27Com a machadona?
21:29Com as outras assassinas?
21:31Não.
21:32Mas é para lá que você vai.
21:34A não ser que...
21:35A não ser que o quê?
21:37Que você seja boazinha comigo.
21:43Eu deixei uma carta assinada com o meu advogado.
21:46Se acontecer alguma coisa comigo aqui dentro da carceragem,
21:49a responsabilidade vai ser sua, delegado.
21:52Acho que eu estou com medo.
21:54Se a machadona matar você, se ela cortar, é seu rostinho lindo.
21:57Você acha que eu vou pagar por isso?
21:59Não.
22:01Agora você é uma moça inteligente.
22:02Você vai logo compreender que o melhor caminho aqui dentro
22:05é ser gentil, doce e obediente comigo.
22:09Vocês dois são testemunhas de que o delegado Taveira está me assediando.
22:13Até agora eu só ouviu o doutor pedir bom comportamento a uma presa.
22:17Mais nada.
22:20Acho que eu vou dar mole, Maria.
22:22Anos de polícia.
22:23Contra mim você não tem chance.
22:26Quer saber?
22:27Entre o senhor e a solitária,
22:31eu prefiro a solitária.
22:35Muito bem, eu vou te dar o dia de hoje para pensar.
22:37Agora o Dino e o Ernesto vão escoltar você até o Instituto Médico Legal
22:41para fazer o exame toxicológico.
22:44Se esse exame fosse adiantar alguma coisa, né, doutor?
22:47Dino, será que você não entendeu ainda que todo mundo é inocente
22:49até que se prove o contrário?
22:50Sim, mas tentar rebater as provas contra ela no júri
22:53com um examezinho de sangue?
22:55Desculpa, Ernesto, mas a estratégia não vai dar certo.
22:57Não é nem uma estratégia, não.
22:59É a verdade.
23:01Na volta do exame você passa na minha sala para a gente conversar.
23:05Eu vou decidir o que eu vou fazer com você.
23:12Oi, minha princesa.
23:15Rodrigo, meu amor.
23:17Estava morrendo de saudade, sabia?
23:18Eu também estou com muita, muita saudade.
23:21Delícia da minha vida.
23:23Só não entendi por que você não quis que eu dormisse na sua casa ontem.
23:26Podia ter dado um mergulho gostoso nessa piscina com você
23:29antes de vir para o trabalho.
23:30Ah, ô minha linda, daqui a pouco a gente já vai se encontrar aí na Progênesis.
23:33A doutora Júlia viajou.
23:35Foi para a clínica do Guarujá.
23:37O que você acha da gente vir namorar aqui na sala da presidência?
23:41Em cima da mesa de reuniões.
23:44Que ótima ideia.
23:46Se você já me deixa louco,
23:50Não, depois do almoço a gente se encontra, então.
23:52Tá bom?
23:53Olha aqui, ó.
23:54O papai vai fazer miau para você, tá bom?
23:58Miau, miau, miau.
24:01Beijo nessa boca.
24:04Beijo.
24:11Bom dia.
24:12Bom dia.
24:13Bom dia.
24:13Quer dizer, quase boa tarde.
24:16E aí, como é que foi anoitada ontem com um amigo?
24:18Por que o interesse?
24:20Curiosidade.
24:22Sabe, eu não consigo nem imaginar como é que deve ser um namoro gay.
24:26Você tá querendo me provocar, né, Rodrigo?
24:28Você sabe muito bem que eu não tô namorando nenhum homem.
24:30Tô namorando a Lúcia, meu.
24:31A Lúcia.
24:32Mas, nilinho, pra cima de mim.
24:33Sabe que tudo isso aí é encenação.
24:36Aposto que você nunca transou com ela.
24:37Por que você vive tão preocupado com a minha vida?
24:40Posso saber?
24:41Eu só acho engraçado você fingir ser uma pessoa que você não é.
24:45Não, mas faça sumir logo.
24:47Por que você tem tanto medo do papai?
24:50Fala a verdade.
24:52Você faz esse jogo todo porque você tem medo de perder posição na hierarquia da empresa.
24:58Se o papai descobre que você é uma frutinha,
25:01uma bailinha,
25:03uma baitola.
25:05Para de falar assim comigo, Rodrigo.
25:07Você tá sendo preconceituoso, desrespeitoso.
25:10Eu não fico perguntando nenhum detalhe das transas que você tem com empregada, secretária.
25:14Tudo que é menina e que você fica iludindo, seduzindo.
25:17Você é tão lindinha.
25:18Parece ser deliciosa, hein?
25:20Uma frutinha boa, madura.
25:23Pronta pra ser devidamente saboreada.
25:27Escuta, Rodrigo.
25:28Se você acha que vai dar em cima da Lúcia, pode desistindo.
25:30Provocando.
25:32Sempre dê em cima das suas amigas.
25:33Qual a diferença agora?
25:34Porque a Lúcia é minha namorada.
25:35Faça o favor de me respeitar.
25:37De nos respeitar, sim?
26:01Lúcia, já disse que eu tô me sentindo bem.
26:07Me desculpe, Simone, que eu ainda não assimilei essa notícia.
26:12Aquele papel que eu achei com o diagnóstico, aquilo me pegou de surpresa.
26:20Câncer?
26:23Você não pode operar?
26:26Você não tá se tratando?
26:28Tô me tratando do meu jeito.
26:29Eu tenho uma indicação de quimioterapia, mas ainda não comecei, não.
26:34Como é que eu não percebi que você tava doente?
26:36De uma certa forma, você percebeu sim, Lúcia.
26:40Mais de uma vez, você perguntou, você estranhou as minhas atitudes.
26:46Lembra?
26:46Verdade.
26:49Agora eu entendo.
26:51Por que você parece viver cada dia como se fosse o último?
26:56Tudo que eu quero é viver com dignidade os últimos dias da minha vida.
27:02Eu não quero a piedade de ninguém.
27:04Por isso é que eu resolvi não contar nada.
27:06Eu não contei nada pras meninas porque você me pediu, hein?
27:08Isso, muito melhor.
27:11O que eu quero é viver intensamente, cada instante.
27:15Pelo menos enquanto eu estiver me sentindo bem.
27:18Lembra?
27:19Eu quero que os últimos dias da minha vida sejam os melhores.
27:30Moria, tô indo agora pra um contato incrível que eu arrumei lá numa agência de modelo.
27:35Preciso arrumar um trabalho urgente, né?
27:37Senão daqui a pouco o pouquinho que eu tenho lá no meu banco vai pras cucuias.
27:42Ah, ainda bem que pelo menos com isso eu não preciso me preocupar, né?
27:45Menos a pensãozinha que meus pais deixaram, dá pra eu pagar minhas contas.
27:49Ah, é, é. O que é que teu pai fazia?
27:51Ele era militar. Minha mãe era dona de casa.
27:55Ah, e tu não perde a pensão nunca, é?
27:58Só se eu casar, né?
28:00Ah, por isso eu até pensava em não me casar, sabe?
28:03Mas depois, pensando melhor, se eu arrumasse um cara assim, sabe?
28:08Que nem o Tony, eu até abriria a mão da minha pensão.
28:11Tu acha, é?
28:13Ai, não é muito não, só dá pro básico.
28:15Ah, mesmo assim já é alguma coisa, né, Guria?
28:17Hoje um dia a parada tá muito difícil.
28:21Eu preciso correr que eu tô atrasada.
28:27Tô bem?
28:28Tá ótima.
28:30Pois até salto.
28:33Vai lá, Glorinha, boa sorte.
28:50Alô, Tony?
28:51Oi, Paola.
28:53E aí, tranquilo?
28:55Eu tô ligando pra saber de você.
28:57Tudo bom?
28:58Pô, tô bem, tô bem sim.
29:00Você tá fazendo alguma coisa?
29:02Ah, eu vou treinar agora.
29:04Ah, eu adoro ver você treinar.
29:05Eu tô com tantas saudades.
29:08Depois eu vou dar um pulo na piscina e...
29:10Você podia chegar aqui, o que você acha?
29:12É claro, o dia tá lindo.
29:14Vai ser ótimo.
29:15Então tá bom.
29:16Então vem que eu tô te esperando e, meu, tenho muita coisa pra te contar.
29:19Vem logo.
29:20Então tá bom, tô indo.
29:21Beijo.
29:35Célia, eu gostaria pro almoço de um salmão com molho de maracujá, legumes no vapor e um cremezinho de espinafre.
29:42Claro.
29:43Sim, senhora.
29:44Bom dia.
29:45Bom dia.
29:46Célia, querida, me dê uma vontade de comer um arroz a Piamontese com filé mignon, uma salada caprese, deixa eu
29:54ver, umas folhinhas também com palmito, pode ser?
29:56Não, não.
29:58Peraí, gente.
30:00Salmão pra dona Irma, filé pro senhor Stoteles, desse jeito eu vou precisar começar a anotar os pedidos, não é?
30:05Não precisa não.
30:06Ignore o dele.
30:08Absolutamente, Célia.
30:09Ignore o pedido dela.
30:11Célia, quem manda aqui nessa casa sou eu.
30:14É verdade, irmã.
30:16Célia, querida, quem manda nessa casa sou eu.
30:19Aliás, Célia, a polícia liberou o quarto do doutor Sócrates, não vão mais fazer ali a perícia.
30:25Então eu gostaria que você arrumasse, porque a partir de hoje eu vou me mudar pra lá, já que é
30:30o melhor quarto da casa.
30:32Peraí, peraí, peraí, Célia, que história é essa aí, irmã?
30:35Que história é essa de você querer se mudar pro meu quarto?
30:38Seu quarto?
30:39Exatamente, o quarto do Sócrates é meu, irmã, é meu.
30:44Célia, é melhor você não dar ouvidos a esses pernilongos unindo nos nossos ouvidos.
30:50O quarto do Sócrates é meu.
30:52Ô, irmã, eu não vou ficar discutindo esse assunto aqui com você, tá certo?
30:56Ô, Célia, por favor, você arrume e limpe o quarto do Sócrates pra mim.
31:01Célia, você não ouse obedecer esse sanguessuga.
31:06Mas é uma morcega, parasita mesmo, né?
31:10Caralho, chupacabra.
31:11Ô, Célia, quem manda aqui sou eu.
31:13Célia, quem manda nessa casa sou eu.
31:16Chega, chega.
31:18Vamos fazer o seguinte, então.
31:21Primeiro, vocês dois decidem quem vai ficar com o quarto.
31:25Depois, eu faço o que vocês estão me pedindo.
31:28Ok?
31:30Licença.
31:31Viu como você é patético?
31:33Nem os empregados mais te levam a sério.
31:37Ridículo.
31:38Meu Deus do céu, gente, eu nunca vi uma coisa dessa na vida.
31:43Como você é uma pessoa infeliz, né, irmã?
31:46Será que é porque você casou com o Platão, é isso?
31:48Olha aqui, eu vou contar pro Platão isso que você acabou de dizer, hein?
31:53Ué, não tô nem aí, pode falar com ele a hora que você quiser.
31:56Ele sabe da verdade tanto quanto eu.
31:58Ô, irmã, me diz uma coisa.
32:02Há quanto tempo que você não transa com o Platão?
32:04Isso não é da sua conta.
32:06A minha intimidade com o meu marido não lhe diz respeito.
32:10É verdade, eu não tô falando mentira nenhuma.
32:13Todo mundo sabe, todo mundo sabe que o seu casamento com o Platão virou um casamento de fachada.
32:19Um casamento de conveniência.
32:21Mentira.
32:21Irmã, minha querida, o Platão não tem o menor tesão por você.
32:25Para de ficar falando isso, isso não é verdade.
32:27Irmã, na verdade, o que você precisa, o que você deseja, o que você quer, é um homem na sua
32:33cama.
32:34Um homem de verdade.
32:36Ah, e que homem seria esse?
32:39Eu?
32:43Aristóteles, como você é pretencioso, né?
32:47Até você se acha.
32:49E se eu te desse um beijo agora?
32:52Um beijo bem gostoso.
32:54Você não ia adorar, irmã?
32:55Eu, hein?
32:56Até parece.
32:58Você sempre quis o meu beijo, irmã.
33:00Eu?
33:01É.
33:02Você sempre quis o meu beijo.
33:05Não se aproxime, Aristóteles.
33:06Não, eu não estou me apressivada.
33:08Que bobagem que você está falando, Aristóteles.
33:10Eu nunca quis nada com você.
33:13Absolutamente nada.
33:17Ai, meu Deus, que susto.
33:20Alô?
33:23Cassandra?
33:24Oi, Cassandra, tudo bem?
33:26Não.
33:28O quê?
33:29Eu preciso muito falar com você.
33:31Comigo?
33:32Por quê?
33:33Aconteceu alguma coisa?
33:34O Josias, ele disse que...
33:38Ele disse que descobriu quem mandou matar o Sócrates.
33:42O quê?
33:43O Josias disse que descobriu quem mandou matar o doutor Sócrates?
33:47Foi isso que eu ouvi?
33:49Como é que é, irmã?
33:50Pode me dar licença, um instante?
33:52Pelo amor de Deus.
33:53Não, me dá licença você, irmã.
33:55Você não pode me explicar o que está acontecendo, não?
33:57Ô, Cassandra, você me desculpa, viu?
33:59Mas é uma idiota do Aristóteles que não me deixa em paz um segundo.
34:02Mas fala.
34:03Irmã, eu estou muito preocupada.
34:06O Josias conseguiu acessar o e-mail do Sócrates.
34:10Parece que ele descobriu tudo.
34:12Só ainda não tem como provar.
34:15E ele vai...
34:17Ele vai contar tudo para o Platão.
34:19Para o Platão?
34:21Meu marido?
34:22Eles marcaram um encontro, agora, na sede da Progênese.
34:27Que loucura.
34:30Ô, louco, vai derrubar a casa, Celia.
34:32Ô, por que você está tão nervosa assim, meu?
34:34Ai, Batista, eu não estou mais aguentando essa história de ter um monte de patrão, irmão.
34:38Você é nova, nem eu, né, meu?
34:40A dona Irma e o seu Aristóteles estão me deixando louca.
34:44Mas nem me fala, Celia.
34:45Não me fala que eu fico louco também.
34:47Essa casa está precisando de mais gente trabalhando.
34:50Porque na época que era só o doutor Sócrates, a gente dava conta, é claro.
34:53Mas agora com esse monte de gente, está começando a ficar um pouco mais complicado.
34:57É isso aí, Celia.
34:58A gente precisa se unir.
35:00Reivindicar nossos direitos.
35:01Ô, ninguém dá conta de tanto trampo assim, meu.
35:04Ô, louco.
35:05É gente demais, manja.
35:07Eu preciso de mais gente para me ajudar aqui, na cozinha.
35:10Porque só eu e a dona Jandira não está dando, não.
35:12Porque agora cada um resolveu escolher um prato diferente.
35:15Vê se eu posso com uma coisa dessas.
35:16É, vai ver eles entraram numa que essa casa aqui é um restaurante, né, meu?
35:20Ou então o hotel, vai saber.
35:21Ai, Batista, às vezes eu fico tão cansada dessa vidinha de empregada
35:27que eu tenho vontade de largar tudo e ir embora daqui.
35:29Ô, ô, mas o que é isso, princesinha?
35:31Ô, não estou nem te reconhecendo, meu, Celinha.
35:34Tinha tantos sonhos.
35:38Queria estudar, mudar de vida.
35:40Ô, coisa fofa.
35:42O mundo não vai acabar amanhã, lindinha.
35:45Quem sabe um dia.
35:46Celinha, você é tão batalhadora, meu.
35:48Você pode conseguir.
35:50Acontece, Batista.
35:51Que eu não quero ficar cozinhando, lavando,
35:55passando a roupa dos outros o resto da minha vida.
35:58Pode ser, meu.
36:00Você podia fazer isso só pra mim.
36:02Se você casasse comigo, meu.
36:05Ótimo.
36:06Excelente hora pra você começar com as suas brincadeirinhas, Batista.
36:10Para.
36:11Tá?
36:14Mas vem cá, Celia.
36:16Você há de conviver que sonhar não custa nada, né?
36:19E pra me defender eu vou mandando braça.
36:21E pra me defender eu vou mandando braça.
36:23Segui-zagueando por aí.
36:32Tá pra nascer, Altina.
36:35Tá pra nascer um homem que consiga fazer um cachorro quente melhor que o meu.
36:40Quer um, amor?
36:42Quero não, Pachala.
36:43Ah, para com isso.
36:46Prova um, mulher.
36:47Tô com fome, não.
36:51Mas tem que comer, senão vai ficar doente aí o resto da vida.
36:54Eu não tô doente, Pachala.
36:57Tô aqui pensando em meu filho.
36:58Como é que ele tá vivendo?
37:00Não me lembro nem que eu existo na face da terra.
37:02É só isso.
37:03Aqui.
37:04Se eu fosse você, eu voltava a trabalhar, hein?
37:06Porque nós temos que ganhar dinheiro, hein, Altina?
37:08Ó o vidro aqui, ó.
37:10Ó o vidro que tu quebrou na minha cabeça.
37:12Temos que colocar outro no lugar.
37:14Tua clientela não vai esperar a vida toda, não, hein?
37:16Vou arranjar outra massagista, outra esteticista.
37:19Ó, abre o olho, Altina.
37:21Eu tô sentindo que Vavá tá precisando de mim, que ele tá em perigo.
37:26Sentimento não é esbarriga, não, Altina.
37:29Vavá é tão pequenininho.
37:32Ele é tão indefiso, Pachala.
37:35Vavá é indefiso.
37:36Isso é bom, Altina.
37:38Aqueles dentes cachorro vira-lata que ele tem.
37:41Parece até que os dentes crescem quando ele fica com raiva.
37:48Quer dizer...
37:50Isso se ele ainda estiver vivo.
37:53Do jeito que você tá falando.
37:58Como você pediu, Júlia?
37:59Eis aqui o famoso menino lobo.
38:02A Wolf Boy.
38:05Uma verdadeira fera esse menino.
38:08Bem, então é melhor começarmos logo as experiências.
38:11Start Experience.
38:12Empeçar as referências.
38:13É isso que eu quero.
38:15Então troque esse casaco, coloque aquele jaleco.
38:18E depois você me ajuda aqui nas anotações.
38:23Vamos ver.
38:24Não é?
38:34Por favor.
38:38Veja só.
38:40Olha.
38:42Com tão pouca idade.
38:44E cheio de pelos pelo corpo.
38:48Olha.
38:50Isso é nojento, Julieta.
38:52Desgaste.
38:54Desculpe.
38:58Vou preparar a sirina.
39:32Ana, vou embora.
39:33Já vou, amor. Deixa eu achar minha carteira.
39:35Pô, senão nós vamos chegar atrasado e os homens não vão deixar a gente ver a Maria.
39:39Achei.
39:40Pega na luz.
39:41Oi, amor. Entra, Gude.
39:45Salve, família.
39:46Alô.
39:47Tudo bem, gente? Tudo bem.
39:49Tudo indo, né, meu filho?
39:50Podia estar melhor, né?
39:51Se Maria não estivesse nesse lugar horroroso.
39:54Ô, Gude, nós estávamos indo para a delegacia para fazer uma visita para a Maria.
39:57Vamos com a gente.
39:58Eu vou sim.
39:59Ô, Pepe, eu vou sim.
40:00Mas eu queria trocar uma ideia com vocês antes.
40:02Pode ser?
40:03Gente, eu estava assim conversando com a minha mãe.
40:06Minha mãe me falou umas coisas aí.
40:09Ela me falou que a Maria foi achada no circo quando era pequena ainda.
40:12Que ela é na filha de vocês.
40:21Pronto, doutor. Ela já fez o exame de sangue.
40:24Pode sair, Dino. Eu quero falar com a Maria sozinha.
40:28Descense, doutor.
40:37Pode sentar.
40:48Deixa a porta aberta, por favor.
40:50Você acha que manda alguma coisa aqui?
40:56Se tentar alguma coisa, eu vou gritar.
40:58Não, você não vai gritar.
41:08Se chegar perto de mim, eu sou capaz de deixar o senhor aleijado.
41:12Tu vai fazer tudo o que eu quiser.
41:15Quietinha.
41:16Mas eu não vou mesmo.
41:17Ah, vai sim.
41:19Ou você prefere ter essa carinha linda, toda estraçalhada, a canivete pelas presas da carceragem?
41:24Pela rutinéia.
41:26Pela machadona.
41:28Hein, Maria? O que você prefere?
41:31Se entregar pra mim?
41:33Ou ver esse rostinho lindo, todo destruído no espelho?
41:53Fala, Boff.
41:54Só pra tu saber.
41:56Aconteceu tudo como eu previ.
41:57O irmão dele veio pro aeroporto.
42:00Com certeza vai pegar tudo.
42:01Você tá no aeroporto?
42:03Tô na garagem.
42:04Perto de onde ele estacionou o carro.
42:06Peraí, Eric. Você vai fuzilar o federal na garagem do aeroporto?
42:10Tem que desligar. Estão chegando.
42:11Tchau, Tchau.
42:15Tchau, Tchau.
42:54Se inscreva no canal
43:18Se inscreva no canal
43:59Se inscreva no canal
44:18Se inscreva no canal
44:56Se inscreva no canal
44:59Se inscreva no canal
45:09Se inscreva no canal
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