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TVTranscrição
00:06Tá pensando que é assim, é?
00:09Que eu vou desistir fácil de você?
00:12Não.
00:14Eu vou lá no prédio.
00:16Vou ficar na portaria até ela falar comigo.
00:18É isso mesmo.
00:20Mas vai, fica aí. Não sai daí, tá bom?
00:22Fica aí.
00:27Que quarto maneiro.
00:30Mãe, legal.
00:31Por tanto amor, por tanta emoção, a vida me fez assim.
00:38Alô? Alô?
00:40Eu sou atroz, não sou feroz, é o caçador de mim.
00:48Só pra isso. Eu nunca tinha visto um negócio desses.
00:53Legal pra caramba.
00:55Que nunca tiveram fim.
00:59Vou me encontrar longe do meu lugar.
01:02Loura, lindona.
01:05Eu sou o caçador de mim.
01:13Loura, lindona.
01:19Loura, lindona.
01:49Tira essa mão, garoto.
01:50Tira essa mão, garoto.
01:52Ai, me larga.
01:54Aqui.
01:55É, quieto.
01:57Hum?
01:58Sim.
01:59Ai, esse spray é maravilhoso.
02:08Coloca qualquer um pra dormir imediatamente.
02:23Júlia?
02:25Está tudo resolvido.
02:26Eu já estou com o menino lobo.
02:29Exatamente.
02:31Excelente, Cassandra.
02:32Eu vou levá-lo pra você.
02:33Está bem.
02:34Até logo.
02:34Um beijo.
02:37Cassandra conseguiu, finalmente, um jeito de trazer o menino lobo de lá pra cá.
02:42Muito excitante.
02:44Very exciting.
02:45Transicidão.
02:58Que cara é essa?
02:59O que está acontecendo?
03:00What's happening?
03:01Eu queria compreender como que esse menino fugiu de casa.
03:04Nós temos que investigar isso.
03:06We have to investigate it.
03:07Se você quiser que te ajude, if you want me to help you.
03:10Não se preocupe, eu tenho quem faça isso pra mim.
03:13Na verdade, eu tenho outra missão pra você.
03:15É mesmo?
03:16Really?
03:17Uma missão?
03:18Uma missão?
03:18A missão?
03:20Uma missão?
03:21É mesmo.
03:22Envolve um bebê.
03:23Um bebê?
03:24A baby?
03:25Um bebê paranormal que a mãe deixou lá na clínica.
03:28A mãe ficou com medo do bebê.
03:30Também não era pra mim.
03:32Luz apagando, acendendo, portas batendo, fechando.
03:36Sorry, do que você está falando?
03:38What are you talking about?
03:40Eu vou explicar pra você.
03:41Eu vou contar tudo pra você sobre esse bebê.
03:44O nome dele é Cristina.
03:59Não, ele não é do mal.
04:01Não pode ser.
04:03Não.
04:03Eu também acho que não tem nada a ver com nenhum tipo de manifestação ou energia negativa.
04:09Tá, mas então o que vocês acham que acontece com ele?
04:11Eu tenho pra mim que ele é um bebê paranormal, poderosíssimo.
04:16Mas não do mal.
04:18Demoníaco, não.
04:19É só o bebê.
04:22Engraçado.
04:23Comigo nunca acontece nada.
04:25Só piscam as luzes de vez em quando.
04:27Mas deve ser problema de contato, da fiação, sei lá.
04:30Não sei.
04:32Talvez ele goste de você.
04:35Não é você quem traz a mamadeira dele?
04:38Trago.
04:39Sou eu que normalmente preparo a mamadeira dele.
04:41E é você quem troca a fralda dele, não troca?
04:44Troco.
04:45Mas agora eu tô até com medo.
04:47Não, não, não precisa.
04:49Ele não vai te fazer mal.
04:51Porque gosta de você.
04:54Deve achar que você é a mãe dele.
04:56Eu acho melhor a gente não falar nada sobre esse bebê pra ninguém.
05:01Por que não?
05:03Porque podem não acreditar.
05:05Vão achar que a senhora está louca, doutora.
05:08É melhor evitar com outras pessoas esse assunto do bebê.
05:13É.
05:14Até porque ele só faz isso com a gente, né?
05:24Eu vou embora.
05:47Não, Aquiles.
05:48Você quer se exibir.
05:50É isso que você quer.
05:51Eu não quero me exibir.
05:52Só não acho injusto ter que esconder de todo mundo que eu sou muito veloz.
05:55Qual o problema?
05:56Já está decidido.
05:57E eu não vou mais falar de novo.
06:00Você está proibido de participar de qualquer competição esportiva.
06:04Proibido.
06:05Ouviu bem?
06:06Isso não é justo.
06:07Todo mundo já sonhou em ser um grande jogador de futebol, um atleta.
06:10E eu consigo, pai.
06:12Eu posso.
06:12Eu sei que eu sou muito mais rápido do que qualquer pessoa.
06:14Pai, o Aquiles pode correr a 100 km por hora e a gente já fez o teste, pai.
06:19Chega desse assunto!
06:23Eu não vou ficar mais batendo na mesma tecla.
06:26Eu já falei tudo o que eu tinha que falar.
06:29Você está sabendo de alguma coisa que não quer contar pra gente, Teófilo?
06:34O que eu sei é que eu não quero os meus filhos em tudo que é programa de televisão
06:38sendo tratados como se fossem umas criaturas monstruosas.
06:41Uns mutantes.
06:43É só isso que eu sei.
06:45E eu sei também que eu vou levar todo mundo aqui pra ilha do Arraial.
06:49Ela tem esse nome, Arraial.
06:52Mas é uma ilha deserta.
06:54E é pra lá que eu vou levar vocês.
06:56Mas era só o que faltava.
06:59Não vai levar meus filhos pra ilha deserta nenhuma.
07:03Nossos filhos, Rosana.
07:05Nossos.
07:06E eu vou levar sim.
07:07Se continuarem com essa palhaçada...
07:09Mas não vai mesmo.
07:11O mundo não precisa saber que eles são diferentes, Rosana.
07:16Não precisa.
07:18Que a Agatha tem olhos de águia.
07:20E que você, Aquiles, é indestrutível e super veloz.
07:25Não precisa.
07:29Meu Deus.
07:37A tia Erika, ela disse que vai trazer uma médica pra poder examinar você.
07:42E aí vão descobrir minhas asas.
07:44Então é melhor cortar de novo, né, filha?
07:46Não, pai.
07:47Eu tô adorando deixar minhas asinhas crescerem.
07:50Mas filha, eu não já te expliquei.
07:53Vem.
07:54Tudo bem.
07:54Eu vou deixar suas asinhas crescerem.
07:56Mas desde que você me prometa...
07:58Que você vai ficar quietinha dentro de casa, escondida...
08:00Afim de que ninguém te veja.
08:02Você promete?
08:03Prometo.
08:04Presta atenção.
08:05Você tá me prometendo que você vai ficar quieta na casa...
08:09Pra que ninguém vem aqui e possa te ver.
08:12Combinado?
08:13Combinado.
08:19Você já conseguiu voar alguma vez?
08:22Não.
08:22Nem um pouquinho?
08:24Não, porque minhas asas ainda são muito pequenas.
08:26Mas daqui a pouco eu vou conseguir voar.
08:28Não, você não vai voar.
08:31Você acabou de me prometer.
08:33Eu não já te disse que é perigoso?
08:35Mas não pra quem tem asas.
08:36Pra quem tem asas não é nada perigoso.
08:48Mãe, isso não tá certo não, hein?
08:50É mesmo.
08:51A senhora deixou a gente morrendo de curiosidade aqui.
08:53Mãe, a senhora falou pra gente...
08:55Que tinha um segredo pra falar sobre a Maria.
08:57E não falou nada pra gente até agora.
08:59A gente tá ficando maluco aqui, mãe.
09:00Mãe, nós somos seus filhos, mãe.
09:01Ai, meu Deus, Gude e Bené.
09:04Vamos mudar de assunto?
09:05Ah, não, mamãe.
09:05A senhora começou a falar, agora a senhora vai...
09:07Tem que terminar.
09:08Ai, meu Deus do céu.
09:09Pra que que eu fui falar?
09:11Isso tá minha boca de gabela.
09:13Começou, tem que falar, mãe.
09:15Vai logo, para de embromar a gente.
09:16Tá bom.
09:17Eu vou falar pra vocês, mas é um segredo.
09:20Mamãe, por favor.
09:21A gente não vai falar nada pra ninguém, não é, Gude?
09:23Aqui, se tu falar alguma coisa pra alguém.
09:24Eu e você só que vamos saber disso.
09:26Pera aí.
09:27Pelo menos por enquanto, né?
09:29Tá, mamãe.
09:30Fala logo.
09:31Desembucha.
09:31Mãe, para de embromar.
09:33Fala logo de uma vez.
09:34Eu tinha prometido não falar pra ninguém, mas devido essa situação, eu tenho que falar.
09:41Para de embromar, mãe.
09:42Toma, mãe.
09:42Fala.
09:44A Maria foi adotada pelo Pepe e a Ana Luz.
09:48Como assim, minha mãe?
09:49Ela não é filha biológica do Pepe e da Ana Luz, não?
09:52Não.
09:53Ela foi adotada por eles.
09:56Como é que é essa história, minha mãe?
09:58Eu vou explicar pra vocês como é que foi.
10:02Uma noite de lua cheia.
10:04O espetáculo já tinha acabado.
10:06Vocês eram pequenos, porque eu tive vocês ainda muito tarde.
10:12Vocês estão ouvindo?
10:14Claro.
10:15Tinha que ser super no ouvido.
10:16Um choro de criança.
10:19Parece que tá aqui dentro.
10:22Parece que tá dentro do circo.
10:23Surpreendamental o circo.
10:25Porque é surpreendamental, porque é fundamental e transcendental e fenomenal.
10:33E eu continuo, meu barulho, meu barulho.
10:36E fica ali.
11:06Mas é um bebê.
11:07Esses...
11:08Largaram o bebê no nosso circo.
11:11Era a Maria.
11:13Era um bebezinho tão lindinho.
11:16Ali, mãe, pequenininha.
11:18É.
11:19Abandonadinha ali nas cadarias do circo.
11:21É.
11:22Era uma belezinha.
11:23Mãe, diz uma coisa.
11:25Vocês não falaram nada pra polícia?
11:27Eles não falaram nada.
11:29Quer dizer, nós não falamos nada.
11:31E por que não falaram?
11:33Tinham que ter falado, meu Deus.
11:34A Ana Luz tinha acabado de perder um filho.
11:38Mas ela pensava que fosse um presente de Deus pra ela.
11:42Isso não tá direito.
11:44Era uma criança desaparecida.
11:45Deve ter sido sequestrada, Bené.
11:46E tem mais, e tem mais de um bilhete ameaçador pra quem encontrasse aquela criança.
11:56Que ameaça, mãe?
11:57Que não era pra falar pra ninguém.
11:59Senão, eles matavam a criança e quem abrisse o pico.
12:05Meu Deus, a Maria nunca me falou nada sobre isso.
12:08A Maria nunca soube de nada.
12:11Até hoje, né, mãe?
12:12É por isso que a senhora nunca contou nada pra gente também?
12:15É. E a Ana Luz e o Pepe me pediram pra não falar pra ninguém.
12:21E alguém mais sabe, mamãe?
12:23Só quem sabe sou eu, o Pepe e a Ana Luz.
12:27E agora nós dois, né?
12:29Agora vocês dois.
12:43O que é que você acha, Ana?
12:47A gente deve ou não deve contar tudo pra polícia, hein?
12:50Pra polícia?
12:51Hum.
12:52Aí vai todo mundo saber que a gente criou uma menina que não era nossa.
12:55É.
12:56Pra até acusar a gente de ser o sequestrador, né?
12:59É.
13:01Podem até prender a gente, Pepe.
13:03É, isso seria a ruína do nosso circo.
13:06Mas também, quer saber?
13:08É bom a gente contar logo tudo, falar tudo.
13:10Não aguento mais essa história.
13:12Ah, isso seria a salvação da Maria, hein?
13:14Tadinha.
13:15Imagina como é que ela tá.
13:17Ela foi acusar de assassinar esse tal doutor Sócrates não sei o quê.
13:21Porque, na verdade, ela é a filha verdadeira dele.
13:25Aquela que desapareceu o bebê.
13:28Ana, quem diria, hein?
13:30Nossa filhinha querida, nossa amada Maria,
13:35veio a ser a herdeira de uma enorme fortuna.
13:39Vamos contar pra ela logo?
13:41Vamos contar?
13:42Ah, eu acho que a gente devia contar mesmo, Ana.
13:45Com certeza.
13:47Pepe.
13:48Achei.
13:51Olha.
13:51A roupinha que a gente encontrou a Maria.
13:55Maria.
13:55Não é?
14:00Sabe você o que é o amor?
14:03Não sabe, eu sei.
14:07Sabe o que é um trovador?
14:09Não sabe, eu sei.
14:13Sabe andar de madrugada
14:16Tendo a amada pela mão.
14:19Sabe gostar, não sabe nada
14:23Sabe, não
14:25Ah, você
14:28Não sabe, não
14:31Ah, ei
14:34Não sabe, não
14:44Pai
14:49Me conta como tudo aconteceu
14:52Desde o começo
14:56Minha família foi ficando cada vez mais sem dinheiro, filho
15:01Então eu fui fazer o serviço militar
15:03Pra não passar fome
15:06Nessa época minha mãe morreu
15:08De infarto
15:09Que barra, pai
15:10Eu não tinha irmãos
15:12Meu pai não se dava com os meus tios
15:15Aliás, meu pai nunca se deu com a família dele
15:18E a minha mãe era como eu
15:20Filha única
15:21Não tinha irmãos
15:22Que nem eu também, né
15:25Ah, eu queria tanto ter tido meu irmãozinho
15:29O que aconteceu, filha
15:31Foi que quando eu saí do serviço militar
15:35Eu tava sozinho
15:36Eu não tinha ninguém
15:38Foi nessa época que você conheceu a minha mãe?
15:43Foi
15:49Foi nessa época que eu conheci a sua mãe
15:51Mas ela engravidou
15:57Numa hora em que nós dois estávamos desempregados
16:00Muito sofrimento, pai
16:03A família dela ficou contra o nosso namoro
16:05A sua avó materna, a mãe dela
16:08Ela já era uma senhora
16:10Muito doente
16:10Pouco tempo depois de você nascer
16:13Ela morreu
16:15Nossa, quanto sofrimento
16:16Era uma época muito difícil, filha
16:18Eu tava com o nome sujo
16:20Não conseguia emprego
16:21Não tinha trabalho
16:24E aí você nasceu
16:27Você nasceu
16:28Pouco tempo depois de eu receber
16:30Aquela maldita ordem de despejo
16:33Eu tinha um amigo
16:35Que eu tinha falado que ia me ajudar
16:37Mas que na última hora ele sumiu
16:39Muito amigo ele
16:41E aí sem ter pra um dia
16:43A gente foi pra rua
16:45Então
16:47Então foi assim
16:50Aí aconteceu
16:51O que eu te contei, filha
16:53O desespero
16:55De ver você e a sua mãe na rua
16:57Passando fome
16:58O furto do mercado
17:00E a prisão
17:01Eu entendi
17:02Eu entendi tudo até aí
17:03Mas
17:05Eu queria saber, pai
17:06Por que você ficou mais tempo preso?
17:11Eu tive um outro probleminha lá na cadeira
17:13Que problema?
17:19Eu fui atacado por um preso
17:23Por que?
17:24Eu não sei, filho
17:26Eu não sei
17:26Ele cismou comigo
17:27Era um psicopata
17:29Um cara extremamente agressivo
17:32Ele vivia me chamando pra briga
17:34Eu queria me humilhar
17:35Na frente dos outros presos
17:38Era um lutador de vale tudo
17:39Preso por trauma
17:40Mas que já tinha diversas passagens pela polícia
17:46E aí
17:58Aplausos
18:21Aplausos
19:07E o que aconteceu?
19:09Na briga ele se machucou e entrou em coma.
19:11Mas ele não era lutador, forte?
19:13Era, era, mas...
19:16Eu também sempre fui muito forte.
19:18Seu avô, meu pai, ele era boxeador.
19:22Desde que eu era moleque, ele me ensinou a lutar.
19:25Ele adorava treinar comigo e ele treinou até morrer.
19:29Quando eu tinha 16 anos.
19:31Então, depois do furto no mercado, teve essa briga com esse homem.
19:36Aí você ficou esse tempo todo preso, foi por isso?
19:38Foi por isso, sim.
19:40E ele morreu?
19:41Não, não morreu.
19:42Ah, tá, mas você ficou muito machucado?
19:44Um pouco.
19:46Mas não tanto quanto ele.
19:49Mas eu compliquei um pouco a minha situação com a justiça.
19:52Acabei ganhando um outro processo por agressão, lesão corporal.
19:56Como a família dele tinha recursos, eu...
19:59Eu fiquei mais tempo do que eu pensei que eu ia ficar.
20:06Presidiário!
20:06O que, o Noé?
20:07É, eu acabei de escutar, tá?
20:11Presidiário.
20:11Não é por nada, não.
20:12Mas eu tô começando a desconfiar que o Noé tem alguma coisa a ver com a morte do Dr. Socas.
20:17O que que é isso, Juanita?
20:18Mas não mesmo, tá maluca?
20:20De jeito nenhum, Juanita.
20:21Ah, não.
20:23Então, por que que ele tava lá na festa do Dr. Socrates quando o homem morreu?
20:26Não sei e não me interessa.
20:27Tá, mas vou te dizer uma coisa.
20:29Eu tenho certeza absoluta que o Noé jamais iria fazer mal pra alguém.
20:31Ah, guri.
20:32Tu é muito ingênuo, Fernando.
20:34Eu, hein.
20:34Pensa um pouco, guri.
20:35Ô, Manu.
20:36Não sou ingênuo, não.
20:37Você que é muito desconfiada, tá?
20:39Bota maldade em tudo que vê.
20:40Ouve conversa dos outros, Ismeralda.
20:42Vem aqui e já tome maldade.
20:43Bota fofoca na parada.
20:44É, então tá certo.
20:46Então, se ele é tão inocente assim, guri, por que que ele foi pra prisão, hein?
20:49Me explica.
20:50Não, não, não, não, não, Juanita.
20:52O Noé sempre gostou muito da Maria.
20:53Não ia fazer nada contra ela.
20:54Você nem vem.
20:55Ó, eu não sei, não.
20:56Eu acho bem capaz, tá?
20:58Bem capaz.
20:59Juanita.
21:00Tira essas coisas da cabeça, ó.
21:01Ô, cobra.
21:02Eu vou te dizer que tá tinhosa essa minha irmã, hein?
21:06Ou não é?
21:07Capaz.
21:19O senhor tá louco, delegado Taveira?
21:21Tô louco de desejo por você, mulher.
21:24O senhor não tem o direito de me tirar da carcerade, me trancar nessa sala pra tentar abusar de mim.
21:28O cabelo é lindo, sabia?
21:30Dá vontade mesmo de agarrar você.
21:33E solta, solta o meu cabelo.
21:34Só depois que me dá um beijo.
21:35Ai!
21:36Você me mordeu, vagabunda!
21:38Eu posso fazer muito pior.
21:40Vou te mostrar uma coisa.
22:00Eu vou matar você.
22:02Tocorro!
22:04Tocorro!
22:06Ô, Doutor Taveira!
22:07Doutor, abre a porta.
22:08Tá tudo bem aí?
22:08Tá tudo bem, tudo sob controle.
22:10Abre a porta, doutor!
22:11Por favor, abre aí!
22:12Eu ainda não acabei com você, mulherzinha marreta.
22:15Eu me juro que eu gosto.
22:16Chega atrás de mim de novo que eu vou quebrar todos os seus dentes!
22:19Vou tomar você como uma égua selvagem em sucra.
22:22Não, não, não, não.
22:23Parece que eu tô começando a dar um tiro no teu pé.
22:25Não, não faz isso não, socorro!
22:27Socorro!
22:27Abre a porta, por favor, doutor!
22:28Abre aí, doutor!
22:29Abre a porta!
22:30Mas eu não vou fazer isso agora porque eu não quero sujar minha sala com teu sangue.
22:34Assassina!
22:41O senhor aqui, doutor, deixa eu ver uma queitaria lá fora.
22:44Tudo bem, tudo sob controle.
22:46Aqui a presa é histérica.
22:47Tá tudo bem mesmo?
22:48Não, não falaram bem, não.
22:50Ele tava tentando abusar de mim.
22:52É mentira dela.
22:53É verdade.
22:54Ele ameaçou atirar em mim.
22:56Entre a palavra de um delegado de polícia e de uma presa acusada de assassinato,
22:59você acha que vão acreditar em quem?
23:01Ele tentou me pegar, por favor.
23:02Você vai fazer um exame de corpo de delito, então?
23:04Tem marca nenhuma de violência em você?
23:05Pode ver o corpo dela.
23:07Que graça, doutor.
23:08O doutor chegou morrendo no juiz.
23:10Autorizando o exame de sangue da presa.
23:12Pra verificar se ela foi realmente dopada.
23:19Aleluia.
23:21Mas é hora que depois desse dia eu estou saindo, vai ter alguma coisa no sonho.
23:25Tuvido que apareça alguma coisa que te inocente, garota.
23:27O exame de sangue a essa altura não vai servir pra nada.
23:30E provavelmente vai ficar ainda muitos anos na cadeira.
23:32E vai ficar ainda muito se precisando.
23:37Aperto.
23:48E vai ficar ainda muito sobre a resposta.
23:49Aperto.
23:54E vai ter.
23:54E vai ter.
23:54E vai ter.
23:56Tchau, tchau.
24:28O que foi, Josias?
24:31Eu achei, doutor Mauro.
24:35Eu acho que eu descobri quem mandou matar o Sócrates.
24:40Você descobriu quem mandou matar o Sócrates?
24:46E quem foi?
24:50Eu não posso dizer nada agora.
24:53Primeiro eu preciso de provas.
24:56Mas que provas?
24:57Doutor Mauro, na verdade.
25:00Eu gostaria muito de falar com a Cassandra.
25:03O senhor sabe onde ela está.
25:04A Cassandra saiu.
25:06Mas, Josias, você bem que podia me dar uma pista.
25:11Quem você acha que mandou matar o Sócrates?
25:17Eu não posso dizer nada agora.
25:20Melhor.
25:22Boa noite.
25:23Boa noite, filha.
25:24Não, minha neta.
25:25Eu vou.
25:25Quanto tempo, hein?
25:27Não vou.
25:28Eu fui jantar com o Tony, eu te avisei.
25:30Tá bom.
25:30A gente foi num restaurante, ótimo.
25:34Você estava falando alguma coisa sobre a morte do Dr. Sócrates ou foi impressão minha?
25:39Não, nós estávamos falando, sim.
25:43Seu pai acaba de me dizer que descobriu que mandou matar o Sócrates.
25:50Descobriu, pai?
25:52Descobri.
25:56Agora ficou tudo claro pra mim.
26:02Eu só preciso provar.
26:13Chazinho, Paola.
26:15Ah, obrigada.
26:18Eu penso assim.
26:20Sem liberdade a gente não tem nada.
26:21Pra mim, liberdade é uma das coisas mais importantes da vida.
26:25Foi por isso que eu abandonei o Zé Doido naquele altar, coitado.
26:28Tu é doido?
26:28Quem é o Zé Doido?
26:30Meu noivo.
26:31Que eu abandonei naquela igrejinha lá no interior e fugiu.
26:35Mas por que você abandonou o tal do Zé Doido?
26:38Simples.
26:39Não tive coragem de casar, foi isso.
26:41Também, minha filha, com esse apelido nem eu teria coragem de me casar com ele.
26:46E tu deixou ele na porta da igreja fugir.
26:49Quer dizer, um pouco antes de chegar na porta da igreja.
26:51Eu mandei o motorista voltar, corri pra casa, peguei minhas malas, fui pra rodoviária e peguei o primeiro ônibus pra
26:57São Paulo.
26:58Ah, já sei.
26:59É porque você não amava o cara.
27:01Não.
27:02Não amava o suficiente pra deixar de ser livre, entende?
27:05Eu até entendo, Lúcia.
27:07Mas veja bem.
27:07Você sabe que a felicidade e a liberdade não são coisas que vêm de fora, assim como uma roupa que
27:15a gente veste.
27:16Não.
27:17Felicidade e liberdade são escolhas que a gente faz.
27:20Um caminho que a gente percorre.
27:22Ai, Simone falou bonito, hein?
27:24Eu quero conquistar minha felicidade.
27:26Tá.
27:29Mas eu, por exemplo, não sei se eu conseguiria ser totalmente feliz sem um namorado, um amor.
27:35Eu quero ser livre, sabe?
27:37Mas também não quero ficar sem um amor.
27:39Tá bom.
27:39E quem é que disse pra você que o amor é uma prisão?
27:42Pelo contrário, Lúcia.
27:44O amor não prende ninguém.
27:46Amor é fruto da liberdade, da escolha, da entrega.
27:51Ai, a dona Simone fala umas coisas tão lindas, né?
27:57Com licença.
27:59É meu celular.
28:04Alô?
28:07Oi, Lucas.
28:11Tu tá onde?
28:14Aqui na portaria?
28:17Ah, tá.
28:19Tá, eu tô descendo.
28:21Tá.
28:22Ô, eu vou ter que descer rapidinho.
28:27O Lucas tá embaixo querendo falar comigo.
28:35Tá linda.
28:37Vai, vai.
28:41Cuidado!
28:42Olha a linha.
28:44Cuidado, Glória.
28:45Cuidado, hein?
28:46Olha direito.
28:48Não.
28:51Só me ante um beijo.
28:53Com um simples olhar.
28:54Você sabe o que faz em mim.
28:58Um fim de semana.
29:00Um dia em segredo.
29:02Com você sempre estou.
29:04Olha que você não passa.
29:05Para de brincadeira boba, Rodrigo.
29:07Sai da minha frente, vai.
29:09Deixa passar, me solta.
29:10Só se você me der um beijo.
29:12Não.
29:13Eu não quero te dar um beijo.
29:14Mentira.
29:15Sei o que você quer.
29:16Não.
29:16Você sabe que eu sou completamente apaixonado por você.
29:19Você sabe.
29:19Não, Rodrigo.
29:20Para.
29:20Tá sério.
29:21Me dá um beijo.
29:22Não.
29:23Me dá um beijo.
29:24Você sabe que eu sou louco por você, sabe?
29:26Para com isso, Rodrigo.
29:44Você me deixa louco, sabia?
29:46É louco.
29:49Calma, Rodrigo.
29:49Calma.
29:49O que você está fazendo?
29:50Tirando a blusa.
29:51É que pele com pele é mais gostosa.
29:52Olha só.
29:53Sente.
29:53Sente o meu corpo.
29:54Sente a minha pele.
29:55Olha como é que eu estou quente.
29:56Olha.
29:57Estou quente.
29:58Está sentindo?
29:59Pode que eu estou mal.
30:00Tirar essa blusa.
30:01Como é que tira?
30:01Não, não, não.
30:01Eu não sei.
30:02Me ajuda aqui.
30:02Para, Rodrigo.
30:03Para.
30:04Para.
30:04Quem está pensando no que eu sou?
30:05Para com isso.
30:06Estou pensando que você é a mulher da minha vida.
30:07Você é a mulher que eu quero.
30:10Me deixa no meu coração.
30:12Não consigo parar de pensar em você o dia inteiro.
30:14Não consigo dormir.
30:15Fico sonhando com você.
30:17Você para mim.
30:18Fica com o lado de mim assim.
30:20Para.
30:21Calma.
30:21Olha que delícia.
30:23Olha que delícia.
30:24Para.
30:24Ai.
30:26Ai.
30:26Ai.
30:29Peraí.
30:29Sério.
30:33Sai.
30:50Oi.
30:51Oi, Rodrigo.
30:52Meu amor.
30:53Oi, Amália.
30:54Tudo bem?
30:54O que que foi? Tava dormindo?
30:56É, tava, tava, tava dando uma descansada.
30:59Tudo bem com você?
31:02Tudo, tudo, tudo bem, tranquilo.
31:04Eu tô te ligando porque eu queria te ver.
31:06Eu tava pensando em dar uma passadinha aí mais tarde.
31:09Se você quiser.
31:10Não, aqui em casa não, não. Acho que não é muito legal não, Amália.
31:13Olha só, vamos, vamos se encontrar em outro lugar.
31:16Eu te levo num lugar bem legal hoje.
31:17Mas qual o problema de eu ir até aí, Rodrigo?
31:20Você não quer assumir a nossa relação pra sua família, é isso?
31:23Não, nada a ver, Amália.
31:24Muita gente da minha família já viu nós dois juntos.
31:27Então se não é ninguém da sua família, quem é que não pode saber de nós?
31:31Ninguém, Amália, sei lá.
31:33Já sei.
31:35Você não quer que aquela empregadinha veja nós dois juntos, é isso?
31:38Olha só, mais tarde a gente se vê. Eu te ligo pra gente se encontrar, tá bom?
31:41Eu tô saindo da presidência agora.
31:44Eu tô indo pra casa tomar um banho e me arrumar.
31:46Isso, faz isso. Então a gente se vê. Eu te dou uma ligada antes, tá?
31:49Vai ficar bem perfumadinho.
31:51Tô com saudade de você, Amália.
31:53Beijo.
31:53Um beijo.
31:54Quero sair, sair, sair.
31:57Ai, meu Deus do céu.
32:13Oi, Glória.
32:15Que bom que você desceu.
32:17Ué, tu não veio aqui especialmente pra me ver?
32:20Glória, aquele seu papo no telefone...
32:22É.
32:23É aquilo mesmo.
32:25Eu e você não dá mais, Lucas.
32:27Por que não?
32:28Ah, porque tu é um guri muito novinho.
32:32Olha, Glória, eu tenho 20 anos. Eu não sou mais criança, tá?
32:34Proigo, tu é ainda bebê.
32:36Será que você não entende que eu quero que você é sério, Glória?
32:38Ai, Lucas.
32:39Eu quero que você seja minha namorada.
32:44Ah, namorada.
32:46Eu quero um homem que queira ser meu marido.
32:51Não, Lucas, não dá.
32:53Glória, namorada é pra começar.
32:54Depois, com o tempo, quem sabe a gente pode casar, ter filhos.
32:58Um tempo?
32:59Ah, não.
33:00Não tenho mais tempo pra perder o guri.
33:02E não insiste, guri.
33:04Glória, você não vai perder tempo comigo, não.
33:08Vai valer a pena e muito.
33:09O que eu sinto por você é muito forte.
33:12Droga.
33:13Que vontade de falar sim pra esse gatinho lindo.
33:17Eu tenho que dizer não, enquanto eu tô louca pra dizer sim.
33:20Ai, ser mulher é tão difícil.
33:23Mas o que você tá sentindo?
33:25Diga sim.
33:28Há quanto tempo?
33:32Ué, será que eu pensei isso alto?
33:37Há quanto tempo?
33:44Então, a minha ideia genial é a seguinte.
33:47Desse lado, pra cá, ficamos eu e minha família.
33:55Desse lado, pra lá, paquederme e sua manada.
34:01Que ideia ridícula, mamãe.
34:03É impressionante, irmã.
34:04Até as suas filhas percebem.
34:06Será que você não se toca do que você tá falando, não?
34:08Regina, minha querida, alguém pediu aqui a sua opinião?
34:11Não, mamãe, mas eu tô dando mesmo assim.
34:13Muito ajuda quem não atrapalha, né?
34:16A Regina tem o direito de falar.
34:18Mas essa ideia é um absurdo, né?
34:20Além de ser um absurdo, é totalmente ineficaz.
34:22Se a sua intenção é se afastar do tio Ari,
34:24a física diz que mesmo dois corpos separados a uma certa distância
34:28continuam exercendo influência um sobre o outro.
34:31A ideia é ridícula mesmo, mãe.
34:32Você não percebe que tá criando uma tática de guerra completamente beligerante?
34:36Tá querendo dividir a casa em dois campos opostos?
34:38Tipo, amigos, inimigos, adversário e aliado, já.
34:41A Closinha, me poupa da sua filosofia, tá?
34:44O que eu quero é muito mais simples.
34:46Eu quero ficar num lado da casa e quero que o seu tio fique no outro.
34:50Tá, mas a guerra é uma manifestação primitiva de desacordo.
34:54Quando dois lados não conseguem se entender através de um diálogo,
34:57um lado tenta impor sua vontade ao outro.
35:00Exatamente assim que eu me sinto em relação à mãe de vocês, minha sobrinha.
35:04Pra ser sincero, não existe a menor possibilidade de eu me relacionar com a mãe de vocês.
35:09Minha filha, vocês acham que sabem muito só porque estudam física e filosofia,
35:12mas eu sou uma pessoa prática.
35:14Eu quero dar um jeito de me livrar desse ser desprezível,
35:18dessa pessoa insuportável que é o tio de vocês.
35:22Ô, Irma, mas você também não para de provocar, né?
35:25Nossa senhora, parece uma doença impressionante.
35:28Mas é uma doença.
35:29Eu, se pudesse, não enxergava essa pessoa na minha frente.
35:33Ô, Irma, fique sabendo que aqui dentro dessa casa você não dá as ordens.
35:37Você não manda.
35:40Você já se tocou que ideia mais ridícula que você inventou agora?
35:44Dividir a mesa...
35:45Não, a mesa não.
35:46Ela quer dividir a mansão.
35:48A mansão em dois.
35:49É uma ideia ridícula.
35:50Só podia ter partido de uma cabeça de titica como a sua.
35:53Cabeça do quê que você falou?
35:55Cabeça de titica.
35:56Chega!
35:58Eu não aguento mais vocês dois brigando assim.
36:02Têm dois animais.
36:03Mas cão e gato.
36:04Cão e gato?
36:05Seria mais apropriado você chamar parquiderme que gata.
36:11Quer saber de uma coisa?
36:14Chega pra mim.
36:15Eu vou dar uma arejada na cabeça porque eu não aguento mais ficar com vocês dois aqui desse jeito.
36:20Chega!
36:21Vai, meu irmão.
36:21Vai, então.
36:22Eu aguento mais vocês dois desse jeito.
36:25É um absurdo mesmo.
36:27Ô, Batista, ainda bem que você chegou.
36:29Você podia me fazer um favor, querido?
36:31Eu queria que você passasse na locadora pra você pegar uma comédia bem engraçada.
36:34Sabe aquelas comédias que você não consegue parar de rir?
36:38Ah, sim, senhor.
36:39Eu conheço filmes ótimos.
36:40Faça isso, Batista, porque eu preciso dar boas risadas.
36:43Depois de ver essa tragédia ambulante de péssimo mau gosto que é a minha cunhada.
36:49Com licença.
36:50Batista, você não vai na locadora.
36:54Não?
36:55Não, você vai no supermercado comprar um chá de boldo concentrado porque a simples presença desse estáfermo atacou o meu
37:05fígado.
37:05Eu não suporto guincho de pachyderme.
37:08A dor de cabeça.
37:09Bom, é melhor vocês se decidirem.
37:12Eu vou primeiro no mercado ou na locadora porque cada um fica pra um lado?
37:15Primeiro no supermercado.
37:16Não, Batista.
37:17Você vai à locadora porque eu preciso rir.
37:19Eu preciso me desestressar desse péssimo exemplo de personalidade translocal.
37:24Batista, você vai no supermercado porque meu fígado está sendo destruído por esse tiranossauro.
37:29Não vai, Batista.
37:31Você vai à locadora, senhor, porque quem manda aqui nessa residência sou eu.
37:36Gente, impressionante como a ilusão cega as pessoas.
37:41Por acaso é você que paga o salário dele?
37:43E por acaso é você que paga o penosa translocada?
37:46Penosa o quê?
37:47Penosa o quê?
37:49Tiranossauro, Rex, pavão depenado, hipopótamo, elefante, louco, insuportável.
38:08Penosa o quê?
38:26Penosa o quê?
38:56Tônia!
38:59Tônia!
39:07Danilo, eu tô com umas coisas na cabeça, cara, e...
39:11Coisas na cabeça? O quê? Tipo o quê?
39:14O que você sabe sobre os mutantes? Sobre aquele projeto de DNA e tal?
39:20Olha, eu sei que quem criou foi a Dra. Júlia e que foram feitas algumas experiências lá naquela clínica no
39:28Guarujá.
39:29Sei.
39:31Hum, essa aqui... Não, não, não. Essa não.
39:35E quando é que foi que começou isso, cara? Cê sabe?
39:38Olha, se eu não me engano, mais ou menos em 1978, 79, 1980.
39:46Olha, o mutante mais velho tem uns 28 anos.
39:5028. E eu tenho 20.
39:53É, você é o filho temporão. Veio bem depois de mim, do Rodrigo.
39:57Agora, o que que eu ouvi? Isso tá meio estranho, Tony. Aconteceu alguma coisa?
40:03Danilo, eu tô desconfiado que eu sou uma dessas experiências.
40:08Eu acho que eu sou um mutante.
40:18Olha, pode não parecer, mas esse menino pesa feito chum.
40:23O menino louco. Deu bom, boy.
40:26Ele era tão pequenino quando ele deixou a clínica. Deixa eu ver.
40:32Não tinha ainda esses dentinhos.
40:34Mas esse menino é 97% humano com alguns genes de outras espécies.
40:41Uma joia da ciência.
40:57Cê diz que eu sou pai do Vavá. Absurdo.
41:04Não tenho nada a ver com ele, nada.
41:07Pensando bem, não tem o mesmo.
41:10Vavá é do bem, você não é.
41:13Vavá tem um bom coração, você não tem.
41:16Vavá é tão meiguinho, afetuoso.
41:27Parece até que tá falando com o cachorrinho.
41:30Só falta meter o rabinho até as pernas.
41:33Sabe por que não é você que ele morde?
41:36Ele só morde pra se defender.
41:42Passou o dia todo ontem procurando, procurando.
41:45Não encontrou nada, né?
41:48Eu já lhe disse, Pachola.
41:50Fui nos hospitais, fui na delegacia, fui em tudo quanto foi canto.
41:54Ninguém me deu uma notícia dele.
41:56Cê até parou de trabalhar?
42:00Trabalhar?
42:02Trabalhar, Pachola.
42:04Como é que você acha que eu vou trabalhar,
42:06sabendo que meu filho tá sumindo por aí?
42:08Como é que eu vou trabalhar, Pachola?
42:10Sem saber se ele tá com frio, se ele tá com fome,
42:12se ele tá na casa de alguém que pode fazer o mal nele?
42:15Hein, Pachola? Pelo amor de Deus!
42:17Oh, meu Deus!
42:18Não deixe que nenhum mal aconteça com meu filho!
42:21Põe a Vavá em segurança, meu Deus!
42:23Tem que tocar a vida pra frente, minha preta.
42:26Os clientes não vão esperar não, hein?
42:29As vinhas tão crescendo.
42:31Cê até parou de fazer aquele curso de graugragem linfática que tu tava fazendo.
42:37Não é possível, Pachola.
42:40Não é possível que você seja uma pessoa tão má.
42:45Como é que eu vou fazer?
42:47Manicure?
42:49Pericure?
42:50Curso de denagem linfática?
42:53Como é que eu vou ficar labutando com essa gente, Pachola?
42:57Pelo amor de Deus!
43:00Meu filho desapareceu!
43:17Oi, Marcelo! Tá tudo bem com você, meu filho?
43:20Tudo, mãe. Na medida do possível, tá tudo bem.
43:23E a Tati, como é que ela tá?
43:24Tá bem também.
43:25Quando é que vocês voltam?
43:26Hoje, mãe.
43:27Hoje?
43:28O voo saiu hoje à noite pra São Paulo.
43:31A gente chega aí amanhã de manhã.
43:37Eric, me conta essa história que eu não tô entendendo nada, vai.
43:40Você não tá entendendo nada porque você nunca entende nada.
43:43Você é burra.
43:44É? Eu sou burra?
43:45Eu sou burra e você é maluco.
43:47Você vai apagar o federal, é isso?
43:49Ramon não fez serviço de manhã.
43:50Vou ter que fazer aqui.
43:52Entendeu agora?
43:52Vem cá, você perdeu a noção do perigo?
43:55Não era só a filha dele, a menininha?
43:57Agora é o pai também, você tá louco?
43:58Agora não tem mais volta.
44:00O trabalho tem que terminar.
44:02A menina era parte da encomenda.
44:04Agora o pai dela não.
44:06Aí dela é por minha conta.
44:07Ela ainda é sobrevivência, ou nós ou ele, né?
44:10Vem cá, essa sua listinha de mortes, ela aumenta a cada dia, né?
44:14Você tá louco?
44:14O que você tá pensando, hein?
44:16Que essa sua viagem de serial killer é que nem joguinho de dominó, é isso?
44:20Uma pecinha de cada vez.
44:21Você tá louco, cara?
44:22Você pirou e eu tô passada com você.
44:24Não tem outro jeito, Helga.
44:26Eu tenho o que fazer.
44:27Antes que os coleguinhas dele da federal venham atrás da gente.
44:32Eu vou quebrar o Marcelo Montenegro, sim.
44:35Assim que ele chegar no Brasil.
44:38Saiu do aeroporto, eu vou lá e...
44:40Fuzilo ele.
44:42É pra saber.
44:43Sabe você o que é o amor?
44:46Não sabe!
44:48Eu sei.
44:50Sabe o que é um trovador?
44:52Não sabe!
44:54Eu sei.
44:55Ah, você não sabe não
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