Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 meses

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Olá, estamos dando início a mais um Ponto de Vista.
00:12Hoje vamos falar sobre o SAMU, o Serviço de Atendimento Metropolitano de Urgência.
00:17Como funciona o serviço?
00:20Como a população avalia o SAMU?
00:23Onde o atendimento pode melhorar?
00:25Para falar sobre o assunto, convidamos o Dr. Leonardo Gomes, que é o Coordenador-Geral do SAMU no Recife.
00:32Dr. Leonardo, seja muito bem-vindo e obrigado por ter aceitado o nosso convite.
00:37Eu que agradeço, obrigado a você, Fernando, toda a sua equipe e vamos bater um papo muito legal com o dia de hoje.
00:42O SAMU começou aqui pelo Recife e depois se expandiu pelo Brasil todo.
00:48O modelo é o mesmo do Brasil todo ou há diferenças do SAMU de um estado para o outro, de uma cidade para a outra?
00:56O SAMU é um orgulho de todos os pernambucanos.
00:58Foi criado em 2001 aqui em Recife.
01:01Esse modelo hoje é um modelo que é nacional.
01:03Então, todas as cidades do Brasil que possuem o SAMU, que ligar 192, vai cair numa central de regulação de urgência, emergência.
01:11E as equipes que irão atender aquelas pessoas daquela região trabalharão com as mesmas fardas, os mesmos protocolos, as ambulâncias.
01:19A gente tem algumas diferenças, por exemplo, nos veículos.
01:22Na região norte, nós temos as ambulâncias, lá você tem muito rio.
01:26Nós temos aviões também hoje em dia, motocicletas, que são as nossas motolâncias.
01:31Então, o SAMU precisou também se moldar o território, as pessoas que precisavam, não só com ambulâncias, mas o modelo é um só e nasceu em Pernambuco.
01:39Aqui no Recife, apesar de ser chamado de serviço de atendimento metropolitano de urgência, o SAMU atende a um número muito maior de municípios do que a região metropolitana.
01:50A região metropolitana, acho que são 14 municípios, mais ou menos, e o SAMU daqui do Recife atende 71 municípios, 72 com o Fernando de Noronha.
02:01Como é feita essa distribuição? Por que o Fernando de Noronha é atendido pelo Recife, por exemplo?
02:06O nosso estado tem regionais de saúde, então temos aqui nessa região que você falou, quatro regionais de saúde, primeira, segunda, terceira e décima segunda.
02:16E Noronha é um distrito estadual que pertence à regional de Recife, então a gente acaba essa regulação.
02:22Logicamente, a ambulância de Fernando de Noronha fica na ilha, então o pedido de socorro nasce na ilha, mas essa escuta é feita aqui na capital, no Recife.
02:31A nossa equipe médica que decide se vai enviar aquela ambulância da ilha para atender aquela pessoa.
02:37Então, são 71 cidades, como você falou, são 5 milhões e meio de pessoas que são atendidas por essa central, é muita gente, são 140 ambulâncias que circulam nessas cidades.
02:48Então, é uma presença muito ostensiva do SAMU para salvar vidas.
02:52E como é que funciona, por exemplo, além do SAMU metropolitano, a gente tem mais três SAMUs aqui no estado.
02:59Como é que é feita essa divisão?
03:01São quatro regionais, Recife mais três.
03:04A gente tem no Agreste o SAMU Caruaru, que é o SAMU Agreste.
03:09Temos o SAMU em Serra Talhada e temos o SAMU em Petrolina.
03:12Então, cada sede dessa é uma sede de regional, onde ele faz a escuta, que esse pedido de socorro chega nessas centrais.
03:20E essas centrais disparam as ambulâncias que vão seguir para aquele local.
03:24É importante dizer que cada central dessa, ela intercomunica-se com a outra central.
03:28Então, Recife tem uma interface muito grande com Caruaru, que é uma central mais próxima da gente.
03:34Mas, por exemplo, quando os pacientes vêm de avião de Petrolina, a central Petrolina fala com a central Recife
03:39para passar o caso, para a gente entender o que está acontecendo, por que aquele paciente veio para Recife
03:44e qual a melhor ambulância que eu vou mandar para pegar aquele paciente e levar para a rede de saúde.
03:49Tem um SAMU também em Serra Talhada, né?
03:52Ele atende a que municípios?
03:53Serra Talhada é o SAMU mais novo, né?
03:55Que surgiu por última, é a última central.
03:57Então, aquela região próxima à Serra Talhada, Salgueiro, Triunfo, essas ambulâncias são atendidas naquela regional.
04:04Nessa região do nosso estado, é uma região que não tem 100% de cobertura.
04:09Então, alguns municípios, a micro região de Serra Talhada, são atendidos pelo SAMU Serra Talhada.
04:15Quantos atendimentos são feitos aqui no SAMU metropolitano por mês?
04:19A gente tem um número muito grande, sabe, Fernando? São 60 mil ligações que a central Recife, ela recebe.
04:26Dessas 60 mil ligações, 10 mil ocorrências são geradas.
04:30Então, falando aqui, é muito atendimento que o SAMU faz.
04:33Só a capital manda por dia quase 300 ambulâncias, motolâncias e helicópteros para fazer atendimento.
04:40É muita coisa.
04:41Recife é uma cidade muito grande que tem muitos desafios, né?
04:44Não só de atendimentos clínicos, como também traumáticos.
04:47E não só o Recife é uma cidade muito grande, como ainda atende essas cidades todas, né?
04:51Eu imagino que para conseguir cobrir tudo dessas 71 cidades, ou 72, se contar com Noronha,
04:59deve ter uma estrutura, assim, que tem que funcionar muito bem, né?
05:03Exato. A gente tem muitos desafios, né?
05:05O SAMU hoje, ele é uma parte de todas as cidades.
05:08Você não consegue imaginar uma estrutura de saúde pública de nenhuma cidade do país da gente ser um SAMU.
05:13Então, para você ter ideia, cada cidade dessa que pertence à central de Recife tem uma base,
05:19tem profissionais de saúde, tem equipes com ambulâncias, com motocicletas.
05:23Então, a gente precisa distribuir bem no território do nosso estado para que eu chegue mais rápido.
05:28Tem uma coisa que a gente sempre fala, que quando o alarme toca, a gente já está atrasado, né?
05:32Porque o acidente já aconteceu, aquela pessoa já passou mal.
05:35Então, eu tenho que ter posições estratégicas no território para tentar chegar mais rápido e salvar aquela vida.
05:41Ainda falando, doutor, das outras regionais, o senhor disse, nós nos comunicamos, né?
05:46Mas se comunicam de que forma?
05:48Há uma interação constante sua, por exemplo, que é o coordenador daqui,
05:54com o coordenador de Petrolina, de Caruaru, de Serra Talhada?
05:57Como é que é a relação entre vocês quatro?
05:59Sim, né? Existe uma política de saúde, né? Existe um SAMU estadual, que é da Secretaria Estadual de Saúde.
06:05Ela faz a interface das quatro regionais.
06:08Existe um comitê estadual de urgência e emergência, que é quando a gente traz principalmente nossos problemas,
06:14que muitas vezes são problemas comuns de uma central e da outra central.
06:17Então, a gente tem essa informação em comitê gestor, mas também uma ligação, a gente sempre se fala,
06:22uma troca de e-mail, uma mensagem hoje por aplicativo,
06:25porque a comunicação a gente facilitou mais nos tempos atuais, para que a gente possa corrigir algum erro,
06:30melhorar alguma situação, porque o que acontece às vezes em Petrolina pode se repetir em Recife e vice-versa.
06:36Então, é permanente essa integração entre as centrais.
06:39Muito bem, doutor. Nós fomos às ruas, né?
06:40Ouvir as pessoas, o que é que elas têm a dizer sobre o SAMU.
06:44E a maioria elogiou o serviço, viu? Vamos ver.
06:47O SAMU é uma resposta rápida para a população, né?
06:51É o primeiro contato que a gente tem com o SUS, né?
06:53Numa necessidade, a gente liga para o SAMU, né?
06:56Então, ele é indispensável para a população.
06:58Você precisa do SAMU, ele a qualquer momento, qualquer hora,
07:02e em qualquer lugar, os profissionais do SAMU, eles estão e eles vão socorrer você.
07:06Não importa, não existe dificuldade para o SAMU.
07:08É um serviço de primeiros socorros que sempre está atento, então, assim, é muito importante ter isso.
07:13A gente tem aí uma carga de acidentes de trânsito, né?
07:19Muito importante na cidade.
07:21A gente tem aí o serviço do SAMU como essencial.
07:24Então, eu acho que ele é fundamental ter feito um trabalho de grande importância para a comunidade,
07:30sobretudo a comunidade até mais carente, onde que não tem o pronto atendimento em termos de socorro.
07:38Muito fundamental.
07:39E o mais importante ainda é a agilidade, né?
07:41A agilidade no serviço para sempre conseguir aí estar ajudando a população.
07:44Todo mundo está sujeito a ter algum tipo de intercorrência, acidente.
07:49É de extrema importância a gente ter um serviço móvel que consegue, com agilidade, resolver as necessidades da população.
07:57Muito bem.
07:58O senhor imaginava que a relação das pessoas, que as pessoas teriam o SAMU em tão alta conta como a gente viu aí?
08:06Eu fico muito feliz, né?
08:07A população é consciente do papel do SAMU, isso é muito importante.
08:11Acho que essa boa avaliação é muito do suor e do trabalho de muitas pessoas.
08:15Aqui em Recife, para você ter ideia, são 818 profissionais.
08:19A gente tem uma equipe muito grande, pessoas dedicadas que saem das suas casas para salvarem vidas.
08:24Eu fico feliz com esse retorno de todo mundo que deu essa entrevista aí e falou tão bem do serviço que a gente está podendo liderar por esse tempo.
08:31Eu acho que é isso, é como eles disseram, imagine uma pessoa humilde ter na sua casa uma equipe médica, você está falando aqui de uma UTI móvel,
08:39que em tempos antigos você nunca imaginaria isso, estar chegando na sua casa um médico, um enfermeiro, um socorrista, um condutor de ambulância,
08:47com equipamentos de UTI de primeiro mundo.
08:49E aquela pessoa ter isso na sua porta de forma gratuita.
08:52Então é aquilo que falou, a gente conseguiu democratizar o acesso à saúde e muitas vezes esse paciente, a primeira porta de entrada dele vai ser o SAMU.
08:59Então ele entra no sistema através do SAMU.
09:01Teve um que disse isso, inclusive, que quando a gente chama o SAMU é o nosso primeiro contato com o SUS.
09:07Exatamente, e num momento difícil, porque quando a gente atua, o SAMU é importante dizer que ele atua em situações de emergência.
09:13Aquela questão mais simples, um problema de saúde que ele pode resolver no posto de saúde perto da casa dele, não é o papel do SAMU.
09:20Mas quando é uma coisa grave, com risco de vida, naquele momento ali, é só o SAMU que eles têm a quem recorrer.
09:25Ele vai ligar para o 192, que é um número gratuito, você pode ligar de qualquer lugar, até um telefone celular pré-pago, sem crédito, você consegue ligar.
09:33Vai ser escutado e, mais importante, vai receber ajuda.
09:36Uma das entrevistadas falou também do grande número de acidentes de motos que tem no Recife.
09:42E vocês têm as motolâncias também, né?
09:44Como é que elas funcionam?
09:46Elas são usadas mais para atender acidentes de motos mesmo?
09:52É uma forma de chegar mais rápido no trânsito complicado do Recife?
09:56Como é que é esse uso das motolâncias pelo SAMU metropolitano aqui do Recife?
10:01A motolância no Recife, a gente instituiu esse programa em 2011, né?
10:04Então, é um programa que funciona muito bem.
10:06Elas rodam em duplas, né?
10:08O que ela quis dizer ali dos acidentes de moto, moto hoje é uma epidemia na nossa cidade, no nosso país.
10:13São inúmeros acidentados com motocicleta.
10:17Então, o trânsito, que já é muito difícil, imagina com um acidente de trânsito, isso para aquela via.
10:22E a moto consegue, a equipe do SAMU, que é treinada para isso,
10:25eles são exaustivamente treinados para uma diversão defensiva e ofensiva,
10:30para poder conseguir chegar mais rápido.
10:32E eu consigo te dizer que a moto, ela chega cinco vezes mais rápido que uma ambulância.
10:36Imagina aquela ambulância furgão, que é um carro muito grande,
10:39se deslocando no horário de pico no Recife.
10:41Com certeza, ela vai demorar muito para chegar no acidentado.
10:44Então, para casos graves ou acidentes de maior porte,
10:48a moto chega e chega muito rápido e ajuda a salvar a vida.
10:51Agora, doutor Leonardo, a gente ouviu também algumas críticas.
10:54Vamos a elas.
10:55Desde quando o SAMU chegou aqui, foi uma benção, viu?
10:58Mas agora, pela demanda que está muito grande de atendimento,
11:02há uma insatisfação da população.
11:05Custa chegar, custa, mas quando chega, dá conta.
11:07Só que, às vezes, a gente precisa do SAMU e ele não aceita.
11:13Liga, liga, liga e passa uma hora, duas horas para poder ser atendida.
11:17É isso que eu acho do SAMU.
11:20É, uma coisa também que eu acho é que nas escolas deveriam ser ensinadas primeiros socorros.
11:24Primeiros socorros, porque é uma coisa que eu estudo na escola particular,
11:28mas, mesmo assim, eu não vejo eles dando sobre esse assunto.
11:30Uma coisa seria muito boa.
11:31O que é que o senhor tem a dizer, doutor, sobre essas críticas que algumas pessoas fizeram aí, né?
11:39Demora no atendimento.
11:41O rapaz falou que as escolas deviam ter alguma participação, saber mais, né?
11:49Como é que funciona o SAMU.
11:51Existe até, vamos começar por essa das escolas, porque existe até uma ação do SAMU nas escolas, não é isso?
11:57Isso. A gente instituiu aqui no SAMU, em 2008, um programa chamado SAMU nas escolas.
12:01Ele falou que é na escola privada, realmente na privada a gente não consegue ir.
12:05A gente só faz essa visita nas escolas municipais públicas do Recife.
12:10Então, é um programa que acontece todas as segundas e quintas-feiras.
12:13Nossos instrutores do SAMU vão nas escolas para poder ensinar primeiros socorros,
12:18ensinar a importância de não passar trote para o SAMU,
12:21para orientar aqueles detalhes que você pode ser fundamental para salvar uma vida.
12:25A pessoa que se engasga, a pessoa que tem uma parada cardíaca.
12:29Então, esses ensinamentos, eles existem e a gente já faz há muito tempo na cidade do Recife, nas escolas públicas.
12:36A gente ainda não conseguiu chegar em todas as escolas privadas,
12:38mas é um projeto do SAMU expandir esse processo do SAMU nas escolas,
12:42porque ele é muito importante e ajuda a educar o cidadão da manhã.
12:45É, e sem dúvida é importante que chegue também nas privadas, né?
12:49Sim.
12:49Nas escolas privadas, para que a gente não fique só com essa ação nas escolas públicas.
12:54Eu queria ver, uma pessoa falou, né, sobre a demora, né, para chegar.
13:01Ah, a gente espera uma hora, duas horas, a senhora falou ali, né?
13:06Quem está ligando quer que o SAMU chegue rápido, né?
13:11O senhor mesmo me dizia antes da entrevista que vocês, quando recebem a ligação, já estão atrasados,
13:17porque o fato já aconteceu, né?
13:19Pode ser um acidente grave.
13:21Então, como é que o senhor recebe essa crítica de que o SAMU demora a chegar?
13:26A gente sabe disso.
13:27A gente tem uma avaliação de demanda reprimida, né?
13:29Na central do SAMU, a gente, todos os meses, a gente avalia o que chega de demanda reprimida.
13:34Imagine você uma cidade do tamanho do Recife ou aquela central que cuida de 5 milhões e meio de pessoas.
13:40Sempre o recurso, ele é finito, ele vai ser menor do que a sua demanda.
13:44O nosso papel é avaliar se aquele caso de quem ligou é o mais urgente daquele momento.
13:49E, logicamente, nem sempre é.
13:51Para quem pede socorro, com certeza o seu caso é o mais importante.
13:55Mas se entrar uma pessoa que, por exemplo, torceu o seu pé ou que teve uma dor de cabeça naquele momento,
14:01mas, no mesmo tempo, entrou alguém com falta de ar ou com parada da respiração.
14:05São casos muito mais graves e que o médico faz um julgamento, que eu acho que isso é importante dizer,
14:11a avaliação é avaliação médica, então é um médico que escuta e, com a telemedicina,
14:15ele identifica se o caso daquela pessoa é mais urgente do que aquela outra.
14:20Somos seres humanos, somos falíveis também, podemos errar.
14:23Eu posso fazer um julgamento errado e escolher a ambulância para a rua A,
14:27quando, na verdade, deveria ter ido para a rua B.
14:30A gente tenta atender todos os casos que não chegam,
14:32mas a gente fala aqui, Fernando, de cerca de 80% de resolutividade quando é um acidente,
14:38onde cada 10 pessoas feridas no acidente, 8 eu consigo atender,
14:42duas ou alguém levou antes, não quis esperar o SAMU,
14:46ou o próprio corpo de bombeiros acaba fazendo essa remoção.
14:49E nos atendimentos clínicos, algo em torno de 6 a 7 de cada 10.
14:53São números importantes, é importante dizer que eu não vou conseguir atender 100% da demanda,
14:58a demanda é muito grande e o caso mais leve é o caso que mais espera.
15:03Então, se alguém for, por exemplo, numa UPA, até no hospital privado,
15:06se a gente for com uma coisa que não seja tão grave,
15:09vai ser colocado uma pulseirinha na gente, ou azul, ou verde,
15:12que é aquela pulseira de menor gravidade,
15:14e eu vou esperar 3, 4 horas para chegar na frente de um médico.
15:18Mas se eu chegar em uma unidade de saúde privada ou pública,
15:21e minha pulseira for vermelha, eu seria atendido de imediato.
15:24Assim é com o SAMU, se você for classificado como vermelho,
15:28eu tenho que vencer o trânsito, eu tenho que chegar mais cedo, mais rápido,
15:31mas eu sou vermelho e eu tenho que ser atendido rápido.
15:34Então, é uma triagem médica que é feita no 9-2.
15:38Muito bem, doutor, a gente vai fazer um rápido intervalo,
15:40você que está acompanhando, não saia daí.
15:42A gente volta já já.
15:44O Ponto de Vista está de volta,
16:00hoje estamos entrevistando o doutor Leonardo Gomes,
16:03que é o coordenador-geral do SAMU Metropolitano do Recife.
16:08Doutor Leonardo, eu queria voltar falando de um assunto
16:10que a gente sempre bate e ele sempre acontece.
16:15Mas o senhor me dizia que parece que está melhorando um pouco,
16:18tem até diminuído, que é a questão do trote.
16:21Os trotes ainda são os maiores inimigos do serviço do SAMU?
16:27Infelizmente, o trote não é um inimigo nosso, né, Fernando?
16:29Acho que vocês da imprensa têm muito nos ajudado,
16:32estamos vivendo o melhor momento desse número de trotes que o SAMU já teve.
16:35Para você ter uma ideia, quando o SAMU foi criado lá atrás, em 2001,
16:39era 90% de trote.
16:41Nós tínhamos o telefone público, né, que era o orelhão,
16:44tinha o número de emergência.
16:45A pessoa ia lá, apertava um único número
16:46e caia na central da gente e achava que estava passando uma brincadeira
16:50de mau gosto, né, de péssimo gosto,
16:52e estava ocupando a linha ou ocupando uma equipe de resgate
16:56que ia atender alguém.
16:57Então, o trote era muito alto no passado.
16:59Muita divulgação da imprensa pernambucana,
17:01de falar isso para as pessoas,
17:03da importância de não ocupar a linha.
17:05Um trabalho como aquele que a gente conversou aqui hoje
17:07sobre o SAMU nas escolas,
17:09o próprio papel do SAMU na população,
17:11enxergando equipes de profissionais que vão atender.
17:14A pandemia também mostrou muito isso, né,
17:17a gente estava nas ruas salvando muitas vidas na pandemia.
17:20Então, acho que houve uma conscientização da população
17:22e eles entendem que passar trote não é brincadeira.
17:25Está previsto, inclusive, no Código Penal Brasileiro,
17:27lá do seu artigo 266.
17:28Então, assim, é crime, não passe trote,
17:31você pode estar tirando a vez de alguém ser atendido,
17:33que pode ser seu familiar,
17:34que está ligando e não consegue falar porque você está ocupando a linha.
17:37Pois é, e muitas vezes, num trote,
17:39se o trote for bem feito,
17:41ele pode fazer uma equipe se deslocar para aquele lugar
17:44que não tem nenhum problema
17:45e essa equipe está deixando de atender uma pessoa
17:48que realmente precisa, não é isso?
17:50Exato.
17:50Esse é o pior trote.
17:51A gente já teve casos aqui em Recife,
17:53em época de chuva.
17:54Recife é uma cidade que tem muitos morros
17:55e a pessoa ligou dizendo que estava
17:57sob os escombros de uma casa, no Ibura.
18:00Imagine você, a gente mandou helicóptero,
18:03mandou equipe de resgate do bombeiro,
18:05equipes do SAMU, motocicletas.
18:07Quando a gente chegou na rua,
18:08não tinha nenhuma barreira que já havia desabado,
18:10não tinha ninguém embaixo da casa
18:11e provavelmente, a gente conseguiu mensurar isso,
18:14alguém não pôde ser atendido
18:15porque tudo isso foi atender um caso que era falso.
18:19E o que é pior, dinheiro público
18:20que a gente acabou gastando
18:22para algo que não era necessário.
18:23Qual o tipo de chamado mais comum, doutor?
18:26Que o SAMU recebe mais
18:28e que vocês deslocam as equipes mais
18:32para fazer os atendimentos?
18:34O mais comum são os atendimentos clínicos.
18:37São pessoas que têm pressão alta,
18:39pessoas com diabetes descompensada,
18:41infecções mais graves
18:43e logo de imediato, quase que empatado,
18:46os sinistros de trânsitos,
18:47que são os acidentes,
18:49em primeiro lugar, disparadas motocicletas.
18:51Então, a gente tem as causas clínicas,
18:53em primeiro lugar,
18:54e em segundo, ali, quase empatando
18:55os acidentes de trânsito.
18:57Vamos soltar algumas imagens.
18:59A gente tem algumas imagens do pessoal,
19:01do trabalho, das equipes do SAMU, né?
19:04São equipes que estão circulando.
19:06A gente está acostumado já
19:07a ver as ambulâncias com esse 192 bem grande,
19:10não é, doutor?
19:11Esse trabalho, para esse trabalho,
19:14o senhor falou, em 800 pessoas, né?
19:17Existem muitos treinamentos?
19:18A gente tem todo o treinamento, né?
19:20Lembrar que nós somos formados médicos,
19:22enfermeiros, profissionais que atuavam
19:24em hospitais, né?
19:25Que atuavam em unidades de saúde.
19:27E temos que praticar, no meu caso,
19:29a medicina no meio da rua,
19:31embaixo de uma ponte,
19:32em locais de difícil acesso.
19:34Então, esse treinamento que nós fazemos,
19:35nós estamos vendo ali um reanimador automático,
19:38imagina que a massagem cardíaca hoje é feita
19:39por equipamento que você tem
19:41em todo lugar do mundo,
19:42em países desenvolvidos,
19:43isso vai dentro da ambulância,
19:44é um equipamento que não cansa,
19:45porque ele é automático,
19:46então a gente consegue fazer
19:47manobras de ressuscitação
19:49mais precisas e salvando mais vidas.
19:52Então, somos exaustivamente treinados
19:54por protocolos internacionais,
19:57além da central de atendimento,
19:58como a gente mostrou aí nas imagens,
20:00nós temos uma central de formação.
20:02Então, SAMU, de outros estados do Brasil,
20:04vem até Recife receber capacitação,
20:07nosso modelo que a gente faz
20:09de protocolo, de acionamento,
20:10equipamentos como um helicóptero,
20:12imagine você conseguir atender pessoas
20:14com helicóptero em um tempo muito mais curto,
20:16eu coloco o paciente dentro de um UTI móvel,
20:18cada helicóptero desse tem equipamento
20:19de UTI aérea,
20:21então tudo isso é uma tecnologia,
20:22é uma rapidez muito maior
20:24que está disponível para todo mundo.
20:25Agora, doutor, a gente falava antes
20:27que todo mundo que chama o SAMU
20:28acha que o problema dele é o mais grave,
20:30vocês, o senhor falou que tem que priorizar
20:33algumas coisas, né?
20:34Esse treinamento que vocês fazem,
20:36eu imagino, inclui isso, né?
20:39Para o médico que recebe a ligação ali
20:41naquela hora, saber, decidir para onde eu vou, né?
20:45Vou para esse caso mais grave,
20:46para o outro que é menos grave,
20:48como é que é feita essa decisão?
20:50Nossos protocolos de atendimento,
20:52ele passa por perguntas chaves,
20:54então, quando a pessoa nos liga,
20:56por exemplo, e refere para uma dor de cabeça,
20:58uma simples dor de cabeça pode ser apenas
21:01uma enxaqueca,
21:03uma dor de cabeça que não tenha nenhum perigo,
21:06mas se eu fizer algumas perguntas,
21:07olha, depois dessa dor de cabeça,
21:09ele está se mexendo,
21:11o braço dele levanta,
21:12quando você pergunta,
21:14ele sabe o nome dele,
21:16então, só para dar um exemplo,
21:17que a gente pode descobrir que aquela dor de cabeça
21:19seja um derrame cerebral,
21:21então, nesse treinamento que a gente passa,
21:23perguntas chaves precisam ser feitas,
21:25para eu saber se aquele caso
21:28é um caso de maior urgência,
21:30e na minha tela,
21:30eu tenho o meu monitor,
21:31que eu vou avaliando todas as chamadas,
21:33e eu vou fazer a decisão
21:34para quem eu mando e em que tempo,
21:37então, se é uma pessoa
21:38que é uma simples dor de cabeça,
21:40ele pode esperar um pouquinho,
21:41ou pode até remover com meios próprios,
21:43pedir uma carona,
21:44um transporte por aplicativo,
21:45se ele tiver condição, logicamente,
21:47se ele não puder fazer isso,
21:49vai demorar,
21:50mas a equipe vai chegar até a casa dele
21:51para atendê-lo,
21:52então, é no treinamento que a gente faz
21:54em sala de aula,
21:56dentro do SAMU,
21:57que a gente coloca todas as situações possíveis,
22:00e também o feeling daquele profissional,
22:02ele é um profissional formado,
22:04bem formado,
22:05e tem que atender e entender,
22:07porque diferente do consultório médico,
22:09o paciente está na frente dele,
22:10ele consegue pegar no paciente,
22:12examinar,
22:13fazer aquela ausculta,
22:14no telefone tem que fazer as perguntas certas
22:16para tomar a decisão correta.
22:18Esses treinamentos que vocês fazem,
22:20eles são feitos uma vez só,
22:22ou é um treinamento constante,
22:25como é que essa equipe se prepara
22:27para esses atendimentos por telefone?
22:30Quando eles chegam no SAMU,
22:31todos os profissionais que chegam
22:32que vão trabalhar no call center do SAMU,
22:35é importante dizer que tem equipes
22:36que trabalham apenas na central,
22:38que é o call center da gente,
22:40e tem equipes que trabalham nas ruas.
22:41Quem recebe essa ligação é médico também ou não?
22:44Toda ligação que é gerada para o SAMU,
22:47a palavra final é do médico,
22:48então, quando você ligar para o 92,
22:50primeiro quem atende é um telefonista,
22:52porque mais importante do que saber
22:54o que aconteceu é aonde aconteceu.
22:57Então, o telefonista precisa registrar
22:59todo o passo a passo,
23:00o que às vezes até as pessoas não entendem, né?
23:02Poxa, o SAMU está demorando tanto
23:04para poder mandar uma ambulância,
23:05mas eu preciso saber aonde é aquela rua,
23:07perto de que fica aquela rua.
23:09Feito isso, é passar da ligação para o médico.
23:12É nesse momento que começa a consulta.
23:14Aí ele começa a fazer a entrevista,
23:15então esse treinamento é feito
23:16para que ele faça as perguntas certas
23:18em pouco tempo, também ele não pode demorar muito,
23:20com muitas perguntas, muitos detalhes,
23:23porque esses detalhes a equipe,
23:24quando chegar na casa daquele paciente,
23:27consegue examinar já fazendo atendimento
23:29e repassa a ligação no segundo momento,
23:32ou o rádio, que a gente usa também a tecnologia com rádio,
23:35e temos também o smartphone,
23:36que a gente consegue colocar os dados do paciente
23:38na casa da pessoa e o médico que está na central
23:41enxergar o que está se passando
23:43com aquele ou com aquela paciente.
23:45Doutor, e quem está na ambulância?
23:47Que profissionais são aqueles?
23:49São todos médicos?
23:50São médicos e paramédicos?
23:52Como é a distribuição?
23:54Nós temos basicamente duas ambulâncias,
23:56a ambulância tipo simples e a ambulância tipo UTI.
23:59Na tipo simples vai uma dupla,
24:01que é um condutor socorrista,
24:02ele não é só um motorista de ambulância,
24:04ele é um condutor socorrista,
24:06e vai um socorrista que é um técnico de enfermagem,
24:09para casos mais simples.
24:11Na UTI móvel, todas têm a presença de um médico,
24:14um enfermeiro, um socorrista e um condutor socorrista.
24:18Então, para os casos mais graves,
24:20nós mandamos a UTI móvel.
24:22Nos helicópteros, nós mandamos um médico e enfermeiro
24:24junto com o piloto,
24:26e o copiloto são helicópteros das polícias,
24:28que nos apoiam,
24:29não são profissionais do SAMU,
24:30que pilotam as aeronaves.
24:32E nas motocicletas,
24:33sempre vai uma dupla de socorrista,
24:35técnico de enfermagem.
24:36É, eu vi, a gente mostrou esse helicóptero,
24:39né, há pouco tempo,
24:39e eu achei que era um helicóptero só.
24:44Na verdade, vocês usam os helicópteros das polícias
24:46daqui do Estado, né?
24:48Polícia militar,
24:49Polícia Civil também, não?
24:51Não.
24:51Polícia Rodoviária Federal,
24:52que é o convênio que a gente tem nacional,
24:54que é a PRF,
24:55é um helicóptero,
24:57e é o grupamento tático aéreo,
24:58que é da Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco.
25:01Então, são duas aeronaves,
25:03aeronaves diferentes,
25:04ali você mostrou a DSDS,
25:05mas temos também a da PRF,
25:07que nos apoia desde 2007.
25:09Doutor, o senhor é baiano, né?
25:11Entrou no SAMU em Alagoas, em 2007.
25:15No ano seguinte, o senhor veio aqui para o Recife.
25:17E, pouco depois, o senhor foi convidado
25:19para ser o coordenador do SAMU no Recife.
25:22Já são mais de 15 anos, né?
25:24À frente desse serviço.
25:26Para estar há tanto tempo na função,
25:28eu acho que o senhor gosta do que faz, né?
25:31Imagino que sim.
25:32Como é que o senhor avalia essa experiência
25:34de mais de 15 anos à frente do SAMU?
25:37Eu sou baiano,
25:39eu sou pernambucano de coração,
25:40o Pernambuco me adotou.
25:42O SAMU foi o meu primeiro emprego, Fernando.
25:44Eu entrei no SAMU, na verdade, em 2005.
25:47Eu formei em 2004,
25:48eu entrei em 2005 no SAMU de Alagoas.
25:50Ah, achei que tinha sido em 2007.
25:52Não, em 2007 eu vim morar em Pernambuco.
25:54Eu passei para fazer minha residência aqui em Pernambuco
25:56de urologia, porque eu sou médico urologista.
25:59E quando eu vim morar aqui,
26:00eu tinha aquela loucura,
26:01porque eu falei assim,
26:02caramba, eu gosto tanto do SAMU,
26:04e eu queria continuar trabalhando em outro estado no SAMU também.
26:06Mas são SAMUs diferentes,
26:07uma coisa é o de Alagoas,
26:08outra coisa é o de Pernambuco.
26:10E é engraçado,
26:11porque meu primeiro emprego no SAMU,
26:12eu peguei meu currículo,
26:13eu imprimi,
26:13na época tinha apenas uma página,
26:15e eu fui na porta do SAMU pedir emprego.
26:17Pois é, eu quero trabalhar aqui,
26:18e foi assim que começou a minha jornada.
26:20Quando eu vim morar em Recife,
26:21eu consegui um contrato,
26:23logo que eu cheguei,
26:23fiz concurso público para o SAMU,
26:25passei em 2007,
26:26e me tornei médico do SAMU.
26:27E no final de dezembro de 2008,
26:30já há quase 17 anos,
26:33eu assumi a direção do SAMU,
26:34e desde então ocupo esse cargo,
26:36com muito orgulho,
26:37estou já há quase 17 anos,
26:39me dedicando,
26:40também trabalho ainda,
26:41ainda consigo dar plantão
26:42no serviço aéreo do SAMU,
26:44faço intervenções também,
26:46não só de parte gerencial e gestão,
26:49mas também de assistência
26:49para ajudar a salvar pessoas.
26:51Eu queria falar um pouquinho
26:52de resgate.
26:53O senhor é especialista em resgates,
26:56e isso tem levado o senhor
26:56a atuar até em âmbito nacional.
26:59O senhor esteve no Rio de Janeiro
27:00em 2011,
27:02esteve no ano passado
27:03em Porto Alegre,
27:05naquelas enchentes lá
27:07do Rio Grande do Sul,
27:08e hoje existe até a Força Nacional do SUS,
27:12que o senhor é um dos expoentes da força,
27:15não sei se o senhor é o coordenador nacional ou não.
27:18Eu sou o coordenador nacional do serviço
27:20e o senhor é um médico da força.
27:21Tem um coordenador geral,
27:23que é o doutor Rodrigues Tabelli,
27:24e eu sou uma das pessoas
27:25que ajudam ele a coordenar esse serviço.
27:27E como é que está sendo essa experiência,
27:29qual a importância dela para o senhor
27:31e da expansão desse serviço
27:34para o Brasil também?
27:36A Força Nacional,
27:37a gente fala que é como se fosse
27:38um SAMU nacional.
27:39A gente acaba atuando,
27:41em 2011, que você citou,
27:42o Rio de Janeiro,
27:42foi a primeira missão
27:43da Força Nacional do SUS.
27:45Eu pude ser um dos fundadores,
27:47eu estava lá naquela tragédia
27:48da região serrana do Rio.
27:49Rio Grande do Sul foi minha
27:51décima primeira tragédia.
27:52Eu acabei passando por muitos estados
27:54do Brasil em situações de calamidade,
27:56então a gente acabou desenvolvendo
27:57uma experiência nessa área.
27:59Poucas pessoas, muitas vezes,
28:01querem trabalhar nesse momento,
28:02que é tão difícil.
28:03O Rio Grande do Sul, por exemplo,
28:04foi a maior tragédia da era recente
28:06do Brasil.
28:07Você imaginar que 373 cidades
28:10foram atingidas por uma chuva,
28:11um volume de chuva absurdo.
28:13Eu passei lá 18 dias
28:14e foi lá que surgiu essa parte
28:16do resgate aéreo da Força Nacional.
28:17Também levei essa experiência
28:19que eu já tinha aqui de Pernambuco,
28:21que a gente já voava há tanto tempo
28:23e voamos lá na situação de calamidade.
28:25E desde então eu assumi essa função
28:26de coordenar as ações
28:28do Aeromédico da Força Nacionalmente.
28:30E, Fernando, a gente não precisa
28:31só ter chuva.
28:31Tem situações, por exemplo,
28:33de fome na região dos Yanomames,
28:34lá na região norte do Brasil,
28:36desertificação que a gente teve,
28:38queimadas,
28:39questão da Covid,
28:40da dengue,
28:41que você assola muito
28:42em vários locais do Brasil,
28:44síndrome respiratória aguda grave.
28:45Então, assim, a Força tem missões permanentes.
28:48Então, lógico que a chuva
28:49chama muita atenção
28:50e são as missões maiores
28:52que a Força faz.
28:53Mas hoje a gente acabou
28:54seguindo como uma referência,
28:55uma coisa que nos puxou,
28:57a grande emergência e o resgate
28:58acabou desenvolvendo
28:59esse conhecimento maior para a gente.
29:03Nem todo mundo está confortável
29:04nessa situação.
29:05A gente acaba se adaptando a isso,
29:07porque é difícil.
29:08A gente já passou muita fome,
29:09muito frio nessas missões.
29:11Rio Grande do Sul,
29:11a gente pegou zero grau ano passado lá.
29:13Eu voltei de lá,
29:14eu tinha perdido quase 10 quilos,
29:15eu adoeci,
29:17porque é difícil.
29:18Você vai para lá,
29:19não tem hora para acordar,
29:20não tem hora para dormir,
29:21porque aquele povo ali
29:22estava precisando de mais atendimento,
29:24porque acabou com tudo.
29:25Então, assim,
29:26a gente treina para isso também,
29:28para poder ajudar pessoas.
29:29Muito bem.
29:30Acabou o nosso tempo,
29:31doutor Leonardo.
29:32Eu agradeço muito pela entrevista.
29:34Foi muito bom conversar com o senhor.
29:36Eu que agradeço.
29:37Muito honrado com o convite,
29:38estar aqui no seu programa
29:39no Ponto de Vista,
29:40contar um pouquinho da história do SAMU
29:41e até contar um pouco da minha história.
29:43Fico muito feliz e grato,
29:45parabéns pelo programa
29:46e obrigado pelo convite.
29:48Muito bem.
29:48Obrigado.
29:49Obrigado a você também
29:50que acompanhou a gente até aqui
29:52pela companhia e pela audiência.

Recomendado