00:00O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começou a vigorar de forma provisória ontem.
00:06Por isso, a gente vai conversar ao vivo agora com a Verônica Winter,
00:10coordenadora de facilitação de negócios internacionais da FIENG, sobre esse assunto,
00:15para entendermos o que está estabelecido nesse acordo, o que muda na prática para todos nós brasileiros em relação a
00:22essa medida.
00:23Bom dia.
00:25Bom dia, Davi. Agradeço o convite.
00:28O acordo, a gente vê, principalmente a indústria, vê com muitos bons olhos, de forma positiva,
00:35esse acordo que demorou tanto tempo para entrar em vigor.
00:39O início agora, no dia 1º de maio, e ele, assim, inicialmente, a proposta é uma abertura de mercado,
00:47a gente tem aí mais de 700 milhões de consumidores,
00:54então, tanto Mercosul quanto União Europeia terão grandes ganhos nesse sentido de abertura de mercado.
01:00A gente também tem uma possibilidade de redução dos custos dos insumos,
01:05que atualmente são tarifados, né? Alguns são tarifados.
01:08E também uma possibilidade de atração de investimentos, né?
01:12Maior da União Europeia aqui para o Mercosul e para o Brasil.
01:16Então, são muitos pontos positivos que esse acordo traz atualmente aí para as empresas.
01:23A União Europeia já é um grande parceiro comercial do Mercosul,
01:27então, em termos de bloco, é o nosso segundo parceiro comercial.
01:30E a gente, muitos produtos já são isentos, né?
01:34Já estavam isentos antes mesmo do acordo,
01:36mas a gente tem aí uma fatia de 25% de produtos que são exportados atualmente para a União Europeia
01:42e que terão essa redução ou isenção já imediata, né?
01:46Que já iniciou a partir de ontem.
01:49Verônica, a gente traz aqui, sempre que esse assunto surge no Jornal da Manhã,
01:53a informação também de que a mudança para o consumidor final não é da noite para o dia.
01:57Ela é gradativa, né?
01:58Até que os preços e os impactos, de fato, desse acordo histórico,
02:01que levou mais de duas décadas para ser fechado, realmente serão sentidos por nós, consumidores.
02:07Mas para o industrial, para o prestador de serviços,
02:11para o produtor, de fato, que importa ou exporta,
02:15quais são os impactos e a partir de quando?
02:18O que é necessário fazer de ajustar dentro da própria empresa
02:22para poder, de fato, se beneficiar desse acordo do Mercosul?
02:26Bom dia.
02:27Bom dia.
02:28São diversos impactos para os produtores dos diversos setores.
02:33Então, por exemplo, os produtores que já têm o produto que vai ser isento,
02:37porque como foram negociados vários produtos e a gente chama uma cesta de desgravação,
02:43alguns produtos já estão isentos.
02:45Então, a partir do momento que a empresa enviou, expultou o produto para a União Europeia
02:50com o certificado de origem, é importante frisar esse certificado,
02:54esse documento que vai estabelecer qual que é aquele produto, qual que é a origem,
02:59fazer toda uma análise em relação à classificação, né?
03:03A regra de origem daquele produto, se ele está classificado como um produto negociado
03:08para isenção imediata ou para desgravação periódica.
03:11Então, tudo isso é importante observar, né?
03:15Essa parte da certificação internacional para ter acesso a esse benefício,
03:20aí falando das empresas que já vão usufruir ou que passarão a usufruir de imediato
03:26ou no longo prazo em relação às exportações para a União Europeia.
03:31Então, é preciso observar essa documentação para que tenha acesso a esse benefício
03:38e em relação às empresas, porque a gente também, né?
03:42O que eu falo é um comércio bilateral.
03:44Então, a gente vai ter alguns produtos entrando no país,
03:48entrando no Mercosul de forma também desgravada.
03:51Então, com isenção de impostos.
03:53Então, essa adaptação para as empresas em relação a essa concorrência, né?
03:58De produtos da União Europeia que pode aumentar,
04:01ter em vista essa questão da desgravação do imposto de importação,
04:07é importante que as empresas procurem se adaptar às regras, às exigências
04:13e se tornem competitivas também, competitivas também em relação
04:16a essa concorrência internacional, porque o mercado da União Europeia
04:21é um mercado muito exigente.
04:23Então, tanto para as empresas que vão exportar,
04:26que estarão enviando produto ou que já enviam seus produtos para lá
04:30e vão ter acesso a esse benefício tarifário diante do acordo,
04:34quanto para empresas que importam e vão sofrer uma certa concorrência
04:38desses produtos que passarão a chegar aqui com essa redução ou isenção tarifária,
04:43é importante observar essas regras internacionais,
04:47essas legislações em relação a questões sanitárias, a questões ambientais.
04:51Tudo isso é relevante e essencial para que as empresas tenham sucesso,
04:56tanto no aumento da competitividade diante dessa concorrência,
05:00quanto também no aumento da competitividade para ganhar ou ampliar esse mercado
05:05que elas vão ter agora na União Europeia com esse acordo, diante desse acordo.
05:10Então, essas duas questões são muito importantes de serem observadas
05:15para as empresas que estão exportando e também para os importadores.
05:19Sem dúvida alguma.
05:21Vamos incluir na nossa conversa os nossos analistas,
05:24Giswaldo Almeida e também Cristiano Vilela,
05:25começando pelo Vilela, para fazer a próxima pergunta.
05:29Olá, um ótimo dia.
05:31Satisfação recebê-la aqui na Jovem Pan.
05:35Dentro desse contexto agora, tão sonhado, tão imaginado por muitos anos
05:40dessa parceria envolvendo Mercosul e União Europeia,
05:44nós temos a partir de agora a entrada em vigor, mas de uma forma escalonada.
05:49Ao longo de alguns anos, vamos sentindo de uma forma leve
05:53os efeitos desse novo quadro econômico.
05:57Dá para a gente visualizar que talvez o impacto que possa trazer
06:01a determinados setores da economia brasileira,
06:05ele acabe não sendo tão sentido como, por exemplo,
06:08um eventual desemprego em certos setores
06:10ou um eventual aquecimento na empregabilidade de outros setores,
06:15acabe não sendo sentido de uma forma tão escancarada
06:19justamente por conta desse período de adaptação que vai acontecendo
06:24e com isso a gente não deva se preocupar de um grave impacto econômico
06:29no contexto da economia brasileira?
06:33Exatamente.
06:34O acordo, os governos tiveram esse cuidado de observar os setores mais sensíveis
06:39para as respectivas economias e justamente colocar esses setores
06:44em desgravações mais longas, em reduções periódicas e mais longas
06:49em relação a outros produtos.
06:52Então, por exemplo, o próprio setor automotivo é um dos setores que foi mais,
06:58vamos colocar assim, poupados em relação a essa questão da desgravação.
07:02A gente tem alguns produtos automotivos que têm previsão de 30 anos
07:05para ter a desgravação completa e alguns, claro, algumas peças e autopeças
07:11já vão ser desgravadas automaticamente, mas a gente tem esse período justamente
07:16para que a indústria possa se adaptar, para que a indústria se torne mais competitiva
07:21e possa estar em pé de igualdade e concorrência com esses produtos europeus
07:28que estão entrando no país.
07:29Então, nesse sentido, tem essa preocupação em relação a alguns produtos.
07:35Como eu citei, o setor automotivo é o mais evidente,
07:38mas a gente tem também alguns setores do setor vestuário, setores calçados
07:43que precisam se adaptar e que vão ter esse desafio,
07:48mas que tem aí uma desgravação de 7, 10 anos em alguns produtos
07:55para se adaptar e não ter esse problema.
07:58E, além disso, o próprio acordo prevê a questão das salvaguardas
08:03justamente para que se regule essas eventuais disparidades
08:09em relação a volumes de exportação e volumes de importação,
08:13volumes de importação principalmente, no mercado,
08:16tanto daqui do Mercosul, do Brasil, quanto do mercado da União Europeia.
08:21Então, também tem essa previsão no acordo para que, caso eventualmente
08:26as empresas, a economia sofra com um volume excessivo
08:31de produtos entrando no país, possa estabelecer esses mecanismos
08:37de salvaguardas que a gente chama, que é justamente uma regulação
08:40e um aumento de uma redução da cota ou o retorno da tarifa
08:45para esse ajuste, para que não tenha impacto, porque a proposta do acordo
08:49é aumentar e desenvolver a economia de ambos os mercados,
08:56tanto do Mercosul quanto da União Europeia.
08:57Então, se tiver algum conflito, ele já observa isso
09:01e já tem previsto esse mecanismo no acordo.
09:05O Jornal da Manhã está conversando ao vivo com Verônica Winter,
09:08que é coordenadora de Facilitação de Negócios
09:11da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.
09:14E agora, Verônica, a gente passa também a pergunta para o Gesualdo Almeida.
09:17Diga lá, Gesualdo.
09:19Oi, Verônica. Bom dia.
09:21Verônica, depois de muito tempo, então, avançamos com esse acordo do Mercosul
09:25e evidentemente que alguns setores da economia ficam afetados negativamente.
09:29Você já apresentou alguns.
09:30Eu gostaria que você desconhesse mais sobre isso.
09:32É evidente que, por exemplo, o agro nosso passa a ter um benefício,
09:36os exportadores de matérias-primas também, até alguns setores de serviços.
09:40Mas quais seriam os principais prejudicados aqui no Brasil,
09:44no cerário nacional, com esse acordo do Mercosul com a União Europeia?
09:49Bom, Gesualdo, eu gosto de falar que são os que vão ter o maior desafio, né?
09:54Porque, diante dessa nova dinâmica, é importante que esses setores passem a observar
10:01e passem a estudar e aprofundar mais e observar os requisitos
10:05para que eles se tornem competitivos nessa nova dinâmica do acordo.
10:10Então, eu reforço a questão dos automotivos, que é um dos setores mais impactados.
10:16Então, apesar de a gente ter alguns comércios intrafirma que vão ser beneficiados,
10:21então, a gente tem indústrias automotivas aqui no Brasil e na Europa,
10:25e que, em termos de redução dos insumos, da tarifa dos insumos deles,
10:31elas vão se tornar cada vez mais fortes nesse sentido
10:34e ter uma redução aí do custo de produção.
10:37Mas é um setor que a gente enfatiza como um setor sensível.
10:43Em termos dos vinhos e dos queijos também,
10:45são setores que a gente entende, né, estão ligados aí ao agronegócio,
10:50mas são setores que podem ser, né, ter esse desafio,
10:53podem ser prejudicados inicialmente,
10:55mas que também tem uma desgravação não tão longa quanto a do automotivo,
11:00mas tem uma desgravação prevista aí com prazo maior também
11:05para que as indústrias se adaptem e para que elas tenham um desafio aí
11:11de adaptação das regras de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade também
11:16para que se tornem competitivas em relação a esses produtos
11:21que passarão a entrar no nosso mercado, né, vindo aí da Europa
11:24com essa desgravação tarifária, com essa redução ou isenção do imposto de importação.
11:30Nós conversamos com a Verônica Winter,
11:33coordenadora, então, de Facilitação de Negócios do Estado de Minas Gerais,
11:36que agradeço demais a presença aqui no Jornal da Manhã.
11:40Eu que agradeço, bom dia.
11:42Bom dia.
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