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As contas do setor público registraram um déficit primário de R$73,8 bilhões em março, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica. A analista Denise Campos de Toledo destaca que o rombo, impulsionado pela antecipação de precatórios, eleva a dívida bruta para 80,1% do PIB. O cenário acende o alerta sobre o cumprimento das metas do arcabouço fiscal e a sustentabilidade das finanças brasileiras.

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Transcrição
00:00Denise Campos de Toledo analisa a situação das contas públicas que registraram um déficit primário bilionário. Acompanhe.
00:07As contas do setor público tiveram um déficit primário de 80,7 bilhões de reais em março, com uma forte
00:14piora sobre março do ano passado, que teve um saldo positivo de 3,6 bilhões.
00:19Na composição, o governo federal teve a pior performance, um déficit de 74,8 bilhões, estados e municípios de 5
00:28,4 bilhões e as estatais um saldo negativo de 469 milhões.
00:33Essa piora, no âmbito federal, estaria relacionada principalmente à antecipação do pagamento de precatórios, que pesou também no saldo do
00:42primeiro trimestre, positivo em 6,62 bilhões de reais, mas muito abaixo dos 88,7 bilhões do mesmo período do
00:51ano passado.
00:52Agora, se consideradas as despesas com juros da dívida pública, o chamado resultado nominal das contas públicas atingiu um saldo
01:00negativo de 199,5 bilhões de reais e em 12 meses o déficit chega a 1,21 trilhão ou 9
01:11,4% do PIB.
01:12Justificativas à parte, o fato é que só com muitas manobras contábeis se consegue chegar à margem de tolerância da
01:19meta deste ano, que é de um superávit de 0,25% do PIB.
01:24Isso é um resultado primário sem considerar os juros, o que de qualquer modo tem sido motivo de muita desconfiança
01:30quanto ao efetivo cumprimento do que está previsto no arcabouço fiscal.
01:34As próprias despesas com precatórios poderão ser excluídas do cálculo e tem a questão do avanço da dívida, referência importante
01:42para avaliação do risco país e a dívida do setor público consolidado avançou para 80,1% do PIB em
01:49março, o maior nível desde julho de 2021.
01:51São esses números que tornam inadiável o efetivo ajuste das finanças a partir de 2027.
01:58Sem isso, o governo poderá ficar sem margem até para bancar as despesas não obrigatórias, mas que envolvem desde a
02:05manutenção da máquina pública até a capacidade de ampliar investimentos.
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