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Uma megaoperação foi lançada em São Paulo para combater a chamada “gangue do quebra-vidro”, que atua principalmente no trânsito, quebrando janelas de veículos para roubar pertences. A ação envolve helicópteros, drones e centenas de policiais em regiões com maior incidência desse tipo de crime.

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Transcrição
00:00Destacar uma informação importante referente a um problema que algumas cidades têm enfrentado
00:06e aí tem uma iniciativa das autoridades aqui em São Paulo,
00:10Tarcísio de Freitas lançou nesta sexta uma mega operação para coibir a chamada
00:15Gangue do Quebra-Vidro, que atua em vários pontos da capital, da região metropolitana
00:21e claro, tem assustado a população de São Paulo.
00:25Deixa eu chamar a repórter Júlia Firmino, acompanhou inclusive esse primeiro dia de ação policial,
00:31vai trazer os detalhes para a gente.
00:33Júlia, seja bem-vinda, uma ótima noite a você.
00:35Esse tipo de crime tem assustado muito os paulistanos, sobretudo.
00:40Muitos jovens acabam se utilizando de algum tipo de material, conseguem quebrar o vidro no meio do trânsito
00:46quando o carro está parado e acabam roubando os pertences de dentro do veículo.
00:52Não é isso? Bem-vinda.
00:55É exatamente isso, Caniato.
00:57E o medo não é só por parte dos paulistanos, muitos turistas também estão inibidos de virem para a capital
01:04de São Paulo
01:05justamente passear à noite porque tem medo dessas gangues quebra-vidros, gangues da cotovelada, né?
01:11A gente vê esse tipo de ação várias vezes flagradas por outros motoristas.
01:17Eu esqueci até de dar boa noite para você, tamanha aflição com tudo isso que tem acontecido,
01:22mas boa noite para você, para quem está com a gente aqui no Pingos nos Is, na programação da Jovem
01:27Pan.
01:27De fato, né? Aqueles criminosos que chegam quebrando o vidro, assustando não só os motoristas, os veículos, passageiros,
01:33mas levando também pertences, né?
01:35Pertence de valor como relógio, celular em especial.
01:39E aí vem, então, essa mega operação da Polícia de São Paulo justamente para inibir esses casos,
01:46aumentar também a sensação de segurança por parte da população.
01:50Nossa equipe está aqui bem no cruzamento entre a Avenida Tiradentes e também a Avenida Santos Dumont,
01:55em que começou essa operação logo às seis da tarde, seis da noite, como quiserem chamar,
02:01e vai até às nove da noite para reduzir esses casos.
02:06Aqui que é uma região que tem muitos casos como esses, muitos registros, boletim de ocorrências como esses.
02:13E aí, essa ação vai contar com pelo menos três helicópteros que vão ter faróis de busca,
02:19além de quinze drones com inteligência aí muito técnica, muito realmente grande para contar com a ação da polícia em
02:29solo.
02:30E aí, duzentos, mais de duzentos policiais empenhados em toda essa ação.
02:37As regiões que devem contar com essa ação são as que têm maiores registros desse tipo de crime, né?
02:44São cento e vinte e seis pontos, como, por exemplo, essa região onde nós estamos,
02:49a região central da cidade, Avenida Vinte e Três de Maio, Pinheiros, Vila Mariana e Vila Clementino,
02:56que registram aí maiores casos como esse.
02:59E, segundo o governo, a intenção é que essa operação seja contínua.
03:03Ou seja, hoje foi o primeiro dia de ação, mas isso deve se repetir ao longo das próximas semanas.
03:09Os policiais também serão mobilizados de forma gradual.
03:13Eu falei aí de mais de duzentos policiais.
03:16Então, hoje foi uma parcela.
03:18A expectativa é que, com o crescimento da ação, ampliação da ação, o número de agentes também aumente.
03:24E a expectativa do governo é manter a operação, justamente, até reduzir o número de casos como esse.
03:31Vocês conseguem ver aqui atrás alguns agentes que já estão fazendo parte dessa ação,
03:36mas a expectativa é aumentar esse efetivo e a gente aqui, como morador de São Paulo,
03:41fica torcendo, né, Caniato, para que, de fato, o número de casos de roubos como esse, de susto, de fato,
03:47porque fica um trauma, né, na vida do paulistano, seja reduzido.
03:50Volto com você.
03:51Sem dúvida.
03:52É super importante.
03:53Vamos acompanhar.
03:54Tomara que essa operação seja permanente, ou pelo menos se intensifique nas próximas semanas
04:01para coibir esse tipo de ação.
04:04Valeu, Júlia.
04:04Bom trabalho para você.
04:05A gente segue aqui em contato.
04:07Tem se tornado muito comum.
04:09É óbvio que a gente torce para que a polícia consiga identificar os integrantes dessa gangue,
04:14mas me parece que são algumas gangues.
04:16E sempre há recomendação para que as pessoas tomem cuidado, né?
04:19A depender do semáforo, com muitos carros,
04:22alguns motoristas gostam de guardar alguma distância para o carro da frente, né?
04:26Porque se, porventura, aparecer alguém, você consegue avançar e fugir desse bandido.
04:33E uma outra recomendação são as películas, né?
04:38Principalmente para mulheres, mulheres sozinhas no veículo.
04:40Alguns especialistas recomendam aquela película que acaba escurecendo os vidros dos carros
04:46e aí o bandido criminoso não consegue identificar, né?
04:50Quem é que está lá dentro?
04:51E muitos acabam optando pelos carros que não têm a película.
04:55Porque algumas películas, inclusive, dificultam o bandido de quebrar.
04:59Eles usam uma vela de ignição e batem com muita força.
05:03Aquilo acaba trincando o vidro e eles conseguem acessar a parte de dentro dos veículos.
05:10Deixa eu passar para o Mota.
05:11Mota, claro que essa operação é aqui em São Paulo,
05:13mas a gente observa esse tipo de crime ou crimes parecidos em muitas capitais,
05:19cidades de médio porte.
05:21Por que essa proliferação desse tipo de crime tem a ver com ineficiência da ação policial
05:28ou tem mais a ver com impunidade?
05:32Impunidade tem a ver com a decisão tomada pelo sistema de justiça criminal do Brasil
05:37de que o criminoso é um pobre coitado.
05:40É isso que está por trás de tudo.
05:42Então, o sujeito que quebra o vidro do seu carro, pode machucar você, ferir você gravemente
05:49e rouba um celular, ele pega esse celular e ele vende imediatamente por um receptador.
05:57Mas por que a polícia não faz nada?
05:59A polícia faz, prende os receptadores, são soltos no dia seguinte na audiência de custódia,
06:06porque receptação é considerada pela justiça um crime sem violência.
06:12Esse é um problema que acontece no Brasil inteiro.
06:15Não há nenhum lugar neste país, nenhuma área pública, em nenhuma grande cidade
06:23onde você possa andar com tranquilidade, sem medo de ser vítima de crime.
06:29Pois é, deixa eu chamar o Luiz Felipe Dávila.
06:32O Dávila também acompanha muito a situação de segurança pública, né?
06:38Apesar de alguns avanços, temos alguns gargalos, algumas dificuldades no combate ao crime
06:45e algumas práticas acabam desafiando as autoridades, né?
06:49Esse roubo da calçada, né, Dávila?
06:53O garoto de bicicleta ou motociclista, o roubo ou furto de celular,
06:59agora tem essa modalidade, a gangue do quebra-vidro,
07:01chegam por trás ali no ponto cego, o motorista não consegue identificar,
07:06eles quebram o vidro e roubam a bolsa da motorista,
07:10o celular do motorista de aplicativo, enfim.
07:13É uma excelente iniciativa, mas é preciso considerar quais outros desafios
07:18pra acabar com esse tipo de crime.
07:20Acabar não, mas mitigar, né?
07:23É, Caniato, além da impunidade, como bem disse o Mota,
07:26o prende e solta no Brasil,
07:29é interessante que quando você vai conversar com a Secretaria de Segurança Pública,
07:34eles mostram lá números, indicadores de que ele caiu o número de roubo,
07:39o furto disso ou daquilo,
07:41mas isso não se traduz na percepção de segurança da população.
07:46A população em São Paulo vive com medo, apavorada.
07:50Primeiro era gangue de celular,
07:52aí você vai com medo de roubar o celular,
07:54agora é você andar de carro, quebra-vidro.
07:56Aí você vai ao parque, você é assaltado no parque.
08:00Então, assim,
08:02tá difícil hoje viver em São Paulo,
08:05tá muito difícil.
08:07Então, apesar de estatísticas mostrarem
08:10que está diminuindo a violência em São Paulo,
08:12não é a percepção que a população tem.
08:15A população hoje, como você bem descreveu,
08:18se sente absolutamente insegura.
08:20Aquele que acorda de manhã para pegar o ônibus,
08:22fica no ponto de ônibus, morrendo de medo.
08:24Aliás, pode ser assaltado às cinco e meia da manhã no ponto de ônibus.
08:27Aliás, outro dia eu me conversava com uma pessoa
08:29que aconteceu exatamente isso.
08:31Cinco e meia da manhã,
08:32você estava no ponto de ônibus,
08:33passou um garoto desses aí de motocicleta
08:37e roubaram o celular, roubaram tudo.
08:40Outra pessoa estava no carro,
08:41não foi a gangue do quebra-vidro,
08:43porque o vidro estava aberto.
08:44Aí, pior ainda, passou e roubou.
08:45Então, assim, a gente vive numa situação de tensão
08:49com a questão da segurança pública em São Paulo,
08:51mas muito grave.
08:53Então, para...
08:54E o Mota tocou muito bem na história
08:57do crime de receptação no Brasil,
08:59que não é considerado um crime violento,
09:01mas era bom a gente olhar também
09:03para os exemplos de sucesso, né?
09:05Muitos dos desmanches aqui no estado de São Paulo
09:08diminuíam justamente por atacar os receptadores.
09:12Precisa atacar os receptadores, de celular,
09:16porque esse é o jeito de começar a desmontar essas gangues.
09:20Porque se essa indústria de receptador
09:23continuar do jeito que está,
09:25soma-se isso à impunidade,
09:27o prende e solta,
09:28não tem jeito de nós nos sentimos seguros em São Paulo.
09:33Passar para o Bruno Moussa,
09:34também trazer as impressões dele
09:36a respeito da situação de segurança pública,
09:39os avanços feitos pela atual administração.
09:43Mas eu acho que o Dávila toca num ponto
09:45que tem muito a ver com a percepção do cidadão, né?
09:50Daquele que mora em uma grande cidade.
09:52Porque isso está desconectado dos boletins, né?
09:56Dos estudos e dos levantamentos.
09:57Ah, o levantamento aponta para uma diminuição
10:00no número de roubo de celular.
10:03Mas a sensação de segurança é diferente, né, Moussa?
10:06As pessoas não ficam tranquilas, né?
10:08Em sacar o seu celular numa rua movimentada,
10:11tirar uma fotografia igual você faria
10:13em um outro país, por exemplo,
10:15um país seguro, né?
10:16Tão normal, você tira o seu celular
10:18e acaba fazendo uma fotografia da família
10:20ou de algum ponto turístico.
10:22Em São Paulo não dá.
10:25Em São Paulo isso praticamente não existe.
10:27Na zona financeira, por exemplo,
10:29onde eu trabalho,
10:30você não vê mais pessoas andando na rua
10:31com um simples celular na mão.
10:33Você vê claramente isso.
10:35Pessoas tiram do bolso para escrever uma mensagem
10:37ou atender o telefone
10:38e entra na loja que está ao lado.
10:40Então nós chegamos num nível tal de barbárie
10:42que a gente normaliza.
10:44O Brasil é disparado,
10:45e São Paulo é o maior,
10:48frota de carro blindado do mundo.
10:50Ultrapassamos e muito o México, por exemplo.
10:52São 400 mil carros
10:54e cada ano bate recorde de carros blindados no Brasil.
10:58Esses dias eu estava com a minha mulher
11:01e fui levar minha filha na escola
11:03e eu fiz questão de falar isso para ela.
11:05Falei isso, somos 37 carros.
11:07100% dos carros eram blindados.
11:09Onde você vê isso num lugar e acha normal?
11:12Não pode ser normal.
11:14Mas infelizmente,
11:15para aqueles que podem,
11:17se escondem através disso.
11:18E os que não podem?
11:20Esses dias a pessoa que trabalha aqui em casa,
11:22que é da nossa família,
11:23comentou a respeito de dois assaltos
11:25que ela viu vindo para cá no ônibus.
11:27Então hoje em dia não tem mais essa
11:29vamos roubar em um lugar nobre.
11:32Está roubando dentro do ônibus.
11:34Nós chegamos num nível tal
11:35que o limite passou e muito.
11:39E eu já mencionei aqui,
11:40e vou fazer aqui de novo o jabá,
11:43porque eu realmente gostei muito.
11:45Acabei de ler o livro que o Mota me presenteou ali
11:47quando eu estive no Rio de Janeiro esses dias.
11:48E os números que ele mostra lá
11:50são completamente alarmantes.
11:52Um percentual muito, muito pequeno,
11:54por não dizer irrisório,
11:56que chegam ao conhecimento da polícia
11:58de roubos, furtos e homicídios.
12:00E mesmo assim,
12:02quando aquele percentual irrisório
12:04que chega ao conhecimento da polícia,
12:07depois de um tempo eles estão soltos,
12:09quando não, de algumas horas.
12:11A maioria, por falta de 50%,
12:12depois ele me corrija aqui,
12:14são soltos em audiência de custódia.
12:16Ou seja, nós temos um incentivo
12:18a que o crime seja cometido em São Paulo
12:21por aqueles que são imorais,
12:23ou melhor, no Brasil como um todo.
12:24E eu estava comentando,
12:27hoje conversando com uma pessoa que cuida aqui,
12:29eu moro num condomínio de casas,
12:31conversando com o pessoal que trabalha aqui,
12:33ele veio, eu chamei ele,
12:34ele veio almoçar aqui em casa,
12:35e a gente estava conversando,
12:36eu já trabalhei ele aqui.
12:37E eu perguntei, ele é do Haiti,
12:38e eu perguntando como é que está o nível de barbárie lá.
12:41E ele me contando, e eu falei,
12:42mas em determinados bairros do Brasil
12:44acontece exatamente a mesma coisa.
12:46Toque de recolher,
12:47permissão para sair em determinado horário,
12:50tem que pagar para poder sobreviver ali,
12:52eles podem invadir a sua casa.
12:54Cada ponto que ele ia colocando,
12:56eu falava, mas isso aconteceu.
12:57Aconteceu em Fortaleza,
12:58aconteceu no Rio de Janeiro,
12:59aconteceu aqui em São Paulo.
13:01Então, até que ponto nós temos que chegar?
13:04E aí, no outro lado,
13:05que cabe uma boa discussão,
13:07que eu estive lá também,
13:09Bukele, em El Salvador,
13:10está com 96% de aprovação.
13:12Porque o nível de violência chegou
13:14a tal magnitude
13:15que as pessoas, todos nós,
13:18estamos completamente cansados.
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