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  • há 10 horas
Especialista alerta para atitudes como ciúme excessivo, controle e desrespeito que podem evoluir para casos graves.
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Transcrição
00:00Estamos recebendo aqui a doutora Helda Bussinger, que vai conversar conosco aqui no nosso Tribuna Notícias, né doutora?
00:07Porque esse caso envolvendo a comandante da Guarda de Vitória, traz mais uma vez o alerta e a atenção, né,
00:15para esse tipo de violência. Quais os primeiros sinais do comportamento agressivo, né?
00:20A escalada dessas atitudes, como agir diante de uma realidade dessa dentro da sua casa.
00:29Por isso que nós convidamos a doutora, que é especialista em violência contra a mulher, a doutora Helda,
00:35que vai conversar conosco aqui hoje. Boa tarde, doutora. Obrigado pela participação.
00:41Doutora, eu acho que primeiro de tudo, né, para a gente poder discutir isso, é a questão da identificação, né?
00:48Como identificar atitudes machistas, violentas, principalmente por parte dos homens.
00:56Parece até uma pergunta óbvia, mas eu confesso para a senhora que às vezes, até mesmo a oportunidade que eu
01:03tive
01:04de entrevistar mulheres vítimas de violência doméstica, elas, apesar de serem atitudes óbvias,
01:11elas não percebem isso ali no dia a dia com o agressor, né? Boa tarde mais uma vez.
01:17Boa tarde. Estou bastante consternada, como todos nós e todas nós, mas estas situações são cotidianas.
01:27As mulheres sofrem violências todos os dias. São muitas formas de violência.
01:33Nós estamos vendo aqui uma situação que é o ápice da violência, que é o feminicídio.
01:39Mas as violências começam com pequenas atitudes, com pequenas palavras violentas, com silenciamentos,
01:47com desprezo, com desrespeito, com tentativas de silenciar as mulheres, com pequenas brigas, com empurrões.
01:56Nós não percebemos e não imaginamos que a violência possa chegar a este limite.
02:03Ela começa com um ciúme exagerado, ela começa com uma tentativa de pedir que a companheira,
02:11a namorada troque a roupa e, enfim, são múltiplas as formas de manifestação da violência.
02:19E elas são tão naturalizadas que as mulheres vão entendendo isso como algo do cotidiano, algo natural.
02:28E não é.
02:29Não é. Não conseguem perceber que elas estão enredadas em uma cultura que é uma cultura de desprezo,
02:37de ódio com as mulheres, de violência com as mulheres.
02:41E estas situações, elas têm uma razão de ser.
02:45Elas são parte de um sistema patriarcal, de um sistema machista que entende a mulher como um objeto,
02:54que entende a mulher como uma propriedade.
02:58Ou seja, as mulheres são inferiores, as mulheres são propriedade dos homens.
03:04E esta cultura vai sendo repassada.
03:07Nós vemos agora a situação em São Paulo, que os alunos de uma escola de classe alta fizeram uma lista
03:18das meninas estupráveis.
03:20Ou seja, eles podem fazer isso.
03:23A rede chamada Redpill, que é uma rede que as redes sociais permitem e validam, porque elas permanecem,
03:32tem situações graves de como ensinar meninos a serem violentos com as mulheres.
03:39Nós mostramos, desculpe interromper, nós mostramos na semana passada aqui, fazendo uma denúncia para alertar muitos pais,
03:46de adolescentes e até adultos, postando em rede social, simulando agressões contra as mulheres,
03:53e isso sendo postado livremente em redes sociais.
03:56Isso a gente precisa colocar um basta nisso e ensinar, desde pequenininho, no seio da família,
04:04junto da família a respeitar a mãe, a respeitar a irmã, a respeitar o próximo,
04:12porque senão essa molecada vai crescer, né, doutora?
04:14Que tem acesso com facilidade à internet hoje, vai achar que isso é normal, como a senhora disse.
04:21Agora, nós conversávamos aqui antes da gente estar aqui ao vivo,
04:25que esse tipo de violência, infelizmente, sempre existiu, né,
04:31mas que agora as mulheres estão denunciando cada vez mais e a polícia é dedicada a combater isso, né?
04:38Sim. A violência contra as mulheres sempre existiu.
04:42A Organização Mundial de Saúde diz que uma em cada três mulheres sofre violência física, sexual,
04:51ao longo da sua vida. Esses números são estratosféricos, absurdos.
04:56Mas a pergunta é, essa violência, ela tem aumentado nos últimos tempos?
05:02Ela sempre existiu, mas nós vivemos um aumento da violência contra as mulheres,
05:08um aumento do feminicídio. Por quê?
05:11Na medida em que as mulheres avançam, ocupam lugares de poder,
05:15na medida em que as mulheres saem e constroem e percebem que elas têm autonomia,
05:22que elas são independentes financeiramente, isto vai causando um sentimento de perda,
05:28de frustração nos homens.
05:31E as mulheres começam a dizer, não, eu não quero, eu não faço, eu faço, eu saio.
05:38Então, na medida em que as mulheres começam a ter um maior grau de autonomia,
05:42há um sentimento de frustração nos homens, estão perdendo poder, estão perdendo potência.
05:50Ou seja, diante desta aparente potência feminina, os homens se sentem impotentes, fragilizados.
05:58E eles reagem como? Reagem aumentando o grau, o nível de agressividade, o nível de violência.
06:07Nós temos uma sociedade violenta, mas nós temos uma sociedade com maior nível de violência ainda contra as mulheres.
06:17É uma epidemia, é uma epidemia que vem preocupando no mundo inteiro.
06:25Só tem um jeito de nós brecarmos isso.
06:28Não é apenas com ampliando as penas, porque você veja, no caso que nós estamos tratando,
06:35não há o que fazer do ponto de vista individual.
06:38Este homem se matou, não é verdade?
06:40Sim.
06:40Mas nós temos que mudar uma cultura.
06:43E esta mudança de cultura passa por um processo que se inicia na infância,
06:50na primeira infância, na casa, nas escolas.
06:53Mas vejam bem, uma sociedade violenta ensina violência.
06:57Então, as escolas, os governos, o Estado precisa de uma mudança radical
07:02do ponto de vista de escolas que mudam a sua perspectiva educativa.
07:08Alguns países do mundo, muito poucos países, começam a ter projetos pedagógicos
07:16que os meninos começam a cuidar, aprender a cuidar, aprender a cozinhar, aprender a lavar,
07:23aprender a respeitar.
07:25Por quê?
07:26Porque essa mudança precisa ser construída como cultura.
07:31Não adianta apenas investirmos em homens.
07:34É preciso investir em toda uma sociedade para que esta cultura se modifique
07:39e que nós enfrentemos o patriarcado, que está solidamente consolidado e cristalizado
07:48nas instituições religiosas, nas instituições do Estado, enfim, em todas as partes da sociedade.
07:56Doutora, pelo que a senhora fala, então, na visão da senhora,
07:59é fundamental que a escola, que a educação ensinada fora de casa também aborde esses assuntos.
08:10Porque, como a senhora disse, uma família violenta, um pai que agride a mãe na frente de um filho,
08:18é um filho que cresce achando que isso é comum, que isso é normal.
08:21Mas fora de casa, de onde ele tem esse mau exemplo, ele precisa ouvir o que é certo
08:28e o que é errado, já que dentro de casa isso não está acontecendo.
08:33A escola é fundamental, então, né?
08:36A escola é fundamental e as igrejas são fundamentais.
08:41As igrejas são capilares.
08:43Elas estão em todos os cantinhos do país, do planeta.
08:47As instituições religiosas que pregam a supremacia do homem sobre a mulher,
08:54a superioridade do homem sobre a mulher,
08:56como se a submissão da mulher fosse um preceito religioso bíblico a ser aceito pelas mulheres.
09:06Aqueles religiosos que, quando as mulheres são agredidas pelos maridos e procuram pastores, padres,
09:13e eles dizem, minha irmã, você tem que aceitar, você tem que cuidar do seu marido,
09:19que ele vai se modificar, estes religiosos precisam ser responsabilizados por muitas dessas violências.
09:27Até porque a submissão destacada na Bíblia não é uma submissão que a gente diz da mulher ser submissa ao
09:37homem, né?
09:38É uma submissão totalmente diferente disso.
09:41Porque o homem e a mulher, a partir do momento que eles estão unidos ali num matrimônio, num casamento,
09:48é um ajudando o outro.
09:50A mulher, ela não é empregada do homem.
09:54Ela não é a pessoa que deve lavar a roupa.
09:57Ela não é a pessoa que deve lavar a louça e fazer o almoço.
10:01Pelo contrário, o homem está dentro de casa, junto da sua mulher, para ajudá-la, para dividir os afazeres domésticos.
10:11E veja, a submissão, né, doutora?
10:13Não é essa submissão de que não, o marido mandou, tem que fazer.
10:18Submissão é um termo interpretado equivocadamente para manutenção de interesses.
10:25Na realidade, quando se fala em submissão, está se tratando de estar sobre a mesma missão.
10:32Isso aí.
10:33Estão os dois com uma mesma missão, que é uma missão de constituir uma família, um núcleo da sociedade que
10:41possa reproduzir o bem e a paz.
10:44Verdade. Doutora, muito obrigado, viu, pela participação da senhora.
10:48A senhora que sempre concede entrevistas para a gente aqui, fala muito bem, fala com clareza, fala com propriedade.
10:56Então, isso é muito importante.
10:58Obrigado pela participação da senhora.
11:00Volte mais vezes aqui, tá?
11:01Muito obrigado.
11:02Obrigado.
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