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No Viva Bem desta semana, Marcio Atalla fala sobre o ecossistema chamado microbioma intestinal, que ajuda a diregir comida, fabricar vitaminas e ainda conversa com o nosso cérebro. Para esclarecer dúvidas entender melhor como funciona esse sistema complexo, Atalla recebe o professor de Nutrição da Faculdade de Educação Física da USP, Herbert Lancha Junior.
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NotíciasTranscrição
00:00Você já parou pra pensar que dentro da sua barriga vive um ecossistema inteiro com mais habitantes do que o
00:06mundo inteiro?
00:07É o nosso microbioma intestinal.
00:10E lá os moradores ajudam a digerir a comida, a fabricar vitaminas e ainda conversam com o nosso cérebro
00:15pra decidir se a gente acorda bem-humorado ou com vontade de brigar com todo mundo.
00:21O nosso microbioma é o assunto de hoje no Viva Bem.
00:31Jovem Pan, Viva Bem, com Márcio Atala.
00:34E pra entender melhor como funciona essa cidade particular, que cada um tem a sua,
00:39eu recebo o professor titular de nutrição da Faculdade de Educação Física da USP, Lancha Júnior.
00:46Tudo bem?
00:47Tudo bem? Tudo ótimo.
00:48Cara, que prazer.
00:49Sempre bom estar com você.
00:51Você foi, acho, a primeira pessoa, Lancha, que falou pra mim da importância das boas bactérias,
00:56da microbiota, né, que são essas bactérias do nosso...
01:01Explica um pouquinho o que é a microbiota, essas bactérias que tem nos nossos intestinos.
01:07Legal.
01:08As bactérias intestinais, assim como todas as bactérias do nosso corpo, o que elas têm?
01:14Elas fazem com que haja um equilíbrio na nossa saúde.
01:17Um exemplo interessante em relação a isso é que quando você tem as bactérias do intestino,
01:23elas fermentam parte dos alimentos e geram produtos que são chamados de pós-bióticos.
01:29E esses pós-bióticos, eles regulam o sistema, regulam o pH e equilibram toda a nossa saúde.
01:36Então, as bactérias intestinais têm um papel importantíssimo pra garantir, primeiro,
01:40uma proteção pro nosso intestino, segundo, a estabilidade e o impedimento de que haja invasão de bactérias
01:49que possam provocar uma doença, as chamadas bactérias patogênicas.
01:52E, acima de tudo, elas são importantes porque hoje nós sabemos, elas têm também um papel
01:57na produção de neurotransmissores e na regulação de neurotransmissores.
02:01Agora, Lantia, dentro dessa quantidade gigantesca de bactérias que a gente tem no intestino,
02:08você tem as bactérias boazinhas e aquelas que não são boazinhas.
02:13É normal você ter isso.
02:14Isso.
02:15Pra gente ter um bom equilíbrio, pra que essas bactérias boas prevaleçam,
02:20e a gente tem ali, que nem você falou, uma regulação legal dos neurotransmissores,
02:24um sistema imunológico mais forte,
02:27basta eu suplementar com bactérias boas, os chamados probióticos,
02:32ou eu preciso cuidar em relação à alimentação, atividade?
02:38O que influencia pra que essas bactérias boas sobrevivam e consigam fazer o seu trabalho de maneira eficiente?
02:44É legal essa pergunta, Marcio, porque tem tudo a ver com o que você sempre falou
02:49na sua história de vida em relação à saúde.
02:53A alimentação, ela é o carro-chefe dessa história.
02:56Por quê?
02:56A partir da ingestão de fibras, e a nossa ingestão brasileira de fibras, ela é baixa,
03:02ela até sofreu uma redução importante, e eu vou explicar o porquê.
03:06Nós tínhamos, culturalmente, o hábito de ingerir o arroz e o feijão,
03:10e o feijão é uma fonte riquíssima de fibras,
03:12e nós passamos a tirar esse feijão da nossa alimentação,
03:16e nós reduzimos aproximadamente 9 gramas de fibras por dia,
03:20que deveria ser 25, hoje é da ordem de aproximadamente ali 12, 13.
03:25A média do consumo de fibras do brasileiro caiu para 12, 13.
03:2912, 13 gramas.
03:29Que é metade do que a gente deveria ter na nossa alimentação.
03:33Exatamente, 25 gramas disso.
03:35O que que essas fibras fazem, Marcio?
03:37Essas fibras, elas são parcialmente fermentadas pelas bactérias,
03:41e elas produzem uma substância chamada de ácidos graxos de cadeia curta.
03:45São os famosos gases.
03:47As pessoas têm vergonha, mas todo mundo solta a punta, pessoal, é tranquilo, né?
03:51É bem democrático, todo mundo.
03:54E a gente produz aproximadamente 2,5 litros de gases por dia.
03:58Esses gases, eles ajudam nessa proteção intestinal.
04:02Mas não só as fibras produzem os gases,
04:06nós temos outros alimentos produzindo gases.
04:08Então, quando você consome muita proteína, você pode produzir um gás, que é o H2S,
04:13que não é tão interessante.
04:14Ele pode gerar processos inflamatórios.
04:16Então, existem bactérias que ficam tentando ganhar um espaço
04:21e ter uma alimentação onde você tem uma quantidade importante de fibras,
04:25aonde você tem uma quantidade importante de horas de sono,
04:29porque isso muda.
04:30O sono muda.
04:31Muda totalmente as bactérias intestinais.
04:34E você ter a prática regular da atividade física, que também muda.
04:38Isso é um trabalho até nosso,
04:39que a gente mostrou que quando você faz uma atividade física aeróbica,
04:43você muda essa população de bactérias intestinais.
04:46Você aumenta bactérias, que são as chamadas de lactobacillus,
04:50que não tem nada a ver com leite.
04:51São bactérias que fermentam o açúcar, gerando ácido lático.
04:55Por isso, lactobacillus.
04:56E elas fazem uma proteção importante do nosso intestino.
05:00Então, nós teríamos ali a trilogia, né?
05:03Exercício, sono e alimentação como o fator determinante
05:07para essa saúde das bactérias intestinais.
05:10É.
05:10Esse combo atividade física, alimentação, sono, que parece ser básico,
05:15se você pega a população brasileira, 72% dos brasileiros relatam dormir mal.
05:20Você tem praticamente 60%, 70% da população que não consegue praticar
05:24o mínimo de atividade física recomendado pela OMS.
05:27E a alimentação, você pega esses parâmetros, a gente consumindo pouca fibra,
05:31mais calorias do que a gente deveria, não à toa,
05:34a gente já tem mais de 26% da população obesa, né?
05:37Exatamente.
05:38O que parece simples, não é.
05:40E aí a gente tenta comprar saúde.
05:43E como hoje a saúde do intestino é muito falada,
05:48aparecem aqueles suplementos,
05:51que você tem 2 bilhões de bactérias, você vai colocar ali, beleza.
05:57Só que eu ouvi dizer que isso por si só não vai garantir,
06:03mas mais do que isso, se você parar a suplementação
06:07em 5 dias ou coisa parecida,
06:11você retorna àquela original de fábrica,
06:15que a gente talvez tenha uma microbiota
06:20como uma impressão digital, que é só sua.
06:23Exatamente.
06:24E isso é real?
06:26E se é real, como que eu faço para melhorar isso
06:30que é original de fábrica e não ficar refém, né?
06:33Se eu não fui premiado com uma ótima microbiota?
06:37É exatamente isso, Márcio.
06:38Ou seja, nós temos uma população bacteriana intestinal
06:41que é como se fosse a nossa íris, como se fosse a nossa digital.
06:45Ela é muito particularizada,
06:47a gente poderia diferenciar uma pessoa da outra
06:50exatamente pelas bactérias intestinais.
06:52Quando você faz a suplementação de probióticos,
06:55você primeiro precisa de uma população grande
06:58que a gente chama de unidades formadoras de colônia.
07:00Então a gente chama de UFC,
07:02que não é Ultimate Fight Combat,
07:04que é unidades formadoras de colônia.
07:06E elas teriam que ser da ordem de 25 bilhões, pelo menos.
07:10E o efeito dela vai ser sentido a partir de 20 a 30 dias,
07:15aonde essa população bacteriana exerceu um papel
07:18naquele mielê, naquele ambiente intestinal.
07:21Se você parar, ela volta ao que era originalmente.
07:25Então você precisa desse consumo crônico
07:27se você quer uma ação que faça essa modificação.
07:30Da mesma forma que só na atividade física e alimentação
07:33também é crônico.
07:34Não adianta dormir hoje, está bom, está ótimo.
07:36Não passar o resto da semana, sim.
07:38Passar o resto da semana acordada.
07:39Não adianta.
07:40Então existe essa questão que você precisa
07:42da suplementação crônica.
07:44A população de bactérias, ela é importante.
07:48Essas bactérias, elas normalmente entram no nosso organismo
07:51parcialmente vivas e saem mortas.
07:54Mas elas têm um efeito pós-mortem também.
07:57E elas têm um efeito também importante
07:59no que elas produzem.
08:01Então substâncias que elas produzem
08:03são usadas pelo nosso organismo
08:05e também são utilizadas hoje em dia,
08:07com esse conhecimento, pela indústria de alimentos
08:09para conferir aroma, sabor, textura, cor
08:13e propriedades nutricionais para os alimentos.
08:16Então isso, a indústria de alimentos,
08:18coloca muita energia para desenvolver esses produtos
08:22para entregar para a população
08:24não só um alimento, mas um alimento saboroso,
08:27mas também que tenha propriedades nutricionais.
08:28Isso que você falou é muito interessante, né?
08:30Porque hoje existe quase que uma vilanização da indústria,
08:34quando existe na indústria uma preocupação também
08:37de entregar um alimento com muito mais valor nutritivo
08:42e que possa melhorar.
08:43Eu sempre falo do cereal matinal,
08:46que na nossa geração era milho e açúcar.
08:49Exatamente.
08:49É ou não é?
08:50O famoso cornflakes.
08:53Então hoje você tem uma série de cereais
08:56com fibras, vitaminas, todo enriquecido,
09:01tem até uns com proteína, enfim,
09:03e você consegue melhorar.
09:04Então a indústria também tem esse papel
09:06de tentar ajudar que a gente tenha um bom aporte
09:09de nutrientes até para a saúde do nosso intestino.
09:12O que acontece, a indústria também depende desse consumidor.
09:16Então esse consumidor, que a partir do momento
09:18que ele ingere um alimento, aquilo traz benefícios para ele,
09:21ele fideliza naquele produto, ou seja, ele tem ganhos com isso.
09:25E você falou um dado importante dos cornflakes.
09:29Os cornflakes, eles entram na cultura da alimentação,
09:32principalmente americana, que tinha como o café da manhã
09:35o consumo de ovo.
09:36Tradicionalmente era o consumo de ovo e bacon.
09:39Ainda tem isso, mas a entrada dos cornflakes
09:42e a entrada dos cereais fez com que a população americana
09:44tivesse ali um ganho importantíssimo na modificação desse padrão
09:48que era uma ingestão de muita gordura
09:50para uma ingestão menor de gordura com também mais fibras
09:54a partir de que esses cereais serem produzidos
09:57com maior quantidade de fibras.
09:58Muito bom.
09:59Mas agora chegou a hora de conhecer o novo quadro do Viva Bem.
10:02É o desafio do Atala nas ruas.
10:05É, a gente vai ver o que a Melda Agostini
10:07preparou para o desafio de hoje.
10:14É isso aí, Atala.
10:15Bora colocar o pessoal nas ruas para se movimentar também.
10:18E o desafio de hoje é quem consegue ficar mais tempo no agachamento isométrico,
10:22a famosa cadeirinha chinesa.
10:24Vamos ver.
10:24Estamos aqui com os nossos voluntários, o João e o Caio,
10:27e eles vão ter que ficar encostados na parede
10:30numa espécie de cadeira imaginária no ângulo de 90 graus.
10:33E o desafio é quem aguenta mais tempo.
10:35Vocês treinam, vocês fazem alguma coisa, estão preparados?
10:37Pô, estou voltando de férias ali,
10:39não estou no melhor preparo físico,
10:41mas eu estou confiante.
10:43Por incrível, parei que vocês me pegaram num dia muito ruim, né?
10:45Estava voltando de férias, voltando para a academia.
10:47Ontem treinei perna,
10:48então a minha expectativa não está muito boa.
10:50Acho que posso não ter o melhor resultado,
10:52mas vou dar a minha vida aqui pelo desafio.
10:54Será que é humildade?
10:55Vamos ver quem vai ganhar o desafio.
11:04A compensação já está em mútuo aqui,
11:07você entendeu?
11:07Mas foi para a esquerda.
11:08É mental.
11:09É mental, é...
11:40O João, então, foi o nosso vencedor.
11:42Como foi a experiência?
11:43Foi difícil?
11:44Foi difícil.
11:45É sempre uma disputa bem acirrada contra ele,
11:48mas eu consegui ganhar.
11:50É, surpreendida, assim, no meio do dia, sem preparo, né?
11:53Podem falar que é uma desculpa ou uma falta de preparo.
11:56Então vai de vocês aí de casa.
11:57Bom, segundo estudos, os números de referências.
12:00Para pessoas saudáveis entre 20 a 50 anos,
12:03ali cerca de um minuto para homens e de 35 a 45 segundos para mulheres.
12:07E aí, Atala, gostou do desafio?
12:10Gostei, Mel, gostei muito.
12:11Logo mais, eu e o lanche, a gente vai ficar aqui na cadeirinha isométrica
12:15para ver se a gente está bem de pé, né?
12:17É boa.
12:19Atividade física tem tudo a ver com a nossa saúde também do intestino,
12:23que você estava falando, né?
12:25E por que as pessoas têm tanta resistência a incluir esse movimento no dia a dia?
12:34E a gente nunca teve tanta prova do benefício dessa atividade física.
12:39É.
12:39É uma coisa interessante, Marcio,
12:41porque eu defendo a atividade física como higiene.
12:44Então você tem a atividade física da mesma forma que você tem
12:48que escovar os dentes, que você toma banho.
12:50Ou seja, tem que estar no seu hábito, tem que fazer parte da sua cultura.
12:55Nós que gostamos de fazer atividade física,
12:58a gente não se enxerga um dia sem exercício.
13:02É um dia estranho.
13:03É um dia estranho.
13:04É que nem você passar dois dias sem escovar o dente.
13:05Para nós é mais ou menos isso.
13:07Faz parte da nossa rotina, da nossa vida.
13:10As pessoas, elas têm um desafio importante,
13:12porque o conforto do sedentarismo é muito grande.
13:17Então o nosso organismo, ele gosta disso.
13:20Então você vai descobrir o prazer da atividade física
13:24a partir de, um, das recompensas de neurotransmissores.
13:28Dois, da melhora do funcionamento do seu organismo como um todo.
13:33Três, da melhora do seu sono.
13:34E aí entra o intestino.
13:36Quando você faz atividade física regularmente,
13:39a sua funcionalidade intestinal melhora.
13:42Isso tem impacto na nossa saúde?
13:44Sim.
13:45Tanto é que nós chamamos as pessoas de enfesadas.
13:49Exatamente as pessoas quando não vão ao banheiro.
13:53Se você tem uma atividade física que regulariza esse trânsito,
13:56e essa pessoa segue mais facilmente ao banheiro,
13:59ela tem mais facilidade de ser feliz também.
14:02Também.
14:03Ela não será uma enfesada.
14:06Então a atividade física, ela tem esse componente.
14:09E por que ela melhora as bactérias intestinais?
14:11Primeiro que ela muda os metabólicos do nosso organismo.
14:16Nós produzimos ácido lático, por exemplo,
14:18que é um nutriente dessas bactérias intestinais.
14:21Então esse ácido lático é democraticamente distribuído pelo organismo
14:25e também chega ao intestino.
14:27Além disso, nós temos bactérias que são favorecidas com a prática regular da atividade física,
14:33que são bactérias extremamente importantes para combater as doenças patogênicas que nós temos.
14:39Então nós temos essa atividade física mudando não só o mielê, o ambiente,
14:43mas também mudando a população de bactérias.
14:46Então o exercício, ele exerce esse efeito.
14:49E você que está assistindo a gente vai ver isso de cara.
14:52Quando você fizer a atividade física, você vai mais regularmente no banheiro
14:54e daí você vai ver as outras consequências.
14:57Melhora a memória. Por quê?
14:59Você mudando essas bactérias do intestino, você muda a BDNF,
15:02que é uma substância neurotrófica que age no sistema nervoso central,
15:06fazendo com que haja neurogênese no sistema nervoso central.
15:10Então esse ambiente todo, ele traz um benefício que vai muito além do que nós podíamos imaginar até então.
15:16É, cuida de todo o ambiente.
15:18E aí você falou que a atividade física era maravilhosa para deixar esse ambiente todo favorável.
15:24Eu vou falar das coisas que não são tão legais.
15:27Consumo de álcool prejudica essas bactérias?
15:30Prejudica demais, porque a ingestão de bebida alcoólica, e assim, não querendo ser um puritano,
15:35eu adoro tomar o meu vinho, não tem essa, mas a ingestão de bebida alcoólica
15:40altera gravemente a população de bactérias do intestino.
15:44Muito fortemente. Por quê?
15:46O álcool, muito embora ele tenha uma parcela importante sendo absorvida no estômago,
15:51gera uma reação para o intestino que faz com que nós tenhamos uma alteração do pH
15:56favorecendo as bactérias patogênicas.
15:58Então o consumo de álcool, ele está intimamente associado a duas doenças.
16:03Primeiro, o câncer gástrico e também o câncer de cólon.
16:07Então ele tem essas duas características de cara e muda a população bacteriana intestinal, sim.
16:13Hoje, estava conversando com um amigo que toca ali uma rede, grande rede de farmácia,
16:20ele falou que, eu tomei um susto, 10% do faturamento dessa rede de farmácia hoje
16:27são dessas canetas que são usadas nesse processo de emagrecimento.
16:32Invariavelmente, a pessoa começa a consumir muito menos calorias.
16:37Qual a importância, já que você está consumindo bem menos calorias,
16:42de você equilibrar e ter uma qualidade muito boa para não afetar a saúde,
16:49não só de ganho de massa muscular, mas também do nosso intestino, do nosso sistema imunológico.
16:54Muito legal.
16:55Boa, eu vou até abusar da tua pergunta.
16:57Por favor, a ideia é essa.
16:59Vamos dar a sua pergunta.
17:00Eu gosto de usar essa expressão do tipo assim, o que a gente já aprendeu com as canetinhas,
17:05que não tem vilão responsável pela obesidade.
17:08Por quê?
17:09Quando o cara usa canetinha, o que ele faz? Ele deixa de comer tudo.
17:11Ele come de tudo menos.
17:13De tudo menos.
17:14Ele deixa de beber? Não, ele bebe menos.
17:17Ele deixa de comer gordura? Não, ele come menos gordura.
17:19Ele consome, deixa de comer carboidrato? Não, ele come menos.
17:20Ele come tudo menos.
17:21Ele pega a dieta dele, corta no meio e fala que começa a metade aqui.
17:24Mas ele não tirou nada.
17:25E aquele pessoal que falava que o balanço calórico tinha caído?
17:29É, então.
17:30Tá lá, a canetinha provou que não, né?
17:34Matematicamente.
17:35Então, o primeiro ponto importante é esse.
17:36Agora, como não existe almoço de graça, né?
17:40There is no free lunch.
17:42Tem um dado importante.
17:43Quando essas bactérias, elas estão lá no intestino, elas têm um ambiente delas.
17:48Quando você usa a canetinha, o que acontece?
17:50Os análogos de GLP-1, eles têm uma ação moduladora do esvaziamento gástrico.
17:55Então, diminui o esvaziamento gástrico e intestinal.
17:59Então, assim, primeira coisa, você tem que entender que você vai menos vezes ao banheiro, tá?
18:02Ah, poxa, tá tudo bem, mas eu não vou no banheiro.
18:05Então, isso é o efeito dela.
18:07Segunda coisa.
18:09Dentro dessa modulação, tem também uma secreção.
18:12Secreção dos ácidos, das enzimas e também de uma substância chamada o sais biliares,
18:17que está presente na vesícula biliares.
18:20Quando você diminui essa secreção, você altera o pH.
18:23Novamente, modifica as bactérias intestinais.
18:25E o ponto que já é dado pela literatura científica, inclusive na Inglaterra, tem uma forte ação do governo sobre
18:33isso,
18:34é que quando você diminui o esvaziamento gástrico, você diminui também a secreção de sais biliares,
18:39você começa a acumular sais biliares na vesícula.
18:43E esses sais biliares na vesícula, eles vão modificando o seu estado físico,
18:48eles migram para a lama e depois eles viram cálculo.
18:52Qual o risco?
18:53Esse cálculo que está ali na vesícula, migrar pelo duto, chegar no duto pancreático e gerar uma pancreatite.
19:01Então, isso é fato.
19:02Isso acontece.
19:02Então, não é de graça, você vai ter o seu benefício ali, vai comer menos, vai emagrecer, está tudo certo.
19:09Só que você vai alterar suas bactérias intestinais de uma forma que não é interessante,
19:14porque você vai subir, você vai alcalinizar um pouquinho o pH, isso não é bom para o intestino.
19:19E o último ponto é que você aumenta as probabilidades de ter um cálculo na vesícula biliar.
19:27Como ajustar isso?
19:28Eu respondo depois.
19:29Pode perguntar.
19:30É, eu ia perguntar como que a gente ajusta isso com a nossa alimentação.
19:34Quais as boas dicas?
19:36E claro, a atividade física vai ser fundamental nesse processo.
19:42Se a gente está falando de um emagrecimento saudável, a atividade física entra, mas vamos focar ali na alimentação.
19:48Isso vai.
19:49E assim, isso que você perguntou, Márcio, a atividade física vai ter um papel importante,
19:54porque ela tem uma ação física, biológica e química sobre o intestino.
20:02Física, porque você tem uma ação mecânica do diafragma.
20:05Você tem uma ação biológica, porque você altera o pH do mielê.
20:09E você tem a ação ali química também, que você está colocando mais ácidos, fazendo o pH ficar mais legal.
20:16Agora, a alimentação, ela pode ajudar?
20:18Pode, porque os sais bilhares, eles são reabsorvidos na ordem de 98%.
20:23E eles envelhecem na nossa vesícula.
20:26O que a gente pode fazer?
20:27Se você aumentar a reingestão de fibras na alimentação, você aumenta a chance dessas fibras se ligarem aos sais bilhares.
20:35E com isso, você aumentar a excreção dos sais bilhares na ordem de 30%.
20:40Diminuindo a chance de ter um cálculo de vesícula.
20:43Não é que vai eliminar, mas diminui a chance de ter um cálculo de vesícula.
20:47Então, a gente volta no começo da conversa, que a gente fala que o brasileiro está comendo menos fibra.
20:54Então, volta para o teu feijãozinho ali, que pode ser uma boa ideia.
20:57Você vai aumentar a injeção de fibra e vai ajudar nessa história.
21:00E eu te fiz essa pergunta, porque um grande amigo meu estava conversando com ele.
21:03Ele falou, mas eu perdi quase 25 quilos com as canetinhas e tal.
21:07Só que eu acho que eu não posso mais usar.
21:09Aí eu falei, por quê?
21:10Ele falou, cara, eu parei de ir ao banheiro.
21:13E aquilo fez um bolo, que eu tive que ir para o hospital fazer lavagem.
21:17Isso.
21:19Isso, obviamente, quando você faz uma lavagem e você tem uma coisa dessa,
21:23você deve perder todas as suas proteções, todas as boas bactérias.
21:27Isso.
21:28Sim, não só na lavagem, mas coisas que as pessoas muitas vezes fazem sem prestar atenção.
21:34Em qualquer quadro infeccioso, nós temos um remédio que é muito importante
21:38no combate a uma série de doenças, que são os antibióticos.
21:43Entretanto, eles não podem ser usados com banalidade.
21:48Então, sempre conversando com o seu médico, por quê?
21:50E esses antibióticos, eles alteram essa população de bactérias intestinais também.
21:56Então, o antibiótico, ele não é um míssel tomahawk seletivo, que ele coloca um alvo ali na cabeça dele.
22:03Não, não, não.
22:04Ele age em todo mundo.
22:05Então, ele pega todas as populações bacterianas e isso tem um dado importante.
22:10Então, tanto nesse quadro da lavagem como na utilização de antibióticos,
22:15você pode ter uma alteração das bactérias intestinais que precisa ser refeita.
22:20E como a gente conversou, elas voltarão ao que é o nosso padrão hereditário, genético,
22:26mas elas precisam estar num ponto de equilíbrio favorável para a nossa saúde.
22:31E as canetinhas, elas têm esse impacto.
22:35Existe uma grande preocupação dessa saúde intestinal a longo prazo, ou seja, como o organismo vai reagir com isso.
22:44Porque é um medicamento recente.
22:47Super.
22:49Num primeiro momento, falavam assim, você vai usar por um tempo e tal, e depois você para.
22:56Aí vem agora uma corrente e fala, não, você vai ter que tomar para o resto da vida.
23:00Mas, pô, qual o impacto?
23:03A gente não vai saber, vai saber só daqui a um tempo.
23:06A gente está fazendo um aprendizado em curso, um learn and fly.
23:13A gente está aprendendo voando.
23:14Então, esse dado é um dado importante para nós.
23:17As canetinhas, elas têm uma base científica de aproximadamente duas para quase três décadas.
23:23O conhecimento dos peptídeos já é mais antigo, mas o uso farmacológico é mais recente.
23:30Essa questão da saúde intestinal é uma grande dúvida, porque você está agindo diretamente na velocidade de funcionamento.
23:39E as células intestinais são células que se reproduzem muito rápido,
23:43aumentando a chance de uma célula envelhecer e ter uma mutação.
23:49Essa mutação pode evoluir para processos inflamatórios e processos oncológicos.
23:55Então, é uma preocupação, sem dúvida, que existe em todo o mundo em relação a isso.
23:59O uso crônico, ele é visto como uma alternativa.
24:03Por quê?
24:04O que a literatura vem demonstrando é que você tem uma curva de ganho de peso.
24:08Quando você usa a canetinha, você cai.
24:10Quando você para, você volta na mesma curva.
24:13Então, é como se você tivesse um V.
24:15Você está vindo aqui, ganhando, perdeu, mas parou, volta como se nada tivesse acontecido.
24:20Então, você mantém esse trend.
24:22Então, a preocupação é...
24:25Esse desmame, ele precisa ser feito juntamente com a mudança de comportamento.
24:31E é interessante, né, Elanchá, porque a canetinha, ela resolve o problema da quantidade.
24:38Mas da qualidade, você tem que buscar um profissional, você vai ter que criar novos hábitos,
24:44você vai ter que inserir ali algumas coisas.
24:46Essa questão de terceirizar tudo nunca funcionou e parece que não vai funcionar, né?
24:51Não vai.
24:51E outra, a canetinha não vai resolver isso.
24:54Ela não vai fazer essa questão qualitativa.
24:58Ela faz o quantitativo.
25:00Qualitativa é seu.
25:01E você falando das fibras, né, que são os alimentos das bactérias,
25:05se a gente consome pouco, porra, você está comprometendo a saúde ali das suas bactérias
25:11e todo o que isso envolve, de melhorar o sistema imunológico, neurotransmissores e uma série de coisas.
25:18Elanchá, hoje a gente falou muito sobre o intestino.
25:22Você falou aqui de várias coisas, então eu já quero deixar um convite para você voltar aqui.
25:27Para a gente explorar esse assunto das canetinhas, que ele é polêmico, né?
25:32Porque ele ajuda muita gente, mas já tem estudos mostrando que a velocidade, esse V, que você falou,
25:38esse reganho de peso acontece com mais velocidade.
25:42Quando você me tira.
25:44Exatamente, em relação a outros tipos de procedimento para emagrecer.
25:48Mas, enfim, foi uma aula, foi um prazer.
25:49Mais uma aula que eu tive com você desde 1990.
25:54Obrigado.
25:54Obrigado, Marcinho.
25:55Um abraço.
25:56Sempre bom estar com você.
25:56Obrigado, amigo.
25:58Chegamos ao final do Viva Bem de hoje.
26:00Você já sabe que esse programa está lá no canal do YouTube da Jovem Pan News
26:04e também no Spotify, para você ver, rever, ouvir e compartilhar com quem você gosta.
26:10Semana que vem, nosso encontro está marcado.
26:12Até lá.
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