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O intestino é o nosso ‘segundo cérebro’? No Papo Saudável desta semana, o Dr. Nelson Liboni explicou a importância dele para a saúde e respondeu: aquele probiótico da farmácia realmente faz bem?

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Transcrição
00:00Cerca de 100 milhões de neurônios estão nesse órgão.
00:04Ele regula nosso humor e até a nossa saúde mental.
00:06Se você achou que eu estava falando do cérebro, se enganou.
00:10O nosso intestino é o assunto do Viva Bem de hoje.
00:19Jovem Pan Viva Bem, com Márcio Atala.
00:23E para contar como o nosso segundo cérebro funciona,
00:26eu tenho o prazer de receber o craque, o doutor Nelson Liboni.
00:31Obrigado.
00:32Obrigado pelo convite.
00:34História essa de segundo cérebro?
00:36É, o segundo cérebro é verdade,
00:38porque existe uma relação muito grande entre o cérebro e o intestino.
00:41Existe uma comunicação nervosa, que é feita pelo próprio vago,
00:46e as respostas hormonais que eles trocam entre eles.
00:49Então existe isso mesmo.
00:50Então se eu estou estressado, vai refletir no meu intestino.
00:53Se eu como errado, eu tenho uma alteração,
00:56vai refletir também na produção de algumas respostas que o cérebro vai ter.
01:01Então isso fica uma coisa confusa.
01:03Uma mão de via dupla?
01:04Uma mão de via dupla, exatamente.
01:07E aí, vamos lá, falando do intestino.
01:10O que eu posso fazer para melhorar a qualidade das bactérias,
01:16enfim, da minha microbiota?
01:18O que está ao meu alcance,
01:20que eu melhore a saúde do meu intestino em relação à alimentação?
01:23É, e você falou tudo, né?
01:24Então, primeiro a gente tem que melhorar o que é o microbioma, né?
01:28O que é o habitat em que elas vivem, né?
01:30Para que essa microbiota, onde essas bactérias, vírus e outros convivam ali,
01:36tenham uma convivência saudável e nos ajudem, né?
01:40Porque eles são seres que nos ajudam na digestão,
01:42na produção, por exemplo, de serotonina, que dá bem-estar, dá dopamina,
01:4750% da dopamina é produzida no intestino.
01:51Então, para que a gente tenha isso, primeiro, é o que você mais gosta, exercício físico.
01:56É mesmo?
01:57Então, exercício físico, ele melhora não só o esvaziamento do intestino
02:01e faz com que os alimentos não fiquem tão estagnados
02:04e ali ele tenha a digestão correta, como também melhora na multiplicação dessas bactérias boas.
02:13Então, o exercício físico, ele tem muito a ver com isso.
02:16Atividade física, então, melhora a quantidade das bactérias boas.
02:19Sim, melhora.
02:20E aí você tem algumas informações que os músculos mandam, né?
02:24Para que haja uma melhor movimentação desse intestino
02:29e melhor produção de determinados hormônios que fazem bem para essas bactérias.
02:34Então, essa é a primeira parte.
02:35A segunda parte é a alimentação.
02:37Eu acho que a alimentação, acho que todo mundo que vem aqui fala isso,
02:40mas é aquela alimentação caseira, né?
02:42Então, procurar evitar alimentos industrializados em excesso.
02:47Então, comer bastante salada, verduras, legumes, beber bastante água,
02:51que é uma coisa importante, né?
02:53E essa produção de fibras, elas não só ajudam a movimentação do intestino,
03:00mas também servem para a comida, para essas bactérias se multiplicarem.
03:04As fibras, né?
03:05Você falou frutas, legumes, verduras.
03:07Você falou da hidratação.
03:08As fibras são os alimentos das boas bactérias, é isso?
03:12Das boas, de quase todas.
03:13Mas as boas bactérias, elas precisam dessas fibras.
03:16A gente chama isso de prebióticos.
03:18Prebióticos.
03:18Prebióticos, exatamente.
03:19Você falou prebiótico, está muito na moda probiótico, né?
03:22Então, o pessoal gosta de terceirizar a saúde, vai lá na farmácia,
03:27tem uma alimentação toda errada e compra ali um pacotinho de probiótico.
03:33O que acontece se eu tenho um ambiente, você falou muito do ambiente, né?
03:37Deixa eu tornar o meu ambiente favorável.
03:40Se eu sou sedentário, se eu não tenho uma boa alimentação.
03:45Se eu fumo, se eu bebo.
03:46Isso.
03:47Aí eu vou lá e compro probiótico e jogo aqui dentro.
03:50Qual a diferença?
03:52Primeiro, eu quero saber se o probiótico, esse que a gente compra na farmácia, tem um efeito positivo.
03:56Segundo, e qual a diferença?
03:59Eu tenho um estilo de vida ruim, um estilo de vida bom e joguei o probiótico.
04:05Qual a diferença de resposta?
04:06Ah, sim.
04:07Quem tem um estilo de vida adequado, dorme bem, se alimenta bem, se hidrata bem,
04:12tenta ter uma situação, status quo mental dentro dessa correria, principalmente das grandes capitais de bem-estar.
04:20Eu acho que quando ela faz uso do probiótico ou do prebiótico, sem dúvida nenhuma, a resposta vai ser ótima, né?
04:27Principalmente para as mulheres, né?
04:28Ah, é? Por quê?
04:29É, porque aí você...
04:31A gente sabe que esses probióticos, eles atuam na multiplicação dessas bactérias boas
04:37e a gente tem que lembrar algumas coisas importantes.
04:40Então, a atuação não é só ali.
04:42Então, às vezes, obesidade, às vezes, alteração de flora vaginal, né?
04:47Essas alterações hormonais que as mulheres têm, então, mexe com a motilidade.
04:51Então, isso é fundamental, tá?
04:53Então, é fundamental fazer...
04:54A mulher tem uma dificuldade um pouco maior de ir ao banheiro, verdade ou mentira?
04:59Verdade.
05:00É verdade, assim, uma pelo ciclo menstrual dela.
05:02Então, se ela está, por exemplo, ovulando, ela vai ficar mais obcipada.
05:05Se ela menstrua, libera por causa das alterações hormonais do próprio ciclo.
05:10Menopausa, que influencia muito com essas alterações hormonais, aí,
05:13realmente a mulher entra num ciclo complicado do pré-climatério, do climatério e do pós-climatério,
05:19que muitas vezes precisa ser feita algumas reposições para se ajudar.
05:23E eu acho que isso é fundamental.
05:26Então, a mulher, além de tudo, ela tem dificuldade, às vezes, de ir ao banheiro,
05:29ela está num lugar estranho, ela não se sente à vontade,
05:33então, ela acaba não indo ao banheiro.
05:35Então, isso, sem dúvida nenhuma, é uma das coisas que afeta.
05:38Mas, se a mulher fizer exercício, beber água, aquilo que nós falamos,
05:41e tiver uma flora intestinal, com certeza, ela vai ter uma melhora disso.
05:44Agora, você falou uma questão bem no início.
05:47É o seguinte, quando eu estou estressado, tal, isso reflete no meu intestino,
05:51às vezes, eu fico um dia ré, enfim.
05:55O estresse, como você falou, que é uma mão de via dupla,
06:00ele prejudica a qualidade desse ambiente do nosso intestino?
06:08Sim, porque, obviamente, se eu estou estressado,
06:13eu vou ter essa alteração das respostas.
06:17E aí, o que acontece?
06:18Se eu como alguma coisa que tenha um pouquinho mais de açúcar,
06:21que tenha um pouquinho mais de gordura,
06:22a resposta que o meu cérebro vai entender
06:25é que eu estou comendo alguma coisa muito grande
06:28e eu vou precisar trabalhar muito.
06:29Então, às vezes, eu posso ter uma diarreia.
06:31Então, eu vou fazer uma prova, estou preocupado,
06:33vou fazer uma viagem, tenho medo de andar de avião,
06:35de repente, vou no banheiro.
06:37Então, ou eu como alguma coisa que é um volume maior
06:41e essa mensagem não chega no meu cérebro.
06:44Então, ele tem algo muito importante para fazer de gestão
06:47e não pensa.
06:48A mensagem não chega.
06:49Então, essas mensagens hormonais que existem e enzimáticas,
06:54elas são todas alteradas pelo fator estresse.
06:57Então, a gente tem que lembrar que 75% da serotonina,
07:02que é importante para o bem-estar da gente,
07:05o humor e a dopamina, e 50% dela,
07:07são produzidas no intestino.
07:09Então, quando eu começo a ter essas alterações,
07:12acaba ficando um ciclo vicioso.
07:16Então, aí começa a ter síndrome de intestino irritável,
07:19começa a ter outras alterações,
07:21predispõe às doenças inflamatórias intestinais,
07:24como o retocolite, como o crom,
07:26começa a ter uma má formação intestinal.
07:29Então, normalmente, quem tem essas desbioses,
07:31que é a alteração da flora,
07:32fala assim, nossa, hoje eu estou com cólica,
07:35hoje eu estou com a barriga distendida,
07:37nossa, eu estou começando a ficar obstipado,
07:39ou estou começando a ter diarreia,
07:41o formato das fezes também fica diferente.
07:44Então, eu estou me sentindo mais cansado,
07:47eu não estou com uma energia legal.
07:49Então, isso realmente tem a ver com a ação
07:52do funcionamento intestinal.
07:54Você falou de ciclo vicioso e entrar no ciclo virtuoso.
07:58A saúde é integral, né?
08:00Então, você estava falando assim,
08:01a atividade física vai ajudar,
08:04o estresse pode piorar,
08:06tem a questão do sono.
08:07Então, você vê que a saúde é muito integral.
08:10Quando eu durmo,
08:12quando eu durmo bem,
08:13eu tenho mais vontade de me exercitar.
08:15Quando eu durmo mal,
08:16eu tenho mais preguiça,
08:18eu me movimento menos.
08:19Quando eu durmo bem,
08:21eu sou menos estressado,
08:24eu sou menos irritado,
08:25minha memória é melhor.
08:27Qual a importância
08:28e se tem alguma ligação do sono com o intestino?
08:32Tem, tem sem dúvida nenhuma.
08:33Então, por exemplo,
08:35uma coisa,
08:36um exemplo fácil
08:37que não tem muito a ver com a flora,
08:39mas se eu faço um jantar muito complicado,
08:43vou jantar tarde,
08:44vou numa festa,
08:45eu durmo mal.
08:46Eu vou acordar mal.
08:47Então, eu me sinto estufado,
08:49com uma ação de gases.
08:50Então, para vocês terem uma ideia
08:52de como é que funciona a coisa.
08:53Então, essa relação
08:55de sono
08:56e do que eu me alimento
08:59e o que eu tenho na minha flora intestinal
09:00é, assim, fundamental.
09:03Então, obviamente,
09:03se eu estou dormindo pouco
09:05e é o que você falou,
09:06vai afetar,
09:07eu vou engordar,
09:08eu vou aumentar a minha pressão,
09:09minha memória vai embora,
09:11meus hormônios do estresse
09:12vão aumentar,
09:13adrenalina,
09:13corticoide e tudo mais,
09:15e isso vai afetar
09:15o funcionamento intestinal
09:17e, sem dúvida nenhuma,
09:18vai começar a ter
09:19as alterações,
09:20que aí são a distensão,
09:22a pessoa começa a ter
09:23ductações,
09:24a rotar,
09:24começa a ter flatulência
09:26e aí acaba
09:27todo o estresse
09:28que a gente já conhece.
09:29O consumo de álcool
09:31tem um impacto
09:33na saúde do nosso intestino?
09:36Não só no intestino,
09:37mas em tudo, né?
09:38Então,
09:39mas basicamente
09:40no intestino,
09:41principalmente na parte gástrica,
09:44a gente tem
09:46que sempre quando for beber
09:48alguma coisa,
09:49estar hidratado,
09:51beber e comer,
09:52porque o álcool
09:53ele é absorvido muito
09:54no tubo digestivo,
09:55então quando eu como,
09:56meio que empurra
09:58essa comida
09:58para a segunda porção
09:59do odenal
10:00e aí evita
10:02de eu ter gastritis,
10:03de eu ter refluxo
10:04e tudo mais.
10:05Então esse é um ponto.
10:07Segundo é a quantidade
10:08de álcool
10:08que eu vou beber.
10:09Então,
10:10as cervejas,
10:11elas têm menos álcool,
10:13mas têm mais gás.
10:14Tem,
10:15por exemplo,
10:15tem 7.5 GL,
10:17que chama Gay Lussac,
10:18cada 100 ml
10:18tem 7 de álcool
10:20na latinha,
10:22por exemplo.
10:23E se você for tomar vinho,
10:24chega a 14,
10:25se você tomar uma vodka,
10:26chega a 15.
10:27Então,
10:28obviamente,
10:28este álcool não só vai irritar o intestino,
10:32mas vai alterar as permeabilidades desse intestino,
10:36vão fazer que haja uma reação inflamatória nesse local,
10:41que vai causar talvez um crescimento de algumas bactérias não muito interessantes.
10:46A gente sabe,
10:48pelo que você está falando
10:49e que a gente conhece,
10:51que a atividade física,
10:53a alimentação,
10:55o sono,
10:56consumo de álcool moderado
10:57ou não beber,
10:58tudo isso vai impactar
10:59na saúde do nosso intestino.
11:02Mas acho que nunca teve
11:04tanto caso
11:06de câncer de intestino
11:07em pessoas com menos de 50 anos.
11:10Existiu uma recomendação
11:11de fazer colonoscopia
11:13a partir dos 50,
11:14agora baixando para 45.
11:17Qual é a recomendação
11:19de fazer esse exame
11:20de rastreamento
11:22no nosso intestino?
11:23A gente fazia antes acima dos 50,
11:25nós fomos abaixando
11:26porque realmente aumentou a incidência.
11:28O que aumentou?
11:29Principalmente as grandes capitais.
11:33Quando você compara,
11:34por exemplo,
11:35lugares fora das grandes capitais,
11:38ela é três vezes menor
11:39do que em relação às capitais.
11:41Nós não estamos falando de estresse de vida,
11:42nós estamos falando de qualidade de vida.
11:44Então, o que nós falamos,
11:45de novo,
11:45dormir,
11:47comer,
11:48beber,
11:48sedentarismo
11:50e tudo mais.
11:50Qualidade do ar pode influenciar?
11:53Pouco.
11:54É mais para doenças pulmonares
11:56e cardíacas.
11:58Mas assim,
11:58nessa parte de câncer,
12:01a gente viu que
12:02essa geração
12:05de 35 até 55
12:07é uma geração que bebeu mais,
12:10que fumou mais,
12:11que comeu errado,
12:13que dormiu pouco
12:13por causa de noites,
12:16de baladas e afins.
12:18E aí no dia seguinte
12:18tem que continuar trabalhando,
12:20então você vai colocando
12:21como se não tivesse o amanhã.
12:23Coisa que a gente não está vendo
12:24nessa geração de 15 a 25 anos,
12:27que está parando de fumar,
12:29está conversando,
12:30bebe menos,
12:31estão fazendo esporte,
12:32que é uma coisa muito legal isso.
12:34Então, a gente viu isso.
12:36Existem,
12:37o câncer sempre surge
12:38de um pólipo intestinal.
12:41Então,
12:41aí o que acontece?
12:43se eu tiver
12:45esse pólipo,
12:46pode acontecer
12:47de uma maneira incidental,
12:48porque eu bebi demais,
12:50fumei demais,
12:50comi muita carne vermelha,
12:52não que a carne vermelha cause,
12:53mas o excesso dela,
12:55embutidos,
12:55enlatados,
12:56eu não como fruta,
12:57eu não como fibras,
12:59então,
12:59obviamente,
13:00vai aparecer
13:01mais esse tipo
13:02de situação.
13:03Então,
13:04esses são
13:04cânceres incidentais.
13:06Existem os familiares,
13:07se eu tenho alguém
13:08na família que tem,
13:09eu aumento duas,
13:10três vezes.
13:10Então, por exemplo,
13:11pai, mãe, irmãos,
13:12próximos aumentam.
13:13Então,
13:13eu tenho que rastrear antes.
13:15Então,
13:15se antes foi uma coisa incidental,
13:17mas se eu tenho alguém
13:18na família,
13:19e antes eu fazia com 45,
13:20eu tenho que fazer com 35.
13:22Nossa, 35.
13:23E tem o,
13:24aí a gente vai acompanhando.
13:25E o genético,
13:26tá?
13:26Que são doenças polipóis
13:29ou outros tipos de
13:30alterações genéticas
13:31que dão mais câncer.
13:32Aí,
13:33você tem que fazer
13:33um acompanhamento
13:34desde a adolescência.
13:35Todo pólipo
13:36evolui para câncer?
13:38Os hiperplásticos,
13:39não,
13:40quando são reacionais.
13:41Mas os adenomatosos
13:43vão virar câncer.
13:44Então,
13:44aí você só vai saber
13:45fazendo a biópsia
13:46quando você tira o pólipo,
13:47é isso?
13:48É,
13:48por isso que é importante
13:49fazer a colonoscopia,
13:50porque você chega antes.
13:51Então,
13:51quando você chegar antes
13:52no câncer,
13:53você ganha a briga.
13:54Então,
13:55é uma doença percussora.
13:56Então,
13:56você tira esse pólipo,
13:58você cura o doente.
13:59E aí,
14:00deu pólipo,
14:00no ano seguinte,
14:01você faz a colonoscopia de novo.
14:03Se não tiver,
14:04você faz a cada três.
14:05e se não tiver depois,
14:06a cada cinco anos.
14:08Existem outras coisas
14:09fora a colonoscopia
14:10para quem não pode fazer.
14:12Existe agora
14:12teste genético
14:13nas fezes.
14:14Você faz o rastreamento
14:17de genes
14:18no intestino.
14:19Então,
14:20por exemplo,
14:20para pacientes
14:20que não têm condições
14:21por causa de problemas cardíacos
14:23ou do preparo,
14:24já existem esses exames
14:26aqui no Brasil.
14:27Chegaram,
14:27já fazem dois,
14:28três anos.
14:29E a gente consegue
14:30controlar bem esses pacientes
14:31na investigação.
14:32E aí,
14:33funciona até para uma população
14:34mais idosa,
14:35que aí fazer a colonoscopia
14:36aumenta o risco.
14:37Aumenta o risco.
14:38Então,
14:38a gente faz até uma certa idade
14:40e depois surgem as comorbidades
14:42e a gente pode partir para isso.
14:43E junto com outras coisas,
14:44como exames de imagem,
14:47alguns exames de sangue,
14:48a gente consegue acompanhar.
14:49Eu vou te fazer
14:50uma pergunta aqui.
14:51Eu já vi muita gente
14:53colocando,
14:55responsabilizando
14:56a nossa microbiota
14:58por uma série de coisas.
14:59e há um tempo atrás,
15:01foi até mais moda,
15:03existiu o transplante
15:04de fezes.
15:05Tá.
15:06Isso é eficiente?
15:07Tem evidência científica?
15:10Então,
15:10a gente usa o transplante
15:12para pacientes
15:13que têm algumas
15:14diarreias intratáveis.
15:15No começo foi uma coisa
15:17muito complicada,
15:18tiveram alguns pacientes
15:19que tiveram alguns quadros
15:20infecciosos graves,
15:22tá?
15:22Mas hoje,
15:26basicamente,
15:26a gente usa
15:27para pacientes
15:29que têm quadros diarreicos
15:30que a gente já investigou,
15:32já fez todo o tratamento,
15:34é feita uma pesquisa
15:35dessa microbiota intestinal,
15:37todo o código genético
15:38da flora intestinal
15:40que você tem
15:41e aí,
15:41em cima disso,
15:42a gente pega alguém
15:43que é saudável
15:44e faz esse transplante
15:45com melhora.
15:46A gente tem alguns casos
15:48que realmente o paciente
15:49estava de uma forma debilitante,
15:50não melhorava com absolutamente nada.
15:52afastando todos os outros casos
15:54de alteração pancreática,
15:56de alergias,
15:57intolerâncias,
15:59doenças inflamatórias intestinais.
16:01Uma vez que você rastreou
16:02e não achou absolutamente nada
16:04e esse paciente
16:05tem esse tipo de problema,
16:06aí eu acho que está
16:07super bem indicado.
16:08Agora,
16:08a microbiota,
16:09é verdade que ela é igual
16:10a nossa impressão digital?
16:12Cada um tem o seu?
16:13Isso você constrói ali
16:14nos primeiros momentos de vida?
16:18Sim.
16:18Quando você nasce,
16:19então existe uma diferença,
16:20por exemplo,
16:21de parto normal de cesárea.
16:22Então,
16:23quando o neném nasce,
16:25ele vai passar pelo
16:26conduto vaginal da mãe
16:28e ali ele já tem
16:29o primeiro contato
16:31com lactobacillus
16:32da flora vaginal.
16:33Então,
16:34ali já serve
16:35como proteção.
16:36O aleitamento materno também.
16:38Então,
16:38isso ajuda,
16:39que são os lactobacillus
16:41que alterem.
16:42E aí,
16:42a gente vai vendo
16:43essa melhora.
16:45Aí a criança tem,
16:46por exemplo,
16:46bichinhos,
16:48brinca na terra,
16:49essas coisas,
16:50ele vai ganhando o quê?
16:51imunidade e adquirindo
16:52algumas bactérias
16:55que são interessantes.
16:56Então,
16:57as crianças hoje
16:58aqui em São Paulo,
16:59elas andam como astronautas,
17:00né?
17:01Assim,
17:01com muito pouca.
17:02Então,
17:03bons tempos que você brincava,
17:05você fazia essas coisas,
17:06você conseguia as coisas.
17:07Então,
17:07normalmente você acaba
17:08não tendo esse contato
17:09e isso vai acabar
17:10refletindo no futuro
17:12alguma doença
17:13inflamatória intestinal,
17:15alguma outra encrenca
17:16por causa disso.
17:17Então,
17:18quando o teu sistema imune
17:19tenta se defender,
17:21ele exagera na resposta
17:23de uma coisa
17:23que era pra ser assim,
17:24ele dá um tiro de canhão
17:25e por isso que surge,
17:26às vezes,
17:27o Crohn,
17:27a retocolite
17:28e outras,
17:29é uma das causas,
17:30às vezes,
17:30são outras causas,
17:31claro.
17:31E hoje,
17:32você estava falando,
17:33né,
17:33do comportamento
17:35das gerações.
17:37Essa é uma geração
17:38que acho que nunca
17:38consumiu tanto café.
17:40Sim.
17:41Impressionante
17:41como se consome café.
17:43Você falou dos energéticos,
17:45é uma febre,
17:46né,
17:46seja pra se manter acordado,
17:48pra balada,
17:49pra atividade física.
17:52Você consegue imaginar
17:54que um comportamento,
17:56assim,
17:57de hábitos
17:57de uma geração
17:58pode encontrar
18:00daqui a pouco
18:01uma maior incidência,
18:03por exemplo,
18:04de problemas no estômago
18:05por conta desse tipo
18:06de comportamento?
18:08Sim,
18:08é assim,
18:09uma coisa é clássica.
18:10Então,
18:11por exemplo,
18:11nós somos câncer de colo,
18:12a gente já,
18:13você já matou a charada.
18:14Então,
18:15disso que você está falando
18:15é uma coisa importante.
18:16Então,
18:16por exemplo,
18:17antigamente,
18:18quando eu era mais jovem,
18:20eu pegava muito câncer
18:21de esôfago
18:22em pacientes,
18:23do esôfago médio.
18:25Então,
18:25eram pacientes que fumavam,
18:27pacientes que,
18:27que uma outra carácter,
18:29bebiam muito.
18:30E aí,
18:31a gente está pegando agora
18:32câncer na parte distal
18:34do esôfago,
18:35porque eles estão tendo
18:36mais refluxo.
18:37Então,
18:37por que eles têm mais refluxo?
18:38Porque eu bebo,
18:39eu relaxo mais a cárdia,
18:42que é a válvula que separa
18:43sombra do esôfago,
18:44eu tenho mais irritação,
18:46mais predisposição a ter BART,
18:48que é uma lesão no esôfago.
18:50E aí,
18:50todo o tecido atípico
18:51que sofre uma agressão ácida,
18:53dá mais câncer.
18:55Então,
18:55a população também engordou mais,
18:57porque estava mais sedentária.
18:59Então,
19:00o excesso de peso
19:01com alimentação inadequada,
19:03rico em gorduras,
19:04e rico em cafeína e bebida alcoólica,
19:07deu mais câncer,
19:08principalmente de esôfago,
19:10que não era uma coisa tão comum.
19:12E os cânceres de estômago diminuíram,
19:14por incrível que pareça,
19:15que nós estamos tratando helicobacter,
19:17que é o pilórico,
19:18que é o grande responsável pelos cânceres.
19:20O cigarro,
19:21ele é fator de risco?
19:23Muito.
19:23Para tudo.
19:24Para a intestina?
19:24Para tudo.
19:25Para tudo.
19:25Piora as doenças inflamadoras intestinais,
19:29principalmente o Crohn,
19:31ele piora a própria oxigenação das células
19:37de uma maneira geral.
19:39Lembrando que a nicotina é uma coisa
19:40que dá um relaxamento,
19:42é por isso que a pessoa fuma.
19:43Então, ela relaxa,
19:44ela fica bem.
19:44Mas tem 4 mil compostos cancerígenos,
19:47então aumenta câncer de bexiga,
19:49câncer de pulmão,
19:50câncer de laringe,
19:52então todos os tipos de cânceres
19:54estão relacionados diretamente ao cigarro.
19:56Se eu paro de fumar,
19:57eu saio do grupo de risco em 2, 3 anos
19:59para as doenças cardíacas,
20:04mas eu ainda fico 5 anos
20:06meio que em risco de ter algum câncer.
20:10Então, a gente sabe que quando os pacientes
20:12estão começando a ter mutações no intestino,
20:14estão começando a ter pólipo,
20:16e eu tiro o cigarro,
20:17existe uma regressão dessas mutações.
20:20Então, o cigarro, sem dúvida nenhuma,
20:23não é uma coisa legal.
20:24Tá bom.
20:25E aí, enfim,
20:26para encerrar esse nosso bate-papo,
20:28você estava falando muito
20:29que a atividade física,
20:30ela tem um papel aí,
20:32vamos dizer, até protetor, né?
20:34Então, inserir essa atividade física
20:36no nosso dia a dia.
20:38Qual a dica?
20:38É com regularidade?
20:40É mais a atividade aeróbica?
20:42Que dica que você poderia dar
20:44em relação à atividade física
20:45para a saúde do nosso intestino?
20:47É você o mestre, né?
20:48Mas eu vou passar vergonha aqui.
20:51Mas vamos lá.
20:52Eu acho que assim,
20:53de acordo com cada faixa etária,
20:55eu acho que a gente tem que respeitar
20:56o tipo de exercício.
20:58Então, se a pessoa fizer exercícios aeróbicos,
21:02seja uma natação,
21:03que eu acho que é um exercício excelente,
21:05seja a bicicleta,
21:07que também é ótimo sem impacto,
21:09ou corridas, né?
21:10Não estou falando ultramaratonas,
21:12mas corridas leves,
21:13vai super bem.
21:14E uma musculação,
21:15eu acho que é fundamental
21:17para evitar a sarcopenia.
21:19Então, isso é uma coisa fundamental.
21:21Para as pessoas que têm
21:22um pouco mais de dificuldade,
21:24eu acho que o pilates
21:25é uma coisa que ajuda muito,
21:27alonga, reforça,
21:28vai super bem.
21:30E se possível, né?
21:32Eu acho que a gente...
21:33Eu sou de uma geração
21:34que a gente faz esporte.
21:35Você, como esportista,
21:37é pesado, né?
21:38Então, você jogava bola,
21:40fazia as coisas.
21:40Então, era gostoso
21:41que você competia.
21:42Hoje, você está dentro
21:43de uma academia
21:43que acaba com fone de ouvido,
21:45e você não interage.
21:46Fica mais uma coisa mecânica.
21:48Se puder fazer um esporte coletivo,
21:50seja um futebol,
21:52ou jogar um tênis.
21:55Olha, qualquer coisa está bom.
21:56Saindo do sedentarismo,
21:58já está ótimo.
21:59Faça o que você gosta,
22:00não uma coisa forçada.
22:01E fazer esporte,
22:03quando a gente fala,
22:03é para ficar o quê?
22:06Saudável e não bonito.
22:07A beleza vem secundariamente a isso.
22:10Em consequência.
22:11Você estando com um rosto
22:12tranquilo, sereno,
22:14você dormiu bem
22:15porque você fez um esporte,
22:16e aí você vai comer,
22:17você fala,
22:18eu não vou comer isso
22:19porque eu já fiz esporte,
22:20eu não vou sacanear
22:21a minha atividade física.
22:23Eu não vou beber
22:23porque no dia seguinte
22:24eu não sinto bem
22:25para fazer esporte.
22:26Você acaba mudando
22:27o seu estilo de vida.
22:29É isso que você falou,
22:30uma coisa que eu costumo
22:30falar muito,
22:31que a atividade física,
22:32ela tem esse poder
22:33de contaminar para o bem
22:35os outros hábitos, né?
22:36E você exemplificou muito bem, né?
22:38Pô, eu vou jogar,
22:38então vou beber,
22:40pô, eu treinei tão bem,
22:41por que eu vou agora
22:43comer isso tudo?
22:44Então uma coisa vai
22:45contaminando a outra.
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