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As forças militares dos Estados Unidos e do Irã protagonizaram novos ataques na região estratégica do estreito de Ormuz neste sábado (06). O avanço das hostilidades amplia o impasse na diplomacia e ameaça o cessar-fogo. Paralelamente, um relatório do Pentágono acendeu o alerta em Washington ao apontar um crescimento nos riscos de espionagem por parte de Israel contra os americanos.
Confira na íntegra: https://youtube.com/live/Fl3BnveVnn4

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Transcrição
00:00Estados Unidos e Irã, que voltaram a trocar ataques neste sábado na região do Estreito de Hormuz.
00:06A ação foi confirmada pelo exército norte-americano em um movimento que pode dificultar as negociações entre os países.
00:14Nosso correspondente Luca Bassani chega ao vivo com todos os detalhes.
00:18Luca, o que se sabe sobre esses ataques até agora?
00:23Boa tarde a você também, Fabrício, a todos que nos acompanham aqui em mais um JP Internacional.
00:28De fato, uma situação preocupante que mostra a precariedade deste cessar-fogo e é vigente, teoricamente, desde abril entre Estados
00:37Unidos e Irã.
00:39De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos, eles realizaram novos ataques a um radar, um sistema de radares
00:48que fica muito próximo do Estreito de Hormuz,
00:50além de terem abatido outros quatro drones que alegam estar sobrevoando águas internacionais e que tinham a possibilidade de engajarem
01:00-se com as embarcações norte-americanas.
01:04Isso, então, foi confirmado pelos norte-americanos e que coloca em xeque, mais uma vez, este processo de paz que
01:12vem tramitando ao longo das últimas duas semanas,
01:15mas sem avanços concretos. A guarda revolucionária iraniana disse que, em retaliação, atacou bases norte-americanas no Kuwait e no
01:24Bahrein.
01:25Até agora, os Kuwaites também confirmaram essa ação, dizendo que conseguiram abater pelo menos sete artefatos bélicos que estavam no
01:34seu espaço aéreo.
01:35Lembrando que o Kuwaites também foi alvo de um ataque em um dos seus aeroportos ao longo dessa semana, ou
01:41seja, apesar do cessar-fogo, apesar da pressão internacional
01:45para que haja conversas, tratativas diplomáticas, este cessar-fogo não tem se provado muito eficaz em evitar novas hostilidades, já
01:54que não é a primeira vez que isso acontece,
01:57e tudo isso, como você bem disse na introdução, dificulta o processo de paz.
02:02O presidente Donald Trump disse, através das suas redes sociais, que não é necessário ter preocupação, já que, segundo ele,
02:09os iranianos querem, sim, um acordo.
02:11Todavia, todas as informações oficiais veiculadas pelo líder supremo Mostaba Raminei ou outros membros sênior do governo iraniano indicam o
02:21contrário.
02:22Eles vendem essa guerra como uma grande vitória dos iranianos contra os Estados Unidos e dizem que não vão aceitar
02:29os termos colocados por hora pelos Estados Unidos,
02:32que envolvem não só a remoção do material radioativo previamente, antes da guerra do seu território,
02:39mas também a paralisação das suas atividades militares em relação aos mísseis balísticos,
02:44o financiamento aos grupos terroristas e também exigem a liberação de fundos iranianos no exterior,
02:51ou seja, a suspensão das sanções econômicas que há muitos anos têm prejudicado o país.
02:56Não há indícios que os Estados Unidos vão aceitar esses termos.
03:00Então, aquilo que podemos concluir é que há um impasse que complica todo esse processo de negociação
03:06e demanda ainda mais estratégia por parte dos diplomatas, sejam paquistaneses, sejam turcos, sejam os norte-americanos
03:15ou os próprios iranianos que estão há muitas semanas tentando tirar do papel essas tratativas,
03:22mas até agora não conseguiram fazer nenhum anúncio para a comunidade internacional,
03:27algo que a gente com certeza vai ficar monitorando durante os próximos dias,
03:31mas, afinal, os impactos econômicos são sentidos no bolso, seja aqui na Europa, seja também aí no Brasil,
03:38por conta do alto preço dos combustíveis.
03:40É, com avanço ou sem avanço na negociação, pelo menos se algo serve de alento,
03:45é que esses ataques que estão acontecendo, e semana passada a gente viu a mesma coisa na cidade de Bandarabá,
03:50cidade portuária lá do Irã, é que esses ataques têm sido pontuais,
03:54ou seja, eles não têm desencadeado novos ataques entre Irã e Estados Unidos ali na região do Oriente Médio.
04:01Luca, queria que você me contasse o seguinte, um relatório do Pentágono aponta para uma alta no risco de espionagem
04:07de Israel contra os Estados Unidos. O que é que estão dizendo as agências de inteligência estrangeiras?
04:15Pois é, Fabrício, essa semana ficou marcada também por um embate diplomático telefônico entre os Estados Unidos e Israel,
04:24e essa informação que foi veiculada primeiramente na imprensa e depois confirmada pelo premier Benjamin Netanyahu,
04:30já que houve uma espécie de troca de xingamentos quando Donald Trump e Benjamin Netanyahu se telefonaram no início desta
04:38semana.
04:39Donald Trump dizendo que as ações israelenses no Líbano estariam colocando a perder todo o processo de negociação
04:46e chamou Netanyahu de completamente louco.
04:48Nesse sentido, de acordo com o relatório do Pentágono, houve um aumento das operações de espionagem israelenses
04:57dentro dos serviços norte-americanos, seja o próprio exército, sejam outras divisões que também têm a ver com a guerra
05:06em curso.
05:07É bom a gente dizer à nossa audiência que essas operações de contra-espionagem, né?
05:12A CIA espionando os israelenses e a Mossad, o Ashin Beit, também espionando os norte-americanos,
05:17é algo corriqueiro e até mesmo tolerado, mas que até este presente momento não tinha chegado a um nível crítico.
05:26Algo que mudou de acordo com este relatório, falando que os israelenses têm feito cada vez mais
05:32essas operações de espionagem para tentar descobrir informações críticas durante o processo de negociação
05:38e que isso poderia servir como uma espécie de esforço de sabotagem,
05:43já que de acordo com alguns veículos de imprensa dos próprios Estados Unidos,
05:48os israelenses teriam interesse na continuidade da guerra mais do que os próprios norte-americanos.
05:54Então aí há uma espécie de divergência em objetivos militares entre os dois parceiros
06:00que para todos os efeitos continuam bastante unidos e compartilhando inteligência enquanto realizam operações.
06:06Inclusive, esta guerra que acontece no Oriente Médio desde fevereiro é o episódio militar
06:11que mostra a maior parceria, a maior compartilhamento de informações e de estratégias táticas
06:17entre Estados Unidos e Israel, desde que se tem notícia, até mesmo desde o início da fundação do Estado de
06:23Israel
06:23no final dos anos 40.
06:24Então é um momento tenso, as relações não estão no seu ponto melhor possível,
06:30mas com certeza isso não sirva para acabar de uma vez por todas com essa aliança que é vista como
06:36fundamental.
06:36Tanto por Tel Aviv quanto para Washington, obviamente que os próximos passos serão fundamentais
06:42e aquilo que acontece no Líbano pode ter um efeito direto nas negociações que acontecem entre Estados Unidos e Irã,
06:50já que os iranianos condicionaram a continuação dessas tratativas a uma trégua também na frente libanesa.
06:58Lembrando que os Estados Unidos pedem para que Israel não continue avançando no território
07:03e cesse também as suas operações na capital Beirute, que foi severamente bombardeada ao longo dos últimos três meses.
07:10Pois é, e gera aquela dúvida, né?
07:12Quem é que segura a rédea de quem?
07:13São os Estados Unidos que seguram as rédeas de Israel ou se é o contrário?
07:17São os Estados Unidos que seguram as rédeas de Israel.
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