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Autoridades brasileiras, incluindo ministros e integrantes do Judiciário, participaram de um evento em Londres com Daniel Vorcaro, investigado no caso Master. O encontro contou com uma degustação de whisky que teria custado mais de R$ 3 milhões, pagos pelo banqueiro. A reunião foi citada em sessão fechada do Judiciário e levou ao afastamento de Dias Toffoli da relatoria do inquérito.
Assista na íntegra: https://youtube.com/live/a2LE0G5eT4o
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NotíciasTranscrição
00:00Várias notícias importantes para começar, apesar de negar, ministros e várias outras autoridades,
00:06inclusive algumas que investigam o caso do Banco Master, se reuniram com Daniel Vorcaro em abril do ano passado
00:13para um evento realizado em Londres.
00:15Esse encontro contou com a presença do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski,
00:21também do presidente da Câmara Federal, Hugo Mota, do procurador-geral da República, Paulo Gonê,
00:26do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Benedito Gonçalves, do diretor-geral da Polícia Federal, André Rodrigues,
00:36dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e também Alexandre de Moraes,
00:41além de outros que participavam do primeiro fórum jurídico Brasil de Ideias,
00:46que era patrocinado justamente pelo Banco Master.
00:50Segundo documentos da organização, a experiência de degustação de uísque
00:55custou mais de 3 milhões de reais, pagos por Vorcaro,
00:59e incluiu um serviço gastronômico de entretenimento em um clube privado
01:04na região de Mayfair, uma das áreas mais caras, mais nobres da capital britânica.
01:09Esse encontro foi mencionado na sessão fechada do Judiciário no início de fevereiro,
01:15que resultou no afastamento de Dias Toffoli da relatoria do inquérito
01:20que justamente investiga o Banco Master.
01:23Chamar os nossos comentaristas?
01:25Vamos ao Rio de Janeiro.
01:26O Roberto Mota está conectado ao vivo com a gente.
01:29Mota, seja bem-vindo.
01:31Uma ótima noite a você.
01:32A cada dia, uma informação adicional em relação ao caso que envolve o Banco Master.
01:38A notícia de hoje diz respeito a um evento que foi bancado por Daniel Vorcaro
01:43e que reuniu muitas autoridades, hein, Mota?
01:46Quais aspectos dessa notícia devemos tratar aqui com a nossa audiência?
01:50Bem-vindo mais uma vez.
01:52Boa parte da Cúpula da República junta degustando uísque em Londres.
02:01Isso fez parte de um evento chamado Primeiro Fórum Jurídico Brasil de Ideias.
02:08Quer ideia melhor do que degustar uísque de graça?
02:13Em Londres, um dos hábitos das autoridades brasileiras
02:18é debater o Brasil em eventos no exterior.
02:23Uma das sessões desse evento, desse Fórum de Ideias,
02:29teve como tema o papel do judiciário para a estabilidade democrática.
02:35Outra sessão discutiu o tema
02:38As instituições na defesa da igualdade social e econômica.
02:45O nosso espectador não vai deixar de notar a ironia
02:51de discutir igualdade social e econômica
02:55degustando um uísque fino em um clube exclusivo em Londres.
03:03Pois é, notícia que hoje estampa a capa dos principais jornais,
03:07portais de notícias.
03:08Vamos chamar o Luiz Felipe Dávila para analisar também esse destaque.
03:13O evento foi realizado em Londres, na Inglaterra.
03:16Um evento jurídico que acabou reunindo uma série de autoridades,
03:20pessoas importantes, muitos representantes dos poderes da República.
03:24E aí um evento paralelo, uma degustação de um uísque muito conhecido,
03:28um uísque importado, e aí várias dessas autoridades participaram.
03:32E a empresa que bancou, que patrocinou esse evento, o Banco Master.
03:37Luiz Felipe Dávila ao vivo aqui com a gente.
03:39Dávila, seja bem-vindo, uma ótima noite a você.
03:42Quais são os aspectos que devemos tratar em relação a essa notícia, a esse evento?
03:47Fala-se em conflito de interesses?
03:49Mas eu acho que vai muito além disso, né, Dávila?
03:53Caniato, boa noite a você, aos meus colegas.
03:57Vamos começar colocando os pingos nos is.
04:00Isto não é um evento jurídico, isto é um evento de lobby.
04:05Lobby é você dar uma roupagem de evento que vai discutir grandes ideias brasileiras fora do Brasil,
04:14e arma esta degustação de uísque, tudo isso.
04:19E aí eles podem justificar, assim, viagem a serviço, né?
04:24A serviço de quem?
04:25Ah, não, vamos lá discutir grandes ideias do Brasil.
04:27E aí aprova todo mundo, todo mundo pode viajar, pode viajar parlamentar, pode viajar juiz.
04:33Todo mundo ali tem uma desculpa oficial pra passar uns dias em Londres,
04:38fazer comprinhas, tomar uísque e participar de um seminário.
04:42Um seminário que nós vimos como o Vorcaro se gabou com a sua namorada,
04:48que ele tinha reunido todos os pesos pesados da república,
04:53e só tinha ele ali como grande anfitrião.
04:56Ou seja, tudo parte desse jogo de gangster mafioso,
05:03feito pelo Banco Master para cooptar autoridades,
05:07para fazer com que essas autoridades ajudassem,
05:10desse uma forcinha pro Banco Master nas suas tramóias.
05:15De precatório, pagamento de propina,
05:20dinheiro que poderia vir através de grandes acordos,
05:24ou com escritórios advocatícios,
05:27ou custos de palestras,
05:29ou qualquer outra desculpa,
05:30para tentar aliciar a república inteira
05:36nesta república da picaretagem criada pelo Banco Master.
05:41Pois é, o evento teve um custo de pouco mais de 640 mil dólares,
05:46câmbio da época,
05:48algo em torno de 3,2 milhões de reais,
05:52e várias figuras importantes participaram desse encontro
05:56em um clube chamado George Club,
06:00que fica justamente em uma das áreas mais chiques,
06:03mais requintadas de Londres, na Inglaterra.
06:06Chama o Bruno Musa,
06:07o Bruno também está acompanhando esses desdobramentos,
06:10essa é a principal notícia do dia,
06:11quando a gente fala do caso do Banco Master.
06:14Musa, seja muito bem-vindo,
06:16ótima noite a você,
06:17inclusive os portais se dedicaram a trazer a relação
06:22das autoridades,
06:23as figuras que representam várias instituições brasileiras
06:27e que participaram dessa degustação,
06:29desse uísque muito conhecido
06:31para aqueles que gostam da bebida.
06:33Bem-vindo.
06:35Boa noite, Caniato,
06:36boa noite a todos da bancada
06:38e quem nos escuta por todo o Brasil
06:40nesse mais um dia de novos dados
06:42que cada vez mais nomes aparecem,
06:45nomes importantes de todas as instituições
06:47que comandam a república,
06:49mas chegamos no tal nível de escárnio
06:51que as coisas não surpreendem mais.
06:54Um uísque desse, como você mencionou,
06:56qualquer pesquisa básica
06:57mostra que não sai por menos de 3 mil reais.
07:00O que são 3 mil reais em uma garrafa?
07:02Frente a tudo que estamos falando,
07:04contas do pai do Vorcaro, por exemplo,
07:06com dinheiro de 2,2 bilhões de reais.
07:09Festas que custaram bilhões,
07:12somando absolutamente tudo
07:13que a gente já vem falando por aqui.
07:15é realmente um nível impressionante.
07:18Quando nós entendemos que a inflação
07:20ela toma conta da corrupção no Brasil,
07:23aqui talvez a gente pode dizer
07:24que a hiperinflação no Brasil
07:26ela cresce dentro da corrupção.
07:29O que era 100 milhões no mensalão
07:31se torna mais de 60 bilhões agora,
07:33alguns anos depois.
07:35Isso é muito mais do que qualquer inflação.
07:37E o nome, infelizmente, não surpreende os nomes.
07:41Mas são nomes de cabeças,
07:43de cada uma e de todas as instituições importantes
07:47que comandam a República Brasileira.
07:49Uma república que está em frangalhos,
07:51que assim como a União Soviética,
07:52ruiu de podre por dentro.
07:54Talvez o Brasil esteja chegando nesse ponto,
07:56onde apenas uma maçã completamente apodrecida
08:00quando cai,
08:01é talvez o caminho que o Brasil esteja trilhando.
08:05Ou talvez já bastante próximo dele.
08:07Se todas as instituições estão envolvidas
08:10e não há mais credibilidade em nenhuma dessas,
08:13afinal de contas,
08:14as instituições não são nada
08:16sem os nomes e CPFs que compõem
08:19e que tomam decisões por elas.
08:21E todos eles foram expostos nesses nomes
08:23que foram divulgados hoje em dia.
08:26Todas as instituições brasileiras ruíram.
08:29O Brasil precisa mudar.
08:30Pois é, a notícia em destaque,
08:32Daniel Vorcaro se reuniu com autoridades
08:34que têm alguma conexão
08:36com a investigação em curso hoje em dia.
08:40De volta aqui em Os Pingos nos Is,
08:42o Cristiano Beraldo ao vivo com a gente
08:44aqui no estúdio em São Paulo.
08:45Beraldo, seja bem-vindo.
08:47Uma ótima noite a você.
08:48Vários aspectos que envolvem o caso do Banco Master.
08:51Nós falávamos nas últimas semanas
08:53que notícias relacionadas às festas,
08:56os eventos,
08:57essa vida extravagante,
08:58muito cara de Daniel Vorcaro,
09:00ajudaria mais nos cliques,
09:03na audiência dos portais de notícia
09:04por conta de contratação de garotas de programa,
09:07gastou tanto com artista A, B ou C.
09:10Mas, nesse caso,
09:12rende clique,
09:13mas também talvez ajude na investigação.
09:15Quais aspectos dessa informação precisam ser destacados?
09:18Bem-vindo.
09:19Boa noite, Caniato.
09:21Boa noite aos meus colegas de bancada.
09:24Boa noite à nossa audiência.
09:25É sempre um prazer estar aqui com vocês.
09:27E a gente está diante de um Brasil
09:29que precisa urgentemente de um código de ética.
09:33O Brasil não sabe mais o que é ética.
09:36E esse caso do Banco Master
09:39vem revelando detalhes
09:41que, para todas aquelas pessoas
09:43que pensam o Brasil,
09:45fica muito evidente
09:46que o projeto de país que tínhamos,
09:49e que eu considero que
09:50é fruto de uma semente plantada
09:52em 1988,
09:54com a tal Constituição Cidadã,
09:57esse Brasil deu muito errado.
09:58E a gente tem que ter muito cuidado
10:00nesse caso, Caniato,
10:01para que não se desvirtue
10:03aquilo que realmente é importante.
10:05Veja que, nos últimos dias,
10:07a partir de uma revelação
10:09de conversas íntimas,
10:11que não tem boa parte dela
10:13nada a ver em si com atos cometidos,
10:16mas revelam intimidades de um casal,
10:18a notícia do Master
10:20saiu das páginas policiais
10:22e povoou as páginas de fofoca.
10:24Agora, nós estamos aí diante
10:26de um converscote,
10:27um encontro de grandes autoridades brasileiras
10:30que foram degustar uísques caríssimos.
10:33Mas o principal
10:35não é aquele encontro em Londres
10:38com essas autoridades.
10:39O principal é o hábito
10:42que se tornou no Brasil,
10:44como bem nos lembrou o Dávila,
10:46de se realizar esses encontros internacionais
10:50como se fora do Brasil
10:51a ética, então, realmente não precisasse
10:55mais ser levada em conta.
10:56Este é um de talvez centenas de encontros
11:00que acontecem cotidianamente,
11:03mundo afora,
11:05sempre com um patrocinador,
11:07sempre com alguém bancando,
11:09sempre com o encontro.
11:10Não é possível a gente afirmar
11:11que neste encontro específico
11:13houve ali conversas inapropriadas
11:16ou se discutiu alguma coisa
11:18ilegal ou criminosa,
11:20mas o principal
11:22que nos revela
11:24esse encontro em Londres
11:25é como
11:26houve uma transformação
11:29do propósito,
11:30do exercício da função pública
11:32em uma forma
11:34de correr o mundo
11:36e degustar
11:37da doce vida
11:38proporcionada
11:39pelo dinheiro privado.
11:42Vários aspectos
11:43precisam ser
11:45analisados
11:45pelos nossos comentaristas,
11:47todos em tela
11:48aqui com a gente.
11:48Deixa eu retomar a discussão
11:50com o Mota,
11:51porque o Beraldo
11:52toca no ponto
11:53que diz respeito
11:54ao código de ética.
11:55Mas quando a gente
11:56discutiu
11:57algumas semanas
11:58um código de ética
11:59para integrantes
12:00da Suprema Corte,
12:01nós não tínhamos
12:02as informações
12:03relacionadas,
12:04por exemplo,
12:05a esse evento.
12:07vale a pena
12:08a gente retomar
12:09a discussão
12:09sobre código de ética
12:11ou, na verdade,
12:13seria necessário
12:13a ampliação
12:14ou a rediscutir
12:16muita coisa
12:18na ordem
12:19do nosso Brasil
12:20hoje em dia,
12:20hein, Mota?
12:22Acho que seu microfone
12:23está fechado.
12:24Só verifica, por favor.
12:26Eu acho que essa
12:27discussão
12:28vale a pena sim,
12:30Caniato,
12:30mas eu sugiro
12:31que a gente não faça
12:32essa discussão aqui.
12:34Eu sugiro que a gente
12:34tome um uísque
12:35num clube exclusivo
12:37em Londres.
12:38Aí a gente vai
12:39conseguir conversar
12:40com mais calma.
12:42Olha,
12:42o custo dessa degustação
12:44foi de
12:45três milhões de reais.
12:47Deve ter sido
12:47recorde mundial.
12:49E quem pagou
12:50pelo evento
12:51mais uma vez
12:51foi o Banco Master.
12:53Agora,
12:53esse evento
12:54é apenas um
12:55de uma série
12:57quase infinita
12:58de eventos
12:59promovidos pelo banco.
13:00E é curioso
13:01porque presentes
13:02a esses eventos
13:03estavam autoridades
13:04supremas
13:05dos três poderes
13:07da República.
13:08A gente tem sempre
13:09que lembrar,
13:09Caniato,
13:10e isso tem a ver
13:10com o Código de Ética.
13:11Não há nada
13:12de errado,
13:13a princípio,
13:15em uma autoridade
13:16frequentar um evento
13:17como esse,
13:18desde que isso
13:19não signifique
13:20conflito
13:22de interesses.
13:23Esse é o ponto
13:24que Código de Ética
13:26nenhum
13:26vai resolver.
13:28O que acontece
13:29é que para o cidadão
13:31comum,
13:32quando a gente
13:33fica sabendo
13:34de coisas
13:35como essas,
13:36isso parece,
13:37acima de tudo,
13:38ser uma fotografia,
13:40um instantâneo
13:41de como é
13:42a vida luxuosa
13:44e privilegiada
13:46vivida pelo escalão
13:48superior
13:49da burocracia estatal.
13:51Dávila,
13:52ao longo das últimas semanas
13:54a gente vem tratando
13:55dessa possibilidade, né?
13:56Muitas sugestões indicam
13:58que seria necessário
13:59a criação
14:00de um Código de Ética
14:01para integrantes
14:02da Suprema Corte.
14:03Pois bem,
14:04isso colocado,
14:05é preciso analisar
14:07com lupa
14:08esse evento,
14:09quem participou,
14:10quem bancou,
14:11o que viria na sequência.
14:13É necessária
14:14a criação
14:15de um Código de Ética?
14:16Será que ninguém sabia
14:17ou desconfiava
14:19do conflito
14:19de interesses
14:20quando a gente olha
14:21para esse evento
14:22promovido em Londres,
14:23na Inglaterra?
14:25Ô, Caneto,
14:25precisa ver
14:26se o Código de Ética
14:27tem efeito retroativo
14:28ou não, né?
14:28Porque se não for retroativo
14:30só vale a partir de agora
14:32ser ético.
14:33Antes não valia,
14:34agora tem que valer, né?
14:35Então,
14:36mas o ponto é o seguinte,
14:38o Código de Ética
14:39não é que vai transformar
14:41o Supremo,
14:42endireitar o Supremo,
14:44mas é um primeiro ato
14:45de autocontenção
14:47do Supremo
14:47que tem um papel importante.
14:49Pelo menos vai criar
14:50um constrangimento a mais
14:52a essa turma
14:53que gosta
14:54de um convescote
14:55internacional.
14:56Convescote internacional
14:57é uma coisa
14:58que atrai a política brasileira
15:00que nem abelha no mel, né?
15:01Todo mundo quer ir,
15:02todo mundo quer um hotel
15:03cinco estrelas,
15:05todo mundo quer uma viagemzinha
15:06de primeira classe,
15:07tal,
15:07levar esposa,
15:08gasta um pouquinho,
15:09tal.
15:09Então,
15:10isso faz parte da natureza
15:11da política brasileira.
15:13Mas,
15:14se o Código de Ética
15:15for um primeiro passo,
15:17por exemplo,
15:18para começar a moralizar
15:19o Supremo,
15:20por exemplo,
15:20acabar com o inquérito
15:21da fake news,
15:22essa vergonha criada
15:24debaixo das barbas
15:26de um Supremo Tribunal Federal
15:28que até hoje
15:29topa manter aberto
15:31um inquérito
15:33por tempo indeterminado,
15:34sem escopo definido,
15:36que virou barriga de aluguel
15:38para enfiar qualquer coisa
15:39que o ministro quer perseguir.
15:40É um absurdo.
15:42Então,
15:42se nós pararmos
15:44neste momento
15:45para entender
15:46que esses primeiros passos
15:48são passos
15:49para pelo menos
15:50diminuir
15:52a intensidade
15:53da arbitrariedade
15:55e da imoralidade,
15:56está valendo.
15:58Então,
15:59não podemos desencorajar
16:00aqueles que querem
16:01dar o primeiro passo
16:03nessa direção.
16:04Então,
16:04a meu ver,
16:05é algo importante.
16:06E eu não poderia deixar
16:08aqui de dar meus
16:09parabéns
16:10pela volta do meu amigo
16:11Cristiano Boré,
16:12Beraldo,
16:12nessa bancada aqui.
16:14Beraldo,
16:15estamos muito contentes
16:16com a sua volta aqui.
16:17Muito bem-vindo.
16:18Legal.
16:19Deixa eu passar para o Musa
16:20para analisar justamente
16:22esse aspecto
16:23que envolve
16:23o ineditismo do evento,
16:26as pessoas que participaram
16:27e talvez a surpresa
16:29na manchete
16:31que estampa
16:32os principais portais
16:33de notícias,
16:34os jornais
16:35e a discussão
16:36que remete
16:36àquele código de ética.
16:38Será que nenhum integrante
16:40dessas instituições
16:41tenha feito
16:42essa reflexão?
16:43Poxa,
16:43será que eu participo
16:44desse evento?
16:45Será que isso,
16:46no futuro,
16:46não pode me comprometer?
16:48O que você acha,
16:49hein, Musa?
16:51Resposta é claramente
16:52não, Caniado.
16:53Se tivessem feito
16:54esse tipo de questionamento,
16:55não participaria.
16:56Mas a verdade é que o Brasil,
16:57onde você tem
16:58todo o incentivo,
17:00uma vez que a impunidade
17:02é clara e óbvia,
17:04isso coloca as pessoas
17:06que comandam
17:07essas instituições
17:08como semideuses,
17:09como algo inatingível.
17:10e essas pessoas
17:12que se sentem
17:12inatingíveis
17:14em um país
17:15ainda onde
17:16você não tem
17:17nenhum tipo
17:17de punição,
17:19é claro que eles
17:19têm o caminho
17:21totalmente livre
17:22para fazer o que
17:23bem entenderem.
17:24Veja,
17:25nós paramos
17:26para pensar
17:27como era feita
17:28antigamente a corrupção,
17:29até mesmo
17:30no Lula 1,
17:31no Lula 2,
17:32a coisa do dinheiro
17:33ia sumindo
17:34entre uma empresa
17:35e outra,
17:36ela se perdia
17:37em estruturas
17:40jurídicas
17:40complexas
17:41para o dinheiro
17:42ir perdendo
17:43ao longo do tempo
17:44a sua própria,
17:46digamos,
17:48pessoalidade.
17:49Ou seja,
17:50vai se perdendo
17:50no meio daquelas teias
17:51de um monte de empresa.
17:52Agora,
17:53se tornou tão óbvia
17:55a falta de punição
17:56no Brasil
17:57que o que a gente vê
17:58é conversa de WhatsApp
18:00que pode ser resgatada
18:01por um software
18:02e depósitos
18:03em conta
18:04do próprio titular
18:06que está participando
18:07da corrupção,
18:08não faz mais questão
18:09de esconder.
18:10A coisa se tornou
18:11tão óbvia
18:12essa falta de punição
18:14que simplesmente
18:15deposita na minha conta,
18:16está tudo bem,
18:17não vai dar nada.
18:18A gente comanda
18:19as instituições,
18:20todas elas,
18:21estamos todos reunidos
18:22em volta
18:22de uma mesma mesa
18:23de todas essas instituições
18:25que podem fazer
18:27dar alguma coisa.
18:28Portanto,
18:29a sensação é
18:30o sistema é nosso,
18:31o país é nosso,
18:33pode mandar
18:33o que vocês quiserem
18:35que nada consegue
18:36nos derrubar,
18:37até que a história
18:38começa a perceber
18:39que mostrar
18:40que todos os impérios
18:42em algum momento
18:43caem,
18:43nem todo mundo
18:44é invencível.
18:45E aqueles que
18:46comemoram com esses caros
18:48em volta de uma mesa,
18:49quando a coisa
18:50começa a pipocar
18:51e aparecer
18:52um envolvido,
18:53o outro envolvido,
18:54a gente vê aqui
18:55tão amigos brindando,
18:56eles não são
18:57quando a coisa
18:57começa a cair.
18:58E eu acho que a gente
18:59está nesse exato ponto,
19:01as peças do dominó
19:02começam a ruir
19:03porque as instituições
19:04estão completamente
19:05apodrecidas por dentro.
19:07Até o momento,
19:08ninguém fazia
19:08nenhum tipo de reflexão.
19:09No Brasil,
19:10tudo pode
19:11para esses poucos
19:11que comandam o poder.
19:12Pois é,
19:13mas quando o evento
19:14foi realizado,
19:15talvez muitos deles
19:16nem desconfiavam
19:17do que poderia acontecer,
19:19o que de fato
19:19hoje em dia
19:20está acontecendo
19:21com o avanço
19:22das investigações.
19:23Deixa eu só passar
19:24para o Beraldo
19:24que tem um aspecto
19:25interessante,
19:26quando a gente olha
19:26para a lista de convidados,
19:28tem inclusive
19:29uma figura
19:30muito importante
19:31da Polícia Federal,
19:32Cristiano Beraldo,
19:33que hoje
19:34conduz
19:35ou é
19:35integrante,
19:37participa ali
19:37desse processo
19:39de investigação
19:40do caso
19:40do Banco Master.
19:41Isso lhe causa
19:42espécie,
19:44espanto,
19:45estranhamento?
19:46Não me causa,
19:48Caniato,
19:48porque se nós
19:49observarmos
19:50o que aconteceu
19:51no Rio de Janeiro
19:52na sequência
19:53da operação
19:55que eliminou
19:56mais de 100
19:56criminosos
19:57e que foi
19:59conduzido
19:59pelas polícias
20:01do Estado
20:02do Rio de Janeiro,
20:02a gente se lembra
20:03que logo
20:04o então
20:05ministro da Justiça
20:06Ricardo Lewandowski
20:07foi ao Rio de Janeiro
20:09na companhia
20:10do número 1
20:11da Polícia Federal.
20:13E na entrevista
20:15coletiva
20:16que deram,
20:17à medida
20:18que o
20:21delegado-geral
20:22da Polícia Federal
20:24disse que havia
20:26sido consultado,
20:28ele foi
20:28imediatamente
20:29interrompido
20:30pelo então
20:31ministro Lewandowski
20:32que disse
20:33que não tinha
20:34essa história
20:35de avisar
20:36o chefe
20:37da Polícia Federal
20:37que o governador
20:39tinha que ter falado
20:39com o ministro,
20:40ou seja,
20:40já desautorizou
20:42na frente
20:43das câmeras
20:44e mostrou
20:45qual é o papel
20:45que ele desempenha,
20:46que é um papel
20:47subalterno
20:48ao ministro
20:49da Justiça.
20:50Portanto,
20:51quem estava ali
20:52era o então
20:53ministro da Justiça
20:54que levou
20:55o seu chaveirinho,
20:56mandou ele
20:57e ele foi.
20:57Então,
20:58não coloco ele
20:59ali numa condição
21:00de espontaneamente
21:02ter atendido
21:03aquela agenda,
21:04certamente foi levado.
21:05E aí tem um outro
21:06aspecto importante.
21:07Nesse tipo
21:08de comportamento
21:10que é exigido
21:11dele,
21:12não há como
21:12ele ter
21:13a liderança
21:15e o comando
21:15da Polícia Federal.
21:16A Polícia Federal,
21:17ela vai realizando
21:18o seu trabalho
21:21independente
21:21da figura
21:22que está
21:23no topo
21:23da pirâmide
21:24hierárquica.
21:25Porque eles
21:26têm prerrogativas
21:27que os permitem
21:28fazer isso,
21:29essas investigações,
21:30avançar com
21:31essas descobertas
21:32e depois
21:33os implicados
21:35vão ter que lidar
21:36com as consequências
21:37dessa investigação.
21:39Portanto,
21:40Caniato,
21:40eu vejo
21:41que o problema
21:43ali,
21:44a gente falava
21:45da questão ética,
21:46o problema
21:47é que a ética
21:48está ligada
21:50ao seu comportamento
21:51quando ninguém
21:52está olhando.
21:52É o respeito
21:54às regras,
21:56às normas,
21:57independente
21:58de ter alguém
21:59te fiscalizando.
22:00E as pessoas
22:01que ali estavam
22:03claramente
22:03não levam
22:05mais em consideração
22:07esse tipo
22:08de coisa
22:08para adotar
22:09as posturas
22:10que agora
22:11estão sendo
22:12reveladas.
22:12E aí eu destaco
22:14também,
22:14Caniato,
22:15o que é ser,
22:16por exemplo,
22:17ministro do Supremo
22:18Tribunal Federal
22:18está na Constituição.
22:20Estão discutindo
22:20o Código de Ética,
22:21mas a Constituição
22:22é muito clara.
22:23Você,
22:24para ser indicado
22:25ao Supremo Tribunal
22:26Federal,
22:26deve ter notável
22:27saber jurídico
22:29e reputação
22:30ilibada.
22:31Não há reputação
22:32ilibada
22:33de alguém
22:33que não é ético.
22:35Não há notável
22:36saber jurídico
22:37de alguém
22:38que se dedica
22:40profundamente
22:40ao estudo
22:41do direito.
22:43Alguém que chega
22:44ali
22:44cumprindo os ritos
22:46e exigências
22:48constitucionais
22:49não deveria
22:50sequer
22:51imaginar
22:52poder haver
22:53uma preocupação
22:54com a ética.
22:55E o fato
22:56de estarmos
22:57vendo hoje
22:57esta discussão,
22:59vamos criar
23:00ou não vamos criar
23:01um código de ética,
23:02já nos revela
23:03que o Supremo
23:04Tribunal Federal
23:05atualmente
23:06não tem mais
23:08condições
23:08de entregar
23:10à sociedade
23:11brasileira
23:12o papel
23:13que o Supremo
23:14precisa desempenhar.
23:15Pois é,
23:15só lembrar
23:16a nossa audiência,
23:17inclusive,
23:18Vilmota,
23:19esse encontro
23:21em Londres,
23:22na Inglaterra,
23:22a degustação
23:23do uísque
23:24de uma marca
23:25muito conhecida
23:26foi mencionado
23:27numa sessão
23:28fechada
23:28do Supremo
23:30no início
23:30de fevereiro
23:31que,
23:31inclusive,
23:32acabou culminando
23:34naquela saída
23:35voluntária
23:35de Dias Toffoli
23:36da relatoria
23:37do inquérito
23:38que investiga
23:38o caso
23:39do Banco Master.
23:40É importante
23:41lembrar
23:41a nossa audiência
23:42que a Polícia
23:43Federal
23:43tinha encaminhado
23:44ao então
23:46presidente
23:47do Supremo,
23:49o ministro Fachin,
23:49um relatório
23:50que apontava
23:52e demonstrava
23:54a relação próxima
23:55do ministro
23:55em questão
23:56com o Daniel
23:57Vorcaro.
23:58E aí,
23:59assim,
23:59a gente tem que fazer
24:00um exercício,
24:01né,
24:01para entender
24:02exatamente
24:02o que aconteceu
24:04nos bastidores
24:05e o que virá
24:06a acontecer
24:07a partir dessas
24:08informações
24:09que vêm à tona,
24:10né, Mota?
24:12Exato, Caniato.
24:13Eu acho que você
24:13usou a palavra
24:14correta.
24:16Eu acho que nós
24:17precisamos fazer
24:18um exercício,
24:19fazer conjecturas.
24:21Então, imaginemos
24:22a hipótese
24:23de que algum dia
24:24no futuro
24:25o ministro
24:26da corte
24:27cometa alguma
24:28coisa errada,
24:29faça alguma coisa
24:30errada,
24:30ilegal.
24:32Como é que esse
24:33problema será
24:34endereçado?
24:36Existe alguma
24:37polícia no Brasil
24:38que hoje
24:38tenha autonomia
24:40para realizar
24:41uma investigação
24:42como essa
24:43ou toda
24:44a investigação
24:45será sempre
24:47submetida
24:48à supervisão
24:49da corte?
24:50Porque se a corte
24:52tem
24:52nos seus
24:53integrantes,
24:54de novo,
24:55isso é apenas
24:55um exercício,
24:56uma conjectura,
24:58uma situação
24:58hipotética
24:59no futuro,
25:00se existir
25:01alguém
25:01que está
25:02fazendo
25:03alguma coisa
25:04errada,
25:05quais são
25:06os mecanismos
25:07disponíveis
25:08para que se
25:09levante
25:10as evidências,
25:12se conduzam
25:13uma investigação
25:14e se tome
25:15providências
25:16quanto a isso?
25:17Eu não sei
25:19responder
25:19essa pergunta,
25:20porque
25:21as informações
25:22que nós temos
25:23indicam que
25:24toda a investigação
25:27da corte
25:28tem que ser
25:28previamente
25:29autorizada
25:30pela própria
25:31corte,
25:32o que cria
25:33uma espécie
25:34de paradoxo.
25:36a outra
25:37saída
25:38para essa
25:38situação
25:38seria
25:40política,
25:42mas aí
25:42a gente
25:42olha para o
25:43Congresso
25:43Nacional
25:44especificamente
25:45para a
25:46presidência
25:46do Senado
25:47e não
25:48parece
25:49existir
25:50lá
25:51nenhuma
25:52disposição
25:53de atuar
25:54nesse sentido.
25:56Então
25:56fica a pergunta,
25:57nesse exercício
25:59hipotético
26:00que nós
26:00fazemos,
26:01em que
26:02um magistrado
26:04da corte
26:05se comporta
26:06de uma forma
26:07incompatível
26:07com o seu cargo,
26:09podendo até
26:10chegar a cometer
26:11um crime,
26:12qual é o
26:13mecanismo
26:13que o Estado
26:14brasileiro
26:15tem
26:16para sanar
26:17essa situação,
26:19além de ficar
26:20criando
26:21desculpas,
26:23narrativas
26:24ou justificativas
26:25que não fazem
26:27sentido nenhum.
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