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A guerra entre EUA, Israel e Irã já reflete no agronegócio brasileiro. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, o preço da ureia disparou 36% e a logística de navios enfrenta gargalos globais. Entenda como o setor se ajusta para redirecionar cargas e os riscos de escassez que podem encarecer a produção nacional. #JornalDaManhã

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Transcrição
00:00Após uma semana desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o agronegócio assiste com cautela os
00:07próximos passos para setores como fertilizantes e também proteína animal, além da própria logística.
00:14Vamos entender na reportagem de Matheus Lopes.
00:17Diferentes segmentos que compõem o agronegócio estão atentos à duração da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
00:25Os conflitos no Oriente Médio impactam diretamente o fluxo de importação e exportação de commodities e a disponibilidade de navios
00:34que transportam as cargas.
00:35Entre os setores mais afetados está o de fertilizantes.
00:39Na última quinta-feira, 5 de março, a Bolsa de Chicago registrava alta de 36% no preço do contrato
00:46futuro da UREA no Brasil, com vencimento em abril a 573 dólares por tonelada.
00:53O aumento acumulado inclui custo e frete, reflexos do fechamento do Estreito de Hormuz, rota marítima que atravessa as águas
01:01territoriais entre Irã e Oman.
01:04Douglas Santos, diretor da Peniel Management, explica o cenário.
01:08O Oriente Médio é responsável por 40% da ureia, 28% da produção de amônia e 29% do
01:18DAP, que seria o fosfato de amônia, exportados globalmente.
01:22Todos os produtos são utilizados no agro, principalmente, e todos os produtos têm uma aplicação direta no momento.
01:29Então, com o conflito, o que está acontecendo?
01:32Fornecedores estão retirando as ofertas e os navios não estão aceitando passar pelo Estreito.
01:38Logo, nós estamos criando escassez e, definitivamente, incerteza em preços.
01:43Na avaliação de Douglas Santos, a nova tarefa para o agro global agora é buscar fornecedores alternativos de fertilizantes para
01:53diminuir a dependência,
01:54já que o Estreito de Hormuz é rota de um terço na ureia mundial.
01:59O Brasil importa 93% dos fertilizantes que consomem e a ureia representa 17% desse total.
02:07E, além disso, Irã, Catar e Arábia Saudita, todos afetados pela rota de um jeito ou de outro,
02:13estão entre os dez maiores exportadores mundiais de ureia.
02:17Então, ou seja, é um colapso anunciado se o tempo se estender demais.
02:21O Oriente Médio é a maior região exportadora do mundo, com 20 milhões de toneladas no ano, aproximadamente 35%
02:31do comércio global.
02:32Douglas afirma que armadores de container anunciaram a suspensão da passagem pelo Estreito de Hormuz até que a região esteja
02:40segura.
02:41Isso gera desvio do trajeto em milhares de quilômetros, adiciona semana às viagens e leva à redução de navios ao
02:49longo do ano, pressionando os fretes.
02:51Isso acontece, por exemplo, com os navios que transportam grãos.
02:55A região não foi projetada para esse volume massivo de granéres, os logísticos vão explodir e os riscos, na verdade,
03:02não é o risco, já é uma realidade de gargalos e atrasos.
03:07Então, como uma síntese final, a gente pode entender o seguinte, que os teitos de hormônios fechados em relação ao
03:14navio,
03:15nós temos portos do Mar Vermelho acima, acessíveis somente pelo transporte terrestre, rotas muito mais longas, o que inviabiliza.
03:25O que isso significa na prática? Aumento de custos, atrasos, menor disponibilidade de navio e um gargalo logístico global.
03:33O Irã foi o maior comprador de milho brasileiro em 2025, com 9 milhões de toneladas.
03:39Também importa soja, farelo e o açúcar do Brasil.
03:43Aves, suínos e ovos não são vendidos diretamente para Irã ou Israel,
03:48conforme esclarece Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal.
03:53Dos 160 países com quem o Brasil faz comércio para este segmento,
03:5812 estão na região do conflito e somente 3 apresentam dificuldades de acesso.
04:03Neste sentido, o setor já se organiza com o Ministério da Agricultura para redirecionar as cargas para outros importadores.
04:10Nós já falamos com o ministro Carlos Fávaro, secretário popular, secretário voo, secretário Alain,
04:16fazendo pedidos de medidas emergenciais, como armazenagem container,
04:20como tramitação burocrática, revalidação de alguns certificados sanitários internacionais.
04:27Por exemplo, o que foi vendido para Dubai e estava chegando lá.
04:31Daqui a pouco eu revendo para a Malásia, mas eu preciso ver se a Malásia aceita o documento
04:36e como é que eu faço essa mudança, aquilo que se chama correção de certificado sanitário.
04:40Isso tudo são partes burocráticas que estão sendo feitas.
04:43A gente sabe que isso vai ter custo, que vai ter prejuízo no futuro.
04:47Por exemplo, quando eu pago a taxa de guerra, quando eu passo a taxa de risco,
04:53ou quando eu mando para um outro destino, eu tenho que complementar o frete,
04:56que não estava previsto e assim por diante.
04:59Mas isso sim é uma coisa que é preciso você esperar um momento.
05:04Ricardo Santin afirma que o atraso nas operações não afeta a produção brasileira de aves,
05:10suínos e ovos, nem o abastecimento do mercado interno.
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