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O conflito armado no Oriente Médio ganha novos contornos com a retaliação do Irã contra bases militares. O mestre em segurança pública e especialista em ciência política, Rodolfo Laterza, avalia que a operação conjunta entre Estados Unidos e Israel teve um caráter cirúrgico e de choque, mas esbarrou na rápida resposta balística iraniana.
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NotíciasTranscrição
00:00Agora com o mestre em segurança pública e especialista em ciência política, Rodolfo Laterza,
00:05também a respeito desse conflito no Oriente Médio.
00:08Professor, bom dia, obrigado por atender aqui a Jovem Pan nesta manhã de domingo.
00:13E eu queria já iniciar perguntando ao senhor qual é a sua expectativa em torno desse conflito
00:19que vai se estendendo entre Estados Unidos e Irã com a participação também de Israel.
00:25E é para a gente imaginar que seja um conflito que vá se arrastar por muito tempo
00:31ou o senhor entende que uma solução pode ser mais rápida a partir do que tem dito o presidente americano.
00:37Professor, bem-vindo.
00:39Muito bom dia, agradeço o convite.
00:42É importante destacar que a Operação Fúria Épica, estabelecida numa coalizão dos Estados Unidos com Israel,
00:49ela destinou-se a ser uma operação de caráter cirúrgico, para alvos seletivos,
00:56focados justamente numa doutrina de bombardeio de choque e pavor
01:00e destinados justamente a alvejar a infraestrutura crítica do Irã.
01:04Entretanto, os Estados Unidos e Israel não esperavam um nível de retaliação rápida
01:11e uma capacidade de resposta por parte do Irã através justamente de uma duplicidade estratégica,
01:18seja através do lançamento dos mísseis balísticos para saturar as defesas antiaéreas norte-americanas,
01:25que estão muito mais concentradas para defender Israel em detrimento das bases norte-americanas
01:30situadas nas monarquias sunitas árabes,
01:33e também em função da capacidade de resiliência e amortecimento dos enormes bombardeios que o Irã sofreu,
01:40que até o momento não levaram a uma desestabilização do sistema de defesa do país.
01:44Importante aqui frisar que os próximos quatro dias vão ser essenciais
01:48para ver quem tem capacidade de sustentação desse atrito prolongado
01:53e justamente desses bombardeios mútuos,
01:57porque isso demanda, seja por parte dos Estados Unidos e por parte de Israel,
02:03capacidade de reabastecimento das munições de defesa antiaérea e dos sistemas missilísticos,
02:09principalmente os mísseis Tomarroco e de Cruzeiro,
02:12e em relação ao Irã, se realmente o Irã repôs o seu estoque inventário de mísseis balísticos
02:18após a guerra de 12 dias de junho passado.
02:20E também como o Irã vai reagir caso haja destruição da sua infraestrutura energética,
02:25lembrando que o Irã é um país com uma crise energética já significativa,
02:30que inclusive explica muito dos protestos de janeiro,
02:34e também se o Irã tiver interrupção da sua capacidade de produção e extração de petróleo,
02:41principalmente com a destruição das refinarias na sua infraestrutura costeira,
02:45perto do Estreito de Ormos.
02:46Também temos que observar como a geoeconomia mundial vai, no caso,
02:52responder ao fechamento do Estreito de Ormos,
02:56por parte do IRGC, do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica,
03:00tendo em vista que até o momento 70% do comércio marítimo de petróleo bruto foi interrompido.
03:06O Estreito de Ormos é responsável por cerca de 20% do comércio de petróleo bruto mundial,
03:11o que pode levar a uma ampliação significativa do barril do tipo Brent,
03:16e isso afeta a economia mundial e também a economia norte-americana.
03:20Lembrando que o custo de uma operação dessa diariamente é muito elevado,
03:23e as perdas, ainda que materiais que sejam das bases norte-americanas, também levam a custo.
03:30Então é importante aqui analisar como isso ocorrerá nos próximos 4, 5 dias.
03:36Professor, eu peço para o senhor aguardar um pouquinho, que a gente continua com você.
03:40Agora são 8 horas e 59 minutos, Donato.
03:448 e 59.
03:46Pois é, sempre aqui com outras informações, e lembrando que a mais recente, né, Márcia,
03:50foi o anúncio do Ali Reza Araf como líder supremo interino por parte das autoridades iranianas
03:57nesse conflito.
03:59Daqui a pouco o professor volta aqui com a gente.
04:00Então, ele vai ficar no lugar do Ali Kamenei por enquanto, mas deve ser o responsável
04:05por organizar uma espécie de aclamação, né, do futuro Ayatollah, porque não é uma eleição,
04:12ele é escolhido lá pelos membros.
04:14Então, o Araf é que vai cuidar disso a partir de agora.
04:18É, uma assembleia dos especialistas que eles chamam.
04:21São 88 clérigos eleitos pelo povo a cada 8 anos, e todos precisam ser aprovados previamente
04:28pelo Conselho dos Guardiões.
04:30Ou seja, é uma eleição popular indireta e filtrada.
04:34Até a escolha formal desse novo líder, um conselho temporário assume, que nesse caso
04:39já foi feito agora, com funções executivas limitadas.
04:43A assembleia faz debates de possíveis nomes, pode escolher um único líder, Donato, ou um
04:49conselho coletivo.
04:50Então, pode não ser só uma pessoa a assumir o poder.
04:53É, até agora isso não ocorreu, né, porque foi o Comeine até 89, depois o Kamenei,
04:59que ficou até a morte agora por parte dos Estados Unidos.
05:03Se isso acontecer, seria algo inédito na República Islâmica nesses 40 e tantos anos.
05:07E o nosso correspondente, o Luca Bassani, até colocou alguns nomes, né, o primeiro
05:11que foi o que assumiu agora, né, que é o que você falou, que é o...
05:15Ali Rezaraf, é isso?
05:17É, o Ali Rezaraf.
05:18Aí tem o Ahmad Katami, o...
05:22Katami.
05:23Katami, é...
05:23Melhor você falar os nomes, que eu sou ruim disso.
05:26Ahmad Katami, Sadek Larijani e o próprio Ali Reza, que a gente já citou aqui também.
05:31É, são os quatro mais cotados, Donato.
05:33É, lembrando que falou-se também no neto do Comeine, no filho do Kamenei, mas como
05:38disse o professor Neymar, é tudo muita especulação por enquanto.
05:41A gente só vai ter uma definição mesmo a partir da reunião desses clérigos lá no
05:47País Persa.
05:50Nove horas e um minuto.
05:52Repita.
05:52Nove e um.
05:54Seguimos aqui no Jornal da Manhã, edição especial deste domingo, primeiro de março
05:57de 2026, iniciando o terceiro mês do ano, ano que tem Copa do Mundo, tem eleição e
06:06infelizmente tem muito conflito no mundo, né, Márcia?
06:08Guerra, né?
06:09A gente não, eu não imaginei, eu tava conversando com uma amiga ontem, Nonato, e aí só estamos
06:14em fevereiro ainda e tudo isso já acontecendo.
06:18Tem uma amiga que está em Dubai nesse momento, todo o espaço aéreo tá fechado, ela tá se
06:23deslocando por terra pra tentar ir pra um outro lugar mais seguro e o clima, segundo
06:30ela, é hostil por lá.
06:31Imagina, e tensão, né, porque o território ali dos Emirados Árabes fica à mercê de
06:38ataques iranianos também.
06:40Nove e dois.
06:41E aí a gente observa as informações em torno do espaço aéreo, pra quem está nos acompanhando
06:45com imagens, né, a situação envolvendo o espaço aéreo fechado para voos naquele
06:53em torno ali do Oriente Médio.
06:54Teve até uma declaração do governo brasileiro também, recomendando que as pessoas não
06:59voem para determinados países e quem já estiver por lá tenha alguns cuidados também.
07:05A gente volta então com o cientista político Rodolfo Laterza.
07:10Rodolfo, quando a gente olha pro cenário econômico que você começou a comentar, quem serão
07:15os principais países afetados com o suposto fechamento ali do Estreito de Hormuz?
07:23Bom, basicamente, ouvendo o prolongamento do fechamento do Estreito de Hormuz, a economia
07:28mundial como um todo irá, logicamente, ser impactada.
07:31Mas os chineses terão dificuldades, porque, lembrando que 60% do comércio de petróleo
07:38iraniano é direcionado para a China, que é o principal comprador com desconto substancial.
07:44Tendo em vista que isso é uma forma de barganhar em diante do fato do Irã ser um país profundamente
07:49sancionado.
07:51A China terá que redirecionar grande parte dessas importações para a Rússia.
07:58E, logicamente, isso tende a beneficiar também as exportações da Rússia a curto prazo.
08:04Mas isso, logicamente, vai levar ao impacto das cadeias de abastecimento global de valor
08:08no mundo inteiro.
08:09Porque, lembrando que o petróleo ainda é uma matéria-prima significativa e gerará custos
08:15indiretos para o comércio marítimo mundial, para as empresas transportadoras, para as
08:21empresas aéreas, tendo em vista o fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio, que é
08:25uma posição estratégica para diversos voos, seja para a China, seja para a Índia, e
08:30mesmo para grandes centros financeiros e comerciais mundiais, como Dubai.
08:35Então, é importante aqui frisar que isso terá certamente com impacto na economia mundial
08:41se prolongar significativamente.
08:43Do ponto de vista militar, não creio que interesse ao governo Trump uma guerra prolongada.
08:50Lembrando a crise do inventário de munições antiaéreas que os Estados Unidos sofrem.
08:55Na guerra de 12 dias, para interceptar o lançamento dos mísseis balísticos iranianos, os Estados
09:00Unidos gastaram cerca de 25% do estoque de munições do sistema THAD, o Terminal High
09:07Altitude Aerial Defense, ou seja, um sistema de defesa antiaéreo, antimísseis, que é
09:13extremamente caro a munição e levará cerca de três anos só para repor esse estoque de
09:1925% que foi gasto.
09:21Agora, as defesas antiaéreas norte-americanas estão saturadas, vide os bombardeios iranianos
09:28até certo ponto, ainda que não causem danos ainda massivos, mas que têm causado significativos
09:34estragos.
09:35E lembrando que há uma concentração forte dessa defesa antiaérea para proteger Israel,
09:40só que hoje tivemos o bombardeio do reator nuclear de Dimona, em Israel, causando danos
09:46massivos, e também em Tel Aviv.
09:48Então, isso leva a uma reavaliação de custos estratégicos de uma guerra prolongada
09:54por parte da coalizão Trump e Netanyahu para sustentar esse conflito.
09:58Agora, isso também, lógico, depende da capacidade por parte do Irã de prover uma resistência
10:04através de seus sistemas de mísseis balísticos.
10:07Pois é, numa dessas pode ser que já não tenham essa capacidade para confrontar por muito
10:12tempo.
10:13A Jess Peixoto, nossa analista, também participa aqui dessa conversa.
10:16Professor Jess.
10:17Professor, quando nós estamos olhando para essa situação e para toda modificação que
10:21ela vai trazer para o jogo global, nós temos um posicionamento também de Rússia e China
10:27em relação a invasões que elas próprias têm nesse momento.
10:31No caso da Rússia, situação com a Ucrânia, muito nós falamos ao longo dos últimos dias
10:37em relação a tentativa de negociar e fazer um cessar-fogo, resolver essa questão até
10:42mesmo com uma proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Ucrânia
10:48possivelmente mudar a sua postura e até aceitar um acordo com a Rússia.
10:53E, ao mesmo tempo, nós temos na China a situação permanente de tensão com Taiwan.
10:58A luz desses novos acontecimentos e a postura dos Estados Unidos em relação tanto à Venezuela,
11:05Groenlândia e, agora, essa situação do Irã, o senhor acha que é mais provável que
11:09a Rússia não reverta ou não tenha todo esse olhar de atenção para o caso ucraniano
11:16e, até mesmo, que a China possa vir a invadir ou ter uma ação direta em Taiwan?
11:22Bom, é importante frisar que as intervenções unilaterais feitas pelas potências é uma
11:28regra que se estabeleceu após a dissolução da União Soviética com o fim da bilateralidade.
11:33A arquitetura de segurança internacional intitulada, assim intitulada, baseada em regras,
11:39ela está completamente falida, assim como o direito internacional público no que se refere
11:43a convenções, tratados e acordos internacionais.
11:45E o governo Trump já deixou claro isso, que os interesses nacionais norte-americanos
11:51prevalecem sobre qualquer dinâmica ou regra baseada no direito internacional público,
11:57tanto que os Estados Unidos simplesmente renegam a Convenção de Direitos do Mar, etc.
12:02Isso, claro, legitima o ataque unilateral feito em 24 de fevereiro de 2022 à Rússia
12:10sobre o pretexto de contender a intervenção da OTAN em relação à sua fronteira próxima.
12:17E da mesma forma a China em relação a considerar Taiwan uma província rebelde e não aceitar
12:23de forma alguma qualquer movimento independentista, secessionista, assim por eles definido, em relação
12:29a Taiwan.
12:30Então é a linguagem da força que prevalece.
12:32As potências tendem a projetar a força baseada na defesa dos seus interesses nacionais,
12:38acima de considerações ideológicas, valorativas ou mesmo humanitárias ou morais.
12:43É assim a abordagem realista das relações internacionais e da geopolítica.
12:48Infelizmente, o mundo precisará de uma nova arquitetura de segurança internacional
12:53pautada em algum nível de valor, do valor daquilo que se deseja.
12:57Respeito à autodeterminação dos povos, às fronteiras, respeito justamente à conciliação
13:06e à composição pacífica dos conflitos.
13:08Porque vivemos no mundo uma projeção de defesa de interesses baseada na linguagem da força.
13:13Isso tende a amplificar não só a intervenção das potências, das superpotências globais
13:18em relação a terceiros países, mas também em relação a novos conflitos que podem emergir
13:24entre países que têm conflitos congelados, como temos visto entre o Paquistão e Afeganistão,
13:30entre a Tailândia e o Camboja e também o recrudescimento de conflitos na África.
13:35Então é isso que tende a acontecer no mundo diante da falência do direito internacional público
13:41relacionado a essas intervenções interlaterais.
13:44Especialista em ciência política, professor Rodolfo Laterza, mais um que nos ajuda a entender
13:49esse atual momento pelo qual estamos passando.
13:51Professor, muito obrigado pela gentileza, bom final de semana.
13:55Excelente, muito obrigado, excelente trabalho a todos e torçamos para que haja uma desescalada,
14:01porque, logicamente, civis estão morrendo em ambas as partes.
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