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  • há 14 horas
Em entrevista ao jornal O LIBERAL, o empresário Isan Anijar detalhou as prioridades e os desafios que deve enfrentar ao assumir a presidência da Associação Comercial do Pará (ACP). Ele toma posse no próximo dia 6 de abril, às 18h30, no Salão Nobre da entidade, em Belém, para o biênio 2026-2028. Eleito em 23 de março com chapa única, Anijar chega ao cargo com o respaldo do setor empresarial e a missão de fortalecer o ambiente de negócios no estado.

Reportagem: Fabyo Cruz
Imagem: Cristino Martins

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Transcrição
00:00A nossa gestão, que começa a partir do dia 6, ela vai ser focada em tecnologia, em marketing
00:07e em fortalecer os braços mais importantes da ACP, que no caso é o Conjove, que quem
00:16está assumindo é o Arílio Gonçalves, a presidência, que é o Conselho de Jovens
00:20Empresários, que tem o objetivo de capacitar e preparar o empreendedor jovem, que começa
00:29no mercado, a trabalhar e precisa do associativismo para poder crescer como empresário.
00:38O segundo é o Conselho da Mulher Empresária, que quem vai assumir a presidência é a Poliana
00:43Bentes, que tem o papel exatamente de fortalecer e de ajudar o segmento das mulheres empreendedoras,
00:53capacitando cursos, palestras e buscando a integração da mulher no empreendedorismo.
01:01Terceiro braço importantíssimo é o Conselho de Câmaras, que é presidido pela Regina Vila
01:06Nova, que nós temos lá hoje 15 câmaras, são câmaras setoriais, que pensam segmentos
01:14bem particulares, como a Câmara de Gastronomia, Câmara de Turismo, Câmara de Petróleo
01:22e Gás, que agora vai ser importantíssimo com relação à margem equatorial.
01:27São 15 câmaras, cada câmara um coordenador e cada câmara nós temos aí 10, 15 empresários
01:34do segmento para discutir os problemas e as soluções daquele segmento, daquele ramo de
01:42atividade daquelas empresas. O quarto é a Universidade Corporativa, que o presidente
01:48vai ser o Alberto Villar, que é um cara muito preparado, que tem expertise para capacitar
01:55os empresários com palestras, cursos e dentro da nossa feira para negócios, a Universidade
02:02Corporativa ganha corpo porque ela tem o objetivo durante a feira, que vai ser em dezembro, de
02:09capacitar mais de 10 mil micro, pequenos, médios e grandes empresários em cursos, palestras
02:17durante os dois dias de feira. Então, esses quatro braços são importantíssimos e agora
02:24nós relançamos a CAM, que é a Câmara de Arbitragem e Mediação da ACP. Uma excelente solução
02:32para os conflitos que existem entre empresas, entre pessoas físicas e que o empresário pode
02:38contar agora com a Câmara de Arbitragem e Mediação para tentar solucionar os litígios, os problemas
02:46que eles têm entre empresas e de uma forma rápida, com um custo baixo e com muita segurança
02:55e trazendo a credibilidade de 207 anos da ACP. Então, o nosso trabalho vai ser muito
03:01de fortalecer esses cinco braços importantíssimos desses conselhos, desses órgãos colegiados
03:07da ACP. O ambiente de negócio no Pará não é diferente do resto do Brasil. É um ambiente
03:13muito hostil. Por quê? Porque nós temos aí, só no passado, mais de 3 mil mudanças
03:23nas legislações, como é que o empresário consegue trabalhar com tanta mudança, nem
03:29que ele tenha melhor advogado, melhor contador, ele não consegue dar conta de tanta mudança,
03:35de tantas leis, de tantas regras mudando do dia para a noite. Então, esse ambiente por
03:41si só, ele já dificulta muito o ambiente de negócios. E o trabalho principal da ACP é
03:47exatamente facilitar o ambiente de negócios para os seus associados e para a classe empresarial
03:54de uma forma geral. E é importante que se ressalte que a Associação Comercial do Pará,
03:58muita gente pensa que é só comercial. Não. A Associação Comercial do Pará é uma associação
04:07que trabalha em muitos setores. Então, nós temos comércio, temos indústria, temos serviços,
04:13nós temos muita empresa de serviços, de consultoria. Então, a Associação Comercial é multissetorial.
04:19E ela tem uma abrangência muito grande. E lá na Associação Comercial, foi de lá que surgiram,
04:27por exemplo, todas as entidades de classe do Pará. Foi dentro da Associação Comercial,
04:32que é a segunda mais antiga do Brasil. 1819 foi fundada. E a gente tem uma história muito rica
04:40com o empreendedorismo paraense. Uma história que o Banco da Amazônia, o BASA, foi criado dentro
04:47da ACP como o Banco da Borracha. E foi criado por quê? Necessidade que os empresários da
04:53borracha tinham de ter um banco que ajudasse a fomentar os seus negócios. Então, o Banpará
04:59foi criado lá dentro. Então, a ACP tem uma história muito rica e muito importante
05:04de peso no empreendedorismo paraense. Pois é, a burocracia no Brasil continua.
05:10Nós tivemos alguns avanços, mas continua uma burocracia muito grande para você abrir
05:16uma empresa, para você fechar uma empresa. Conversamos essa semana com o presidente
05:20Jair Jussepa, que deve colocar uma estação de trabalho lá dentro da ACP nos próximos dias.
05:26Então, o nosso objetivo sempre com as entidades, com o governo municipal, estadual, federal,
05:34é buscar soluções e ajudar para que o ambiente de negócio melhore. E a burocracia, infelizmente,
05:42ainda continua grande. Em muitas situações, a gente tem dificuldade para tirar uma certidão
05:48e o sistema não funciona, não consegue pegar o sistema. Aí o empresário fica ali engatado,
05:54o empresário que precisa participar de uma licitação não consegue uma certidão.
05:57Então, ainda existem muitas barreiras a serem quebradas.
06:01Eu sempre digo que se nós, empresários, conseguíssemos botar na mesma mesa, com os menos objetivos,
06:10o poder executivo, ou seja, governador, prefeito, o poder judiciário, o poder legislativo, a imprensa,
06:19que tem um papel importantíssimo, os bancos, e botar tudo isso numa mesa e traçar uma linha
06:26de atingir alguns objetivos, eu acho que não tinha para ninguém.
06:30Nosso Estado é um Estado muito rico, que tem muitas potencialidades, mas também tem muitos desafios,
06:37como você colocou. No interior a gente ainda tem muita carência, foi feito muita coisa.
06:43O governo do Estado, sabiamente, teve a iniciativa de trazer a Copa para cá,
06:49um investimento que nós nunca tínhamos visto no Estado do Pará, e muita coisa se avançou.
06:55Mas, com certeza, tem muita coisa ainda para fazer, e nós da ACP estamos juntos,
07:01com toda essa entidade de classe, querendo ajudar e facilitar o trabalho,
07:06principalmente do classe empresarial, que é quem gira, faz essa máquina girar.
07:10E a gente tem uma excelente relação com todos os governos, para que a gente possa juntos
07:15sentar e buscar o melhor caminho.
07:17Pois é, nós temos três pontos aí que eu considero importantíssimos.
07:21Um é a exploração do petróleo na margem equatorial.
07:25E eu acho que isso pode mudar completamente a cara do nosso Estado,
07:32e a gente crescer e avançar muito.
07:34O outro é o Pedraldo Lourenço, que está engatado aí, que não consegue se destravar.
07:41E também o outro, que eu posso citar, é a questão do Pedraldo Lourenço,
07:49a ferrogrão.
07:50A ferrogrão, em números superficiais, o investimento da ferrogrão, salvo engano,
07:57são 28 bilhões de reais.
08:00Ela vai demorar cerca de oito anos para ser construída.
08:07Ela já tem dez anos de projeto de ferrogrão.
08:11Está parado há três anos o projeto da ferrogrão.
08:14E vai trazer uma economia de 7 bi por ano.
08:17Ou seja, em quatro anos se paga o investimento de uma ferrogrão,
08:22que vai baratear o custo do frete em 40%.
08:28E baixando o custo do frete, o Pará se torna muito mais competitivo para poder exportar.
08:35Então, esses três projetos, eu acho que eles são fundamentais.
08:38Nós temos algumas bandeiras também muito importantes com relação ao centro comercial.
08:44A ACP tem muitos estudos, porque a ACP nasceu dentro do comércio.
08:49E a gente conversou muito com o prefeito, o Igor, e falamos para eles alguns posicionamentos nossos.
08:55Nós estamos de braços dados com a prefeitura de Belém também pensando no centro comercial.
09:01Pois é, agora nós tivemos algumas mudanças, em 2026 e em 2027 vem mais impacto.
09:08A carga tributária vai aumentar também para os pequenos.
09:12Isso é muito sério, é muito grave, mas a gente acha que tudo acaba se ajeitando e a gente consegue
09:21sobreviver.
09:22Mas uma coisa é certa, o empresário não aguenta mais o aumento e a carga tributária aumentar mais ainda,
09:28e a mais ainda com a burocracia que a gente falou agora há pouco,
09:32torna esse ambiente de negócio muito preocupante.
09:38Mas a gente, empresário, a gente tem que se reinventar.
09:40Então, cada situação que surgir, a gente precisa sim se reinventar como empresário
09:46e adequar a nossa realidade da empresa para a nova situação que surgiu.
09:52Pois é, a gente tem aí vários estudos que avaliam essa mudança da reforma tributária,
10:00alguns pontos negativos e alguns pontos positivos.
10:04E dentro dessa reforma, é claro, a Associação Comercial está junto com os empresários,
10:09ajudando os empresários a entender essa reforma.
10:12Nós temos na nossa diretoria e dentro do nosso quadro economistas, contadores e pessoas muito capacitadas
10:21que estão lá para ajudar o empresário a se readequar a esse novo momento,
10:26que é uma mudança e, claro, como toda mudança gera desconforto, gera preocupação,
10:31mas nós estamos realizando o nosso papel como entidade de classe de procurar, vamos dizer assim,
10:37capacitar o empresário para que ele possa enxergar o negócio dele de fora,
10:42e ele possa fazer as mudanças e se adequar à nova realidade.
10:47Sim, nós temos um excelente diálogo com o governo do estado,
10:50com o governador Helder, com a governadora Ana, assumindo agora essa semana,
10:54e a gente tem um excelente relacionamento com eles, muito aberto.
10:58O governador Helder, ele abriu muito essa conversa com a classe empresarial,
11:05e eu tenho certeza que a governadora Ana vai continuar esse trabalho nos próximos meses
11:11de aproximação com a classe empresarial, que é, como eu disse,
11:16quem faz a roda girar e quem faz as coisas acontecerem,
11:19quem gera emprego e renda para o trabalhador, acaba sendo empresário.
11:24E o governo tem que estar junto, e a gente tem um alinhamento muito bom,
11:28não só com o governo estadual, mas com o governo municipal também,
11:31e com a Assembleia Legislativa, com a LEPA e com a Câmara dos Vereadores.
11:36Agora vai ter uma readequação do plano diretor urbano de Belém,
11:42isso é uma coisa que vai mexer muito com a construção civil.
11:45E nós temos lá pelo menos 15 construtoras grandes,
11:51e que com certeza a ACP vai estar junto para trabalhar com a Prefeitura
11:56e com a Câmara Municipal esse plano diretor.
11:59A informalidade existe porque existe, primeiro, uma grande desinformação do trabalhador informal.
12:06Ele não consegue enxergar os benefícios que ele tem vindo para a formalidade,
12:11ou seja, a aposentadoria dele, que ele pode se aposentar,
12:16e os outros benefícios todos.
12:18E a gente trabalha muito isso,
12:21o que a gente tem na ACP, como eu disse para vocês,
12:24é muito setorial, as nossas empresas têm de todos os segmentos,
12:28e de todos os tamanhos.
12:29Nós temos microempreendedor, nós temos o MEI lá dentro da nossa casa,
12:34e a gente faz um trabalho com eles para que eles reverberem essa política
12:41de entender, de fazer o pessoal entender que eles precisam se formalizar no mercado
12:48para que eles possam realmente ter voz e ter espaço para poder fazer as reivindicações deles.
12:55Mas isso é um desafio que eu acho que sempre nós vamos ter que passar,
12:59nós como entidade de classe, aliás, nós todas, como todas as entidades de classe,
13:03precisam ter esse desafio em mente de ajudar a tirar o pessoal da informalidade
13:08mostrando quais são os benefícios e as vantagens que eles têm.
13:12A escala 6 por 1, né?
13:14Está existindo um movimento forte para ficar na escala 5 por 2.
13:20Nós temos cálculos aí de aumento de 15%, de 18%, até de 22% no custo da mão de obra.
13:29Quando você fala de um segmento em que a mão de obra tem um peso grande no custo total,
13:37aumentar 20% o custo da mão de obra, que já é alto, e você aumentar esse custo,
13:44imagina uma empresa que é prestadora de serviços.
13:47Ela, basicamente, o custo dela maior é a mão de obra, né?
13:52Aí você chega numa mão de obra e diz, olha, vou aumentar 20%,
13:56isso vai dar um reflexo grande, a gente não sabe o quanto exatamente,
14:00mas isso eu acho que é a maior preocupação hoje nossa como empresário,
14:04além da questão da reforma tributária, né?
14:08É essa questão da escala 6 por 1, que eu acho que pode mexer muito com a economia.
14:15Você imagina um shopping trabalhando e você vai se virar e dizer, não, inviável abrir um shopping domingo,
14:20não vai mais abrir domingo, a população vai reclamar.
14:23E também tem um outro problema, isso pode acabar gerando uma inflação, um aumento de preços,
14:28e que a gente já está passando agora com essa guerra que estourou lá e que o custo do combustível,
14:34vocês viram, aumentou quase 25% o combustível.
14:37O barril de petróleo, que era 65 dólares, foi para 100 dólares o custo do barril de petróleo,
14:46o que é muito alto, isso vai refletir lá para o consumidor,
14:49e claro, o consumidor não consegue ter poder aquisitivo e renda para pagar esse aumento de custo.
14:55Abertura
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