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  • há 2 horas
Syanne Neno conversou com ex- jogador de futebol edil highlander

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00:06Olá pessoal, tudo bom?
00:08Meu entrevistado desta semana no De Salto Alto é um personagem do futebol raiz,
00:15do futebol paraense na época em que o futebol era muito mais gostoso,
00:19que os jogadores eram irreverentes nas entrevistas, nas comemorações.
00:24Eu diria que ele é o maior símbolo do futebol raiz.
00:27Estou falando de Edil, Edilberto, é isso?
00:31Edilberto Conceição, é isso?
00:33Edilberto Melo de Oliveira.
00:34Edilberto Melo de Oliveira, filho do seu umbelino, grande e saudoso seu umbelino.
00:40Muito obrigada, Edil, pela sua presença, é um grande prazer ele ver aqui.
00:44Siane, é um prazer, é uma honra participar do teu programa, de salto alto, né?
00:49E muitos, muitos anos sem se ver, né, Siane?
00:52E a gente participar do teu programa, fico feliz.
00:54E estou aqui para responder as suas perguntas para o público e a torcida paraense.
00:59Estamos aqui, firme e forte.
01:01Edil, eu estive pesquisando sobre sua carreira no Google e encontrei coisas desconexas, desencontradas.
01:08Eu até perguntei para você e nem você sabe direito quantos gols você fez, né?
01:14Você é um dos maiores artilheiros do futebol paraense, é um dos maiores artilheiros nos clássicos,
01:22Remy e Paissandu, no Mangueirão, que eu sei.
01:25Faz um resumo aí da tua carreira rapidinho para a gente.
01:28Olha, eu sempre achei que estava errado o cálculo dos meus gols.
01:34Isso aí, porque eu joguei na Venezuela, dois anos.
01:38Você começou a carreira onde?
01:39Eu comecei no Paissandu, esporte clube, né?
01:42Minha carreira começou no Paissandu desde escolinha, né?
01:44Fiz a base, fiz escolinha, infância.
01:46Que é o clube do seu pai?
01:48Que era o clube do papai.
01:49A minha família é Paissandu, né?
01:50A maioria é Paissandu.
01:51Hoje tem alguns remistas que nasceram novos aí, sobrinhos, primas e tudo.
01:55Seu pai era grande amigo do meu pai, por isso que eu falo com essa intimidade do seu um veneno.
02:00Me lembro, me lembro do teu pai, quando eu ia lá visitar o papai lá no conselheiro.
02:04Ele era muito amigo, então a gente fica feliz por isso.
02:07Comecei no Paissandu, na base do Paissandu, me tornei profissional.
02:11Depois rodei a Venezuela há dois anos, joguei, fui campeão, bicampeão nacional,
02:16sendo artilheiro as duas temporadas e joguei duas Libertadores da América,
02:20uma no Chile e uma no Brasil.
02:22Depois voltei, fui para o Remo.
02:24Jogou Libertadores da América por quais cruz?
02:26Pelo Elmarismo na Venezuela.
02:27Eu sou campeão e bicampeão nacional, junto com o meu irmão Bebeto.
02:30Estava lá, o Bebeto que me levou na época.
02:32E eu disputei duas Libertadores da América pelo Elmarismo na Venezuela.
02:35Depois retornei ao Brasil, né?
02:38Fui para o Remo.
02:39Depois do Remo fui para o Vasco da Gama, do Vasco Vitória da Bahia,
02:44Ceará, Náutico, Confiança de Sergipe, Castanhara.
02:49Onde você foi ídolo no Confiança, artilheiro, né?
02:52Foi onde eu encerrei minha carreira, foi no Confiança e foram as últimas duas temporadas.
02:58Eu fui campeão do milênio lá no Confiança e uma temporada realmente brilhante,
03:04com muitos gols e saí daquele clube onde eu encerrei minha carreira.
03:08E hoje aquele povo lá de Sergipe me adora muito porque a minha temporada foi muito boa lá.
03:13E hoje, Edil, o que você faz da vida?
03:16Como é que é a sua rotina?
03:17Como é que é a sua relação com o futebol?
03:19Hoje, com o futebol, eu não fiquei nesse ramo do futebol.
03:24Hoje, eu sou um empresário, cuido das minhas coisas.
03:27Empresário de que ramo?
03:28De imobiliário, né?
03:30A gente tem apartamentos, tem terrenos, a gente tem loteamento, tem altamira, essas coisas, tudo.
03:37Então, a gente está nesse ramo de empresariado, de terreno e aluguel de apartamentos,
03:43que eu tenho ali na pedeira, no prédio, que era do papai, nós preparamos,
03:46e quem toma conta dele sou eu.
03:48E estamos nesse ramo dessa parte de aluguéis, apartamentos, terrenos para alugar, para vender e tudo.
03:56E, Edil, agora me conta uma das suas maiores características.
04:02Quando as pessoas lhe vêm na rua, que lembram de você,
04:05imediatamente associam à imagem dos personagens dos filmes que você incorporava.
04:11Primeiro foi o Carrasco, depois foi o Braddock, pelo ramo, e depois foi o Highlander, no País Sandor.
04:17Como é que começou essa história?
04:19Como é que você teve essa ideia de trazer personagens do cinema para dentro dos gramados?
04:24Primeiro começou com o Carrasco.
04:26Quando eu subi profissional do País Sandor, eu tinha a sorte, dava tudo certo,
04:33porque eu fazia gols no ramo toda vez.
04:36Clássico, eu fazia gols no ramo.
04:37E a torcida me apelidou de Carrasco.
04:40E no último dos clássicos, eu me lembro,
04:43o meu irmão, o Carlinhos, junto com a mamãe, pediu para fazer um capuche.
04:47E esse capuche eu entrei e botei na minha cueca do jogo.
04:50Eu fiz isso.
04:52E nós ganhamos de 2 a 1 esse jogo.
04:55Que ano foi isso?
04:56Isso foi em 87.
04:57Em 1987, eu fiz um dos gols e o final do Luizinho das Arábeas fez o outro.
05:03Nós fomos campeões em cima do ramo, 2 a 1.
05:04E eu fiz essa comemoração.
05:07Botei a marca do Carrasco e fiz a comemoração, cortando, decapitando os jogadores.
05:14Mas era uma brincadeira satia entre nós.
05:16A gente nunca levou para fazer maldade com o outro ou para querer menosprezar ninguém.
05:21Era uma brincadeira entre nós jogadores.
05:23Ele levava o Carrasco, depois veio o Braddock no ramo.
05:27O Braddock surgiu da seguinte maneira.
05:29O Paulo Cacheado, quando eu cheguei no ramo, o Paulo Cacheado tinha lá uma frase muito
05:36que dizia assim, aqui quem está falando do Comando Delta Azulino, direto do Bainão e tal.
05:42Aí eu, quando cheguei, eu disse, mas Comando Delta Azulino?
05:46O ator principal é o Chuck Norris, que faleceu recentemente.
05:50É, o Chuck Norris.
05:52Foi o Braddock, cara.
05:53Aí eu peguei, na minha estreia, eu fiz um gol, foi um treino reparo.
05:57Eu fiz um gol e comecei a metralhar em homenagem ao Braddock.
06:01E pegou.
06:02A torcida ficou fanática com o Braddock.
06:04Então, hoje a torcida do bichão ator de Braddock até hoje se lembra.
06:10Então, é bonito.
06:11E, quando eu saí do ramo, eu fui para o Castanhal.
06:15No Castanhal lá, os jogadores estavam lá, a maioria era de ramo para o Sanduque,
06:19não tinha chance, não teve chance mais no ramo para o Sanduque, estavam lá.
06:23Quando eu cheguei lá, eles...
06:24Rápido, Nidos, só lhe interromper.
06:26O Braddock era a metralhadora, certo?
06:27A metralhadora.
06:28Era o Braddock.
06:30E, depois do Braddock, eu saí do ramo, eu fui para o Castanhal, jogar uma temporada no Castanhal.
06:35Eu cheguei lá, a maioria era jogador de ramo para o Sanduque, estava lá.
06:38E eles disseram aqui, ninguém quer negócio de Carrasco, ninguém quer negócio de Braddock.
06:42Tem que ser um personagem novo.
06:43Não, jogador.
06:44Aí, eu cheguei machucado, tentava jogar, treinar e doía.
06:51Eu ficava triste e ia.
06:53E o jogador falava, oh, guerreiro, vamos lá, tu é guerreiro.
06:56Vamos para cima.
06:57Pô, vai dar tudo certo.
06:58E aí, estreou o campeonato, primeira rodada, segunda rodada, terceira rodada, deu fora.
07:03E eu, triste, querendo desistir, os caras me chamando de guerreiro, aí eu consegui voltar.
07:08Quando eu voltei, eu disse, pô, guerreiro?
07:11Pô, guerreiro tem o Highlander, guerreiro imortal.
07:15Pô, vamos pegar esse personagem.
07:17Aí, eu estreei em Abaité contra o Vênus, fiz dois gols.
07:22E aí, quando eu fiz o primeiro gol, fiz a comemoração e fui para a imprensa fazer a espada.
07:26Aí, os caras até falavam assim, meus amigos.
07:28Que ano foi isso?
07:28Isso foi em 2000, 2000.
07:33O Castanhão foi em 2000.
07:35Foi, ano 2000.
07:36O Highlander surgiu em 2000.
07:39E eu estreei, fiz dois gols.
07:41No primeiro gol, fiz a espada, fui comemorar, cortando lá.
07:44Aí, até um repórter falou assim, é um espadachinho que ele está comemorando?
07:48Então, mas era o Highlander surgindo ali.
07:50E o Highlander eu levei para todos os clubes, né, que eu fui.
07:53Depois de sair do Castanhão, fui para o Paissandu.
07:55E no Paissandu foi o maior sucesso.
07:58O Highlander realmente me arrebentou no Paissandu do Amém.
08:01Depois eu levei para o Náutico, levei para o Confiança.
08:04E é o seu personagem favorito, né?
08:06E hoje a marca da minha empresa é o Highlander.
08:09Ah, é a marca dessa empresa?
08:11É a marca, mas roupa, cueca, camisas, chapada, tudo tem o Highlander.
08:16Edil, você fez mais gols em clássicos pelo Remo contra o Paissandu ou pelo Paissandu contra o Remo?
08:24Eu acho que está igual.
08:25Eu acho que é igual.
08:26Foi igual.
08:26Eu acho que está bem igual, cinco gols.
08:28Se eu não me engano, foi isso aí.
08:29Se eu não me engano, cinco gols para cada, né?
08:31Para cada.
08:32Cinco gols pelo Remo contra o Paissandu, cinco gols pelo Paissandu contra o Remo.
08:37É isso.
08:37No Mangueirão, né?
08:38No Mangueirão, isso.
08:39Isso.
08:40Deve ser isso aí, mais ou menos.
08:41Tem alguma história curiosa envolvendo esses personagens?
08:45Alguma história que você nunca tenha revelado dessas comemorações?
08:50Olha, a história que eu posso te falar é que a gente combinava tudo antes, né?
08:54Com os jogadores e, às vezes, a gente treinava num treino.
08:59Olha, se fizer o gol, nós vamos fazer esse tipo de comemoração.
09:03Tu pega aqui, a gente fica um de costa para o outro e a gente vai contar três passos, vira
09:08e atira.
09:08Aí o cara, então, a gente planejava tudo isso aqui, sabe, no treino e acabava motivando
09:15o jogador e motivando a torcida e dava tudo certo.
09:18A gente ficava bem dias por isso, entendeu?
09:20São histórias que a gente levava ali do treino para o gramado realmente, de verdade.
09:27Como é que é?
09:28Aquela torcida toda vendo aquela comemoração que a gente treinava antes e dava tudo certo
09:33no jogo.
09:33Era uma motivação para nós, para o torcedor.
09:35E aquilo também me empolgava, porque quando chegava, o Highlander chegou, o Braddock,
09:40ou então vamos lá, Braddock, vamos lá, Highlander.
09:41Então, já não era mais o Edil, já era o personagem que o pessoal falava, né?
09:45Fala, Highlander, fala, Edil, fala, Braddock, e aí, Highlander?
09:48Então, isso aí é bonito quando o torcedor, o povo gosta, o torcedor realmente se apaixona
09:55pelo personagem.
09:56A gente fica feliz por ter dado certo.
09:58Você sente saudade dessa época?
10:01Você imagina que você assiste aos jogos de futebol ainda?
10:06E como é que é a sua relação com o seu passado?
10:09Você é uma pessoa nostálgica que, quando você assiste a esses jogos antigos, você
10:13tem vontade de chorar, você se emociona.
10:15Como é que é a sua relação com o seu passado, Edil?
10:17Olha, saudade dada, muita saudade.
10:21Isso eu te falo que, quando eu fazia um gol no Mangueirão, ou na Curuzu, ou no Bainão,
10:27a torcedora gritava, Edil, Edil.
10:29Então, isso aí mesmo, não tem dinheiro que pague, não tem...
10:33Isso aí fica no coração da gente, realmente a gente se emociona.
10:37E, realmente, eu sinto muita saudade desse tempo.
10:42Eu vejo a torcida do Mangueirão ali, eu vejo jogadores atuais.
10:46E a gente não sabe ver o importante que ele é para a torcida desses caras.
10:51Se eles soubessem, tanto que eles pudessem conquistar essa torcida, como eu conquistei
10:54todas as duas, que é muito difícil, jogar no futebol valente é difícil.
10:59Até pela minha época, no gramado, que hoje está muito bom o gramado.
11:04Mas eu sinto muita saudade, posso dizer de coração, sinto muita saudade.
11:08E você percebe, no futebol de hoje, como você acabou de falar, você sente essa ausência
11:13de identificação à camisa?
11:15Você citaria algum jogador de fora do Estado, por exemplo, nos elencos atuais de Remy Paissandu,
11:21que conseguem ter essa identificação com a torcida?
11:24Por exemplo, o Marcinho.
11:25O Marcinho, camisa 10 do Paissandu, ele criou...
11:29Ele está criando essa identificação muito grande com a torcida, tem a relação especial
11:33que ele tem com o Pampan, né?
11:35Eu sei.
11:37Você citaria alguém, além do Marcinho, que lhe chamou atenção nos últimos tempos,
11:42por ter essa identificação?
11:43Por criar essa identificação com a torcida paraense, sem ser daqui da terra?
11:49Olha, assim, o Marcinho está fazendo um trabalho bacana, sabe?
11:52Com o Pampan, vendo aquela...
11:54Ele está se tornando um cara ídolo da torcida, mas eu acho que ainda é muito pouco ainda
12:00para a nossa época.
12:02Por quê?
12:02Porque para o cara se tornar um personagem, ele tem que ter muito mais rodagem.
12:07Mas a gente está começando agora a fazer isso.
12:10Mas está no caminho.
12:10Mas está no caminho.
12:11E o que eu quero dizer para você é que não é da noite...
12:16Realmente você tem que se identificar com a camisa, ter mais tempo de ir de clube.
12:22Hoje, nossos garotos não se identificam mais com o clube.
12:27Aqueles caras que não querem mais honrar a camisa como...
12:30Hoje é mais dinheiro.
12:32Entendeu?
12:32Nós tínhamos uma boa camisa.
12:34A gente chegava, a gente beijava o escudo, a gente corria, a gente era paraense.
12:38Então, eu quero ver um paraense fazer isso.
12:41Mas o elenco atual do Paissandu é formado por Prata da Casa, jogadores das divisões
12:47de base do Paissandu e que a gente percebe o quanto eles têm identificação à camisa.
12:52É isso que eu quero que esses jogadores...
12:55Mas não é agora, daqui a pouco vão embora.
12:58E aí vão se identificar com a camisa.
13:00Mas você considera que houve uma virada de chave já com esse título do Paissandu,
13:05com a Prata da Casa?
13:06Da Casa, agora estão no caminho certo.
13:09Eu sempre falei, o futebol paraense só vai dar certo.
13:11Quando eu inverti no nosso...
13:13A gente até fala assim, brincando.
13:14Papa Chibet, tem que ser o paraense.
13:16Nós temos aqui um celeiro de atletas, cara.
13:19Interior.
13:21O Paissandu está fazendo tudo certinho.
13:23Por isso que está dando certo.
13:24Investiu na Prata da Casa.
13:26Jogadores não muito caros.
13:28Jogadores que estão honrando a camisa.
13:31Esse é o caminho, cara.
13:32E a gente vê a raça, a pegada dos jogadores dentro de campo, mostrando que pode estar
13:38ruim o que tem, mas estão lá se jogando.
13:41Olha os jogadores do Paissandu saíram, tudo com cãibra, abrindo distensão aqui.
13:44Então, esse é o caminho, cara.
13:46Se esses jogadores continuarem nesse caminho aí, eles vão se tornar ídolos dessa torcida
13:50tranquilos, cara.
13:51Sem medo de errar.
13:52Porque estava faltando isso no futebol paraense.
13:54E você ficou feliz vendo essa virada de chave com o elenco do Paissandu, com esse título
14:00do Paissandu?
14:00Sem dúvida nenhuma.
14:01Estou simples.
14:02Vou te dizer para você.
14:03O meu coração hoje é dividido pelos dois clubes.
14:05Remo e Paissandu.
14:06Eu abri meu coração para o clube do Remo.
14:09Eu comecei no Paissandu porque a minha família é toda a Paissandu.
14:12Já era a Paissandu.
14:15Então, indo para o Remo, jogando, ganhando título, vindo aquela torcida gritar meu nome,
14:20eu abri meu coração para a torcida do Remo também.
14:22Então, o meu coração é dividido pelas duas equipes.
14:24Remo e Paissandu.
14:25Isso é de coração porque eu tenho os títulos, sou 30 e pensa, com a camisa do Remo,
14:30gols, títulos.
14:31A torcida do Remo me adora.
14:32Então, eu abri meu coração para isso.
14:34Mas eu vou dizer uma coisa para vocês, cara.
14:35De coração.
14:37Não tem dinheiro que pague.
14:38Essa torcida idolatrar.
14:40Onde você chega, quer bater uma foto.
14:43Hoje eu estou tomando um cafezinho no shopping com a minha esposa.
14:45Aí chega um...
14:47Meu filho, essa lenda aqui, vou bater uma foto contigo.
14:50Então, isso não tem dinheiro que pague, cara.
14:52Eu fico muito feliz de ter feito tudo o que eu fiz pelo Remo, pelo Paissandu, títulos,
14:57gols.
14:57Porque essa torcida reconhece, cara.
14:59E qual foi o seu repá inesquecível?
15:01Se puder escolher um, Edinho.
15:03Eu já desconfio com você.
15:05Olha...
15:05Vamos lá se vai ser o mesmo.
15:07Eu vou ficar com o de 92.
15:09Acertei.
15:09O primeiro, né?
15:10Da sequência dos quatro.
15:11Da sequência dos quatro.
15:12Das quatro vitórias do Paissandu de 1-0.
15:14Aquele ali é inédito.
15:14Aquele foi inédito.
15:16Morremos com aquele timaço dele, cara.
15:18E você viu como que foi, né?
15:19Ia ser tetra, né?
15:20Ia ser tetra.
15:21Ia ser tetra.
15:22Mas quebramos o tetra.
15:22Aí veio Augusto Morbach.
15:24Augusto Morbach.
15:25Pra impedir o tetra do meio.
15:26Aí chegou lá no vestiário e abriu uma mala de dinheiro.
15:30Até hoje eu não recebi o meu dinheiro.
15:32Até hoje você não recebeu?
15:33Eu estou com o cheque dele aí guardado lá em casa.
15:36Vê se ele me paga um dia.
15:37Está lá guardado, mas não prescreveu já.
15:39Então ele chegou.
15:40Foi uma motivação muito grande.
15:43Trouxe...
15:43Nós precisávamos de contratação de contrator, né?
15:45Na época foi o Vitor Hugo.
15:47Jorginho.
15:48Jorginho.
15:49Veio o Edson Buarro.
15:49Edson Buarro.
15:50E o Mendonça.
15:51Mendonça.
15:51Esses caras entraram certinho no time que motivou.
15:55E só tinha um jeito de ser campeão.
15:57É ganhar as quatro partidas do Lemos.
15:59E nós ganhamos.
16:00Eram três turnos naquela época, né?
16:01É, três turnos.
16:02O Remo havia sido campeão do primeiro e do segundo?
16:05Nós tínhamos que reverter, ganhar o gol.
16:07E depois reverter dentro de campo ainda com vitórias.
16:10Aí, com o gol seu, foram quatro clássicos com quatro vitórias no a zero do Paysandu,
16:18sendo que o primeiro foi gol do Edil, que deu o título, é isso?
16:22Do terceiro turno?
16:23Deu o título do terceiro turno.
16:24Aí depois...
16:25Mais três partidas.
16:26Vieram as três partidas para decidir?
16:28Para decidir.
16:28O título do ano.
16:29É, para dizer que era campeão.
16:31Deixa eu ver se eu acerto.
16:33Puxar pela memória.
16:35Figueiredo.
16:36Figueiredo.
16:37Vitor Hugo.
16:38Vitor Hugo.
16:39E Mendonça.
16:39Mendonça.
16:40Acertei.
16:41Essa aqui é uma verdade.
16:42Eles se compede o Fibão Paranense.
16:45É isso.
16:46Aí foi o título de 92, com aquele golaço do Mendonça no meio da rua.
16:51E eu acho que isso está na história.
16:53Tem que ser lembrado, tem que ser repassado, que é para ver como é uma equipe que estava
16:58lá embaixo, de repente cresceu rápido.
17:01Por quê?
17:02Porque nós se unimos, se dedicamos e conseguimos realmente tirar esse título do Remo, que
17:07era o teto da campeonato do Remo.
17:08E essa proeza de ser ídolo das duas equipes, qual foi o segredo para isso, Edil?
17:14Acima de tudo, respeito.
17:15É, respeitar a torcida, dedicação.
17:18Chega lá, esquecer que eu, meu, o Baissandu passou ali e agora estou aqui no Remo.
17:26E a cobrança vai ser dobrada.
17:29Só te falar um pouquinho aqui.
17:31Quando o Pikachu chegou, me ligaram.
17:34Se Edil, o rapaz de uma rádio, Edil, o Pikachu indo para o Remo, ele deixa de ser
17:41ídolo do Baissandu.
17:41Eu digo, não, ele é ídolo do Baissandu já, já fez que ele foi para o Baissandu.
17:45Agora ele vai para o Remo.
17:47Aí a cobrança vai ser dobrada.
17:49E eu tive isso também.
17:50Eu fui muito cobrado.
17:52Minha família é para o Paissandu.
17:54Eu saí do Baissandu, ídolo do Baissandu, títulos em cima do Remo, carrasco do Remo.
17:59Tem que chegar lá, tem que fazer.
18:01Eu de novo.
18:01Então, esqueci o Paissandu, Remo, dedicação total, treinamento, direto.
18:06O que eu fazia?
18:08Acabava o treino, dez bolas aqui, dez bolas aí, lateral, cruzando na minha cabeça.
18:12Finalização, finalização, finalização.
18:14Hoje não faz mais isso.
18:15Por isso que hoje nossos matadores estão faltando.
18:18Porque acaba o treino, não, não, tem que todo mundo para o vestiário, o fisiologista
18:22chama, o preparador oficinal.
18:24Eu não tinha isso, não.
18:25Eu vou ser sério para você.
18:27Acabava o treino coletivo, treinava os treinos, eu queria dez bolas do lado, dez bolas,
18:31e o lateral, o professor pedia isso para o Juvalinho da Oliveira, para o Valdemar Carabina.
18:36Entendeu?
18:37Esses treinadores, tudo eu pedia, eu não quero treinar, César Moreto, eu quero treinar.
18:41E aí, chegava no jogo, aparecia duas, três oportunidades.
18:45Eu guardava uma, guardava as duas.
18:47Às vezes, eu guardava as três.
18:49Perdia também, mas treinava muito.
18:51E quando eu perdi um clássico, eu ia para casa triste, porque eu não fiz um gol, porque
18:56eu não consegui ganhar.
18:58Então, esse era o meu sentimento.
19:00Mas eu digo para você, é treinar, se dedicar que dá certo.
19:04Eu acho que o Pikachu tem que dar uma melhorada nesse ânimo dele.
19:08Eu estou vendo que ele está muito carves baixos, está muito devagar, está perdendo
19:11o gol que ele não perdia nos clubes que ele jogou.
19:14Então, é uma motivação, está precisando de motivação.
19:17O Pikachu é grande jogador, sabe muito de bola, mas eu estou achando que ele está
19:21para baixo no remo.
19:22Agora, Edil, como é que você vê o futebol atual?
19:26O futebol da era digital, em que os torcedores estão sempre cobrando os jogadores.
19:34Existe muita cobrança nas redes sociais.
19:37Você não tem mais vida privada, você não tem mais vida social.
19:42você fica muito refém, o jogador de hoje vira muito refém dos torcedores nas mídias
19:48digitais, né?
19:49E perdeu aquela espontaneidade das entrevistas daquela época.
19:53Vocês, digamos, não tinham filtro, eram entrevistas mais espontâneas, que vocês não
19:59pesavam muito o que falar.
20:01E as comemorações de gols também eram mais livres, né?
20:04Verdade.
20:05Você acha que ser jogador de futebol, hoje em dia, é mais difícil do que naquela época?
20:12Eu acho que foi uma mudança muito radical.
20:16Mudou muita coisa.
20:18Como você falou, as comemorações que a gente fazia antigamente, hoje você não pode
20:21fazer porque ou você está menosprezando alguém, ou você está humilhando alguém,
20:27ou você está levando para a brincadeira de fazer uma metralharada, ou fazer uma espada,
20:34alguns vão levar para o outro caminho.
20:36Então, e na nossa época não tinha isso, sabe?
20:39A gente comemorava com alegria, brincava.
20:41Hoje, jogador, qualquer coisa, entendeu?
20:44Você está ofendendo.
20:45Então, eu acho que o futebol ficou assim...
20:50Uma palavra que eu vou te dar...
20:52Chato.
20:52Ficou chato.
20:55Ficou meio...
20:56Muita...
20:56Engessado.
20:57Engessaram muita coisa.
20:58Vocês tinham liberdade de ir no campo, entrevistar a gente, chegar lá, entravam.
21:02Hoje não, tem que ir para uma mesinha, sabe?
21:05Escolhem os jogadores, quem a gente vai entrevistar.
21:08De repente, aquele cara fez...
21:09Você quer entrevistar um jogador, não pode porque está escolhendo um para ele.
21:13Então, eu acho que ficou chato.
21:15Como a palavra certa que você falou, ficou chato.
21:17E eu não gosto.
21:20Eu sou igual a você.
21:21Eu sou do...
21:21Naquela época, nostalgia também.
21:23Eu realmente podia tudo e era mais alegre.
21:27Edil, para encerrar esse bate-papo que está muito bom, vou começar com algumas perguntas
21:32aqui.
21:33O seu melhor treinador na carreira, qual foi?
21:37Valdemar Carabina.
21:41Com quem você formou a melhor dupla de ataque?
21:44A Geu Sabiá.
21:46Sabia que ia ser essa resposta.
21:47Aliás, cadê o A Geu, né?
21:49O A Geu Sabiá está aí.
21:51De vez em quando eu falo com ele, ele me ligou.
21:52Ele queria que fosse jogar um repado no domingo com ele, mas não deu.
21:55Vou até pedir desculpa, a Geu, que não deu para ir contigo lá no domingo, no repado
21:58que você queria lá.
21:59Mas na próxima a gente vai estar junto aí.
22:00De vez em quando eu falo com ele, ele está sempre comunicando.
22:02É um parceiro amigo meu.
22:04E qual foi o seu marcador mais chato?
22:07Neysor Betão.
22:09Neysor Betão, é verdade.
22:10Você era muito enjoado.
22:13Grande Ney, um abração para esse meu amigo também.
22:16Ele é muito enjoaneiro, era enjoado por cima, por baixo.
22:19E eu tenho certeza, se ele for entrevistado, ele vai falar também.
22:22Um grande zagueiro, verdade.
22:22Ele vai dizer para mim qual é o pior atacante que ele pegou.
22:25Ele vai dizer que é eu também.
22:26Ele te pediava muito.
22:27Quando era repá, a maior alegria dele foi quando eu fui jogar do lado dele.
22:31Ele disse, agora também, agora eu quero do meu lado, porque contra, tu é muito enjoado.
22:35Falava isso.
22:35Edil, Edil, muito obrigada pela sua participação aqui, sua presença.
22:39É sempre muito bom reviver essas histórias na época que o futebol paraense era muito feliz.
22:45E eu me orgulho muito de ter feito parte dessa história também.
22:48Muito obrigada.
22:49Boa sorte aí na sua carreira de empresário.
22:51Muito sucesso.
22:53Obrigado.
22:53E que Deus lhe abençoe.
22:54Obrigada.
22:55Muito obrigado, senhora, pela oportunidade.
22:57Foi um prazer estar no teu programa.
22:58E matando a saudade, viu?
23:00Parabéns pelo seu programa.
23:02Obrigada, Edil.
23:03Obrigada, pessoal.
23:04Até semana que vem.
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