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O especialista em sustentabilidade Carlo Pereira analisa como o conflito no Oriente Médio expõe a fragilidade da dependência global de combustíveis fósseis. Relembrando o erro estratégico da Alemanha com o gás russo — que custou 200 bilhões de euros após o colapso do Nord Stream —, Pereira destaca que a migração para o gás do Catar também se provou vulnerável após os recentes ataques.

A solução, segundo ele, reside na coragem política para acelerar a transição para fontes renováveis, como o biodiesel, energia solar (cujo custo caiu 90%) e eólica offshore. Para o Brasil, o cenário de guerra no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos reforça o potencial de friend-shoring: o país se posiciona como um porto seguro para data centers e indústrias, oferecendo energia barata, abundante e estabilidade geopolítica.


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Transcrição
00:00Quarta-feira é dia de capital sustentável com o nosso notável especialista em sustentabilidade,
00:06Carlo Pereira.
00:07O assunto de hoje não poderia ser outro conflito no Oriente Médio e os possíveis impactos
00:12sobre a cadeia global de energia e a dependência do petróleo.
00:16Carlo, boa noite para você.
00:18Sempre bom conversar com você.
00:19Bom, Carlo, toda vez que a gente vê o Oriente Médio pegando fogo, o mundo inteiro sente.
00:24A gente não aprendeu ainda?
00:26Cris, não.
00:28E por quê?
00:28Por conta de um custo político de curto prazo.
00:32Eu vou recuperar uma história aqui que talvez nem todo mundo se lembre, mas Angela Merkel,
00:38início dos anos 2000, então vamos lembrar até então a estrutura da matriz energética
00:45da Alemanha era o quê?
00:46Era cavão e nuclear, 30% nuclear.
00:50E Angela Merkel teve uma ideia, falou, não, a gente tem que reduzir esse custo, do outro
00:54lado o ambientalismo batendo forte, falando assim, ó, nuclear não dá, cavão.
00:58Também não dá, né?
01:00E a ideia foi o quê?
01:01Temos o gás russo.
01:03Então, construção Nord Stream 1, Nord Stream 2 e 16 bilhões depois, né?
01:11E no caso do 1, dois anos depois, já começou a fluir o gás ali para a Alemanha.
01:16Funcionou muito bem.
01:17Competividade da indústria alemã aumentou muito.
01:20Foi tudo, deu tudo muito certo.
01:22Por quê?
01:22Porque era uma época que a gente estava considerando mais os fatores econômicos, exclusivamente
01:27os fatores econômicos e deixando fatores geopolíticos mais de lado, né?
01:32Até que a relação com o Putin começou a degringolar e aí veio então a explosão que
01:37teve, foi o maior atentado à indústria de energia que existiu na história moderna,
01:43pelo menos, né?
01:44Quanto custou para os alemães?
01:46200 bilhões de euros.
01:49A indústria química praticamente colapsou, né?
01:52Então, isso, Cris, nos diz o quê?
01:55Que a gente tem sim que levar em conta esse fator geopolítico, né?
02:01A gente vê a maioria dos países que tem reserva de petróleo, né?
02:06A gente vê que são países que não têm ali uma superestabilidade, tá?
02:11Então, por isso, apesar desse custo político, né?
02:14Respondendo a tua pergunta, a gente tem que enfrentar de maneira mais corajosa, eu diria,
02:21essas questões para não se colocar em uma situação como essa.
02:25Agora, o Catar, a gente vê o que aconteceu, né?
02:27Então, a Alemanha saiu do gás russo e foi para a Noruega, até aí tudo bem, aproximadamente
02:3450%, 20% Catar.
02:36E aí, o Catar foi atacado, né?
02:38Então, assim, não é fácil.
02:40Mas existe uma saída real para essa armadilha?
02:44Cris, olha só, não é uma conta assim, né?
02:46Sai daqui e vai para ali tranquilamente, assim.
02:48Mas as renováveis, vamos pegar a Alemanha de novo, né?
02:51Eu vou meter a Alemanha de novo.
02:53Eu morei lá em 2006, 2007 e 2008 ali, né?
02:56E muito por conta de biodiesel, né?
02:59Trabalhar com biodiesel aqui no Brasil.
03:01E aí, o que acontece?
03:02É, naquele ano, especificamente, a Alemanha acabou com o subsídio do biodiesel alemão.
03:09Então, a Alemanha, que, assim, produzia 100 vezes mais biodiesel que o Brasil, né?
03:14Parou de produzir biodiesel.
03:17Digo, continuou produzindo.
03:18Hoje é um dos cinco maiores produtores.
03:20Tem lá o B7 deles, ou seja, 7% de biodiesel.
03:24Só que a gente, por exemplo, hoje está com B15, né?
03:27Eles poderiam estar muito mais avançados nisso.
03:30E questões, claro, políticas internas, questões da sociedade, questão de conflito por terra,
03:37de, né?
03:38Esse conflito que se tem, teórico, pelo menos conceitual, de comida versus, alimento versus combustível, né?
03:45Ou seja, brigando pelo mesmo espaço de terra, né?
03:48Então, por exemplo, a gente vê Cuba, né?
03:51Que tem uma produção de cana-de-açúcar, famoso por isso, né?
03:55Poderia ter uma produção de etanol e a gente vê Cuba 70, 80% da produção de eletricidade,
04:01vem de fóssil.
04:02E a gente viu com essa questão da Venezuela, Cuba está completamente sufocada.
04:07Eles ficam 20 horas sem energia elétrica, Cris, né?
04:10Então, por isso que renováveis, por exemplo, é um caminho que eu vejo como sendo, vai,
04:17ah, não tem o rio, né?
04:19E olha que solar é super democrático.
04:22O solar diminuiu 90% do custo nos últimos anos, idem com eólica.
04:28Eólica offshore, que alguns países, a Alemanha, por exemplo, tem muito, diminuiu 70% nos últimos
04:34cinco anos.
04:35Quando a gente traz para o Brasil, como é que essa guerra reposiciona o país em todas
04:41essas questões que você está trazendo?
04:43Olha, Cris, não quero ser oportunista num momento horroroso como esse, né?
04:47Mas a gente viu que os ataques, por exemplo, a gente fala muito de data center aqui, né?
04:53Os ataques, eles foram atacados, por exemplo, data center no Bahrein, né?
04:59No Catar também, nos Emirados Árabes, né?
05:02Então, aí eu volto sempre na discussão da gente como Frenchoring, né?
05:07Então, além da gente ter um alinhamento político, cultural com os países ocidentais, por exemplo,
05:20a gente é um país que não tem guerra com ninguém, né?
05:23Então, acho que esse é um fator muito relevante que, numa hora como essa, a gente tem que levar
05:29em consideração.
05:30Fora isso tudo que a gente está falando também, de matriz energética e tudo mais, né?
05:34Então, o Brasil, eu acho que, num momento como esse, tem que ficar muito claro para o mundo
05:39que, assim, quer levar a sua produção para algum lugar e, por conta dos diversos fatores,
05:45energia barata, energia abundante, Frenchoring e todo o resto, vem para o Brasil.
05:50Obrigada, Carlos.
05:52Sempre bom ter você aqui.
05:53Até semana que vem.
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