00:00E a gente também tem um outro dado aqui preocupante para registrar no Jornal da Manhã.
00:04Atenção, oito em cada dez vítimas de estupro não buscaram atendimento após a violência.
00:11Esses dados foram divulgados numa pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva.
00:17Danúbia Braga tem as informações ao vivo.
00:19Danúbia, bom dia, seja bem-vinda.
00:21A gente ainda assusta, assusta muito a gente imaginar que oito em cada dez vítimas não buscaram atendimento.
00:30É um número muito expressivo, Danúbia.
00:35Exatamente, e alguns fatores contribuem para isso.
00:39O primeiro deles, medo do agressor, medo de ser desacreditada, o sentimento de vergonha e também a falta de informação
00:48das leis e dos seus direitos.
00:50Essa situação fica pior quando essa menina ou essa mulher engravida pós-estupro.
00:57Aí a desinformação fica mais gritante ainda.
01:01A maioria das mulheres e das meninas não sabem quais são os seus direitos numa situação como essa.
01:06Essa pesquisa, pesquisa de percepções, então, de meninas e mulheres grávidas pós-estupro,
01:12realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva.
01:16A gente preparou uma arte para a gente acompanhar junto algumas perguntas que foram realizadas, então, para essas vítimas.
01:23E aí, quais foram as respostas?
01:25Então, vítimas de estupro que não buscaram atendimento de 13 anos ou mais, 76%.
01:31Com 14 anos ou mais, 78%.
01:35Tem uma outra arte que mostra a respeito do aborto para meninas até 13 anos e que engravidaram pós-estupro.
01:43Não sabem que é legal?
01:4544%.
01:46Não conhecem serviços especializados?
01:4953%.
01:50Não sabem que o boletim de ocorrência não é necessário para a realização do aborto?
01:5559%.
01:56A pesquisa ainda segue.
01:58Aborto em clínicas clandestinas.
02:00Aí, o número é muito expressivo.
02:02Entre os que conhecem mulheres que abortaram em clínicas clandestinas, 71%.
02:08E a população geral, 33%.
02:12São dados expressivos e que mostram como a população e, principalmente, as mulheres que acabam ficando mais vulneráveis,
02:19não buscam esse tipo de atendimento, se sentem completamente abandonadas, sozinhas e colocam em risco as suas vidas
02:27quando elas vão ali fazer justamente esse aborto em clínica clandestina.
02:30Principalmente quando a gente fala de adolescentes, de meninas de 13 anos.
02:35A gente tem diversos dados a respeito dessa pesquisa, que é bem detalhada.
02:40Então, ao longo do Jornal da Manhã, a gente vai trazer mais informação a respeito dessa pesquisa
02:45em que mostra que a desinformação, inclusive, pode matar, levar essas meninas à morte,
02:51uma vez em que elas acabam recorrendo à clandestinidade para conseguir realizar o aborto quando são vítimas de estupro.
02:59Daqui a pouco a gente vai trazer e detalhar ainda mais essa pesquisa.
03:02Volto com vocês.
03:03Obrigada, Dona Nubia Braga, pelas informações.
03:05É por isso que a gente sempre traz dados, pesquisas e casos para levar, no mínimo, a conscientização.
03:12Então, mais do que o choque de vermos esses números,
03:17eles são dados que refletem essa cultura do silêncio, da vergonha e do medo das vítimas.
03:22Principalmente quando se trata de meninas mais jovens,
03:25que carecem de apoio e de cuidado,
03:28de uma rede que as conduza até os atendimentos básicos
03:32que já existem para acolher esse tipo de situação.
03:36A gente está falando de uma subnotificação,
03:38que gera um efeito em cascata, impedindo muitas vezes a punição dos responsáveis
03:44e colocando em risco dezenas, milhares de vidas de garotas de até 14 anos.
03:51E eu quero colaborar nesse papo também e dizer para todos nós homens
03:54que essa responsabilidade é nossa.
03:57E que não adianta dizer que se ama uma mulher ou que amamos as mulheres
04:02se a gente relativizar ou encobrir qualquer tipo de abuso que venha de outros homens.
04:09Então, a gente precisa mudar também o nosso papel,
04:12seja entre nós, seja com os nossos filhos e com todos aqueles que estão ao nosso redor.
04:19Essa responsabilidade é nossa.
04:20Ok? Vamos juntos.
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