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A gigante petrolífera Saudi Aramco informou que sua refinaria Ras Tanura foi atingida por um drone, enquanto o conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã chega ao terceiro dia.

Um pequeno incêndio se iniciou, mas já foi controlado. As instalações estavam fechadas como precaução devido às tensões na região. A empresa não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.

O avanço do conflito elevou os preços do petróleo, diante do risco de interrupções no fornecimento.

O impacto do ataque se refletiu nos mercados globais, que iniciaram a semana em baixa. Os principais índices asiáticos registraram perdas generalizadas, embora setores ligados a petróleo e mineração de ouro tenham registrado ganhos, especialmente na Austrália.

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Transcrição
00:00Uma notícia que acaba de sair, hein? A refinaria de Rastanura, da Saudi Aramco, foi atingida por um drone nesse
00:07terceiro dia do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
00:11A unidade, localizada na Arábia Saudita, estava fechada de forma preventiva diante da escalada regional.
00:17O chefe da agência nuclear da ONU, Rafael Grossi, afirmou que a agência não tinha indicação de que quaisquer instalações
00:25nucleares no Irã tivessem sido danificadas ou atingidas nos ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel.
00:33Daqui a pouquinho, a gente vai voltar com mais informações sobre esta situação de uma das maiores petrolíferas, o maior
00:41campo de exploração do petróleo, que produz 550 mil barris por dia.
00:46E agora vamos direto à Europa, onde está o nosso correspondente, Diego Mezzogiorno, que chega ao vivo conosco aqui no
00:53pré-marketing.
00:54Oi, Diego, muito bom dia para você.
00:57Diego, falando do conflito, uma autoridade, o Laranjane, ele disse uma autoridade de segurança do Irã, contradisse Donald Trump e
01:10disse que não pretende negociar com os Estados Unidos.
01:13Não é isso, meu amigo? Seja bem-vindo aqui ao pré-marketing.
01:19Bom dia, Clay, bom dia a todos. Clay, aliás, bem-vindo de volta das merecidas férias.
01:25Aqui na Europa, a gente está de olho, especialmente agora, na questão do gás.
01:32Mas essa notícia de que é um desmentido por parte do governo iraniano, ou seja, a gente está falando de
01:41um alto escalão, dizendo que não procuraram o governo dos Estados Unidos para nenhum tipo de negociação.
01:47Então, primeiro, é a contradição de Donald Trump, que gosta muito de fazer espetacularização em redes sociais, mas é uma
01:58famosa desmentida.
01:59Isso pode, obviamente, piorar a situação em relação a este conflito.
02:07Por um outro lado, aqui na Europa tem bastante receio em relação a esse novo ataque agora, que aconteceu pela
02:15manhã, pouco tempo atrás, na Arábia Saudita.
02:18Essa informação também chegou por aqui e tem levantado bastante preocupação, especialmente no mercado também, por conta do gás.
02:27Tem uma dificuldade bastante grande da Europa, a gente sabe, depois da Guerra da Rússia, e isso piora ainda mais
02:33a situação da Europa.
02:35Então, todas as antenas europeias estão ligadas nos próximos movimentos do que pode acontecer no Estreito de Hormuz,
02:43porque isso realmente preocupa, a gente tem que lembrar também que a Europa ainda está no inverno, né?
02:49Então, essa necessidade desse gás e o aumento disso para a população e também para a indústria é o que
02:56está no radar agora dos europeus, Clay.
02:59É, até porque, né, Medo Diornou, a Europa não compra mais ou há algum tempo já não tem o fornecimento
03:06da Rússia, né?
03:07Justamente por causa da guerra, do ataque russo à Ucrânia, né, com sanções à Moscou, então o gás não vem
03:14da Rússia.
03:15Aí, você tem um gás vindo da Arábia Saudita, ali do Golfo Pérsico.
03:19Com esse ataque, com o fechamento, né, da Saudi Aranco, isso pode dificultar muito o abastecimento de gás na Europa,
03:27que tem uma necessidade ainda maior no momento de frio, né, com o clima frio.
03:32E com o fechamento do Estreito de Hormuz, então, complica mais, já que pelo Estreito passa cerca de 20%
03:39do gás liquefeito, né,
03:41que chega até a Europa também.
03:43Já, já, então a gente volta a conversar, tá bom, meu amigo? Obrigado por enquanto.
03:47Até já, Glenn.
03:47Até.
03:49E o Exército de Israel anunciou ataques simultâneos no Irã e no Líbano,
03:53e reiterou que o movimento islâmico libanês Hezbollah pagará caro por abrir fogo contra o país.
04:00O porta-voz militar, general F. Defrim, acaba de dizer na TV estatal que centenas de aviões da Força Aérea
04:08estão bombardeando simultaneamente o Líbano e o Irã.
04:11O Hezbollah abriu fogo durante a noite e sabia exatamente o que estava fazendo.
04:16Nós anunciamos e eles pagarão caro por isso.
04:19Daqui a pouquinho, o nosso correspondente na Europa, o Diego Medellano, vai voltar com mais atualizações do conflito.
04:25Porque agora eu vou chamar a Mariana Almeida, a nossa analista, que já está aqui no pré-marketing.
04:30Tudo bem, Mariana Almeida? Que saudade que eu estava de você, meu amigo.
04:33É verdade, Cláudia. Bem-vindo de volta ao pré-marketing.
04:36Pena que é diante de uma situação dessa, mais um conflito que está desenhado ali no Oriente Médio.
04:42A gente viu em junho do ano passado, os Estados Unidos já fizeram uma ofensiva contra bases nucleares do Irã.
04:50E agora, pelo jeito, a escalada desse conflito deve aumentar ainda mais, junto com os ataques com Israel.
04:58E já estamos vendo complicações em relação ao gás.
05:01Se já não bastasse o petróleo, agora o gás.
05:04Isso causa um problema de energia global, né, Mariana Almeida?
05:08Pois é, Cláudia. Acho que tem as duas camadas aí, né?
05:10Tem uma questão ainda inicial, que é a tensão sobre o conflito mesmo e até onde ele vai em termos
05:15de extensão.
05:16Ou seja, que países vão se envolver, do ponto de vista das retaliações, que o Irã também já começou e
05:21acionando diversos grupos.
05:23Como que outras regiões isso pode afetar.
05:25Isso em si já cria um clima de incertezas frente à economia, porque fica esse momento de dúvida sobre tomada
05:32de decisão ou não.
05:33Isso está posto.
05:34Além disso, das incertezas mais gerais em termos de conflito, vem especificamente o fator energia.
05:40Porque esse é um mecanismo de contágio mais generalizado para a economia, né?
05:44Quer dizer, se de fato se confirma um tempo mais estendido do conflito, que entra com alguma restrição de oferta,
05:51no caso do petróleo, no caso do gás,
05:53é o que a gente infelizmente já viu há algum tempo, que é elevação da possibilidade de inflação.
05:59Por quê?
05:59Passa que os preços aumentam.
06:00É isso.
06:01Tem menos oferta de energia, a energia fica mais cara, a energia mais cara é produção mais cara de maneira
06:06generalizada,
06:07pressão sobre preços, pressão sobre preços.
06:10A maior parte dos governos começam a ter que atuar sobre a inflação, os mecanismos de apoio à economia são
06:17reduzidos,
06:18e aí você tem um clima de menor crescimento colocado de maneira generalizada na economia.
06:22Exato.
06:23E agora a gente tem esse problema na Saúde Aranco, que anunciou o fechamento do seu campo de exploração ali
06:30no Golfo Pérsico,
06:32ali na Arábia Saudita, que tem capacidade para a produção de 550 mil barris por dia de petróleo.
06:37E tem a questão também, como a gente está dizendo, do gás, isso tudo preocupa.
06:40E agora, para complicar um pouquinho mais, tem a entrada do outro grupo, o Hezbollah, o grupo libanês, que está
06:47fazendo ataques contra também Israel.
06:50Isso acaba prejudicando ainda mais, porque você tem outras frentes entrando nesse conflito,
06:57e você não sabe onde que isso pode terminar.
06:59Porque a gente já viu ataques no Emirado dos Árabes, também no Bahrein, e agora o Líbano faz esse ataque,
07:05Israel faz uma contradefensiva, e a gente está vendo aqui imagens agora de Beirute, a capital libanesa.
07:12Por enquanto, a gente vê imagens ainda de uma capital tranquila, já é mais para tarde lá no Líbano,
07:20mas fica toda essa preocupação também lá na região, porque isso pode afetar também o Líbano.
07:26Pois é, Clay, além, claro, todo o processo de guerra, desse tipo de conflito, tem uma questão humana aí de
07:32perda de vidas,
07:33de acionamento aí de uma questão, enfim, de todo o processo violento que ele é para a história desses países.
07:39Agora, puxando um pouco aqui para o nosso tema da economia também,
07:44essa entrada de novos agentes, como você estava colocando, Hezbollah agindo,
07:48tendo alguma ação adicional lá em Israel, no Líbano, o que vai acontecendo?
07:52Tem fechamento de aeroporto, fechamento de, por exemplo, você acabou de falar do gás,
07:58mas também afeta a logística, é isso que eu ia dizer.
08:01Claro.
08:01Ou seja, na medida em que eu tenho toda uma região que torna-se uma região passível de insegurança,
08:07e uma insegurança bastante significativa, a tomada de decisão, as viagens, os fluxos,
08:12sejam de pessoas, sejam de...
08:14Que é um canal, o canal de shows é um canal importante ali de mercadorias,
08:19de 15% a 20% da mercadoria do mundo passa por ali, que corta a Europa para chegar até
08:24a Ásia,
08:25não precisa contornar a África, isso aqui não foi atingido fechado.
08:28E os aeroportos também, porque por ali passa uma boa parte do fluxo de pessoas, por exemplo,
08:33que saem da Europa para ir para a África, para ir para a China, para o Japão.
08:37Então tem um movimento ali que acaba depois tendo uma contração.
08:40Contração de mercadorias, mas também de pessoas que acabam sendo conexões para fazer negócio,
08:47para fazer a atividade econômica fluir.
08:49Então é um efeito significativo.
08:51Neste momento, então, calma, a gente está vendo imagens ao vivo novamente aqui do Líbano, capital Beirute.
08:57Neste momento a gente não vê nenhum foco de incêndio ou nenhuma imagem de conflito,
09:02e a gente espera que continue assim, porque o Hezbollah atacando, o Irã com certeza vai contra-atacar.
09:08E este conflito, claro, gerou uma alta, uma explosão no preço do petróleo.
09:14E a gente vai saber como é que está, então, a cotação do Brent neste momento com a nossa repórter,
09:19a Soraya Lawandi, que está chegando ao vivo, então, conosco aqui.
09:22A Soraya já está aqui na tela.
09:24A Soraya que muito bem me representou aqui no pré-marketing,
09:29brilhantemente apresentando aqui o nosso pré-marketing.
09:32E hoje vai trazer informações relevantes e importantes sobre o petróleo também para a gente.
09:36Oi, Soraya, muito bom dia para você.
09:39Soraya, a gente sabe que o preço do petróleo, o Brent, ele margeia ali as cotações de forma global,
09:47e isso pode atingir também o Brasil, né?
09:49Não só em relação às ações da Petrobras, podem aumentar, se valorizar,
09:54porém a gente pode ter um impacto direto no preço dos combustíveis.
09:58E aí afeta a frete, como a Mari estava falando de logística.
10:01Você tem aí um reflexo muito negativo para a economia do Brasil.
10:06Não é isso? Seja bem-vinda aqui ao pré-marketing.
10:11É toda uma cadeia, assim, que vai sentir os reflexos do fechamento de Hormuz, sim, Klein.
10:16Bom dia para vocês, para a Mari também e a todos que nos acompanham nesse comecinho de semana
10:21aqui no pré-marketing.
10:23Inclusive, vocês falavam há pouco sobre o custo de energia.
10:26Tem especialistas já apontando que a alta do petróleo pode aumentar risco também na conta de luz agora em 2026,
10:34que o uso das termoelétricas, principalmente no período de estiagem,
10:38pode, juntamente com a alta do petróleo, acrescentar um gasto a mais.
10:43E aí os consumidores vão e devem sentir no bolso.
10:47O preço do petróleo, que já estavam, desde a última semana,
10:50sentindo as oscilações da possibilidade desse conflito,
10:55agora se confirma ainda mais com o estreito de Hormuz interrompido,
10:59vários navios petroleiros também parados por lá.
11:02Vai ser, de fato, uma segunda-feira bastante complicada.
11:05Bom, o Brent, o barril do tipo Brent, referência internacional,
11:10chegou a subir cerca de 10%, sendo cotado aí a 78 dólares.
11:15O WTI, também referência americana, avançava aí mais de 7%.
11:20Os países da OPEP, inclusive, concordaram em avançar e aumentar a produção
11:25em cerca aí de 200 mil barris por dia, pelo menos essa era a previsão,
11:30até para tentar conter um pouco o preço e a demanda,
11:34que pode ser ainda maior com o fechamento de Hormuz interceptado pelo Irã
11:38e sem ainda a certeza de quanto tempo isso vai durar.
11:42Lembrando que o estreito de Hormuz é uma rota estratégica,
11:45por onde passa aí cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
11:51E os analistas, claro, com quem a gente tem conversado nos últimos dias,
11:55já acreditam e não descartam a possibilidade do preço do barril
11:59superar, sim, os 100 dólares caso o conflito se prolongue,
12:03até porque essa é uma tendência.
12:05Inclusive, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
12:08vem sinalizando ao longo de todo o final de semana
12:10que os Estados Unidos vão, sim, se envingar dos militares
12:14que foram mortos em meio a esses conflitos
12:16e prometeu continuar com os bombardeios
12:19até que todos os objetivos dos Estados Unidos sejam alcançados.
12:23Portanto, tudo vai depender da extensão do conflito
12:26e da duração desses ataques.
12:29O que a gente tem visto e acompanhado nos últimos dias
12:32é, sim, navios que foram efetivamente atingidos,
12:35portanto, tem sinistro, tem acionamento de seguradoras,
12:39como, Clay, você disse há pouco,
12:41ou seja, as seguradoras tendem a reajustar os prêmios,
12:44podem impor novas cláusulas, inclusive,
12:47até suspender as coberturas na região.
12:49E mesmo que o petróleo, o preço, não subisse,
12:53o custo de transporte já, por si só, ficaria mais caro.
12:57O frete marítimo encarece,
12:59menos empresas, inclusive, se dispõem a atravessar a região
13:03e correr o risco, ou seja, o risco passa a ser precificado também.
13:09Especialistas da Rista de Energy estimam que até 15 milhões de barris por dia
13:13podem deixar de chegar ao mercado global,
13:16caso o tráfego permaneça comprometido.
13:19E se isso acontecer, o impacto, de fato, é direto.
13:23Na inflação global, pressionando combustíveis, transportes e também alimentos.
13:28Países como Estados Unidos, União Europeia, Japão,
13:31segundo alguns analistas,
13:33dizem que podem sentir o reflexo e o impacto nos próximos dias,
13:37de dois a três dias.
13:38Aqui para o Brasil, o que eles dizem é que esse impacto, por exemplo,
13:42na bomba de combustível, nos postos de gasolina, por exemplo,
13:46vão demorar a ser sentido.
13:48Portanto, o impacto pode ser um pouco mais a longo prazo,
13:51até pelo tipo de modelo de regulação.
13:54Mas, de uma maneira geral, até para a gente encerrar aqui,
13:57os efeitos econômicos não estão circunscritos apenas ali na região,
14:01mas impacta o planeta inteiro
14:04e as economias vão reagindo de maneira diferente.
14:07Ou seja, tudo que tem feito o petróleo oscilar e ficar mais caro,
14:12agora, este ano, em 2026, Klein, é a geopolítica.
14:15É verdade.
14:16A gente já viu um 2025 ruim para o petróleo,
14:20mas em relação a muita volatilidade, baixa,
14:23esse ano deve ter volatilidade,
14:25mas, para cima, isso tem um impacto direto nas cotações,
14:30na inflação, preços de produto
14:32e também no preço de combustível aqui no Brasil.
14:35Obrigado por enquanto, viu, Soraya?
14:36Já, já, a gente volta a conversar.
14:38E falando de petróleo, né, Mariana Almeida?
14:40Vamos dar uma olhadinha na cotação em tempo real,
14:42porque aqui você fica sabendo antes.
14:44Aqui a gente mostra a cotação
14:45para você tomar a sua decisão durante o dia.
14:48Barril do Brent subindo, neste momento,
14:507,42%, cotado a US$ 78,28.
14:55A gente já viu um pico que chegou a ultrapassar os US$ 80 hoje na madrugada,
15:00na abertura da negociação.
15:01Caiu um pouquinho, perdeu força, mas continua numa alta elevada.
15:05Muito por conta dessa questão também do fechamento do Estreito de Ormuz
15:09e agora que deve se acentuar por causa do fechamento ali da Sal de Aranco.
15:15A gente vai mostrar um pouquinho aqui, Mariana Almeida.
15:18Analistas ou estrategistas dizem que,
15:20dependendo do tempo que o Estreito de Ormuz fique fechado,
15:24na verdade ele não está fechado assim,
15:26a gente pensa fechado, colocaram barreiras, né?
15:28Os navios estão sendo selecionados, né?
15:31Existe uma fiscalização em relação aos navios por lá.
15:35Mas dependendo de quanto tempo ficaram fechados, então,
15:40ou nessa fiscalização...
15:42Com acesso restrito, né?
15:44Com acesso restrito, boa.
15:45Os analistas projetam um branch que pode chegar até 100 dólares o barril.
15:50Então, sim, isso tem impacto direto na economia global, né?
15:52Inclusive para produtos, mercadorias, né, Mari?
15:55Sem dúvida.
15:55Eu até queria, não sei se a gente consegue colocar cinco dias
15:57para a gente ter aqui o pessoal...
15:59Dizendo aqui a nossa inteligência artificial, Raul?
16:01É, para a gente poder ter o...
16:03É isso aqui, porque o gráfico só no dia não dá a dimensão do que aconteceu, né?
16:07Assim, a gente vinha num patamar que estava respeitando,
16:11de alguma maneira, o movimento de oferta e demanda,
16:14mais estruturais do petróleo.
16:16E é o que a nossa repórter trouxe, né?
16:18A senhora falou, olha, é a geopolítica.
16:20Aqui é salto geopolítico muito significativo, né?
16:22Que daí...
16:23O que está movendo a compra aqui?
16:24Não é demanda para hoje, mas é o risco.
16:27E aí o fator risco está associado às variáveis que você disse.
16:30Tempo.
16:30Se isso durar muito, aí os estoques anteriores...
16:33Porque a China, por exemplo, estava se tocando bastante.
16:36Tem vários países que estavam num ritmo de manter certa segurança.
16:41A dúvida é, a segurança é suficiente para que período de tempo do conflito?
16:45Até quando eu terei estoque de petróleo para a minha questão energética,
16:51para segurar a minha questão energética?
16:53Até quando eu sou saudável na questão energética de petróleo, de gás?
16:57Vamos dar uma olhadinha, então, aproveitando isso,
16:59colocar aqui uma imagem, uma arte que a gente preparou,
17:03do que é o Estreito de Hormuz, né?
17:04Onde fica o Estreito de Hormuz e o que acontece por lá.
17:08Então vamos dar uma olhadinha, então, olha.
17:09O nosso globo aqui aparecendo, Estreito de Hormuz.
17:12Ele fica aqui entre o Golfo de Oman e o Golfo Pérsico.
17:15A gente tem aqui o Irã, né?
17:17Que controla, então, esse estreito.
17:19E aqui, Emirados Árabes.
17:21O Catar fica aqui.
17:22E o que acontece, Mário Almeida?
17:24Por aqui, passa o fluxo de um quinto do petróleo mundial.
17:28E também 20% do gás liquefeito, que vai muito para a Europa também.
17:32Europa e Ásia fazem esse caminho, né?
17:34A questão é o seguinte.
17:37Quando você tem um fechamento aqui, é isso que você falou.
17:40O petróleo, vai faltar petróleo?
17:42Eu consigo que esse petróleo chegue?
17:44Por exemplo, metade do fornecimento da China de petróleo passa por aqui, né?
17:48A China é uma das maiores economias do mundo, né?
17:52O petróleo necessita de petróleo dessa matriz energética.
17:5690% do petróleo que vai para o Japão passa pelo Estreito de Hormuz.
18:00E se ficar fechado?
18:02E se restringir essa passagem para o Japão?
18:05E tem uma questão.
18:06E por que o Irã pode fazer isso?
18:07Para forçar justamente a China a entrar no conflito?
18:10Não na questão bélica, mas na questão de negociação.
18:13Vai chegar nos Estados Unidos, o Donald Trump, o Xi Jinping, e falar assim.
18:15Amigo, eu preciso que o petróleo passe por ali, eu preciso dessa matriz energética.
18:20Ou você resolve essa situação, vai lá negociar, ou a coisa vai ficar complicada.
18:25O Japão, que é um grande aliado dos Estados Unidos, que tem 90% do petróleo passando por aqui,
18:30também pode ser pressionado a falar com o Donald Trump.
18:32Então, essa é a estratégia do Irã fechando o Estreito de Hormuz.
18:35Se bem, Mário Almeida, que tem aqui uma manobra da China, né?
18:40Você tem metade do petróleo que fornece para a China passando pelo Estreito de Hormuz.
18:45Porém, existe um oleoduto aqui que margeia o Estreito de Hormuz do Golfo de Oman,
18:52que consegue descarregar uma parte do petróleo que Pequim poderia ter ou que Pequim necessita.
19:00Por isso, a China ainda não ligou tanto o seu sinal de alerta, né, Mário Almeida?
19:04É, inclusive, o risco do Estreito de Hormuz não é propriamente novidade, né?
19:09Não é que a China está agora desenvolvendo qual vai ser a sua estratégia frente a essa possibilidade,
19:14porque esse conflito, inclusive, ele vem aí sendo cozinhado pelos Estados Unidos e pelo Irã
19:20numa relação desde o ano passado.
19:22Aliás, Donald Trump, quando ele chega ao poder, está posto esse risco.
19:26E a China, tradicionalmente, ela se antecipa, né?
19:31Se antecipa no sentido de montar o seu plano e saber que horas ela se movimenta.
19:34Então, esse plano que você está trazendo é o que dá o espaço de tempo para a China ficar aguardando.
19:41Quando ela vai reagir, né?
19:42Quando que o botão aperta para dizer, agora eu preciso entrar no jogo.
19:47Isso a gente não sabe, mas com certeza a Xi Jinping tem esse mapa aí diante de si.
19:52Então, você já está no seu QG ali, o quartel general, sendo abastecido desses dados.
19:56Exato.
19:56E por isso, e não à toa, como eu disse antes, a China fez uma ampliação significativa das suas reservas.
20:02Ela vinha comprando petróleo, mantendo, inclusive, como se a gente tem uma tendência grande aí
20:07de ampliação, na verdade, da oferta de petróleo, que podia ter baixado a pressão ainda mais.
20:11A gente estava lá, a gente teve em patamares aí de 70, né?
20:13Até menos, 60.
20:14Até menos, 60 ia cair para 58 dólares.
20:16É, e a China depois veio reaquecendo um pouquinho isso de uns tempos para cá.
20:21E lembrando...
20:21Então, ela tem alguma gordura para queimar.
20:24Isso, mas vale lembrar também que a China já teve ali os seus estoques ameaçados pela
20:29questão da Venezuela.
20:30Por quê?
20:30Porque o grande fornecedor, um dos principais fornecedores para a China de petróleo era
20:36a Venezuela.
20:37Com a entrada, com a ação militar dos Estados Unidos lá, a China também teve problemas
20:42ali no fornecimento do petróleo.
20:43Agora você tem aqui no Irã.
20:45Então, a China está bem atenta a essa questão, lembrando que o Irã está entre
20:49os dez maiores produtores do mundo de petróleo, Mário.
20:52Exatamente.
20:53Então, assim, fica toda essa temática do petróleo e a variação é muito grande, né?
20:57A gente estava vendo a variação em termos de preço.
21:00E, de novo, a conta como entra isso no conjunto da produção pode ser explosiva, com o perdão
21:06do trocadilho aqui.
21:07Explosiva porque muda o patamar, de novo, de custo de produção.
21:11Então, no momento em que lá na China, por exemplo, a estrutura produtiva está precisando
21:16de empurrão, né?
21:17Quer dizer, você está numa desaceleração importante, a Europa também numa desaceleração
21:21importante, tentando deixar de lado ainda o risco inflacionário da outra guerra, na
21:26guerra da Ucrânia, que tinha pressionado o gás.
21:28Então, assim, é um limiar ali muito importante.
21:33Vamos ver se os países, de fato, por conta desse risco, entram nessa negociação.
21:37E aí, vira uma insegurança comercial, insegurança energética, até porque é o seguinte, você
21:42perde a previsibilidade.
21:43Previsibilidade do seu negócio, do seu comércio, do seu custo, né?
21:46Porque você não sabe o que pode acontecer com o petróleo.
21:48E podemos sair de um barril do Brent de 60 dólares para 100?
21:53São 40 dólares.
21:54A gente vai, ah, pouco, pouco, dependendo do volume.
21:56É muito.
21:57Isso tem um custo gigantesco para a economia global.
21:59Então, é preciso ficar atento.
22:01E mais ainda com essa notícia, agora há pouco, que a gente vai voltar a falar, viu, Mari?
22:05Sobre a refinaria de Rastanura, da Saudiaranco, que foi atingida por um drone neste terceiro
22:11dia do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
22:14A unidade localizada na Arábia Saudita estava fechada de forma preventiva diante da escalada
22:20regional.
22:21O chefe da agência nuclear da ONU, Rafael Grossi, afirmou que sua agência não tinha
22:25indicação de que quaisquer instalações nucleares do Irã tivessem sido danificadas
22:31ou atingidas nos ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel.
22:37Então, vale a gente reforçar que essa refinaria é uma das maiores ali do Golfo Pérsico,
22:42no Oriente Médio, com capacidade de produção de 550 mil barris de petróleo por dia.
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