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A crise no Oriente Médio deve se arrastar por mais tempo após as recentes ofensivas, segundo a análise do professor de relações internacionais Vinícius Rodrigues Vieira. Ele avalia que a morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei não derruba automaticamente a República Islâmica, pois o regime possui uma estrutura de poder complexa e não é baseado no personalismo de uma única figura


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00:00Agora com o professor de relações internacionais, Vinícius Rodrigues Vieira, que gentilmente atende a Jovem Pan nesta manhã.
00:07Professor, diante daquilo que a gente já tem acompanhado, hoje novos ataques estão sendo realizados em território iraniano,
00:14que por sua vez tem, de algum modo, retaliado em outros locais.
00:20No Paquistão, houve mortes próxima à embaixada dos Estados Unidos, a representação diplomática dos Estados Unidos.
00:27A gente não sabe ainda se tem ligação ou não com a morte do Ayatollah Ali Khamenei, se alguns simpatizantes
00:33perpetraram esse tipo de ataque.
00:35Mas de um modo geral, professor, o que é que vem por aí agora?
00:39É um conflito que pode se arrastar ou o senhor entende que não deve durar muito a partir da morte
00:46do líder supremo Ali Khamenei?
00:48Bom dia, professor Vinícius.
00:50Bom dia, muito obrigado pelo convite, é um prazer estar com vocês.
00:54De fato, a tendência é que o conflito se arraste, porque a eliminação de Khamenei não é significativa no sentido
01:03de derrubar o regime.
01:06Claro que é um passo em relação a esse objetivo, que é claramente o que Donald Trump quer fazer.
01:12Ele falou muito ali do programa nuclear iraniano, que já teria sido neutralizado já no ano passado com aqueles ataques
01:20cirúrgicos.
01:21Porém, claramente ele quer fazer forçar uma mudança de regime ao lado de Israel.
01:27Só que o regime, ele não é um regime personalista, ele tem muitas estruturas.
01:31Então a tendência é que o Irã resista enquanto possa, mas nesse processo de resistência podemos testemunhar isso que já
01:40é claro.
01:41O conflito se espalhando para outras partes do Oriente Médio e quando o conflito se espalha, aí nós não temos
01:48grande previsibilidade de como ele pode se encerrar.
01:52Portanto, estamos apenas aí no início do que, ao meu ver, é um conflito no mínimo de média duração.
01:58Professor, já estava enfraquecido esse regime dos Ayatollah.
02:04Quando a gente olha para o cenário de uma sucessão, você enxerga que pode ser a la Venezuela, como foi
02:12feito pelo Trump recentemente,
02:14não vão tirar completamente o poder ali do país, ou Trump, como já disse em uma entrevista à IBC News,
02:21vai colocar alguém dele.
02:23Isso é mais difícil, até para a população aceitar de uma forma, já que é uma população também que não
02:29vê com bons olhos o povo americano.
02:31Como é que o senhor enxerga, então, essa sucessão a partir de agora?
02:35É uma excelente pergunta, porque justamente o caso da Venezuela muitas vezes é lembrado, como exemplo, de que Trump pode
02:44conseguir no Irã aquilo que ele deseja.
02:47Só que o Irã é uma sociedade, em primeiro lugar, muito mais complexa.
02:51Basicamente, nós temos ali aqueles que querem a continuidade do regime, nós temos aqueles que querem reformas no regime e
02:59aqueles que querem derrubar o regime.
03:02Qual é exatamente a proporção de cada um desses?
03:06Não tenho dúvidas de que muitos querem derrubar o regime, mas eles não detêm o que é o poder.
03:11Então, nós precisaríamos, o que, de um cenário em que haveria defecções de dentro do regime dispostos a negociar com
03:18os Estados Unidos.
03:19A diferença do caso venezuelano é que, no caso iraniano, nós temos ali uma questão existencial.
03:26A República Islâmica, mesmo para aqueles mais reformistas, ela foi fundada em grande oposição à influência do Ocidente,
03:35em particular dos Estados Unidos, no Irã, até a Revolução Islâmica, ali no período do Shah Reza Pahlav,
03:42que era aliado ao Ocidente e permitiu a ocidentalização, em grande parte, ali do Irã.
03:49Portanto, vejo com poucas chances que pessoas de dentro do regime estejam dispostas a fazer o mesmo que Delce Rodrigues
03:56fez no caso aqui da Venezuela,
04:00em que, claramente, há uma cooperação após essa cooptação feita por parte de Trump.
04:05Tanto que Trump falou, eu já tenho alguém em mente aí para substituir,
04:08alguém que muito provavelmente faz parte da oposição, talvez uma tentativa de reinstalar o Shah,
04:15o descendente do Shah, tem um príncipe herdeiro, que teria ali justamente esse caráter de voltar a colocar o Irã
04:24como aliado dos Estados Unidos.
04:26Mas boa parte da população não vai aceitar.
04:29O que sobra aí do regime, que ainda está de pé, é importante dizer, enfraquecido, mas ainda está de pé,
04:35também vai apresentar muito mais resistência que, no caso, o venezuelano.
04:40Nós estamos conversando aqui no Jornal da Manhã com o professor de Relações Internacionais, Vinícius Rodrigues Vieira,
04:45também com a gente a Jess Peixoto e a Mônica Rosenberg.
04:48Você queria comentar algo em cima do que disse o professor, né, Mônica,
04:51a respeito dessa complexidade que é o Irã, se a gente comparar com a ação americana na Venezuela, né, Mônica?
04:58É, eu queria comentar especificamente, ele falou dessa extensão de estar abrangendo os países do entorno,
05:06porque nós temos visto realmente explosões, destroços caindo.
05:10Mas, professor, quando no ano passado teve aquela guerra dos 12 dias e que houve o conflito direto e o
05:15Irã atacando Israel,
05:17houve países do entorno, a Jordânia, que ativamente mandou aviões para ajudar na defesa,
05:22os Emirados Árabes Unidos, houve países que declararam apoio e estiveram participando ativamente
05:28dessa guerra, ou pelo menos em termos de defesa.
05:31No presente momento, não houve, apesar de todas as manifestações internacionais,
05:36não houve nenhum país ali da região que se manifestou,
05:40ou já houve alguma coisa em termos de países e não pessoas que estão sendo atingidos, feridos e mortos,
05:47que é sempre muito ruim numa guerra.
05:49Mas como é que está esses posicionamentos dos países?
05:52O senhor acha que vai haver realmente formação de blocos, de gente dizendo
05:56nós estamos com o Irã, nós estamos com Israel e Estados Unidos, a Rússia, a China,
06:01que também estão, por enquanto, tateando cada um com suas respectivas questões ali.
06:06Como o senhor acha que vai ser realmente essa adesão, se vai se estender como guerra,
06:11ou se é só destroços que estão caindo na cabeça de quem não precisava?
06:15Não vejo, Mônica, no atual estágio a possibilidade de formação de uma coalizão militar pró-Irã.
06:23A Rússia tem muitos problemas para resolver ainda na questão da Ucrânia,
06:28e a China tem essa abordagem mais cautelosa.
06:31Do lado israelense e americano, claramente os países ali do Golfo,
06:36até pela dinâmica religiosa, o Irã de maioria xiita, os demais ali de maioria sunita,
06:43a tendência é que eles se coloquem contra o Irã, até porque já tem bases americanas,
06:48estão sendo atacados pelo Irã, mas sem o envio de tropas, vamos assim dizer.
06:53Não vejo nesse atual estágio, pelo menos enquanto houver resistência por parte da República Islâmica,
07:00o envio de tropas de qualquer natureza nesse sentido.
07:05Dito isso, nós devemos prestar atenção no caso da China para a questão econômica,
07:11que é o Estreito de Hormuz.
07:13Por ali passa boa parte do petróleo que vai para a China e sai do Golfo,
07:18e para o restante do mundo também.
07:20Algumas estimativas apontam de 20% a 30%, dependendo dos dados disponíveis,
07:26de toda a produção mundial, dependendo ali desse choke point, como se diz em inglês,
07:33um ponto de estrangulamento que o Irã consegue fechar e, portanto, usar isso como instrumento de pressão.
07:41Se isso começar a afetar principalmente a dinâmica econômica da Ásia,
07:46a China vai, no mínimo, elevar a sua retórica.
07:49Mas, por hora, nós vemos muito mais declarações de apoio e uma tentativa de resolver a questão via Conselho de
07:58Segurança.
07:58Mas, dessa vez, é muito diferente da Guerra dos Doze Dias, porque Trump está decidido a mudar o regime,
08:04até porque, com isso, ele consegue unificar o seu partido, o Partido Republicano,
08:10que tem ali alas que claramente vão apoiá-lo, estão apoiando quase que uma undanimidade nesse processo,
08:16e, com isso, ele consegue reduzir as críticas que ele sofreu dos republicanos mais tradicionais
08:22em relação à sua atuação no tarifácio, o que pode complicar ali a vida dos republicanos
08:28e já está complicando nas eleições de meio de mandato lá em novembro.
08:31Então, Trump também tem um interesse muito forte, junto com Netanyahu,
08:35de manter esse conflito enquanto for possível, até o fim,
08:40por conta de questões de política interna nos Estados Unidos e também em Israel.
08:46A Jess Peixoto, professor, também quer comentar com o senhor.
08:50Bom dia, professor.
08:52A minha questão aqui é que ontem, quando aconteceu todo esse incidente,
08:57nós ainda não tínhamos a confirmação também da situação do Ayatollah Ali Khamenei.
09:02Uma coisa que me chamou a atenção e me fez achar que talvez ele estivesse abatido
09:08foi o fato que o Irã optou por fazer um ataque de franca expansão
09:13a países que tendem a ser até mesmo mais neutros no que tange o conflito,
09:19como, por exemplo, foi o caso da Arábia Saudita, do Qatar e de tantos outros países ali
09:25que acabou gerando até uma comoção no grupo de países árabes.
09:29Como que nós podemos avaliar?
09:31Porque muita gente tem dito sobre a China.
09:34A China é, sim, um forte parceiro comercial do Irã.
09:37Mas, ao mesmo tempo, a Arábia Saudita é também um forte parceiro comercial da China.
09:42A partir do momento em que o Irã faz esse ataque,
09:45a Qatar, Kuwait, Jordânia, Emirados Árabes, a Arábia Saudita,
09:50ele não se isola ainda mais desse jogo político
09:53e tira qualquer chance de um apoio mais forte a ele?
09:58Sem dúvida, Jess, porque ele, ali já no Golfo, ele é relativamente isolado.
10:04Há países neutros, há países mais pró-Estados Unidos,
10:08mas até em função dessa divisão religiosa dentro do mundo muçulmano
10:13sempre houve, desde a fundação da República Islâmica, essa tensão
10:16entre os iranianos liderando ali os xiitas e tentando expandir a sua influência
10:22ali no Oriente Médio, entre comunidades xiitas,
10:25a própria lógica de apoiar grupos terroristas passa, em grande parte, por isso,
10:30não apenas ali um combate, por exemplo, a Israel,
10:34mas também aumentar a influência da República Islâmica
10:37dentro do mundo árabe-muçulmano.
10:39Lembrando, claro, que os iranianos não são árabes, mas são muçulmanos.
10:44E temos aqui a Arábia Saudita, o principal contraponto.
10:47Então, nós temos aqui um cenário em que o Irã parece estar decidido
10:53ao tudo ou nada também, tal como do lado americano-israelense,
10:58Benjamin Netanyahu e Trump buscam cumprir a todo com seus objetivos.
11:03E qual seria o objetivo do Irã?
11:05Cair atirando para usar uma linguagem bastante simples, ou seja,
11:10se é para que, de fato, eles sejam ali derrotados,
11:14a República Islâmica chega ao seu fim, ela não se renderá automaticamente.
11:19O que indica, por mais que possa haver e haverá ao longo do tempo
11:23dificuldades em repor armas, mísseis, capacidade militar
11:27em função da fraqueza relativa do regime,
11:30a guerra tende, como eu falei antes, ter aí um prazo muito maior
11:35do que essa guerra de 12 dias, uma guerra de média duração,
11:38porque a disposição de resistir ao fim do regime islâmico ali no Irã
11:44me parece que é bastante elevada, não obstante a eliminação do Ali Khamenei.
11:49Então, nós temos aqui realmente um cenário de tensão muito forte
11:54que sim pode afetar também a China indiretamente via ataques
11:59a outros países como a Arábia Saudita, que no balanço geral
12:04também ela acaba pendendo mais para o lado ocidental, ao meu ver,
12:08por conta da proximidade ali dos sauditas com os americanos.
12:12Mas, enfim, o Irã, se pudermos resumir em poucas palavras,
12:16ele tende a ficar cada vez mais isolado militarmente,
12:20diplomaticamente talvez apoiado pela Rússia e pela China,
12:24mas militarmente a tendência é que o isolamento ocorra
12:26e que em algum momento ou uma negociação seja forçada
12:30ou aquilo que os americanos israelenses têm como objetivo,
12:34a queda do regime islâmico, acabe por acontecer.
12:36Mas, ao meu ver, não será uma queda imediata.
12:39Professor, inclusive a gente vai continuar conversando com o senhor já já,
12:44porque o poderio militar do Irã é grande para resistir, né?
12:47Ele vai cair atirando, como o senhor falou,
12:50mas pode demorar um pouco para isso acontecer,
12:52caso não haja uma negociação.
12:54Mas vários eventos esportivos passam por aquela região,
12:58a gente está com uma Copa do Mundo para acontecer
13:01e dirigentes da FIFA vão realizar neste domingo uma reunião
13:05para discutir as possíveis crises, as repercussões na Copa do Mundo
13:09nesse ataque dos Estados Unidos e de Jael ao Irã.
13:13O nosso repórter...
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