00:00O agronegócio brasileiro avalia que o acordo comercial da União Europeia com o Mercosul a ser assinado neste sábado é uma espécie de jogo ganha-ganha.
00:17Deve trazer benefícios para os dois blocos e é o que a gente vai entender melhor na conversa que eu vou ter ao vivo agora com o Caio Carvalho, que é vice-presidente da BAG, a Associação Brasileira do Agronegócio.
00:28Tudo bem, Caio? Muito bom dia e obrigada por participar do Real Time.
00:33Bom dia, é um prazer estar com vocês aqui.
00:36Prazer em nós te receber.
00:38Caio, eu mencionei aqui na abertura que o acordo Mercosul-União Europeia é visto como um jogo ganha-ganha, porque amplia a oferta alimentar e energética de um lado, por outro lado reduz tarifas, atrai investimentos para o Mercosul.
00:50Eu quero ouvir a sua análise, então, como é que funciona esse equilíbrio, o suposto equilíbrio de benefícios para ambos os blocos?
00:57Olha, uma excelente pergunta, Natália.
01:00Esse é o ponto realmente de reflexão que todos fazem.
01:04Mas antes desse aspecto específico, vale lembrar que nós estamos falando de um acordo de 720 milhões de pessoas.
01:13São 22 trilhões de PIB que é esse acordo.
01:17E uma união baseada em democracias, livres mercados.
01:21Portanto, é de fato alguma coisa especial, tanto para a Europa, que vinha numa pressão maluca de, vamos dizer assim, entre China e Estados Unidos, do ponto de vista geopolítico,
01:33como para o Brasil, que vinha, no caso do Mercosul, como um país com muito poucos acordos e muito distante.
01:40Portanto, uma união importante é o que a gente tem que olhar para o futuro, para os próximos 25 anos.
01:47Nós começamos com regras que ainda estão voltadas àquilo que se discutia há 25 anos atrás.
01:52Eu acho que quando a gente pensa, Natália, que a gente está construindo uma ordem internacional que precisa ser legítima,
01:59o Brasil e a própria União Europeia e a Argentina, Paraguai e Uruguai, nós temos grandes oportunidades que vão se apresentar.
02:07O importante era fazer a avenida e agora a gente vai desbravá-la.
02:13Perfeito. E, Caio, é possível traçar rotas logísticas que esse acordo vai impulsionar?
02:20É, o importante é que o acordo entra numa loja, muitos falam que é um acordo comercial e é mais que isso.
02:26O acordo, de fato, ele é um marco geopolítico, um marco econômico,
02:32onde a bioeconomia no século XXI traz para o Mercosul, e com a liderança do Brasil nesse caso,
02:39uma visão, digamos assim, de biocompetitividade extraordinária.
02:43A gente está preocupado realmente, e o consumidor europeu está muito preocupado com inflação,
02:49está muito preocupado com preços.
02:51É claro que o agricultor europeu está preocupado com a competição,
02:55mas o consumidor europeu realmente está preocupado com inflação e competitividade.
03:00E aí, no dia a dia, na integração, esse protagonismo que a gente vai ver como redução de tarifas no tempo,
03:08com cotas que vão, obviamente, ficar maiores na medida em que nós estamos falando de um bloco
03:14que atinge segurança alimentar, apoia a questão da segurança energética,
03:19apoia uma transição energética, vamos dizer assim,
03:23pode trazer para os países do Mercosul um desenvolvimento industrial europeu fabuloso
03:29e investimentos fabulosos.
03:32Ou seja, o importante, Natália, que o nosso pessoal tem que ter consciência,
03:36o acordo, ele não vai proteger o ineficiente,
03:41por mais que o agricultor europeu reclame, etc.
03:44Não, ele vai apoiar o produtivo, aquele que é organizado, que é sustentável.
03:52Perfeito.
03:52E aí, eu queria aprofundar uma camada aí, aproveitar teu conhecimento,
03:56para a gente entender quais são os produtos do agro brasileiro que vão se beneficiar.
04:02Muito se fala, então, você já mencionou carne, tem soja, tem etanol,
04:06tem biocombustíveis que estão em alta na Europa.
04:10Então, quais são os nossos itens que vão receber um impulso mais significativo, Caio?
04:15É, se você imaginar de início, os produtos essenciais que nós temos são esses que você mencionou,
04:23incluindo papel celulose e outras coisas, mas essencialmente é isso.
04:28Vamos dizer assim, além do fato que, se você tiver um olhar pequeno, de curto prazo,
04:34vai dizer, vai mudar pouco, as cotas não mudam muito,
04:36o impacto inicial é relativamente pequeno, é verdade.
04:40O nosso olhar, Natália, olhar de país é para o futuro, não é para trás.
04:45Nós temos que olhar o que é que virá.
04:47E o que virá, dadas as limitações físicas da União Europeia,
04:53será muito alicerçado por esse crescimento, obviamente,
04:57num acordo feito, realizado, efetivado,
05:00desses países competidos, principalmente no caso Argentina e Brasil.
05:04Então, são esses produtos e, obviamente, imagine o contrário.
05:08Quer dizer, quais produtos ou quais investimentos, quais recursos
05:13que o Mercosul deverá receber da União Europeia,
05:16ambos olhando para um futuro que teremos que ser muito competitivos.
05:20E aí, quando a gente fala na competitividade do Brasil,
05:24há quem diga que esse acordo vai consolidar Brasil, Mercosul,
05:28como potências energéticas, também alimentar, ambiental.
05:32Então, eu queria que você ajudasse a gente a entender esses desdobramentos
05:35que tudo isso e essa potência toda pode trazer para o nosso agro, Caio.
05:39Eu acho que além da questão, digamos assim, tipo tarifas,
05:44volumes crescentes, tarifas menores, além dessa questão, vamos dizer assim,
05:49é a questão da importância da agregação de valor.
05:53A gente vai poder agregar valor ao que é a biomassa do Mercosul, do Brasil,
06:01mas agregar valor com o mercado estabelecido,
06:04que nós já conhecemos e que é enorme, é um mercado monumental.
06:08Então, a gente vai ser certificado, isso tem que ser visto não como um custo,
06:12mas como um diferencial competitivo, porque o mercado gera prêmios.
06:16Então, é a visão do novo para nós, do ponto de vista, inclusive, de margens,
06:22é uma visão de redução de volatilidade, ano sim, ano não,
06:27mas uma coisa muito mais programática.
06:29É, portanto, uma excelente oportunidade que a gente tem com esse acordo.
06:33Pensar grande, né, Caio?
06:35Agora, tem um outro ponto que eu também queria repercutir contigo,
06:40que foi esse anúncio recente de Donald Trump com uma tarifa de 25%
06:44sobre países parceiros do Irã, né?
06:46E o Brasil é um grande exportador de alimentos, por enquanto fica fora, correto?
06:52Queria ver se vocês da BAG tem algum impacto disso para o nosso comércio agro,
06:58com a Europa, com o mundo em geral.
06:59Qual que é a sua avaliação sobre essa tarifa aí?
07:02Eu volto no início da abertura, quando a gente disse que o Brasil, como um país fechado,
07:07ele sofre muito dos riscos que vem dos Estados Unidos ou de China.
07:11A gente está, obviamente, fazendo um tipo de hedge,
07:15ou seja, nós estamos nos defendendo dessa dependência,
07:19abrindo novos espaços e, portanto, com isso,
07:23ganhando, digamos assim, um suporte maior,
07:27muito maior do que aquele que tínhamos até agora.
07:29Então, há determinadas coisas que a gente vai continuar,
07:33obviamente, com uma certa dependência de alguns países que vão estar sob sanções.
07:38Mas a gente vai estar com um acordo como esse muito mais, digamos assim,
07:43apoiado do que aquilo que nós tínhamos antes.
07:47Então, acredito que, de fato, vamos dizer assim,
07:51o peso, a relevância do mercado europeu,
07:54da presença, inclusive, de geopolítica europeia,
07:56como, digamos, como todos sabem,
07:59a União Europeia tem, de fato, uma qualificação
08:02que ela é o que a gente chama em inglês de runner do mundo,
08:05ela é o regrador do mundo.
08:07A gente vai estar junto, a gente vai poder levar
08:10nessas regras globais os valores diferenciados do que é o mundo tropical.
08:16Essa é uma característica que traz para essa região do mundo,
08:21além do peso preciso que já tem,
08:23uma, realmente, visão de protagonista.
08:25Perfeito, conversei com o vice-presidente da BAG,
08:28Associação Brasileira do Agronegócio,
08:30Caio Carvalho, ao vivo aqui no Real Time.
08:33Muito obrigada pela conversa e ótima quinta-feira para você.
08:36Eu que agradeço, um abraço a todos vocês e aos seus ouvintes.
08:39Abertura do Agronegócio, ao vivo aqui no Real Time.
08:49Abertura do Agronegócio, ao vivo aqui no Real Time.
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