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O Brasil confirmou 48 casos de Mpox em 2026, com 41 das ocorrências concentradas no estado de São Paulo. Para analisar o atual cenário da doença e explicar as principais formas de transmissão, o Fast News deste sábado (21) entrevista a infectologista Mirian Dal Ben. A especialista detalha os primeiros sintomas, quem tem direito à vacina e os cuidados necessários para evitar o agravamento da infecção. #FastNews

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Transcrição
00:00Foram confirmados 48 casos de M-pox no Brasil em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde.
00:07A maior parte está concentrada aqui em São Paulo, com 41 ocorrências.
00:12Durante todo o ano passado, o país contabilizou 1.079 casos e 2 óbitos.
00:19Então, para a gente entender um pouquinho melhor sobre esse assunto, como é que está o cenário de momento,
00:23a gente conversa ao vivo com a infectologista Miriam Dalben.
00:26Doutora, seja bem-vinda aqui ao Fast News e, é claro, uma boa tarde para a senhora.
00:31Boa tarde, Cássio. É um prazer estar aqui.
00:34Doutora, quero começar para entender quais são os fatores que levaram a este grande número de casos de M-pox,
00:40principalmente aqui no estado de São Paulo.
00:43Olha, Cássio, a gente vê um aumento no número de casos de M-pox,
00:47essa doença que já existe há muito tempo, que a gente já conhece ela desde os anos 50, desde 2022.
00:54No Brasil, a gente já teve aí, quando a gente contabiliza desde os primeiros casos que a gente identificou aqui,
01:00lá para o 2022, já há mais de 2 mil, 3 mil casos, né?
01:06Ela é uma doença que inicialmente se acreditava ser transmitida só pelo contato com as lesões infectantes
01:15e contatos de secreção das pessoas.
01:17Mas nesse novo surto que foi descoberto aí, que partiu lá da África desde 2022,
01:24ela vem adquirindo uma característica muito peculiar, que é a transmissão principalmente através do contato sexual.
01:30Então, depois de algumas festas de final de ano, carnaval,
01:35a gente tem observado mesmo esse aumento no número de casos.
01:38E no estado de São Paulo, a gente sempre tem observado o maior número de casos do Brasil, né?
01:44No Brasil.
01:45Não sei se pela vigilância, porque a gente está mais atento,
01:48ou se porque a maior parte dos casos acaba circulando por aqui mesmo.
01:53E doutora, quais são os principais sintomas?
01:55Até mesmo o pessoal de casa ficar atento caso apareça alguma lesão, como a gente viu também nas imagens.
02:00Quais são esses primeiros sintomas?
02:02E qual a recomendação em caso de surgimento de algum sintoma importante?
02:07É importante procurar o médico o quanto antes, uma unidade de saúde?
02:12Isso. Então, assim, embora a doença possa ser transmitida através de gotículas, de partículas da boca
02:19e pelo contato com as lesões, os casos que a gente tem observado,
02:22a maior parte deles são casos em que a transmissão acontece por via sexual.
02:27Uma vez que a pessoa teve o contato sexual de risco ali,
02:30ela pode começar a apresentar sintomas até dois dias depois,
02:34a partir de dois dias depois desse contato desprotegido,
02:38mas isso pode acontecer até duas semanas depois desse contato sexual desprotegido.
02:43A pessoa, ela começa com aqueles sintomas que a gente chama de pródromos,
02:47que parece uma gripe, sentindo o corpo mais cansado,
02:50dor de cabeça, pode vir febre, pode vir gângulos aumentados pelo corpo,
02:55e aí começam a surgir as lesões, né?
02:57As lesões, elas podem acontecer ali na região anal, na região do pênis, da vagina,
03:02e podem aparecer também nas mãos, nos braços, no rosto, em todo o corpo podem surgir lesões.
03:08Elas são lesões que no comecinho elas parecem uma espinha, né?
03:12Uma lesãozinha vermelhinha, vão aumentando de tamanho, né?
03:16Fica uma bolinha ali com uma secreção no meio que parece uma secreção de pus,
03:21e aí vão dando uma casquinha e depois essa casquinha cai e a pele volta a ficar boa.
03:27É super importante, né? Que essa evolução aí dessa lesão de pele,
03:31ela pode demorar até três semanas pra acontecer.
03:34E enquanto o paciente tem lesões de pele, né?
03:37Não tem a pele sã ali, mesmo que ela já esteja em fase de casquinha,
03:41ele tá transmitindo a doença e mesmo essa casquinha, né?
03:44Essa lesão que já tá mais sequinha, ela tem uma quantidade grande de vírus
03:48que pode representar risco pra outras pessoas pegarem,
03:51se estiverem em contato com essas lesões de pele.
03:54Então, tão logo a pessoa comece a apresentar sintomas,
03:57é legal procurar o médico pra fazer esse acompanhamento,
04:00e o médico vai orientar, e é muito importante que na dúvida
04:03ou com o diagnóstico confirmado, a pessoa tente ficar em isolamento em casa, né?
04:09Pra ela não representar risco pra outras pessoas.
04:12É uma doença que, se é uma pessoa com imunidade boa,
04:16muito provavelmente vai evoluir super bem, sem complicações,
04:19mas que ela pode levar pacientes com o sistema imune mais debilitado
04:23e crianças pequenas, é ao risco de morrer.
04:26Tanto que ano passado a gente teve no Brasil dois óbitos pela M-POX.
04:30É uma doença que é uma prima da varíola,
04:32aquela varíola de antigamente, que a gente vacinou até os anos 80 aí,
04:36e depois parou de se vacinar.
04:38Ô doutor, inclusive a senhora tocou no assunto sobre o risco de contágio, né?
04:42É possível transmitir o vírus antes do surgimento das lesões?
04:47É possível sim.
04:48Então tem alguns trabalhos, né, feitos na Europa e tal,
04:51que mostraram que pessoas até quatro dias antes de pipocarem as lesõezinhas na pele,
04:57elas já estavam transmitindo a doença, né?
04:59Porque pessoas que só tiveram contato nessa fase,
05:02acabaram desenvolvendo os sintomas depois.
05:05Então isso pode acontecer sim.
05:06Muito provavelmente, porque nesses trabalhos eles mostraram que essas pessoas,
05:10embora elas não tivessem ainda lesões pelo corpo,
05:14elas já tinham uma quantidade de vírus na forma infectante, né,
05:18que podia passar para outras pessoas, presentes principalmente na saliva.
05:22Doutora, falando agora, né, sobre questão do tratamento, né,
05:26qual é o melhor processo preventivo e se há uma vacina específica,
05:31como a da varíola, capaz, né, de conseguir proteger ou imunizar o paciente sobre a M-pox?
05:37Então a primeira coisa, né, o tratamento, a pessoa que já está doente,
05:40normalmente o tratamento que a gente oferece é um tratamento de suporte, né,
05:44algumas pessoas têm muita dor por causa dessas lesões,
05:47têm o mal-estar da febre, da dor de cabeça,
05:50então a gente acaba tratando o paciente com foco nessa dor que o paciente tem, né,
05:55nesse mal-estar que ele tem, e cuidando para que as lesões não se infectem, né,
05:59as lesõezinhas, não pode deixar o paciente coçar,
06:02para não entrar uma bactéria ali e complicar mais a situação.
06:06Tratamentos específicos contra o vírus, eles já foram testados,
06:10o Brasil mesmo participou de alguns estudos,
06:13mas infelizmente até o momento a gente não viu nenhum antiviral aí
06:17muito bom que a gente indique para os pacientes nessas situações,
06:20a gente acaba só dando em situações muito específicas
06:23em pacientes com imunidade muito fraca.
06:25A prevenção, ela pode ser feita através da vacina,
06:29quem já tomou a vacina da varíola, que foi dada ali até 1980,
06:34os trabalhos mostram que essas pessoas que têm a cicatriz ali da vacina da varíola,
06:38a gente que é mais velho tem, tem um risco cinco vezes menor
06:42de desenvolver essa doença que é a M-pox.
06:45E aí existe a vacina específica para a M-pox,
06:48ela está disponível no Brasil, mas para grupos específicos,
06:51então para profissionais do sexo, para homens que fazem sexo com homens,
06:55não é uma vacina que a gente precisa dar para todo mundo,
06:58ela é dada só para grupos específicos de pessoas.
07:01Pode ser que essa situação mude se eventualmente a gente começar a ter um surto
07:05e a doença em outros grupos de pessoas diferentes.
07:09Doutora, você tocou nessa questão do grupo também específico,
07:13mas há um grupo de risco que precisa ser tomado um cuidado maior,
07:17por exemplo, crianças, idosos, gestantes, onde a M-pox pode desenvolver,
07:23inclusive, uma doença ainda maior?
07:26Ah, então assim, hoje a gente sabe que o grupo de risco de adquirir a M-pox,
07:30que é o grupo de pessoas que estão tendo mais casos de M-pox,
07:33são profissionais do sexo e homens que fazem sexo com homens.
07:37Mas esse não é o grupo de risco para adoecer gravemente
07:41e eventualmente evoluir a óbito, a morte pela M-pox.
07:45Então quem tem mais risco de evoluir com um quadro grave de M-pox
07:49que eventualmente pode levar à morte,
07:52são crianças, principalmente crianças menores de 7 anos,
07:55que é o que a gente sabe pelos trabalhos aí desde os anos 70,
07:58e pessoas com alguma deficiência do sistema imune.
08:02Então pessoas que têm doenças que fazem o sistema imune ficar muito enfraquecido.
08:06Pessoas que estão tratando câncer, pessoas que são transplantadas,
08:10pessoas que têm alguma doença que deixa o sistema imune mais enfraquecido,
08:14como doenças autoimunes, HIV, por exemplo, que não está sendo tratado.
08:20Então são esses grupos que têm mais risco de evoluir com a doença mais grave.
08:24Perfeito, doutora. Muito obrigado pela sua participação.
08:27Desejo uma boa tarde e um bom sábado para a senhora.
08:30Obrigada.
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