Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O escândalo envolvendo o Banco Master e as recentes liquidações pelo Banco Central acendem um alerta para um possível rombo de R$51 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Para analisar o impacto dessa crise no sistema financeiro, os riscos da falta de regulamentação unificada e os perigos de CDBs com taxas muito altas, o Jornal da Manhã deste sábado (21) entrevistou o especialista em direito bancário Marcelo Godke. #JornalDaManhã

Assista ao Jornal da Manhã na íntegra: https://youtube.com/live/VrLZpaLtEjc

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#JornalDaManhã

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00O escândalo envolvendo o Banco Master acende um alerta para um possível impacto no fundo garantidor de crédito que pode
00:07registrar um combo estimado em mais de 51 bilhões de reais.
00:13Para analisar o cenário econômico e os reflexos no sistema financeiro, o Jornal do Manhã conversa agora com Marcelo Gótica,
00:20especialista em direito bancário.
00:22Doutor, bom dia, seja bem-vindo ao Jornal do Manhã.
00:25Bom dia, tudo bom?
00:27Tudo bem, obrigada pela sua participação aqui.
00:30Basicamente, esse valor em cima do FGC, esse fundo de garantidor ao crédito, os bancos vão ter que intervir com
00:38mais aporte para pagar esse rombo que foi feito pelo Banco Master?
00:44Alguma coisa vai ter que ser feita aí, porque quando a gente tem uma redução de aproximadamente um terço do
00:50dinheiro disponível no fundo garantidor de crédito,
00:53isso representa dizer que aquele colchão de segurança que existe, ele foi sobremaneira diminuído.
00:57Então, alguma coisa vai ter que ser feita para recapitalizar o fundo garantidor de crédito.
01:02Mas, ao mesmo tempo, ele demonstra muito claramente que o modelo atual de bancos menores, bancos de médio porte, banco
01:09de pequeno porte,
01:11que eles se embasam no modelo do fundo garantidor de crédito, ele não está funcionando bem, né?
01:16Porque eles emprestam a taxas bastante elevadas, desculpa, eles tomam emprestado a taxas bastante elevadas, né?
01:23A gente está falando aí 140, 130% da taxa DI e, logicamente, eles jogam risco para o fundo garantidor
01:30de crédito, caso eles venham a quebrar.
01:32Isso cria o tal do risco moral, né?
01:34Então, o modelo atual do fundo garantidor de crédito precisa ser revisto, né?
01:38Agora, também há um certo lobby entre os banqueiros para que veja a situação dos outros bancos,
01:43porque eles, claro, fazem uma análise de mercado para saber o que o banco está fazendo, o que o outro
01:49está implementando.
01:50E quando você vê um CDB rendendo 140%, sendo que os outros estão, no máximo, a 106%, há algo de
01:58estranheza.
01:59E essas denúncias também, normalmente, são feitas.
02:01De que forma que é essa articulação para que os próprios bancos não sofram tendo que colocar mais dinheiro no
02:07fundo garantidor?
02:09Olha, não existe uma solução rápida, não existe uma solução simples, tá?
02:13O que precisa ser revisto é o modelo atual de regulação do mercado financeiro e do mercado de capitais, né?
02:18O que vem sendo cogitado aí de maneira ampla não é simplesmente melhorar ou mudar o fundo garantidor de créditos,
02:25mas mudar o regime regulatório como um todo que existe no Brasil.
02:30Hoje, a gente tem um regime que, no topo da pirâmide da regulatória do mercado financeiro e de capitais,
02:35nós temos o Conselho Monetário Nacional, que, em tese, ele tem poder para regular todo o mercado de trânsito de
02:41dinheiro,
02:41vamos assim dizer, o mercado bancário, que também é chamado de mercado financeiro,
02:45o mercado de capitais e o mercado de seguros.
02:46Na prática, o Conselho Monetário Nacional, ele só emite regras que são aplicadas no mercado bancário
02:53e, embaixo dele, nós temos o Banco Central, que regula, ele pune, ele registra, ele manda liquidar, etc.,
03:01as instituições financeiras ou bancos.
03:04A gente tem, paralelamente, o mercado de capitais, que ele é regulado pela Comissão de Valores Imobiliários,
03:08e o mercado de seguros privados, que é regulado pela SUSEP.
03:11O que está se cogitando hoje não é simplesmente tratar de fundo garantidor de crédito,
03:15é criar um modelo novo, ou adotar um modelo novo, parecido com o que se vê, por exemplo,
03:19na Austrália, na Inglaterra e na África do Sul, que é o chamado modelo de Twin Peaks,
03:23em que há uma integração maior entre todos esses reguladores e que a gente vai ter uma visão macro
03:29para evitar esses problemas pontuais de instituições financeiras menores,
03:33que acabam aí levando numa tacada só um terço do dinheiro do fundo garantidor de crédito, tá?
03:38Esse regime precisa ser revisto mesmo, tá?
03:40Como que fica de aprendizado aí para o investidor, né?
03:44Porque muitas vezes, de forma muito costumeira, assim, os analistas, eles acabam ali os assessores
03:51falando, olha, investe aqui, essa rentabilidade está boa, esse valor é garantido pelo FGC.
03:58O que que fica aí dessa análise?
03:59Quando a taxa é muito maior do que a praticada no mercado,
04:02é bom de se desconfiar mesmo que haja o FGC ali por trás?
04:06O que que fica desse aprendizado aí para o investidor?
04:09Principalmente o pequeno, né?
04:10Porque às vezes é uma quantia ali limitada, né?
04:12É por CPF, uma quantia pequena.
04:15Então, o que que fica de aprendizado dessa situação toda?
04:19Bom, tem um ditado que minha avó usava bastante e ela falava, né?
04:22Quando a esmola é demais, o santo desconfia, né?
04:24Isso se aplica muito bem ao mercado do CDB.
04:27Existe uma piada no mercado financeiro que diz que o CDB é a droga da classe média e da classe
04:32alta hoje,
04:32porque dava ali 15, 17, 18% de remuneração por ano, né?
04:36Isso vicia as pessoas.
04:38Eu tenho até amigos que investiram e, logicamente, não perderam dinheiro
04:42porque eles souberam diversificar entre instituições financeiras.
04:44Então, eles foram ressarcidos aí por meio do FGC, mas isso tem limite, né?
04:50Então, a pessoa tem que tomar um pouco de cuidado.
04:52Agora, talvez a grande preocupação, além, logicamente, de cada um ter o risco de perder
04:56seu próprio dinheiro, que passar de 250 mil reais, é pensar nas grandes instituições,
05:01os fundos, etc., que investiram lá, por exemplo, no Banco Master e perderam, em alguns casos,
05:06até bilhões de reais porque eles não são protegidos pelo FGC e nem teria como, tá?
05:12Porque o FGC não teria dinheiro para ressarcir todo mundo também, tá?
05:15Então, as pessoas, quando elas percebem que existe uma pressão muito grande de um assessor financeiro,
05:20um gerente banco, etc., para investir num determinado ativo, é melhor fugir como o diabo foge da cruz,
05:26porque alguma coisa tem errado ali por trás, tá?
05:29É, eu acho que a principal questão é justamente essa, né?
05:32Quando a esmola demais, o santo deve desconfiar, mas as pessoas também querem obter lucros
05:38e, dessa forma, o Banco Central é fundamental para que estabeleça as diretrizes e até faça esse acompanhamento,
05:43que agora, recentemente, foi alvo de críticas e até mesmo alvo de investigação interna.
05:52Não, perfeito.
05:53O que a gente percebe, na verdade, é que existem vácuos regulatórios e existe uma arbitragem regulatória, tá?
06:02Porque hoje, quando a gente tem um mercado que está interligado,
06:05mercado de capitais de um lado, que aí inclui, por exemplo,
06:08as empresas que captam recursos via valores imobiliários, fundos de investimento, etc.,
06:11e do outro, mercado bancário, e uma ligação clara entre eles, né?
06:15Como um fato econômico, um fato sociológico.
06:18Mas nós temos reguladores que eles não tratam isso de maneira unificada,
06:22é muito fácil jogar com isso, né?
06:24É a tal da arbitragem regulatória.
06:25Olha, uma hora eu vou colocar as minhas operações para esse lado,
06:29outra hora eu vou colocar para esse outro lado aqui.
06:32Isso quer dizer que, na prática, né?
06:33Como o mercado é interligado, mas o regulador não é,
06:36esse sistema atual tem um problema e ele precisa ser revisto, tá?
06:39E é justamente a falta de visão macro que não nos permite ir direto ao ângulo do problema, assim, entendeu?
06:46Então, você tem razão. O modelo que está aí ainda não está funcionando muito bem, tá?
06:50Se a gente adotar, só um detalhe, se a gente adotar o que a Austrália fez, por exemplo,
06:54já há bastante tempo, dizem que a Austrália foi mais exiliente na crise de 2008, por exemplo,
07:00porque ele já tinha adotado esse modelo de Twin Peaks, tá?
07:03Que justamente ele permite que um único órgão regulador consiga visualizar tudo o que está acontecendo.
07:08Então, talvez esse seja o modelo aí para a gente se inspirar para o futuro, tá?
07:12Quando você fala que o investidor tem que fugir desse tipo de assessor
07:15que fica insistindo ali no fundo, falando que, né, que está com a rentabilidade boa
07:20e que tem esse respaldo do FGC, o que que acontece?
07:25O fundo, por exemplo, ele paga comissões maiores para esse assessor
07:29e ele acaba insistindo mais nesse fundo, tem que desconfiar também
07:33da pessoa que está te assessorando ali nesse caso?
07:36Olha, existem dois grandes modelos de remuneração de uma pessoa
07:40que faz esse tipo de assessoria financeirista, falando ao redor do mundo, tá?
07:43Um é a remuneração com base na comissão, né?
07:47E aí, quem oferece uma comissão maior vai oferecer aquele produto
07:51com mais força, sendo mais incisivo para o seu cliente, tá?
07:55Ele não vai oferecer para o cliente o produto que necessariamente é melhor para ele,
07:58mas sim aquele que paga uma comissão maior.
08:00E existe um outro modelo de remuneração que é com base no FII, né?
08:05Uma remuneração fixa que o investidor, ele paga do seu próprio bolso.
08:09Na verdade, na verdade, ele sempre paga do seu próprio bolso,
08:12só que ele não consegue visualizar, né?
08:14E quando a pessoa, ela acha que ela tem um produto que é de graça na mão dela,
08:18na verdade, o produto é o próprio consumidor ou o investidor, no caso aí, tá?
08:23Então, o que acontece na prática é que o regime adotado
08:25para os assessores de investimento de remuneração com base em comissão,
08:29ele é que leva esse incentivo ruim de dar para o investidor um produto
08:34que não é necessariamente o melhor ou mais adequado para ele, tá?
08:37O investidor, ele deveria se preocupar, logicamente, nem todo mundo tem dinheiro
08:41para pagar um assessor de investimento que trabalhe só de acordo com os interesses dele.
08:46Então, ele acaba aceitando, sei lá, um produto ali que foi oferecido
08:53pelo assessor de investimento e a remuneração paga para o assessor
08:56vem do próprio produto, que é o caso da comissão.
08:58Então, aí, a pessoa precisa entender que tem esse risco, né?
09:01Se ela não paga de antemão, ela paga depois.
09:03Às vezes, o preço é bastante alto.
09:05Então, isso depende muito do regime da comissão,
09:07de ser um regime de comissão ou de remuneração fixa,
09:10que isso vai mudar substancialmente o comportamento do assessor financeiro, tá?
09:16Obrigada, professor, pelos seus esclarecimentos aqui ao Jornal da Manhã.
09:19Tenha um bom fim de semana.
09:21Muito obrigado. Um grande abraço.
09:22Obrigado.
09:23Obrigado.
Comentários

Recomendado