00:00O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou hoje na Índia sobre a suspensão das tarifas globais pelo governo de Donald
00:06Trump.
00:07O André Anelli tem mais informações que está ao vivo em Brasília. Seus detalhes, André. Bom dia.
00:16Bom dia mais uma vez, Patrícia, David e a todos aqui no Jornal da Manhã da Jovem Pan.
00:20O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as tarifas recíprocas globais dos Estados Unidos que foram suspensas pela Suprema
00:30Corte Americana
00:31devem contribuir para a retomada do que ele chamou de normalidade nas relações entre Brasil e o país governado por
00:39Donald Trump.
00:40Mesmo assim, o ministro avaliou que ainda é necessário aguardar para compreender o alcance total da decisão da Suprema Corte
00:50dos Estados Unidos.
00:51Segundo ele, independentemente da reação do governo Trump, o Brasil vai manter aquela estratégia de buscar soluções por meios jurídicos
01:01e diplomáticos.
01:03Essas declarações do ministro foram dadas durante a agenda da comitiva presidencial na Índia.
01:09Na ocasião, Haddad também comentou sobre a aplicação de uma nova tarifa de 10% anunciada em seguida, depois da
01:17decisão da Suprema Corte,
01:19anúncio esse feito por Donald Trump.
01:22O ministro fez uma avaliação semelhante àquela que havia sido feita pelo vice-presidente Geraldo Alckmin no dia de ontem
01:30aqui em Brasília,
01:31que a medida não compromete a competitividade brasileira, já que atinge todos os países de forma igual.
01:40David, Patrícia.
01:42Obrigada, André Anelli, pelas suas informações.
01:44Nelson Kumbayashi, eu começo com você sobre a declaração do ministro Fernando Haddad,
01:51sobre esse tarifaço aí que foi feito pelo Trump, agora a corte americana tentou aí barrar,
01:57e ele veio com esse tarifaço global.
02:01Apesar da fala do Trump dizendo ontem que tem outros artifícios para manter isso,
02:07foi uma perda para ele de qualquer maneira, né?
02:10De poder político.
02:12Sim, essa situação do presidente americano Donald Trump, de o tempo todo estar sempre em cima do limite,
02:21está sempre testando os limites, com bravatas, com realizações, com anúncios feitos sem que ninguém esteja esperando,
02:32as taxações, essas relações tensas que ele promove na economia, nas questões ideológicas,
02:38e até nas questões de guerras, vai naturalmente colocar ele eventualmente em situações como essa,
02:45a de ter que ser parado por uma decisão judicial.
02:49É uma perda política, sim.
02:50É uma perda política para o presidente americano Donald Trump,
02:53mas diante de uma pessoa tão imprevisível, eu não sei se isso mexe com ele para as próximas decisões.
02:59Parece que o Donald Trump não liga muito para esse tipo de desgaste,
03:04de estresse gerado dentro dos poderes americanos, no caso, com o poder judiciário.
03:11Já em relação à participação do ministro Fernando Haddad comentando esse caso,
03:15a gente vê que ele perde o protagonismo, porque ele poderia, poderia ter liderado aqui no Brasil
03:21as soluções que se apresentavam para o fim da taxação anterior.
03:25E esse protagonismo não ficou com ele, ficou com o vice-presidente da república,
03:30o ministro da indústria e comércio, Geraldo Alckmin,
03:34que liderou a negociação, o contato com o setor produtivo, principalmente com a indústria,
03:39onde ele é muito bem relacionado, até pelos seus vários anos de governador aqui em São Paulo
03:44e com as relações que ele já tinha com a Fiesp, por exemplo,
03:47e o Fernando Haddad ficou à margem.
03:49Se ele tivesse sido o grande protagonista, talvez chegasse agora para esse ano eleitoral
03:54com muito mais casca e com muito mais potencial para uma disputa eleitoral
03:59que ele está sendo pressionado a participar.
04:02Vamos ver como é que nessa nova oportunidade o ministro da Fazenda se comporta.
04:06É, mas ele subiu o tom, né, Gesualdo Almeida, em relação a essa questão,
04:11dizendo que o Brasil é grande demais para ser o quintal de quem quer que seja.
04:16E, de fato, somos muito grandes.
04:19Só que quando as tratativas, as negociações são feitas, parece que a gente é pequeno.
04:25De verdade, no comércio internacional, o Brasil tem menor relevância do que ele tem
04:29no espaço geográfico, do que ele tem principalmente do seu PIB.
04:32O Brasil é a nona economia do mundo, mas no comércio mundial ele representa uma pequena fatia.
04:38E os Estados Unidos, em relação ao Brasil também, são praticamente...
04:41O Brasil, em relação aos Estados Unidos, é praticamente insignificante na balança comercial dos norte-americanos.
04:47Mas quando a gente pensa no Trump e seguindo a linha de raciocínio do Kobayashi,
04:51me parece aquele valentão que foi para a escola e apanhou e chega em casa
04:55e tem que brigar com o irmão mais novo para justificar a valentia.
04:58É isso que ele está fazendo.
04:59Ele foi colocado no seu lugar pela Suprema Corte.
05:02A Suprema Corte deu uma vitória acachapante aos seus ministros,
05:06impondo a delimitação de poderes.
05:08O Donald Trump, se quiser usar a lei de segurança internacional,
05:12deverá se valer do Congresso, de acordo com aquilo que a Suprema Corte diz,
05:17eis a tripartição de poderes funcionando.
05:19E agora, quando ele tarifa todo mundo em 10%,
05:21é só beijinho o que ele está fazendo.
05:24Primeiro, que ele perde a barganha de chantagem.
05:27Ele não pode mais usar no comércio mundial a chantagem da política talifária,
05:32como ele vinha fazendo.
05:32Isso é uma derrota significativa no mercado internacional.
05:36E segundo, ele não pôde tarifar os países como ele queria.
05:40Aquelas super tarifas que ele impôs a China e alguns outros países,
05:43como por exemplo o Brasil, estão fora do radar.
05:46E foi obrigado a não tarifar, a respeitar convenções internacionais
05:51com o Canadá, que lhe parece muito hostil, e também com o México.
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