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TVTranscrição
00:00O meu nome é Karen Reed e eu tenho 44 anos.
00:11Eu nunca fui casada e não tenho filhos.
00:14Eu não me imagino vivendo essa bobagem de casinha com uma cerca branca.
00:20Eu trabalhei numa empresa de serviços financeiros por décadas.
00:24E fui professora na Universidade de Bentley.
00:27E agora eu fui acusada de assassinar um policial de Boston.
00:32Eu posso pegar prisão perpétua por homicídio doloso simples.
00:38Como a data do julgamento está se aproximando, eu vou me mudar para um hotel em Boston.
00:44É estranho. Eu estou acostumada a trabalhar o dia todo.
00:48A ter uma vida, uma carreira, uma rotina e de repente eu não tenho mais nada e eu estou lutando pela minha vida.
00:54Eu ainda não consigo acreditar no que está acontecendo comigo.
01:01Em nome de Jesus, agradeço. Amém.
01:04Amém. Muito bem, Karen.
01:07Eu passei a maior parte da minha vida em Massachusetts.
01:11Eu tenho um irmão mais velho e uma irmã mais nova.
01:15Eu sou a filha do meio.
01:16Vou cantar!
01:17Com certeza a mais extrovertida.
01:19Minha querida irmãzinha.
01:22Eu sempre fui muito reacionária e talvez um pouco impulsiva.
01:27Eu sou reservada, mas sou aberta.
01:29E quando eu estou com outras pessoas, eu conto tudo.
01:32Tá, tá bom, pai. Não fica sentimental.
01:34Bem-vindos ao estilo de vida dos quase ricos e famosos.
01:40Eu sou a sua apresentadora, a adorável e linda Karen Reed.
01:45Quando era pequena, ela vivia fazendo peças de teatro.
01:49Especialmente quando fazíamos churrascos ou estávamos na piscina.
01:52Vamos assistir a mamãe.
01:54Tudo o que ela faz é grandioso.
01:55Ela sempre foi muito divertida.
01:58É, tem uma personalidade incrível de verdade.
02:01Olha aí, minha querida filha.
02:03Eu era reitor de negócios na Universidade Bentley.
02:07E fiz isso até o momento em que esse evento aconteceu.
02:12Saúde, amor e felicidade para todo mundo aqui.
02:15O meu pai adorava o trabalho dele.
02:18Tem um ditado antigo que diz,
02:20se você ama o que faz, nunca trabalhe um dia na vida.
02:22E esse é o meu pai.
02:23Ele vai fazer 76 anos.
02:25E eu acabei de completar 44.
02:27Eu preciso dele mais do que nunca.
02:31O John morreu há dois anos e dois meses.
02:37E nós namoramos por quase dois anos.
02:40A primeira coisa que você precisa são as bolachas.
02:43Você coloca a mão dentro da caixa e pega as bolachas.
02:46E também ali dentro, se você olhar, tem umas barras de chocolate.
02:50O John e eu crescemos na mesma rua.
02:54Nos conhecemos quando tínhamos quatro anos.
02:57Nós frequentamos a mesma creche.
02:59A mesma escola primária.
03:01O mesmo ensino fundamental e médio.
03:03Sempre juntos.
03:04Onde tivemos a amizade durante a faculdade.
03:06E mesmo quando eu rodei pelo país por conta do meu trabalho.
03:10Eles sempre me visitavam onde quer que eu estivesse.
03:13Eu conhecia o John há mais de 40 anos.
03:15O John e eu começamos a namorar quando eu tinha uns 25 anos.
03:45Vivemos um grande amor que acabou evoluindo para uma amizade que durou muito tempo.
03:50Ele realmente era um cara muito meigo.
03:54Confiável, amigo.
03:56Honesto.
03:57Muito leal.
03:59Era altruísta.
04:00Conheci o Johnny na faculdade.
04:05Estudamos juntos na Northeastern.
04:07Ele sempre quis ser policial.
04:08Estudou justiça criminal.
04:10O avô dele era policial.
04:11Nunca houve dúvida na cabeça dele.
04:15Pelo que eu ouvi, ele era um ótimo policial.
04:17É o número do distintivo dele, 2490.
04:20O avô dele, também chamado John O'Keefe, tinha o número 490.
04:26Aí, quando o Johnny se tornou policial, pediu esse número.
04:29Mas não era mais usado.
04:31Então, ele acrescentou dois.
04:33E, em homenagem ao Johnny, usamos o número do distintivo dele.
04:37Os amigos e a família dele.
04:39Tentando manter vivo o legado dele.
04:40Nove anos antes da morte do John, sua irmã Kristen, nós a chamávamos de Christy, foi diagnosticada com tumor cerebral.
04:55Ela lutou, mas faleceu muito rápido.
05:00Eu acho que em cinco meses, ela era jovem.
05:02O Johnny ficou arrasado.
05:05Eles eram muito próximos.
05:07E depois, o cunhado dele morreu de ataque cardíaco.
05:10Quase dois meses exatos da morte da Christy, com um dia de diferença.
05:14E eles tinham dois filhos.
05:17O John ficou numa situação muito difícil.
05:19A sobrinha e o sobrinho dele tinham acabado de perder os pais.
05:22E ele disse, vou ficar com as crianças.
05:25Acho que a minha irmã gostaria, acho que ficaria orgulhosa de mim.
05:28Já sou muito chegada das crianças, eu quero fazer isso.
05:31Nunca houve dúvida para o Johnny.
05:33Nunca foi tipo, será que eu devo?
05:35Será que eu consigo?
05:36Eu tenho outras coisas.
05:37Ele foi lá e fez.
05:37Ele assumiu o papel, de forma natural.
05:41As crianças precisavam de alguém e ele estava lá.
05:43Sempre esteve.
05:44Ele amava as crianças com todo o coração.
05:47Acho que foi isso que guiou todas as decisões dele.
05:49Acho que, se ele tivesse os próprios filhos, ele teria sido um pai incrível.
05:54Eu conheci o John em fevereiro de 2004, por meio de um amigo dele do colégio.
06:03A gente namorou por algumas semanas, mas na primavera daquele ano eu fui trabalhar temporariamente na Irlanda.
06:10E, por causa disso, a gente parou de se ver e perdeu o contato.
06:16Mas, no começo da pandemia, eu estava em casa trabalhando remotamente, tinha umas duas semanas e eu já não aguentava mais.
06:27Eu não entrava no Facebook há anos.
06:30O John era um pai solo e, com tudo fechado por causa da pandemia, pelo que eu entendi, ele enviou uma mensagem no Facebook para várias ex-namoradas e foi ela que respondeu.
06:43Eu não respondi na hora, porque eu vi uma foto dele com umas crianças.
06:47Aí eu pensei, ah, ele casou, tem filhos, mas eu acabei falando com ele e fiquei sabendo da história de onde as crianças vieram.
06:55Eu convivi com o John só dois anos, mas eu sabia muito sobre ele.
07:00Ele amava a vida.
07:02Tinha coisas que ele gostava de fazer, coisas que faziam ele sorrir, música que ele curtia e jogos do Red Sox que ele adorava assistir.
07:10O John amava a irmã dele mais do que qualquer outra pessoa.
07:14E ele amava aquelas crianças.
07:16Para falar a verdade, eu...
07:19Eu nunca quis ter filhos, mas eu gostava dos filhos do John.
07:25Antes da morte do Johnny, todo mundo do círculo dele gostava da Karen.
07:31Não tinha uma única pessoa que dissesse, acho que ele não deveria namorar com ela.
07:34Pelo que a gente via, parecia ser um relacionamento muito feliz.
07:40Mas a gente nunca fica sabendo o que acontece a portas fechadas.
07:45John, eu te odeio!
07:48Você é um maldito pervertido!
07:51Boston, Massachusetts
07:53Por que você está fazendo esse filme?
07:57Essa é a minha forma de depoimento.
08:00Fazer esse filme é o meu testemunho.
08:04Isso aconteceu comigo.
08:05E eu sei o que aconteceu entre o John e eu.
08:09E eu sei o que aconteceu no tempo que passamos juntos antes disso.
08:14Eu conheço os eventos daquela manhã.
08:17Eu sei o que eu disse, o que eu não disse.
08:19Mas eu não pude falar...
08:22Eu não pude falar sobre isso.
08:23E é incrivelmente frustrante.
08:26Eu quero contar o que aconteceu.
08:28Exatamente como aconteceu.
08:30O John e eu discutimos na manhã do dia 28.
08:42Foi numa sexta-feira.
08:44A maioria das nossas brigas era sobre os filhos dele.
08:47Ele achava que eu mimava muito as crianças.
08:49E eu achava um golpe baixo da parte dele e me criticar por isso.
08:54Isso me irritava.
08:56Aí eu disse, eu preciso sair daqui um pouco.
08:59Então eu fui para a minha casa em Mansfield.
09:02Eu me acomodei e trabalhei remotamente o dia todo.
09:04Os meteorologistas prevêem que Boston enfrentará uma das maiores nevascas em um dia já registradas.
09:10Naquele dia, todo mundo se preparava para uma grande nevasca.
09:14Mas eu percebi que eu não queria ficar presa sozinha na neve.
09:17Eu preferia estar com o John e as crianças, fazendo alguma coisa divertida.
09:22A gente sempre se divertia.
09:25Por volta das seis da tarde, ou eu liguei para o meu pai, ou o meu pai me ligou e me perguntou,
09:30como é que foi o seu dia, o que você está fazendo?
09:32Aí eu contei o que aconteceu.
09:34E eu odiava reclamar do John para os meus pais, porque eles gostavam dele.
09:39E o meu pai disse, Karen, por que você não fica em casa essa noite? Vai nevar.
09:46Mas eu não fiquei.
09:48Pai, se eu tivesse te ouvido, nada disso teria acontecido.
09:54Acho que eu saí de Mansfield às oito e meia e encontrei o John no bar, o McCartes, em Canton, às nove.
10:01Depois nós fomos para o Waterfall, que fica bem ao lado do McCartes.
10:05No Waterfall, encontramos a Jen e o Matt McCabe.
10:08A gente via a Jen no tempo todo.
10:10Ela treinava o time de basquete da sobrinha do John e a gente via ela duas ou três vezes por semana.
10:16E lá também estavam o Brian e a Nicole Albert e o Brian Higgies.
10:22No fim de semana anterior, eu encontrei os Alberts pela primeira vez, junto com os McCabes.
10:27Mas estava ficando tarde e o John disse que a Jen convidou a gente para ir na casa dos Alberts.
10:34E sempre que eu saía com o John, o meu objetivo era que ele se desestressasse.
10:40Era melhor para todo mundo se ele relaxasse um pouco.
10:42Ele vivia sob pressão.
10:44E aí eu pensei, claro, vamos lá.
10:47A gente não vai demorar muito mesmo.
10:48Já estava todo mundo meio alto.
10:53Era o que a gente fazia em Canton.
10:55Todo mundo bebia.
10:56As pessoas saem dos bares em grupos e dirigem bêbadas até as suas casas.
11:02E ninguém é parado pela polícia.
11:04E aí eu dirigia enquanto o John falava ao celular com a Jen.
11:13E ele me passou o endereço Fairview número 34.
11:17Quando nós chegamos lá, não parecia que estava acontecendo muita coisa.
11:23Não parecia convidativo.
11:25Estava escuro do lado de fora e eu não vi nenhum carro conhecido.
11:29Aí eu falei, John, vai lá ver se tem alguém esperando a gente.
11:34E ele disse, eu vou.
11:37Quando o John saiu do carro na casa do Brian Albert, ele levou o meu copo de vodka com soda que estava dentro do carro.
11:46Ele caminhou em direção à casa daquele jeito dele, meio saltando, sempre apressado.
11:52Aí eu vi ele chegando na porta lateral, a segunda porta da frente da casa.
11:59E ele abriu e entrou.
12:02Daí eu esperei, eu acho que um minuto.
12:06E ele não saiu da casa.
12:08Depois de uns dois ou três minutos, eu fiquei irritada.
12:12Aí eu peguei o celular e liguei para ele.
12:15Eu não queria esperar ele responder uma mensagem.
12:17Mas ele não atendeu.
12:19Aí eu pensei, cara, você está de brincadeira?
12:21O que você está fazendo?
12:22Você acabou de entrar e eu estou aqui esperando.
12:25Ou somos bem-vindos ou não.
12:27Mas não devia levar cinco minutos para descobrir isso.
12:30E dez minutos se passaram.
12:35E eu fui embora.
12:38Eu não estava nada feliz.
12:40John, você está me usando agora.
12:41Você é um maldito de um fracassado.
12:45Vai se ferrar.
12:47E eu mal sabia que o John não estava recebendo as minhas ligações.
12:52E foi isso.
12:53A última vez que eu falei com ele foi quando saiu do meu carro na casa do Brian.
12:57O policial de Boston, John O'Keefe, veterano do departamento, foi encontrado caído de
13:05costas na neve durante uma nevasca.
13:07Por volta das seis da manhã, na rua Fairview, em Canton, ele mais tarde acabou falecendo.
13:12E aí um dia saiu no noticiário da TV e na manhã do dia 29 de janeiro de 2022, eu recebi
13:22uma ligação de um amigo meu dizendo que o Johnny tinha morrido.
13:27O Johnny?
13:30Como assim?
13:31O Johnny não, ele...
13:33Tipo, ele...
13:36Eu fiquei em estado de choque.
13:39Eu fiquei arrasado.
13:41Eu não consegui acreditar.
13:43Eu disse...
13:45Por favor, Deus, não o John Keefe, não o John.
13:48Só consegui pensar nas crianças.
13:50No Paul, na Peggy, no Papa.
13:51Ainda hoje, quase não acredito.
13:58Não existem mais pessoas como ele, sabe?
14:06Desculpa, eu não consigo.
14:07O Johnny era padrinho da minha filha, da minha filha mais velha.
14:21E eu tive que contar pra ela.
14:24Foi difícil.
14:25Não tínhamos nenhum detalhe naquele momento.
14:28Então eu liguei pro irmão do Johnny, o Paul, e ele começou a esclarecer algumas coisas.
14:35Acho que a primeira explicação que me deram foi que a Karen tinha atropelado o John com o carro.
14:42Quando o Brandon me ligou, a gente falou...
14:44Peraí, o quê?
14:46Ela fez isso?
14:48Ela fez isso?
14:50Ele disse, eu não sei ainda.
14:51Mas parece que sim.
14:53Todo mundo gostava da Karen.
14:56Mas tudo mudou na manhã de 29 de janeiro.
15:03Karen Reed deixou o tribunal após pagar fiança,
15:06acusada de atropelar o namorado, o policial de Boston, John O'Keefe,
15:10com seu carro na madrugada de sábado.
15:13De repente, a morte do John estava no noticiário local noturno.
15:18Mostraram alguém dizendo que Karen Reed tinha atropelado o John O'Keefe com o carro dela.
15:27Os ferimentos que ele sofreu eram compatíveis com o que os paramédicos disseram,
15:32que ele tinha sido atingido por um objeto contundente, o veículo.
15:35Tudo o que se via ali se encaixava com um acidente de trânsito,
15:39que ela o atropelou e o deixou para morrer na neve.
15:45Três dias depois da morte do John,
15:52a polícia me prendeu aqui, onde eu estou sentada agora, na minha sala de jantar, na minha casa.
15:57Eles já tinham apreendido o meu carro, o meu celular,
16:01então eu sabia que era uma suspeita.
16:03E como eu não tinha ouvido nada sobre outro suspeito,
16:08então eu sabia que viriam atrás de mim.
16:10Era por volta de 7h45 da noite, eu estava ao telefone e ouvi várias portas de carros fechando ao mesmo tempo.
16:21Eu olhei para fora e tinha uns policiais, parecia um esquadrão da SWAT.
16:26Eu fui acusada de homicídio culposo.
16:28A minha esposa recebe notificações sobre tudo no celular e eu vi ela prendendo a respiração e eu perguntei o que foi.
16:37E ela disse, sua irmã foi presa.
16:40Parecia uma coisa surreal ver a minha irmã sendo conduzida na frente das câmeras,
16:44algemada e retratada como a pior pessoa do mundo.
16:48Eu me lembro de tudo perfeitamente.
16:52Eu lembro de estar na prisão, lembro da audiência, das câmeras, dos meus pais.
16:55E eu lembro da apresentação do caso.
16:57Eu estava desesperada para saber o que eles têm contra mim.
17:01Por que eu estou sendo algemada?
17:04Eu sentia vergonha do que estava acontecendo comigo.
17:07E eu queria voltar para minha casa e entender o que estava acontecendo.
17:13Quando eu ouvi pela primeira vez uma explicação sobre como o Johnny morreu,
17:19foi que a Karen estava dirigindo a embriagada e que tinha atropelado ele e que tinha sido presa.
17:29E eu pensei, bom, é um caso simples e direto.
17:33Imaginei que ela estivesse arrependida, que devia estar arrasada pelo que fez.
17:38Tipo, ela assumiria a culpa e que não seria muito complicado.
17:45Eu não fazia ideia de como tudo estava prestes a sair do controle.
17:49E ainda não tinha noção da dimensão que tudo aquilo ia ter.
17:54Quando o Johnny morreu, o Dave Dianetti foi a primeira e única pessoa para quem eu liguei em busca de advogado.
18:05Ele está comigo desde o começo.
18:07E ele falou na TV.
18:09Esse é um caso defensável.
18:11Eu digo a vocês que a minha cliente não teve intenção criminosa.
18:15Ela amava esse homem.
18:17Eu tenho meu próprio escritório desde 1999.
18:19Antes disso, eu fui promotor assistente do distrito e eu passei a maior parte do tempo investigando e processando homicídios.
18:29Quando eu ouvi que um policial foi morto, eu sabia que esse tipo de caso sempre recebe uma atenção especial.
18:41Então, mesmo que os promotores achassem que tinham um caso difícil de provar, não iam pegar leve.
18:47Ficou claro que o caso exigiria muito trabalho.
18:54Então, eu precisava de alguém para me ajudar.
18:57Eu liguei para o Instituto de Justiça Criminal de Harvard.
19:00Um professor atendeu e disse, você precisa se informar sobre o caso do Kevin Spacey.
19:07Fale com os advogados dele, talvez consiga ajuda com eles.
19:10Resumindo, foi assim que eu encontrei o Alan Jackson e a Lyssa Little.
19:13Boa tarde, passageiros. Se você chegou no voo 288 de Los Angeles, a sua bagagem está sendo descarregada na esteira 7.
19:21Bem-vindos a Boston.
19:22Tudo bem? Tá bom, vamos.
19:29Meu nome é Alan Jackson, sou advogado em Los Angeles.
19:32Recebi um e-mail.
19:33E o assunto do e-mail era algo como...
19:38Assassinato de policial de Boston.
19:40Olhei só uma das fotos da autópsia do John O'Keefe.
19:47Viu o braço dele e disse...
19:50Tá brincando comigo? Ele foi atropelado por um carro?
19:52Eu lembro do Alan me chamar no escritório e dizer, você tem que ler isso, vai gostar desse caso.
19:58Vamos ligar para o Kevin.
20:01As moções nas quais realmente precisamos nos concentrar ainda não foram feitas.
20:04Sabe? Má conduta policial e também...
20:07O Alan e eu trabalhamos juntos há quase nove anos já.
20:13Trabalhamos no caso do Kevin Spacey e também em vários grandes casos de homicídio em Los Angeles.
20:20Quero ver o local em que vamos trabalhar. Pode nos encontrar lá?
20:23Tá.
20:27Centro de Operações.
20:29Legal, legal, legal. É perfeito.
20:30É perfeito.
20:31Cadê nossas caixas?
20:33Ali naquele canto.
20:35Mas vai levar...
20:36Ah, Karen, me faz um favor?
20:38Não.
20:39Tira tudo dessas caixas.
20:40Eu sabia que você ia falar isso.
20:42Por isso que eu disse não.
20:44Agora...
20:45Estamos muito perto do julgamento e vai começar em alguma semana.
20:48A maioria dessas coisas é só para o tribunal, né?
20:51Existem três conjuntos de testemunhas.
20:53Eu estou lutando pela minha vida agora,
20:55Mas eu não tenho medo dos desafios emocionais ou mentais que eu sei que eu vou enfrentar nos próximos dois meses.
21:06Eu sei que eu sou inocente.
21:08Eu gostei.
21:09É...
21:09Bem-vindo à sua casa.
21:11Nesse caso, todo mundo tem uma opinião e é sim ou não.
21:17Ou você acha que ela fez aquilo, deu ré em cima do namorado e ele ficou lá caído e tragicamente morreu.
21:26Ou você pensa, espera aí, alguma coisa não está certo aqui.
21:30Nenhuma das provas bate.
21:32Provas foram perdidas.
21:34De forma bizarra.
21:36E depois encontradas.
21:38Existem duas teorias conflitantes e opostas.
21:43E o público ainda não tem uma resposta.
21:47Então, é um verdadeiro mistério.
21:53Precisamos analisar mais fundo o que aconteceu com o John O'Keefe.
21:57No dia seguinte ao que aconteceu, no dia seguinte à morte do John, eu estava confusa e perplexa.
22:08Eu não me lembrava de nada diferente ter acontecido, mas eu tinha bebido.
22:13Já era tarde e eu não ouvi mais nada dele.
22:16Obviamente.
22:18Então, eu pensei, será que eu atropelei ele e ele tentou me alcançar enquanto eu saía e eu não percebi?
22:24Eu estava com a música alta, estava nevando, os limpadores ligados, aquecedor.
22:28Será que ele chegou e bateu na traseira do meu carro e eu acertei no joelho dele e ele estava bêbado?
22:34E desmaiou e sufocou, sei lá, uma coisa assim.
22:36E quando eu encontrei o David e a Nett, eu fiz essas perguntas para ele sobre aquela noite do dia 29 de janeiro.
22:43David, sei lá, e se eu passei sobre o pé dele e se eu acertei o joelho dele e ele desmaiou?
22:50Ou foi ver onde eu machuquei ele, vomitou e desmaiou?
22:55O David disse, é, aí você teria um grau de culpa no caso.
22:58Então, foi só nisso que eu pensei por uns três dias.
23:03Eu li o relatório policial que dizia que ela tinha acidentalmente atropelado o namorado com o carro.
23:11E com base no que ela disse, eu diria que era caso de homicídio culposo no trânsito para um tribunal distrital, com bem menos punições.
23:19Mas claro que o caso se tornou muito maior do que isso.
23:21Centenas de pessoas se reuniram para prestar homenagem ao policial de Boston, John O'Keefe.
23:30O velório foi realizado no domingo, na igreja de São Francisco de Assis, em Brantree.
23:36Eu me lembro que foi um dia difícil, estava muito frio.
23:40A imprensa estava por toda parte e centenas de pessoas esperavam na fila, pacientemente.
23:46Nós que carregaríamos o caixão, ficamos na parte interna da entrada da igreja de São Francisco.
23:55E dava para ouvir a gaita de fole.
23:58Aí, nos informaram de que o carro funerário havia chegado.
24:02E, quando abrimos as enormes portas da igreja, nós vimos que não era só uma gaita de fole.
24:08Eram cinquenta gaitas de fole e centenas de policiais em formação.
24:16E tinha vários meios de comunicação locais de Boston cobrindo o memorial.
24:23O apoio foi avassalador.
24:27Foi surreal carregar o caixão dele.
24:30Só de pensar que, anos antes, ele foi meu padrinho de casamento e...
24:35...tava ali o meu amigo de quarenta anos.
24:39Que sempre esteve presente.
24:42Ele estava sempre lá.
24:44Ele era parte da minha vida.
24:46Eu só tentava entender como tudo aquilo...
24:51...tinha mudado.
24:59Parte da rodovia foi fechada.
25:00A cidade parou para o funeral do John O'Keefe.
25:04Foi uma honra, sabe?
25:05Eu lembro de ter ficado emocionada.
25:07De estar na rodovia e ver que ela foi fechada para ele.
25:10E aí, as pessoas se alinharam com a mão no peito, usando fitas azuis.
25:17Foi lindo, como se o legado dele já tivesse se espalhado para todo lado.
25:21Mesmo antes de tudo virar um espetáculo.
25:25Ele teria ficado orgulhoso...
25:26...de receber esse tipo de adeus.
25:30Assim que eu fui formalmente acusada em dois de fevereiro, disseram que havia uma ordem de restrição para eu ficar longe de qualquer membro da família dele.
25:46Por isso, eu não fui ao funeral do John e nem a nenhum memorial para ele.
25:51Eu nunca fui ao túmulo dele.
25:53Eu só queria deixar tudo aquilo para trás.
25:55Essa noite, novidades no caso Karen Reed.
26:00Na mulher de Massachusetts, acusada pela morte do policial de Boston, John O'Keefe.
26:06Eu não achava que seria presa novamente pela morte do John.
26:09Mas eu estava errada.
26:12O pesadelo estava só começando.
26:19Após a Karen Reed ser acusada de homicídio culposo...
26:24A promotoria levou o caso a um grande júri estadual...
26:29...com a acusação de homicídio doloso...
26:32...o que resultou numa denúncia.
26:35O júri concordou que havia provas suficientes para o caso ir a julgamento.
26:39Homicídio culposo é uma morte não intencional...
26:45...que ocorre como resultado de uma ação imprudente causando a morte de outra pessoa.
26:52A Karen é acusada de homicídio doloso, que é essencialmente homicídio com intenção de matar.
26:58Eu fiquei pasmo.
27:00O meu primeiro pensamento foi...
27:02...tipo...
27:03Ele era um policial de Boston, quer dizer, isso já diz tudo.
27:09A muralha do uniforme azul foi erguida e a Karen Reed está do lado de fora dela.
27:14Ela é a forasteira.
27:15Ela é o bode expiatório.
27:18Eu ouvi mais uma vez as portas dos carros e lá estavam eles de novo.
27:22Só que não tão teatral quanto da primeira vez em que eu fui presa.
27:25Mas eu vi os dois investigadores principais, o patrulheiro Proctor e o sargento Bilknick.
27:29No começo eu pensei que foram lá me fazer umas perguntas.
27:32Ela está lá atrás.
27:34Lá fora?
27:34É.
27:35Quando eles foram para os fundos eu pensei que iam me machucar.
27:38Porque eu ouvi eles dizendo, vamos fazer isso nos fundos.
27:41E eu comecei a tremer.
27:43Eu abri a porta e...
27:46...e falei, o que está acontecendo?
27:48Eles disseram, você está presa.
27:50E eu disse, por quê?
27:52E eles, você foi denunciada por homicídio doloso e está presa.
27:55E leram os meus direitos de novo.
27:57Aí eu recuei e o patrulheiro Proctor me agarrou e tentou me virar e pegou o meu braço.
28:07Eu continuei tentando me esquivar dele, porque eu não entendia por que estava sendo presa.
28:12Por favor, só deixa ele te algemar, tá?
28:14Agora eu fui acusada de homicídio doloso?
28:16Exato.
28:17Homicídio doloso veicular e fuga do local do crime causando morte e lesão corporal.
28:22Por isso foi emitido um mandado de prisão contra você.
28:24Eu fui acusada de mais crimes.
28:27As acusações foram elevadas de homicídio culposo para homicídio doloso, o que significa um grau de intenção, que eu sabia o que estava fazendo, que não foi acidente.
28:38Homicídio doloso pode levar à sentença de prisão perpétua.
28:42Pode ser elegível para liberdade condicional, mas não tem garantia que vai conseguir.
28:46É prisão perpétua.
28:47Olha, dez anos ou prisão perpétua a essa altura me parecem a mesma coisa.
28:52Eu passei duas noites, dois dias na prisão e pareceu uma eternidade.
28:56Então, podem me trancar por seis meses que, para mim, vão parecer uma vida inteira.
29:04Quer dizer, eu tenho 44 anos, então 20, 30, 40 é o resto da minha vida produtiva.
29:14É um mandado de prisão contra você.
29:17Eu fui algemada pelo Proctor.
29:19Eu estava de shorts, sem calcinha, com uma camiseta e eu coloquei um casaquinho quando eu ouvi eles lá fora e eu estava de pantuva também.
29:27A gente vai resolver isso.
29:29Que medicação você usa?
29:30De que precisaria agora?
29:32Eu preciso dos meus remédios e de uns itens de higiene pessoal.
29:34Que tipo de remédio é e onde está?
29:36A gente pega para você.
29:37Eu posso, pelo menos, colocar um sapato normal para não aparecer na TV assim?
29:40Isso aqui, eu nem estou usando roupa íntima, eu posso vestir uma calça?
29:44De novo, os seus pais podem vir aqui e pegar o que você precisar, tá bom?
29:47Mas eu não quero aparecer no canal 4 de pijama, isso aqui é...
29:50Eu não me preocuparia com o noticiário agora.
29:52Você quer falar comigo?
29:53Não.
29:54Tá.
29:55Viu como ela é maluca?
29:57Está vendo as câmeras aqui?
29:59Ela está mais preocupada com a aparência dela na TV.
30:02Senta aqui, por favor.
30:03Eu fui levada na viatura policial para a delegacia de novo e fechada de novo.
30:11Pronta?
30:12Um, dois, três.
30:16Eu sabia que iam me exibir de novo.
30:19Era assustador.
30:21Eu estava numa posição completamente vulnerável e a minha mente estava mil.
30:27Eles iam me trancar e achavam que eu era uma assassina.
30:31Foi aí que eu percebi que era para valer.
30:35É...
30:35Eles queriam que eu realmente pagasse.
30:46Por aqui?
30:49Vire na primeira direita.
30:51Primeira esquerda.
30:54Eu vou ter que revistá-la, tá?
30:56Isso, puxa os bolsos para fora, assim eu não preciso...
30:59Nada nos bolsos?
31:02Nada na cintura?
31:03A segunda noite foi muito, muito pior na prisão do que a primeira.
31:08Porque eu comecei a pensar que não voltaria mais para casa.
31:12Alguma coisa atrás?
31:13Aquela noite foi uma das piores da minha vida.
31:15Tá.
31:16Tem bolsos na camisa?
31:18Não.
31:19Tá legal, senhora.
31:20Fica com isso, tá?
31:20Na primeira vez que a Karen foi presa, eu lembro de voltar para o meu escritório em casa naquela tarde
31:35e o meu assistente me dizer que um cara chamado Mike tinha ligado para o escritório com informações importantes para mim.
31:42Eu liguei para ele e eu lembro de estar sentado na minha cadeira em casa no meu escritório
31:48e ele tinha uma voz rouca e, sabe, foi um momento marcante porque ele disse que talvez outra pessoa tivesse causado a morte do John O'Keefe.
32:05Logo no início do caso, era tudo nebuloso.
32:11O David não sabia com o que lidava.
32:13Entrou no caso sem nunca ter visto a Karen.
32:15Ela era acusada de atropelar um policial com um carro.
32:19Ele acabou morrendo e o David lá, perdido.
32:22Mas o que aconteceu?
32:22Preciso de provas e eu não tenho nada.
32:27Mas então, ele recebeu uma ligação no escritório de alguém que disse, quase que sussurrando,
32:35Preciso investigar quem mora no 34 da Fairview.
32:41Preciso investigar bem os proprietários.
32:45Preciso investigar os ocupantes daquela casa.
32:50Tinha mais coisa ali do que parecia.
32:54Não fazíamos ideia de que poderia haver um outro suspeito do crime.
33:01E tudo mudou naquele momento.
33:03Eu o chamei ao meu escritório.
33:08E ele foi e se sentou com o meu investigador e comigo.
33:12E, sabe, nossa conversa com ele não passou desse ponto.
33:18Não era como se ele fosse uma testemunha ou que pudéssemos usá-lo.
33:22Mas aquela pista foi valiosa.
33:25Porque nos mandou numa direção diferente, bem no começo dessa investigação.
33:31Se aquele informante não tivesse dado a informação, eu não sei se estaríamos aqui nesse momento.
33:40Porque no início, o David dizia alguma coisa como, olha, foi um acidente.
33:46E ela não é criminalmente responsável.
33:49Mas depois daquela pista, começamos a enxergar uma nova defesa.
33:54Que era uma armação contra a Karen.
33:56A defesa diz que Reed não atropelou o O'Keefe.
33:59Mas que, na verdade, ele foi espancado dentro da residência e seu corpo depois foi jogado na rua.
34:04Parece que somos os únicos lutando pela verdade sobre o que aconteceu com o John O'Keefe.
34:08Karen, só para esclarecer, você não matou ele.
34:10Nós sabemos quem foi, Steve.
34:13Nós sabemos.
34:14E sabemos quem liderou essa encenação.
34:16Todos nós sabemos.
34:17Nós sabemos.
34:18E não, não foi ela.
34:19Não foi ela.
34:20Essa mulher é inocente.
34:22A defesa tem uma história diferente para o que aconteceu.
34:28Há uma suposta conspiração policial aqui.
34:30O John O'Keefe entrou naquela casa e a alegação é que algo aconteceu lá dentro.
34:34E essa é a verdade.
34:35O que você acha que é?
34:36Bem, com certeza a polícia estadual de Massachusetts está envolvida.
34:39Havia pessoas naquela casa que estão envolvidas.
34:41Brian Albert está envolvido.
34:43Jennifer McCabe está envolvida.
34:45Outras pessoas que estavam na casa.
34:47Cada uma delas tem algum nível de envolvimento no caso.
34:51Entre as pessoas na casa naquela noite estava o Brian Albert, proprietário da casa, e o Brian Higgins.
34:58O Brian Albert é policial em Boston.
35:01É o chefe de uma unidade de fugitivos.
35:03O Brian Higgins é agente federal da ATF.
35:06E é amigo do chefe de polícia do condado de Kenton.
35:12Tudo aconteceu na frente da casa de um policial de Boston.
35:16E nos primeiros dois anos do caso, sabíamos que algo não estava certo e lutávamos com unhas e dentes para ter acesso aos dados dos celulares e informações eletrônicas que sabíamos que era a chave do caso.
35:26Não se pode provar uma conspiração só fazendo perguntas difíceis.
35:31É preciso dados para apoiar a ligação.
35:34Uma das coisas que tentamos fazer com muito esforço foi acessar todas as comunicações eletrônicas.
35:40Como se prova uma conspiração?
35:42É preciso ver os celulares das pessoas.
35:44Vivemos no século XXI.
35:45É assim que conspirações são conduzidas.
35:48E esse foi um dos aspectos em que o Alan e eu tivemos sucesso no caso do Spacey.
35:54A acusação obteve os dados do celular da Jane McCabe, uma das mulheres que estava na casa naquela noite.
36:00Foi uma das pessoas que sugeriram que o John fosse até a casa.
36:04Então, contratamos um perito forense para analisar esses dados.
36:10E, para nossa surpresa, nunca vou esquecer, eu estava nesse escritório quando recebi uma ligação e o nosso perito forense não sabia muito sobre o caso.
36:24Ele não sabia a sequência de eventos, não sabia qual era o impacto de certas datas e horários, nada disso.
36:32E ele disse, quero te avisar que não sei se isso significa alguma coisa para você.
36:38Mas no celular da Jane McCabe, há uma busca no Google por quanto tempo leva para se morrer no frio.
36:45Ela escreveu errado a palavra quanto.
36:48Escreveu com D.
36:51Eu disse, o quê? Você tem certeza?
36:53Porque isso não estava no relatório.
36:56Ele disse, sim, tenho certeza.
36:58E ele disse, foi às 2h27 e 40 segundos.
37:02Tá, qual data?
37:06E ele disse, 29 de janeiro.
37:11Eu pensei, não pode ser.
37:14Não pode ser.
37:15Jennifer McCabe, de acordo com os indícios que tínhamos do celular dela,
37:20pesquisou na internet quanto tempo se leva para morrer no frio.
37:24Às 2h27 e 40 segundos da madrugada, 3 horas e meia antes do corpo do John ser encontrado.
37:30Ninguém além de Karen Reed foi acusado em conexão com a morte de John O'Keefe.
37:38E aí
37:44E aí
37:44E aí
37:46E aí
37:47E aí
37:49E aí
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