00:00Porque após o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar ao presidente do Supremo, Edson Fachin,
00:05todo o relatório sobre a perícia que foi feita no seu lar de Daniel Vorcário,
00:10Dias Toffoli confirmou que é sócio da empresa que administrava um resort no Paraná
00:14e que fez negócios com o cunhado de Daniel Vorcário.
00:18A Janaína Camelo está de volta e vai trazer mais detalhes pra gente,
00:20é claro, as explicações do ministro diante desses fatos. Jana.
00:28Pois é, Cássio, pela primeira vez o ministro admitiu ser sócio nessa empresa familiar com dois irmãos
00:36que teve participação já no Tayayá Resort, esse resort do Paraná,
00:41que há dia já a gente vem noticiando que esses dois irmãos do ministro Dias Toffoli
00:45venderam essa participação nesse resort pra fundos de investimentos ligados ao Banco Master,
00:49geridos pela antiga RIAG, RIAG que é investigada também na Operação Carbono Oculto,
00:56que é aquela operação que investiga lavagem de dinheiro no mercado financeiro,
01:00envolvendo o PCC também.
01:02Enfim, essa segunda nota foi apresentada hoje,
01:05depois da primeira nota que foi apresentada ontem à noite,
01:07e nessa nota de hoje o ministro fala que o nome dessa empresa é a empresa Maridite,
01:12de Sociedade Anônima e Capital Fechado.
01:14Nessa mesma nota ele cita que a lei orgânica da magistratura permite que um magistrado seja sócio de empresa,
01:21só não permite que ele administre diretamente essa empresa.
01:25Diz a nota também do gabinete do ministro que foi integrante do grupo Tayayá,
01:30essa empresa Maridite, até fevereiro de 2025,
01:33e que o ministro pegou a relatoria do caso do Banco Master no dia 28 de novembro de 2025,
01:39ou seja, depois que a empresa dele não fazia mais parte do grupo Tayayá.
01:45Diz também a nota que a participação foi encerrada por meio de duas operações sucessivas,
01:49que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal,
01:52que todas as vendas também foram realizadas dentro do valor de mercado.
01:57E aí no final da nota, Cássio, o ministro diz que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Forcaro.
02:04Cássio.
02:06Perfeito, Jana. Obrigado pelas informações.
02:08A gente vai seguir, é claro, acompanhando todos os detalhes diretamente de Brasília.
02:11E qualquer novidade em relação a essa reunião,
02:14que vai acontecer a qualquer momento lá na Suprema Corte,
02:17entre Edson Fachin e, é claro, os ministros que estão presentes em Brasília,
02:21Janaína Camelo volta conosco.
02:23Lembrando, gente, que ao todo são oito ministros que vão participar dessa reunião.
02:26Apenas Luiz Fux e André Mendonça estão ausentes aí da capital federal
02:30e devem participar à distância.
02:32Mas, é claro, qualquer novidade a gente traz pra vocês.
02:34O Fábio Perno, eu quero repercutir com você,
02:37porque a Janaína também trouxe outros elementos em relação a essas explicações
02:41que foram dadas pelo ministro Dias Toffoli.
02:44Foi uma nota ontem à noite, outra agora hoje de manhã,
02:49trazendo essas ligações, essas conexões que ele teve.
02:52Mas, ao mesmo tempo, ele sempre dizendo,
02:54ó, foi tudo, o dinheiro foi declarado, mostrei pra receita,
02:59eu não tenho nenhum tipo de negócio.
03:00E quando foi feita a venda da parte dele do resort, lá, o Tayayá,
03:04no interior do Paraná, ele nem era relator desse caso.
03:08Enfim, ele trouxe essas explicações.
03:09Como é que você enxerga essas explicações,
03:13essas palavras que Dias Toffoli escolheu
03:16pra se julgar, aí, pelo menos possível, continuar na relatoria desse caso?
03:23Nesse caso do Master, a cronologia faz muita diferença em todos os aspectos.
03:28Inclusive, a gente já criticou aqui o fato,
03:31e muita gente do mercado também faz ressalvas a isso,
03:35a demora do Banco Central em agir.
03:37Lá atrás, em 2024, já existiam elementos.
03:40Então, essa é uma crítica que se faz.
03:41Por quê?
03:42Porque a cronologia, o timing das coisas,
03:45ele, nesse caso, a ordem dos fatores modifica em muito o produto.
03:50Toffoli.
03:51Por que o ministro Toffoli, desde o início,
03:56já não veio a público dizer,
03:57olha, então, eu já fiz negócio com esse grupo,
04:01eu não era proibido disso,
04:02porque naquela época eu tinha outras atividades,
04:05eu não era ministro da Suprema Corte, etc, e tal.
04:08Então, eu fiz lá algum tipo de negócio com eles.
04:10Portanto, eu também me sinto constrangido a receber esse caso.
04:16Ele não fez nada disso.
04:18O que ele fez?
04:19Decretou o sigilo sobre as investigações,
04:22atrapalhou a Polícia Federal.
04:24Vamos lembrar que, de semanas atrás,
04:27ele exigiu que a Polícia Federal entregasse
04:30todo o material das investigações para ele,
04:33inclusive as mídias, os dispositivos eletrônicos,
04:35que poderiam, inclusive, ser perdidos
04:38se houvesse demora para que eles fossem avaliados.
04:44Ele também acabou, de certa forma,
04:50constrangendo familiares dele,
04:51porque, de uma hora para outra,
04:53todo mundo começou a olhar para a Marília
04:55para ver como é que morava o irmão,
04:56o outro irmão que é padre,
04:58a cunhada que falou,
05:00bom, eu não sou milionário, não sou rico,
05:02então, vejam, em momento algum,
05:05ele tomou a iniciativa de falar,
05:09vamos parar com isso,
05:11é o seguinte, eu fui sócio, não sou mais,
05:14então, ele trouxe para dentro do Supremo
05:18um problema que o Supremo não tinha,
05:21era algo que dizia,
05:23respeito à pessoa física de Antônio Dias Toffoli,
05:26então, esse escândalo do Master,
05:28ele, para mim, é o mais complexo
05:32e o que mais tem teias de todos
05:34que a gente viu na República e Verde,
05:35não só, não foram poucos,
05:37daí na máfia dos anões do orçamento,
05:40porque aquele era um problema
05:42que dizia respeito ao Congresso.
05:45Aí, o Mensalão,
05:46alguns integrantes do Executivo,
05:49do Partido de Política,
05:50esse, ele abrange os três poderes,
05:53fora que ele lança suspeitas
05:55em cima do Banco Central,
05:57da relação do TCU com o Banco Central,
06:00porque o papel do TCU
06:02também está sob suspeita.
06:04Então, esse é um escândalo
06:06que abrange muita gente
06:07e a sensação, a percepção para a sociedade
06:10é que isso tudo está apenas no começo.
06:13Então, ele deveria,
06:15agora, não apenas renunciar o caso,
06:17mas ele deveria ir embora,
06:18porque ele está jogando
06:20o escândalo mais importante
06:23da vida do Supremo
06:24para o centro da corte,
06:26para o colo da corte,
06:27e deixando uma situação
06:28muito constrangedora e difícil,
06:30os seus pares
06:31e também o ministro Fachin.
06:34Isso aí, Piperno.
06:35Para quem nos acompanha na rádio,
06:36a gente vai fazer um rápido intervalo,
06:38mas o 3E1 segue
06:39em todas as outras plataformas.
06:41Bom, meus amigos,
06:42inclusive, o FAP Piperno
06:43trouxe aqui um detalhe importante
06:45sobre as diferentes ações
06:47e as questões cronológicas
06:49do ministro Dias Toffoli
06:52à frente deste processo
06:54envolvendo o escândalo do Banco Master.
06:55Inclusive, muitas das ações
06:57foram criticadas
06:58em movimentos que não são considerados
07:00normais dentro do inquérito
07:02e também que geraram
07:04não só constrangimento,
07:05mas também estranheza
07:06dentro dos próprios ministros.
07:08Como o Piperno falou aqui,
07:09a questão também
07:10de colocar sigilo total,
07:12não deixar as provas,
07:13ficar com a Polícia Federal
07:14e sim no gabinete dele.
07:15Depois ele acabou recuando
07:17para deixar com o Ministério Público Federal.
07:19Aquela careação que ele fez
07:21entre Daniel Vorcaro
07:22e também com o ex-presidente do BRB.
07:25E tudo isso chamou muita atenção
07:26e, é claro, gerou um estranhamento
07:28dentro do poder do judiciário.
07:30Por isso, Alangani,
07:31eu quero te perguntar,
07:32essa reunião que a Edson Fachin
07:33vai fazer com os ministros
07:35é uma espécie de freio de arrumação
07:37para dividir essa responsabilidade
07:39porque a Edson Fachin
07:40recém assumiu a presidência,
07:42pautou, inclusive,
07:43na abertura do ano do judiciário
07:44a uma pauta que também
07:46não tem uma adesão muito grande,
07:48que é o Código de Ética,
07:49o Código de Conduta dos Ministros.
07:51E agora vem essa bomba
07:53que pode, de certa forma,
07:54dependendo de novas provas,
07:56novos elementos,
07:57pode implodir lá em Brasília
07:58e arranhar ainda mais
08:00a imagem do Supremo Tribunal Federal.
08:02Você acredita que a ideia
08:04de Edson Fachin e Alangani
08:05seria blindar os ministros,
08:07chegar a um conjunto,
08:10até mesmo levar para o pleno
08:11uma possível votação
08:13para que tenha suspeição
08:14de Dias Toffoli
08:15ou pode ser uma estratégia,
08:18no melhor, ditado popular, né?
08:20Desce o dedo,
08:20mas para salvar uma mão.
08:22É, desce o dedo
08:23para salvar uma mão.
08:24Porque, veja, Cássios,
08:25o que está em jogo agora
08:28é a reputação institucional
08:31da Suprema Corte.
08:33O ministro Fachin
08:34tem uma tarefa muito difícil
08:36porque ele tem que estancar
08:38uma hemorragia.
08:39E a gente está falando
08:41de um ministro
08:42que tem um histórico
08:44de decisões
08:45muito questionáveis
08:48por renomados juristas,
08:50a começar pelo inquérito
08:52das fake news,
08:52interminável inquérito
08:54das fake news,
08:55que não é,
08:56muita gente acha que é,
08:58que começou lá
08:59com o ministro Alexandre de Moraes.
09:01Não, não.
09:01O inquérito das fake news
09:03começou com Dias Toffoli.
09:05Depois, ele anulou lá
09:08os acordos de leniência também.
09:11Isso foi unânime
09:12entre os juristas,
09:14muitas críticas
09:15entre os juristas.
09:16Depois ele aparece lá,
09:18a revista Cruzoé
09:19foi censurada
09:21por falar
09:21o amigo do amigo
09:22do meu pai
09:22censura na Cruzoé.
09:24Então, veja,
09:25a gente está falando
09:26já de temas históricos
09:27que a classe
09:30de advogados,
09:31de juristas renomados,
09:32à imprensa.
09:34Todo mundo ficou muito contra.
09:36E agora,
09:37veja aqui,
09:38não estou adjetivando, não.
09:39Só estou trazendo elementos,
09:40só estou trazendo fatos.
09:42E agora,
09:44novamente,
09:45no epicentro
09:47de uma baita crise
09:49por conta
09:50de suspeição,
09:51de conflitos,
09:52de interesse
09:53envolvendo o caso
09:54do Banco Master.
09:56Tarefa muito difícil
09:57para o ministro Fachin.
10:00Talvez seja o maior desafio
10:02da vida dele.
10:03Mas, de alguma maneira,
10:04os ministros
10:05da Suprema Corte
10:06têm que encontrar
10:07uma saída.
10:08Caso contrário,
10:09a reputação
10:10da instância máxima
10:11da justiça
10:12vai ser danificada.
10:15Zé Maria Trindade,
10:16inclusive o Alangani
10:16falou nessa questão
10:17de estancar
10:18esse sangramento
10:19que está acontecendo
10:20com o Supremo Tribunal Federal.
10:21E um pouco mais cedo,
10:22ouvido um jurista
10:23que caso o Dias Toffoli
10:24não saia
10:25deste processo
10:26ou se julgue impedido
10:27a suspeição
10:28devido ao envolvimento
10:29a esses novos elementos,
10:30ele disse que seria
10:31a mesma coisa
10:32do que cuidar
10:34de uma fratura exposta
10:35com esparadrapo.
10:38Mas, tradicionalmente,
10:39o histórico
10:40do Supremo Tribunal Federal,
10:42e eu sempre acompanhei
10:43muito de perto
10:44o que acontece no Supremo,
10:45é o próprio ministro
10:47que se dá
10:48como impedido.
10:50Não me lembro
10:51de casos
10:52em que a corte decide
10:54contra o ministro
10:55de que ele está impedido.
10:57Existem vários casos
10:59e a própria Lomã,
11:00ela deixa muito
11:01a cargo do juiz
11:02o que é o comprometimento.
11:04É ele que tem
11:05que se sentir impedido,
11:06é mais ou menos assim.
11:07Mas, nesse caso,
11:09ele está muito claro
11:11de que há um impedimento.
11:14E, inclusive,
11:15a proposta
11:16da ministra Carmem Lúcia
11:17para o Código de Conduta
11:19indica mais ou menos isso,
11:20de que,
11:21em alguns casos,
11:22até mais leves,
11:23por exemplo,
11:24de alguém,
11:26algum parente
11:27que tem escritório
11:28defendendo o cliente,
11:29que o ministro
11:30deve ficar impedido.
11:32Nesse caso,
11:32é o envolvimento
11:33do próprio ministro.
11:35Então, assim,
11:36é uma situação
11:37muito complexa
11:38e diferente.
11:39E eu disse
11:42que o Supremo
11:42não tem armas,
11:44não tem mecanismos
11:45para se defender
11:47na opinião pública
11:48porque ele não foi
11:49moldado
11:50para ter
11:51esse tipo de embate.
11:52O que nós estamos
11:54comentando,
11:55o que nós estamos
11:56negociando
11:57e que chama hoje
11:58a atenção de políticos
12:00e da imprensa
12:01é esse debate
12:02que é inédito.
12:03Os ministros
12:04do Supremo
12:05sempre foram considerados
12:07uma espécie
12:08de reserva.
12:10Falavam um pouco,
12:12eram juristas
12:13que só falavam
12:14nos autos
12:15e assim por diante.
12:16E a gente vê ali
12:18na baila
12:19um debate
12:20meio que político,
12:21como se ele
12:22fosse candidato,
12:24como se ele
12:24tivesse que se reeleger.
12:25E não é assim.
12:27Aí entra
12:28a instituição
12:29nessa insegurança
12:31que a instituição
12:32vem sendo
12:34questionada.
12:34Alguns usam
12:35o termo
12:36atacada
12:37e eu acho
12:39questionada
12:39porque o mundo
12:40mudou,
12:41nada é mais
12:42inquestionável.
12:44Tudo tem
12:45que se explicar.
12:45Mas eu aprendi
12:46na política
12:47que ninguém
12:48deve dar
12:49explicações
12:50numa situação
12:51assim.
12:51Porque dizem
12:52na política
12:53os aliados
12:54não precisam
12:56de explicações
12:57e os adversários
12:58não acreditarão
12:59nas suas explicações.
13:01Mas quando é
13:02essa explicação
13:02vem de um ministro
13:04da Suprema Corte
13:04do país.
13:05Aí torna tudo
13:06muito mais complexo.
13:08Então é um momento
13:09muito difícil.
13:10Os ministros
13:11entenderam
13:12o que está acontecendo
13:14e é preciso
13:16tomar uma decisão.
13:17essa decisão
13:18tinha que vir
13:18do ministro
13:19Dias Toffoli
13:20de se considerar
13:21impedido
13:22porque pode
13:23acontecer
13:24um afastamento
13:25compulsório
13:26inédito
13:27afastamento
13:28compulsório
13:28porque há sinais
13:30de que
13:31aliados
13:32de Toffoli
13:33já soltaram
13:34a mão dele.
13:34e aí
13:34Obrigado.
Comentários